quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Liderança cristã DIACONATO (1)


                   LIDERANÇA CRISTÃ DIACONATO (1)


                      

                                 Professor Mauricio Berwald

Em seus ensinos, Jesus não especificou como seria a organização da Igreja, nos diversos lugares por onde seu evangelho haveria de promover a conversão de muitas pessoas pelo poder do Espírito Santo. Ele garantiu que haveria de edificar a sua Igreja e “as portas do inferno não prevaleceriam contra ela” (Mt 16.18). E a Igreja cresceu e se expandiu pelo mundo todo. E seu crescimento demandou o estabelecimento de medidas e providências jamais experimentadas por qualquer organização humana.
Para começar o grandioso trabalho, só restavam onze apóstolos. Judas, o traidor, perecera de maneira trágica, indo para “o seu próprio lugar” (At 1.25). A equipe de Jesus era pequena e diminuíra. Mas a obra precisava ser feita. Em lugar de Judas foi eleito Matias, que tomou “o seu bispado” (At 1.20). (Esse texto mostra que o apóstolo também era bispo). Resolvido o problema da substituição de Judas, os apóstolos encetaram a grande missão de prosseguir com a obra de Jesus. No cenáculo, receberam o poder do Alto, sendo batizados com o Espírito Santo. Com a pregação cheia de unção, quase três mil novos crentes agregaram-se ao pequeno grupo de cristãos (At 2.37-41).

O crescimento vertiginoso trouxe diversos problemas. Entre os conversos, havia pessoas de outros lugares, além de judeus. Os problemas não tardaram a surgir. O evangelista Lucas, escritor dos Atos dos Apóstolos, registrou o que ocorria naqueles dias, quando a comunidade cristã cresceu grandemente, e surgiram diversos problemas, inclusive de ordem social (cf. At 6.1-7). E os líderes da Igreja resolveram reunir a assembleia e buscar a solução para o atendimento social aos irmãos carentes. A tarefa era um grande desafio. Ou eles cuidavam da evangelização e do discipulado, ou cuidavam da parte social.
Por decisão sábia e unânime, escolheram sete homens, com qualidades exemplares, para cuidarem daquele “importante negócio”, que era dar assistência aos novos convertidos nas suas necessidades básicas. Muitos que aceitavam a Cristo ficavam em situação difícil, rejeitados por suas famílias, expulsos de casa e desprezados da sociedade. Assim, ante uma crise de caráter humano, os apóstolos tiveram que tomar medidas que serviram de base para a criação do cargo ou da função de diácono que faz parte, até hoje, do ministério ordenado, nas igrejas cristãs.Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 139-140.

Aquilino de Pedro afirmou que o diaconato é o ministério por excelência; o serviço é a sua razão primacial. Se nos voltarmos aos atos dos apóstolos, constataremos que não exagera o ilustrado teólogo. A diaconia outra coisa não é senão um serviço incondicional e amoroso a Deus e à sua Igreja. O diácono que não vive para servir a igreja de Deus, não serve para viver como ministro de Cristo. A essência do diaconato é o serviço; do diaconato, o serviço também é o amoroso fundamento. E sem serviço também a diaconia é impossível. Nesse sentido, quão excelso e perfeito diácono foi o Senhor Jesus!

Valdemir P. Moreira. Manual do Diácono.

I - A DIACONIA DE JESUS CRISTO

1. Significado do termo.

A palavra diaconia é originaria do vocábulo grego diákonos e significa, etimologicamente, ajudante, servidor. Já que o diácono é um servidor, pode ele ser visto também como um ministro; a essência do ministério cristão, salientamos, é justamente o serviço. Em seu Dicionário do Novo Testamento Grego, oferece-nos W.C. Taylor a seguinte definição de diácono: garçom, servo, administrador e ministro. Na Grécia clássica, diácono era o encarregado de levar as iguarias à mesa, e manter sempre satisfeitos os convivas. Na septuaginta, eram os servos chamados de diáconos, porém não desfrutavam da dignidade de que usufruíram seus homônimos do NT, nem eram incumbidos de exercer a tarefa básica destes: socorrer os pobres e necessitados. Não passavam de meros serviçais. Aos olhos judaicos, era esse um cargo nada honroso. A palavra diácono aparece cerca de trinta vezes no NT. Às vezes, realça o significado de servo; outras, o de ministro. Finalmente, sublime a função que passou a existir na Igreja Primitiva a partir de Atos capítulo seis. Observemos, entretanto, que, nesta passagem de Atos dos apóstolos, não encontramos a palavra diácono. O cargo descrito, e o titulo não é declinado. A obviedade do texto, contudo, não atura duvidas: referiam-se os apóstolos, de fato, ao ministério diaconal.

Valdemir P. Moreira. Manual do Diácono.

Eles devem ser como o próprio Mestre; e é muito apropriado que eles o fossem, pois, enquanto estivessem no mundo, deveriam ser como Ele foi quando estava no mundo. Porque para ambos o estado atual é um estado de humilhação; a coroa e a glória estavam reservadas para ambos no estado futuro. Eles precisavam considerar que “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (v. 28). O nosso Senhor Jesus aqui se coloca diante dos seus discípulos como um padrão de duas qualidades anteriormente recomendadas: a humildade e a utilidade.

[1] Nunca houve um exemplo de humildade e condescendência como houve na vida de Cristo, que não veio para “ser servido, mas para servir”. Quando o Filho de Deus entrou no mundo - o Embaixador de Deus para os filhos dos homens alguém poderia pensar que Ele deveria ser servido, que deveria ter se apresentado em um aparato que estivesse de acordo com a sua pessoa e caráter; mas Ele não fez isso; Ele não agiu como uma celebridade, Ele não teve nenhum séquito pomposo de servos de Estado para servi-lo, nem se vestiu em túnicas de honra, porque tomou sobre si a “forma de servo”. Ele, na verdade, viveu como um homem pobre, e isto fez parte da sua humilhação. Houve pessoas que o serviram com as “suas fazendas” (Lc 8.2,3); mas Ele nunca foi servido como um grande homem. Ele nunca tomou a pompa sobre si, não foi servido em mesas, como um dos grandes deste mundo. Jesus, certa vez, lavou os pés dos seus discípulos, mas nunca lemos que eles tenham lavado os pés dele. Ele veio para ajudar a todos quantos estivessem em aflição. Ele se fez servo para os doentes e debilitados; estava pronto para atender aos seus pedidos como qualquer servo estaria pronto para atender à ordem do seu senhor, e se esforçou muito para servi-los.

O Senhor Jesus serviu continuamente visando este fim, negando a si até mesmo o alimento e o descanso para cumprir essa tarefa.

[2] Nunca houve um exemplo de beneficência e utilidade como houve na morte de Cristo, que “deu a sua vida em resgate de muitos”. Ele viveu como um servo, e fez o bem; mas morreu como um sacrifício, e com isso Ele fez o maior bem de todos. Ele entrou no mundo com o propósito de dar a sua vida em resgate; isto estava primeiro em sua intenção. Os aspirantes a príncipes dos gentios fizeram da vida de muitos um resgate para a sua própria honra, e talvez um sacrifício para a sua própria diversão.
Cristo não age assim; o sangue daqueles que lhe são sujeitos é precioso para Ele, e Ele não é pródigo nisso (SI 72.14); mas, ao contrário, Ele dá a sua honra e a sua vida como resgate pelos seus súditos. Note, em primeiro lugar, que Jesus Cristo sacrificou a sua vida como um resgate. A nossa vida perdeu o direito nas mãos da justiça divina por causa do pecado. Cristo, entregando a sua vida, fez a expiação pelo pecado, e assim nos resgatou. Ele foi feito “pecado” e uma “maldição” por nós, e morreu, não só para o nosso bem, mas “em nosso lugar” (At 20.28; 1 Pe 1.18,19). Em segundo lugar, foi um resgate por muitos. Ele foi suficiente para todos, mas eficaz para muitos; e se foi eficaz para muitos, então diz a pobre alma duvidosa: “Por que não por mim?” Foi por muitos, para que por ele muitos pudessem ser feitos justos. Esses muitos eram a sua semente, pela qual a sua alma sofreu (Is 53.10,11). “De muitos”, assim eles serão quando forem reunidos, embora parecessem então um pequeno rebanho.
Então esse é um bom motivo para não disputarmos a precedência, porque a cruz é a nossa bandeira, e a morte do nosso Senhor é a nossa vida. Esse é um bom motivo para pensarmos em fazer o bem, e, em consideração ao amor de Cristo ao morrer por nós, não hesitarmos em “sacrificar as nossas vidas pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Os ministros devem estar mais ansiosos do que os outros para servir e sofrer pelo bem das almas, como o bendito apóstolo Paulo estava (At 20.24; Fp 2.17). Quanto mais interessados, favorecidos e próximos estivermos da humildade e da humilhação de Cristo, mais prontos e cuidadosos estaremos para imitá-las.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 261-262.

Mt 20.26-28 Em uma frase, Jesus ensinou a essência da verdadeira grandeza: Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal. A grandeza é determinada pelo serviço. O verdadeiro líder coloca as suas necessidades em último lugar, como Jesus exemplificou na sua vida e na sua morte. Ser um “servo” não significa ocupar uma posição servil, mas sim ter uma atitude na vida que atende livremente às necessidades dos outros sem esperar nem exigir nada em troca. Os líderes que são servos apreciam o valor dos outros e percebem que não são superiores a ninguém; eles também entendem que o seu trabalho não é superior a nenhum outro trabalho. Procurar honra, respeito e atenção dos outros vai em direção contrária às exigências de Jesus para os seus servos. Jesus descreveu a liderança a partir de uma nova perspectiva. Ao invés de usar as pessoas, nós devemos servi-las.

A missão de Jesus era servir aos outros e dar a sua vida por eles. Um verdadeiro líder tem o coração de um servo. Os discípulos devem estar dispostos a servir porque o seu Mestre deu o exemplo. Jesus explicou que Ele não veio para ser servido, mas para servir a outros. A missão de Jesus era servir — em última análise, dando a sua vida para salvar a humanidade pecadora. A sua vida não foi “tomada”, Ele a “deu”, oferecendo-a como sacrifício pelos pecados do povo. Um resgate era o preço pago para libertar um escravo da escravidão. Jesus pagou um resgate por nós, e o preço exigido foi a sua vida. Jesus tomou o nosso lugar, Ele morreu a morte que nós mereceríamos.Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 124.


Mt 20. 28 Nesse ponto, Jesus apresenta-se — o Filho do homem (veja comentário sobre 8.20) — como o supremo exemplo de serviço para os outros. O versículo é claramente importante para nossa compreensão da percepção de Jesus de sua morte.

Três questões relacionadas pedem discussão.

1. Autenticidade. Muitos rejeitam a autenticidade do versículo 28 ou, pelo menos, de 28a (e do correspondente Mc 10.45) com base em que ele se ajusta mal ao contexto, uma vez que a morte vicária de Jesus não pode ser imitada por seus discípulos, que em nenhuma outra passagem registra-se ele falando de sua morte dessa maneira e que a linguagem usada reflete a influência da igreja helénica. Ao contrário, a linguagem demonstra ser palestina (Jeremias, Eucharistic Words [Palavras eucarísticas], p. 179-82); e Jesus não fala de sua morte em termos distintos de quando instituiu a ceia do Senhor (26.26-29) e também de Lucas 22.37, presumindo que ela se relaciona a uma ocasião distinta. E bastante comum no Novo Testamento, nas palavras atribuídas a Jesus e a outras existentes em outros trechos começarem com a necessidade dos discípulos matarem o “eu” e terminarem com a morte vicária única de Jesus como um exemplo ético — ou, de forma inversa, começarem com a morte única de Jesus e tê-la aplicada como um exemplo para os discípulos (Jo 12.23-25; Fp 2.5-11; IPe 2.18-25). Não há motivos substanciais para negar a autenticidade desse dito (cf. esp. S. H. T. Page, “The Authenticity of the Ransom Logion [Mark 10.45b]” [“A autenticidade do dito de resgate (Mc 10.45b)”], em France e Wenham, p. 1:137-61); e suas nuanças parecem muito mais em harmonia com a forma progressiva como Jesus se revelou (cf. Carson, “Christological Ambiguities” [“Ambiguidades cristológicas”]) que com a nítida confissão apostólica pós-ressurreição.

2. Sentido. É natural entender que o “não veio” como pressupondo, pelo menos, um indício da pré-existência de Jesus, embora a linguagem não exija absolutamente isso. Ele não veio para ser servido, como um rei que depende de incontáveis cortesãos e criados, mas para servir os outros. Stonehouse observa com acerto que esse versículo presume que o Filho do homem tem todo direito de esperar ser servido, mas, em vez disso, ele serve. Está implícita a autoconsciência de que o Filho do homem que, por causa de sua origem celestial, possuía autoridade divina era aquele que se humilhou a ponto de se submeter a uma morte vicária. A tripla ruptura das referências do Filho do homem (veja digressão sobre 8.20), até aqui, é artificial. A demonstração da glória divina brilha com mais esplendor quando é separada por causa da morte vergonhosa de um homem redentor. Esse é exatamente o cerne da revelação de si mesmo de Jesus e do evangelho primitivo (ICo 1.23: “Pregamos a Cristo [Messias] crucificado”).

O Filho do homem veio para “dar a sua vida em resgate por muitos”. Deissmann (LAE, p. 331s.) observa que lytron (“resgate”) não era usado muito comumente para o preço de compra da libertação de escravos; e há boa evidência de que, no Novo Testamento, a noção de “preço de compra” está sempre sugerida no uso de lytron.
No entanto, outros, ao examinar a palavra na LXX, concluem que, sobretudo quando o sujeito é Deus, a palavra tem o sentido de “libertação”; e o verbo cognato, de “libertar”, sem referência ao “preço pago” (veja esp. Hill, Greek Words [Palavras gregas], p. 58-80). O assunto pode ser difícil de decidir em uma passagem como Tito 2.14. A perversidade é uma cadeia da qual Jesus por meio de sua morte nos liberta ou um dono de escravos do qual Jesus por meio de sua morte nos resgata?. O paralelo em 1 Pedro 1.18 sugere a última opção, embora (como Turner, Christian Words \Palavras cristãs], p. 105-7, insiste) não haja nunca qualquer menção no Novo Testamento daquele a quem o preço é pago; e em Mateus 20.28,

esse sentido é praticamente assegurado pelo uso de an ti (“para”). A força normal dessa preposição denota substituição, equivalência, troca (cf. esp. M. J. Harris, DNTT, 3:1179s.). “A vida de Jesus entregue em morte vicária realiza a libertação de vidas confiscadas. Ele agiu em favor de muitos ao tomar o lugar deles” (ibid.,p. 1180).

O termo “muitos” enfatiza os incomensuráveis efeitos da morte solitária de Jesus: um morre, muitos encontram sua vida “resgatada, curada, restaurada, perdoada”, uma grande multidão que nenhum homem pode contar (cf. J. Jeremias, “Das Lõsegeld für Viele” [“O resgate de muitos”] , Ju d a ica 3 [1948], p. 263). Mas deve-se lembrar que o termo “muitos” pode se referir, nos PMM e na literatura rabínica, à comunidade eleita (cf. Ralph Marcus, “‘Mebaqqer’ and ‘Rabbim’ in the Manual of Discipline vi, 11-13” [“‘Mebaqqer’ e ‘rabbim’ no manual de disciplina 6.11-13”], JBL 75 [1956], p. 298-302). Isso sugere que a morte vicária de Jesus é o pagamento pelo povo escatológico de Deus e que resulta nesse povo. Isso se ajusta bem ao “muitos” de Isaías 52.13—53.12.
3. Dependência de Isaías 53. argumentam que não há alusão a Isaías em Marcos 10.45 e em Mateus 20.28. Eles argumentam isso com base em dois fundamentos: linguístico e conceituai. Da perspectiva linguística, eles observam que o verbo grego diakonein (“servir”, v. 28) e seus cognatos não são nunca usados na LXX para traduzir ‘eb ed (“servo” dos “cânticos de servo” de Isaías) e seus cognatos. Mas a evidência é frágil, e os paralelos conceituais são próximos — o Servo de Isaías beneficia os homens por meio de seu sofrimento, e Jesus também faz isso. Hooker, com certeza, está errado em restringir diakonein a serviço doméstico (cf. France, “Servant of the Lord” [“Servo do Senhor”], p. 34). France e Moo (Use o f OT [Uso do AT\, p. 122ss.) também mostram que “dar a sua vida” tem origem em Isaías 53.10,12 e que lytron (“resgate”) não é uma tradução impossível para ’ãsãm (“oferta de culpa”) como alguns alegam. A palavra hebraica ’ãsãm inclui a noção de substituição ou, pelo menos, de um equivalente. O pecador culpado oferece uma ’ãsãm a fim de remover sua própria culpa, e em Levítico 5, ’ãsãm refere-se a pagamento compensatório.
Assim, embora ’ãsãm tenha mais nuanças sacrificiais que lytron, os dois termos incluem a ideia de pagamento ou compensação. Muitos estudiosos também reconhecem no termo “muitos” uma clara referência a Isaías (cf. esp. Dalman, p. 171-72). A implicação da evidência cumulativa é que Jesus se refere explicitamente a si mesmo como o Servo sofredor de Isaías (veja comentário sobre 26.17-30) e interpretava sua própria morte sob essa luz — interpretação em que Mateus seguiu seu Senhor (veja comentário sobre 3.17; 12.15-21).D. A. CARSON. O Comentário De Mateus. Editora Shedd Publicações. pag. 504-506.


2. Serviço de escravo.

Diaconia significa “ministério, serviço”. Jesus Cristo foi exemplo para a Igreja em todos os aspectos. Em sua Diaconia, Ele foi “apóstolo... da nossa confissão” (Hb 13.1). Foi profeta (Lc 24.19); foi evangelista (Lc 4.18-19); foi Pastor (Jo 10.11) e também foi diácono. Ele demonstrou seu caráter e sua personalidade, dando exemplo de humildade. Para cumprir sua missão sacrificial em favor dos homens, Jesus despojou-se temporariamente de sua glória plena (Jo 17.14). Paulo diz que Ele assumiu a forma de servo, mais que isso, a forma de “escravo”. Jesus, “... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo- se semelhante aos homens-, e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8 — grifo nosso). A expressão “tomando a forma de servo”, “significa aparecer em uma condição humilde e desprezível”.Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 140.

Jesus, o Diácono dos diáconos

Foi o Senhor um diácono em tudo perfeito. Na declaração que faz Ele em Marcos 10.45, encontramos a variante da palavra diakonia duas vezes: “O Filho do Hmem também não veio para ser servido [diakonêthênai], mas para servir [diakonêsai] e dar a sua vida em resgate de muitos”. Ele era Senhor, e servia a todos. Era Rei prometido, mas se dizia servo dos servos de Deus. Deveria estar à mesa, mas ei-lo a lavar os pés dos discípulos.
Embora o apocalipse mostre-o na plenitude de sua gloria, vemo-lo em Isaias, como o servo sofredor. A fim de assumir a sua diaconia, despojou-se de suas prerrogativas, assumiu a nossa forma e pôs-se a servir indistintamente a todos.

Este é o nosso Senhor; Diácono dos diáconos!

Valdemir P. Moreira. Manual do Diácono.

A AUTO HUMILHAÇÃO DE JESUS (13.4-20)

Pelo fato de a declaração de abertura do capítulo 13 ser longa e detalhada, o leitor deve considerar que o início da cena da ceia ocorre na primeira oração do versículo 2: E, acabada a ceia (o texto grego diz “durante a ceia”), e então continua com a primeira oração no versículo 4: levantou-se da ceia. Ao fazê-lo, o Senhor tirou as vestes (4, cf. 10.17; Fp 2.5-8); i.e., a túnica externa. Então, tomando uma toalha, cingiu-se, o que “marca a ação de um escravo”. Assim preparado, Ele pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxuga-los com a toalha com que estava cingido (5). João não declara por que algum dos discípulos não executou esta tarefa servil, mas evidentemente havia ocorrido alguma “busca de posição” entre os doze (Lc 22.24). Além disso, Jesus era o único naquela sala que poderia executar até mesmo o simbolismo da purificação — pois só Ele estava limpo no sentido teológico e moral da palavra (cf. 17.19; Hb 13.12). Ele veio para dar ao homem a possibilidade de tornar-se puro, moralmente limpo, santo.

Quando Jesus foi lavar os pés de Pedro, este lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? (6) A resposta de Jesus, não o sabes tu, agora, não só afirmava a ignorância de Pedro em relação às coisas espirituais (e.g., a vinda do Espírito), como também incluía uma promessa: tu o saberás depois (7). O que eu faço era a humilhação do Senhor, simbolizada no ato de levar-lhes os pés; na verdade, porém, Ele estava proporcionando toda a obra redentora de Deus para o homem. Hoskyns comenta que a reação de Pedro não é um contraste entre o orgulho de Pedro e a humildade de Jesus, mas, antes, “entre o conhecimento de Jesus, o qual é a base da ação, e a ignorância de Pedro, que ainda não percebe que a humilhação do Messias é a causa efetiva da salvação cristã” (cf. 2.22; 7.39; 12.16; 14.25-26; 15.26; 16.13; 20.9).9 Mas o entendimento do futuro estava longe demais para Pedro. 

Ele só via a incongruência imediata da situação — Jesus lavando os seus pés. Impulsivamente, ele declarou: “Nunca em nenhum momento lavarás os meus pés — para sempre” (tradução literal). Pedro esperava colocar um ponto final em tudo aquilo. Mas Jesus conhecia o caminho para o coração de Pedro — a ameaça de ser excluído da presença de Jesus, a quem Pedro amava. Se eu te não lavar, não tens parte comigo (8; cf. Hb 12.14). “Não há lugar na sociedade dos cristãos para aqueles que não forem purificados pelo próprio Senhor Jesus”. Se a comunhão só poderia ser adquirida pela purificação (cf. 1 Jo 1.7), então Pedro queria tudo o que pudesse ter — pés, mãos e cabeça (9).

Jesus fez uma aplicação geral da ideia sobre a qual conversava com Pedro: “Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés. Ele está todo limpo”. “Vós estais limpos, mas não todos” (10). Hoskyns comenta que, no ato da lavagem dos pés, Jesus “simbolicamente declara a completa purificação deles através da humilhação da morte do Messias. O cristão fiel é purificado pelo sangue de Jesus” (1 Jo 1.7; cf. Rm 6.1-3; 1 Co 10.16).14 Se a santidade de coração estiver no coração da Eucaristia (ver o comentário sobre 6.53), a pureza do coração está no coração do Pedilavium (lavagem dos pés). Tudo isto era uma prefiguração simbólica da obra do Espírito que se tornaria possível através da sua vinda (14.15-17,25-26; 15.26; 16.7-15).

Mas, e quanto a Judas? Ele estava limpo? Jesus sabia, e soube (6.70-71), quem o haveria de trair; por isso, disse: Nem todos estais limpos (11). Bernard diz: “No que diz respeito à limpeza do corpo, não há dúvida de que ele estava nas mesmas condições dos outros, mas não no sentido espiritual”.Tendo lavado os pés dos discípulos e vestido a sua túnica, Jesus, estando à mesa, outra vez perguntou aos discípulos: Entendeis o que vos tenho feito? (12) Macgregor comenta: “Quando ‘veste a sua túnica’, Jesus assume a sua vida novamente (10.17ss.) no poder do Espírito, e assim esclarece todas as coisas” (7).16 Sem esperar por uma resposta, Jesus explicou que isto tinha sido um exemplo (15), ou modelo, “que estimula ou deve estimular alguém a imitá-lo”.17 Da mesma forma que Ele, seu Mestre (literalmente, “Ensinador”) e Senhor, lhes tinha feito, assim deveriam fazer uns aos outros (13-14; cf. 34). Hoskyns diz: “Seu ato de lavar os pés dos discípulos expressa a própria essência da autoridade cristã”.18 Não parece haver qualquer evidência de que Jesus quisesse que a lavagem dos pés fosse instituída como um sacramento. Mas fica claro que Ele estava ensinando, pelo exemplo básico e axiomático, embora paradoxal, que a única maneira de ser “o maior” (Lc 22.24) ou de ser bem-aventurado (17) é tomar a estrada do serviço amoroso (13.34) e do sacrifício (10.15), baseado no conhecimento da vontade de Deus para nós. A palavra traduzida como bem-aventurado no texto das Beatitudes é makarioi (Mt 5.3-12).

Um dos doze, no entanto, está se excluindo da execução do serviço amoroso, e consequentemente das bem-aventuranças implicadas. Sem dúvida alguma pensando em Judas, o Mestre disse: Não falo de todos vós (18). Então, como para enfatizar o fato de que o próprio Judas escolhera desempenhar o papel do traidor como um cumprimento das Escrituras, Ele acrescentou: eu bem sei os que tenho escolhido. Bernard traduz esta frase com exatidão: “Sei o tipo de homem que escolhi”. A expressão traduzida por: para que se cumpra a Escritura é um pouco enganosa. O ensino claro das Escrituras é que as escolhas morais do homem são deixadas dentro de seu próprio campo de decisão. Barclay esclarece bem a questão quando comenta: “Toda esta tragédia que está acontecendo, de alguma maneira, está dentro do propósito de Deus... Foi como as Escrituras disseram que seria”. trecho das Escrituras que Jesus citou é Salmos 41.9: aquele que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar. Compartilhar o pão era uma promessa de amizade. Levantou... o seu calcanhar descreve um ato de violência brutal, como o coice repentino de um cavalo. Como foi profético! 

Em poucos momentos, Judas sairia, tendo ainda em sua boca o gosto do bocado da escolha que foi partilhado com Jesus. Ele então retornaria com uma turba de assassinos, perpetrando o ato violento e brutal jamais dantes praticado, nem sequer equiparado.Jesus tinha uma razão especial para expor o problema básico diante dos discípulos. Isto se tornaria para eles mais uma evidência, a fim de que entendessem a sua verdadeira natureza. Ele lhes contou o evento da traição antes que acontecesse, e explicou a razão: para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou (19). O eu sou (ego eimi) é outra das declarações de Jesus de sua divindade (cf. 16.4; 14.29; Ez 24.24; Mt 24.25). Westcott diz a respeito do eu sou: "... em mim está a fonte da vida e luz e força; Eu vos apresento a majestade invisível de Deus; Eu uno a virtude do meu Ser essencial, o que se vê e o que não se vê, o finito e o infinito”.

Embora seja verdade que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou (16), Jesus assegura aos seus discípulos o relacionamento com Ele e com o Pai. Pois se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquele que me enviou (20).

Joseph H. Mayfield. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 7. pag. 116-118.

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