quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Liderança cristã ministério de evangelista


                          MINISTERIO DE EVANGELISTA   


         
                                     INTRODUÇÃO

                                 Professor Mauricio Berwald

Neste capítulo, analisaremos a missão do evangelista, um dom ministerial ao lado de outros da maior importância, como o de pastor, apóstolo, profeta ou doutor. A Bíblia fala muito pouco sobre esse dom. Se compulsamos uma concordância bíblica, só encontramos três referências a esse termo (At 21.8; Ef 4.11; 2 Tm 4.5). Nem por isso, o papel do evangelista pode ser considerado de somenos importância, no contexto dos ofícios ministeriais, que devem contribuir para o crescimento e para a edificação da Igreja do Senhor Jesus Cristo.
A tradição do governo da igreja tem levado a entender que o evangelista é um cargo ou uma função hierárquica, inferior à de pastor, ou de apóstolo ou doutor, e superior à de presbítero. Porém, à luz da boa hermenêutica ou interpretação dos textos bíblicos, podemos constatar que não é bem assim. Há homens, dentre os que se colocam à disposição da obra do Senhor, que têm uma vocação prioritária para a pregação do evangelho, para a proclamação das Boas-Novas de salvação, ou do kerigma, numa linguagem mais bíblica ou teológica. Por isso, o evangelista consta da lista dos “dons-ministeriais”, que são “dons de Deus”, concedidos por Cristo aos homens, após sua retumbante vitória sobre a morte (cf. Ef 4.8-11).

E há homens, que têm a vocação para cuidar do rebanho, que são os pastores, enquanto há os que são mais usados por Deus na área do ensino da Palavra. Ninguém é superior a ninguém, no Reino de Deus (Rm 12.5).Nas últimas décadas, os evangelistas têm sido muito solicitados para participarem de eventos, nas igrejas evangélicas. Alguns são excelentes pregadores, que transmitem mensagens na unção de Deus, demonstrando verdades bíblicas com profundidade, atraindo os pecadores para Cristo. Outros, lamentavelmente, são verdadeiros “profissionais” da oratória. Que pregam em troca de cachês polpudos. Preferimos considerar que este tipo é exceção. Graças a Deus, há homens cristãos, que têm a vocação para serem evangelistas, e prestam excelente serviço à Igreja do Senhor Jesus. Normalmente, os evangelistas têm ministério itinerante. Vão buscar as almas, para que elas sejam acolhidas nas igrejas locais, aos cuidados dos verdadeiros pastores, auxiliados pelos discipuladores. A evangelização intensa só pode ter êxito se houver um discipulado intensivo junto aos que se convertem por meio das pregações dos evangelistas. Evangelizar sem discipular é semear sem cuidar das almas que se convertem.

Os evangelistas são aqueles que dizem aos pecadores: “Venham para Cristo”, e os pastores, que cuidam do rebanho, são os que dizem: “Sejam transformados pelo poder Deus, e se integrem ao Corpo de Cristo, que é a Igreja”. Os ministérios se complementam. Sem pastores, não faz sentido haver evangelistas. Sem evangelistas, os pastores não veem o rebanho crescer. Nessa complementaridade de ministérios, podemos ver a palavra do profeta Isaías: “Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: Esforça-te!” (Is 41.6).
Assim, vamos estudar o papel e a missão do evangelista, com base nos textos bíblicos que nos permitem avaliar esse importante dom ministerial, tão necessário à igreja como os demais que constam das listas de ministérios necessários ao bom funcionamento do Corpo de Cristo, que é a Igreja, da qual Ele é a Cabeça.Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 94-95.


I - JESUS ENVIA OS SETENTA (LC 10.1-20)

1. São poucos os que anunciam.

Após a eleição dos Doze, que constituíam o “Colégio Apostólico”, tempos depois, Jesus resolveu escolher outros discípulos, em número de setenta, para enviá-los como evangelistas a “a todas as cidades onde ele havia de ir” e os organizou em equipes de evangelizadores, “de dois em dois” (Lc 10.1, 2). O texto de Lucas, referente ao envio dos “outros setenta” é o mais substancial em informações quanto ao seu desempenho apostólico. Algumas das mais importantes afirmações de Jesus sobre seus enviados constam desse texto, ainda que não são considerados participantes do “colégio apostólico”. Para distingui-los dos 12, nesta análise, são chamados de evangelistas.

OS OBREIROS SÃO POUCOS

Ao enviar os setenta, Jesus asseverou que “Grande é, em verdade a seara, mas os obreiros são poucos” (Lc 10.2a). Diante dessa realidade, Jesus exorta a que devemos rogar ao Senhor da seara, para “que envie obreiros para a sua seara” (Lc 10.2b).Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 95-96.

SETENTA, MISSÃO DOS

Ver Lucas 10: 1-24. O evangelho de Lucas, no capítulo 10, apresenta uma grande complexidade de fontes informativas, e não é fácil traçar as declarações aqui encontradas em relação à suas respectivas origens. A maior parte desse material procede da fonte informativa Q, até o vs. 30, embora a aplicação dada por Mateus, sobre esta seção, diga respeito aos doze, ao passo que Lucas aplica as mesmas declarações à missão dos setenta. Não há motivos para alguém duvidar que ambas as missões foram uma realidade, embora somente Lucas mencione a missão dos setenta. A questão por que Mateus omitiu a narrativa dessa missão não é fácil de responder, mas resposta menos satisfatória parece ser que realmente não houve tal missão, como alguns intérpretes declaram. 

O melhor que podemos dizer parece ser que essa missão dos setenta pertenceu ao último período do ministério de Jesus, onde os registros são comparativamente escassos, tendo envolvido partes da Peréia e da Judéia embora certamente tivesse sido outra parte do circuito pela Galiléia. Isso constituiu o terceiro circuito galileu. O primeiro foi feito por Jesus em companhia de quatro pescadores; o segundo se compôs dos doze apóstolos, seguidos mais tarde por Jesus, quando eles partiram de dois em dois. Aqui, igualmente, Jesus também enviou os setenta discípulos de dois em dois, tendo seguido mais tarde.
Pode-se salientar, igualmente, que posto os doze não terem feito parte desse circuito, veio o mesmo a ocupar uma posição menos importante na tradição evangélica. E bem provável que Lucas soube do fato, incluindo os detalhes oferecidos nesta seção, mediante as suas investigações pessoais.

O Simbolismo do Número Setenta

Os judeus acharam significados importantes nos números.

O número das nações do mundo (Gên, 10) foi setenta; Moisés designou setenta presbíteros para o ajudar a governar Israel no deserto (Núm. 11:16,17,24,25); o número do sinédrio, o corpo governante mais alto de Israel (em tempos posteriores), foi fixado em setenta; a Septuaginta (LXX), a tradução da Bíblia hebraica, para o grego, recebeu seu nome da tradição de que setenta tradutores fizeram aquela tarefa.
É possível que Jesus tenha escolhido setenta discípulos especiais, seguindo o exemplo de Moisés. Por conseguinte, parece que o material que é reunido em um único bloco, no evangelho de Lucas, é disperso em seis diferentes capítulos no evangelho de Mateus. Tudo isso mostra o desígnio de cada autor no arranjo de seu material, porquanto cada um deles tinha um propósito diverso ao apresentar as informações onde e como desejavam fazê-lo.
Problemas de harmonia não têm nenhum efeito sobre a veracidade da fé cristã, nem anulam a historicidade dos evangelhos. Somente perturbam os harmonistas restritos que esperam mais dos evangelhos do que os próprios evangelistas intencionaram fornecer.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 190-191.

Designou o Senhor ainda outros setenta (1). Lucas não quer dizer que Cristo tinha enviado setenta anteriormente, mas que os setenta eram adicionais aos doze que haviam sido enviados. Lucas é o único autor de Evangelho que registra este episódio, mas ele é, também, o único a tratar (em detalhes) o ministério na Peréia, do qual é parte.

O número setenta parecia ter um significado especial entre os judeus. Havia setenta anciãos designados por Moisés, setenta membros do Sinédrio (setenta e um, incluindo o presidente ou nasi) e, de acordo com a lenda judaica, os setenta povos ou nações da Terra, além dos judeus. O simples fato de que Jesus tinha estes muitos discípulos dignos de confiança é significativo. Muitas vezes nos esquecemos de que Ele tinha muitos seguidores leais.
Mandou-os... de dois em dois. Para ajuda mútua e encorajamento. A todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. Estes deveriam preparar a visita dele a essas cidades. Neste momento, os doze apóstolos estavam com Ele; os setenta foram adiante da sua face. E possível que cada uma dessas duplas de discípulos fosse a apenas uma cidade e ficasse por lá, pregando, ensinando e preparando, em outros aspectos, a visita de Jesus. Isto totalizaria trinta e cinco cidades e aldeias visitadas por Jesus em seu ministério na Peréia, e Ele dificilmente visitaria muitas mais em um período de seis ou sete meses, a menos que suas visitas fossem muito breves.

Do versículo 2 até o 16, Jesus dá instruções e admoestações aos setenta. Muitas destas são instruções iguais ou semelhantes às instruções dadas em várias ocasiões aos doze apóstolos. Alguns críticos tropeçam nesta similaridade entre as passagens. Porém é mais razoável que Jesus tenha dado as mesmas admoestações por duas vezes, se as exigências das situações fossem as mesmas. Qualquer líder da igreja admoestando grupos de obreiros inevitavelmente repetiria vários pontos, pois todos eles precisariam basicamente das mesmas instruções.

Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos (2).

 A metáfora da seara parece ter sido uma das favoritas de Jesus. A seara das almas humanas sempre foi grande e os obreiros sempre foram, tragicamente, poucos. É a fatal falta de interesse do homem pelos seus companheiros que mantém este número tão pequeno. Mas o Mestre torna claro, através de seu Evangelho, que este interesse é um teste do discipulado. Seus discípulos estão trabalhando na seara. Aqueles que não estão trabalhando não merecem ser chamados de discípulos.
Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. Levar a seara ao celeiro é nossa responsabilidade. E conseguir os obreiros necessários é, em parte, nossa responsabilidade. Devemos enxergar as necessidades e rogar que o Senhor envie obreiros adicionais, mas nenhum homem tem o direito de orar pedindo ajuda na seara, até que esteja fazendo o melhor de si. Deus não enviará obreiros para ajudar um preguiçoso - ele não precisa de ajuda para fazer o que está fazendo.Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 409-410.

Temos aqui o envio dos setenta discípulos, dois a dois, em diversas partes da região, para anunciarem o Evangelho, e para operarem milagres naqueles lugares que o próprio Cristo designou que visitassem, para prepararem a sua estada. Isto não é observado pelos outros evangelistas; mas as instruções aqui dadas a eles são, em boa parte, as mesmas daquelas que foram dadas aos doze. Observe:

I O número deles: eles eram setenta. Assim como na escolha dos doze apóstolos Cristo tinha em mente os doze patriarcas, as doze tribos, e os doze príncipes das doze tribos, aqui Ele tinha em mente os setenta anciãos de Israel. Muitos subiram com Moisés e Arão ao monte, e viram a glória do Deus de Israel (Êx 24.1,9), e muitos foram depois disso escolhidos para ajudar a Moisés no governo, a fim de que o Espírito de profecia viesse sobre eles, Números 11.24,25. As doze fontes de água e as setenta palmeiras que estavam em Elim eram uma figura dos doze apóstolos e dos setenta discípulos. Êxodo 15.27. Eles eram setenta anciãos dos judeus que foram empregados por Ptolomeu, rei do Egito, para traduzir o Antigo Testamento para o grego; desde então esta tradução é chamada de Septuaginta. O grande Sinédrio consistia deste número. Agora:

1. Estamos felizes por descobrir que Cristo teve tantos seguidores qualificados para serem enviados; o trabalho dele jamais foi em vão, embora o Senhor tenha encontrado muita oposição. Note que o interesse de Cristo é um interesse crescente, e os seus seguidores, como Israel no Egito, embora afligidos se multiplicarão.
Estes setenta, embora não o servissem de forma tão próxima e tão constantemente quanto os doze, eram, no entanto, os ouvintes constantes de sua doutrina, as testemunhas dos seus milagres, e criam nele. Aqueles três mencionados no final do capítulo anterior poderiam ter feito parte destes setenta, se tivessem se dedicado com mais fervor ao que deveriam fazer. Estes setenta são aqueles de quem Pedro fala como “os varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós,” e faziam parte dos cento e vinte ali mencionados, Atos 1.15,21. Podemos supor que muitos destes que foram os companheiros dos apóstolos, de quem lemos em Atos e nas Epístolas, faziam parte destes setenta discípulos.

2. Estamos felizes por descobrir que havia trabalho para tantos ministros, e ouvintes para tantos pregadores; assim o grão da semente de mostarda começou a crescer, e o sabor do fermento a se espalhar pela refeição, para a fermentação do todo.

II O trabalho e a atividade deles: Ele os mandou de dois em dois, para que pudessem fortalecer e encorajar um ao outro. Se um cair, o outro o ajudará a levantar- se. Ele os mandou, não a todas as cidades de Israel, como fez com os doze, mas, apenas, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir (v. 1), como seus precursores; e devemos supor, embora não esteja registrado, que Cristo logo em seguida foi a todos estes lugares em que agora os enviou, embora Ele pudesse ficar apenas por pouco tempo em um lugar. Duas coisas eles foram ordenados a fazer, o mesmo que Cristo fez onde quer que tenha ido: 1. Eles deviam curar os enfermos (v. 9), curá-los em nome de Jesus, o que faria com que as pessoas desejassem ver este Jesus, e estivessem prontas a receber aquele cujo Nome era tão poderoso. 2. Eles deviam anunciar a chegada do Reino de Deus, a sua chegada até eles: “Dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus, e agora sereis admitidos nele, se apenas olhardes ao vosso redor. Agora é o dia da vossa visitação, sabei e entendei”. E bom estarmos conscientes das nossas vantagens e oportunidades, para que possamos aproveitá-las. Quando o Reino de Deus chega até nós, devemos prosseguir, indo de encontro a ele.HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 596-597.

10.1 Muito mais que doze pessoas vinham seguindo a Jesus. De acordo com 1 Coríntios 15.6, Jesus tinha pelo menos quinhentos seguidores na época em que concluiu seu ministério. Um grupo de 120 destes seguidores foi a Jerusalém para dar início à igreja ali (At 1.15). Aqui Jesus designa um grupo de setenta para preparar algumas cidades para sua visita posterior.O número 72 é encontrado nos primeiros manuscritos gregos. Este número é significativo porque era, de acordo com Gn 10, o número de nações do mundo, de acordo com a Septuaginta.

Outros manuscritos gregos apresentam o número 70. Esta alternativa pode ter sido influenciada pelo Antigo Testamento hebreu, que mantinha setenta nomes em Gn 10. Ao escolher e enviar setenta [ou setenta e dois] discípulos, Jesus estava mostrando simbolicamente que todas as nações do mundo um dia ouviriam a mensagem. Isto incluiria os gentios um ponto importante para o público de Lucas.

10.2 Jesus estava enviando trinta e seis [ou trinta e cinco] grupos de duas pessoas para alcançar as muitas cidades e aldeias que Ele não tinha podido visitar. Jesus comparou este trabalho com uma seara - o alcance de novos crentes para o seu reino (veja também Jo 4.35). Para se ter uma seara, no entanto, é necessário ter obreiros no campo. Assim, muitas pessoas precisam ouvir a mensagem, mas há poucos obreiros dispostos a reuni-los.
Embora Jesus tivesse enviado os Doze, e agora mais setenta e dois [ou setenta], Ele lhes disse: rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. No serviço cristão, não há desemprego. Deus tem trabalho suficiente para todos. Nenhum crente deve ficar sentado e olhar os outros trabalhando, porque a seara é grande.Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 392.
2. Enviados para o meio de lobos.

CORDEIROS NO MEIO DE LOBOS

No tempo de Jesus, os evangelizadores, ou evangelistas, enfrentariam situações comparáveis a cordeiros no meio de lobos (Lc 10.3). Certamente, os setenta puderam sentir de perto o cumprimento da advertência do Senhor. Devem ter sido rejeitados, aborrecidos e perseguidos, até com ameaça de morte. Nos dias atuais, os que são enviados por Cristo, para levarem a mensagem do evangelho a certas regiões do mundo, vivem em constante risco de morrer. Desde o século passado, e no presente, de cada três pessoas que morrem por causa de sua fé, uma é cristã. Mais cristãos foram mortos nas últimas décadas, do que em toda a história de Igreja de Cristo. Daí, porque a maior parte dos missionários está radicada onde já existem muitos obreiros. E Smartphone Desbloqueado Tim L4 II Dual E467 Tv Digital Preto Android 4.1 Tela de 3.8” Câmera 3MP 3G Processador Cortex A9 de 1.0GHz poucos são os que se destinam a lugares inóspitos e ameaçadores. E compreensível, até certo ponto, mas Jesus mandou pregar o evangelho a toda criatura.

E a tendência da perseguição aos servos de Jesus é de acentuar-se cada vez mais. Na maioria dos países do Ocidente, o Diabo tem levantado a perseguição institucional, através de governos, dos legislativos e do Judiciário, mediante a elaboração e aprovação de leis que dificultam e ameaçam a liberdade para a pregação do evangelho. São “as portas do inferno”, através das “leis injustas” (Is 10.1). Elas não prevalecerão, como profetizou Jesus, mas perturbarão e causarão grandes problemas à missão da Igreja. Mas será por um tempo. Quando Jesus intervier, na sua Vinda, os “lobos” serão aniquilados.Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 96-97.

Eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos (3).

Que paradoxo: Cordeiros saindo para salvar ovelhas de lobos! Aqui está a simplicidade unida ao desamparo: nenhuma arma carnal como defesa. Mas Deus tem uma maneira de criar a força a partir da fraqueza, e de usar até a morte como uma arma da vitória e da vida. Aqui vemos a supremacia de Cristo. Ele é o maior Vencedor do mundo, e ainda assim as suas forças não foram utilizadas no que se refere à defesa carnal ou terrena. Os cristãos têm sido assassinados aos milhares, mas o avanço triunfal continua. A esta altura temos que parar e meditar e ganhar uma nova luz e inspiração para a tarefa e a batalha dos dias atuais. Não estamos desprotegidos, pois Cristo está conosco. Uma vez que a própria morte não nos vence, podemos começar a entender que somos imbatíveis. Mas, se começarmos a nos equipar com armas carnais, estaremos caminhando em direção à derrota.Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 410.

Lc 10.3 Estes setenta e dois estavam sendo enviados a um mundo que não era um lugar agradável. A seara envolveria um trabalho intenso e possíveis perigos. Jesus ordenou que eles fossem, explicando que eles iriam como cordeiros ao meio de lobos. O uso da palavra “cordeiros” se refere à sua vulnerabilidade (veja Is 11.6; 65.25). Porém o importante são as três palavras: “eu vos mando”. Se Jesus não os estivesse enviando, eles estariam tentando ir por seus próprios planos, por seu próprio poder, de acordo com o seu próprio itinerário, sendo cordeiros entre lobos, pedindo para serem mortos. Mas como Jesus os estava enviando, eles poderiam enfrentar o perigo por parte da oposição. A sua própria vulnerabilidade poderia fazer com que eles dependessem mais de Deus.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 392.
Junto com a ordem “Ide!”, o Senhor sinaliza aos setenta (setenta e dois) que se defrontarão com hostilidades muito severas por parte das pessoas, em cujas mãos estarão indefesos. É impossível que eles ofereçam a menor resistência às pessoas hostis. Quando anunciam a mensagem do reino de Deus, eles são iguais a ovelhas no meio de lobos. Cabe notar que os discípulos não são enviados “aos lobos”, mas “para o meio de lobos”. Isso ilustra o aspecto indizivelmente penoso do envio dos mensageiros de Jesus.

 Essa palavra anuncia aos mensageiros a perseguição de sua pessoa e a rejeição de sua mensagem. Isso é muito mais que “não acolher” ou “não ouvir” a pregação.O envio das ovelhas para o meio de lobos era proverbial em Israel. Se a penetração dos lobos em um rebanho de ovelhas já representa um grande perigo, quanto mais perigoso será enviar e remeter, contrariando todo o bom senso, ovelhas isoladas para dentro de uma alcatéia de lobos! As indefesas ovelhas devem viver, atuar e permanecer entre lobos, e até mesmo superá-los. Isto é inimaginável e inconcebível! Contudo, Deus assim o determinou! Que não esqueçamos isso especialmente quando os lobos se tornarem cada vez mais numerosos e temíveis nos tempos finais! Foi o Senhor que o disse!Recordando Mt 7.15, “lobos” são os falsos pastores e falsos profetas de Israel, cuja atitude natural é receber o mensageiro do Senhor com ódio mortal. Jesus revela toda a perspectiva de sofrimento abertamente e sem escrúpulos aos discípulos.

A segurança para um envio tão perigoso, o equipamento para uma incumbência tão avessa à sensatez na luta entre ovelhas e lobos não está em levar qualquer tipo de armamento, mas nas palavras: “Eu vos envio”. E isso basta.

Assim como, pois, os setenta discípulos não devem estar munidos de armas de defesa diante dos perigos no meio de lobos, assim eles também não devem equipar-se com a bagagem usual de viagem. A instrução de que nem sequer levem consigo algo além da roupa necessária para a caminhada, tem o objetivo de que fiquem única e exclusivamente atentos ao cumprimento de seu envio.
Interpreta-se de diferentes maneiras o adendo de não saudar ninguém no trajeto ou a caminho. Essa instrução de comportamento tem um protótipo no AT (2Rs 4.29). De acordo com uma das interpretações, a palavra de não saudar representa uma ordem referente à urgência. Outros comentaristas consideram essa instrução como proibição de buscar o favor de alguém. Essa segunda explicação, de buscar obter um favor saudando alguém, por mais cerimoniosa que seja, é bastante inconcebível. A saudação oriental é muito demorada. Em um encontro desses, todos os votos costumeiros de bênção, abraços, beijos, pedidos de informação e discursos podem causar uma parada que consome tempo, e que é indesejável para quem tem pressa. Esta proibição de forma alguma veta a simples e singela saudação: “Paz seja contigo!”
Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Lucas. Editora Evangélica Esperança.

3. Os sinais e as maravilhas confirmam a Palavra.

AUTORIDADE PARA OPERAR SINAIS E MARAVILHAS    
              
Os setenta evangelistas foram autorizados a curar os enfermos que encontrassem nas cidades por onde haveriam de passar (Lc 10.9). Receberam o mesmo poder que os Doze receberam da parte do Senhor (Mt 10.8). Nos tempos apostólicos, a operação de milagres fazia parte integrante da missão. Evangelização com milagres, sinais e prodígios era a característica da atividade ministerial. Receberam “poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal” (Mt 10.1). Da mesma forma, os setenta evangelistas também estavam investidos da mesma autoridade espiritual. Ao retornarem da missão, deram um relatório positivo e vibrante do que lhes acontecera, quando saíram, em cumprimento ao mandado de Jesus, de dois em dois (Lc 10.17).

O MAIOR PRIVILÉGIO DOS EVANGELISTAS

Na palavra aos setenta, Jesus os surpreendeu com uma declaração desconcertante, ante a alegria e a comemoração pelos milagres que viram ser realizados por seu intermédio. Curas, libertação de endemoninhados e outros milagres, não seriam o auge do sucesso ministerial? Porém Jesus lhes fez saber que maior privilégio do que operar milagres era ter o seus nomes “escritos nos céus” (Lc 10.20). Discurso semelhante, Jesus proferiu, em determinada ocasião, quando advertia seus seguidores acerca da operação de milagres, sem que a vida do obreiro ou do pregador esteja em consonância com aquilo que prega.No Sermão do Monte (Mt 7.21-23), de forma alguma Jesus quis decepcionar ou minimizar o valor do trabalho dos evangelizadores. Mas quis conscientizá-los de que ter o nome nos céus é o maior privilégio que um servo de Deus pode ter.Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 97.

Lc 10. 17-20. E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam (17). Eles estavam maravilhados com o poder miraculoso que lhes fora permitido exercer. Estavam jubilosos com a lembrança de suas realizações. Mas Jesus lhes mostrou (20) que sua alegria não era correta, pois tinha o foco errado. Entretanto, Ele não os repreendeu por sua alegria ao verem o reino de Satanás sofrer perdas.
Eu via Satanás, como raio, cair do céu (18). Aqui Jesus estava tanto relembrando como profetizando. Satanás havia sofrido algumas importantes derrotas - especialmente no que se refere à tentação de Cristo. Mas Jesus aguardava ansiosamente a queda de Satanás; a sua completa derrota nas mãos do próprio Cristo.

Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo (19). Esta escritura tem, de fato, uma implicação literal,5 mas o contexto parece exigir que o principal significado seja espiritual. Note como Jesus faz uma analogia entre serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo. Tanto os versículos anteriores como os posteriores se referem às forças satânicas. A gramática desses versículos implica, também, que essas serpentes e escorpiões estão incluídos nas forças do inimigo. O simbolismo é comum para as forças satânicas ou demônios e até para o próprio Satanás. O significado principal é que os cristãos têm poder para pisar triunfantemente sobre os exércitos de Satanás, através do auxílio e da graça de Jesus Cristo.

Mas... (20) mostra que o que se segue não era uma repreensão. ...não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus. Esta é a ênfase correta, o terreno próprio para alegrar-se. O poder e sua manifestação são muito deslumbrantes, mas a vida eterna é mais importante. Ter a cidadania do céu é mais importante do que atemorizar o inferno.Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 411.

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