quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Liderança cristã Presbitero Presbitério (4)


.                     DEVERES DO PRESBITERIO (2)




Mt 20 25-28. Aqui estão a repreensão e a instrução que Cristo deu aos outros dez discípulos, diante do desprazer que demonstraram pelo pedido de Tiago e João. O Senhor teve de suportar muitas fraquezas por parte de todos eles, que eram muito fracos no conhecimento e na graça; no entanto, Ele os suportou com amor.

1. A irritação causada aos dez discípulos (v. 24):

“Indignaram-se contra os dois irmãos” ; não porque desejassem ser preferidos antes deles - que foi o pecado de Tiago e João, pelo qual Cristo se entristeceu - , mas porque queriam ter a honra para si mesmos, o que revelava descrédito em relação aos dois irmãos. Muitos parecem ter uma indignação pelo pecado; porém, não a sentem pelo pecado em si, mas porque tal pecado os toca. Eles se indignarão contra um homem que amaldiçoa; mas somente o farão se ele lhes amaldiçoar, e lhes afrontar, não porque tal homem esteja desonrando a Deus. Esses discípulos estavam com raiva da ambição de seus irmãos, embora eles mesmos fossem igualmente ambiciosos. E comum que as pessoas se enfureçam com os pecados dos outros, os quais elas permitem e toleram em si mesmas. Aqueles que são orgulhosos e cobiçosos não gostam de ver outros assim. Nada causa mais dano entre irmãos, ou é a causa de mais indignação e contenda, do que a ambição e o desejo de grandeza. Nós nunca encontramos os discípulos de Cristo discutindo; mas eles enfrentaram uma situação de contenda essa ocasião.

2. A correção que Cristo lhes fez foi muito suave, por meio da instrução sobre o que eles deveriam ser, e não por meio da repreensão pelo que eles eram. Ele havia reprovado esse mesmo pecado antes (cap. 18.3), e lhes dissera que deveriam ser humildes como crianças pequenas; o entanto, eles reincidiram nesse pecado, mas Cristo os repreendeu de forma moderada. “Então, Jesus, chamou-os para junto de si”, o que sugere um grande carinho e familiaridade. Ele não lhes ordenou, com raiva, que saíssem de sua presença, mas os chamou, com amor, para virem à sua presença. Ele está sempre pronto a ensinar, e nós somos convidados a aprender dele, porque ele é “manso e humilde de oração”.
O que Ele tinha a ensinar dizia respeito tanto aos dois discípulos como aos outros dez; portanto, ele reúne todos. E lhes diz que enquanto estavam perguntando qual deles deveria ter o domínio em um reino temporal, não havia realmente tal domínio reservado para nenhum deles. Porque: (1) Eles não deveriam ser como os “príncipes dos gentios”. Os discípulos de Cristo não deveriam ser como os gentios, nem como os príncipes dos gentios. O principado não torna ninguém ministro, da mesma forma que o “gentilismo” não torna ninguém cristão.

Observe: [1] Qual é a maneira dos príncipes dos gentios (v. 25): exercer domínio e autoridade sobre aqueles que lhes são sujeitos (mesmo que só possam alcançar o domínio com mão forte), e uns sobre os outros também. O que os sustenta nessa posição é que eles são grandes, e os homens grandes acham que podem fazer qualquer coisa. Domínio e autoridade são as grandes coisas que os príncipes dos gentios procuram, e de que se orgulham; eles deteriam o poder, venceriam todas as dificuldades, teriam todos sujeitos a si, e todo feixe inclinado ao deles. Eles queriam ter a seguinte proclamação diante de si: “Inclinai-vos”; como Nabucodonosor, que matava, e deixava viver, ao seu bel-prazer

. [2] Qual é a vontade de Cristo com relação aos seus apóstolos e ministros, nesta questão. Em primeiro lugar: ‘“Não será assim entre vós’. A constituição do reino espiritual é bem diferente dessa. Deveis ensinar os súditos desse reino, instruí-los e exortá-los, aconselhá-los e consolá-los, esforçarem-se com eles, e sofrer com eles, não exercer domínio e autoridade sobre eles; não ter ‘domínio sobre a herança de Deus’ (1 Pe 5.3), mas trabalhar em benefício dela” . Isto proíbe não só a tirania e o abuso de poder, mas a reivindicação ou o uso de qualquer autoridade secular, como os príncipes dos gentios legitimamente exercem. E tão difícil para os homens vaidosos, mesmo para os homens bons, terem tal autoridade, e não ficarem envaidecidos com ela, e fazerem mais mal do que bem com ela, que nosso Senhor Jesus considerou necessário bani-la totalmente da igreja. Até mesmo o apóstolo Paulo rejeita o domínio sobre a fé de qualquer pessoa (2 Co 1.24). 

A pompa e a grandeza dos príncipes dos gentios não convém aos discípulos de Cristo. Então, se o poder e a honra não foram planejados para estar na igreja, era uma insensatez deles estarem disputando quem deveria tê-los. Eles não sabiam o que pediam.
Em segundo lugar, então qual será o relacionamento entre os discípulos de Cristo? O próprio Cristo havia sugerido uma grandeza entre eles, e aqui Ele explica: “Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo” (w. 26,27). Observe aqui: 
1. Que é dever dos discípulos de Cristo servirem uns aos outros, para a edificação mútua. Isto inclui tanto a humildade como a utilidade. Os seguidores de Cristo devem estar prontos a se submeter aos ofícios de amor mais inferiores para o bem mútuo; devem ser sujeitos uns aos outros (1 Pe 5.5; Ef 5.21), para a edificação de uns para com os outros (Rm 14.19), agradar ao seu próximo para o bem (Rm 15.2). O grande apóstolo se comportou como servo de todos (veja 1 Co 9.19). 2. A dignidade dos servos de Cristo está relacionada ao fiel cumprimento dessa obrigação. O modo de ser grande, e o primeiro, é ser humilde e servil. Esses serão mais considerados e mais respeitados na igreja, e será assim para todos aqueles que entenderem as coisas de forma correta. Os mais honrados não são aqueles que são dignificados com nomes elevados e poderosos, como os nomes dos grandes na terra, que aparecem em pompa, e assumem para si mesmos um poder proporcional; os mais honrados serão aqueles que forem mais humildes e que mais renunciarem a si mesmos, aqueles que mais planejarem fazer o bem, embora diminuam a si mesmos. Esses honram mais a Deus, e a esses Ele honrará. Assim como o que quer ser sábio deve se fazer de tolo, quem quiser ser o primeiro deverá se comportar como servo.

 O apóstolo Paulo foi um grande exemplo disso; ele trabalhou mais abundantemente do que todos, tornou- se (como diriam alguns) um escravo do seu trabalho. E ele não é o primeiro? Não o chamamos por unanimidade de “o grande apóstolo”, embora ele se autodenomine o menor entre os menores? E talvez o nosso Senhor Jesus estivesse pensando em Paulo quando disse: “Haverá derradeiros que serão primeiros”; porque Paulo nasceu fora do tempo devido, como um abortivo (1 Co 15.8); ele não foi apenas o filho mais novo da família dos apóstolos, mas, póstumo, tornou-se o maior dentre eles. E talvez fosse para ele que o primeiro posto de honra no reino de Cristo estivesse reservado e preparado por Deus Pai, e não para Tiago e João, que o buscaram. Portanto, antes de Paulo começar a ser famoso como um apóstolo, a Providência o ordenou, de forma que Tiago foi excluído (At 12.2), para que, no colegiado dos doze, Paulo pudesse ser o seu substituto. (2) Eles devem ser como o próprio Mestre; e é muito apropriado que eles o fossem, pois, enquanto estivessem no mundo, deveriam ser como Ele foi quando estava no mundo. Porque para ambos o estado atual é um estado de humilhação; a coroa e a glória estavam reservadas para ambos no estado futuro. Eles precisavam considerar que “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (v. 28). O nosso Senhor Jesus aqui se coloca diante dos seus discípulos como um padrão de duas qualidades anteriormente recomendadas: a humildade e a utilidade.

[1] Nunca houve um exemplo de humildade e condescendência como houve na vida de Cristo, que não veio para “ser servido, mas para servir”. Quando o Filho de Deus entrou no mundo - o Embaixador de Deus para os filhos dos homens alguém poderia pensar que Ele deveria ser servido, que deveria ter se apresentado em um aparato que estivesse de acordo com a sua pessoa e caráter; mas Ele não fez isso; Ele não agiu como uma celebridade, Ele não teve nenhum séquito pomposo de servos de Estado para servi-lo, nem se vestiu em túnicas de honra, porque tomou sobre si a “forma de servo”. Ele, na verdade, viveu como um homem pobre, e isto fez parte da sua humilhação. Houve pessoas que o serviram com as “suas fazendas” (Lc 8.2,3); mas Ele nunca foi servido como um grande homem. Ele nunca tomou a pompa sobre si, não foi servido em mesas, como um dos grandes deste mundo. Jesus, certa vez, lavou os pés dos seus discípulos, mas nunca lemos que eles tenham lavado os pés dele. Ele veio para ajudar a todos quantos estivessem em aflição. Ele se fez servo para os doentes e debilitados; estava pronto para atender aos seus pedidos como qualquer servo estaria pronto para atender à ordem do seu senhor, e se esforçou muito para servi-los. O Senhor Jesus serviu continuamente visando este fim, negando a si até mesmo o alimento e o descanso para cumprir essa tarefa. 
[2] Nunca houve um exemplo de beneficência e utilidade como houve na morte de Cristo, que “deu a sua vida em resgate de muitos”. Ele viveu como um servo, e fez o bem; mas morreu como um sacrifício, e com isso Ele fez o maior bem de todos. Ele entrou no mundo com o propósito de dar a sua vida em resgate; isto estava primeiro em sua intenção. Os aspirantes a príncipes dos gentios fizeram da vida de muitos um resgate para a sua própria honra, e talvez um sacrifício para a sua própria diversão. Cristo não age assim; o sangue daqueles que lhe são sujeitos é precioso para Ele, e Ele não é pródigo nisso (SI 72.14); mas, ao contrário, Ele dá a sua honra e a sua vida como resgate pelos seus súditos. Note, em primeiro lugar, que Jesus Cristo sacrificou a sua vida como um resgate. A nossa vida perdeu o direito nas mãos da justiça divina por causa do pecado. Cristo, entregando a sua vida, fez a expiação pelo pecado, e assim nos resgatou. Ele foi feito “pecado” e uma “maldição” por nós, e morreu, não só para o nosso bem, mas “em nosso lugar” (At 20.28; 1 Pe 1.18,19). Em segundo lugar, foi um resgate por muitos. Ele foi suficiente para todos, mas eficaz para muitos; e se foi eficaz para muitos, então diz a pobre alma duvidosa: “Por que não por mim?” Foi por muitos, para que por ele muitos pudessem ser feitos justos. Esses muitos eram a sua semente, pela qual a sua alma sofreu (Is 53.10,11). “De muitos”, assim eles serão quando forem reunidos, embora parecessem então um pequeno rebanho.

Então esse é um bom motivo para não disputarmos a precedência, porque a cruz é a nossa bandeira, e a morte do nosso Senhor é a nossa vida. Esse é um bom motivo para pensarmos em fazer o bem, e, em consideração ao amor de Cristo ao morrer por nós, não hesitarmos em “sacrificar as nossas vidas pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Os ministros devem estar mais ansiosos do que os outros para servir e sofrer pelo bem das almas, como o bendito apóstolo Paulo estava (At 20.24; Fp 2.17). Quanto mais interessados, favorecidos e próximos estivermos da humildade e da humilhação de Cristo, mais prontos e cuidadosos estaremos para imitá-las.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 260-262.

Mt 20.24,25 Os outros dez discípulos indignaram-se com o fato de que Tiago e João tivessem tentado usar o seu relacionamento com Jesus para obter as posições mais altas. Por que tanta ira? Provavelmente porque todos os discípulos desejassem honra no reino. Talvez Pedro, dominado pelo seu gênio, estivesse liderando os dez discípulos indignados, pois ele era o terceiro, juntamente com Tiago e João no grupo mais próximo a Jesus. Isto provavelmente parecia como um verdadeiro desprezo a ele. As atitudes dos discípulos degeneraram em pura inveja e rivalidade.
Jesus imediatamente corrigiu suas atitudes, pois eles nunca realizariam a missão para a qual tinham sido chamados se não amassem e servissem uns aos outros, trabalhando juntos para o bem do reino. Assim, Jesus pacientemente reuniu os seus discípulos e explicou-lhes a diferença entre os reinos que eles viam no mundo e o reino de Deus, que eles ainda não tinham experimentado.

Os reinos dos gentios (um exemplo óbvio era o império romano) têm líderes que dominam o povo, exercendo autoridade e exigindo submissão (veja 1 Pedro 5.1-3).Nos reinos gentios, a grandeza das pessoas depende da sua posição social ou do nome da família. Mas Jesus explicou que o seu reino seria completamente diferente.Mt 20.26-28 Em uma frase, Jesus ensinou a essência da verdadeira grandeza: Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal. A grandeza é determinada pelo serviço.

O verdadeiro líder coloca as suas necessidades em último lugar, como Jesus exemplificou na sua vida e na sua morte. Ser um “servo” não significa ocupar uma posição servil, mas sim ter uma atitude na vida que atende livremente às necessidades dos outros sem esperar nem exigir nada em troca. Os líderes que são servos apreciam o valor dos outros e percebem que não são superiores a ninguém; eles também entendem que o seu trabalho não é superior a nenhum outro trabalho. Procurar honra, respeito e atenção dos outros vai em direção contrária às exigências de Jesus para os seus servos. Jesus descreveu a liderança a partir de uma nova perspectiva. Ao invés de usar as pessoas, nós devemos servi-las.
A missão de Jesus era servir aos outros e dar a sua vida por eles. Um verdadeiro líder tem o coração de um servo. Os discípulos devem estar dispostos a servir porque o seu Mestre deu o exemplo. Jesus explicou que Ele não veio para ser servido, mas para servir a outros. A missão de Jesus era servir — em última análise, dando a sua vida para salvar a humanidade pecadora. A sua vida não foi “tomada”, Ele a “deu”, oferecendo-a como sacrifício pelos pecados do povo. Um resgate era o preço pago para libertar um escravo da escravidão. Jesus pagou um resgate por nós, e o preço exigido foi a sua vida. Jesus tomou o nosso lugar, Ele morreu a morte que nós mereceríamos.Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 123-124..A Amplicação Pessoal de Tiago e João (20.20-28).

Em Marcos 10.35-45, a outra passagem onde esse episódio está registrado, foi dito que Tiago e João fizeram o pedido. Aqui é a mãe, com seus filhos (20). Obviamente, o pedido foi feito juntamente, pelos três. Nesse ponto, Mateus abandona a sua prática habitual, e se torna mais específico do que Marcos. Adorando-o significa inclinando-se perante Ele.
O pedido era que os dois filhos pudessem se sentar, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino (21). Depois do segundo anúncio da Paixão, os discípulos haviam perguntado: “Quem é o maior no Reino dos céus?” (18.1). Jesus havia respondido colocando uma criança no meio deles e dizendo: “Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus” (18.4). O presente episódio mostra como era profunda a falta de entendimento deles sobre essa verdade, assim como sobre os ensinos ministrados por Jesus a respeito de sua Paixão, que se aproximava. Eles haviam deixado de entender totalmente o espírito do seu Mestre. Ainda estavam pensando no estabelecimento de um reino terreno. E já haviam decidido quem deveria ser o “maior” no reino, embora ainda não soubessem quem deveria se sentar à direita - lugar da mais elevada honra - e quem se sentaria à esquerda.

A resposta de Jesus foi clara: Não sabeis o que pedis (22). Algumas pessoas estão sempre procurando os privilégios de uma posição, sem reconhecer as responsabilidades envolvidas. Aqueles que estiverem mais próximos de Cristo irão sofrer mais. Será que desejavam ser pendurados em uma cruz, ao Seu lado? Não haveria quem rivalizasse com eles para essas posições! No entanto, quando o Senhor perguntou: Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Eles responderam de forma alegre e inocente: Podemos. Beber o cálice era uma figura muito conhecida dos judeus (cf. SI 75.8). Williams diz: “Aqui, o cálice significa os sofrimentos interiores, mentais e espirituais, que Cristo suportou (cap. 26.39, 42)”.
O Mestre advertiu os seus dois discípulos: Na verdade bebereis o meu cálice35 (23). Tiago foi o primeiro dos apóstolos a ser martirizado (At 12.2). Em relação aos últimos dias de João existem muitas lendas, mas nada se sabe ao certo, exceto que ele sofreu na ilha de Patmos (Ap 1.9).
Jesus acrescentou que não lhe competia atribuir assentos à Sua direita e à Sua esquerda, mas estes lugares são reservados ...para aqueles para quem meu Pai o tem preparado.

Isso parece ser uma negação de autoridade da parte de Cristo. E mais provável que nessa passagem mas {alia) signifique “exceto” {ei me), como aceito por Blass-Debrunner36 e J. H. Moulton. Dessa maneira, essa passagem pode ser assim entendida: “Não me compete dar estes lugares a alguém, exceto àqueles a quem Deus planejou concedê-los”. Isso não significa nenhum favoritismo, mas que os lugares no Reino Messiânico serão dados a cada um de uma forma justa, e de acordo com um critério pré-estabelecido.
Quando os outros dez apóstolos perceberam o que Tiago e João haviam feito, eles indignaram-se contra os dois irmãos (24).

 Esse verbo significa “rebelar-se, indignar- se, irar-se”. Eles se ofenderam porque os dois filhos de Zebedeu estavam tentando “alcançar uma posição” superior à deles. Mas, infelizmente, não existem provas de que seus motivos fossem mais puros do que os demonstrados pelos dois irmãos.Jesus reuniu os doze discípulos, e os preveniu de que as políticas de seu Reino eram diferentes daquelas dos governos terrenos. Ele lembrou que pelos príncipes dos gentios são estes dominados e que os grandes exercem autoridade sobre eles (expressão encontrada apenas aqui e na passagem paralela em Marcos 10.42). O verbo exercem autoridade talvez possa significar “tiranizar sobre alguém”.

Mas não seria assim entre os seguidores de Cristo (26). Em uma escala ascendente, Jesus diz primeiramente que todo aquele que quiser ser grande, deve ser um serviçal. Essa palavra corresponde a diakonos, de onde se originou a palavra “diácono”. Em segundo lugar, quem quiser ter algum destaque deve, antes de mais nada, ser servo (27) - literalmente, “escravo”. Isso ilustra o antigo ditado: “Para subir, é preciso descer”. Aquele que se tornar servo de todos, será glorificado e elevado por todos.
O versículo 28 representa uma grande passagem teológica. Jesus declarou que o Filho do Homem não veio para ser servido (diakonethenai), mas para servir (diakonesai), e para dar a sua vida em resgate de muitos. A palavra para vida é psyché. Resgate é lytron (somente aqui e em Marcos 10.45), e vem de lyo, “libertar”. Ela significa “preço da liberdade, resgate (especialmente o dinheiro do resgate para a alforria dos escravos...)”. Esse uso está bastante ilustrado nos papiros, como mostrou Adolf Deissmann. Ele cita três documentos em papiros datados de 86, 100 e 107 (ou 91) d.C. que usam essa palavra com esse sentido. Seu comentário é o seguinte: “Mas quando alguém ouvia a palavra grega lystron, ou “resgate”, no primeiro século era natural que pensasse no dinheiro necessário para comprar a alforria de um escravo”.
Em resgate de (anti) muitos. O significado comum da preposição grega usada nesta expressão nos papiros daquele período era “ao invés de”.42 Essa conotação está claramente evidente nas outras duas passagens em Mateus, onde essa palavra ocorre. Em 2.22 lemos que Arquelau reinava “em lugar de” (anti) seu pai, Herodes. Ele havia tomado o seu lugar. Em 5.38 ouvimos a expressão olho “por” (anti) olho e dente “por” (anti) dente. Obviamente, isso significa um olho retirado “em lugar de” um outro olho, e um dente retirado “em lugar de” um outro dente. De alguma forma misteriosa, que só é conhecida por Deus, Cristo deu a sua vida em resgate, “em lugar de muitos”, para libertá-los da escravidão do pecado e para salvá-los da condenação eterna.
O uso da palavra muitos, neste contexto, não nega o fato de que Cristo morreu por todos. Em 1 Timóteo 2.6, Paulo escreve que Cristo Jesus “deu a si mesmo em preço de redenção [antilytron] por [hyper] todos”. Cristo morreu por todos, mas muitos foram salvos como resultado de sua morte.
Sob o título “Verdadeira Grandeza” podemos pensar: 1) No preço da grandeza - Podeis vós beber o cálice... e ser batizados com o batismo...? 2) Na prática da grandeza - Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; 3) No padrão de grandeza - O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 142-143.

3. Ungir os enfermos.

A unção com óleo é um ato de fé que acompanha a “oração da fé”, feita por homens de Deus, que, liderando a igreja local, ou auxiliando os pastores-líderes, atendem aos que se encontram enfermos, e oram por sua cura, “em nome de Jesus” (Mc 16.18c). Orar pelos enfermos e curá-los é sinal de fé para “os que crerem”, independente de serem obreiros regulares. Mas orar com unção com óleo é confiado aos presbíteros.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 137.

Tg 5.14 Uma característica da igreja primitiva era a sua preocupação com os doentes e o cuidado para com eles. Aqui Tiago incentiva os doentes para que chamem os presbíteros da igreja, pedindo aconselhamento e oração. Os presbíteros eram pessoas espiritualmente amadurecidas, responsáveis pela supervisão das igrejas locais (veja 1 Pe 5.1-4). Os presbíteros iriam orar sobre a pessoa doente, pedindo a cura ao Senhor. A seguir, eles a ungiriam com azeite em nome do Senhor. Enquanto oravam, os presbíteros deviam pronunciar claramente que o poder da cura residia no nome de Jesus. A unção era frequentemente usada pela igreja primitiva nas suas orações pedindo cura. Nas Escrituras, o azeite era tanto um remédio (veja a parábola do bom samaritano, em Lucas 10.30-37) como um símbolo do Espírito de Deus (como quando usado para ungir reis; veja 1 Sm 16.1-13). Desta forma, o azeite pode ter sido um sinal do poder da oração, e pode ter simbolizado a separação da pessoa enferma para a atenção especial de Deus.Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 691.
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Recebemos aqui orientações específicas acerca dos doentes, e a misericórdia perdoadora e curadora prometida aos que obedecem a essas orientações.“Está alguém entre vós doente”, então se pede deles: 1. Que “chame os presbíteros - presbyterous tes ekklesias - os pastores ou ministros da igreja” (w. 14,15). E do doente a responsabilidade de chamar os ministros, e desejar a ajuda e as orações deles. 
2. E dever dos ministros orar pelos doentes, quando chamados a isso. “...orem sobre ele”; que as suas orações sejam adequadas a esse caso, e suas intercessões sejam como convêm aos que são afetados com as calamidades. 3. Em tempos de curas milagrosas, os doentes deviam ser ungidos “...com azeite em nome do Senhor”. Os expositores em geral restringem esse ungir com azeite àqueles que tinham o poder de fazer milagres; e, quando cessaram os milagres, essa instituição também cessou. No evangelho de Marcos, lemos do incidente em que os apóstolos ungiram com azeite muitos que estavam doentes, e os curaram (Mc 6.13). E temos relatos disso sendo praticado duzentos anos depois de Cristo; mas então o dom de cura também acompanhava a unção, e, aí quando o dom milagroso cessou, esse ritual foi deixado de lado. Os romanistas na verdade fizeram disso um sacramento, que eles chamam de extrema-unção. Eles a usam, não para curar os doentes, como era usada pelos apóstolos; mas, como em geral eles contrariam as Escrituras nas ordens da sua igreja, assim aqui eles ordenam que isso seja ministrado somente àqueles que estão à beira da morte. 
A unção do apóstolo foi ordenada para curar a doença; a unção romanista é para a expulsão dos restos do pecado, e para capacitar a alma (como eles pretendem) a combater melhor os poderes do ar. Quando não conseguem provar, por nenhum efeito visível, que Cristo reconhece a continuação do seu rito, eles mesmo assim levam as pessoas a crer que os efeitos invisíveis são maravilhosos. Mas certamente é muito melhor omitir essa unção com azeite do que invertê-la contra os princípios estabelecidos para ela nas Escrituras. Alguns protestantes pensaram que essa unção foi apenas permitida ou aprovada por Cristo, e não instituída por Ele. Mas deveria parecer, pelas palavras de Tiago aqui, que foi uma coisa ordenada nos casos em que havia fé para a cura. E alguns protestantes a têm defendido com isso em vista. Não deveria ser usada comumente, nem mesmo na era apostólica; e alguns têm pensado que não deveria ser deixada totalmente de lado em nenhuma época, mas que sempre que houver uma medida extraordinária de fé na pessoa que unge, e nas que estão sendo ungidas, uma bênção extraordinária poderá seguir a observância dessa orientação para os doentes. Seja como for, há uma coisa que precisa ser cuidadosamente observada aqui, que a salvação do doente não é atribuída à unção com azeite, mas à oração: “...e a oração da fé salvará o doente” (v. 15).

 Assim que: 4. A oração sobre os doentes precisa proceder de uma fé viva, e ser acompanhada dela. Precisa haver fé tanto na pessoa que ora quanto na pessoa pela qual se ora. Em tempo de doença, não é a oração fria e formal que é eficaz, mas a oração de fé. 5. Deveríamos observar o sucesso da oração: “...o Senhor o levantará”. Isto é, se essa pessoa for capaz e adequada para o livramento, e se Deus tiver algo a mais para essa pessoa fazer no mundo, “...e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”; isto é, onde a doença foi enviada como castigo por algum pecado específico, esse pecado será perdoado, e como sinal disso a doença será removida. Assim como quando Cristo disse ao homem incapaz: “Não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior” (Jo 5.14), é sugerido aqui que algum pecado particular foi a causa da enfermidade do doente. A grande coisa que devemos pedir de Deus para nós mesmos e para os outros em épocas de doença é o perdão dos pecados. 
O pecado é tanto a raiz da doença quanto o aguilhão dela. Se o pecado for perdoado, ou a aflição será removida em misericórdia, ou obteremos misericórdia na continuidade dela. Quando a cura está fundamentada no perdão, podemos dizer como Ezequias: “Tu, porém, tão amorosamente abraçaste a minha alma, que não caiu na cova da corrupção” (Is 38.17). Quando você está doente e com dor, é muito comum orar e clamar: O, alivia-me! O, restaura a minha saúde! Mas a sua oração deveria ser antes e principalmente: O, que Deus perdoe os meus pecados!HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 851.

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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