quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Escatologia a queda do império Babilonico (2)


            A QUEDA DO IMPÉRIO BABILÔNICO DANIEL 5 (2)


                             Professor Mauricio Berwald


II - O IRREVOGÁVEL JUÍZO DE DEUS
1. O dedo de Deus escreve na parede (Dn 5.5).

A justiça de Deus é perfeita e não há nada que possa revogar sua demonstração quando é ferida pela presunção e arrogância do homem. A misericórdia divina está aliada à justiça e se manifesta quando há possibilidade de arrependimento. No caso de Belsazar, no seu coração insensato e cruel não havia espaço para a prática da justiça nem para o arrependimento, o que o levou a sofrer a pena pelo seu pecado. A justiça de Deus manifesta-se pela sua santidade que é a essência do próprio Deus, por isso, não há nenhuma lei acima de Deus, mas há uma lei em Deus. A justiça é uma forma de sua santidade. Não há nada que possa alterar os padrões absolutos de Deus, porque Ele é Deus e sendo Deus, Ele é o que é e, por sua natureza divina Ele faz o que sua natureza requer. Na história do reino da Babilônia e do seu rei Belsazar, o juízo divino revelado e demonstrado contra Belsazar era a manifestação automática e natural da reação divina aos pecados de profanação desse rei.

“Na mesma hora” ou “no mesmo instante” (5.5)

 da bebedeira e comilança, quando danças sensuais, lascívia e idolatria aconteciam, o juízo de Deus quebrou a arrogância de Belsazar e dos seus grandes, com suas mulheres e concubinas. A festa de orgias e libertinagens que Belsazar promoveu com os objetos sagrados do Templo de Jerusalém, foi surpreendida pelo juízo de Deus. O sábio Salomão escreveu em um dos seus provérbios: “O peso e a balança justa são do Senhor” (Pv 16.8). Não há concessões, nem peso a mais ou menos, na balança da justiça divina. Todos somos pesados pela mesma medida, porque Deus é justo juiz e julga com equidade. O que é irrevogável é aquilo que não se pode anular, não se pode mudar. A resposta divina foi imediata dentro do palácio. De repente, no meio da festa de ostentação e profanação no palácio babilónico, Deus interfere naquela história e manifesta seu poder de juízo escrevendo na parede do salão de festas, diante dos olhos de Belsazar.

O dedo de Deus escreve na parede do salão de festas (5.5). 

Na linguagem antropomórfica da Bíblia, quando se atribui a Deus mãos, pés, coração, olhos e outros órgãos físicos, próprios do ser humano, há uma demonstração autêntica da figura de “uns dedos da mão de homem” que aparecem escrevendo sobre uma parede caiada. Esta parede estava iluminada por um candeeiro e os dedos daquela misteriosa mão escrevem palavras de juízo contra Belsazar e o reino da Babilônia. A euforia da festa é silenciada e todos, assustados tentam ler a escritura enigmática que tinha um caráter misterioso e exigia que alguém a interpretasse.

A visão era nítida sobre a parede. Não só o rei via a mão se movimentando na parede, mas seus convidados também viam. O barulho das taças e dos vasos de vinho cessou e todos estavam pasmados e emudecidos. A alegria do rei e dos convidados também cessou. O fruto do desprezo ao Deus do céu e o sacrilégio com as coisas sagradas do templo do Senhor em Jerusalém produziram um desespero sepulcral. Na parede se escrevia de modo esplendoroso e assustador a sentença contra aquele rei e contra o seu reino. O mistério da mão escrevendo na parede era confuso, porque Deus confunde os sábios do mundo, porque eles não sabem discernir as coisas espirituais (1 Co 2.14-16). De repente, tudo terminou para aquele monarca estúpido e atrevido.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 80-82.

Dn 5.5 No mesmo instante apareceram uns dedos de mão de homem.

O Espírito de Deus não suportou o que estava acontecendo, pelo que interveio im ediatamente. A reação de Yahweh foi im ediata nesse caso, embora com freqüência ela demore um pouco. No entanto, os moinhos de Deus trituram muito fino, pelo que opera a Lei M oral da Colheita Segundo a Semeadura, inevitável e necessária. Embora o moinho de Deus moa com extrema lentidão, Mói excessivamente fino. Embora Ele espere com paciência, Com precisão Ele m ói a tudo. (Henry Wordsworth Longfellow)

Candeeiro.

 Sem dúvida havia muitos candelabros no salão para mil convidados, e a orgia se deu à noite. O rei era um dos convivas, e o fenômeno sobre a mão ocorreu perto dele. O rei, estando próximo, viu claramente o notável fenôm eno — uma mão com seus dedos, separada do corpo, escrevendo na parede perto dele. Barnes vê aqui o candeeiro de ouro do templo de Jerusalém como o objeto em destaque. Isso teria adicionado certa justiça poética ao acontecimento, Mas trata-se de mera conjectura. Seja como for, temos aqui uma ilustração de como o Deus invisível realmente contempla o homem e reage de acordo com o que vê, segundo as leis morais.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3392.

Deus aterrorizou o rei e o deixou cheio de medo. Belsazar e seus oficiais se encontravam no meio da sua orgia, as taças estavam passando rapidamente de mão em mão, todos se equilibravam sobre as suas pernas, e bebiam à destruição, talvez de Ciro e seu exército, com suas calorosas aclamações, confiando que o cerco logo terminaria. Mas havia chegado a hora em que se cumpriria a profecia expressa há tanto tempo sobre o rei da Babilônia, quando a cidade seria sitiada pelos medos e persas (Is 21.2-4): “O crepúsculo, que desejava, se me tornou em tremores”. 

A alegria desse baile da corte logo desapareceria, e o desânimo se abateria sobre toda aquela jovialidade, embora o próprio rei fosse o mestre do festim. No momento em que Deus pronuncia a sua palavra, o rei e seus convidados são imediatamente envolvidos por uma enorme confusão, e a festança termina em grande aflição. 1. Apareceram os dedos de uma mão escrevendo sobre a superfície da parede, bem à frente do rei (v. 5): “O anjo Gabriel”, diz um rabino, “estava dirigindo esses dedos e escrevendo através deles”. “A mão divina” (diz o nosso próprio rabino, Dr. Lightfoot) “que havia escrito as duas tábuas da lei para o seu povo, agora está escrevendo a condenação de Babel e de Belsazar sobre a parede”. Nada havia sido enviado que pudesse assustá-los com seu barulho ou ameaçar a sua vida. Nenhum estrondo de trovão nem clarões de raios, nenhum anjo destruidor trazendo uma espada na mão, mas apenas um dedo escrevendo sobre a parede, e à frente do castiçal, para que todos pudessem ver à luz das suas velas.

 Note que quando lhe apraz fazer isso, a palavra escrita de Deus é suficiente para levar o mais atrevido dos pecadores a se aterrorizar. 0 rei viu apenas uma parte da mão que estava escrevendo, mas não viu a pessoa a quem essa mão pertencia. E era isso que tornava a situação ainda mais assustadora. Observe que aquilo que vemos de Deus, isto é, a parte da sua mão que escreve no livro das criaturas e no livro das Escrituras (que são partes dos seus caminhos, Jó 26.14), pode servir para nos encher de pensamentos terríveis a respeito daquilo que não somos capazes de ver no Deus precioso. Se esse é o dedo de Deus, por que o seu braço está estendido? E o que Ele é?HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 855.

Dn 5.5: “Na mesma hora, apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na estucada parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo”.

"... o rei via a parte da mão...” 

mão direita de Deus Pai, está em foco na presente passagem. O rei não pôde ver a mão completa, mas apenas uma parte; certamente apenas os dedos que escreviam; os magos de Faraó, no Egito, não puderam ver a mão de Deus, mas apenas o seu “dedo” (Êx 8.19). Existe um grande contraste entre “o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Ml 3.18); enquanto o rei via apenas “a parte da mão” misteriosa, os profetas do Senhor puderam contemplar com exatidão, não só os dedos de Deus, mas de um modo particular: 1) suas mãos (1 Rs 22.19); 2) as palmas das mãos (Is 49.16); 3) a sombra da sua mão (Is 49.2). Aquela mão escrevia na “estucada parede”. Segundo a Arqueologia, escavações contemporâneas têm demonstrado que as paredes do palácio tinham uma fina camada de emboço pintado. Esse emboço era branco, pelo que qualquer objeto, movendo-se à sua superfície, tornava-se distintamente visível.Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 92.

2. A rainha lembrou-se do profeta Daniel (Dn 5.6-12).

O estado de espírito de pavor total (5.6). O rei e seus convidados empalideceram e seus corações se encheram de terror e medo. Belsazar perdeu o domínio da situação naquele banquete, porque a mensagem sobre a parede era uma realidade.A busca de respostas de Belsazar (5.7-9).Belsazar manda chamar com urgência os astrólogos, magos e sábios do reino. Pediu aos seus sábios que lessem a escritura sobre a parece e a interpretassem. Não estava entre eles o sábio Daniel. Mais uma vez aqueles homens falharam e não puderam ler nem interpretar aquela mensagem, porque lhes era misteriosa. Belsazar, no seu desespero, ofereceu honrarias especiais aos que conseguissem ler a mensagem, mas ninguém pôde fazer isso.

A rainha mãe se lembrou do profeta Daniel (5.10). Quem era “A rainha”? Seu nome era Nitocris, filha de Nabucodonosor e mãe de Belsazar. Tudo indica que a rainha não estava presente naquela festa de seu filho Belsazar, mas estava no palácio. A rainha mãe, ao ouvir os gritos do filho, entendeu que havia um movimento diferente no palácio. Entrou no salão de festa onde estava o filho-rei para saber o que estava acontecendo. Ao ter conhecimento da misteriosa mão sobre a parede lembrou-se de que havia no Reino um homem (v. 11), chamado Daniel e que era de confiança, tanto de seu pai quanto de seu marido, mas tudo indica que Belsazar sabia muito pouco acerca de Daniel, porque ele não estava no palácio (Dn 5.13).

“Daniel, um espírito excelente” (5.12).

 No versículo 11, a rainha disse que era um homem “que tem o espírito dos deuses santos”. Era um modo pagão de identificar que havia em Daniel algo superior aos demais sábios. O fato de referir-se aos “deuses santos” tinha a ver com a crença politeísta dos caldeus, mas que Daniel diferia em tudo. Ele não era o jovem do capítulo 2 interpretando o sonho do rei. Ele já era um velho, respeitado e se manteve ausente do palácio por mais de 20 anos, desde a morte de Nabucodonosor. O fato de Daniel “ter um espírito excelente” significava que ele demonstrava um comportamento equilibrado, firme, honesto e despido de egoísmo. O seu temor ao Deus de seus pais, o Deus de Israel, era percebido pela sua fidelidade aos seus princípios.Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 82-83.

Dn 5.6 Então se mudou o semblante do rei. O rei ficou estupefacto e aterrorizado com o que viu. Imediatamente passaram os efeitos do vinho embriagador. Nem mesmo em seus sonhos mais desvairados, ele jam ais vira algo como aquele fenômeno. Diz aqui o hebraico, literalmente, “seu brilho foi mudado nele”, indicando total alteração no colorido e na expressão de seu rosto. O vinho tinha iluminado sua face, e até então ele estivera todo cheio de risos e gargalhadas. De súbito, porém, seu rosto foi coberto como que por uma máscara de terror. Seus pensamentos caíram na consternação e na perplexidade. Ele perdeu o controle m uscular, e seus joelhos batiam um no outro. Uma reação neurológica comum de temor é o trem or das pernas, bem como a perda do controle muscular. Essa reação é espontânea e difícil de controlar. Ovídio fala de algo similar em sua obra M etam orfoses 11,180, genua intremuere timore. Ver também Homero, Odisséia, IV.703 e Híada XXI. 114. Algumas vezes, as juntas são chamadas de “nós”, conforme diz aqui o hebraico, literalmente. O tem or desfez os nós do pobre homem e o deixou a tremer, uma descrição pitoresca, para dizermos a verdade, Os Psíquicos Profissionais e os Sábio São Cham ados (5.7-9)

Dn 5.7 O rei ordenou em voz alta que se introduzissem os encantadores. Cada vez que um oficial babilônico caía em dificuldade, chamavam-se os caldeus (a casta dos sábios), alguns dos quais são enumerados neste versículo. Cf. Dan. 1.20; 2.2,4,27 e 4,7 (as listas variam um pouco, adicionando ou deixando de lado uma ou outra das classes; mas está em vista a mesma classe dos sábios em todas essas listas). Esses sábios eram sempre chamados, mas sempre falhavam. Então aparecia alguém para lembrar o rei a respeito de Daniel, o solucionador dos problemas que outras pessoas não podiam solucionar. 

Aqui, tal como em Dan. 2.6, o rei prometeu que o revelador do enigma seria enriquecido e glorificado. Foi prometida também a veste púrpura, aquela que denotava alguém como autoridade do governo digna de admiração e respeito, Cf. as vestes púrpura de Mordecai, em Est. 8.15. Entre os persas, essas vestes eram sinal da dignidade real (ver Est. 8.15; I Esd. 3.6; Xenofonte, Anabasis, I.5.8). A tintura utilizada era tirada de uma substância vermeiho-purpurina de certos m oluscos (Plínio, Hist. N atural IX.60-62). A cadeia de ouro era outro sinal de dignidade principesca, conforme se vê em Gên. 41.42; Xenofonte (Anabasis, I.5.8); Heródoto (Hist. III.20). Tais correntes de ouro eram dadas pelos reis para honrar certos elementos selecionados por serviços prestados, e só podiam ser usadas como decoração, por altas autoridades. Será o terceiro no meu reino. Esta referência é obscura. Pode dizer respeito a alguma espécie de triunvirato no governo (ver I Esd. 3.9). Ou então está em foco um oficial babilônico, o salsu. 
O rei era o comandante-em-chefe do exército; o oficial à sua mão direita era o segundo no comando; e o oficial que ficava à sua esquerda era o terceiro. Mas alguns dizem que Nabonido era o verdadeiro rei; Belsazar era seu governante nomeado; e o terceiro seria alguém que atuaria como principal assistente de Belsazar. Sem importar o que essas palavras queiram dizer, uma altíssima posição no reino foi prometida ao homem que pudesse interpretar a escrita na caiadura da parede.

Dn 5.8 Então entraram todos os sábios do rei.

 Conforme era usual, nenhum membro da casta dos caldeus (os sábios, membros dos quais são especificados em Dan. 1.20; 2.2,4,27 e 4.7) foi capaz de ler e interpretar o escrito. Mas por que eles foram incapazes de ler uma inscrição que Daniel decifrou no primeiro olhar? Conjecturas: 1. Os caracteres eram escritos em semítico antigo ou em alguma escrita que os sábios não conheciam; 2. a linguagem da inscrição era desconhecida para eles; 3. as palavras foram escritas em colunas verticais, mas aqueles ineptos eruditos tentaram lê-las horizontalmente; 4. ou então a coisa toda era um enigma autêntico e só podia ser interpretada com ajuda divina, que não estava disponível para aqueles pagãos. A quarta idéia é, provavelmente, a que o autor sacro tencionava.

Dn 5.9 Com isto se perturbou muito o rei.

 Belsazar ficou espantado e perplexo com a ocorrência. Aqueles em quem ele confiava serem capazes de aliviar seu espanto apenas lhe aumentaram a inquietação, pois deixaram um mistério profundo e potencialmente ameaçador. “Havia espaço para alarma, quando sábios profissionais foram incapazes de interpretar a misteriosa escrita na parede. Sem dúvida deve-se com preender que o fenômeno apontava para algo portentoso. A incerteza que havia na questão apenas aumentou a agitação do monarca. “Sua cor mudou, e seus senhores ficaram perplexos” (Revised Standard Version). “Seu rosto empalideceu. Os convidados reais ficaram confusos” (NCV). Cf. o vs. 6. “O terror de Belsazar e de seus senhores foi causado pela impressão de que a incapacidade de os sábios lerem a inscrição era o portento de alguma terrível calamidade que estava prestes a atingir a todos” (Ellicott, in loc.).

A Rainha-mãe Faz uma Sugestão Crítica (5.10-17)

Dn 5.10 A rainha-mãe, por causa do que havia acontecido ao rei. Está em pauta a mãe de Belsazar, ou sua avó, mãe de Nabonido. Mas talvez esteja em vista sua principal esposa, a qual se apresentou como pessoa de autoridade superior às das muitas concubinas do rei. Daniel era conhecido pela corte inteira, incluindo a rainha-mãe, que foi o instrumento para solucionar o mistério.
Embora a mulher fosse esposa, mãe ou avó de Belsazar, ela se prostrou diante do rei e proferiu as palavras apropriadas. Cf. Dan. 2.4; 3.9 e 6.6,21. Tendo cuidado das formalidades, ela apresentou sua útil sugestão, conforme o vs. 11 passa a relatar. O rosto caído do rei e sua tez pálida se recuperaram ligeiramente, mas não por muito tempo. Seria melhor ele não ter ouvido a interpretação da mensagem celeste.

Dn 5.11 Há no teu reino um homem. Daniel era cheio do espírito dos deuses santos (cf. Dan. 4.8,9,18). Ele era conhecido como um psíquico extraordinário, o chefe dos sábios profissionais (a casta dos caldeus). Ver Dan. 2.48 e 4.9. Nabucodonosor tivera seus problemas solucionados por Daniel, e Nabucodonosor é erroneamente chamado aqui de pai de Belsazar. Ver a introdução ao capítulo, quanto a explicações. Seja como for, Daniel era o homem de sabedoria e compreensão que nunca errara em suas interpretações. Ele tinha a sabedoria dos próprios deuses, e nenhum membro da casta dos caldeus — encantadores, magos ou adivinhos — podia comparar-se a ele. Quanto a essa casta e seus vários membros, ver as notas sobre Dan. 1.20; 2.2-4,27; 4.7. Uma vez mais, Daniel foi chamado de chefe dos “sábios”.

Dn 5.12 Porquanto espírito excelente. 

Continua aqui o louvor dado a Daniei, revelando sua extraordinária reputação. Ele era um especialista na interpretação de sonhos, capaz de resolver enigmas e problemas. Portanto, que se chamasse Daniel. As habilidades de Daniel na oneiromancia compõem o tema dos capítulos 2 e 4 do livro de Daniel. Os enigmas (literalmente, “uma coisa fechada ou oculta") eram decifrados por ele. A “solução de problemas”, literalmente, é “desmanchar de nós”. Jesus libertou uma mulher que havia dezoito anos tinha sido amarrada com um nó (ver Luc. 13.16). No Alcorão (113.4), Maomé busca a ajuda de uma mulher que era especialista em “desmanchar nós” e desatá-los.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3392-3393

Dn 5.6: “Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram: as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro”.

"... seus joelhos bateram um no outro”. 

O presente texto descreve a situação do monarca diante do supremo poder divino; o rei foi achado por seu pecado, num momento inesperado (Ver Nm 32.23). No dizer de Swete: “O que os pecadores mais temem não é a morte, e sim a presença revelada de Deus” (Comp. com Ap 6.15 a 17). Isso pode ser observado em nossos primeiros pais, Adão e Eva; eles correram apavorados com medo da santidade de Deus, o qual, na viração do dia, passeava no Jardim (Gn 3.8-10). O famoso pintor Hashington Alliston, gastou mais de doze (12) anos experimentando pintar a festa de Belsazar; morreu deixando a obra incompleta! - O pintor não podia alcançar, mesmo com todo o seu potencial de imaginação, o desespero duma alma sem redenção que, de repente, se encontra face a face com o julgamento de Deus; o veredicto judicial escrito na parede, por mão misteriosa do outro mundo, refletia toda aquela sentença pronunciada por Deus.

Dn 5.7: “E ordenou o rei, com força, que se introduzissem os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores: e falou o rei, e disse aos sábios de Babilônia: Qualquer que ler esta escritora, e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao pescoço, e será no reino o terceiro dominador”.

O presente versículo tem muitas coisas importantes a serem analisadas, mas tomaremos como base a frase: “o terceiro dominador”, por ser ela imprescindível no versículo em foco. O profeta Daniel, em sua visão apocalíptica, observa que o poderoso Leão visto no capítulo 7, versículo 4: “Tinha asas de águia”. Na simbologia profética, isto pode significar o neto e o filho de Nabucodonosor, respectivamente, Belsazar e Nabonido (este o regente durante a doença do pai - Dn 4.25 - depois ocupou o trono por direito de sucessão). Nabonido não é nominalmente citado nas Escrituras, mas sim na História Universal; no entanto, ele pode ser uma das asas do Leão visto por Daniel em visão (Dn 7.4). Eis a razão por que o rei Belsazar só podia dar a Daniel o “terceiro lugar”, pois o segundo era dele próprio (Dn 5.7, 11, 29). E observado por Zenofon que o povo da Babilônia se sentia seguro e zombava daqueles que sitiavam a cidade. Assim o rei foi levado a fazer essa promessa que nada valia, porque ele tinha de morrer dentro de pouco, e o reino passaria para os medos e os persas.

Dn 5.8: “Então entraram todos os sábios do rei, mas não puderam ler a escritura nem fazer saber ao rei a sua interpretação”.

O presente versículo, bem como outros correlatos neste livro de Daniel, nos faz lembrar dos magos de Faraó diante do supremo poder de Deus, na terra do Egito. Houve uma hora em que eles tiveram de parar, em virtude de Deus ter neutralizado todo o avanço das forças do mal (Êx 8.18). Os sábios podiam ter feito uma interpretação falsa sem que qualquer coisa os desacreditassem, mas não o fizeram. Até os mais infames propósitos não podem ir além daquilo que Deus permite. O mal que permeia todo o Universo não pára de alastrar-se, mas sempre há um momento em que Deus entra em ação conforme lhe apraz: “Operando eu, quem impedirá?” - é a sua grande declaração pela boca de Isaías. Deus não deixou desviar-se o seu plano, mas o executou de uma maneira sublime.

Dn 5.9: “Então o rei Belsazar perturbou-se muito, e mudou-se nele o seu semblante; e os seus grandes estavam sobressaltados”.

A Bíblia descreve que o “salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). E foi esta a “paga” que Belsazar, com “seus grandes”, escolheu: este “salário mortal”, e ainda podemos verificar que o lugar em que havia tanta alegria (da carne), transforma-se agora, numa verdadeira “perturbação”. “O caminho do homem ímpio é sempre trevas”, diz a palavra divina. A Bíblia diz literalmente, que o rei naquela noite ficou “perturbado”. Ele também literalmente, ouviu a voz de Deus no recôndito da alma, que lhe dizia: “Louco, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?” (Lc 12.20). O banquete de Herodes começou com muita alegria da carne, mas foi encerrado com tristeza da alma (Mt 14.9).
O Senhor Jesus sempre tinha em mãos uma “bacia e uma toalha” para seus discípulos (Jo 13.4, 5). Ao contrário, para seus inimigos, Ele chegou a usar um azorrague de cordéis” (Jo 2.15). No dia da vinda de Jesus para seus santos, Ele virá como a “estrela da manhã”, no dia da vingança, porém, como “o sol da justiça”. O monarca Belsazar estava bem instruído sobre o grande poder de Deus e suas manifestações, mas escolheu o “caminho largo” e nele pereceu (Mt 7.13).
Dn 5.10: “A rainha, por causa das palavras do rei e dos seus grandes, entrou na casa do banquete: e falou a rainha, e disse: Orei, vive para sempre! não te turbem os teus pensamentos nem se mude o teu semblante”.

“A rainha”. O presente texto, fala de uma “senhora rainha” que subentendemos ser a mãe do rei Belsazar. O fato de a rainha se ter dirigido ao rei, também atesta a notável exatidão do presente capítulo. Em Babilônia, a rainha-mãe ocupava a mais proeminente posição no palácio real e, aí, devido à sua intervenção, foi chamado Daniel. Ele rejeitou a recompensa real e, após pregar ao rei no tocante à sua perversidade, prosseguiu para a interpretação do estranho escrito. João Batista não teve acesso ao banquete de Herodes, mas apenas a sua cabeça! Mas certamente o tetrarca, olhando para aquele prato manchado de sangue, contemplou a cabeça cuja “boca” um dia repreendera a sua maldade!
Dn 5.11: “Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e, nos dias de teu pai, se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrólogos, dos caldeus, e dos adi vinh a d ores”.

"... deuses santo’.
 A expressão no original é realmente “Elohim”, mas como a palavra “Deus”, saiu dos lábios de uma mulher “paga ,os tradutores acharam por bem, traduzir por “deuses”. Mesmo assim, a expressão em si, faz uma revelação da Santíssima Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Dn 5.12: “Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e ciência e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, no qual o rei pós o nome de Beltessazar: chame-se pois agora Daniel e ele dará interpretação”.
O Leitor deve observar que, em diversas passagens do livro de Daniel, ocorre: “sonho” ou “visão da noite”. (Ver 1.17; 2.3,4,5,6,7,9,19,45; 7.1,7, etc.). Os antigos povos criam muito nos sonhos de caráter significativo, e freqüentemente era uma das maneiras pelas quais Deus podia manifestar a sua vontade (Jó 33.14-16). O termo denota as idéias presentes ao espírito durante o sono. Os sonhos podem ser classificados da seguinte forma: 1) Sonhos vãos (Jó 20.8; SI 73.20; Is 29.8). 2) Sonhos que Deus usa para fins especiais. Produzindo estes sonhos, Deus age de conformidade com as leis do espírito, e talvez empregue causas secundárias. O doutor J. Davis define os sonhos especiais da seguinte maneira:
 1) Os que tinham por fim impressionar a vida psíquica dos indivíduos. Assim se deu com os midianitas, cujo sonho abateu o ânimo das hostes inimigas e elevou o espírito de Gideão que, providencialmente, ouviu a sua narrativa (Jz 7.13). Da mesma sorte aconteceu dom o sonho da mulher de Pilatos. O que esta senhora (Claudia Procla, segundo a tradição) sofreu no sonho, foi, provavelmente, o horror de ver um homem inocente ser ferido até a morte, vítima do inflamado ódio do mundo. (Ver Mt 27.19). Muitos outros sonhos, porém, têm sido revelações nos tempos modernos. João Newton foi impressionado com a salvação da sua alma, quando teve um sonho que veio esclarecer-lhe o caminho a seguir. João Bunyan, quando se encontrava preso na cadeia de Bedford, em 1660, teve um sonho que imortalizou o seu nome. O resultado foi “O Peregrino”, hoje a mais famosa alegoria do mundo. 

2) Sonhos proféticos instrutivos de que Deus se servia (quando a revelação era ainda incompleta) e que tinham em si mesmos as credenciais divinas. Os exemplos são: 1) Abimeleque (Gn 20.3). 2) Jacó (Gn 28.12; 31.10). 3) Labão (Gn 31.29). 4) José (Gn 37.5, 9, 10, 20). 5) Com Faraó (Gn 41.7,15). 6) O padeiro e o copeiro mor de Faraó (Gn 40.5). 7) Salomão (1 Rs 3.5). 8) Nabucodonosor (duas vezes - Dn caps. 2,4). Os magos do Oriente (Mt cap. 2). 10) José, esposo de Maria (Mt 21.20 e ss.).Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 94-98.

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