quinta-feira, 3 de novembro de 2016

As taças do Apocalipse a ira do Codeiro


                   Então começa a ira do Cordeiro. 
                                A ira de Deus



                   Professor Mauricio Berwald

Sete anjos e sete pragas formam os meios de expressão da ira de Deus. A expressão “ira de Deus” ocorre seis vezes no Apocalipse (14:10, 19; 15:1, 7; 16:1, 19), é deveras medonha e devia infundir terror nos corações de todos os não-salvos da terra.

“Sete anjos” (distintos dos sete anjos altamente honrados e relacio­nados com as trombetas) saem do santuário (15:6), a residência imediata de Deus e dos anjos. Do santuário de outrora saíram os sacerdotes como ministros da graça. Agora os anjos emergem dele como ministros do juízo.

O tabernáculo do testemunho é uma frase sugestiva. Para Israel este era o símbolo da presença de Deus e de sua provisão para seu povo. Agora, porém, a santidade de Deus exige castigo do ímpio, e portanto, temos as “testemunhas” do juízo, segundo a natureza de Deus contra a besta e contra todos os inimigos de seu povo. David Brown diz: “Aqui entra em campo, de maneira adequada, o tabernáculo do testemunho, onde a fidelidade de Deus vinga seu povo com juízos sobre seus inimigos; juízos que estão prestes a se desencadear. Precisamos dar uma olhada no Santo dos Santos a fim de compreender a mola secreta e o fim do trato justo de Deus.”

Estes sete anjos estão vestidos de maneira condizente com o caráter justo de sua missão, e também de maneira que se parece com o Senhor (1:13). Comparando com 19:8 descobrimos que o linho puro indica justiça, enquanto os cintos de ouro, à altura do peito, (não na cintura) sugerem a obra do juízo compatível com a natureza santa de Deus.

As “sete últimas pragas” sugerem finalidade e término, e assim a aparição do número sete é especialmente adequada. Chegamos ao ciclo final da visitação do juízo. É claro que as taças não trazem o fim da ira divina, como já vimos em ebdareiabranca, uma vez que mais ataques de vinganças devem ocorrer quando Cristo vier em pessoa (19:11-21). O que temos a esta altura é a conclusão dos juízos providenciais de Deus. Estas taças estão “cheias da ira de Deus”. “Cheias” significa terminado ou consumado. Para Deus o futuro é tão certo como se fosse passado, cuja realização é tão segura como a sua Palavra.

As Harpas de Deus

Este prefácio aos últimos juízos devastadores de Deus inclui uma linda descrição dos mártires vitoriosos que estão com o Senhor. O parágrafo de 15:2 a 15:4 é tomado de vitória, louvor e adoração.

Louvores corais celestes são representados pela harpa, que com sua combinação de notas solenes e grandes, acordes suaves e ternos indica o louvor e a adoração de Deus (1 Cr 25:6). As harpas de Deus (significando que os instrumentos, músicos e tema são dele) eram partes dos instrumentos do céu, usados somente para o louvor de Deus. Parece que os dois grupos celestes de cantores e harpistas mencionados em Apocalipse 14:2 e 15:2 representam a mesma hoste vitoriosa.

O palco no qual os harpistas se encontram é comparado a um mar de vidro misturado com fogo. No mar de vidro Walter Scott vê um estado fixo de santidade, de pureza interior e exterior. O mar sugere vastidão e vidro sugere calma sólida ou paz assentada e quieta.Diz Words­worth: “Um mar de vidro [expressa] suavidade e brilho; e este mar celeste é de cristal (4:6), declarando que a calma do céu não é como a dos mares terrenos, perturbada por ventos, mas cristalizada numa eternidade de paz.” Apresentada como se estivesse em pé sobre o mar de vidro, a companhia de mártires chegou ao seu descanso e também a esta nova posição como adoradores que venceram.

O mar de vidro misturado com fogo introduz outro elemento. Estes santos emergiram vitoriosos de sua tribulação de fogo. Temos três inimigos a enfrentar: o mundo, a carne e o diabo, mas os cantores tinham um quarto inimigo a derrotar: a besta. Foi alcançada a vitória sobre a besta, sobre sua imagem, sobre sua marca e sobre “o número do seu nome”, e agora eles triunfam por causa de uma vitória total e completa.

O cântico que acompanha as harpas tem o som de um grande poema. E um cântico de vitória como o de Moisés depois de atravessar o mar Vermelho. Dois cânticos são combinados: o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro. O cântico de Moisés é o triunfo sobre o mal pelos juízos de Deus. É um cântico que celebra a derrota de Faraó e de suas hostes no mar Vermelho (Êx 15). (Este cântico mosaico não deve ser confundido com o cântico profético de Deuteronômio 32:1- 44.) O cântico de Moisés, magnífico como é, celebra apenas a redenção terrestre. A graça e glória do cântico que foi apresentado à margem leste do mar Vermelho eram associadas com o poder sobre os inimigos de Israel no Egito, pelos juízos de Deus.

O cântico do Cordeiro, entretanto, possui natureza diversa. Este cântico, dirigido pelo Cordeiro como Capitão de nossa salvação, implica a exaltação do Messias rejeitado, daquele que sofre. Cantado pelo remanescente fiel que morreu dentre o Israel infiel e apóstata, este cântico dos sofredores vitoriosos no céu celebra a Deus e ao Cordeiro.

Ao examinarmos os assuntos deste cântico duplo encontramos Deus exaltado de várias maneiras. Primeiramente, louvam-se as suasobras. A frase “grandes e admiráveis” é repetida em 15:1, 3, indicando a vingança da justiça de Deus, de modo que possa ser glorificado no grande final de suas lides. No título divino combinado Senhor Deus Todo-poderoso temos um vasto reservatório de poder—consolo para os santos e presságio para os inimigos de Deus.

Os caminhos de Deus são exaltados como “justos e verdadeiros”. Ao castigar seus inimigos Deus agirá em harmonia com seu próprio caráter. Este juízo imparcial será distribuído pelo “Rei dos séculos”. O ponto em questão da controvérsia do Senhor com a terra é se ele ou o homem de Satanás, a besta, é o rei das nações. Na véspera de as taças descerem sobre o reino da besta, os cantores vitoriosos saúdam o Senhor como o verdadeiro Rei das nações.

adoração de Deus também contribui para este cântico admirável. Dão-se as razões pelas quais o Senhor deve ser glorificado: “Pois só tu és santo!”

Os cantores sobre o mar de vidro celebram a santidade de Deus. Eles o temem e glorificam-no como o único digno de ser chamado santo. A besta colocou-se como Deus, mas o coro vitorioso escolheu a santidade em face de um mundo tomado pelo pecado e agora está onde reina toda a santidade verdadeira.

“Por isso todas as nações virão e se prostrarão diante de ti.” Os juízos de Deus infundirão temor em seus inimigos. Antecipando o domínio universal do Senhor, os santos celebram o reconhecimento mundial de sua supremacia. Vemos aqui o cumprimento de profecias tais como o Salmo 148; Isaías 2:2-4; 56:6, 7; Zacarias 14:16, 17.

“Porque os teus juízos são manifestos!” O plural, juízos, indica a manifestação dos atos justos do julgamento. E por ser ele justo ainda quando dispensa julgamento e vingança, deve ser glorificado. Estas são deveras palavras lindas que vêm dos que passaram pelos horrores do tormento da besta.

Comentando esta cena única, F. B. Meyer diz: “Os que foram criados na dispensação de Moisés e os seguidores do Cordeiro na presente dispensação, juntos com todas as almas dos santos que venceram, constituirão um vasto coro. Contudo, por mais que se examine o cântico de Moisés, não se conseguirá encontrar uma nota que iguale a este em sublimidade. Aqui estão os santos de Deus, treinados para distinguir as belezas do governo e comportamento justo e santo, capacitados do seu ponto de vantagem na eternidade a examinar a história inteira das lides divinas, adorando-o como Rei dos séculos, e reconhecendo que todos os seus caminhos foram justos e verdadeiros. Que confissão! Que reconhecimento!”

A Glória de Deus

A seção final deste notável capítulo (15:5-8) é também introduzida por outro “eis” (omitido em várias versões). Este parágrafo se inicia com a habitação de Deus e se encerra com a glória divina. Visto como tudo no parágrafo está ligado com a glória de Deus, examinemos estes versículos com essa ideia em mente.

William Newell argumenta a favor de um santuário literal de Deus no céu, mas achamos que a palavra “santuário” é usada pelo que representa simbolicamente—a saber, habitação de Deus, onde pode ser encontrado e adorado. Do santuário saem os sete anjos com as sete pragas, que representam a visitação final de Deus de juízos sobre as nações.

A apresentação das taças aos anjos por um dos seres viventes indica que esses seres viventes são os executores do governo judicial de Deus. Sendo “cheios de olhos”, esses seres dignificados compreendem profundamente os propósitos de Deus, e portanto, apresentam aos anjos acontecimentos horríveis. Já foi salientado haver três passos na obra do juízo de Deus:

1.      Os anjos são comissionados e equipados no santuário (15:6).
2.      Os anjos recebem as taças de ouro cheias da ira de Deus de um dos seres viventes (15:7).
3.      Os anjos não podem dar um passo no ato do juízo até que Deus, com autoridade, dê a ordem (16:1).

Tudo isto sugere que as obras e caminhos de Deus ainda no juízo são calmos e medidos. E isto é o que esperaríamos daquele que “vive pelos séculos dos séculos”. É o Deus eterno que está prestes a lançar praga sobre a terra culpada, devastando-a com sua fúria. Nunca nos devemos esquecer de que ele é glorificado tanto no juízo como na graça.

Antes de deixarmos este capítulo preparatório somos apresentados à nuvem de fumaça de Deus que cobre tudo no santuário por um pouco de tempo. A fumaça, é claro, simboliza a presença de Deus (Êx 19:18; Is 6:4). Ninguém podia entrar no santuário por causa da presença de Deus manifestada em glória e poder durante a execução dos juízos das taças. Fumaça da glória e poder de Deus enchia o santuário. Moisés não podia entrar na tenda do testemunho (nem os sacerdotes entrar no santuário) por causa da glória do Senhor (Êx40:34, 35; 1 Rs 8:10, 11). O que temos aqui não é a glória em si mas a fumaça da glória de Deus. Não é o incenso que enche o santuário, mas fumaça, que é a glória de Deus manifestada em juízo. Certamente que há uma finalidade nesta cena toda que nos enche os corações do mais intenso assombro! Deus está prestes a lidar com os rebeldes da terra.

O versículo que abre o capítulo 16 é rico em significação. Primeiro temos “vinda do santuário, uma grande voz”, que tem sido interpreta­da de várias maneiras. É possível que se refira à voz de Deus, uma vez que agora chegamos às taças da sua ira. Cristo não é mencionado até que Deus, pessoalmente, execute o juízo. Como já sugerimos, o Apocalipse é o livro da voz, e sempre que se encontra a palavra “voz”, subentende-se uma compreensão inteligente do assunto em questão. Lemos de uma grande voz, de uma alta voz e de uma forte voz. Tais adjetivos descrevem o caráter da voz e também a natureza do anúncio.

Aqui, a grande voz sai do santuário, vinda do Santo dos Santos. Por exigir a santidade de Deus o juízo sobre um mundo apóstata, a ira de Deus queima com ardor feroz: “Ide. . . derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.” Foi dada a Cristo uma ordem diferente ao se preparar para deixar os seus: “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criatura.” Mas agora a graça é retirada. Já não é a taça da salvação mas a taça da ira de Deus.

O Pentecoste testemunhou o derramamento do Espírito e com tal efusão houve a manifestação de uma bênção. Mas agora chegamos a outro derramamento: fúria sem mistura está prestes a descer sobre a terra. A plenitude da ira divina é esvaziada em cada taça, que por sua vez é derramada sobre um mundo culpado. A oração do remanescente judaico sofredor é respondida nas terríveis sete pragas prestes a cair: “E aos nossos vizinhos, deita-lhes no regaço, setuplicadamente, a injúria com que te injuriaram, Senhor” (Sl 79:12).

Temos, nas taças de ouro, um pouco mais de vislumbre da ira de Deus. A palavra para “taças” é “tigelas” ou “copos” e representa os vasos de boca larga usados no santuário, e que eram cheios de incenso aromático. Agora os vasos, santificados pelo uso do templo e serviço, estão cheios da ira justa de Deus e estão destinados ao juízo. E a largura da boca dos vasos tenderia a fazer com que seu conteúdo fosse derramado de uma só vez, implicando a rapidez avassaladora dos ais.

Desta ira dupla, diz William Newell: “Lembre-se constantemente que o próprio Cristo deve vir, afinal, e pisar o lagar sozinho em sua ira (Is 63:3-5). A ira de Deus é geral, mundial e à vista da iniquidade e idolatria do homem. A ira do Cordeiro é particular, contra o anticristo e seu rei, e contra os exércitos unidos com o duplo propósito de impedir Israel de ser uma nação (Sl 83:4) e de determinar guerra contra o Cordeiro (Ap 19:9; Zc 12:10) a fim de impedir que ele resgate o Israel sitiado.”

Estes dois capítulos devem ser estudados em conjunto porque provêm detalhes para o que se afirma em termos gerais nas palavras de abertura de 11:18: “Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira e o tempo de serem julgados os mortos. . .” no capítulo 15 são-nos dadas as preparações para as taças e no capítulo 16 a execução delas.

O sinal ou maravilha do capítulo 15 estende-se até o final do capítulo 16. De fato, 15:1 é resumo de tudo o que se segue. Os anjos, na realidade, não recebem as taças até 15:7, mas no versículo inicial são vistos, por antecipação, como já as possuindo. Neste grande e maravilhoso sinal que João viu temos a finalização de um trio de sinais. O “grande sinal” da mulher (Israel) é apresentado em 12:1. “Outro sinal”, do dragão, o antagonista de Cristo e seus conselhos, é apresentado em 12:3. E aqui temos “no céu ainda outro sinal, grande e admirável”. Os três sinais são vistos no céu, o lugar da habitação imediata de Deus. O terceiro sinal (mais solene do que os dois primeiros por causa de sua associação com a ira de Deus sobre a besta) é “grande” em que algo de importância enorme deve ser revelado. “Admirável” indica que a paciência divina se esgotou, e que a visitação
terrível do juízo divino está prestes a sobrevir aos apóstatas da terra.

Parece que o conteúdo do capítulo 15 gira em torno de três frases de peso: a ira de Deus (15:1, 7), as harpas de Deus (15:2) e a glória de Deus (15:8).

A ira de Deus

Sete anjos e sete pragas formam os meios de expressão da ira de Deus. A expressão “ira de Deus” ocorre seis vezes no Apocalipse (14:10, 19; 15:1, 7; 16:1, 19), é deveras medonha e devia infundir terror nos corações de todos os não-salvos da terra.

“Sete anjos” (distintos dos sete anjos altamente honrados e relacio­nados com as trombetas) saem do santuário (15:6), a residência imediata de Deus e dos anjos. Do santuário de outrora saíram os sacerdotes como ministros da graça. Agora os anjos emergem dele como ministros do juízo.

O tabernáculo do testemunho é uma frase sugestiva. Para Israel este era o símbolo da presença de Deus e de sua provisão para seu povo. Agora, porém, a santidade de Deus exige castigo do ímpio, e portanto, temos as “testemunhas” do juízo, segundo a natureza de Deus contra a besta e contra todos os inimigos de seu povo. David Brown diz: “Aqui entra em campo, de maneira adequada, o tabernáculo do testemunho, onde a fidelidade de Deus vinga seu povo com juízos sobre seus inimigos; juízos que estão prestes a se desencadear. Precisamos dar uma olhada no Santo dos Santos a fim de compreender a mola secreta e o fim do trato justo de Deus.”

Estes sete anjos estão vestidos de maneira condizente com o caráter justo de sua missão, e também de maneira que se parece com o Senhor (1:13). Comparando com 19:8 descobrimos que o linho puro indica justiça, enquanto os cintos de ouro, à altura do peito, (não na cintura) sugerem a obra do juízo compatível com a natureza santa de Deus.

As “sete últimas pragas” sugerem finalidade e término, e assim a aparição do número sete é especialmente adequada. Chegamos ao ciclo final da visitação do juízo. É claro que as taças não trazem o fim da ira divina, como já vimos em ebdareiabranca, uma vez que mais ataques de vinganças devem ocorrer quando Cristo vier em pessoa (19:11-21). O que temos a esta altura é a conclusão dos juízos providenciais de Deus. Estas taças estão “cheias da ira de Deus”. “Cheias” significa terminado ou consumado. Para Deus o futuro é tão certo como se fosse passado, cuja realização é tão segura como a sua Palavra.

As Harpas de Deus

Este prefácio aos últimos juízos devastadores de Deus inclui uma linda descrição dos mártires vitoriosos que estão com o Senhor. O parágrafo de 15:2 a 15:4 é tomado de vitória, louvor e adoração.

Louvores corais celestes são representados pela harpa, que com sua combinação de notas solenes e grandes, acordes suaves e ternos indica o louvor e a adoração de Deus (1 Cr 25:6). As harpas de Deus (significando que os instrumentos, músicos e tema são dele) eram partes dos instrumentos do céu, usados somente para o louvor de Deus. Parece que os dois grupos celestes de cantores e harpistas mencionados em Apocalipse 14:2 e 15:2 representam a mesma hoste vitoriosa.

O palco no qual os harpistas se encontram é comparado a um mar de vidro misturado com fogo. No mar de vidro Walter Scott vê um estado fixo de santidade, de pureza interior e exterior. O mar sugere vastidão e vidro sugere calma sólida ou paz assentada e quieta.Diz Words­worth: “Um mar de vidro [expressa] suavidade e brilho; e este mar celeste é de cristal (4:6), declarando que a calma do céu não é como a dos mares terrenos, perturbada por ventos, mas cristalizada numa eternidade de paz.” Apresentada como se estivesse em pé sobre o mar de vidro, a companhia de mártires chegou ao seu descanso e também a esta nova posição como adoradores que venceram.

O mar de vidro misturado com fogo introduz outro elemento. Estes santos emergiram vitoriosos de sua tribulação de fogo. Temos três inimigos a enfrentar: o mundo, a carne e o diabo, mas os cantores tinham um quarto inimigo a derrotar: a besta. Foi alcançada a vitória sobre a besta, sobre sua imagem, sobre sua marca e sobre “o número do seu nome”, e agora eles triunfam por causa de uma vitória total e completa.

O cântico que acompanha as harpas tem o som de um grande poema. E um cântico de vitória como o de Moisés depois de atravessar o mar Vermelho. Dois cânticos são combinados: o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro. O cântico de Moisés é o triunfo sobre o mal pelos juízos de Deus. É um cântico que celebra a derrota de Faraó e de suas hostes no mar Vermelho (Êx 15). (Este cântico mosaico não deve ser confundido com o cântico profético de Deuteronômio 32:1- 44.) O cântico de Moisés, magnífico como é, celebra apenas a redenção terrestre. A graça e glória do cântico que foi apresentado à margem leste do mar Vermelho eram associadas com o poder sobre os inimigos de Israel no Egito, pelos juízos de Deus.

O cântico do Cordeiro, entretanto, possui natureza diversa. Este cântico, dirigido pelo Cordeiro como Capitão de nossa salvação, implica a exaltação do Messias rejeitado, daquele que sofre. Cantado pelo remanescente fiel que morreu dentre o Israel infiel e apóstata, este cântico dos sofredores vitoriosos no céu celebra a Deus e ao Cordeiro.

Ao examinarmos os assuntos deste cântico duplo encontramos Deus exaltado de várias maneiras. Primeiramente, louvam-se as suasobras. A frase “grandes e admiráveis” é repetida em 15:1, 3, indicando a vingança da justiça de Deus, de modo que possa ser glorificado no grande final de suas lides. No título divino combinado Senhor Deus Todo-poderoso temos um vasto reservatório de poder—consolo para os santos e presságio para os inimigos de Deus.

Os caminhos de Deus são exaltados como “justos e verdadeiros”. Ao castigar seus inimigos Deus agirá em harmonia com seu próprio caráter. Este juízo imparcial será distribuído pelo “Rei dos séculos”. O ponto em questão da controvérsia do Senhor com a terra é se ele ou o homem de Satanás, a besta, é o rei das nações. Na véspera de as taças descerem sobre o reino da besta, os cantores vitoriosos saúdam o Senhor como o verdadeiro Rei das nações.

adoração de Deus também contribui para este cântico admirável. Dão-se as razões pelas quais o Senhor deve ser glorificado: “Pois só tu és santo!”

Os cantores sobre o mar de vidro celebram a santidade de Deus. Eles o temem e glorificam-no como o único digno de ser chamado santo. A besta colocou-se como Deus, mas o coro vitorioso escolheu a santidade em face de um mundo tomado pelo pecado e agora está onde reina toda a santidade verdadeira.

“Por isso todas as nações virão e se prostrarão diante de ti.” Os juízos de Deus infundirão temor em seus inimigos. Antecipando o domínio universal do Senhor, os santos celebram o reconhecimento mundial de sua supremacia. Vemos aqui o cumprimento de profecias tais como o Salmo 148; Isaías 2:2-4; 56:6, 7; Zacarias 14:16, 17.

“Porque os teus juízos são manifestos!” O plural, juízos, indica a manifestação dos atos justos do julgamento. E por ser ele justo ainda quando dispensa julgamento e vingança, deve ser glorificado. Estas são deveras palavras lindas que vêm dos que passaram pelos horrores do tormento da besta.

Comentando esta cena única, F. B. Meyer diz: “Os que foram criados na dispensação de Moisés e os seguidores do Cordeiro na presente dispensação, juntos com todas as almas dos santos que venceram, constituirão um vasto coro. Contudo, por mais que se examine o cântico de Moisés, não se conseguirá encontrar uma nota que iguale a este em sublimidade. Aqui estão os santos de Deus, treinados para distinguir as belezas do governo e comportamento justo e santo, capacitados do seu ponto de vantagem na eternidade a examinar a história inteira das lides divinas, adorando-o como Rei dos séculos, e reconhecendo que todos os seus caminhos foram justos e verdadeiros. Que confissão! Que reconhecimento!”

A Glória de Deus

A seção final deste notável capítulo (15:5-8) é também introduzida por outro “eis” (omitido em várias versões). Este parágrafo se inicia com a habitação de Deus e se encerra com a glória divina. Visto como tudo no parágrafo está ligado com a glória de Deus, examinemos estes versículos com essa ideia em mente.

William Newell argumenta a favor de um santuário literal de Deus no céu, mas achamos que a palavra “santuário” é usada pelo que representa simbolicamente—a saber, habitação de Deus, onde pode ser encontrado e adorado. Do santuário saem os sete anjos com as sete pragas, que representam a visitação final de Deus de juízos sobre as nações.

A apresentação das taças aos anjos por um dos seres viventes indica que esses seres viventes são os executores do governo judicial de Deus. Sendo “cheios de olhos”, esses seres dignificados compreendem profundamente os propósitos de Deus, e portanto, apresentam aos anjos acontecimentos horríveis. Já foi salientado haver três passos na obra do juízo de Deus:

1.      Os anjos são comissionados e equipados no santuário (15:6).
2.      Os anjos recebem as taças de ouro cheias da ira de Deus de um dos seres viventes (15:7).
3.      Os anjos não podem dar um passo no ato do juízo até que Deus, com autoridade, dê a ordem (16:1).

Tudo isto sugere que as obras e caminhos de Deus ainda no juízo são calmos e medidos. E isto é o que esperaríamos daquele que “vive pelos séculos dos séculos”. É o Deus eterno que está prestes a lançar praga sobre a terra culpada, devastando-a com sua fúria. Nunca nos devemos esquecer de que ele é glorificado tanto no juízo como na graça.

Antes de deixarmos este capítulo preparatório somos apresentados à nuvem de fumaça de Deus que cobre tudo no santuário por um pouco de tempo. A fumaça, é claro, simboliza a presença de Deus (Êx 19:18; Is 6:4). Ninguém podia entrar no santuário por causa da presença de Deus manifestada em glória e poder durante a execução dos juízos das taças. Fumaça da glória e poder de Deus enchia o santuário. Moisés não podia entrar na tenda do testemunho (nem os sacerdotes entrar no santuário) por causa da glória do Senhor (Êx40:34, 35; 1 Rs 8:10, 11). O que temos aqui não é a glória em si mas a fumaça da glória de Deus. Não é o incenso que enche o santuário, mas fumaça, que é a glória de Deus manifestada em juízo. Certamente que há uma finalidade nesta cena toda que nos enche os corações do mais intenso assombro! Deus está prestes a lidar com os rebeldes da terra.

O versículo que abre o capítulo 16 é rico em significação. Primeiro temos “vinda do santuário, uma grande voz”, que tem sido interpreta­da de várias maneiras. É possível que se refira à voz de Deus, uma vez que agora chegamos às taças da sua ira. Cristo não é mencionado até que Deus, pessoalmente, execute o juízo. Como já sugerimos, o Apocalipse é o livro da voz, e sempre que se encontra a palavra “voz”, subentende-se uma compreensão inteligente do assunto em questão. Lemos de uma grande voz, de uma alta voz e de uma forte voz. Tais adjetivos descrevem o caráter da voz e também a natureza do anúncio.

Aqui, a grande voz sai do santuário, vinda do Santo dos Santos. Por exigir a santidade de Deus o juízo sobre um mundo apóstata, a ira de Deus queima com ardor feroz: “Ide. . . derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.” Foi dada a Cristo uma ordem diferente ao se preparar para deixar os seus: “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criatura.” Mas agora a graça é retirada. Já não é a taça da salvação mas a taça da ira de Deus.

O Pentecoste testemunhou o derramamento do Espírito e com tal efusão houve a manifestação de uma bênção. Mas agora chegamos a outro derramamento: fúria sem mistura está prestes a descer sobre a terra. A plenitude da ira divina é esvaziada em cada taça, que por sua vez é derramada sobre um mundo culpado. A oração do remanescente judaico sofredor é respondida nas terríveis sete pragas prestes a cair: “E aos nossos vizinhos, deita-lhes no regaço, setuplicadamente, a injúria com que te injuriaram, Senhor” (Sl 79:12).


Temos, nas taças de ouro, um pouco mais de vislumbre da ira de Deus. A palavra para “taças” é “tigelas” ou “copos” e representa os vasos de boca larga usados no santuário, e que eram cheios de incenso aromático. Agora os vasos, santificados pelo uso do templo e serviço, estão cheios da ira justa de Deus e estão destinados ao juízo. E a largura da boca dos vasos tenderia a fazer com que seu conteúdo fosse derramado de uma só vez, implicando a rapidez avassaladora dos ais.(comentario biblico Normam R. Champlin).


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