terça-feira, 30 de maio de 2017

Estudo livro de Exôdo (6) מחקר שמות



                                                  CONTINUAÇÃO                                      
                           
 18a Dinastia
Amósis                                             1570-1546
Amenotepe I                                     1546-1526
Tutmose I                                         1526-1512
Tutmose II                                         1512-1504
Hatchepsute                                     1503-1483
Tutmose III                                        1504-1450
Amenotepe II                                     1450-1425
Tutmose IV                                        1425-1417
Amenotepe III                                     1417-1379
Amenotepe IV (Akhenaten)                1379-1362
Semenca                                           1364-1361
Tutankamon                                      1361-1352
Ai                                                       1352-1348
Horembeb                                          1348-1320

19a Dinastia
Ramsés I                                           1320-1318
Setos I                                               1318-1304
Ramsés II                                          1304-1236
Merneptá                                          1236-1223


José (Êx 1.8). Isto não sugere que ele não tenha conhecido José pessoalmente, mas apenas que sua benevolência não mais se estendia aos descendentes de José - os hebreus. Ele havia, afinal, expulsado os hicsos, um povo bastante aparentado aos hebreus, e pode ter ficado receoso de que a rápida multiplicação destes pudesse se constituir numa séria ameaça ao seu recente governo e autoridade.

Ele ou seu sucessor, Amenotepe I (1546 - 1526), foi o responsável pela política repressiva que se seguiu naqueles dias. Isto incluía a redução dos hebreus à escravidão com trabalhos forçados em projetos de construções públicas (Êx 1.11-14), um plano que foi igualmente implementado por Amósis. Quando tal projeto fracassou, seguiu-se um decreto promulgando o genocídio de todos os machos hebreus que nascessem (Êx 1.15,16).
Esse decreto pode ter sido emitido por Amenotepe ou, o que é mais provável, por Tutmose I, de acordo com a reconstrução histórica promovida neste trabalho.

Admitindo a data de 1446 a.C. para o êxodo, podemos determinar a data do nascimento de Moisés, um fato de elevada importância nesta conjuntura. O Antigo Testamento informa que Moisés tinha a idade de 80 anos pouco antes do êxodo (Êx 7.7), e 120 anos na sua morte (Dt 34.7). Visto que sua morte ocorreu bem no fim do período do deserto, podemos datá-la em 1406. Um simples cálculo então fornece o ano 1526 para o seu nascimento. Por conseguinte, Moisés nasceu no mesmo ano da morte do faraó Amenotepe. E preciso enfatizar que não se pode esperar uma absoluta precisão, mas nossas datas para a cronologia do Novo Reinado, assim como todas as datas que usamos, são as mesmas utilizadas pelo Cambridge Ancient History, uma publicação lançada por estudiosos imparciais, reconhecidos academicamente como autoridades da mais alta confiabilidade. Quaisquer ajustes nas datas que aumentemou diminuam alguns anos em nada afetarão as conclusões aqui propostas.
Amenotepe foi sucedido por Tutmose I (1526-1512), um plebeu que tinha se casado com a irmã do rei. Provavelmente foi ele o autor do decreto que ordenou o infanticídio, pois enquanto Moisés estava em iminente perigo de morrer, Arão, que havia nascido três anos antes (Êx 7.7), parece ter estado isento. Não seria difícil admitir que o faraó que promulgou essa política deve ter subido ao trono após o nascimento de Arão e antes do nascimento de Moisés. Nesse caso, a evidência bíblica aponta diretamente para Tutmose I.

Tutmose II (1512-1504) casou-se com Hatchepsute, sua meia-irmã mais velha. Ele morreu jovem sob circunstâncias bastante misteriosas. Sentindo que se aproximava da morte, ordenou a nomeação de Tutmose III (1504-1550) como seu co-regente e herdeiro. Esse governante que, sem dúvida, foi o mais ilustre e poderoso dentre os que viveram no Novo Reino, distinguiu-se de várias maneiras. Seus primeiros anos não foram muito promissores era filho de uma concubina e tinha se casado com sua meia-irmã, filha de Hatchepsute e Tutmose II - mas por fim veio a obter notáveis vitórias nas terras ao seu redor, que incluíram nada menos que 16 campanhas à Palestina. Porém, os primeiros 20 anos de seu reino foram dominados por sua poderosa madrasta, Hatchepsute. Embora proibida pela cultura de se tornar faraó, ela de fato agia como tal e, em todos os critérios, pode ser considerada a pessoa de maior fascínio e influência da história egípcia. Sem dúvida, nos primeiros anos de Tutmose III, foi Hatchepsute quem ditou as resoluções, um relacionamento que decerto ele detestava, mas encontrava-se impotente para se opor. Somente após a morte da madrasta, Tutmose III demonstrou toda repugnância que sentia por ela, mandando extinguir toda e quaisquer inscrições ou monumentos em sua homenagem.

O quadro geral de Hatchepsute leva-nos a identificá-la como a ousada filha do Faraó que resgatou Moisés. Somente ela dentre todas as demais mulheres de sua época seria capaz de ir contra uma ordem do Faraó, bem diante dele. Embora a data de seu nascimento seja desconhecida, ela provavelmente era vários anos mais velha do que seu marido, Tutmose II, que morrera em 1504, bem próximo de seus 30 anos. Ela devia estar no início de sua adolescência, por volta de 1526, data do nascimento de Moisés e, portanto, com condições de agir em favor de sua libertação.

Tutmose III era menor de idade quando assumiu o poder em 1504 e mais novo que Moisés. Se, de fato, Moisés foi filho de criação de Hatchepsute, há probabilidade de haver ele sido uma forte ameaça ao jovem Tutmose III, visto que Hatchepsute não tinha filhos naturais. Isso significa que Moisés era um candidato a ser faraó, tendo apenas como obstáculo sua origem semítica. Parece-nos que houve uma real animosidade entre Moisés e o faraó. Isto fica claro em virtude de Moisés, após matar um egípcio, ter sido forçado a fugir para salvar a vida. O fato de ter o próprio faraó considerado a questão - que, em outra situação, seria pouco relevante - sugere que este faraó especificamente tinha interesses pessoais em se livrar de Moisés. O exílio auto imposto por Moisés ocorreu em 1486, quando ele tinha 40 anos de idade (At 7.23). Tutmose III já estava no poder havia 18 anos; e a idosa Hatchepsute, que faleceria três anos mais tarde, não tinha mais condições de interditar a vontade de seu enteado/sobrinho.

Durante longos quarenta anos, Moisés permaneceu fugitivo do Egito, tendo se abrigado entre os midianitàs do Sinai e da Arábia. Uma das razões para tão longo exílio foi justamente o fato de continuar a viver e reinar o Faraó de quem Moisés havia escapado. Somente após sua morte, Moisés sentiu-se livre para retornar ao Egito (Êx 2.23; 4.19). Tutmose III morreu em 1450 e foi sucedido por seu filho Amenotepe II (1450-1425).
Segundo os padrões cronológicos aceitáveis nesta discussão, era este Amenotepe quem reinava na ocasião do êxodo.

Antes de deixarmos Tutmose III, é essencial notarmos que o relato bíblico requer um reinado de quase 40 anos para o Faraó que perseguiu a vida de Moisés, porquanto o rei que morreu no fim dos anos do exílio de Moisés em Mídia era claramente o mesmo que o havia ameaçado quase 40 anos antes. Dentre todos os reis da 18a Dinastia, somente Tutmose III teve um reino tão longo. De fato, ele é o único governante que, em todo período durante o qual o êxodo poderia ter ocorrido, reinou tanto tempo - com exceção de Ramsés II (1304-1236). Mas Ramsés, o faraó preferido pela maioria dos estudiosos, é geralmente associado ao faraó do êxodo, não ao faraó cuja morte possibilitou o retorno de Moisés ao Egito. Caso a morte de Ramsés houvesse trazido Moisés de volta ao Egito, o êxodo deveria ter ocorrido após 1236, uma data muito tarde para ser satisfatória.

O FARAÓ DO ÊXODO

Quando finalmente Moisés retornou ao Egito, ele e seu irmão Arão começaram a negociar com o novo rei, Amenotepe II, a respeito de uma permissão para Israel deixar o Egito com o propósito de adorar a Jeová e, enfim, deixar o país definitivamente. Este poderoso rei conduziu uma campanha em Canaã em seu terceiro ano (aprox. 1450) e uma outra em seu sétimo ano, provavelmente em 1446, coincidindo com a tradicional data do êxodo. Não é difícil imaginar que a dizimação do exército de Faraó no mar de Juncos pode ter ocorrido após essa sétima campanha e que, após tamanha desmoralização, um total desinteresse por uma aventura imediata se abateu sobre o reino, especialmente para o norte.
Nossa identificação de Amenotepe II como o faraó do êxodo está baseada em duas outras considerações. Em primeiro lugar, embora a maioria dos reis da 18a Dinastia tenha estabelecido sua principal residência em Tebas, bem ao sul dos israelitas no Delta, Amenotepe morava em Mênfis e, aparentemente, reinou daquele local por um bom tempo. Isto o colocava em grande proximidade com a terra de Gósen, fazendo-o bastante acessível a Moisés e Arão. Em segundo lugar, evidências sugerem que o governo de Amenotepe não passou para seu filho mais velho, mas para o caçula Tutmose IV. Esta é uma informação subentendida na chamada "esteia do sonho", que foi encontrada na base da Grande Esfinge perto de Mênfis.
O texto, que registra um sonho no qual Tutmose IV recebeu a promessa de que um dia viria a ser rei, sugere, como diz um historiador, que o seu reino sucedeu "mediante uma imprevista mudança no destino, como a morte prematura do irmão mais velho". E claro que isto é praticamente impossível de se provar, mas também não há como deixar de especular se tal morte prematura não tenha ocorrido por intermédio do juízo de Jeová que, na décima praga, matou todos os primogênitos do Egito que estavam sem a proteção do sangue da Páscoa, "...desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere..." (Êx 12.29).MERRILL. Eugene H. Historia de Israel no Antigo Testamento. Editora CPAD. pag. 50-52, 54-56.

Um Rei que não conhecia a Deus

"Depois, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José, o qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito e mais poderoso do que nós. Eia, usemos sabiamente para com ele, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra" (versículos 8-10). Vemos aqui o raciocínio de um coração que nunca aprendera a contar com Deus nos seus cálculos. O coração não-regenerado nunca o pode fazer, e por isso, quando Deus se revela, todos os seus argumentos caem por terra. Fora de Deus, ou independentemente d'Ele, podem parecer muito prudentes, mas logo que Deus aparece em cena, vê-se que são perfeita loucura.
Mas porque havemos nós de permitir que as nossas mentes sejam, de qualquer modo, influenciadas por argumentos e cálculos que dependem, para a sua verdade aparente, da exclusão total de Deus? Fazê-lo é, em princípio, e de acordo com a sua extensão, praticamente, ateísmo. No caso de Faraó verificamos que ele podia julgar corretamente as várias eventualidades dos negócios do seu reino: a multiplicação do povo, as possibilidades de guerra e de os israelitas fazerem causa comum com o inimigo e abandonarem o país. Ele podia pesar todas estas circunstâncias na balança com invulgar sagacidade; mas nunca lhe ocorreu que Deus pudesse ter alguma coisa a ver com o assunto. Este simples pensamento, se alguma vez tivesse ocorrido a Faraó, bastaria para lançar a confusão em todos os seus planos classificando-os como loucura. Ora é conveniente refletirmos que sucede sempre assim com o raciocínio da mente céptica do homem. Deus é inteiramente excluído; sim, a sua pretendida verdade e solidez dependem dessa exclusão. 
O aparecimento de Deus em cena dá o golpe mortal em todo o cepticismo e infidelidade. Até ao momento em que o Senhor aparece, podem pavonear-se no palco com maravilhosa demonstração de sabedoria e destreza; porém, assim que o olhar distingue o mais fraco vislumbre do bendito Senhor, são despojados do manto da sua ostentação e revelados em toda a sua nudez e deformidade.
Com referência ao rei do Egito, pode dizer-se, com segurança, que errou grandemente, não conhecendo a Deus nem os Seus desígnios imutáveis. Faraó ignorava que, muitos séculos antes, ainda ele estava longe de respirar o fôlego desta vida mortal, a palavra e o juramento de Deus—"duas coisas imutáveis"—haviam assegurado infalivelmente a libertação completa e gloriosa daquele mesmo povo que ele, na sua sabedoria, propunha esmagar. Tudo isto ele desconhecia; e, portanto, todos os seus pensamentos e todos os seus planos baseavam-se sobre a ignorância dessa grande verdade, fundamento de todas as verdades, que DEUS, É. Imaginava, loucamente, que, com a sua sabedoria e poder, poderia impedir o crescimento daqueles acerca dos quais Deus havia dito: "serão como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar" (Gn 22:17). Portanto, o seu procedimento não passava de loucura e insensatez. O pior erro que alguém pode cometer é agir sem contar com Deus. Mais cedo ou mais tarde o pensamento de Deus impor-se-á ao seu espírito e então dá-se a destruição terrível de todos os seus planos e cálculos. Quando muito, tudo quanto é empreendido sem contar com Deus só pode durar o tempo presente. 
Mas não pode de modo algum alongar-se para a eternidade. Tudo quanto é apenas humano, por muito sólido, brilhante e atraente que possa ser, está destinado a cair nas garras da morte e a abolorecer no silêncio do túmulo. A leiva do vale há de cobrir as maiores honras e as glórias mais brilhantes do homem (Jó 21:33); a mortalidade está esculpida na sua fronte, e todos os seus projetos são evanescentes. Pelo contrário, tudo aquilo que está ligado e fundado em Deus permanecerá para sempre. "O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos" (SI 72:17).C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.

3. Clamor por libertação.

A busca pela liberdade também é um dos temas descritos no livro de Êxodo. Quem está preso deseja ser livre, e o mesmo ocorre para com aqueles que estão sendo submetidos à escravidão. Não foi à toa que Moisés escreveu:E aconteceu, depois de muitos destes dias, morrendo o rei do Egito, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram; e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão. E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão, com Isaque e com Jacó; e atentou Deus para os filhos de Israel e conheceu-os Deus. (Êx 2.23-25)O rei que decretou a escravidão falecera, mas seu sucessor manteria aquele sistema até que Deus visitasse o seu povo e o libertasse daquela situação. Reter os israelitas no Egito como escravos se mostrou caríssimo para Faraó e a nação egípcia.

Aqui cabe uma observação: apesar de o povo de Deus passar por aquela tribulação, a Bíblia nos diz que Deus manteve o seu plano de levar seu povo a uma terra onde poderiam viver como uma nação. Para isso, Deus usaria Moisés como o instrumento não apenas de libertação, mas também como um legislador, a fim de que o povo pudesse seguir regras adequadas para sua existência na nova terra. Deus não perdeu o controle da história. Ele apenas estava esperando o momento certo para agir.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 9.

Êx 2.24 O Pacto Abraâmico.

 O cronograma de Deus requeria vários acontecimentos: o exílio e a servidão no Egito; os pecados dos cananeus teriam de chegar a seu ponto culminante, a fim de que um justo juízo divino viesse a privá-los de suas terras (Gên. 15.13-16); Moisés teria de cumprir um período de quarenta anos de exílio no deserto (Êxo. 2.15; Atos 7.30). Mas uma vez satisfeitos todos esses itens, o cronograma divino passaria para o passo seguinte: a chamada de Abraão. E esta levaria o Pacto Abraâmico a um novo degrau. Ver em Gên. 15.18 as notas completas que damos ali sobre esse pacto. Uma de suas principais estipulações era que Israel haveria de ter seu próprio território pátrio. Isso requereria que Israel fosse livrado de sua escravidão no Egito.“Êxodo 2.24,25 é um eixo na narrativa. A supressão, a escravidão e a mor- te são temas dominantes no trecho de Êxodo 1.1-2.23. Daqui por diante, a ênfase recairá sobre as ideias de livramento e triunfo. Deus, em Seu poder soberano, estava preparado para agir em consonância com as Suas promessas a fim de livrar e preservar o Seu povo” (John D. Hanna, in loc.).CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 311.

Êx 2. 24. Deus... lembrou-se da sua aliança com Abraão. Mesmo antes da visão da sarça ardente, o narrador coloca a libertação do Egito no contexto da promessa feita aos patriarcas. Para o antigo Israel, o curso todo da história da salvação podia ser resumido em termos de “ promessa e cumprimento” : Deus promete, Deus Se lembra, Deus age salvadoramente.(R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 59-60.)

Mas Deus estava cuidando dos seus. Ele ouviu o gemido do povo e se lembrou do concerto (24). Deus adiou a libertação de Israel até que Moisés e Israel estivessem prontos. Moisés precisava das disciplinas do deserto, e o desejo de Israel por liberdade precisava aumentar. A escravidão continuada no Egito uniu o povo de Israel no desejo por liberdade e na fé de que só Deus podia livrá-lo. Deus ouve os clamores do seu povo, mas espera até “a plenitude do tempo” para dar a vitória. Conheceu-os Deus (25) significa “Deus se preocupava com eles” (VBB).
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 145.

II - O NASCIMENTO DE MOISÉS
1. Os israelitas no Egito.

Moisés nasceu em um momento desfavorável aos filhos de Abraão no Egito. O livro de Êxodo começa indicando que “os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito” (Êx 1.7). Esse cenário nos parece bastante favorável à existência de um povo, tendo em vista que as relações sociais entre os hebreus são descritas como propícias à expansão demográfica. Os israelitas podiam se casar, ter filhos e criá-los, e estes cresciam, tinham seus filhos e os criavam, e assim sucessivamente.
Mas no versículo 8, a história nos mostra uma mudança no cenário político do Egito que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. “Depois, levantou-se um novo rei no Egito, que não conhecera a José”. Este verso mostra o que eu chamo de “princípio das dores” para os hebreus que moravam no Egito. Até esse momento, não há indicação de que eles eram vistos como uma massa de trabalho escravo pronta para satisfazer os desejos de reformas e construção de novas estruturas no Egito. Os hebreus tinham seus afazeres, e ao que tudo indica, não influenciavam negativamente em qualquer fato social dos egípcios.

Mas não foi isso que o novo rei do Egito viu. Ele assumiu o poder e entendeu que três situações poderiam ocorrer. Conforme Êxodo 1.11, a) os israelitas, como um grande grupo de pessoas, estava crescendo bastante; b) ele imaginou que em um caso de guerra futura, os israelitas se associariam com os inimigos dos egípcios; c) ele também entendeu que no caso de uma guerra, os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”), o que traria uma grande frustração aos planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional.
Podemos extrair dessas observações que o homem sem Deus vai buscar razões malignas para justificar seus feitos, e vai convencer a si mesmo e aos que o cercam. Faraó não percebeu que se o povo de Israel estava crescendo, era um sinal claro da bênção de Deus. Além disso, não há registros de que Israel tivesse intenções de se associar a outras nações em uma guerra futura contra os egípcios. Mas a Bíblia declara que os pensamentos de Faraó estavam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 9-10.

Êx 1.7 Grande Posteridade e Grande Prosperidade. Uma das provisões do Pacto Abraâmico falava na grande posteridade de Abraão, a qual desfrutaria abundância de riquezas materiais. Ver as notas sobre Gên. 15.18 quanto a uma descrição detalhada desse pacto e suas provisões.Aumentaram muito. No hebraico, “enxamearam”, como se fossem insetos a zumbir em razão de seu grande número. Ver Gên. 7.21. Houve extraordinária multiplicação; e foi precisamente isso que assustou os egípcios, levando-os a subjugar a grande massa que aumentava mais e mais.
Israel se desenvolvera, impondo sua própria identificação e seu poder. Havia muitos jovens em idade de serviço militar. A situação tornara-se explosiva. A hostilidade egípcia tinha sido assim despertada.A terra se encheu. Ou seja, a terra de Gósen (ver sobre ela no Dicionário), a região que 0 Faraó havia concedido à família de Jacó (Gên. 45.10). Ela era também chamada terra de Ramessés (Gên. 47.11), aquela porção do Egito que Faraó Ramsés II, mais tarde, desenvolveu, construindo ali muitas cidades. O tempo que se escoou entre Gên. 50.26 e Êxo. 1.7 foi, talvez, de cem anos. Uma posteridade numerosa fazia parte do Pacto Abraâmico desde sua versão original (Gên. 12.1-3). A nação de Israel haveria de formar-se; receberia seu próprio território; e, então, ser-lhe-iam conferidas sua constituição nacional e suas leis.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 305.

Êx 1. 7. O texto hebraico repete deliberadamente três verbos usados em Gênesis 1: 21,22 e que podem ser traduzidos “ frutificaram ... aumentaram muito ... se multiplicaram” . Esse aumento foi interpretado como a bênção prometida por Deus à Sua criação. Um tempo considerável já passara desde a morte de José: na menor das estimativas, Moisés era a quarta geração depois de Levi (Nm 26:58) e ele pode ter vivido centenas de anos depois (12:40). E a terra se encheu deles se refere ou à terra de Gósen (provavelmente o Wadi Tumilat, que se estende do Nilo à linha do atual Canal de Suez) ou então, em linguagem hiperbólica, todo o território do Egito. Esta última interpretação, embora estatisticamente incorreta, expressa bem os sentimentos dos egípcios, que em algumas partes haviam sido reduzidos a uma minoria diante dos indesejáveis imigrantes.R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 51-52.

O cumprimento da promessa de Deus (1.7). Os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito. Ainda que os homens que Deus escolheu morram, Ele cuida dos filhos que ficam. Deus prometeu para Abraão que lhe aumentaria a semente (Gn 12.2; 15.5; 17.1-8) e aqui, no Egito, esta promessa foi cumprida. Quando Israel saiu do Egito o total computava cerca de 600.000 homens, além das mulheres e crianças (12.37). Levando-se em conta o tempo decorrido, não se tratava necessariamente de crescimento incomum. Mas considerando o ambiente hostil, esse aumento mostrava a providência especial de Deus. 
O que Deus prometeu ao gênero humano na criação (Gn 1.28) agora estava tendo cumprimento na sua família escolhida. As palavras aumentaram muito provêm do hebraico que significa “abundar ou enxamear” como se dá com os insetos e na vida marinha (ver Gn 1.20; 7.21).3 Os israelitas não somente eram muito numerosos, mas foram fortalecidos grandemente. E lógico que esta expressão indica saúde e vigor. Moisés reconheceu esta providência graciosa quando escreveu: “Siro miserável foi meu pai, e desceu ao Egito, e ali peregrinou com pouca gente; porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa e numerosa” (Dt 26.5).
A terra que se encheu deles diz respeito a Gósen, onde Jacó e seus filhos se instalaram (Gn 47.1,4-6,27). Não há dúvida de que com o passar do tempo eles cresceram a ponto de este lugar se tornar pequeno demais, levando-os a se relacionar com os egípcios em outras regiões do país. O aumento numérico logo chamou a atenção do rei.Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 141.

2. Um bebê é salvo da morte.

Como foi dito, Moisés não veio ao mundo em um período propício ao nascimento de um menino hebreu. Quanto mais os israelitas eram afligidos, mais se multiplicavam, a ponto de o rei dar ordens às parteiras das hebreias, Sifrá e Puá, para que matassem os meninos recém-nascidos. Faraó acreditou que poderia contar com a obediência dessas mulheres, mas estas temeram a Deus e não obedeceram ao rei, sendo posteriormente recompensadas por Deus. Quando chamadas para prestar contas, disseram ao rei que as mulheres hebreias eram “vivas”. A Versão Atualizada da Bíblia usa a expressão “vigorosas”, e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz que as mulheres hebreias “dão à luz com facilidade”. Independentemente das versões utilizadas, os textos mostram que as parteiras foram inquiridas por Faraó e deram a ele uma resposta que as isentou de sujarem as mãos com sangue inocente. A nossa fé em Deus deve sempre nos motivar a fazer o que é certo e justo, e acima de tudo, a não compactuar com o que está errado.
Mas os planos de Faraó não pararam. Se as parteiras hebreias não cumpriam as ordens dadas, a ordem agora passou para o povo egípcio: “Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida” (Ex 1.22). Isso significa que qualquer egípcio ou egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas, pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem, pegar a criança recém-nascida, conferir-lhe o sexo e, se fosse um menino, tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê, a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. Os planos de Satanás eram cruéis, e deixavam um sinal claro do que ainda estava por vir para os filhos de Abraão. Outra coisa a se observar é o fato de que a maldade humana cria métodos malignos para conseguir seus feitos. Mas se Satanás tinha um plano de opressão, escravidão e morte contra os hebreus, Deus também tinha um plano, mas de livramento, libertação e de vida para os seus filhos.
A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi teve um menino, e, não podendo mais escondê-lo, colocou-o em um cesto de juncos, uma construção bem frágil para proteger uma criança. Aquele cesto simples foi colocado na borda do rio, entre as plantas. E exatamente naquele lugar a filha de Faraó foi se banhar, e vendo o cesto, ordenou que uma de suas criadas o fosse pegar. A filha de Faraó se compadeceu do menino, decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do menino Moisés, usando a filha de Faraó para tal livramento.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 10-11.

Êx 1.17 As parteiras... temeram a Deus. 

As parteiras hebreias ouviram e assentiram com a cabeça (a fim de salvarem a própria vida). Mas, na hora critica, poupavam da morte aos meninos. Humanidade, misericórdia e temor a Deus foram, para elas, motivos mais poderosos que 0 da autopreservação. O temor a Deus e a misericórdia fazem parte da verdadeira religiosidade.Humor. Yahweh frustrou o plano genocida do Faraó. Foram baixadas ordens de uma origem ainda superior às do Faraó, o próprio trono do Altíssimo. Assim, Israel continuou a multiplicar-se e a prosperar, apesar de todos os planos do Faraó e suas ordens genocidas.
Quando Israel finalmente partiu do Egito, segundo disse Moisés, os israelitas pediram “emprestadas” coisas dos egípcios. E quando Arão tentou desculpar-se diante de Moisés sobre por que fizera um bezerro de ouro, Arão lançou culpa sobre o fogo, dizendo: “e eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro" (Êxo. 32.24), como se ele tivesse ficado tão admirado quanto qualquer outra pessoa. Portanto, há bastante humor no livro de Êxodo. Mas podemos estar certos de que, no tocante às parteiras, a questão era tão mortiferamente séria quanto uma questão de vida e morte. Alguns estudiosos pensam que neste versículo há alguma indicação de que também estavam envolvidas parteiras egípcias, e não apenas hebreias. O fato foi que as parteiras, como uma classe, responderam “sim” ao Faraó, mas agiram com um “não”, no que toca ao decreto real da matança dos meninos hebreus.
Êx 1.18 Por que... deixastes viver os meninos? “Por que vocês desobedeceram às minhas ordens e agiram de modo contrário ao que eu tinha ordenado?" Assim perguntou 0 Faraó. Tratava-se de algo que não podia ser ocultado. O vs. 19 dá uma resposta ridícula em que 0 Faraó dificilmente poderia ter acreditado. Mas não lemos que ele tenha mandado castigar as parteiras. Talvez 0 autor sacro tenha querido poupar-nos dos detalhes sangrentos da vingança. Ver Eze. 16.4 quanto a itens envolvidos no antigo processo de nascimento.
de nascidos. Alguns estudiosos supõem que estaria envolvido em tudo isso um “esperto uso dos fatos”, ou seja, talvez o que as parteiras disseram até ocorria com certa frequência; mas o fato é que o autor sagrado contou aqui uma pequena piada. Ver uma demonstração de vivido humor em Gên. 29.26. Vários eruditos fazem grande esforço na tentativa de ilustrar como algumas mulheres dão seus filhos à luz, com grande facilidade, especialmente entre as classes laboriosas. Apesar de alguns casos poderem ser apresentados como comprovação disso, temos aí meras exceções, e não a regra do que acontece no ato do parto.
Êx 1.20 Deus fez bem às parteiras. Elas negaram-se a praticar uma imensa maldade, e Deus as abençoou. E assim Israel aumentou mais ainda em número e em poder por certo período de tempo. Por quanto tempo, o autor sagrado não nos informa. Mas o tempo passava, e o problema do Faraó ia apenas se acentuando, deixando-o vexado. Deus estava ganhando em cada “round” da luta. Uma de minhas fontes informativas diz que Deus abençoou àquelas mulheres, apesar de suas mentiras. Mas outros supõem que mentiras capazes de salvar vidas não se revestem de maldade. Obedecer a Deus, e não aos homens, sempre será dever dos homens (Atos 5.29).

Êx 1.21 Ele lhes constituiu família. 

Essa tradução é uma interpretação, O hebraico diz “fez-lhes casas", dando a entender que os outros israelitas, vendo o bom serviço que elas tinham prestado, construíram casas para elas. Mas alguns estudiosos dão ao Faraó o crédito: ele as teria posto dentro de casas, para que pudessem ser mais bem controladas. Todavia, o mais provável é que temos aqui uma alusão à fertilidade. Aquelas boas mulheres, ao ajudarem os casais israelitas, por não obedecerem às ordens de Faraó, foram abençoadas juntamente com suas respectivas famílias.Este versículo amplia a ideia da bênção divina, referida no vs. 20. Como Deus poderia recompensar meto àquelas mulheres? Conferindo-lhes filhos delas mesmas.

Êx 1.22 Tirania Redobrada.

 Visto que 0 decreto dado às parteiras não funcionou, agora 0 Faraó deu ordens à sua própria gente para que se desvencilhasse dos pestíferos hebreus, lançando seus filhos de sexo masculino no Nilo, para que se afogassem. Entre outras coisas, o autor sagrado nos está dizendo aqui que a perseguição contra Israel tinha de chegara um ponto culminante para que o povo de Israel fosse forçado a sair do Egito. Sem a perseguição, Israel ter-se-ia contentado em permanecer em uma região tão fértil. Somente a adversidade poderia fazê-los querei· partir dali. Assim, quanto pior se tornasse a pressão exercida pelo Faraó, tanto melhor para o plano divino.Quando Israel estava prestes a partir, por causa da opressão, então seria provido o agente da libertação, Moisés. Deus tem uma cronologia em Seu plano eterno, e também conta com os meios, humanos e outros, para satisfazer a essa cronologia.

Infanticídio. Esse crime, tão chocante para os ouvidos cristãos, tem uma história muito rica. Sua contraparte moderna é o aborto. Todos estamos familiarizados com a exposição às intempéries de crianças, nos tempos antigos, especialmente no caso de meninas, que eram deixadas ao léu a fim de morrerem, marcando-se um certo prazo. Se uma criança chegasse a resistir a tão cruel tratamento, então é que os deuses queriam que ela vivesse. Mas visto que usualmente a criancinha morria, chegava-se à conclusão de que os deuses não queriam sua sobrevivência.
“Em Esparta, o estado decidia se uma criança viveria ou morreria. Em Ate- nas, uma lei de Sólon deixava essa decisão ao encargo dos pais. Em Roma, a regra era que os infantes eram mortos, a menos que seus pais fizessem intervenção, declarando que sua vontade era que a criança vivesse. Os sírios ofereciam crianças não-queridas a Moloque, em sacrifício. Os cartagineses sacrificavam-nas a Melcarte” (Ellicott, in loc). Visto que o rio Nilo era considerado um tanto divino, lançar crianças ali era um ato encarado como sacrifício feito aos poderes divinos. O rio Nilo vivia cheio de crocodilos, e as crianças ali lançadas serviam de comida para os répteis, e assim seus corpinhos não poluíam o rio.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 307.

Êx 1.19. São vigorosas e antes que lhes chegue a parteira já deram à luz os seus filhos. Não somos informados se as parteiras estavam mentindo ou se os rápidos partos dos bebês israelitas eram um fato biológico.Driver cita paralelos árabes mas Raquel certamente teve um parto difícil (Gn 35:16). E mesmo que tivessem mentido, não foi pela mentira que foram elogiadas, e sim por se terem recusado a tirar a vida aos recém-nascidos, dádivas de Deus. Seu respeito à vida era fruto de sua reverência a Deus, o doador da vida (20:12,13), e por isso foram recompensadas com suas próprias famílias. A relevância deste incidente para a controvérsia atual sobre o aborto deve ser cuidadosamente examinada.

Êx 1. 22. O termo hebraico para o Nilo é uma palavra emprestada da língua egípcia e significa “ o rio” por excelência, isto é, o Nilo. (Outros termos tomados por empréstimo ao egípcio são “ junco” e “ rã” ; além disso, vários nomes próprios egípcios ocorrem, especialmente na tribo de Levi.) A execução por afogamento era um método óbvio em países tais como o Egito e Babilônia, tal como o apedrejamento era o método óbvio num país rochoso como Israel (Josué 7:25). Se a nação israelita em geral obedeceu o mandato de Faraó não sabemos: com certeza, os pais de Moisés desafiaram a ira do Faraó (Hb 11:23). Todas as filhas. Estas, presumivelmente, se tornariam concubinas (esposas-escravas) e poderiam ser absorvidas pelos egípcios em uma geração. Essa vã tentativa de eliminar o povo de Deus encontra seu paralelo no Novo Testamento quando Herodes tenta destruir toda uma geração de meninos em Belém (Mt 2:16). Todavia, como no Novo Testamento, o agente escolhido de Deus é protegido; nem Faraó nem Herodes podem se opor ao plano de Deus. Expositores judeus veem paralelos entre o plano de Faraó e a tentativa de genocídio contra Israel feita por Hitler e outros; expositores cristãos têm buscado tais paralelos nas severas perseguições sofridas pela Igreja ao longo de sua história.(R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 53-54.).(estudaalicao.blogspot.com)
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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