quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ALUNOS QUE DESISTEM DAS AULAS


EVASÃO NA ESCOLA DOMINICAL

RESPONSÁVEIS POR INCENTIVAR A FREQUÊNCIA DE ALUNOS NA EBD, PROFESSORES DEVEM ESTAR ABERTOS À QUALIFICAÇÃO E ÀS MUDANÇAS DO MUNDO MODERNO.

Todos os domingos, às 8h 45min, o professor Jarbas já estava no templo para a Escola Bíblica Dominical. Antecipava-se aos alunos, que chegavam sempre após as 9h. Sistemático e meticuloso, ele cumpria o seu “ritual” introdutório com oração e leitura do texto da lição para, em seguida, iniciar a sua preleção, que se estendia por cerca de 25 minutos, sem a interferência dos alunos.
Após essa primeira parte, o professor Jarbas fazia uma pausa para ingerir o seu medicamento, preenchia o tempo escolhendo um aluno para contar um testemunho e, em seguida, narrava o que lhe ocorrera durante a semana, principalmente como a sua enfermidade o incomodara e que novas receitas naturais ele houvera descoberto. Após todos Responsáveis por incentivar a frequência de alunos na EBD, professores devem estar abertos à qualificação e às mudanças do mundo moderno esses passos, restava apenas a conclusão da lição, geralmente acompanhada de um lamento pela exiguidade do tempo.
Neste relato, guardadas as devidas proporções, podemos contemplar o retrato do que ocorre nas classes de EBD do Brasil. Os professores, em sua maioria, talvez por falta de preparo, são muito parecidos com o professor Jarbas: salvos por Jesus, movidos de intensa paixão pelo ensino da Palavra de Deus, anos a fio trabalhando no afã de edificar vidas e contribuir para o engrandecimento do Reino de Deus. Porém, estão totalmente desconectados da realidade. Utilizam somente o método da preleção, limitam-se à leitura da lição bíblica, não permitem a participação do aluno e falam exaustivamente sobre si mesmos e sobre suas experiências.
Embora existam outros fatores que contribuem para a evasão na EBD, o despreparo do professor tem sido determinante nesse cenário e até mesmo impedido o ingresso de novos alunos.
Para escrever este artigo, retomei e analisei uma pesquisa acerca das causas da evasão na Escola Bíblica Dominical, realizada em 1993 como parte dos trabalhos de uma pós-graduação em Docência Superior. Para minha surpresa, os motivos de hoje não são tão diferentes dos encontrados naquela época. Lamentavelmente, alguns se tornaram até mais críticos e acentuados, ou seja, as mudanças ocorridas não sanaram o grande problema da evasão na EBD. Dentre as causas encontradas naquela época, as mais comuns eram a falta de recursos didático-pedagógicos, falta de incentivo e de participação da liderança da igreja, classe única, infraestrutura precária ou inexistente e professores não vocacionados e despreparados.
Por ser aluno da Escola Dominical desde a infância e por haver atuado por cinco anos como superintendente da Escola Dominical da Assembleia de Deus na Ilha do Governador (RJ), acompanhei de perto os problemas e desafios de um líder de EBD. Por isso, creio não ser precipitado afirmar que a principal causa da evasão de alunos da EBD é o professor. Não há nada mais importante e determinante para atrair novos alunos e mantê-los em classe do que a pessoa do professor. O homem-chave da EBD é o professor. Se ele for espiritual e devidamente treinado para o magistério cristão, será um instrumento poderoso para edificação dos alunos e para o sucesso da EBD.
Por outro lado, não há nada mais desanimador do que lidar com professores que se julgam capazes a ponto de não precisarem mais de instrução. Não observam o que diz Provérbios 9.9: Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina ao justo, e ele aumentará em entendimento. Isso me faz recordar quando organizamos um curso preparatório para professores da EBD.
Tomamos todos os cuidados para oferecermos o melhor, elaboramos um manual especialmente para ser usado no curso e lançamos mão de todos os recursos disponíveis à época. Alguns professores não quiseram inscrever-se, e a alegação mais comum era: “Depois de tantos anos ministrando, será que não sabemos dar aula?”. Qual não foi a minha surpresa e decepção!
O que posso deduzir dessa experiência é que não basta investir no preparo do professor oferecendo-lhe cursos para melhorar o seu desempenho.
É necessário conscientizá-lo da necessidade de manter-se atento às mudanças que ocorrem no mundo, em especial àquelas que influenciam e atingem os seus alunos.
Professor atente para isso...
A Escola Dominical é um dos instrumentos utilizados por Deus para manter, mudar e fazer crescer a Sua Igreja. Manter os princípios doutrinários, que devem ser imutáveis; mudar o caráter e o modo de agir de seus alunos, confrontando- os com a Palavra de Deus, e visar à formação de novos discípulos segundo o modelo divino; coibir os elementos e ingredientes que impedem o crescimento da Igreja, proporcionando-lhe um ambiente saudável. Portanto, a EBD pode ser usada por Deus para produzir mudanças necessárias no meio sociocultural, na população em geral e dentro da própria igreja.
Para que isso ocorra, o professor da EBD precisa entender que a igreja deve envolver-se com as questões do mundo, buscando e ensinando soluções para os problemas e misérias que atingem a sociedade. Se o professor tem a consciência de que a vida não é uma existência em duas esferas – uma espiritual e outra física –,então o conteúdo a ser transmitido, o testemunho e a ação da igreja não devem ser alterados de acordo com o local onde ela está inserida. Pelo contrário, ela deve agir no mundo, apresentando as verdades e os princípios bíblicos para que os problemas sociais e culturais sejam solucionados.
Outro aspecto a ser considerado é a importância da EBD para a mudança e para a formação de novos crentes. Embora tenhamos muitas palavras para definir esse processo, a maior responsabilidade da igreja, depois de evangelizar, é promover o discipulado do novo crente. Se a igreja deseja crescer, irá deparar-se com os problemas sociais e culturais. Assim, deverá instruir os crentes naquilo que crê e em como essa crença deverá afetar a vida cotidiana de seus membros.
Novamente, entra em cena a atuação imprescindível do professor da Escola Dominical. Quando o professor tem consciência da importância de sua função e que esta deve sempre visar ao crescimento do aluno e, em consequência, ao crescimento da igreja, buscará alternativas para acompanhar seus alunos e estreitar os laços de amizade para além da sala de aula.
Professores que se preocupam somente com a sua preleção semanal e com a sua capacidade de armazenar e transmitir informações desconhecem a realidade e as necessidades de seus alunos. Quando isso ocorre, o aluno tende a ficar desmotivado, perdendo gradativamente a vontade de participar dos estudos bíblicos, podendo até mesmo deixar de frequentar a EBD. Professor, o seu aluno deseja algo além do conteúdo. Os alunos se identificam com os professores que mostraram interesse especial e cuidaram deles antes de se lembrarem daqueles que tinham bons dotes de oratória.
Além de reconsiderar o seu papel, o professor precisa agir apresentando soluções práticas, como ligar para os alunos ausentes ou visitá-los a fim de ajudá-los em suas necessidades; vencer as barreiras próprias de um imigrante digital e começar a utilizar recursos audiovisuais; elaborar premiações, mesmo simbólicas, para os alunos mais assíduos, assim como outras campanhas motivacionais.
Sobretudo, o professor da EBD deve sentir-se vocacionado. Quando o professor é vocacionado e cumpre o conselho descrito em Romanos 12.7b: Se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b), ele se transforma em ferramenta poderosa nas mãos de Deus para exercer influência sobre vidas e mostrar-lhes todo o conselho divino.
Precisamos urgentemente de uma multiplicação de professores fiéis, espirituais e bem preparados, porque certamente isso reduzirá drasticamente a evasão de alunos na EBD e contribuirá de forma significativa para a edificação, a formação e o crescimento da Igreja do Senhor Jesus.

GERAÇÃO DO MILÊNIO

Para cativar os seus alunos, o professor necessita entender a realidade das gerações mais modernas, denominadas pelos sociólogos como gerações Y e Z.
A geração Y é definida como a geração dos nascidos em meados da década de 1970 até meados da década de 1990. É também chamada de geração do milênio ou geração da Internet. A geração Z compreende os nascidos entre 1993 e 1995, geração que corresponde à idealização e ao nascimento da World Wide Web, uma época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica.
Trata-se de uma geração que nunca concebeu a vida sem computador e, por isso mesmo, é totalmente influenciada, desde o berço, por um mundo repleto de informações que a fazem pensar, relacionar-se e viver de um modo bastante diferente da geração que a antecedeu.
Aqueles que não fazem parte das gerações Y e Z são os chamados imigrantes digitais, que geralmente são os pais, os professores, os pastores, os superintendentes e demais pensadores que nasceram antes de 1970. Entender isso levará o professor a estudar o mundo do aluno e a lançar mão dos métodos mais eficientes para alcançá-lo.
O autor é pedagogo, pós-graduado em Docência Superior, diretor do Instituto Bíblico da Assembleia de Deus da Ilha do Governador (RJ), diretor do Centro Educacional Nova Esperança (CENE) e vice-presidente da Assembleia de Deus na Ilha do Governador.FONTE: Revista educação cristã. Editora Central Gospel. ed 1. pag. 25-27.


EVASÃO ESCOLAR NA IGREJA.

IDENTIFIQUE OS PRINCIPAIS VILÕES QUE PROVOCA AUSÊNCIA NA ED.

O impulso básico na vida dos servos do Senhor deverá sempre ser o forte desejo de conhecer e prosseguir conhecendo o seu Deus (Os 6.3), procurando agradá-lo na prestação de um culto racional (Rm 12.1-2) e estando sempre entre os fiéis da Terra (SI 101.6).
É na Escola Dominical que encontramos um ambiente propício para o estabelecimento de uma relação mais íntima com Deus. E aí que o Senhor se desvela e dá de comer do maná escondido (Ap 2.17). O que se alimenta deste maná toma sua posição à mesa do Senhor e torna-se partícipe de sua herança, e, como agente multiplicador da graça divina, faz-se apto para dar de conhecer a outros que estão carentes da glória de Deus.
Não é difícil entender porque tanta dificuldade é enfrentada por aqueles que lutam em estabelecer e manter um programa que atenda plenamente a necessidade do funcionamento, adequado e produtivo, da Educação Cristã em suas igrejas. A ausência dos alunos na ED é, sem dúvida, um fator de grande preocupação por parte daqueles que estão envolvidos nessa obra. Avaliar a ausência, partindo de suas causas, é o objeto deste estudo. A análise de duas questões básicas - a cultural e a espiritual - pode abrir um caminho para as reflexões que deverão se conduzidas nesta área.
Questão cultural
Não apenas a ED, mas também outras atividades da igreja que demandam um maior envolvimento pessoal e compromisso de seus participantes, sofrem muitas baixas. Sente-se na pele os efeitos desta ausência também nas reuniões de oração e nos cultos de ensinamentos doutrinários.
Justamente nestas atividades é que deveriam estar uma grande parte daqueles crentes que só frequentam os cultos de domingo à noite.
Vive-se um tempo de superficialidades, em que as pessoas estão de tal forma envolvidas consigo mesmas e seus afazeres que falta tempo para Deus e para servi-lo em sua obra. O perfil das igrejas vem se modificando e em alguns casos não há mais uma nutrição na Palavra de Deus que satisfaça integralmente a alma e o espírito humano. O extenso período do louvor roubou o tempo que deveria ser dedicado ao estudo da Bíblia. A sobremesa é servida antes da refeição a tal ponto que, quando chega a vez da explanação da Palavra, as pessoas se levantam e vão embora, levando consigo a fome de Deus e o vazio existencial que só as Escrituras Sagradas podem preencher. A falta de uma mensagem vibrante e ungida nos cultos impede o desenvolvimento do gosto pela leitura da Bíblia e sua meditação, além de não proporcionar a tomada de consciência da necessidade que o ser humano tem de conhecer Deus.
Aliado a esta falta de mensagem, encontra-se, ainda, igrejas que foram projetadas e construídas sem um ambiente adequado para o ensino. Em se tratando de ED, o estudo em classes é fundamental, e, por não se sentirem à vontade, bem situados, ouvindo e entendendo o que está sendo falado, num  estudo direcionado para sua faixa etária, os alunos vêm e não voltam.
Os ministros tem a suprema tarefa de provocar uma mudança radical na condução do povo de Deus e em sua forma de pensar a sua espiritualidade. E a ED tem o seu lugar como ferramenta eficaz no combate a tudo aquilo que distancie o povo das verdades espirituais e o influencie diretamente em sua capacidade de discernir o que é melhor para o desenvolvimento de uma vida cristã saudável.
Ainda que não se mude a cultura de um povo da noite para o dia, ainda que muitas coisas estejam tão arraigadas no dia-a-dia das igrejas, a ponto de não oferecerem perspectivas de vislumbrar novos tempos, todavia, é mister prosseguir acreditando em Deus e na força do seu poder; acreditando que Ele vai adiante do seu povo, endireitando os caminhos tortos e quebrando as portas de bronze (Is 45.2-3); acreditando que Deus sempre levanta homens e mulheres com visão espiritual e consciência crítica para conduzir o seu rebanho. O aspecto cultural é tão amplo que abarca grande parte dos itens dessa análise. Muitas das grandes dificuldades enfrentadas pela liderança da igreja têm suas raízes nas expressões culturais do povo. Entretanto, seria muita inocência deixar de lado a questão espiritual e achar que tudo é resultado da cultura.
Questão espiritual
O ponto de partida para essa reflexão encontra-se em 2 Coríntios 4.4, quando a Palavra diz que "o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus".
A neutralização das atividades de Satanás se dá por duas vias principais: a oração e a pregação do Evangelho no poder do Espírito Santo. É ouvindo a Palavra de Deus que o povo a entende e decide crer ou não nas verdades eternas.
No mundo moderno, Deus se encontra afastado do cotidiano das pessoas, dos grupos sociais, e para alguns Ele chega a estar morto. Nesse processo, chamado de secularização, é a vez da razão e da ciência rebaixarem a religião a uma posição alienante, ou no dizer do filósofo Karl Marx, "correntes com flores que mantêm os indivíduos aprisionados, sem fantasia e sem consolo".
Karl Marx passou com sua ideologia, e hoje está cada vez mais restrito aos ambientes acadêmicos, onde até estes concordam que o marxismo não respondeu às necessidades humanas. A Palavra de Deus, porém, permanece e continua transformando vidas, tirando-as da situação de anomia (caos espiritual) e devolvendo-lhes o sentido de sua existência. Quanto mais consciente a criatura se torna neste mundo secularizado, mais ela percebe a necessidade do reconhecimento da existência de um Deus que tem todo o poder no Céu e na Terra e que está para além do saber humano.
E preciso acompanhar as transformações que vêm acontecendo no mundo, mas não se pode esquecer que são nos bancos das igrejas, nas reuniões dominicais, que se vai crescendo na graça e no conhecimento de Deus, e isto depende diretamente da ação do Espírito Santo no íntimo das pessoas (Rm 10.17). Isto quer dizer que aquele que ensina também precisa estar em constante aprendizado.  Além disso, para um ensinador ter palavras cheias do Espírito vai depender do grau de intimidade que ele possui com Deus.
A tomada de consciência pelo mundo plural é o impulso para se buscar cada vez mais a Deus. Já não é tão simples preparar uma aula e apresentá-la a um determinado grupo. A alta tecnologia e a massificação de informações penetram diariamente nos lares, mas não podem subsistir diante do preparo espiritual daquele que busca apresentar a simplicidade e a universalidade da mensagem cristã. Mais do que nunca é preciso estar preparado para saber responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da esperança que há em nós (lPd 3.15).
Não é fácil ser aluno assíduo de uma ED, muito menos liderá-la. O deus deste século continua trabalhando em todos os turnos para impedir o florescimento desta obra, para impedir que as pessoas aprendam as coisas espirituais e estejam fundamentadas na Palavra de Deus. A ausência de alunos, e até mesmo a evasão, na ED precisa ser vencida com jejum e oração, compromisso e responsabilidade, desprendimento e muito gosto pelas coisas de Deus. Não há como manter um trabalho desta envergadura simplesmente com boa vontade.
Para se combater problemas dessa natureza é preciso avaliar as questões culturais e espirituais do povo. São nas matrizes culturais e religiosas que se encontram os indicadores do que precisa ser trabalhado para que todos os membros da igreja reconheçam que sua ausência na ED implicará em perda de qualidade espiritual.
Em termos didáticos, é possível fornecer uma lista dos procedimentos necessários para se evitar a evasão nas escolas dominicais. Essa abordagem já foi trazida pela 10edição da Ensinador Cristão, em seu artigo de capa, intitulado Como manter meu aluno atento e interessado? Se o aluno é mantido atento e interessado, ele não apenas será assíduo como também trará outros para experimentar dos doces sabores da mesa do Senhor.
É da responsabilidade de cada professor conhecer seu contexto e trabalhar com as ferramentas que dispõe. E da competência da equipe envolvida com a ED, buscar soluções para as dificuldades que se apresentam, num diálogo aberto e franco. Os grandes autoritários, os grandes poderosos, os grandes arrogantes não dialogam e nem são capazes disso, eles carecem do elemento fundamental para o diálogo acontecer, que é a consciência da limitação. Mas o que prega, prega uma palavra que não é sua, vive uma vida na expectativa do que há de vir e reconhece que é frágil e carente da graça de Deus.
Todos nós sabemos que Deus nos „ chamou, apesar de sermos o que somos, e nos capacitou para irmos e darmos frutos. Ele é o Senhor da obra, Ele vai na frente e, assim, cumpre-se o que foi dito em Daniel 12.3: "Os entendidos, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente".
Elienai de Oliveira Carvalho Castellano é professora de ED na Assembléia de Deus em Juiz de Fora (MG), professora de Hebraico e mestrando em Ciências da Religião.FONTE: Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 30-32.



COMBATENDO A EVASÃO ESCOLAR
Parte 1.
Recentemente participei do encerramento trimestral da ED na AD em Picos, cidade que fica há aproximadamente 350 quilômetros da capital do Estado do Piauí, Teresina. Tendo sido o comentarista das Lições Bíblicas do quarto trimestre de 2009, cuja temática se deu em torno de Davi, fui convidado para fazer o fechamento da revista naquele evento.
Pois bem, alguém já disse que a "primeira impressão é a que fica". Isso para mim se tornou uma verdade incontestável, quando pude ver a estrutura que aquela igreja tem em relação à Escola Dominical. O evento ocorreu no Centro de Eventos da Assembleia de Deus (Ceade), um espaçoso ginásio coberto, que aquela igreja construiu para grandes eventos. Ali foi feita uma chamada nominal das mais de vinte congregações que formam aquela igreja, e o que se podia o sucesso daquela igreja, o processo educacional é muito complexo e não admite soluções simplistas. Até mesmo o êxito dos irmãos daquela igreja não foge a essa rega. Quando nos propomos a avaliar qualquer processo educacional, seja ele eficaz ou não, precisamos levar em conta um conjunto de fatores responsáveis pela sua construção. Isso tem a ver com a ideologia ou filosofia da educação do sistema de ensino adotado, bem como a estrutura física, além, é claro, dos atores mais importantes desse processo - o educando e o educador constatar facilmente era a presença em massa dos alunos. São mais de 1,2 mil alunos matriculados na ED e, pelo que pude observar, pelo menos, noventa por cento deles estavam ali naquela manhã. Algo que realmente me fez pensar. Por que aquela igreja, que fica em uma cidade de porte médio e no interior do Estado, possui uma grande estrutura e outras que são até mesmo maiores não? Não estou aqui superestimando o trabalho daquela igreja, basta vermos que o Departamento de Escola Dominical dali já recebeu reconhecimento nacional em concurso promovido pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
Mais uma vez, me pergunto: Por que eles possuem uma Escola Dominical que funciona e outras não? Acredito que há uma resposta para isso. Todavia, é bom esclarecer que embora eu esteja convencido de saber a resposta para Passos para o sucesso da ED A eficácia do ensino da ED que se realiza eficazmente em qualquer igreja, obedece alguns princípios elementares. Aqui quero focalizá-los.
Entenda os motivos que podem estar influenciando o afastamento dos alunos. 1. Filosofia da Educação
Nenhum sistema de ensino sobrevive sem um princípio filosófico que lhe dê sustentação. Por filosofia da educação, me refiro ao embasamento teórico que dá sustentação a uma determinada ideologia ou cosmovisão. Isso não quer dizer que para uma igreja ter eficácia em sua missão educacional seu líder ou membros devam necessariamente serem filósofos ou algo parecido. Não! Quando falamos de uma filosofia da educação ou de qualquer outra ciência, seja ela empírica ou não, estamos nos referindo aos princípios que governam determinada disciplina ou ciência. Isso é muito importante porque determinará a forma como enxergamos o mundo à nossa volta. Na verdade, todo sistema possui sua ideologia ou forma de enxergar as coisas. Os comunistas, por exemplo, viam o mundo como matéria e essa forma de ver as coisas levou-os a negar a realidade do espírito e a formar uma sociedade de ateus. Por outro lado, muitas filosofias orientais atualmente fazem exatamente o oposto, negam a existência da matéria e afirmam somente a existência do espírito.
A educação ocidental, da qual fazemos parte, tem sido dominada por dois paradigmas educacionais - o moderno, que nos modelou nos últimos três séculos, e o pós-moderno, que está procurando se firmar a partir dos anos 70.0 paradigma da modernidade, também conhecido como cientificista ou cartesiano, foi o responsável por uma educação mais técnica, mais racional e menos humanizada. Por outro lado, o modelo pós-moderno ou ainda holista busca formar uma consciência sistêmica do mundo. A educação pós-moderna não está interessada apenas nas partes como os modernos queriam, mas sobretudo no todo.
É bom lembrar que nenhum modelo ou paradigma científico ou educacional é perfeito. Observo hoje que se tenta jogar pedra no modelo cartesiano, como se nada produzido pela modernidade prestasse mais, que ficou obsoleto e que, por isso, deve ser totalmente abandonado.
Se fala hoje que um modelo de educação para sei' eficaz precisa ser construtivista, interacionista, sociocultural e transcendente. Eu também acredito, mas como educador não posso aceitar como válidas todas as implicações geradas por essa cosmovisão. Explico. Quando se fala, por exemplo, numa educação construtivista, a ideia é aquela do aluno "fazendo sozinho", isto é, ele mesmo vai construindo seus próprios valores. Isto se explica quando se sabe que nessa forma de enxergar o mundo não existe valores absolutos e que, por isso, ninguém tem o direito de impor sua verdade ou verdades a ninguém.
O mesmo pode ser dito quanto se fala em uma educação sistêmica, que é ao mesmo tempo interacionista, sociocultural e transcendente. A ideia aqui é de um universo panteísta onde o homem se funde com a própria natureza e esta com Deus ou deuses. Tudo faz parte de um único todo, desaparecendo quase por completo a ideia de sujeito e objeto construído na modernidade. Isso, supostamente, estaria provado pela física quântica e pelo princípio da incerteza. Nada agora é absoluto e definitivo, tudo é relativo e depende de quem analisa os fenômenos.
Vamos filtrar o que eu disse e trazer isso para uma compreensão mais simples. Quando estive naquela igreja a qual já me referi anteriormente, pude ver que o pastor dela possui a cosmovisão correta da vida. Isso é mais verdade ainda em relação ao ensino cristão. Por acreditar que o crente necessita formar valores cristãos que são fundamentais na sua vida social e espiritual, ele investiu pesado no ensino teológico sistematizado através da ED.
Se o pastor não gosta do ensino sistemático da Bíblia e não se envolve com ele, fatalmente a sua ED será um colapso. E necessário o engajamento do pastor na ED. É por isso que falei que necessitamos ter uma correta filosofia ou cosmovisão da educação.
Um pastor que não se envolve com a ED, às vezes, nem mesmo assiste à Escola Dominical da sua igreja, revela não ter uma correta compreensão da importância do ensino cristão. O que é pior: isso se refletirá em toda a igreja que produzirá crentes com problema de crescimento espiritual ou com caráter deformado. Uma tragédia.
José Gonçalves é pastor em Teresina (PI), escritor e comentaristas das Lições Bíblicas de jovens e alunos.   FONTE: Revista Ensinador. Editora CPAD.N°42. pag. 30-31.



COMBATENDO A EVASÃO ESCOLAR
Parte 2.
1. 0 educando
Uma ED, para ser eficaz evidentemente necessita possuir uma correta compreensão da importância do educando. Os modelos convencionais de educação colocavam como ator principal no processo educacional a figura do educador. O educando ou aluno era apenas receptor do conhecimento ou conteúdo que eram despejados nele. Com o passar dos anos, se verificou a anomalia desse processo. O educando passa agora a ser o ator principal da educação. Mas, há uma coisa que devemos prestar bem atenção nesse pensamento. As teorias em voga hoje em dia que exaltam a figura do educando mais do que a do educador estão impregnadas de conceitos anticristãos. A ideia é que o homem é um ser produto da evolução das espécies, destituído de valores espirituais e até mesmo morais.
A sua vida será construída por ele mesmo e, por isso, o educador precisa ter muito cuidado para não interferir ou interferir o mínimo possível nesse processo. É aí que os princípios religiosos se tomam uma ameaça para esse modelo educacional. O homem deve ser educado tomando por base apenas fundamentos humanistas e, quando quiser, se quiser, adotará valores espirituais que julgar necessários. É por isso que o ensino e símbolos religiosos estão sendo suprimidos do processo educacional.
Feita essa observação, devemos, a bem da verdade, dizer que o aluno merece atenção especial. Quando observo que uma ED está agonizando, logo verifico que ali não se possui uma compreensão correta do papel do educando. O aluno é negligenciado ou esquecido. Isso pode ser visto na estrutura arquitetônica de nossas igrejas, que muitas vezes não possuem salas de aulas adequadas para os alunos. Em muitos casos, porque não se acha isso importante. No outro lado, está a falta de preparo adequado por parte dos professores.
2. O educador
Antônio Vieira, famoso escritor do século 17, fez uma pergunta para em seguida responder. Após analisar a parábola do Semeador, Vieira conclui que a razão da semente não frutificar em determinados tipos de solos não foi culpa de Deus. De quem seria então a culpa? "Sendo pois certo de que a Palavra divina não deixa de frutificar por parte de Deus; segue-se que ou é por falta do pregador, ou por falta dos ouvintes. Por qual será? Os pregadores deitam a culpa aos ouvintes, mas não é assim. Se fora por parte dos ouvintes, não fizera a Palavra de Deus muito grande fruto, mas não fazer nenhum fruto, e nenhum efeito, não é por parte dos ouvintes. Provo. Os ouvintes ou são maus ou são bons: se são bons, faz neles grande fruto a Palavra de Deus; se são maus, ainda que não faça neles fruto, faz efeito (...) Supostas estas duas demonstrações; suposto que o fruto e efeitos da Palavra de Deus, não fica, nem por parte de Deus, nem por parte dos ouvintes, segue-se por consequência clara que fica por parte do pregador. E assim é. Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a Palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque não faz fruto a Palavra de Deus? Por culpa nossa" (Antônio Vieira, Sermão da Sexagésima, Ed. Lelo & Irmãos, Porto, Portugal).
Se trocássemos a palavra "pregador" por "educador" ou ainda "pastor", dava no mesmo. Muitas escolas dominicais não funcionam por culpa dos pastores.
Lógico que isso é uma exceção, mas é uma verdade. Se o pastor não acompanha a PD, como ele irá fazer uma correta avaliação das classes? Como ele* saberá que professor necessita ser reciclado ou até mesmo substituído? Se o pastor acompanha de perto o desenvolvimento de sua ED, ele terá condições de por à frente do trabalho um superintendente de ED à altura. Já substituí colegas em igrejas que, mesmo sendo homens sem muita cultura, demonstravam um grande cuidado com a ED. O resultado era uma Escola Dominical bem assistida. Se o obreiro não demonstra essa interação com a igreja e a ED, então ele terá como frequência na Escola Dominical apenas Pedro, Tiago e João. José Gonçalves é pastor em Teresina (PI), escritor e comentarista das Lições Bíblicas de jovens e alunos./   FONTE: Revista Ensinador. Editora CPAD.N°43. pag. 30.

 A Importância do Acolhimento nas Escolas Bíblicas 


Tem-se dito com razão que a educação cristã, assim como a educação secular, precisa trabalhar o homem em todas as esferas de sua existência para que esse indivíduo cresça em todos os aspectos da sua vida. O instrumento mais poderoso de educação e crescimento do cristão em seus vários níveis são, sem dúvida, as escolas bíblicas – e no caso específico de algumas denominações a Escola Bíblica Dominical. Daí o porquê o escritor cristão Claudionor de Andrade explicar que “a Escola Dominical é tão importante ao magistério eclesiástico que veio a tornar-se no mais perfeito sinônimo de Educação Cristã. É impossível desassociar a ideia desta da imagem daquela. Tecnicamente, porém, a Escola Dominical é apenas uma parte da Educação Cristã.” (ANDRADE, 2002, p.33). É também nas escolas bíblicas que a Igreja pode cumprir integralmente suas funções principais (Mt 28.19-20), isto é, evangelizar enquanto ensina e ensinar enquanto evangeliza. Isto posto, gostaríamos, neste curto artigo, de voltar a nossa atenção para uma importante ferramenta na realização da tarefa educativa e evangelizadora das escolas bíblicas, a saber: o acolhimento.

Contextualizando acolhimento

 A Igreja como corpo místico de Cristo foi chamada para pregar as boas novas do Evangelho para aqueles que não as conhece de maneira intima e real; é também tarefa da Igreja, segundo as Escrituras, ensinar a esses que vem para o seio eclesiástico atraídos por essa notícia de fé e esperança. Desde seus primórdios, o povo de Deus tem se esforçado para desempenhar esse duplo papel no mundo. Em muitas comunidades cristãs, a tarefa de atrair pessoas para junto dessas comunidades, bem como de manter aquelas que lá já estão tem sido em muito dificultada pelo descuido que muitos líderes têm demonstrado em relação ao acolhimento, principalmente se considerarmos a realidade das escolas bíblicas. Para o dicionário Houaiss, acolhimento é

Ato ou efeito de acolher; acolhida; maneira de receber ou de ser recebido; recepção, consideração. [E acolher é] oferecer ou obter refúgio, proteção ou conforto físico; abrigar. Dar ou receber hospitalidade; hospedar.

Portanto acolhimento é o modo cuidadoso e fraterno com que recebemos aqueles que procuram as dependências da Igreja. Neste sentido, quando acolhemos, estamos preparando o coração daqueles que se achegam às nossas comunidades de fé para cumprirem de maneira eficaz o mandado do Mestre (Hb 10.24); ao acolhermos sincera e amorosamente a alguém, estamos levando em consideração a necessidade do outro, ao mesmo tempo em que o consideramos maior que nós mesmos (Rm 12.10), para nos estimular mutuamente ao crescimento naquele que é o Senhor da Igreja e à piedade cristã. Como disse Pedro (II Pe 1.2-8):

Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

Notemos que só é possível ter um trabalho cristão produtivo – não estéril – se qualidades cristãs como amor, fé, piedade, paciência e temperança estiverem abundando nossos corações. Não poucas vezes um número imenso de indivíduos tem sido indiretamente convidado a nunca mais visitar as nossas igrejas e as nossas escolas bíblicas pela falta de cuidado que temos demonstrado com o acolhimento. Acolher bem é uma característica que deve ser ensinada, estimulada e melhorada a cada dia. Esse estímulo ao bom acolhimento não é apenas uma necessidade no âmbito cristão, mas também no âmbito secular. A Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais (os PCN’s), documento oficial do Governo Federal, também se preocupa com o lugar do acolhimento nas escolas de ensino fundamental e médio no país. Segundo esse documento:

A postura de acolhimento envolve tanto a valorização dos conhecimentos e da forma de expressão de cada aluno como o processo de socialização [...] contribuir para o processo de acolhimento dos alunos não é tarefa simples, pois envolve lidar com emoções, motivações, valores e atitudes do sujeito em relação ao outro, sua responsabilidade e compromisso. (BRASIL/MEC, 1998, p. 42)

Apesar de terem sido pensados pela Introdução aos PCN’s primordialmente às escolas seculares, os princípios apresentados por aquele documento a respeito do acolhimento podem ser aplicados sem prejuízos às escolas bíblicas em um contexto cristão evangélico. Principalmente quando, antes de descrever a postura ideal do acolhimento como instrumento de socialização e suas dificuldades ao envolver o sujeito como um todo, em seus valores, atitudes, motivações, etc., assevera que o acolhimento tem que ser “um compromisso”. Neste momento, um esclarecimento nos é necessário: o acolhimento não é sinônimo de (o mesmo que) receber bem ou mal um visitante que vem as nossas escolas bíblicas; mas, é o compromisso consciente de agregar junto de nós aqueles que buscam um lugar de refúgio para desenvolver a sua fé e o seu caráter cristão. Acolher, portanto, é receber em amor e compaixão para prover crescimento e maturação cristã. Neste momento um exemplo nos será de grande ajuda.

 Um exemplo bíblico de acolhimento

Uma das figuras mais conhecidas do cristianismo antigo e das Escrituras Sagradas é Paulo, também chamado de Paulo de Tarso, uma cidade da Turquia, localizada na região histórica da Cilícia, em seu tempo considerada um dos maiores centros culturais de sua região. Criado aos pés de um dos maiores ensinadores de seu tempo, Paulo era considerado um forte candidato a ser um respeitado doutor da Lei em seu tempo; mas um encontro pessoal com o Cristo da fé (At 9) mudaria completamente sua vida e sua história.  Nas palavras de F.F. Bruce:

A notícia da conversão de Paulo deve ter chegado a Jerusalém muito antes de ele mesmo chegar ali. Mas era difícil de crer nela. Seria mais fácil o etíope mudar a de cor ou o leproso perder as manchas do que o principal perseguidor se tornar um crente. Não seria isso parte de um plano bem pensado para conseguir a aceitação da comunidade cristã, de modo a dar-lhe o golpe mortal com mais eficácia? (BRUCE, 2003, p.79)

Por essa descrição hipotética, porém muito possível, é possível ter uma ideia da tensão que rondava a igreja do primeiro século quanto da conversão de Paulo. Depois do seu encontro “no caminho de Damasco”, Saulo – nome judaico de Paulo – empreende um retiro para aprender mais daquilo que as Escrituras diziam a respeito do Messias da promessa e aprender de Cristo (I Co 11.23); mas, sentindo a necessidade de integrar-se à Igreja, empreende uma viagem para Jerusalém para encontrar com aqueles que eram chamados de “as colunas” da Igreja (Gl 2.9). É nesse momento da vida de Paulo que a prática do acolhimento entra em cena. Ainda segundo Bruce (2003, p.79):

De acordo com Lucas, foi Barnabé que, com seus préstimos, aproximou Paulo e os líderes da igreja de Jerusalém. Apesar de Paulo não dizer nada sobre isso, pelos acontecimentos é provável que alguém agiu como mediador, e tudo o que sabemos de Barnabé, sugere que ele era o homem que agiria dessa maneira [...].

Lucas, o escritor do terceiro evangelho e do livro de Atos dos Apóstolos, descreve os fatos assim:

[...] E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco.
E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus.
E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo. E, tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para o matar. Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e como eles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida,
tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro. E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo. Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus. E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo, e falava ousadamente no nome do Senhor Jesus. (Atos 9.19-29 – os destaques são nossos)

Note que é Barnabé que acolhe Paulo para junto da comunidade dos seguidores de Cristo; em um momento em que a maioria dos cristãos duvidou que ele – Saulo – havia tido um encontro genuíno com o Senhor e Salvador da Igreja. Portanto Barnabé viveu à altura da sua reputação (alguém que se “destacava por sua generosidade”); segundo a tradição, ele sempre se empenhou no seio da igreja para trazer encorajamento àqueles que se encontravam mais fragilizados (Cf. BRUCE, 2003, p.80). Sempre nos lembramos da grandeza do ministério do Apóstolo Paulo e de como Deus o usou para doutrinar a Igreja de todas as épocas com suas epístolas que compõem a maioria dos escritos do Novo Testamento – treze, se não considerarmos a Carta aos Hebreus – , mas não podemos nos esquecer de que quem o introduziu na comunidade dos santos, a igreja que estava na cidade de Jerusalém, foi Barnabé. O acolhimento tem o poder de trazer para perto aquele que estava longe. Devemos, com toda a diligência, atentarmos para o fato de que o acolhimento é importante tanto para Igreja como paras as escolas bíblicas e que, se desprezarmos esse importante instrumento de engajamento, estamos potencialmente jogando para longe valiosos instrumentos para o uso futuro do Senhor, como foi Paulo.

Considerações finais


Pensar, praticar e aperfeiçoar o acolhimento em escolas bíblicas é não apenas uma possibilidade, é uma responsabilidade que líderes, professores e alunos de comunidades cristãs precisam desenvolver se quiserem crescer como propagadoras das boas novas e agentes de transformação pelo poder da Palavra. Pois é por meio de pessoas que o acolhimento se faz ato em realidade. Desprezar o acolhimento é desprezar uma das maiores tarefas da Educação Cristã: ajudar outros a crescerem na graça e no conhecimento de si e das Sagradas Letras.
fonte escriba digital

domingo, 19 de outubro de 2014

BENEFICIOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

                       
                         Refletindo sobre seus benefícios 


Para a compreensão dos benefícios a serem obtidos da Educação Religiosa pela igreja local, é necessária uma compreensão das potencialidades do ser humano que está envolvido na sua docência e na sua discência. Não é demais repetir que vivemos num mundo secularizado, maquinizado e despersonalizador.

No entanto, a igreja vive, pensa e age noutra esfera: tem um objetivo espiritual, busca a vontade de Deus e o reconhecimento do ser individual. É grande inspiração para o servo de Deus ler na Sagrada Escritura: “… eu te chamo pelo teu nome; ponho-te o teu sobrenome”, “não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu“, e ainda, sobre Jesus Cristo: “as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama pelo nome as suas ovelhas” (Is 45.4b; 43.1b; Jo 10.3b). É a personalização do povo de Deus, coisa não muito acentuada no contexto secularizado em que trabalhamos, estudamos e vivemos, quando se é apenas o número do CIC, do RG, ou da Conta Bancária, e que há de ser ênfase na Igreja de Cristo.

A pessoa humana é imagem e semelhança do Criador, e confiado lhe foi gerenciar este mundo para revitalizá-lo e fazê-lo produzir sem agressões ao meio ambiente. É um ser de possibilidades: cresce, adapta-se, pensa, reflete, cria, transforma, molda, age e interage. A esse ser pleno de possibilidades, a igreja repassa os benefícios da Educação Religiosa.

O papel do educador religioso está em orientar este ser humano para a vida em Cristo, guiando-o à maturidade espiritual. A afirmação de Paulo, “para mim o viver é Cristo” (Fl 1.21), passa a ser programa de vida, verdade de conduta, vida de fé. Naturalmente, o principal agente da Educação Religiosa se torna a igreja local, já por ser um grupo de crescimento, já porque alguns crentes em Cristo não vêem nem têm seus lares na piedade cristã.

Talvez haja necessidade de despertar igrejas para essas oportunidades, possibilidades e reconhecimento de benefícios para não cairmos na triste análise feita pelo Dr. Elton Trueblood,
Houve um tempo em que uma igreja era uma comunidade corajosa e revolucionária, que estava mudando o curso da história pela introdução de idéias discordantes; hoje é um lugar aonde se vai e se senta em bancos confortáveis, esperando pacientemente a hora de ir para casa para o almoço do domingo.
Isso porque já se chegou à conclusão que tem havido pouco interesse no estudo bíblico, e assim são poucos os membros da igreja afeitos à leitura profunda ou ao estudo sistemático da Palavra de Deus.

Por outro lado, com exceção das Sociedades Femininas, possivelmente, em geral as organizações estão em crise, sendo, ainda um pouco difícil encontrar professores consagrados e dispostos a dedicar tempo ao preparo de suas aulas, e ao contato pessoal e extraclasse com os alunos. Isso, entretanto, há de ser feito, por amor do próprio universo abrangido pela Educação Religiosa (crianças, jovens, adultos, cf. 1Jo 2.12-14).

Ora, crentes em Cristo têm os pecados “perdoados por amor do seu nome” (v. 12), conhecem o Pai e “aquele que é desde o princípio”(vv. 14a, 13a), já venceram o Maligno (v. 13b), são fortes e retêm a palavra de Deus (v. 14b). Com vistas a esses, a recomendação expressa do Senhor,
“ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20a), e é por isso que “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2.42a).

PRIMEIROS BENEFÍCIOS

Na Igreja-dos-primeiros-dias, quatro atividades de Educação Religiosa se destacavam. É conferir no livro dos Atos (2.41-47; 5.42).

O Culto

A primeira delas o Culto (cf. 2.42a). Efésios 5.19-21 e Colossenses 3.16b são claros em apresentar os elementos que compõem o culto cristão: os hinos de louvor, as orações, a proclamação e ensino, e o serviço. A adoração há de ser pessoal (Rm 12.1) e coletiva (Ex 12.26). Na adoração reconhecemos nossa indignidade, e o sacrifício redentor de Jesus Cristo; buscamos conhecer a vontade de Deus para poder servi-Lo com todas as veras do nosso espírito. Na atividade de culto, o testemunho se faz atuante aos não-crentes, aos adversários, ao que têm impedimentos físicos, e isso por métodos os mais variados, pois o evangelho deve ser sempre atual falando às pessoas quando e onde elas estão e como estão num testemunho relevante e inteligível, tomando-se cuidado com o que já foi chamado jocosamente de “linguagem de Canaã”, o jargão religioso que o descrente pode não entender, e não ter igualmente sentido para as crianças. Algo assim como: “entregue seu coração a Jesus” (“como é que eu faço para arrancar e dar a ele?” perguntou uma criança), “… você está perdido” (de quê?), “… você precisa ser salvo” (de quê?), e outros tantos.

Se o culto é o relacionamento consciente da congregação com Deus, quem o cria e o faz de modo consciente é a Educação Religiosa (cf. Ec. 12.26).

O Testemunho

Deve começar com o ser humano como imagem de Deus. Esse é um ensino repassado pela Escritura (Gn 1.26; Ef 4.24; 1Co 11.7). Deve falar da queda e do pecado, e enfatizar a libertação da vida de pecado e a nova vida em Cristo. Afinal, a Educação Religiosa ressalta que no culto estamos como uma coletividade de pecadores salvos que confessam seu pecado e o perdão trazido por Cristo. Ensina que culto é ação. Da parte de Deus que nos agracia com bênçãos escolhidas por causa de nosso ato de fé, e de nossa parte que lhe obedecemos porque nele confiamos.

A experiência de estar com a congregação em culto é pedagógica porque temos uma experiência viva do povo de Deus na história; crianças, jovens e adultos se vêm como membros da mesma comunidade que cultua. É preciso crer na família que adora a deus unida quando cada culto se torna uma experiência de adoração e educação.

A Comunhão

Cantamos dizendo uma verdade bíblica: que “benditos laços são os do fraterno amor” porque Jesus Cristo é o filtro de nossos relacionamentos. Assim, nas relações conjugais, familiares, de trabalho, sociais ou eclesiásticas é o que deve ocorrer. Em tudo, Cristo é o parâmetro, o meio de aferição e o elo de união. É atestar com declarações como as encontradas em Efésios 5.22, 25; 6.1,4,5,9, pois “tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fl 2.5), visto que nossa comunhão está marcada pelo seu sangue (1Jo 1.6,7).

No Novo Testamento, o sentido de comunhão não era café-com-bolinhos, e sim o de Atos 4.32,34,35. O senso de pertencer, de ser-um-com-os-outros, de amar e ser amado é uma das mais extraordinárias experiências da vida cristã (cf. 1Jo 4.19-21). Assim, a educação religiosa nos dá o reconhecimento do nivelamento que o evangelho dá a pessoas de classes sociais, raças ou idades diferentes. Através da comunhão, relacionamentos quebrados são curados e fortalecidos. E isso não é sociabilidade, mas o reconhecimento que pela graça somos salvos, alimentados pela educação na fé porque Cristo estabeleceu para a igreja o “ensinando a guardar”.

A Capacitação

O próximo passo é o do ensino, a capacitação e treinamento do povo de Deus para a missão divina. São os novos crentes, a liderança da igreja, os grupos especiais. Afinal, a igreja não lida com coisas, mas com pessoas, o que significa que sua tarefa é produzir gente de boa qualidade. Há registro de que o poeta W.H. Davies conversava com um garotinho e lhe teria perguntado, “que é que você vai ser quando crescer?” Naturalmente esperava que dissesse “bombeiro”, “médico”, ou outra profissão fascinante. O menino respondeu, “Que eu vou ser quando crescer?” Pelo seu tom de voz, a pergunta de Davies parecia ter sido boba. E completou, “vou ser um homem grande!” É mesmo! O final do crescimento é ser adulto, e isso vale na vida cristã.

Nosso trabalho é produzir jovens que saibam o que crêem, e que possam declarar sua fé no espírito de 1Pedro 3.15. Para que isso aconteça, haveremos de enfatizar o estudo sistemático, dialógico da Palavra Santa, ou seja, não dizer o que se deve crer, mas ajudá-los a descobrir por eles mesmos; que sejam moças e rapazes de princípios justos e valores perfeitos; leais à Igreja de Jesus Cristo, à sua denominação, e à sua igreja local; jovens profundamente conscientes do seu papel no mundo, mostrando-lhe o que faz diferença na vida para eles expressa na simples expressão, “em Cristo”.

O Serviço

A igreja de Jerusalém tinha uma expressão de Serviço. Que a igreja nunca seja condenada por sequer pensar, “.. sou eu o guarda do meu irmão ?” (Gn 4.9b), porque a resposta será “Sim”, à luz das advertências bíblicas (cf. 1Co 12.25; Gl 6.2; 1Tm 5.8). Cada crente em Jesus Cristo tem recursos para cuidar, zelar, fazer crescer como participante do Corpo de Cristo com os dons que o Espírito Santo distribuiu soberanamente (cf. 1Co12.6-11). A Educação Religiosa, a educação na doutrina bíblica e na prática cristã, há de tornar compreendidos esses dons, ao tempo, que, abrindo os olhos espirituais, capacita com o treinamento o crente. É aí que compreendemos que “sim, somos o guarda do nosso irmão!”

Por aí se demonstra que o cuidado pastoral é responsabilidade de toda igreja como comunidade terapêutica liderada pelo seu pastor. Na profecia do Antigo Testamento está declarado que, “como pastor ele apascentará o seu rebanho” (Is 40.11a); na ordem aos apóstolos, “pastoreia as minhas ovelhas” (Jo 21.16); na palavra aos pastores, “apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós” (1Pe 5.2-4); e a todos os crentes, “… que os membros tenham igual cuidado uns dos outros” (1Co 12.25b). Cuidado pastoral é um encontro pessoal em amor, e uma possibilidade para cada crente, pois há muita coisa que se faz como crente e não se percebe que é puro cuidado pastoral, como a visita de um crente a outro que mais que social é pastoral.

MAIS BENEFÍCIOS

Os benefícios estão nos próprios objetivos da Educação Religiosa:
No que se promove uma consciência de Deus como uma realidade na experiência humana, e um sentido de relacionamento pessoal com Ele;
no que se procura desenvolver esse entendimento e apreciação da pessoa, da vida e dos ensinos de Jesus Cristo que leve o crente a ser leal ao Mestre e a sua causa, manifestando em seu dia-a-dia uma visão do mundo dominado pelo evangelho;
no que se interpreta a vida e o mundo do ponto de vista evangélico, vendo neles o propósito e plano de Deus;
no que se desenvolve uma apreciação do significado e importância da família cristã e se participa e contribui para a construção de famílias fortes que resultem em igrejas fortes;
no que se promovem as missões cujo espírito não pode ser transmitido a outros a não ser por aqueles que o possuem;
na educação para a liberdade, para o amor, para o senso cristão do acontecimento e para o amor pessoal de Jesus Cristo e por Jesus Cristo;
para o entendimento da chamada de Abraão, de Moisés, de Isaías, de André e Simão, mas também a de Carlinhos, de Rosa Maria, do irmão João de Sousa, da Profa Julieta Amaral, do Dr. Henrique Pessoa; da compreensão, até, dos fracassos como meio de aprofundar a dependência de Deus.

Naturalmente os objetivos pra surtir os benefícios esperados precisam ser graduados, e, ao dividirmos os grupos de acordo com a faixa etária, estamos dizendo que a compreensão cristã depende principalmente da idade da pessoa atendida. Compreende-se, no entanto, a possibilidade de alternativas, como a divisão de atividades por centros de interesse a partir dos adolescentes, quando estes, mais os jovens e os adultos se reuniriam em torno de um centro de atenção para um estudo ou prática inter-etária (evangelismo, música, capacitação da liderança, etc.). Os referidos centros de interesse devem funcionar concomitantemente. Daí, já se chega a mais um benefício que é a realimentação (feedback) do sistema eclesiástico pela interação de seus membros, visto que a igreja deve ser olhada e analisada através de uma visão sistêmica. Nessa comunidade de participação, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, mulheres e homens, ovelhas e pastores, solteiros e casados, cada um enriquece o outro, e aprende a participar da criação e manutenção de uma igreja mais humana, mais próxima ao Espírito de Jesus Cristo e mais libertadora.

Então, um benefício certo é a “opção pelo serviço”, no qual a fé ativará a inteligência, a esperança animará a vida afetiva e o amor essencializará a vontade, pois não explicitou Paulo que “todas as vossas obras sejam feitas em amor” (1Co 16.14)? E “de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas” (2Co 12.15a)? Tudo isso num senso crescente do deus Vivo, do apoiar-se em Deus, do Deus-em-nosso-meio, do Emanuel!

O que quer que aconteça na igreja é pedagógico, e essa ação pedagógica há de ajudar o crente a pensar, e guiá-lo a uma perspectiva diferente de si, dos outros, dos horizontes. Embora a fé se tenha tornado difícil neste mundo de pensamento lógico e materializado, nosso povo anseia pela vida de fé com Deus, e aí reside o propósito central da educação religiosa: ser um fator de participação e de liderança de mudanças nos envolvimentos do ser humano em suas interrelações. A igreja, por isso, deve se tornar um centro de convivência, ou no dizer de Miller, “a igreja local é onde nos tornamos conscientes do começo de nosso sustento na vida cristã” (p. 194).

Para benefícios ainda maiores, deve-se dar ênfase plena à lealdade à igreja onde se é membro, onde havemos de crescer com ela, de com ela nos alegrar, chorar, e nessa era de ignorância da Palavra de Deus, de incerteza do dia seguinte, de pessimismo diante das coisas, de temor do futuro, o crente em Cristo continuará a receber os vitalizadores benefícios da orientação segura, existencialmente correta da Escritura Sagrada na Educação Religiosa.

FONTES PRIMÁRIAS

BARCLAY, William. Fishers of Men. Philadelphia, Westminster, 1966.

KHOOBYAR, Helen. Facing Adult Problems in Christian Education. Philadelphia, Westminster, 1963.

MELY, Rafael García. Filosofia de la Tarea Educadora de la Iglesia. Em: Educación Cristiana. Ano XXIII, no 93 (1968), pp. 23-28.

MILLER, Randolph Crump. Christian Nurture and the Church. NY, Charles Scribner’s Sons, 1961.

PAGURA, Federico J. Elaborando un Programa Completo para la Iglesia Local. Em: Educación Cristiana Ano XXIII, no 93 (1968), pp. 19-21.

WIENCKE, Gustav K. (Org.). Christian Education in a Secular Society. Philadelphia, Fortress, 1970.

WIENER, Norbert. Cibernética e Sociedade, 3ª ed. São Paulo, Cultrix,. 1970. Trad. J. P. Paes.
Pr. Walter Santos Baptista, Igreja Batista Sião Seminário Teológico Batista do Nordeste em Salvador Salvador, 


  ENSINANDO PARA TRANSFORMAR O CARÁTER

Quando alguém se refere a um aluno como “uma peça rara”, de um jeito ou outro, você pode aguardar algo extrordinário. Você antecipa que algumas características marcantes desse aluno afetarão sua classe ou a escola, de alguma forma.
De fato, nosso caráter simboliza um conjunto de qualidades que nos caracterizam e diferenciam. Muito de nosso esforço educacional é dedicado em treinar as criancas para mudar o ponto de referência de si mesmas para a vida e interesse do próximo. A escola cristocêntrica, no entanto, tem seu ponto de referência no reconhecimento, seja por palavras, seja por ação, de que Cristo é a fonte e a reflexão de toda a sabedoria e conhecimento. Por conseguinte, o caráter de Cristo torna-se o modelo para o desenvolvimento do caráter na escola cristã.
Como estamos educando nossos alunos de maneira que reflitam, cada vez mais, as “singulares qualidades” de Cristo? Essa pergunta deve servir de base para todo o nosso ensino e prática. A resposta a essa pergunta deve, portanto, estar manifesta em todas as disciplinas e atividades da nossa escola. Com qual propósito? Com o propósito de que nossos alunos, revestidos do caráter de Cristo, transformem nossa cultura – uma vida de cada vez.
A educação cristã não existe para isolar as crianças de um mundo inconstante e assustador, mas seu propósito principal é equipá-las para buscar e revestir-se do caráter de Deus, para ser sal e luz num mundo decadente e tenebroso. Nossas escolas existem para preparar jovens para o reino do céu e para o mercado de opiniões, com o propósito de cumprir a obra de nosso Pai celestial, colaborando com Ele em Seu grande plano.
Que Deus o capacite e lhe conceda sabedoria nesse ano, ao discipular jovens e crianças que se tornarão verdadeiras “peças raras” de Cristo, e que transformarão o mundo para a glória de Deus.

Você, diretor da Escola Bíblica Dominical, tem hoje o privilégio de estar à frente da maior organização da igreja. Este privilégio dado por Deus é também uma oportunidade de participar diretamente da execução do programa missionário de sua igreja. Já pensou nisto? Com isto, você estará ajudando a salvar vidas em várias partes do planeta, e isto é um trabalho que não tem preço. Anunciar a glória de Deus às nações é algo que vai mexer com sua vida. Se estás disposto a colaborar com o Deus missionário, que quer buscar pessoas de todas as raças, tribos e nações para completar seu maravilhoso povo, convoque seus liderados e comece agora a trabalhar.
Você pode se preparar

Buscando o Deus de missões para saber o que Ele quer que você faça em colaboração com o seu maravilhoso plano de salvar a humanidade.
Orando a Deus pedindo a orientação por toda a programação da campanha.
Informando-se sobre a realidade espiritual e material dos diversos povos do mundo.
Refletindo sobre a realidade de vidas sem Jesus.
Lançando desafios que levem seus liderados a se envolver com a evangelização dos povos.
Aprendendo sobre fatos acontecidos nos campos, lendo literaturas sobre o assunto.
Comprometendo-se a orar e a sustentar financeiramente um missionário. Além de sua colaboração como membro do corpo de Cristo ser imprescindível, ela será um grande estímulo para que seus liderados queiram se engajar em missões.
Realizando todo o trabalho na dependência de Deus. Trabalhe para que esta campanha seja a melhor de todas as que sua igreja já realizou. A oração será sua principal arma contra o desânimo e a principal ferramenta para despertar seu grupo para os desafios do mundo perdido.
Trabalhando sempre ao lado do pastor. Seja um fiel colaborador de quem vai estar liderando a Campanha Missionária em sua igreja. Missões é uma obra de parceria.
Montando uma equipe para apoiá-lo neste trabalho. Os outros líderes poderão auxiliá-lo no planejamento e execução do programa de missões. Eles deverão participar das reuniões de planejamento e estar bem informados do que vai acontecer.
Traçando alvos claros e alcançáveis para seus liderados. Trabalhe dentro da realidade de seu grupo, mas não deixe que os obstáculos desanimem seus liderados.
Planejando as atividades com antecedência. Selecione as informações que serão apresentadas. Escolha as pessoas que irão participar, orientando-as no preparo do material e nas informações.
Convocando à participação cada membro de sua organização, além dos líderes. Estimule cada irmão a participar. Seja criança ou adulto, empresário, profissional liberal, estudante, simples trabalhador, dona de casa ou aposentado, todos são importantes e devem colaborar com a evangelização do mundo.
Escolhendo as atividades que serão realizadas no período. Selecione as que mais se adaptam à realidade de seus liderados. Seja flexível para fazer as mudanças necessárias. Há sugestões de cultos e programas para todas as idades.
Você pode despertar a EBD para a Campanha Missionária
Propagando. Este é um dos segredos do sucesso de qualquer empreendimento que queira envolver pessoas. Para realizar uma campanha que estimule cada segmento da sua organização, é preciso que uma boa divulgação seja realizada. Anuncie, convide, faça cartazes e bilhetes, telefone, use todos os meios de comunicação possíveis. Deixe que todos fiquem curiosos e empolgados com o que vai acontecer.
Esclarecendo o que a EBD irá realizar no período. Se possível, coloque informações sobre a Campanha Missionária no boletim dominical. Explique claramente os objetivos traçados. Prepare o povo para este período. Diga o que você espera deles. Ninguém deve ficar sem saber do assunto.
Você pode desenvolver um programa missionário que dê resultados
Abertura da Campanha Missionária – Escolha uma atividade que possa abrir a campanha em sua organização. Música, poesia, jogral, teatro, testemunho, vídeo são boas opções.
Encerramento da Campanha Missionária – Com o mesmo cuidado, prepare uma atividade inspiradora para finalizar a campanha. Algo que fique na memória e no coração.
Tema e divisa da Campanha Missionária – Na reunião geral e nas reuniões separadamente, é importante que estes ítens sejam sempre lembrados.
Músicas que enfoquem missões – A cada reunião dominical, cante músicas com temas missionários. Convide pessoas ou grupos para cantar músicas sobre o tema. Cante o hino “Ide e Pregai” e outros da Coletânea Missionária (JMM).
Programa de Adoção Missionária – Se a sua igreja ou organização ainda não é participante de um Projeto de Adoção Missionária, explique como ela poderá se integrar a um programa deste. Lance desafios para que as pessoas tenham a oportunidade de colaborar financeiramente, a cada mês, do sustento de um missionário.
Alvo financeiro – Estimule cada família da EBD a estipular um alvo financeiro para missões.
Alvo de oração – É importante que seus liderados sejam desafiados a fazer um alvo de oração em favor de um missionário ou país. Ofertar e orar são duas formas de colaboração imprescindíveis para que a obra prossiga.
Painel de ofertas – Monte um painel. Coloque-o num lugar de destaque e, a cada domingo, acompanhe o alcance do alvo financeiro estipulado.
Flashes missionários – Se o grupo se reúne para dar abertura ao programa, ou para encerrá-lo, aproveite para realizar pequenos flashes missionários.
Experiências missionárias – Escolha experiências que valham a pena ser compartilhadas. Peça a alguém para memorizá-las e contá-las aos grupos reunidos.
Entrevista missionária simulada – Escolha uma entrevista em alguma revista missionária e apresente-a para todo o grupo. O entrevistado poderá vestir-se de acordo com o país focalizado.
Cantinho missionário – Escolha um país onde há missionário de sua igreja ou organização e monte uma exposição missionária com fotos, cartazes, trajes típicos, informações culturais e cartas missionárias. Se sua igreja adota algum missionário, este poderá ser o tema da exposição.
Videoconferências Missionárias – Planeje encontros para a exibição dos vídeos nas classes da EBD. Faça uma reunião geral ou em pequenos grupos. Após a exibição do vídeo, estimule o grupo a refletir sobre o tema apresentado.
Carta para o missionário – Forme grupos pequenos e estimule-os a escrever uma carta para um missionário. Procurar a listagem dos missionários na sua igreja ou organização.
Ligação telefônica para o missionário – Planeje uma ligação telefônica ao missionário adotado por sua igreja ou organização. Faça contato.
fonte: http://www.biblianet.com/escola/ebdmat.asp?artigo=6

Para outros usos, ver William Byrd (disambiguation) .