quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Estudo do Apocalipse ( igreja de Pergamo)


                                                    PÊRGAMO



                           Professor Mauricio Berwald

Esta palavra estava relacionada a purgos, isto é, «torre» ou «castelo», ou seja, «fortificada». Pérgamo era a «cidadela» de Tróia. E, de fato, nos escritos clássicos, tal palavra era usada para indicar a «cidadela» ou «fortaleza» de qualquer cidade. Sua suposta significação de «casada» não é apoiada nos dicionários. É verdade que aquela igreja entrou em matrimônio com o mundo, quando ficou sob o favor imperial, mas tal significado não é ilustrado no nome da cidade.

Pérgamo era uma cidade da província romana da Ásia, nos dias neotestamentários, na parte ocidental do que agora é a Turquia Asiática. Fora a antiga capital de Atalo, a cidade-estado doada ao império romano, em 133 A.C. Geograficamente, ocupava importante posição, próxima do extremo marítimo do largo vale do rio Caico. Também tinha boa importância comercial e politica, além de sua importância religiosa. Existia ali uma antiga forma de adoração ao diabo. Também era a sede de um antigo culto de mágicas babilônicas, e tornou-se importantís­simo centro da propagação do «culto ao imperador», que era apenas outra forma de religião falsa, usada pelas forças satânicas. Tornou-se a sede de quatro dos maiores cultos pagãos, a saber, de Zeus, de Atena, de Dionísio e de Ásclépio. Também se estabeleceu ali o culto dos Magos, de origem babilônica. O sacerdote desse culto era de Pontifex Maximus ou então de «Principal Construtor da Ponte», e sua suposta tarefa era preencher o vácuo entre o homem e os poderes superiores, os quais se tornavam objetos de adoração. Os habitantes de Pérgamo eram chamados de «principais guardiães do templo» da Ásia.

Quando o «culto ao imperador» cresceu em importância, dentro do império romano, Pérgamo se tornou um de seus centros principais, embora outros falsos cultos ali nunca tivessem fenecido completa­mente. A alusão que temos ao «trono de Satanás», mui provavelmente, diz respeito a esse culto (ver Ap 2:13). Satanás impulsionava homens a adorarem um mero homem; esse era o seu «ardil», naqueles tempos.

Política e economicamente a cidade florescia, tendo sido chamada por Plínio de «a mais ilustre de todas as cidades da Ásia». Todas as principais estradas da Ásia ocidental convergiam para ali. Fabricava unguentos, vasos e pergaminho (que assumiu seu nome dessa cidade). Esse tipo de «papel» (feito de peles de animais) chegou a ser chamado «charta pergamena», por ser fabricado em Pérgamo, de onde era distribuído. Não foi a cidade que derivou seu nome desse tipo de papel; deu-se exatamente o contrário.

Em 29 A.C. foi dedicado um templo a Augusto em Roma, por parte do sínodo provincial (ver Tácito, Anais iv.37), e isso «oficializou» o culto ao imperador em Pérgamo, — que naquele tempo, era a principal cidade da província da «Ásia». Um segundo templo foi ali edificado, em honra a Trajano, e ainda um terceiro, em honra a Severo. Desse modo, a adoração religiosa pagã ali se centralizou e consolidou. Por detrás da cidade havia uma colina em forma cônica, com cerca de trezentos metros de altura, a qual, desde tempos antigos, vivia recoberta de templos e altares pagãos, o que fazia significativo contraste com o «monte de Deus», referido em Is 14:13 e Ez 28:14,16. Este último foi chamado também de «trono de Deus» (ver I Enoque 25:3). O culto ao imperador criou ali um «trono de Satanás», talvez havendo nisso alusão à colina acima descrita. O grande e idólatra culto ao imperador incorporava em si mesmo todo o paganismo que tornou Pérgamo famosa, embora não houvesse eliminado totalmente todas as outras formas. E a igreja cristã, que se recusava a participar desse «culto», automaticamente foi tachada de «traidora», tendo de sofrer as consequências de sua recusa.

Hoje em dia não resta mais glória à antiquíssima cidade. Uma pequena aldeia, de nome Bergama, ocupa o seu lugar, na planície abaixo do local da antiga Pérgamo. 



1. Destinatário (3.14a)

A KJV traduz aqui: “à igreja dos Laodicenses”. Essa tradução tem provocado uma série de comentários e interpretações. Mas ela praticamente não tem apoio dos manus­critos gregos. A tradução correta é: “à igreja que está em Laodicéia”. Ela é similar em forma com os destinatários das outras igrejas.

Laodicéia distava cerca de 60 quilômetros a sudeste de Filadélfia. Ela se localizava junto ao rio Licos, 10 quilômetros ao sul de Hierápolis e 16 quilômetros a oeste de Colossos. Fundada por Antíoco II (267-246 a.C.), essa cidade foi chamada de Laodicéia em homenagem à sua esposa, Laodice. Visto que estava localizada na junção de três estradas importantes, tornou-se uma grande cidade comercial e administrativa. O fato de ser um centro financeiro, a tornou tão próspera que foi capaz de reconstruir-se depois do grande terremoto em 60 d.C. sem o subsídio imperial. Ela também era conhecida pela fabricação de roupas e tapetes de uma lã preta, brilhante e macia. Laodicéia também era famosa por causa da sua renomada escola de medicina.

A igreja de Laodicéia já existia quando Paulo estava preso em Roma. Ele escreveu uma carta a ela (cf. Cl 4.16) que evidentemente se perdeu.

A cidade foi conquistada pelos turcos. No lugar existe hoje uma série de ruínas, ainda não escavadas.

2.      Autor (3.14b)

Jesus aqui se identifica como o Amém. Isso pode ser um eco de Isaías 65.16, em que encontramos no hebraico: “o Deus do Amém” (ou “o Deus da verdade”). A palavra foi traduzida do hebraico para o grego e, tempos depois, para o inglês e outras línguas mo­dernas. Hoje, entre os cristãos de todos os países e línguas ouvimos o mesmo “Amém!”.

Provavelmente há uma conexão próxima entre o uso frequente desse termo por Je­sus como está relatado nos Evangelhos. Essa palavra aparece 51 vezes nos Sinóticos e 50 vezes no Evangelho de João. Ela é traduzida como “na verdade” (sempre duplo em João) na frase: “Na verdade vos digo”.

O autor mais adiante se descreve como a testemunha fiel e verdadeira. Isso provavelmente é sinônimo de o Amém, que é colocado aqui “porque essa é a última das sete epístolas, para que possa confirmar o todo”.

O terceiro item na descrição é: o princípio da criação de Deus. Mestres heréticos têm se aproveitado dessa frase como prova de que Cristo não era eterno. Mas em Colossenses, em que Ele é designado “o primogênito de toda a criação” (1.15), é mencio­nado logo em seguida: “porque nele foram criadas todas as coisas [...] E ele é antes de todas as coisas” (1.16-17). Além disso, em seu Evangelho, João diz acerca do Logos: “To­das as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). A frase aqui deve ser interpretada à luz dessas outras passagens. Ela significa “a origem (ou ‘fonte original’) da criação de Deus”.

3.      Aprovação (3.15-17)

No caso da igreja de Laodicéia não há palavras de aprovação ou recomendação. É um fato impressionante que não se diga nada aqui acerca dosnicolaítas ou qualquer outro grupo herético. Pelo que tudo indica, a igreja era ortodoxa. Mas era uma ortodoxia morta. O que estava errado com a igreja de Laodicéia não era um problema da cabeça, mas um problema do coração. Isso era muito mais sério.

A essa igreja o Senhor disse: Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente (15). A palavra grega para frio(psychros) é usada somente nos versículos 15-16 e em Mateus 10.42 — “um copo de água fria”. Quente é zestos (somente nos vv. 15-16 no NT). Essa palavra significa “quente a ponto de ferver”, assim frio aqui provavelmente significa “frio a ponto de congelar”. A igreja não era nem friamente indiferente nem fervorosa no espírito (cf. Rm 12.11).

A reação do Cabeça da Igreja é expressa com palavras fortes: Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca (16). Alguns ali­mentos são gostosos somente quando estão frios, outros somente quando estão quentes. Alguns alimentos são gostosos tanto frios quanto quentes. A maioria das pessoas gosta de suco gelado e café ou chá quente; mas quem gosta de uma bebida morna? As palavras gregas para morno evomitar (esta é emeo, no grego) são encontradas somente aqui no Novo Testamento.

A pior coisa a respeito da condição dessa igreja era sua auto complacência: Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (17). A igreja evidente­mente refletia o comportamento da comunidade. Enriqueci­do significa literalmente: “acumulei riquezas” (mesma raiz de rico na frase anterior); em outras palavras: “Obtive minha riqueza com meu próprio esforço”. A primeira frase expressa autossatisfação; a segunda, orgulho.

Não existe um exemplo mais triste de orgulho insensível do que o que é exibido na declaração: de nada tenho falta. Que contraste com a humildade realista expressa nas palavras do hino “Preciso de Ti a toda hora”. Esse é o verdadeiro espírito cristão de dependência.

A avaliação de Cristo acerca dessa igreja era bem diferente da avaliação que essa igreja fez dela mesma. Ele disse: e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu. O grego é consideravelmente mais vivido: “e não sabes que thou (enfático no gr. — tu que tens te vangloriado) és o desgraçado, e desprezível, e pobre, e cego e nu”. Desgraçado é encontrado somente aqui e em Romanos 7.24 (no texto grego): “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. Miserável ocorre somente aqui e em 1 Coríntios 15.19: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.

Swete resume o restante do versículo da seguinte forma: “Os três adjetivos se­guintes relatam os motivos para a comiseração; um pedinte cego [...] escassamente vestido (cf. Jo 21.7) não era mais merecedor de compaixão do que essa igreja rica e presunçosa”. Pobre [...] cego [...] nu devem ser entendidos metaforicamente, des­crevendo a condição espiritual da igreja. No entanto, pode haver uma alusão indireta aos recursos ostentosos da cidade onde estavam localizados. A igreja era pobre em um centro financeiro opulento, cego em uma comunidade que tinha uma excelente escola de medicina, e nu em um lugar famoso pela fabricação de roupas feitas de uma lã de alta qualidade. É possível que a Igreja dos nossos dias prospere exterior­mente no meio de prosperidade material, e mesmo assim seja pobre, cega e espiritualmente nu.


4.      Exortação (3.18-20)

A essa igreja opulenta, que “não tinha falta de nada”, Jesus disse: aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças(18). O termo compres é um eco de Isaías 55.1: “vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. Essa é a única maneira de com­prarmos de Deus. De mim é enfático. Essas coisas necessárias podem ser adquiri­das somente de Cristo.

Provado no fogo ou “refinado no fogo”, isto é, purificado pelo fogo. A mesma forma verbal ocorre na Septuaginta em Salmos 18.30 — “a palavra do Senhor é provada”. Em Provérbios 30.5, lemos “pura” — “Toda palavra de Deus é pura”. Assim, aqui significa que esse ouro é puro e genuíno.

Além disso, a igreja precisava de vestes brancas, para que te vistas, e não apa­reça a vergonha da tua nudez. A roupa branca e pura estava em contraste com a lã preta, pela qual Laodicéia era famosa.

Em terceiro lugar, Jesus aconselhou a igreja para que unjas os olhos com colírio, para que vejas. Acerca desse remédio, Charles diz: “Em nosso texto refere-se ao famoso pó da Frigia usado pela escola de medicina de Laodicéia”.

Não se deve deixar de notar que as três partes do versículo 18 correspondem aos últimos três adjetivos do versículo 17: “pobre”, “nu”, “cego”. A igreja de Laodicéia achava que não precisava de nada. Na verdade, ela sentia falta das necessidades mais básicas da vida espiritual.

Nesse versículo, vemos “O que é o Evangelho”: 1) Riqueza divina para nossa pobreza espiritual; 2) Veste branca de justiça para nossapecaminosidade; 3) Visão espiritual para nossa cegueira.

A exortação continua: Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te (19). O castigo é um sinal do cuidado amoroso de Deus como nosso Pai celestial (cf. Hb 12.5-11). É interessante que o verbo amo aqui não é o costu­meiro agapao, mas phileo, que introduz um toque meigo e sentimental — para a igreja que menos o merecia! Repreendo é “declarar culpado”. Castigo é literalmente “educar uma criança”. Tudo isso mostra a compaixão de Cristo em lidar com essa igreja como uma criança geniosa que precisava do amor e disciplina do Pai. Swete observa: “Talvez a condição deplorável da igreja de Laodicéia era devida à falta de correção; não há nenhu­ma palavra de quaisquer provas até aqui sofridas por essa igreja”.

Essa igreja tinha falta de “tempero” (veja comentários acerca de “quente”, v. 15). Ela carecia de zelo. Assim, o Senhor disse: sê, pois, zeloso(imperativo presente, sê constan­temente zeloso). Arrepende-te está no aoristo, requerendo uma ação imediata em uma decisão crucial.

Pode parecer estranho que sê [...] zeloso preceda arrepende-te. Plumptre obser­va: “A raiz da maldade da igreja de Laodicéia e seus representantes era sua indiferença e mornidão, a ausência de qualquer zelo, de qualquer seriedade. E o primeiro passo, portanto, para coisas mais elevadas era passar para um estado em que esses elementos de vida não mais seriam manifestos pela sua ausência”.

A esse chamado para arrependimento “Cristo acrescenta a mensagem mais terna encontrada nessas cartas”: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo (20). Esse é um dos mais importantes textos do evangelho no Novo Testamento e deveria ser citado frequentemente na evangelização pública e na abordagem pessoal. Por esse moti­vo, esse versículo deveria ser memorizado por todo cristão e ganhador de almas.

A simplicidade do evangelho é expressa de maneira singular nessa passagem. Cris­to está parado à porta do coração de cada pecador, batendo e esperando para entrar. Ele não vai demolir a porta e forçar a entrada, porque nos criou com vontade própria e não violará esse aspecto. Mas se o pecador abrir a porta, o que só ele pode fazer, o Salvador promete entrar. A grande tela de Holman Hunt, “A Luz do Mundo”, é a evangelização tornada visual.

A ideia de “cear” é de comunhão, e mais especificamente de uma comunhão sem pressa ao redor da mesa do jantar, quando a agitação do dia passou. O pensamento é expresso belamente pela NEB: “e sentar para jantar com ele”. Esse aspecto também antevê o banquete eterno com Cristo.

A comunhão é dupla. G. Campbell Morgan a descreve da seguinte forma: “Primeiro, serei seu Convidado, ‘Eu cearei com ele’. Ele será o meu convidado, ‘e ele comigo’. Senta­rei à mesa que o seu amor provê e satisfarei o meu coração. Ele sentará à mesa que o meu amor proverá e satisfará o seu coração”.

5.      Recompensa (3.21)

A promessa final é: Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.

Esse é um eco e extensão da promessa que Jesus fez aos seus doze apóstolos em Mateus 19.28 e Lucas 22.29,30. Jesus venceu todas as tentações e provações na sua vida na terra e recebeu sua recompensa. Para aqueles que o seguem plena e fielmen­te até o fim, uma recompensa igual o estará aguardando. Essa promessa obviamente antecipa a vida futura.

6.      Convite (3.22)

Mais uma vez os ouvintes dessas cartas são admoestados a ouvir o que o Espírito diz às igrejas. Todas as sete mensagens estão repletas de advertências e exortações salutares para os cristãos de hoje. Faríamos bem se prestássemos atenção a elas.
 fonte CPAD
(Bibliografia comentario biblico Ralph Earle )


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