quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Escatologia o anticristo livro de Daniel (5)


            UMTIPO DO FUTURO ANTICRISTO DN 11 (5)




                                     Professor Mauricio Berwald

Dn 11.3 Depois se levantará um rei, poderoso. Esse poderoso rei seria Alexandre, o Grande, cabeça do império greco-macedônio, que derrubou o império persa, fechando as páginas da história sobre aquela potência. Quando Alexandre se pôs de pé, o mundo todo foi abalado, e em breve (no curto espaço de onze anos — 334-323 A. C.) o mundo inteiro da época estava sob seus pés. Alexandre morreu com apenas 32 anos de idade, devido à malária e às complicações com o alcoolismo. Talvez seu extraordinário poder e sucesso tenha decorrido do poder concedido pelo anjo guardião da Grécia (ver Dan. 10.20). Ele fazia tudo de acordo com os ditames de sua vontade (cf. os vss. 16 e 36 e também Dan. 8.4). Quintus Curtius, História de Alexandre X.5.35, diz: “Pelo favor de sua fortuna, ele parecia, aos povos, ser capaz de fazer o que bem entendesse".CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3421.

3. A divisão do reino entre quatro generais (11.4-20).

“estando ele em pé, o seu reino será quebrado” (11.4). Muito cedo, aos 33 anos de idade, Alexandre morreu na Babilônia. Ele era “chifre ilustre” ou “a ponta grande” do bode peludo do capítulo 8.8, que representava a Grécia. Esse chifre foi quebrado (8.8) que representa o rei grego, cujo reino foi quebrado em 11.4. Sem seu líder principal, Alexandre, o Magno, o seu reino perdeu a força da unidade imperial e foi dividido por seus quatro generais: Cas- sandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu. Ainda que os historiadores neguem a questão da soberania de Deus no destino das nações, não temos o que duvidar. Fazendo uma relação comparativa das visões dos capítulos 7 ,8 e 11, temos no texto de Dn 7.6 a figura das quatro cabeças do leopardo alado, e depois, no texto de Dn 8.8 temos a visão do bode peludo com quatro chifres notáveis. As figuras são diferentes, mas as representações dessas figuras são as mesmas, porque falam do Império Grego e sua divisão, depois da morte de Alexandre, pelos quatro generais. São eles: Cassandro que reinou na Macedônia; Lisímaco que reinou sobre a Trácia e a Ásia Menor; Ptolomeu que reinou no Egito e, por último, Seleuco que reinou sobre a Síria e o restante do Oriente Médio. Essa divisão de reinos aguçou a vaidade e a presunção desses generais que se fizeram reis e tramas de traição e morte envolveram esses reinos.
(11.5-20) Nos versículos 5 a 20 temos uma sucessão de guerras entre esses quatro reis, especialmente, entre Egito e Síria, entre os reinos do norte e do sul. Suplantou o rei do Norte, Antíoco Epi- fanio (entre 175 e 164 a.C.) o qual se tornou um tipo perfeito do Anticristo.

 Porém, dois desses reis da divisão do império se destacam: o rei do Sul e o rei do Norte. Da divisão do império, o rei do Sul é Ptolomeu. Com ele se iniciou a dinastia dos ptolomeus. O texto diz que ele (o rei do sul — Egito) seria mais forte que o outro rei (o rei do norte — Síria). O sul era representado pelo Egito e o norte pela Síria. Detalhes históricos envolvendo esses dois reinos culminam com conflitos entre ambos e com a superação do reino do sul (Síria). Nos versículos 5 a 20 temos uma sucessão de guerras entre esses quatro reis, especialmente, entre Egito e Síria, entre os reinos do norte e do sul. Esse conflito entre os reis do norte e do sul (Egito e Síria), revelou ao final um personagem por nome Antíoco Epifanio, quando no ano 198 a.C., Jerusalém e Judeia passaram a ser província da Síria. No versículo 15, o rei do norte, Antíoco III, o Grande, se impõe sobre a Judeia e Egito e se apodera fortemente da Palestina (11.16). Esse rei, por causa da dívida com Roma, a fim de pagá-la, estabeleceu impostos financeiros pesados, tirando-os dos tesouros da Casa de Deus em Jerusalém. O filho de Antíoco III foi Antíoco IV, conhecido como Antíoco Epifânio.Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 151-152.

Dn 11.4 “O seu reino será quebradoIsto aconteceu realmente como diz a profecia em foco. Alexandre reinou com grande poder; ele foi chamado de Magno. Mas morreu prematuramente aos trinta e três anos de idade. O chifre ilustre foi realmente “quebrado”, como vaticinara o profeta do Senhor (Dn 8.8). Seu império foi dividido em quatro partes (quatro ventos), depois da batalha de Ipsus, em 301 a.C. A sua posteridade (família) não recebeu o reino, e sim seus quatro generais de exércitos: 1. Ptolomeu. 2. Seleuco. 3. Lisímaco. 4. Cassandro. As quatro regiões de que fala o texto divino foram: 1) O Egito (região Sul). 2) A Síria (região Norte). 3) A Macedônia (região Oeste). 4) A Ásia Menor. Os generais de Alexandre Magno reinaram também com grande autoridade, mas nenhum deles chegou à sua glória e magnitude; também não eram de sua família; cumprindo-se, assim, a profecia: "... seu reino será repartido... mas não para a sua posteridade”. Esse acontecimento sobre seu reino, o próprio Alexandre já o previu em vida como ele mesmo declarou ao seu biógrafo: “Ainda em vida, Alexandre predisse que seus amigos lhe fariam um cruento funeral”. Cumpriu-se o vaticínio. O Macedônio não deixou sucessor direto ao trono, pois tinha um irmão que poderia ser seu herdeiro, mas este era imbecil; e um filho, mas era de poucos anos de idade.Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 200-201.

Mas, (v. 4) o seu reino logo seria rompido e dividido em quatro partes, e nenhuma delas coube aos seus descendentes. Nenhum dos seus sucessores iria reinar com a mesma autoridade, nenhum deles iria possuir territórios tão grandes, nem um poder tão absoluto. Seu reino foi despojado por muitos, além da sua própria família. Arideo, seu irmão, tornou-se rei da Macedônia. Olímpia, a mãe de Alexandre, o matou, e envenenou os dois filhos de Alexandre, Hércules e Alexandre. Dessa forma, a sua família foi desarraigada por suas próprias mãos. Veja como a pompa e as possessões do mundo são coisas que podem ser perdidas e desaparecerem. O mesmo ocorre com os poderes através dos quais elas são conquistadas. A vaidade do mundo e os seus maiores feitos jamais foram demonstrados de uma forma mais evidente do que na história de Alexandre. Tudo é vaidade e aflição de espírito.HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 895.

Daniel aponta para vários reis da Síria e do Egito (v. 5-20). O poder alternou várias vezes, ora nas mãos da Síria, ora nas mãos do Egito. Vejamos inicialmente a aliança entre a Síria e o Egito (v. 5,6).Berenice, a filha do rei do Egito, Ptolomeu Filadelfo, foi dada em casamento ao rei da Síria, Antíoco II, para assegurar a aliança. Mas o casamento não teve o resultado desejado, ou seja, unir os dois reinos. Com a morte do pai de Berenice, Antíoco II voltou para sua ex-mulher, Laodice, e esta envenenou Berenice, o marido Antíoco II e o filho de Berenice, deixando um clima totalmente desfavorável para uma aliança de paz entre os dois reinos. No reinado de Ptolomeu II os judeus foram cercados de todos os favores e garantias. Ele construiu várias cidades em território palestino com o propósito de ganhar a amizade do povo judeu. Foi nesse período que a Septuaginta foi feita, a versão grega do Antigo Testamento. A seguir, observemos a derrota da Síria pelo Egito (v. 7-12). 
O irmão de Berenice, Ptolomeu III, venceu a batalha contra o Norte e matou todos os que assassinaram sua irmã. Também levou todos os tesouros da Síria de volta para sua terra. Por algum tempo houve considerável superioridade dos ptolomeus sobre os selêucidas. Notemos agora a derrota do Egito pela Síria (v. 13-16). Embora o Egito esteja fortificado, ele será destruído. A superioridade do Sul durou pouco. O Norte teve uma decisiva vitória em Sidom (v. 15). Antíoco, o Grande, rei do Norte, parecia invencível. Ninguém era capaz de lhe resistir (v. 16).

Finalmente, vejamos o impasse entre a Síria e o Egito (v. 17-20). O rei da Síria, Antíoco, o Grande, dá sua filha ao rei do Egito em casamento para destruir internamente o reino (v. 17). O rei do Norte, para conquistar o Sul, mudou de tática. Antíoco concluiu que a melhor maneira de vencer o Sul seria por meio do uso de sutileza. Muito convincentemente foi ao Egito e contratou o casamento de sua filha, Cleópatra, com o rei Ptolomeu V que na época tinha apenas 12 anos de idade. O casamento realizou-se cinco anos depois. Pensou que por intermédio desse casamento firmaria seu poder sobre o reino do Sul. O plano falhou miseravelmente, pois Cleópatra não fez o jogo do pai, ficando do lado de seu marido. Assim, a profecia cumpriu-se mais uma vez (v.17). Antíoco, assim, resolve conquistar outros mundos e é fragorosamente derrotado (v. 18). Foi uma enorme derrota que causou o fim das ambições territoriais de Antíoco (v. 19). Selêuco Filopater, seu sucessor, mandou confiscar os tesouros do templo de Jerusalém. Mas essa ordem nunca foi cumprida. Crê-se que Heliodoro, o emissário responsável por saquear o templo de Jerusalém, advertido por uma visão, desistiu de executar esse ato sacrílego. Crê-se ainda que o próprio Heliodoro o tenha envenenado (v. 20). Assim, cada detalhe profetizado aconteceu integralmente. O povo judeu muito sofreu com essas sucessivas guerras, visto que seu território servia de passagem e, às vezes, também de campo de batalha para os dois exércitos rivais.LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 137-139.

II - O CARÁTER PERVERSO DE ANTÍOCO
EPIFÂNIO (11.21-35)

1. Antíoco Epifânio foi um rei perverso e bestial.
Antíoco Epifânio, o glorioso

A presunção desse rei o fez adotar um novo nome e ele chamava a si mesmo “Teos Epifanes” , isto é, “deus revelado”. Ele ascendeu ao trono da Síria em 175 a.C., e mesmo sendo rejeitado por muitos, fez questão de impor seu domínio pela crueldade. Sua ascensão foi ilegal, porque, para abrir caminho para o trono da Síria, ele o fez pelo modo mais ignominioso e detestável. Suas caraterísticas diabólicas o tornaram o tipo mais próximo do futuro Anticristo.
“Depois, se levantará em seu lugar um homem vil” (11.21). Os quatro generais que se tornaram reis depois da morte de Alexandre, não se contentaram com suas regiões geográficas porque suas ambições os fizeram tramar intrigas entre si, matando e assassinando opositores para ostentarem mais riquezas do que já tinham. Queriam mais e mais e começaram a buscar mais terras e partiram para a luta entre si. Seleuco IV, da Síria, ocupava o trono da Síria em Antioquia e reinou de 187 a 175 a.C., morreu envenenado e seu filho deveria assumir o trono, mas seu tio Antíoco Epifânio tomou o trono da forma mais ignominiosa e detestável possível. Antíoco Epifânio assumiu o trono sírio e mudou seu título de Antíoco IV para Antíoco Epifânio, isto é, o glorioso.

Antíoco Epifânio foi um rei perverso
“mas ele virá caladamente e tomará o reino com engano” (11.21). Ele chegou ao poder em 175 a.C. e tinha apenas 40 anos de idade. Segundo a história, reinou apenas onze anos, e morreu em 164 a.C. Porém, em seus poucos anos de reinado usou de todos os artifícios de mentira, engano, astúcia, lísonjas e crueldade como ninguém o fizera. Para se manter no poder Antíoco Epifânio não tinha qualquer escrúpulo. Sua ascensão ao trono da Síria foi através de intrigas e engano (11.21) e tinha sede de conquista derramando o sangue dos seus adversários em muitas guerras. Enriqueceu com os despojos das guerras, quando lutou contra o Egito (11.25-28).O versículo 21 o chama de “homem vil”, porque fingindo amizade e aliança, entrou n o Egito e se apoderou do reino de Ptolomeu Filometer.Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 153-154.

Dn 11.25 O personagem descrito no presente texto é ainda Antíoco Epifânio, e o rei do Sul, de que fala a profecia, é Ptolomeu Phiscon; ele tinha realmente um grande e poderoso exército em torno de si e podia, como diz a História, vencer o próprio Antíoco Epifânio; mas foi frustrado seu plano, em razão de, em seu próprio exército e arraial, existir traição. De ambos os lados existia grande multidão, os dois exércitos eram numerosos como a areia do mar. Outros- sim, a ambição predominava, e o rei do Sul (Egito) foi o mais envolvido”. A profecia já tinha previsto tudo isso quando diz: "... o rei do Sul se envolverá na guerra com um grande e mui poderoso exército; mas não subsistirá”. A causa deste “envolvimento” foi que ele determinou que seu reino fosse incorporado ao grande império do rei do Norte (Síria), e, por causa disto, a oposição cresceu entre seus próprios generais; assim, o rei do Egito foi traído por aqueles que comiam de seus manjares.

Dn 11.26 O presente versículo e mais quatro que o seguem, neste capítulo, continuam descrevendo o caráter sombrio de Antíoco Epifânio, falando de rumores de guerra entre estas duas potências: a do Sul (Egito) e a do Norte (Síria). Durante alguns anos, os Ptolomeus e Selêucidas fizeram vários tratados, com a finalidade de encontrarem a paz entre os dois países, mas seus corações tinham um só intento: enganar um ao outro.O leitor pode observar que, dos versículos 25 a 28, o autor sagrado, o profeta Daniel, como recipiendário da visão, descreve, em síntese, as primeiras campanhas guerreiras de Antíoco contra o Egito, fala também de uma campanha na qual Ptolomeu (egípcio), e os seus não puderam resistir, em virtude da traição existente entre seus próprios generais, como já ficou demonstrado; eles deveriam tê-lo apoiado. A traição é inimiga do triunfo, mas os traiçoeiros sempre cairão nas malhas da própria traição.
Dn 11.27 "... uma mesma mesa falarão a mentira”. Podemos observar como estes dois monarcas fizeram da “mentira seu próprio refúgio”. Mas todos sabem que “mentira gera mentira”. (Comp. com SI 42.7). Mas ela não prevalecerá. Somente a verdade permanece e o fim das mentiras virá, como diz a profecia, no tempo determinado.

Estes dois reis (do Norte e do Sul), segundo o doutor Amo C. Gabelein, são ainda Antíoco e Ptolomeu Filopater. Eles realmente fizeram vários tratados, mas sempre mentiram um ao outro: seus corações eram atentos só para fazer o mal. O que ocasionou esta aliança de Antíoco com Ptolomeu foi ter sido este derrotado; então decidiu aproximar-se de Antíoco Epifânio e ambos mantiveram uma paz aparente e, assentados a mesma mesa, falavam a mentira, pois nenhum nem outro cumpriu aquilo que tinha sido estabelecido no tratado de paz.Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 213-214.

A sua guerra contra o Egito, que foi a segunda expedição que fez a essa nação. Isto foi declarado nos versículos 25-27. Antíoco iria reforçar o seu poder e tomar coragem para lutar contra Ptolomeu Filométor, rei do Egito. Ptolomeu, então, foi forçado a fazer guerra contra ele, e o atacou com um exército grande e poderoso. Mas, embora o seu exército fosse muito grande, ele não seria capaz de enfrentar o inimigo. E o exército de Antíoco iria derrotar e subjugar o exército de Ptolomeu e um grande número de soldados egípcios seria assassinado. No entanto, o rei do Egito foi traído pelos seus próprios conselheiros. 

Eles eram alimentados por ele, comiam do seu pão, mas recebiam subornos do inimigo, Antíoco. Assim, eles iriam planejar artifícios contra o seu rei, estando prontos até mesmo a destruí-lo. E que medidas poderiam ser tomadas para evitar uma traição como esta? Depois da batalha, um tratado de paz seria colocado em ação, e esses dois reis iriam se reunir em um conselho, a fim de estabelecerem as condições de paz. No entanto, nenhum dos dois seria sincero e honesto nesse acordo, pois através das suas pretensões e promessas de amizade e harmonia, eles estavam mentindo reciprocamente. Pois o coração de um estava pronto para fazer ao outro todo o mal que pudesse. Logo, não é de admirar que esse tratado não viesse a prosperar. A paz não seria duradoura, e o seu fim ocorreria no momento indicado pela Providência divina. Então, a guerra iria começar novamente, como uma ferida que só foi tratada superficialmente.HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 897-898.

Dn 11.25-28 Suscitará a sua força e o seu ânimo contra o rei do Sul. Tendo consolidado seu poder, Antioco atacou o Egito, porque ali havia mais poder e bens a serem obtidos. O “rei do sul” foi atacado em 170 A. C. Nas fronteiras com o Egito, ele teve de enfrentar o exército egípcio. Isso ocorreu em Pelúsio, que ficava perto do delta do rio Nilo. Embora os egípcios contassem com numeroso exército, foram derrotados. Então Antioco resolveu mostrar-se amigo desse povo, e ambos os lados favoreciam a cessação das hostilidades, mas suas esperanças nunca se cristalizaram, pois ambos se mostravam espertos e enganadores, o que novamente é próprio da política.

“Em 169 A. C., Antioco invadiu o Egito e capturou Ptolomeu VI. Mas dificuldades em sua pátria o forçaram a deixar o Egito e, a caminho de volta (levando muito despojo), ele saqueou Jerusalém e o tesouro do templo” (O xford Annotated Bible, na introdução aos vss. 25-28). Foi nesse tempo que começaram as grandes atrocidades de Antioco IV Epifânio contra os judeus, e essa circunstância inspirou o autor sacro a passar algum tempo descrevendo o sucesso das campanhas de Antioco. O vs. 25 mostra-nos que seu sucesso contra o Egito foi prejudicado por conspirações em sua pátria, traições da parte de alguns de seu próprio povo. Eles “fizeram planos contra ele”.

O vs. 26 pode referir-se a parte das conspirações contra Epifânio. As pessoas que tinham aceitado riquezas da parte dele não hesitaram em atacá-lo pelas costas. E também deram-lhe maus conselhos que o levaram a entrar em conflito com seu sobrinho, o qual, eventualmente, foi feito cativo. Ver os detalhes sobre isso em Políbio, História XXVIII.21; Diodoro Sículo, XXX.17. O fato de Antioco ter saqueado Jerusalém incluiu, naturalmente, grande matança do povo judeu (I Macabeus 1.20-24; II Macabeus 5.11-16; Josefo, Guerras, 1.1.1; Antiq. XII.5.3). Tendo aprisionado seu sobrinho, Ptolomeu, ele fingiu estar agindo em seu favor, mas o que sucedeu foi que conseguiu submeter larga porção do Egito. Foi forçado a parar em Alexandria. O romano Polílio Laenas estragou os planos de Antioco. Ele precisou evacuar o Egito, pelo que sua ira se voltou contra os judeus não-helenizados de Jerusalém.

Antioco contaminou o templo em 167 A. C. O vs. 27 refere-se à falsa barganha de Antioco no Egito. Os dois reis que figuram naquele versículo são Antioco e Ptolomeu Filometer, seu sobrinho. Teoricamente, Filometer estava em aliança com seu tio contra o irmão mais novo do usurpador. Foi assim que Antioco reuniu riquezas e conquistou terras, presumivelmente em favor de Filometer, mas, na realidade, ele não se importava em nada com seu sobrinho. Ele agia em interesse próprio o tempo todo (segundo disse Lívio XLV.11.1). Todo esse esquema teve um fim nomeado, que alguns estudiosos fazem ser uma referência escatológica, transferindo tudo para o fim dos tempos e elegendo o anticristo como a verdadeira personagem traiçoeira. Ou o fim pode ter sido do poder e da vida de Antioco, ou então da guerra. Mas alguns insistem em dizer: “O Fim”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3423.

2. Antíoco Epifânio invadiu Jerusalém (11.28).

(11.25-28) Antíoco Epifânio, depois de ter entrado no Egito e ter tomado posse do reino de PtolomeuVI ( w. 25,26), resolveu investir contra a Terra Santa, especialmente, Jerusalém. Ele tinha um ódio enorme contra Israel. Por isso, partiu para a profanação do templo dos judeus e fez cessar os sacrifícios diários (11.30,31). Houve resistência da parte de judeus fiéis que não cederam aos abusos de poder e de arrogância desse rei sírio. Ele ordenou o sacrifício de porcos sobre o altar sagrado dos judeus para profanar o Santuário.Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 154.

Dn 11.28 "... o santo concerto”. O presente versículo, faz alusão a todas as tiranias de Antíoco Epifânio contra o povo judeu, cujos dados históricos se encontram narrados no primeiro e segundo livros de Macabeus. A história nos diz (confirmando a profecia) que, em 168 a.C., ele, Antíoco, voltou da sua expedição com grande riqueza. Então marchou para a Judéia e praticou grandes atrocidades ali. Na viagem de volta, ao atravessar a Palestina, com o coração contrário ao Santo Concerto, saqueou o templo de Jerusalém, deixando na cidade uma guarnição síria. No primeiro e segundo livros dos Macabeus, lemos de suas tiranias contra o Santo Concerto e o povo escolhido. Muitas de suas atrocidades foram frustradas por intervenção divina; então ele, muito indignado, voltou “para sua terra”, isto é, voltou para a sua cidade: a Capital, Antioquia.

Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 215.

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