quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Escatologia a queda do império Babilonico (1)

    


                         Professor Mauricio Berwald


"MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM." Era o que estava escrito na parede revestida por estuque do palácio real. Uma imagem assombrosa e amedron- tadora que colocou ponto final na festa do palácio. Deus estava falando que chegara ao fim o espetáculo do deboche da fé alheia.

O capítulo cinco de Daniel retrata a imagem de uma festa no Palácio do Co-Regente da Babilônia. Belsazar havia ordenado aos seus subordinados que trouxessem os utensílios de ouro deportados do templo de Jerusalém. Com estes utensílios o rei promoveria uma festa regada a vinhos para os convivas. Era a festa do deboche! Do deboche da fé de um povo. Do deboche dos costumes e hábitos de uma nação. Do deboche da cultura religiosa de um povo. Do deboche do Deus de uma nação.

A ação divina

O quinto capítulo do livro de Daniel demonstra um Deus soberano que perscruta a motivação do coração humano. Ele fez isso com o rei Belsazar. Este caiu na mesma tentação do seu avô, Nabucodonozor. E adoeceu de alma pensando fazer com o poder imperial o que bem entendesse sem ser alvejado pelas suas escolhas. Belsazar escolheu o caminho mais sórdido e absurdo: o da profanação da identidade religiosa e cultural de um povo, e das coisas consagradas a Deus. Somente para mostrar que ele, Belsazar, era mais importante que o Deus de Israel. Entretanto, o rei mal sabia que estava sob o olhar desse Deus.

Para a motivação de Belsazar foi dado um xeque mate: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Estas palavras são a mensagem de Deus revelada a Daniel: "Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino e o acabou. TEQUEL: Pesado foste na balança e foste achado em falta. PERES: Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e aos persas". Naquela noite o Deus de Israel acabara com a festa do deboche das coisas consagradas a Deus e do Seu povo. E Belsazar morreu ali mesmo.

Um cuidado na interpretação do texto
Ao lermos este texto temos de ter o cuidado de não fazermos interpretações a fim de colocarmos os utensílios dos nossos cultos hoje acima das pessoas. No Antigo Testamento o povo de Israel, os profetas e as lideranças judaicas não haviam conhecido a revelação de Jesus de Nazaré. Isto é um dado muito importante! Não podemos ler o Antigo Testamento sem considerar o Evangelho ensinado por Jesus de Nazaré, o Deus encarnado em Pessoa, e as cartas apostólicas: O Novo Testamento.Revista Ensinador Cristão. Editora CPAD. pag. 39.


                              COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

Indiscultivelmente Nabucodonosor foi o mais importante dos reis da Babilônia. Seus feitos arquitetônicos construindo cidades e palácios e sua ousadia política, além de demonstrar uma inteligência espetacular apresentam a sua história.
Depois da morte de Nabucodonosor em 562 a.C.,Evil-Mero-daque o sucedeu no trono e, dois anos depois foi assassinado por Neriglissar, seu cunhado, mas quem veio a assumir o Trono foi Nabonido, genro de Nabucodonosor, o qual gerou o filho chamado Belsazar. Este, veio a ser corregente com seu pai, três anos depois. Era um homem blasfemo e não sabia respeitar princípios. Sua história contém elementos de crueldade e total inclemência com os subordinados do reino. Foi, também, um homem devasso que não sabia respeitar a história nem aos valores do reino.

Este capítulo descreve e registra o reinado de Nabonido por 17 anos (556-539 a.C.). Quando foi a Arábia, deixou a seu filho Belsazar como corregente na capital do império. Ele havia sido nomeado por seu pai como seu representante na Babilônia. Era, portanto, a segunda pessoa mais importante do reino. Alguns anos haviam se passado e ao fmal de sua corregência, Belsazar não contava com a invasão dos exércitos da Média e da Pérsia na Babilônia. O império caiu nas mãos dessa aliança medo-persa e um novo reino se instalou.

O capítulo cinco relata essa invasão na capital babilónica. Bel- sazar fazia uma festa regada a vinho e sexo, quando Deus escreveu na parede do palácio a sentença de morte e queda do império babilónico. Está registrado, também, o desrespeito com os valores religiosos das nações e como, de forma abusiva e irresponsável, ele mandou buscar os vasos sagrados do templo de Jerusalém para em- bebedar-se com vinho nos mesmos, Belsazar ultrapassou a medida da paciência de Deus e, na noite de sua festa, foi morto e o reino da Babilônia foi ocupado pelos medos e persas em 539 a.C.
Nesta história aprendemos que ninguém zomba de Deus. Sua soberania jamais poderá ser questionada por simples mortais. Na onis- ciência divina os fatos futuros, presentes e passados são do inteiro conhecimento de Deus. A queda do Império Babilónico havia sido profetizado pelo profeta Isaías,pelo menos uns 150 anos antes de acontecer (Is 14.3-5; 47.1,5). O profeta Jeremias também profetizou sobre tudo o que aconteceria com Israel e as invasões de Jerusalém e Judá, bem como anunciou a destruição da Babilônia (Jr 50.2; 51.53,58).Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 77-78.

“Belsazar” (5-1). 

Por muitos anos a referência a Belsazar foi utilizada como prova de que o livro de Daniel carecia de precisão histórica e teria como origem uma data recente. Foi então que os arqueólogos descobriram evidências não somente de sua existência, mas também de seu papel de regente de seu pai, Nàbonide! Assim se explica a promessa de Belsazar de fazer de Daniel “o terceiro no governo do seu reino”, quando o próprio Belsazar era apenas o segundo mais importante! Os dados apresentados como prova de que a data do livro seria recente, acabou por evidenciar que fora escrito centenas de anos antes do que se supunha, antes mesmo de que os registros históricos da era tivessem sido perdidos.

“Teu pai” (5.11, 18). 

Apesar dessas referências, Nabucodonosor não era o pai biológico de Belsazar. Este era filho de Nabonide, que assassinara Labashi-Marduk, filho de Neriglissar, genro de Nabucodonosor que, por sua vez, matara o filho do grande rei Evil-Merodaque! As expressões “filho de” e “pai de” eram usadas comumente no mundo antigo para indicar os sucessores e predecessores de reis, tivessem ou não parentesco de verdade.RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 517.

Queda do Império Caldeu, 5.1-31

A primeira metade do livro de Daniel é o registro de uma série de encontros cruciais entre o orgulho e poder de homens insignificantes e o grande e bondoso Deus. Este, em última análise, dirige as ações dos homens quer eles reconheçam isso, quer não. O incidente desse quinto capítulo serve como clímax da jornada meteórica ao longo da história do reino Babilónico.
Após a morte de Nabucodonosor, o seu filho, Evil-Merodaque, o sucedeu no trono. Esse é o rei que deu honra especial ao rei Joaquim, depois de 37 anos de exílio, ao soltá- lo da prisão e designar-lhe uma pensão (Jr 52.31-34; 2 Rs 25.27-30).
Depois de dois anos, Neriglissar, o cunhado de Evil-Merodaque, liderou uma revolta e o assassinou. Neriglissar tinha se casado com uma das filhas de Nabucodonosor e reivindicava um certo direito real, especialmente por meio do seu filho, Labashi-Marduque. Mas o jovem não recebeu apoio e logo foi morto pelos seus amigos de confiança. Os generais e líderes políticos escolheram Nabonido, outro genro de Nabucodonosor, um auxiliar experimentado e de confiança durante a maior parte do seu reinado. Nitocris, filha de Nabucodonosor, deu um filho a Nabonido. Seu nome era Belsazar. Por causa do seu sangue real, Belsazar, três anos após a ascensão de Nabonido ao trono, foi feito co-regente com seu pai. Ele tinha a incumbência de governar a cidade e província da Babilônia. Esse foi o rei Belsazar descrito por Daniel, como os caracteres cuneiformes têm revelado após décadas de confusão sobre a sua identidade, mesmo entre estudiosos conservadores.Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 515.


I - O FESTIM PROFANO DE BELSAZAR

1. A zombaria de Belsazar (Dn 5.1-4).

“na presença dos mil” (5.1). Refere-se aos convidados de Belsazar na frente dos quais ele bebeu vinho, como uma demonstração libertina diante dos seus convidados iniciando a bacanal dentro do palácio. Poderia ter sido mais uma festa palaciana na Babilônia se a festa promovida por Belsazar não tivesse sido uma festa de escárnio ao Deus dos cativos judeus.

“mandou trazer os utensílios de ouro e de prata... que seu pai Nabucodonosor tinha tirado do templo que estava em. Jerusalém” (5.2,3).

 Belsazar não teve escrúpulos nem respeito com os utensílios sagrados trazidos de Jerusalém como espólio de guerra por seu avô Nabucodonosor. Ele foi um homem sensual e sacrílogo, pois não tinha o menor respeito por coisas sagradas. Além de desafiar o poder de Jeová e querer usurpá-lo, Belsazar foi mais longe e fez escárnio da verdadeira religião para satisfazer seus intentos baixos, frívolos e profanos. Quando o teor alcóolico subiu à cabeça de Belsazar, então mandou trazer os “vasos sagrados do templo de Jerusalém” para serem usados em suas orgias com suas mulheres e prostitutas. A profanação das coisas santas sempre foi condenada pelo Senhor (Dn 1.3;Am 6.6; Is 52.11).Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 78-79.

Belsazar (nome que significa “Oh, Bel, protege o reil”) é de origem posterior. A Septuaginta confunde esse nome com Beltessazar. Tem os em Belsazar um rei para todos os propósitos práticos, mesmo que ele não tivesse sido um rei no sentido real. As inscrições nunca o mencionam com o um rei que estivesse governando.
Mas não há razão alguma para duvidarm os do fato de que seu pai o investiu com poderes reais, pelo que a palavra rei, que aparece neste texto, pode ser considerada correta o bastante para não estar sujeita a críticas e censura. Coregente é termo forte demais para descrever a situação.Aqui se demonstra que a vontade divina acaba dominando no fim, e que todo sacrilégio deve ser punido. Ademais, o fim do im pério babilônico foi o início de uma nova esperança para Judá. Agora os judeus poderiam voltar para reconstruir Jerusalém, por meio dos graciosos decretos de Ciro.

Dn 5.1 O rei Belsazar deu um grande banquete.

 O “rei”, que era um homem vão, ofereceu um vasto banquete para mil convidados! O rei continuava a beber vinho na presença dos convidados, que tam bém continuavam a beber só para fazer-lhe com panhia. Talvez esteja em vista algum a festividade o ficia l nãoidentificada.  Os vss. 30-31 mostram que tudo isso ocorreu nas vésperas da queda da Babilônia, em 538 A. C. Se supuserm os que Daniel tenha sido levado para o cativeiro aos 16 anos de idade (em 605 A. C.), chegarem os à conclusão de que ele tinha cerca de 83 anos por esse tempo. “As inscrições contem porâneas deixam claro que a Babilônia foi capturada sem que se aplicasse um golpe sequer, e que Nabonido foi im ediatam ente feito prisioneiro. A própria inscrição de Ciro sugere que ele foi recebido com alegria pela população. Uma tradição posterior, entretanto, inform a que a cidade foi conquistada por m eio de um assalto noturno, enquanto os habitantes celebravam uma festa. Há traços dessa tradição em Heródoto (Hist. 1.191), bem com o em X enofonte (C yropaedia, V II.5.15-31)” (Arthur Jeffery, in loc.).A arqueologia descobriu um vasto salão na cidade de Babilônia, com pouco mais de 50 m de comprimento, cujas paredes eram emplastradas. Esse é um lugar de dimensões suficientes para que ali tivesse ocorrido o banquete mencionado, com seus mil convidados.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3391.


Vários fatos marcantes nos chamam a atenção nesse texto de Daniel em primeiro lugar, Babilônia estava sendo tomada enquanto o rei estava festejando (Dn 5.2-4,30). Naquela noite, o rei Dario estava desviando o curso do rio Eufrates e marchando pelo leito do rio para entrar na inexpugnável cidade da Babilônia para tomá-la. O império estava caindo, e o rei estava se banqueteando. Aquela era sua última noite, e o rei estava se embriagando.Em segundo lugar, o rei dá uma grande festa no dia de sua grande ruína (Dn 5.1). Ele estava fazendo uma festa nababesca no dia mais fatídico de sua vida. Osvaldo Litz diz que quanto maior a festa, maior a glória do festeiro.

Eles querem diversão e prazeres.

 A maior cidade do mundo estava sendo tomada, e o rei e os nobres estavam bebendo e se divertindo. Eles estavam à beira de um abismo e não se apercebiam disso. Muitas pessoas também não se apercebem do risco que correm. Estão à beira da morte, nas barras do juízo de Deus e continuam anestesiadas pelos seus pecados.
Em terceiro lugar, o rei lidera seus nobres em uma festa dissoluta, de embriaguez e de sensualidade na noite de seu juízo (Dn 5.2,3). Outro erro do rei foi o abuso da bebedeira. A embriaguez promove a dissolução (Ef 5.18). A bebedeira é um espetáculo indigno que produz conseqüências desastrosas. Quem bebe está soltando os freios do domínio próprio à beira de um abismo: acidentes de trânsito, brigas, assaltos, arrombamentos, delitos sexuais, adultérios e assassinatos têm muitas vezes sua origem no álcool. O rei deu uma grande festa. Gostava de pompa. Vivia para o prazer. Usava o poder apenas para corromper-se e deleitar-se no pecado. Era a festa dos excessos, da embriaguez desavergonhada. Onde as pessoas se entregam à bebedeira, náo há bom-senso nem equilíbrio. O caminho da embriaguez é o caminho da ruína. A estrada da embriaguez é o caminho da vergonha, da derrota e da morte.LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 71-72.

Dn 5.1: “O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes, e bebeu vinho na presença dos mil.

"... um grande banquete...”

 O presente versículo tem seu paralelo no primeiro capítulo do livro de Ester, livro que marca também um período do cativeiro. Ali há um banquete semelhante a este, em que alguém também perdeu sua coroa. Belsazar era um príncipe caldeu, e, como tal não devia beber, pois a Bíblia exorta a respeito. (Ver Pv 31.4). A advèrtência divina é mais sublime do que a atitude deste monarca; ela recomenda a todos: “Melhor é ir a casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete, porque ali se vê o fim de todos os homens” (Ec 7.2). O rei, em sua orgia e devassidão, viu o fim de seu reino e de seus grandes naquela mesma noite. Os homens sempre falham, mas a Palavra de Deus não (Jr 1.11,12). 

O rei Herodes pereceu ferido pela mão poderosa de um anjo, porque não deu glória a Deus, quando podia ter dado (At 12.23). A grande advertência divina é: "... qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado e aquele que a sí mesmo se humilhar será exaltado”. Belsazar, pelo que fica depreendido do texto em foco, não se humilhou e por essa razão foi reduzido a nada. Neste banquete real, podemos observar o extremo descuido daquela gente. O inimigo estava às portas da cidade, enquanto que todos os grandes do reino se encontravam reunidos numa bebedeira. O comandante Ciro, já se encontrava desviando o curso do rio Eufrates, que passava pelo meio da cidade, e após, entrou pelo leito seco do rio. Ele tomou a cidade de “assalto” naquela mesma noite. Assim Babilônia foi sacudida pelos dois “tufões de vento do Sul, que tudo assola” (Dario e Ciro). (Ver Is 21.1). Paulo diz que “os que se embebedam embebedam-se de noite” (1 Ts 5.7); o rei Belsazar escolheu essa hora sombria da noite, e nela pereceu.Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 91-92.

2. A insensatez e a crueldade do autocrata Belsa.

Sua insensatez era demonstrada pelo pouco caso que fazia do próprio reino sem se importar com o fato de que seu pai estava fora da Babilônia. Sua insensatez foi demonstrada nas ações libertinas cuja preocupação era o seu próprio prazer com bacanais com sexo e bebidas alcóolicas. O sábio Salomão referiu-se a esse tipo de festa e disse: “Melhor é ir a casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete,porque ali se vê o fim de todos os homens” (Ec 7.2). Foi o que aconteceu com Belsazar que, em sua orgia e devassidão, acabou por ver o fim do seu reino e dos seus convidados naquela mesma noite em que a mão escreveu o seu juízo na parede do salão de festas.

Belsazar promoveu uma festa de profanação das coisas sagradas (5.3). Na verdade, Belsazar não tinha o menor escrúpulo com coisas sagradas. Ele era um dissoluto e soberbo que, não apenas bebeu vinho nos vasos sagrados da Casa de Deus em Jerusalém, mas encheu a medida do cálice da ira divina. Como era um homem dissoluto, promovia festanças para se entregar à bebedeira. A Babilônia era uma cidade de opulência e luxúria e no palácio imperial se promovia constantemente festas que homenageavam seus deuses, os deuses dos caldeus. Enquanto seu pai Nabonido estava no campo de batalha defendendo o reino da Babilônia contra as forças dos medos e dos persas, ele pouco se preocupava, senão satisfazer suas paixões. A festa era incompatível com a situação instável de enfraquecimento do reino da Babilônia, mas ele preferiu dar vazão aos seus instintos pecaminosos sem se preocupar com aquela situação. Belsazar era homem cruel. Acostumado a ter o que quisesse, não media dificuldades para fazer valer sua vontade, tanto para matar seus oponentes como para se cercar de pessoas da mesma estirpe. Naquele momento festivo as províncias do reino já haviam caído nas mãos dos inimigos, e Ciro, da Pérsia, com seus exércitos estava cercando a capital que seria, de fato, a conquista final do novo império que o sucederiaElienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 79-80.

Segurança falsa. 

O rei festejava com “os seus grandes”, pois todos supunham estarem protegidos pelas muralhas maciças. O que não podiam imaginar é que as forças persas haviam mudado o curso do rio que atravessava a cidade. Com a queda do nível da água, o inimigo simplesmente caminhou ao longo da cabeceira do rio, por baixo das grades de proteção, e surpreendeu os babilônios no interior da cidade. Uns 80 anos mais tarde, o escritor grego, Heródoto escrevia. “Se os babilônios tivessem sido alertados da estratégia de Ciro (...) teriam aferrolhado todas as portas das ruas que passavam por sobre o rio, além de destacarem sentinelas em ambas as margens por toda a correntc, o que faria com que o inimigo fosse surpreendido como se tivesse caído numa armadilha (...) Devido à vastidão do lugar, mesmo muito tempo depois que as áreas periféricas haviam sido tomadas, os habitantes ainda continuavam a ignorar o que vinha ocorrendo, pois, como estavam envolvidos na festa, continuaram dançando e se divertindo até que, finalmente tomaram conhecimento do ocorrido”. Que semelhança entre tanta gente da atualidade, que se sente segura por trás dos muros da riqueza ou da posição social, jamais imaginando que a ruína está tão perto, até que seja tarde demais.RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 517.

Não é fácil reconstruir os acontecimentos que envolvem a queda de Babilônia. A assim chamada Crônica de Nabonido102 está incompleta, mas fala do retorno de Nabonido a Babilôma para as comemorações do festival de ano novo. A data está faltando, mas conjetura-se que seja “décimo-sétimo ano", pois os exércitos de Ciro já vinham se aproximando. O mês Tasritu (sétimo mês) é mencionado em conexão com o ataque de Ciro ao exército babilõnico em Opis, às margens do Tigre, e a revolta da cidade e seu massacre. “O dia 15 de Sípar marcou uma vitória sem lutas. Nabonido fugiu. No dia 16 Gobrias, governador de Guti, e o exército de Ciro entraram em Babilônia, sem oposição”. Presumivelmente foi este o evento a que Daniel 530 se refere, embora somente no mês seguinte Ciro tenha entrado em pessoa na cidade (2 de novembro de 539).
Visto sob esse transfundo, o banquete de Belsazar foi pura bravata, o último estertor de um rei apavorado, tentando sem sucesso afogar os seus temores. Não é de se admirar que o pânico tomou conta dele fazendo-o passar vexame assim que algo inesperado aconteceu. O fato de seu pai ter abandonado a capital, deixando que ele enfrentasse o inimigo faz com que se fique com um pouco de pena deste príncipe fraco e sacrílego.Joyce G. Baldwin,. Daniel Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 127.

3. Uma festa profana.

“e beberam neles o rei, seus grandes, as suas mulheres e concubinas” (5.3,4). 

A despeito da opulência e grandeza da cidade ostentando um palácio imperial onde havia festas, luxúria, prazeres, riquezas e exibição de maldades,Belsazar não teve nenhuma sensibilidade com os vasos sagrados, que certamente eram taças de ouro e de prata e que serviam aos atos litúrgicos do Templo de Deus em Jerusalém. No versículo 4 diz que “beberam o vinho e deram louvores aos deuses... ”. Era uma festa dedicada aos deuses (ídolos) do império, mas que continha degeneradas orgias com homens e mulheres, muita glutonaria e bebedice. A intenção libertina de Belsazar era desafiar os outros deuses, principalmente, o Deus de Israel, amado e reverenciado pelos cativos judeus dentro do palácio. Havia dentro do palácio uma forte influência satânica. Não há dúvida de que os demônios trabalham para desfazer tudo o que diz respeito a Deus e, tomar aquelas taças sagradas do templo de Deus, fazia parte da estratégia de Satanás para profanar as coisas de Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, algo que confirma esse fato: “As coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Co 10.20).Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 80.

Dn 5.4 Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses. 

Aqueles réprobos levaram muito à frente sua tola questão. Não só profanaram precipitadamente o que era santo, mas chegaram a usar os vasos sagrados para honrar suas falsas deidades, tornando os vasos do templo parte de sua adoração idólatra. Foi uma apropriação vergonhosamente indébita do que pertencia a Yahweh. Por tal ato, eies pagaram um preço altíssimo. É provável que a festa não tenha sido religiosa, mas os babilônios misturavam terrivelm ente as questões do Estado com as questões religiosas, pelo que em qualquer ocasião poderiam m isturar a idolatria com suas atividades. “Até nos banquetes oficiais era costumeiro oferecer libação aos deuses locais, o que era feito com as palavras apropriadas de louvor. Esse detalhe, como é óbvio, aumenta o crime de Belsazar” (Arthur Jeffery, in loc.). Os deuses da Babilônia foram festivam ente servidos, havendo presentes toda a espécie de riqueza material, como ouro, prata, bronze, ferro, madeira e pedra, algo que o autor sagrado adicionou a fim de m ostrar a extensão das transgressões idólatras dos culpados. “A perda do sentido do sagrado é sempre um dos sinais da decadência moral... Talvez a perda de respeito pelo que é sagrado para outros seja um sinal inevitável de nossas traições interiores" (Gerald Kennedy, com entando sobre como aqueles homens usavam coisas sagradas em suas orgias de vinho).CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3392.

Dn 5.4: “Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, e de prata, e de cobre, e de ferro, e de madeira, e de pedra”.

O presente texto nos mostra quão grande foi o desrespeito daquela gente à santidade divina; eles não só beberam, mas deram também “louvores” àqueles que, por natureza, não são deuses. Deus adverte, através do profeta Isaías, quando diz: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória pois a outrem não darei, nem meu louvor às imagens de escultura” (Is 42.8). O rei e seus grandes não deram ouvidos à mensagem divina, que está sempre a clamar. Eles não podiam dar, pois estavam embriagados; cinco vezes lemos nesse capítulo que eles beberam. Um escritor observa o seguinte: “Os adoradores, no festim de Belsazar, sentiram a animação do álcool e adoraram os ídolos mortos dando-lhes louvores”. Mas, no Pentecoste, encon- tra-se o segredo da inspiração verdadeira: “Todos foram cheios do Espírito Santo... e falavam das grandezas de Deus” (At cap. 2). Paulo, o apóstolo, adverte seus leitores: “Não vos embriagueis com vinho [como fez Belsazar], em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”. Os efeitos nocivos do vício têm trazido conseqüências drásticas, tanto à pessoa humana (sentido individual), como também à própria sociedade (sentido coletivo). Portanto, é evidente que, principalmente as autoridades, não devem beber (Pv 31.4).Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 93-94.

O rei promove uma festa de profanação das coisas sagradas (Dn 5.3). 

O rei, além de se entregar à embriaguez, dá mais um passo na direção de sua ruína. Ele manda trazer os vasos do templo para profaná-los de forma estúpida e infame. Profanar as coisas de Deus é um grave pecado. Usar os vasos do templo, consagrados para o culto ao Senhor, numa festa profana, numa bacanal, foi uma terrível ofensa à santidade de Deus. Belsazar fez pior que seu pai. Este saqueou o templo de Jerusalém e levou os vasos sagrados para o templo de seu deus (Dn 1.2), mas Belsazar usou-os de modo sacrílego, para acrescentar um pouco de novidade a sua últim a orgia de bebedeira. O rei estava zombando de Deus ao escarnecer das coisas de Deus. Aquele gesto de profanação era também uma afronta e um abuso ao povo de Deus. A cena é de desprezo ao Deus do céu, o Deus a respeito de quem Belsazar ouvira desde a meninice, e de rejeição ao testemunho que recebera.O rei coloca os vasos do templo do Senhor nas mãos de seus convidados e lidera a orgia. Escarnecem do sagrado e exaltam o profano.

O rei promove uma festa idolátrica ao dar louvor aos deuses fabricados por mãos humanas (Dn 5.4). Além de profanar as coisas de Deus, o rei ainda usa os vasos do templo para louvar suas falsas divindades. A idolatria é um pecado ofensivo a Deus. A idolatria é uma expressão de profunda cegueira espiritual. Ela provoca a ira de Deus.LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 72-73.

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