terça-feira, 30 de maio de 2017

Estudo livro de Exôdo (1) מחקר שמות





INTRODUÇÃO

Deus tinha um plano de libertação para Israel, e iria usar um homem chamado Moisés para tal feito. Neste capítulo veremos de que forma Deus tratou com Moisés pessoalmente, chamando-o para que fosse uma das grandes figuras do Antigo Testamento.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 16.

MOISÉS O grande líder e legislador dos hebreus, sob cuja mão Deus levou os israelitas do Egito às fronteiras da terra prometida. Moisés foi a maior personalidade na dispensação do AT, porque foi seu fundador e, como tal, tipificou o Senhor Jesus Cristo (cf. Hb 3.1-6)

O nome. Em Êxodo 2.10, é feito um trocadilho com o nome Moisés: "E chamou o seu nome Moisés e disse: Porque das águas o tenho tirado [meshiti-hu]". Há uma questão exegética relacionada à pessoa que deu o nome a Moisés. Se foi sua mãe, possivelmente a palavra deveria ser explicada como relacionada a masha ("extrair"), uma adaptação semítica de uma forma egípcia. Por outro lado, a maioria dos estudiosos pensa que a filha do Faraó escolheu o seu nome, e que a palavra é realmente egípcia, embora existam dificuldades linguísticas em tal opinião. A vida. De acordo com Êxodo 2.1, os pais de Moisés eram descendentes de Levi, embora não possamos dizer quantas gerações houve entre Levi e Moisés. A história da infância de Moisés é bem conhecida. Desafiando a ordem do rei de lançar no rio todo menino que nascesse, os pais esconderam o bebé Moisés em uma arca, uma pequena cesta de bambu, vedada com piche. Veja Arca de Juncos. A filha do Faraó foi ao rio se banhar, viu a arca, e teve compaixão da criança. A irmã de Moisés, que estava por perto, armou um plano para que a sua mãe tomasse conta dele. Assim Deus graciosamente salvou a vida do menino.

Com relação à sua vida na corte egípcia, praticamente nada se sabe, salvo que de acordo com Hebreus 11.24, Moisés "recusou ser chamado filho da filha de Faraó". Sabemos que ele foi "instruído em toda a ciência dos egípcios" (At 7.22). Sabemos também que quando cresceu, ele demonstrou interesse pelo bem estar do seu povo. Ao ver um egípcio espancando um hebreu, Moisés interveio e matou o egípcio. No segundo dia, quando Moisés tentou intervir na disputa entre dois hebreus, um deles o acusou referindo-se ao assassinato do dia anterior. Moisés percebeu que sua façanha tinha sido descoberta e fugiu para Midiã, um distrito da Arábia. O Faraó ficou sabendo da sua atitude e procurou matá-lo.
Ao mesmo tempo, Moisés não temeu a ira do rei (Hb 11.27), mas o desafiou. Em Midiã ele ajudou as filhas de Reuel (Jetro) a dar de beber ao seu rebanho e mostrou a nobreza do seu caráter ao defendê-las de outros pastores. Ele se casou com Zípora, uma das filhas de Jetro. Com relação à sua vida como pastor de ovelhas em Midiã, pouco se sabe, porque o propósito das Escrituras não é tanto enfocar a atenção nos detalhes da vida de Moisés, porém, mostrar seu lugar na obra de libertação e no cumprimento dos propósitos de Deus. No deserto, Deus apareceu a Moisés na sarça ardente, pois a obra do Deus da aliança na redenção é cercada por milagres. Este evento tinha todas as características de um verdadeiro milagre; era um trabalho realizado pelo poder sobrenatural de Deus no mundo exterior. Deus fez com que a sarça queimasse de forma que Moisés o visse. Isto parece ter sido contrário à obra providencial usual do Senhor, e assim atende aos requisitos do termo niflaoth ("maravilhas" "aquelas coisas que são distintas"). Além do mais, o evento tinha o propósito de ser um sinal. Ele indicava a presença de Deus como um fogo consumidor, e revelava que a sua presença estava com o seu povo. Este evento mostrava que Ele os libertaria da escravidão, e que não havia se esquecido das suas promessas aos patriarcas. Veja Sarça ardente.
Moisés estava de alguma forma hesitante em retornar ao Egito para encontrar o Faraó e, de modo amoroso, Deus tratou com ele, assegurando-lhe que estaria com ele. O Senhor permitiu que o irmão de Moisés, Arão agisse como intermediário ou profeta, declarando a palavra de Moisés - a mensagem dada por Deus - ao Faraó.
O encontro com o Faraó foi muito interessante. Em última análise, ele levou a uma competição entre Jeová, o Deus de Israel, e o "deus" Faraó, uma representação dos poderes das trevas. Em primeiro lugar, Moisés simplesmente pediu que os israelitas tivessem permissão para fazer uma pequena viagem ao deserto e adorar ao seu Deus. Como seu pedido fora recusado, Deus mostrou seus sinais e maravilhas a Faraó. As pragas tiveram a finalidade de convencer os egípcios e os israelitas de que o Deus de Israel era o Deus Todo-poderoso. As pragas culminaram com a morte do primogênito do Faraó.

O relato de Êxodo é transmitido de maneira simples e direta. Quando os israelitas chegaram ao Sinai, Deus revelou que Ele os havia escolhido para serem o seu povo, e deu-lhes sua lei, santa e imutável. Moisés deveria ser o mediador entre a nação e Deus. As Escrituras relatam as peregrinações dos israelitas até chegarem às fronteiras da Palestina, porém Moisés não foi autorizado a entrar na terra. Ele morreu e foi sepultado no monte Nebo, e não se conhece a localização de sua sepultura. Para conhecer mais detalhes sobre o contexto histórico e a data da vida de Moisés, veja Egito; Êxodo, O A importância. O esboço da vida de Moisés, descrito acima, revela a importância deste grande homem. Sua verdadeira grandeza é trazida, entretanto, em conexão com um episódio que se passou depois que os israelitas deixaram o Sinai. Miriã e Arão demonstraram ciúme pelo fato de Deus ter dado revelações a Moisés. "Porventura, falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós?" (Nm 12.2). Moisés não podia falar em sua própria defesa, por causa da elevada posição que ocupava no plano divino. Ele foi humilde na elevada posição em que foi colocado por Deus, de forma que se engajar em uma defesa pessoal teria desviado a atenção da sua posição, e atraído a atenção para si, pessoalmente. Por esta razão, o Senhor interveio subitamente e esclareceu o relacionamento correto entre Moisés, Arão e Miriã. Para os verdadeiros profetas, Deus se fez conhecer por intermédio de sonhos e visões; mas para Moisés, que era seu servo e fiel em toda a sua casa, o Senhor falou diretamente e sem a capa da ambiguidade. 
O mesmo pensamento é encontrado em Hebreus 3, onde se faz uma comparação entre Moisés e Cristo. Nesta passagem fica claro que Moisés foi o homem mais exaltado na dispensação do AT, e ainda que esta dispensação apontava diretamente para o Senhor Jesus Cristo, e nele teria o seu cumprimento. Enquanto Moisés, como servo, foi fiel em toda a casa de Deus, Cristo, como o Filho, governa aquela casa. O AT é, em grande parte, o relato da dispensação Mosaica. Entretanto, os profetas e todos os outros como Miriã e Arão, estavam em uma posição inferior à de Moisés. Por isso, o pecado de Miriã e Arão era tão abominável. Miriã, que sem dúvida foi a instigadora, foi punida com lepra. Moisés, o homem que ocupou esta posição exaltada no plano divino do AT, era um homem de verdadeira grandeza. Ele viveu pela fé em Deus (cf. Hb 11.27Ò), e teve uma profunda preocupação pela honra do Deus a quem servia (Nm 14.13ss.). Esta preocupação também manifestava um desejo genuíno de que os propósitos de Deus fossem cumpridos. Uma leitura cuidadosa de Hebreus 11 mostra que Moisés tinha consciência de que era um servo de Deus, a serviço do cumprimento dos seus propósitos de redenção. Moisés chegava a considerar a possibilidade de ter o seu próprio nome riscado do livro de Deus, para que o seu povo pudesse ser salvo (Êx 32.32). Só um homem com uma profunda devoção poderia ter servido ao Senhor em tantas situações como Moisés. 
Ele se mostrou um verdadeiro líder do seu povo. Embora tenha pecado e, às vezes, demonstrado fraquezas, prosseguiu em sua tarefa até levar o povo à fronteira da terra prometida. Na época da grande apostasia, no incidente do bezerro de ouro, ele afirmou vigorosamente a sua liderança. O mesmo ocorreu na rebelião de Corá, Data e Abirão (Nm 16). Só um homem da grandeza de Moisés poderia ter trazido a nação de Israel do Egito até a terra prometida. Moisés também era um legislador, e será sempre lembrado neste aspecto. "A lei foi dada por Moisés" (Jo 1.17). Israel recebeu mais do que um código de leis tal como o código-lei de Hamurabi; na realidade, Moisés era o mediador de uma aliança. Um estudo dos tratados e alianças feitos pelos antigos heteus indica que ao dar a aliança a Israel, Deus empregou uma forma que foi bem entendida na época, o chamado tratado de suserania. Entre este tipo de aliança e a aliança de Israel há similaridades formais. Veja Aliança. Entretanto, há uma diferença profunda em relação ao conteúdo. Os suseranos heteus impunham uma série de condições que os povos conquistados tinham que obedecer. Entre o rei e o povo não havia amor ou afeição especial. No caso de Israel, entretanto, tudo era diferente. Israel deveria ouvir a voz de Deus e obedecê-la, porque Deus era verdadeiramente soberano. Além do mais, Deus havia manifestado o seu amor por Israel através de sua escolha e redenção. Israel foi a nação que Deus escolheu dentre todas as nações que estão sobre a face da terra.
 Ela seria o seu povo peculiar e a proximidade do seu relacionamento com Deus foram demonstradas através de sua libertação da escravidão do Egito. Israel não prestaria uma obediência baseada na força, mas como uma nação santa, sem dúvida serviria ao seu Deus em amor, como um reino de sacerdotes. Deus se revelou a Israel como Jeová, o Deus da aliança, o Deus da libertação. O homem que foi honrado por Deus como mediador da aliança foi Moisés. Moisés também demonstrou a sua grandeza através de suas produções literárias. Como mediador da aliança, o servo fiel na casa de Deus, Moisés foi o autor da lei, os cinco livros que falam do estabelecimento da teocracia. A questão da autoria Mosaica, então, é fundamentalmente teológica. Os livros de Moisés diferenciam-se de todos os demais livros do AT, pois mostram o pensamento daquele homem que foi escolhido por Deus para ser mediador da aliança, o pensamento de um legislador.
Isto não sugere que estes livros contenham algo imaginário. Moisés sem dúvida empregou documentos escritos que foram transmitidos de geração em geração; sem dúvida empregou sua vasta cultura, pois foi um homem criado em toda a sabedoria e conhecimento dos egípcios (At 7.22). Também não podemos nos esquecer de que os 5 livros da lei são Escrituras; e, assim, ao escrevê-los, Moisés foi um profeta que revelou as palavras de Deus ao povo. Ele se tornou o padrão para todos os verdadeiros profetas que se seguiram, culminando no Senhor Jesus Cristo, o Messias (Dt 18.15,18). Como um escritor das Escrituras, ele estava sob a direção do Espírito Santo, de tal forma que escreveu sob a inspiração de Deus (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). Assim, os 5 livros de Moisés, cujo autor humano era um servo de Deus, são também a Palavra de Deus. Moisés e o golpe na rocha. Depois de uma longa jornada pelo deserto, Moisés não teve permissão para entrar na terra prometida. O motivo declarado é que ele golpeou a rocha em Cades. Este foi um ato de desobediência, no qual Deus não estava sendo glorificado. Golpear a rocha também foi um ato de descrença por parte de Moisés. Aqui, o grande líder hesitou; aqui ele renunciou efetivamente a tudo que ele mesmo representava, e mostrou descrença na Palavra de Deus. Por este motivo, não lhe foi permitido entrar na terra prometida. Este episódio é uma mácula no currículo do servo fiel e confiável do Deus da aliança.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1300-1302, 1304.

I - MOISÉS - SUA CHAMADA E SEU PREPARO (ÊX 3.1 17)
1. Deus chama o seu escolhido.

Moisés foi chamado por Deus quando estava vivendo em Midiã, com seu sogro Jetro. Ele chegara a Midiã aos 40 anos, fugido do Egito, e agora, aos 80 anos, quando cuidava das ovelhas do sogro, tem um encontro com Deus.
Moisés foi chamado por Deus em uma fase da vida em que, aos olhos humanos, poderia se aposentar e aproveitar os poucos anos que lhe restariam sem se aborrecer. Mas aqui reside um principio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos convocar a ser úteis para Ele. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais dispostas a fazer o que Moisés faria, mas Deus escolheu Moisés para aquela missão.
Deus não apenas escolhe as pessoas para determinadas obras, mas também as convoca. De que adianta ser escolhido por Deus e não ser informado dessa chamada? Como Deus faz tudo de forma perfeita, Ele mesmo se encarregou de falar com Moisés de modo sobrenatural e convincente.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 16-17.
O ENCONTRO ENTRE DEUS E MOISÉS (3-5)

Em função desses acontecimentos e antes do comissionamento de Moisés, ocorre o episódio da sarça ardente (3.1-6). O termo hebraico para “sarça” (sêneh) só aparece no Antigo Testamento aqui e em Deuteronômio 33.16, quando Moisés canta que Deus era “[aquele] que habitava na sarça (ardente)”. Quão oportuno que as últimas palavras de Moisés registadas nas Escrituras sejam, entre outras coisas, sobre seu primeiro encontro com Deus na sarça ardente! Essa palavra hebraica soa e faz lembrar a palavra “Sinai” (,sny e snft). Por duas vezes, Deus apareceu a Moisés de forma incandescente. Primeiro em uma snh (capítulo 3), depois no sny (capítulo 19). Deus costuma aparecer nos locais mais inesperados, como em uma sarça. Foi próximo a um arbusto que Ele apareceu para Agar (Gn 21.15, com uma outra palavra hebraica para “arbusto”, síah) e foi em um arbusto, ou sarça, que apareceu pela primeira vez a Moisés. Falando em lugares inesperados, talvez seja possível estabelecer uma analogia entre o anjo de Deus que apareceu no meio do nada para o pastor Moisés, fazendo um importante anúncio; e os anjos que apareceram diante de um grupo de pastores, no meio do nada, a fim de fazer um importante anúncio (Lc 2.8-20).VICTOR P. HAMILTON. Manual do Pentateuco. Editora CPAD. pag. 160.

O QUE VEMOS E OUVIMOS

Examinemos agora o que Moisés viu e ouviu, atrás do deserto. Teremos ocasião de ver como ele aprende ali lições que estão muito acima da inteligência dos mais eminentes sábios do Egito. Poderia parecer à razão humana uma estranha perda de tempo um homem como Moisés ter de passar quarenta anos sem fazer nada senão guardar ovelhas no deserto. Porém, ele estava ali com Deus, e o tempo assim passado nunca é perdido. É conveniente recordar que há para o verdadeiro servo de Cristo alguma coisa mais do que mera atividade. Todo aquele que está sempre em atividade corre o risco de trabalhar demais. Um tal homem deveria meditar cuidadosamente nas palavras profundamente práticas do Servo perfeito: "Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem" (Isaías 50:4). O servo deve estar frequentemente na presença do seu mestre, a fim de poder saber o que deve fazer. O "ouvido" e a "língua" estão intimamente unidos, em vários aspectos; porém, debaixo do ponto de vista espiritual, ou moral, se o ouvido está fechado e a língua desatada, não restam dúvidas que se dirão muitas coisas bem tolas. Por isso, "amados irmãos... todo o homem seja pronto para ouvir; tardio para falar" (Tiago 1:19). Esta exortação oportuna baseia-se em dois fatos: a saber, que tudo o que é bom vem do alto, e que o coração está repleto de maldade, pronto a transbordar. Daí, a necessidade de ter o ouvido aberto e a língua refreada: rara e admirável ciência!—ciência na qual Moisés fez grande progresso "atrás do deserto", e que todos podem adquirir, desde que estejam dispostos a aprender nessa escola.

A SARÇA

"E apareceu-lhe o Anjo do SENHOR em uma, chama de fogo no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés disse: agora me virarei para lá e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima" (versículos 2-3). Era efetivamente uma grande visão, porque uma sarça ardia e não se consumia. A corte do Faraó nunca poderia oferecer nada de semelhante. Porém, era uma visão graciosa porque nela era simbolizada de um modo notável a situação dos eleitos de Deus. Eles encontravam-se no meio do forno do Egito; e o Senhor revelava-se no meio de uma sarça ardente. Porém, assim como a sarça se não consumia, tampouco eram eles consumidos, porque Deus estava com eles. "O SENHOR dos Exércitos está conosco: o Deus de Jacó é o nosso refúgio" (SI 46:7). Aqui temos força e segurança, vitória e paz. Deus conosco, Deus em nós, e Deus por nós. Isto é provisão abundante para todas as necessidades.
Não há nada mais interessante e mais instrutivo do que a maneira como aprouve ao Senhor revelar-Se a Moisés na passagem que estamos considerando. Ele ia confiar-lhe o encargo de tirar o Seu povo do Egito, para que eles fossem a Sua Assembleia, para habitar no meio deles tanto no deserto como na terra de Canaã; e é do meio de uma sarça que lhe fala.
Símbolo belo, solene e próprio do Senhor habitando no meio do Seu povo eleito e resgatado; "O nosso Deus é um fogo consumidor" (Hb 12:29)-não para MOS consumir, mas para consumir em nós e à nossa volta tudo que é contra a Sua santidade, e que é, portanto, um perigo para a nossa verdadeira e eterna felicidade. "Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, SENHOR, para sempre" (Salmo 93:5).
O Velho e o Novo Testamento encerram vários casos em que Deus Se manifesta como "um fogo consumidor": como por exemplo o caso de Nadabe e Abiú, em Levítico 10. Tratava-se de uma ocasião solene. Deus habitava no meio do Seu povo, e queria manter este numa posição digna de Si Próprio. Não podia ter feito outra coisa. Não seria para Sua glória nem para proveito dos Seus se Ele tolerasse qualquer: coisa, neles incompatível com a pureza da Sua presença. O lugar de habitação de Deus tem que ser santo.

Do mesmo modo, em Josué, capítulo 7, temos outra prova notável, no caso de Acã, de que o Senhor não pode sancionar o mal com a Sua presença, qualquer que seja a forma que o mal possa revestir ou por muito oculto que possa estar. O Senhor é "um fogo consumidor", e, como tal, tinha de agir a respeito de tudo que pudesse manchar a Assembleia no meio da qual habitava. Procurar unir a presença de Deus com o pecado não julgado é o indício da impiedade.

Ananias e Safira (Atos, 5) dão-nos a mesma lição. Deus o Espírito Santo habitava na Igreja, não somente como uma influência, mas, sim, como uma pessoa divina, de tal maneira que ninguém podia mentir na Sua presença. A Igreja era, e é ainda agora, morada de Deus; e é Ele Quem deve governar e julgar no meio dela. Os homens podem reviver em união a concupiscência, a impostura e a hipocrisia; mas Deus não pode fazê-lo. Se quisermos que Deus ande conosco, devemos julgar os nossos caminhos, ou então Ele os julgará por nós (veja 1 Co 11:29-32).

Em todos estes casos e em muitos mais que podíamos aduzir, vemos a força destas palavras solenes, "a santidade convém à tua casa, SENHOR, para sempre" (SI 93:5). Para aquele que a tiver compreendido, esta verdade produzirá sempre sobre ele um efeito moral idêntico àquele que exerceu sobre Moisés: "Não te chegues para cá; tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa" (versículo 5). O lugar da presença de Deus é santo, e só se pode caminhar por ele com os pés descalços. Deus, habitando no meio do Seu povo, comunica à Assembleia desse povo um caráter de santidade que é a base de todo o santo afeto e de toda a santa atividade. O caráter da habitação deriva do caráter d'Aquele que a habita.

A aplicação deste princípio à Igreja, que é agora a habitação de Deus, em Espírito, é da maior importância prática. Assim como é bem-aventuradamente verdade que Deus habita, pelo Seu Espírito, em cada membro da Igreja, dando deste modo um caráter de santidade ao indivíduo, é igualmente certo que Ele habita na Assembleia; e, por isso, a Assembleia deve ser santa. O centro em volta do qual os membros se reúnem é nada menos do que a Pessoa de um Cristo vivo, vitorioso e glorificado. O poder que os une é nada menos do que o Espírito Santo; e o Senhor Deus Todo-Poderoso habita neles e entre eles (vede Mt 18:20; 1 Co 6:19; 3:16-17; Ef 2:21-22). Se tais são a santidade e dignidade que pertencem à morada de Deus, é evidente que nada impuro, quer seja em princípio, quer na prática, deve ser tolerado. Todos os que estão lugar em que tu estás é terra santa." "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá" (1 Co 3:17). Estas palavras são dignas de toda a aceitação da parte de todos os membros da Assembleia—de cada pedra viva no Seu santo templo! Possamos nós todos aprender a pisar os átrios do Senhor com os pés descalços!

O Monte Horebe: Santidade e Graça Debaixo de todos os aspectos, as visões de Horebe rendem testemunho, ao mesmo tempo, da graça e da santidade do Deus de Israel. Se a graça de Deus é infinita, a Sua santidade também o é; e, assim como a maneira em que Ele se revelou a Moisés nos faz conhecer a primeira, o próprio fato de Se revelar atesta a última. O Senhor desceu porque era misericordioso; mas, depois de haver descido, é dito que Se revelou como sendo santo: "Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus" (versículo 6). A natureza humana esconder-se-á sempre como resultado da presença divina; quando estamos na presença de Deus, com os pés descalços e o rosto coberto, quer dizer, naquela disposição de alma que esses atos exprimem de um modo tão admirável, estamos em condições vantajosas para ouvir os doces acentos da graça. Quando o homem ocupa o lugar que lhe compete, Deus pode falar-lhe em linguagem de pura misericórdia.
"E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto, desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel;.. .E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem" (versículos 7 a 9). 
Neste trecho, a graça absoluta, livre e incondicional do Deus de Abraão brilha em todo o seu esplendor, livre dos "ses" e dos "mas", dos votos, das resoluções e das condições impostas pelo espírito legalista do homem. Deus havia para Se manifestar em Sua graça soberana, para realizar a obra de salvação, para cumprir a Sua promessa a Abraão, promessa repetida a Isaque e a Jacó. Não havia descido para ver se, na realidade, os herdeiros da promessa estariam em condições de merecer a salvação. Bastava-Lhe que Necessitassem dela. Ponderarão seu estado oprimido, as suas aflições, as suas lágrimas, os seus suspiros, e a sua pesada servidão; pois, bendito seja o Seu nome, Ele conta os "ais" do Seu povo e põe as suas lágrimas no Seu odre (Sl 56:8). Não foi por coisa alguma de bom que houvesse visto neles que os visitou, porque Ele sabia o que havia neles. Numa palavra, o verdadeiro fundamento da intervenção misericordiosa do Senhor a favor do Seu povo é revelado nestas palavras: "Eu sou o Deus de Abraão" e "Tenho visto a aflição do meu povo."
Estas palavras revelam um princípio fundamental nos caminhos de Deus. É com base naquilo que Ele é que atua sempre. "EU SOU" assegura todas as cosias para "O MEU POVO". Certamente, Deus não ia deixar o Seu povo no meio dos fornos de tijolo do Egito, e debaixo do azorrague dos exatores do Faraó. Era o Seu povo, e, portanto, queria agir, com respeito a esse povo, de uma maneira digna de Si Próprio. O fato de ser o Seu povo, o objeto favorecido do Seu amor de eleição e possuidor da Sua promessa incondicional, era suficiente. Nada podia impedir a manifestação pública da relação que existia entre o Senhor e aqueles a quem, segundo os Seus desígnios eternos, havia sido assegurada a posse da terra de Canaã. Havia descido para os libertar, e os poderes da terra e do inferno reunidos não poderiam retê-los nem uma hora além do tempo determinado por Ele. Podia servir-Se, e de fato serviu-Se, do Egito como escola, na qual estava o Faraó como um mestre; porém, uma vez cumprida a sua missão, o mestre e a escola são postos de parte, e o Seu povo é libertado com mão forte e braço estendido.

A GRAÇA DE DEUS LEMBRA-SE SOMENTE DOS ATOS DA FÉ (HEBREUS 11)

Nisto, como em tudo mais, o Mestre bendito forma um contraste notável com os Seus servos mais honrados e destacados. O próprio Moisés "temeu" (versículo 14), e Paulo teve de se arrepender (2 Co 7:8); porém, o Senhor Jesus nunca fez uma coisa nem outra. Jamais se viu forçado a recuar um passo, a arrepender-se duma palavra ou a corrigir um pensamento.Tudo quanto fez foi absolutamente perfeito. Era tudo fruto dado na estação própria. O curso da Sua vida santa e celestial deslizava adiante sem obstáculos nem deslizes. A sua vontade estava perfeitamente submissa ao Pai. Os melhores homens, e até mesmo os mais dedicados, cometem erros; mas é perfeitamente exato que quando mais, pela graça, nos é dado mortificarmos a nossa vontade, menos erramos. E uma feliz circunstância quando, dum modo geral, a nossa vida é de fé e de dedicação exclusiva a Cristo.
Assim sucedeu com Moisés. Era um homem de fé, um homem que absorveu em alto grau o espírito do seu Mestre e que seguiu com maravilhosa firmeza os Seus passos. É certo que antecipou, como notamos, em quarenta anos o período que Deus destinara para julgar o Egito e libertar Israel; todavia, quando lemos o comentário inspirado do Capítulo 11 de Hebreus nenhuma menção encontramos deste fato. Encontramos somente o princípio divino que, dum modo geral, orientou a sua vida: "Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível" (Hb 11: 24-27). 
Esta passagem apresenta-nos os atos de Moisés de uma maneira cheia de graça. É assim que o Espírito Santo sempre conta a história dos santos do Velho Testamento. Quando descreve a vida dum homem, apresenta-o como ele é, com todas as suas falhas e imperfeições. Mas quando, no Novo Testamento, comenta essa biografia limita-se a dar o princípio que o orientou e o resultado da sua atividade. Por isso, não obstante lermos em Êxodo que Moisés "olhou a uma e a outra banda", e disse; "certamente este negócio foi descoberto", e por fim que "fugiu de diante da face de Faraó", lemos também na epístola aos Hebreus que o que ele fez, fê-lo "pela fé"— não temeu a ira do rei — e ficou firme como vendo o invisível.
Assim acontecerá em breve quando vier o Senhor, "o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor" (1 Co 4:5). Eis aqui uma verdade consoladora e preciosa para toda a alma reta e o coração fiel. O coração pode formar muitos projetos que, por diversas razões, a mão não pode realizar. Todos esses intentos serão manifestados quando o Senhor vier. Bendita seja a graça divina por nos haver dado uma tal certeza! As devoções do coração são muitos mais preciosas para Cristo do que as obras mais espaventosas que as mãos possam executar. Estas podem dar algum brilho aos olhos do homem; mas aquelas são devidamente apreciadas pelo coração de Jesus. As obras podem ser assunto de conversação dos homens, mas as afeições são manifestadas diante de Deus e dos Seus anjos. Que todos os servos de Cristo saibam ter os seus corações somente ocupados com Ele e os seus olhos postos na Sua vinda.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.

2. O preparo de Moisés (Êx 3.10-15).

Deus se utiliza de diversos recursos para treinar aqueles a quem escolheu. Com Moisés não foi diferente. Ele passou por pelo menos três grandes ambientes em sua vida, onde fora colocado por Deus para exercer seu ministério futuro como libertador, legislador e líder de um grupo de pessoas que deixaria uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornarem uma nação.O primeiro grande ambiente pelo qual Moisés passou foi, sem dúvida, o lar em que foi criado por seus pais. Lá ele foi instruído sobre seu povo e sua cultura, e certamente aprendeu algo acerca de Deus.O segundo grande ambiente foi a corte do Egito. Nesse local ele foi ensinado no que o Egito tinha de melhor em tecnologia e conhecimento, construindo uma vida acadêmica e preparando-se para um futuro brilhante na liderança egípcia.

O terceiro foi o deserto. A esse lugar Moisés se dirigiu quando matou um egípcio e foi perseguido. Em Midiã, Moisés constituiu uma família com Zipora, filha de Jetro. Não há indícios de que Moisés tenha se casado no Egito.Portanto, o preparo de Moisés durou muitos anos, e mesmo que ele não o soubesse, Deus o estava preparando como instrumento para uma grande missão.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 17.

O Pacto Abraâmico foi confirmado a Moisés (Êxo. 2.24). Ele foi nomeado para tornar-se um instrumento especial desse pacto, passando a desempenhar um papel cêntrico para tirar Israel do Egito e fazê-lo voltar à Terra Prometida. Jacó e seus filhos, ao fugirem da seca na terra de Canaã, desceram ao Egito para estarem em companhia de José (ver Gên. 46-50). Isso armou o palco para o exílio e a escravidão naquele país. Agora, essa situação seria revertida, e o cronograma de Deus estava avançando para uma fase nova. Ver Gên. 15.13,16 e as notas sobre 0 Pacto Abraâmico em Gên. 15.18.
Os críticos pensam que esta seção é uma mescla das fontes informativas J, E e P(S). Moisés era considerado o maior de todos os profetas de Israel (Êxo. 34.10); e outros ainda o exaltavam mais do que isso (Núm. 12.6,7). Seja como for, ele foi o homem escolhido por Deus para aquele momento crítico. Foi mister que ele recebesse uma autoridade e um poder real, e isso lhe foi concedido pela presença de Deus, que começou quando da teofania que lhe foi outorgada. Isso faz-nos lembrar da chamada de Isaías (Isa. 6).

A seção à nossa frente consiste em três divisões:
1. Confrontação com Deus (Êxo. 3.1-12)
2. Instruções (Êxo. 3.13-22)
3. Queixas de Moisés (Êxo. 4.1-17).

Êx 3.1 Apascentava Moisés o rebanho. Moisés sentia-se satisfeito no deserto, enquanto ajudava a cuidar do rebanho de seu sogro. Não havia excitações, mas também não havia ameaças nem necessidades. Tinha tudo 0 de que precisava, com sua pequena família: sua esposa e seus dois filhos. Mas 0 plano de Deus em breve haveria de agitar a sua vida, preparando-o para uma importantíssima mis- são. Por igual modo, séculos depois, Davi também foi arrancado de suas ocupações pastoris para cumprir um notável destino.
Jetro. Em Êxo. 2.18, o nome do sogro de Moisés aparece como Reuel. Ver as notas em Êxo. 2.16-18 quanto ao problema da aparente confusão de nomes próprios. Talvez Reuel fosse o pai de Jetro.
O lado ocidental do deserto. Essa era a estreita faixa de terra fértil que ficava por trás da planície arenosa, estendendo-se desde a serra do Sinai até as praias do golfo Elanítico.

Horebe. Chamado algures de “monte de Deus”. Cuidando de seu rebanho, Moisés acabou chegando a esse lugar. E ali, inesperadamente, teve um encontro com a presença de Deus. Parece que Horebe era o nome de toda a cadeia montanhosa que havia naquela área. O Sinai era apenas uma parte dessa cadeia, posteriormente conhecido como Jebel Musa. Alguns estudiosos opinam que Horebe e Sinai eram os nomes de dois picos da serra em pauta. E Horebe, nesse caso, veio a ser conhecido como “monte de Deus” porque foi ali que Deus apareceu a Moisés.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 312.

A sarça ardente (3.1-6). De acordo com Estêvão (At 7.23), Moisés tinha quarenta anos quando matou o egípcio, e, depois de outros quarenta anos, ele encontrou o Senhor na sarça ardente (At 7.30). Depois deste período no deserto, Deus viu que seu povo e Moisés estavam prontos para o milagre de libertação. Aqui, o sogro de Moisés recebe o nome Jetro (1), embora seja possível que Jetro fosse o filho de Reuel e, portanto, cunhado de Moisés.15 Ainda pastor, Moisés estava nas proximidades de Horebe, o monte de Deus (1), também chamado Sinai (ver Mapa 3). E provável que Horebe fosse o nome dado à cadeia de montanhas, ao passo que Sinai dissesse respeito a um grupo menor ou a um único cume.Os estudiosos da Bíblia consideram que o anjo do SENHOR (2) na sarça ardente seja Cristo pré-encarnado, embora o Novo Testamento nunca use essa expressão para se referir a ele. Na Bíblia, uma chama de fogo simboliza a presença de Deus (Hb 12.29).Este fato despertou a curiosidade de Moisés, momento em que Deus falou com ele. Então, encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus (6). Ele não podia ficar em pé levianamente na presença de Deus, e aprendeu que a presença divina santifica o lugar onde Ele aparece (5).Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 145.

A visão de Deus. 1. Apascentava Moisés o rebanho. O texto hebraico sugere que esta era sua ocupação habitual. Não há na Bíblia o menor indício de que Midiã fosse uma região onde se minava o cobre, ou que os queneus fossem ferreiros itinerantes, embora esses pontos de vista sejam prediletos dos estudiosos mais recentes e, arqueologicamente, tentadores. Certamente havia minas de cobre na Arabá, ao sul do Mar Morto, e durante sua peregrinação pelo deserto Israel fabricou um grande número de objetos de cobre (cap. 35 seg.), mas além disso não vai a tradição bíblica.
O lado ocidental do deserto. A palavra hebraica ’ah.ar, “ atrás, detrás” , deve significar “ oeste” do ponto de vista midianita e portanto pode ser um termo originado em Midiã. Como de costume, no pensamento semita, defronta-se sempre o leste ao definir direções; atrás, portanto, se refere ao ocidente. Horebe, o monte de Deus. Possivelmente, “ Horebe, o grande monte” , segundo uma expressão idiomática semita muito comum para descrever força ou tamanho muito grande (cf. o uso em árabe). Os que usam os símbolos críticos convencionais para descrever as pressupostas fontes do Pentateuco alegam que “ Horebe” se encontra em material Eloísta e Deuteronomista, ao passo que “ Sinai” é o nome utilizado em material Jeovista e sacerdotal. Não sabemos por que razão os dois nomes foram usados, aparentemente alternadamente.

Já foi sugerido que Horebe é uma parte do Sinai, mas isso é pura adivinhação. Horebe é comprovadamente um nome semita, cujo provável significado é “ deserto” Ou “ desolação” . É possível que fosse o nome semita correspondente ao nome Sinai, não-semita. Sinai deve ser um nome antigo e, provavelmente, de ligações etimológicas com o vizinho deserto de Sin. Qualquer ligação com seneh (heb. “ espinheiro” ) ou com Sin (o deus-Lua de Acade) é resultado de uma etimologia duvidosa. Questão mais séria, à parte de seu nome, é o fato de que não sabemos onde ficava o “ monte de Deus” (o termo popular, conforme usado neste versículo). Ficaria na Península do Sinai? Caso a resposta seja afirmativa, ficaria ele ao sul (a área tradicional) ou a nordeste, entre as montanhas de Seir, fronteiro ao oásis de Cades-Barnéia, onde Israel manteve seu centro tribal por tanto tempo? Ou seria ainda nas montanhas da Arábia, a nordeste do Golfo de Aqaba? Os detalhes geográficos gerais parecem sugerir a área meridional da península: o local tradicionalmente apontado, Gebel Musa, “ o monte de Moisés” (2464 metros de altura) tem muito a seu favor, embora alguns prefiram outras montanhas próximas mais elevadas. Um fato digno de nota é que, tal como o exílio em Babilônia, este acontecimento tão importante para a fé israelita aconteceu em solo estrangeiro (cf. a chamada de Abrão) e que, mais tarde, Israel sempre pareceu ignorar e não se importar com a exata localização do Sinai. Não há qualquer sugestão de peregrinações posteriores ao local, com a possível exceção da jornada de Elias (1 Reis 19).
 Israel sabia, entretanto, que o “ monte de Deus” ficava em algum lugar ao sul de Canaã. Isto fica claro pelas descrições em que Deus vem ajudar Seu povo desde Parã ou Seir ou outras montanhas vagamente definidas para os lados do sul (Dt 33:2). Este é um contraste marcante em relação à mitologia cananita, em que os deuses habitavam um monte no extremo norte.
Não há qualquer evidência no pensamento bíblico de que os israelitas sequer pensassem que Deus vivesse no Sinai. Pelo contrário, Sinai era o lugar em que Deus Se revelara a Moisés (3:2) e sobre o qual, posteriormente, dera a lei a Seu povo (3:12). O Sinai, portanto, poder-se-ia dizer em terminologia moderna, não era tanto o monte de Deus quanto se tornaria o monte de Deus em virtude das coisas que ali Ele veio a dizer e fazer; este é um conceito dinâmico e não estático. Deus, em dias passados, podia ser adorado em qualquer lugar onde aparecesse (20:24) e o Sinai é apenas mais um exemplo desse fato. É verdade que há numerosas inscrições nabatéias na área do Sinai, indicando que ao menos mais tarde ele foi considerado uma montanha sagrada. Com base nisso, alega-se que bem poderia ter sido um lugar sagrado para os próprios midianitas. Isso é impossível desmentir ou comprovar, em vista da absoluta falta de provas. Moisés, pelo menos, não foi ao monte com qualquer motivo religioso, segundo o texto, mas apenas para apascentar seu rebanho.R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 60-61.

A ESCOLA DE DEUS

Vamos agora retomar a história pessoal de Moisés e considerar este grande servo de Deus durante o período tão interessante da sua vida de solidão, período este que não vai além de quarenta dos seus melhores anos, se assim podemos dizer. O Senhor, na Sua bondade, Sua sabedoria e Sua fidelidade, põe o Seu servo à parte, livre das vistas e dos pensamentos dos homens, para o poder educar debaixo da Sua imediata direção. Moisés tinha necessidade disso. Havia passado quarenta anos na casa do Faraó; e, conquanto a sua estadia ali não deixasse de ser proveitosa, todavia, tudo que tinha aprendido ali não era nada em comparação com o que aprendeu no deserto. O tempo passado na corte pode ter sido valioso, mas a sua estadia no deserto era indispensável.

Nada há que possa substituir a comunhão secreta com Deus ou a educação que se recebe debaixo da Sua disciplina. "Toda a ciência dos egípcios" não havia habilitado Moisés para o serviço a que devia ser chamado. Havia podido seguir uma carreira brilhante nas escolas do Egito, e deixara-as coberto de honras literárias, com uma inteligência enriquecida por vastos conhecimentos e o coração cheio de orgulho e vaidade. Havia podido tomar os seus títulos nas escolas dos homens, mas tinha ainda de aprender o alfabeto na escola de Deus. Porque a sabedoria e a ciência humanas, por muito valor que tenham em si mesmas, não podem fazer de ninguém um servo de Deus nem qualificar alguém para desempenhar qualquer cargo no serviço divino. Tais conhecimentos podem qualificar o homem natural para desempenhar um papel importante diante do mundo: porém é necessário que todo aquele que Deus quer empregar ao Seu serviço seja dotado de qualidades bem diferentes, qualidades aliás que só se adquirem no santo retiro da presença de Deus.

Todos os servos de Deus têm aprendido por experiência a verdade do que acabamos de dizer: Moisés em Horeb, Elias no ribeiro de Kerith, Ezequiel junto ao rio Chebar, Paulo na Arábia, e João em Patmos, são todos exemplos da grande importância de estarmos a sós com Deus. E se considerarmos o Servo Divino, vemos que o tempo que Ele passou em retiro foi dez vezes aquele que gastou no Seu ministério público. Ainda que perfeito em inteligência e vontade, passou trinta anos na casa humilde de um carpinteiro de Nazareth, antes de se manifestar em público. E, mesmo depois de ter entrado na Sua carreira pública, quantas vezes o vemos afastar-Se das vistas dos homens, para gozar a solidão santa da presença do Pai! Pode perguntar-se, como poderá a falta de obreiros, que tanto se faz sentir, ser suprida se é necessário que todos passem por uma educação secreta tão prolongada antes de tomarem o seu trabalhou Mas isto é um assunto do Mestre, e não nosso. 
É Ele Quem sabe chamar os obreiros, e Quem sabe também prepará-los. Não é obra do homem. Só Deus pode chamar e preparar um verdadeiro obreiros, e se Ele toma muito tempo para educar um tal homem, é porque assim o julga bom; sabemos que, se outra fosse a Sua vontade, Ele podia realizar esta obra num instante. Uma coisa é evidente: Deus tem tido todos os Seus servos muito tempo a sós Consigo, tanto antes como depois da sua entrada no ministério público; ninguém poderá dispensar este treino, e sem esta disciplina, sem este exercício privativo, nunca seremos mais que teóricos superficiais e inúteis. Todo aquele que se aventura numa carreira pública sem se haver pesado na balança do santuário, e medido na presença de Deus, parece-se com um navio saindo à vela sem lastro próprio, que terá fatalmente de soçobrar ao primeiro embate do vento. Pelo contrário, existe para todo aquele que tem passado pelas diferentes classes da escola de Deus uma profundidade, uma solidez, e uma constância que são os elementos essenciais na formação do carácter de um verdadeiro e eficiente servo de Deus.
Por isso, quando vemos Moisés, à idade de quarenta anos, afastado de todas as honras e magnificência de uma corte, para passar quarenta anos na solidão do deserto, podemos esperar vê-lo empreender uma carreira de serviço notável; no que aliás não ficamos desapontados. Ninguém é verdadeiramente educado senão aquele a quem Deus educa. Não está dentro das possibilidades do homem preparar um instrumento para serviço do Senhor. A mão do homem é incapaz de moldar um "vaso idôneo para uso do Senhor" (2 Tm 2:21). Somente Aquele que quer usá-lo pode prepará-lo; e no caso presente temos um exemplo singularmente belo do Seu modo de o fazer.( estudaalicão.blogspot.com)
FONTE WWW.MAURICIOBERWALDOFICIAL.BLOGSPOT.COM

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