quarta-feira, 17 de maio de 2017

Atualização lições CPAD adultos 2 trim-2017 1 a 7 carater

                  ATUALIZAÇÃO LIÇÕES CPAD 2 TRIMESTRE 2017


                                      Escritor Professor Mauricio Berwald

Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato 
Lição 1: A formação do Caráter Cristão
Data: 2 de Abril de 2017 

TEXTO ÁUREO 

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 5.20). 

VERDADE PRÁTICA 
O homem nascido de novo tem o seu caráter transformado pelo Espírito Santo. 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Jo 3.3
Novo nascimento, uma transformação de dentro para fora 
Terça — Jo 2.1-12
Jesus transforma água em vinho
Quarta — 2Co 5.17
Nova criatura, novo caráter 
Quinta — Gn 3.6,7
O caráter é corrompido pelo pecado
Sexta — Ef 4.20-24
A graça divina restaura o caráter
Sábado — Sl 1.1
Diariamente precisamos aprimorar nosso caráter 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Efésios 4.17-24. 
17 — E digo isto e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade do seu sentido,
18 — entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração,
19 — os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para, com avidez, cometerem toda impureza.
20 — Mas vós não aprendestes assim a Cristo,
21 — se é que o tendes ouvido e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus,
22 — que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano,
23 — e vos renoveis no espírito do vosso sentido,
24 — e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade.

HINOS SUGERIDOS

5, 390 e 432 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Mostrar como se dá a formação do caráter cristão.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Reconhecer o caráter na realidade do homem;
II. Mostrar como se deu a deformação do caráter humano;
III. Explicar a redenção do caráter humano.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado professor, neste trimestre teremos a oportunidade ímpar de estudar a respeito da formação do caráter cristão. Você tem evidenciado Cristo mediante suas ações e palavras? Então, não terá dificuldade alguma em trabalhar com os temas das lições. O comentarista do trimestre é o pastor Elinaldo Renovato de Lima, autor de diversos livros e líder da Assembleia de Deus em Parnamirim, RN. Que mediante o estudo de cada lição, você e seus alunos e possam evidenciar os valores do Reino em meio a uma geração que tem rejeitado os princípios divinos.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, teremos a oportunidade ímpar de estudar a respeito do caráter. Todo ser humano tem caráter, seja ele bom, seja ele mau, exemplar, ímpio ou santo. Deus criou o homem bom e perfeito, mas o pecado maculou o seu caráter. Por isso, todos necessitam de uma transformação espiritual e moral. Veremos que somente o Deus de toda a perfeição, mediante o Filho, pode transformar o caráter de uma pessoa.


PONTO CENTRAL

Quando, pela fé, recebemos Jesus, o Espírito Santo transforma nosso caráter.


I. O CARÁTER NA REALIDADE DO HOMEM

1. O que é caráter? Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é “o conjunto das qualidades (boas ou más) de um indivíduo, e que lhe determinam a conduta e a concepção moral”. O caráter é a característica responsável pela ação, reação e expressão máxima da personalidade. É a maneira de cada pessoa agir e expressar-se. Tem a ver com os princípios, valores e ética de cada um.
2. Personalidade e caráter. A personalidade pode ser definida como sendo a qualidade do que é pessoal. Ela é a nossa maneira de ser, ou seja, aquilo que nos distingue de outra pessoa. O caráter não é herdado. Ele é construído mediante a formação que recebemos. Por isso, a Palavra de Deus adverte: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se esquecerá dele” (Pv 22.6).



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Deus criou o homem provido de caráter.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

Inicie o tópico fazendo a seguinte pergunta: “O que é caráter?”; “Existe pessoa sem caráter?”. Ouça os alunos com atenção. Incentive a participação de todos. Diga que caráter significa marca, sinal de distinção. Em seguida leia e comente com eles a definição de caráter apresentada na seção Conheça Mais, a seguir.

CONHEÇA MAIS



“Caráter moral
[Do lat. Character e do gr. kharacktér, marca, sinal de distinção.] Natureza básica do ser humano que o torna responsável por seus atos tanto diante de Deus como diante de seus semelhantes. O caráter moral tem como ressonância elementar a consciência que, como a voz secreta que temos na alma, aprova ou reprova nossas ações”. Para conhecer mais leia, Dicionário Teológico, Claudionor de Andrade, CPAD, p.75.



II. A DEFORMAÇÃO DO CARÁTER HUMANO

1. A Queda e o caráter humano. Deus fez o homem perfeito, em termos espirituais, morais e físicos. No ato divino da Criação, Ele disse: “Façamos o homem à nossa imagem” (Gn 1.26). Fomos criados à “imagem” e “semelhança” do Criador, logo não podemos nos esquecer que refletimos a glória divina. Se tivermos um caráter santo, Deus será louvado por intermédio de nossas ações.
2. Imagem e semelhança de Deus. O homem era, no seu estado original, uma imagem, ou representação perfeita de Deus. Adão e Eva possuíam atributos morais tais como amor, justiça, santidade, retidão. Tudo à semelhança de Deus. Não resta dúvida de que, ao criar o homem à sua “imagem”, e conforme a sua “semelhança”, Deus imprimiu nele as marcas de sua personalidade santa, amorosa e justa.
3. A deformação do caráter humano. O homem foi criado perfeito em toda a sua constituição: espírito, alma e corpo (1Ts 5.23). Porém, quando o homem deu lugar ao Diabo, e desobedeceu a Deus, caiu da graça divina. A Queda levou-nos a perder a semelhança moral com o Criador. Observe as consequências do pecado:
a) No relacionamento com Deus. O pecado desfigurou o homem, cortando a ligação direta com seu Deus: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). O pecado passou a todos os homens (Rm 5.12; Sl 51.5). As repercussões e o alcance desse fato terrível, de natureza espiritual, têm sido sentidos ao longo da história. O pecado distanciou o homem de Deus e o levou a criar seus próprios deuses segundo suas malignas concupiscências, para agradar ao príncipe deste mundo. Toda religião que não tem Deus como o Criador, e Jesus Cristo, seu Filho, como Salvador, é instrumento do Diabo para afastar o homem de Deus.
b) No relacionamento humano. Quando Deus perguntou a Adão se ele havia comido do fruto da árvore proibida, este não assumiu a culpa, mas procurou justificar seu erro, acusando a esposa. Quando Deus questionou Eva a respeito dos seus atos, ela transferiu a culpa para a serpente (Gn 3.9-13). O relacionamento de Adão e Eva foi afetado pelo pecado, culpa e medo.
Não demorou muito, e ali, no Éden, houve um confronto entre o caráter mau, de Caim, e o caráter justo, de Abel. Caim matou seu irmão, Abel (Gn 4.8). Lameque matou um homem adulto e um jovem (Gn 4.23). A morte e a corrupção se espalharam com o passar dos séculos. O juízo de Deus foi enviado no seu tempo, através do Dilúvio (Gn 6-8).
c) No relacionamento com a natureza. “E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gn 2.15). Além de cuidar do jardim, o homem teria o domínio da Terra, com autoridade delegada pelo Criador sobre todos os animais (Gn 1.28). Mas, usando mal o seu livre-arbítrio, o ser humano fracassou em cuidar de si mesmo e do planeta. E tem poluído o ar, o solo, as águas e todo o ambiente natural. Mas Deus destruirá os que destroem a Terra (Ap 11.18).



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

A deformação do caráter humano veio com a Queda.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A Queda
O primeiro pecado da humanidade abrangeu todos os demais pecados: a afronta e desobediência a Deus, o orgulho, a incredulidade, desejos errados, o desviar outras pessoas, assassinato em massa da posteridade e a submissão voluntária ao Diabo. As consequências imediatas foram numerosas, extensivas e irônicas. O relacionamento entre Deus e os homens, de franca comunhão, amor, confiança e segurança, foi trocado por isolamento, autodefesa, culpa e banimento. Adão e Eva bem como o relacionamento entre eles, entram em degeneração. A intimidade e a inocência cederam lugar à acusação. Seu desejo rebelde pela independência resultou em dores de parto, labuta e morte. Seus olhos realmente foram abertos, e eles conheceram o bem e o mal, mas era pesado esse conhecimento sem o equilíbrio de outros atributos divinos, como o amor, a sabedoria e o conhecimento. A criação, confiada aos cuidados de Adão, foi amaldiçoada, gemendo pela libertação dos resultados da infidelidade dele.
Por estar a natureza humana tão deteriorada pela Queda, pessoa alguma tem a capacidade de fazer o que é espiritualmente bom sem a ajuda graciosa de Deus. A esta condição chamamos corrupção total — ou depravação — da natureza” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, p.268).



III. A REDENÇÃO DO CARÁTER HUMANO

1. Novo nascimento, transformação do caráter. Jesus veio ao mundo para salvar o homem da tragédia do pecado e aproximá-lo novamente de Deus (Jo 3.16). A salvação é um dom divino. Ela é fruto da graça divina. Pela fé em Jesus o homem recebe a salvação e se torna uma nova criatura, completamente transformada: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). O caráter daqueles que, pela fé, nasceram de novo, é poderosamente transformado pelo poder do Espírito Santo.
2. A Palavra de Deus muda o caráter. A salvação não é apenas uma mudança de religião, mas envolve regeneração (Jo 3.3,7), justificação (Rm 3.24; 5.1,9; 1Co 6.11) e santificação (Hb 12.14; 1Ts 5.23). No processo de santificação, vamos sendo transformados pela Palavra de Deus. As Escrituras têm o poder de transformar o homem, pois somente elas podem penetrar em seu interior: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12).
3. O caráter amoroso e santo do crente. O cristão tem como uma de suas características principais o amor a Deus e ao próximo (Mt 22.34-40). Quem não ama não conhece a Deus, ainda não teve seu caráter transformado e está em trevas (1Jo 2.9,11). Unida ao amor está à santificação, sem a qual ninguém poderá ver ao Senhor (Hb 12.14). Os que já experimentaram o novo nascimento devem viver de modo irrepreensível (1Ts 5.23).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Jesus Cristo veio ao mundo para a redenção do caráter humano.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A Redenção
A Bíblia também emprega a metáfora do resgate ou da redenção para descrever a obra salvífica de Cristo. O tema aparece muito mais frequentemente no Antigo Testamento que no Novo. O tema aparece muitas vezes no Antigo Testamento, referindo-se aos ritos da ‘redenção’ no tocante às pessoas ou aos bens. O próprio Javé é o Redentor do seu povo, e eles são os redimidos. O Senhor tomou medidas para redimir os primogênitos. Ele redimiu Israel do Egito e também os remirá do exílio. Às vezes Deus redime um indivíduo; ou um indivíduo ora, pedindo a redenção divina. Mas a obra divina na redenção é primeiramente moral no seu escopo. Em alguns textos bíblicos, a redenção claramente diz respeito aos assuntos morais. Salmos 130.8 diz: ‘Ele remirá a Israel de todas as suas iniquidades’. Isaías diz que somente os ‘remidos’, os ‘resgatados’, andarão pelo chamado ‘O Caminho Santo’ (Is 35.8-10). Diz ainda que a ‘filha de Sião’ será chamada ‘povo santo, os redimidos do Senhor’.
No Novo Testamento, Jesus é tanto o ‘Resgatador’ quanto o ‘resgate’; os pecadores são os ‘resgatados’. Ele declara que veio ‘para dar a sua vida em resgate [gr. lutron] de muitos’ (Mt 20.28; Mc 10.45). Era um ‘livramento [gr. apolutrósis]’ efetivado mediante a morte de Cristo, que libertou da ira retributiva de Deus e da penalidade merecida pelo pecado. Paulo liga nossa justificação e o perdão dos pecados à redenção que há em Cristo. Diz que Cristo ‘para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção’ (1Co 1.30). Diz também que Cristo ‘se deu a si mesmo em preço de redenção por todos’ (1Tm 2.6)” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, pp.356,357).



CONCLUSÃO

Nosso caráter reflete nossos princípios. Como novas criaturas, precisamos evidenciar os valores do Reino de Deus. O homem salvo e remido por Cristo Jesus tem as marcas do Salvador no seu ser e no seu comportamento.

PARA REFLETIR

A respeito da formação do caráter cristão, responda:

Defina caráter.
Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é “o conjunto das qualidades (boas ou más) de um indivíduo, e que lhe determinam a conduta e a concepção moral”.

Em termos espirituais e morais, como o homem e a mulher foram criados?
À “imagem” e “semelhança” do Criador.

O que o homem perdeu ao pecar?
Perdeu a semelhança moral com o Criador.

A salvação é por mérito humano ou é um dom de Deus?
A salvação é um dom de Deus.

O que acontece com nosso caráter quando aceitamos, pela fé, a Jesus como nosso Salvador?
É transformado e convertido pelo poder do Espírito Santo.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A formação do Caráter Cristão

Propósito do trimestre
A sociedade contemporânea sofre a ausência de referências éticas. Nas esferas públicas, parece não haver muitas pessoas de caráter ilibado, o que não significa ser uma verdade. Mas há ações sub-reptícias a reforçarem uma sensação de que a maioria das pessoas da esfera do poder é corrupta. Nessa perspectiva, a presente lição tem o objetivo de apresentar ao povo de Deus o testemunho das Sagradas Escrituras a respeito do caráter da diversas pessoas que o Senhor usou numa época e cultura específicas para manifestar sua vontade ao mundo. E, consequentemente, convidar a Igreja a refletir sobre o caráter e as virtudes do Reino de Deus na sociedade atual.
As Escrituras sagradas testemunham que a causa desse caos espiritual é a deformidade da natureza humana por intermédio do pecado original. No Jardim do Éden, o ser humano caiu. Embora a imagem de Deus tenha permanecido nele, o caráter e a personalidade deo ser humano foram bastante degradados.

Sobre o conceito de caráter
Segundo a psicóloga Ana Lúcia Santana, o caráter é um traço da personalidade. Enquanto esta, de acordo com o Dicionário Houaiss, é a “qualidade ou condição de ser uma pessoa”, determinada por “um conjunto de qualidades que define a individualidade de uma pessoa moral”; aquele que diz respeito ao modo de agir do indivíduo, seu temperamento, os aspectos bons ou maus que expõem o seu comportamento e valores particulares. Logo, o caráter é o resultado de um processo que se inicia desde a mais tenra idade, perpassa a infância, a adolescência, a juventude e, assim, estabelece a maturidade na vida adulta. De modo que o convívio com a família, a igreja local, a escola e a sociedade torna-se a plataforma para a formação do caráter humano.

A formação do caráter cristão
O cristão, ou melhor, o discípulo de Jesus é uma pessoa que teve um encontro com Cristo. A partir desse encontro, de degradado, o caráter do outrora pecador sofre um processo de metanoia, ou seja, uma transformação radical no modo de pensar e agir. Nesse sentido, as Escrituras Sagradas são uma fonte donde brota exemplos preciosos de pessoas comuns que tiveram o caráter transformado por Deus quando do processo desse encontro pessoal com o Pai Celestial.
É uma experiência maravilhosa adentrarmos às páginas sagradas a fim de contemplarmos a beleza da formação do caráter cristão. Bom trimestre!


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS  
2º Trimestre de 2017 
Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato 
Lição 2: Abel, exemplo de caráter que agrada a Deus
Data: 9 de Abril de 2017 
TEXTO ÁUREO 
“Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala” (Hb 11.4). 
VERDADE PRÁTICA 
O cristão deve viver de forma que agrade a Deus, ainda que sofra por causa disso. 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Gn 4.1,2
Abel, o segundo filho de Adão e Eva 
Terça — Gn 4.2
Abel, o primeiro pastor de ovelhas
Quarta — Hb 11.4
Abel, um caráter de fé viva 
Quinta — Mt 23.35
Abel, um caráter justo e santo 
Sexta — Gn 4.4
Abel, um caráter liberal para ofertar 
Sábado — Gn 4.8
Abel, morto por seu próprio irmão 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Gênesis 4.8-16.

8 — E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou.
9 — E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?
10 — E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.
11 — E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão.
12 — Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e errante serás na terra.
13 — Então, disse Caim ao SENHOR: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada.
14 — Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará.
15 — O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto, qualquer que matar a Caim sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.
16 — E saiu Caim de diante da face do SENHOR e habitou na terra de Node, da banda do oriente do Éden.

HINOS SUGERIDOS

75, 400 e 440 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Apresentar Abel como exemplo de caráter que agrade a Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Reconhecer o valor da oferta de Abel;
II. Mostrar a injustiça de Caim contra Abel;
III. Explicar porque Abel foi um homem que agradou a Deus.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Abel tinha um caráter justo, oposto ao do seu irmão Caim. Adão e Eva devem ter dado a mesma educação aos dois filhos, todavia o ensino dos pais não foi e não é suficiente para moldar o caráter dos filhos. O ensino e o exemplo dos pais são importantes para a formação de um caráter saudável, mas somente Jesus pode transformar o verdadeiro eu, a nossa natureza adâmica. Caim tinha um coração mau, dominado pelo ódio e pela inveja, por isso, teve o seu sacrifício rejeitado. Deus não olhou e não olha para a oferta em si, porque o mais importante é o coração, o caráter do ofertante. Por isso, Jesus declarou: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta” (Mt 5.23,24). Jamais poderemos comprar a Deus ou impressioná-lo com as nossas ofertas, pois tudo que existe nos céus e na Terra pertence a Ele. O Senhor não deseja apenas a nossa oferta, Ele almeja ser o primeiro em nossos corações. Somente quando Ele tem o primeiro lugar pode-nos transformar e fazer de nós pessoas melhores, cujo caráter revele a sua glória.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o caráter de Abel, o segundo filho de Adão e Eva. Abel nasceu depois da Queda e, com certeza, conhecia a vontade de Deus para a humanidade. Veremos que Abel tinha um caráter espiritual e digno. Conduzia-se de modo correto, demonstrando ter um relacionamento saudável com Deus e um coração bondoso, por isso, sua oferta foi aceita pelo Senhor.


PONTO CENTRAL

Abel é um exemplo de caráter justo que agrade a Deus.


I. A OFERTA DE ABEL

1. Uma oferta agradável a Deus. Deus não atenta para o valor da oferta, mas para o coração do ofertante, sua real intenção. A oferta de Abel foi aceita pelo Senhor porque seu coração era sincero e cheio de amor. Suas obras eram justas (Hb 11.4). Ele era um homem íntegro e fiel. Deus dá muito valor à integridade do coração, por isso, Ele elogiou Jó perante Satanás, dizendo: “[...] Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal” (Jó 1.8). A oferta só tem valor quando expressa o que está no íntimo de quem a oferece. A oferta de Abel foi agradável porque ele adorava a Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4.24).
2. Uma oferta profética. Talvez a oferta de Abel tenha sido o primeiro sacrifício de animal a ser oferecido a Deus em forma de gratidão ao Senhor. Abel sentiu o desejo de oferecer o que tinha de melhor de seu trabalho em gratidão a Deus. A morte do cordeiro ou de uma ovelha, dos primogênitos do rebanho de Abel, sem dúvida prefigurava o sacrifício de Cristo, que se ofereceu a si mesmo imaculado em nosso lugar (Hb 9.14), como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
3. Uma oferta valiosa. Abel adorou a Deus oferecendo o melhor de seu rebanho. Ele não ofereceu um sacrifício qualquer, mas dentre os primogênitos do seu rebanho: “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta” (Gn 4.4). Notemos que Deus atentou primeiro “para Abel” e, depois, “para a sua oferta”. “Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala” (Hb 11.4). Foi tão grande o valor da oferta de Abel que “por ela, depois de morto, ainda fala”! Jesus deu testemunho de Abel, considerando-o “o justo” (Mt 23.35). Tal declaração, feita por Jesus, demonstra quão elevado era o caráter santo de Abel. Somente o sangue de Cristo foi considerado o que “fala melhor que o de Abel” (Hb 12.24).



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Deus se agradou da oferta de Abel.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A história dos primeiros dois rapazes nascidos a Adão e Eva realça as repercussões do pecado dentro da unidade familiar. Caim e Abel tinham temperamentos notavelmente opostos. Caim gostava de trabalhar com plantas. Abel gostava de estar com animais. Ambos tinham uma disposição de espírito religioso.
Os filhos de Adão levaram sacrifícios ao Senhor, o primeiro incidente sacrificial registrado na Bíblia. Que Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da gordura não quer dizer necessariamente que animais são superiores a plantas para propósitos sacrificiais. Por que atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta fica evidente à medida que a história se desenrola. A primeira pista aparece quase imediatamente. Caim não suportava que algum outro ficasse em primeiro lugar. A preferência do Senhor por Abel encheu Caim de raiva. Só Caim podia ser o ‘número um’.
O Senhor não estava ausente na hora da adoração. Ele abordou Caim e lhe deu um aviso. Deus não o condenou diretamente, mas por meio de um jogo de palavras informou Caim que ele estava em real perigo. Em hebraico, a palavra aceitação é, literalmente, levantamento, e está em contraste com descaiu. Um olhar abatido não é companhia adequada de uma consciência pura ou de uma ação correta. O ímpeto das perguntas de Deus era levar Caim à introspecção e ao arrependimento” (Comentário Bíblico Beacon. 1ª Edição. Volume I. RJ: CPAD, 2005, p.43).



II. A INJUSTIÇA CONTRA ABEL

1. Abel era um homem justo. “Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo” (Hb 11.4; Mt 23.35). Em toda a sua vida, demonstrou ser homem de bem, que andava em retidão, de caráter ilibado e reconhecido por Deus. Abel representa a parte da humanidade que se volta para Deus, e é formada de homens justos. Caim representa a parte má da humanidade, que dá as costas para Deus e busca os seus próprios interesses. Abel era justo, e morreu injustamente por permissão de Deus.
2. Abel, o primeiro mártir. Abel foi o primeiro pastor de ovelhas; o primeiro a oferecer sacrifício de animais no culto a Deus; foi o primeiro homem justo e também o primeiro mártir. Sua morte foi a primeira em consequência do pecado dos seus pais. O primeiro homem a ser morto por seu próprio irmão. Ele foi o primeiro a entrar para a galeria dos mártires por causa de sua fé e também o primeiro a ter seu nome registrado na galeria dos heróis da fé (Hb 11.4). Jesus foi morto por inveja: “Porque ele bem sabia que, por inveja, os principais dos sacerdotes o tinham entregado” (Mc 15.10). Da mesma forma que Jesus, Abel foi morto por inveja. Seu irmão ficou irado pelo fato de Deus ter aceitado a oferta de Abel. Tomado de ódio, assassinou friamente o seu irmão, sem lhe dar chance de defesa. Hoje, seu crime seria considerado homicídio qualificado, com dolo, por motivo torpe.
3. O sangue de Abel. Quando Caim matou Abel, o enterrou para não ter seu crime descoberto. Mas, para Deus que tudo vê (Gn 16.13), nada pode ficar em oculto. Jesus disse: “Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto” (Mc 4.22). Ao longo da história crimes foram cometidos em oculto. Mas, no Juízo Final, os “Cains” de todos os tempos serão confrontados pelo Supremo Juiz do Universo. “E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?” (Gn 4.9). Caim teve a audácia de mentir diante de Deus e ainda de o afrontar sobre a guarda do irmão. Mas o Criador o inquiriu gravemente e declarou a sentença de juízo e maldição contra o criminoso: “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra” (Gn 4.10). Onde houve um crime de morte, um assassinato, o sangue clama. Clama por justiça. O sangue de Abel clamava por justiça e por vingança, diferente do sangue de Cristo, que clamava por perdão.



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

É através de suas ações que o cristão evidencia o caráter de Cristo em sua vida.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, reproduza o quadro abaixo. Utilize-o para ressaltar as características de Abel e as lições que podemos extrair de sua vida e conduta. Mostre que embora os dois irmãos tenham tido a mesma criação, o coração de Caim era mau. A educação dos pais é importante para a formação do caráter cristão, mas não é fator determinante, pois temos livre-arbítrio para fazermos escolhas, ainda que erradas, como fez Caim.





III. UM HOMEM QUE AGRADOU A DEUS

1. Abel soube agradar a Deus. Certamente, Adão e Eva criaram seus filhos, na perspectiva de serem servos de Deus. Eles tiveram não só Caim e Abel, mas muitos filhos e filhas (Gn 5.1-5). O episódio envolvendo Caim e Abel é o mais destacado, na história de Adão depois da Queda.
2. Abel, buscou a Deus. O relato bíblico nos autoriza dizer que Abel buscou a Deus com mais afinco e amor. E entendeu que seu sacrifício deveria ser do melhor do que possuía. Que Deus nos guarde, e nos dê sabedoria e amor para oferecermos sempre “sacrifício de louvor” (Sl 50.14). Um louvor que custe devoção, sinceridade, santidade, no altar da adoração a Deus.
3. Caim agradou ao Diabo. Seu caráter foi deformado porque ele deu lugar ao Diabo. Encheu-se de inveja, quando percebeu que Deus aceitara o sacrifício do irmão e não o seu. A inveja é tão prejudicial que provoca “podridão dos ossos” (Pv 14.30). A ira, por sua vez, é um sentimento carnal que se transforma em ódio, agressão e crime. É um sentimento perigoso e destrutivo: “Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo” (Jó 5.2). Ao invés de buscar a Deus, Caim deu lugar ao maligno. “Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1Jo 3.12).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Abel foi um homem que agradou a Deus.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Abel
Toda criança que conhece a Bíblia e todo adulto que já entrou pelas portas de uma igreja sabe o nome desse segundo filho. Ele é o primeiro inocente a sofrer, um jovem cuja vida foi extinta pela explosão de ciúmes de seu próprio irmão. Exatamente porque Deus preferiu a oferta de Abel é um mistério para nós, mas não para eles. Eles sabiam. O mundo primitivo não era entremeado de barulho e distração; a vontade de Deus devia ser clara como cristal. A vontade de Deus para nós hoje é clara o suficiente também. Nós sabemos que o serviço amoroso é a peça central, que ambição e orgulho são corruptores. Sabemos que ‘do nosso jeito ou de nenhum outro’ ofende a Deus. Sabemos que Deus requer nossa devoção, não importa o custo” (365 Mensagens inspiradas em personagens da Bíblia. 12ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.5.

CONHEÇA MAIS



Abel
“Ele tornou-se o modelo de um mártir que sofre por sua fé (Mt 23.35). Foi honrado por Jesus e aparece na galeria dos heróis da fé (Hb 11.4). Embora sua oferenda fosse superior à de Caim, era inferior à de Jesus Cristo (Hb 12.24). Pode ser dito a respeito dele que foi o primeiro pastor, o primeiro homem justo. Ele foi vítima da mesma espécie de ciúme insano que tirou a vida de Jesus.
Abel, ‘pardo’ é um termo que compõe vários outros nomes de lugares, como, por exemplo, Abel-maim”. Para conhecer mais leia, Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.3.



CONCLUSÃO

A humanidade começou mal, com a desobediência dos primeiros habitantes da Terra. Adão pecou, pois desobedeceu a Deus dando ouvidos ao Diabo. Toda a tragédia humana decorre daquele gesto de desobediência. Caim, o primogênito, preferiu desobedecer ao Criador. Seu irmão, Abel, pelo contrário, optou dedicar-se a adorar a Deus, oferecendo o melhor do seu trabalho.

PARA REFLETIR

A respeito de Abel, exemplo de caráter que agrada a Deus, responda:

Por que Caim matou Abel?
“Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas”.

Deus se importa com o valor da oferta?
Não. Ele olha para o coração do ofertante.

Quando a oferta tem valor diante de Deus?
Quando expressa o que está no íntimo de quem a oferece.

Que parte da humanidade Abel representa?
A parte da humanidade que se volta para Deus.

Que parte da humanidade Caim representa?
A parte má da humanidade que dá as costas para Deus.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Abel, exemplo de caráter que agrada a Deus

A importância da narrativa de Caim e Abel
A narrativa sobre os dois irmãos, Caim e Abel, filhos de Adão e Eva, é uma das mais famosas e inquietantes histórias da Bíblia. Tão importante que teve uma impressionante versão moderna na literatura de ficção. A obra Abel Sanches — Uma História de Paixão, do filósofo, romancista, ensaísta e dramaturgo espanhol Miguel de Unamuno, retratou a experiência humana moderna retomando o fratricídio entre as duas personagens bíblicas que inauguraram o primeiro homicídio da história da humanidade. É uma trama que põe em xeque a natureza humana dominada pela inveja, que por intermédio do contorno trágico dessa grande história, revela a primeira injustiça praticada pelo gênero humano após a Queda. Caim e Abel saíram das páginas da Bíblia para o mundo, pois apesar dos milênios, continua sendo a história contemporânea da natureza humana dominada pelo pecado e tecida de maneira nua e crua.
Abel é a antítese da injustiça de Caim
O capítulo 4 de Gênesis revela que o objeto desse trágico acontecimento foi uma oferta. Evidente que a atenção do autor sagrado não se volta meramente para o objeto, mas à intenção das pessoas que portam o objeto e o apresentam a Deus (Gn 4.7). Segundo o relato das Escrituras, a oferta de Caim foi trazida como fruto da terra, isto é, oferta de grãos; a de Abel, das primícias dos animais, ou seja, oferta de sangue. Há quem pense que Deus rejeitou a oferta de Caim por ela ter sido de grãos e não de sangue. Tal interpretação não há fundamentação bíblica, a não ser por mera indução. Parece-nos que a nota explicativa do teólogo Donald Stamps, Editor Geral da Bíblia de Estudo Pentecostal, é permeada de melhor senso: “O Senhor aceitou a oferta de Abel, porque este compareceu diante dEle com fé genuína e consagração (Hb 11.4; 1Jo 3.12; Jo 4.23,24). A oferta de Caim foi rejeitada porque ele estava destituído de fé sincera e obediente, e porque as suas obras eram más (vv.6,7; 1Jo 3.12)”. Corrobora com essa assertiva o teólogo pentecostal J. Wesley Adams, quando ele escreve: “[...] o sacrifício de Abel era uma expressão de adoração que envolvia toda a sua vida e fé. Apresentou toda a sua fé a Deus; não manteve qualquer reserva”. Diferentemente, Caim não era justo. Deus disse que se ele fizesse o que era certo a sua oferta seria aceita (Gn 4.3-7). Portanto, Caim foi devorado pela inveja, pelo ódio e pela injustiça.

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS 
2º Trimestre de 2017 
Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato
Lição 3: Melquisedeque, o Rei de Justiça
Data: 16 de Abril de 2017
TEXTO ÁUREO 
“Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7.17). 
VERDADE PRÁTICA 
O sacerdócio de Cristo é superior a todos os sacerdócios, pois Ele é o Sumo Sacerdote perfeito e eterno. 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — 1Tm 2.5
Jesus, único mediador entre Deus e os homens 
Terça — Hb 2.17
Sumo Sacerdote misericordioso e fiel 
Quarta — Hb 3.1
Jesus, apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão
Quinta — Hb 6.20
Jesus, Sacerdote Eterno 
Sexta — Hb 9.11
Jesus, Sumo Sacerdote dos bens futuros
Sábado — Hb 5.10
Jesus, chamado por Deus Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Gênesis 14.18-20; Hebreus 7.1-7,17.

Gênesis 14
18 — E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo.
19 — E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;
20 — e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo.

Hebreus 7
1 — Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;
2 — a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz;
3 — sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
4 — Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.
5 — E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham descendido de Abraão.
6 — Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles tomou dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas.
7 — Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior.
17 — Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.

HINOS SUGERIDOS

85, 122 e 505 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Apresentar lições do perfil de Melquesideque como rei de justiça.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Explicar quem era Melquisedeque;
II. Mostrar lições do caráter de Melquisedeque;
III. Refletir a respeito do sacerdócio de Melquisedeque.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado professor, animado para o preparo de mais uma lição? Não deixe de fazer o seu plano de aula logo no início da semana. O plano de aula tem como objetivo orientar suas ações, contribuindo para uma aula mais didática e protutiva. Na lição de hoje, estudaremos a respeito do caráter de Melquisedeque como rei de justiça. Não sabemos muito a respeito da sua história, mas os relatos bíblicos que temos são suficientes para extrair importantes lições a respeito do seu perfil justo e santo. Melquisedeque era rei de Salém, que mais tarde veio a se tornar Jerusalém. Ele é um tipo de Cristo. Não era apenas rei, mas também um sacerdote. Seu nome significa “rei da paz”. Abraão recebeu a bênção de Melquisedeque, e esse fato demonstra que o patriarca reconheceu a autoridade sacerdotal deste servo de Deus (Gn 14.18,19). Abraão não somente aceitou sua bênção, mas lhe deu o dízimo de tudo.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Melquisedeque é um personagem enigmático na história bíblica. Mas ele foi um verdadeiro adorador, no meio de uma gente idólatra e corrompida. Exerceu o papel de rei e sacerdote, sem fazer parte da linhagem de Israel. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Sua ordem sacerdotal, com aspectos peculiares, tornou-se um tipo do sacerdócio de Cristo, que em tudo, é superior a todas as ordens sacerdotais.


PONTO CENTRAL

Melquisedeque foi um sacerdote santo no meio de uma geração corrompida.


I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE

1. Um personagem misterioso. Melquisedeque surge no cenário histórico da Bíblia de forma inesperada e até misteriosa. Ele é citado poucas vezes no texto bíblico, o que o torna mais enigmático. Seu nome, no hebraico, é malkisedeq, ou “rei de justiça” ou “meu rei é justo”. O relato de Gênesis 14, informa que ele era “Rei de Salém” (Rei de Paz), um rei-sacerdote cananeu. O autor aos Hebreus diz que ele era “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” (Hb 7.3).
2. Onde ele aparece na Bíblia. Melquisedeque aparece na história bíblica quando Abrão retornou de uma jornada arriscada, na qual salvara seu sobrinho, Ló, que havia sido levado preso com toda a sua família, quando os reis de Sodoma e Gomorra, onde o patriarca habitava, foram derrotados por uma confederação de quatro reis, liderados por Quedorlaomer, rei de Elão (Gn 14.1-13). Foi a primeira guerra registrada na Bíblia. Abraão foi à guerra com 318 criados, nascidos em sua casa, derrotou os invasores e libertou Ló e sua família.
3. Características de Melquisedeque. Ele tinha qualidades especiais. Sua atitude generosa demonstra que reconheceu que uma vitória tão grande, com um número menor de combatentes, só poderia ser resultado da bênção de Deus sobre Abrão.
a) Ele era rei de Salém. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho [...]” (Gn 14.18).
b) Ele “era sacerdote do Deus Altíssimo” — El Elyon — (Gn 14.18b); segundo Gardner, “Melquisedeque conhecia a Deus por meio de uma tradição que se espalhou após o Dilúvio ou devido a uma revelação sobrenatural. Percebeu que Abraão servia ao mesmo Deus”. O certo é que ele cria em Deus e o servia, pois era sacerdote “do Deus Altíssimo”.
c) Ele abençoou Abrão. Como sacerdote, ele abençoou Abrão. “E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos [...]” (Gn 14.19,20a).
d) Abrão deu o dízimo a Melquisedeque. “E deu-lhe o dízimo de tudo” (Gn 14.20b). Aqui, vê-se a primeira referência bíblica acerca do dízimo. Séculos antes da Lei, que incluiu o dízimo como preceito obrigatório para Israel (Nm 18.21,24; Dt 14.23; Ml 3.10). Abrão entendeu que, tendo sido abençoado pelo sacerdote do Deus Altíssimo, deveria ser grato a Deus pela bênção da vitória. O dízimo é mais uma gratidão do que uma obrigação.



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Melquisedeque era Rei de Salém e um tipo de Cristo.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Em hebraico malkisedeq ou ‘rei da justiça’, é mencionado em Gênesis 14.18; Salmo 110.4; Hebreus 5.6,10; 6.20; 7.1,10,11,15,17. No livro de Gênesis ele é um rei-sacerdote cananeu de Salém (Jerusalém) que abençoou Abraão quando este retornou depois de salvar Ló, e a quem Abraão pagou o dízimo do espólio da batalha. Devido ao mistério que cerca seu repentino aparecimento no cenário da história, e seu igualmente repentino desaparecimento, ele tem sido identificado com um anjo, com o Espírito Santo, com o Senhor Jesus Cristo, com Enoque. Quanto à religião, ele era ‘sacerdote do Deus Altíssimo’” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.1247).

CONHEÇA MAIS



Rei de Salém
“Melquisedeque (que significa ‘rei de justiça’) era tanto ‘rei de Salém’ (possivelmente a Jerusalém primitiva), como ‘sacerdote do Deus Altíssimo’. Ele servia o único Deus verdadeiro, assim como Abrão. Melquisedeque era cananeu e, portanto, como Jó, é um exemplo de não-israelita, servo de Deus. Melquisedeque é um tipo ou uma figura da realeza e sacerdócio eternos de Jesus Cristo”. Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.54.



II. LIÇÕES DO CARÁTER DE MELQUISEDEQUE

1. Um caráter justo. “Rei de justiça”. É a tradução primeira de seu nome. Melquisedeque se destacou por ser um homem justo e praticante da justiça. Seu nome identifica-se com o seu caráter. Suas atitudes decorriam de seu caráter ilibado e santo. Daí, a sua grandeza moral e espiritual. A Bíblia diz sobre ele: “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos” (Hb 7.4).
2. Um caráter pacífico. O texto citado diz que, além de ser “rei de justiça”, Melquisedeque também era “rei de Salém, que é rei de paz” (Hb 7.2c). Ele era “sacerdote do Deus Altíssimo” (El elyon), e também rei de uma cidade chamada Salém. Certamente Melquisedeque era um homem pacífico e também reinava sobre uma cidade cujo nome significa “Paz”. Nós, cristãos, temos o dever moral e espiritual de sermos promotores da paz, primeiro, em nosso lar; depois, no ambiente da igreja, no relacionamento fraternal, ministerial e eclesiástico, e também para com as pessoas de fora do nosso ambiente.



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Melquisedeque foi um homem justo e santo.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, reproduza o quadro abaixo. Utilize-o para ressaltar as características de Melquisedeque e as lições que podemos extrair de sua vida e conduta. Mostre que, embora ele fosse um homem santo e justo, o sacerdócio de Cristo foi superior ao dele.





III. SEGUNDO A ORDEM DE MELQUISEDEQUE

1. Um novo sacerdócio. No livro de Hebreus, vê-se que houve necessidade de mudança do sacerdócio levítico por outro que lhe era superior. “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?” (Hb 7.11). Dessa forma, nós os cristãos, estamos debaixo do sacerdócio de Cristo, no qual, todos somos considerados sacerdotes reais com missão muito elevada (1Pe 2.9). Por isso, em nosso comportamento, devemos nos conduzir de maneira que o nome do Senhor seja glorificado.
2. Jesus Cristo, o sacerdócio perfeito. Esse “outro sacerdote”, que seria levantado, é nosso Senhor Jesus Cristo, de quem foi dito: “Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). Era uma mensagem profética e messiânica, que apontava para Cristo, através de Davi. Essa “ordem de Melquisedeque” não era reconhecida pelos judeus, que só aceitavam e reconheciam a “ordem de Arão” ou “levítica”. Em Hebreus, o autor se refere à mensagem profética de Davi sobre Cristo, dizendo: “Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei. Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5.5,6).
3. A ordem de Melquisedeque. A expressão “segundo a ordem de Melquisedeque” é tipológica (Hb 7.15). Jesus não pertencia à tribo de Levi. Por isso, não seria consagrado sacerdote de acordo com a Lei. Ele pertencia à tribo de Judá. “Porque aquele de quem essas coisas se dizem pertence a outra tribo da qual ninguém serviu ao altar, visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio” (Hb 7.13,14). Mas o sacerdócio de Cristo é superior ao de Arão (Hb 5.6; 7.7); era um sacerdócio eterno (Hb 5.6); com tais características, Jesus é superior a Levi, a Arão, a Abraão e a todos os seus descendentes levitas (Hb 7.6-10).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Jesus foi sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Quem foi Melquisedeque
Certamente tratava-se de um homem temente a Deus, pois seu nome significa ‘rei justo’, e ‘rei de Salém’ significa ‘rei da paz’. Melquisedeque foi chamado de ‘sacerdote do Deus altíssimo’ (Hb 7.12). Ele reconhecia que Deus era o Criador dos céus e da terra. O que mais se sabe sobre ele? Quatro principais teorias foram sugeridas: (1) Melquisedeque era respeitado como rei da região. Abrão apenas demonstrou-lhe o respeito devido; (2) O nome Melquisedeque poderia ser um título dado a todos os reis de Salém; (3) Melquisedeque era um tipo de Cristo (Hb 7.3). Um tipo é um acontecimento ou ensinamento do Antigo Testamento tão aproximadamente relacionado às realizações de Jesus que ilustra uma lição sobre Cristo; (4) Melquisedeque era o aspecto terreno da pré-encarnação de Cristo em uma forma corpórea temporária” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.14).



CONCLUSÃO

A Bíblia registra a história de homens que tiveram papel importante na história. Melquisedeque foi um desses personagens. Apareceu de forma inesperada e desapareceu da mesma forma. Porém seu sacerdócio tornou-se tipo do sacerdócio de Cristo, santo, perfeito e eterno. Melquisedeque morreu, ainda que não se saiba quando e como. Cristo também morreu, mas ao terceiro dia ressuscitou e vive eternamente. “Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7.17).

PARA REFLETIR

A respeito de Melquisedeque, o rei de justiça, responda:

Quando Melquisedeque aparece na história bíblica?
Quando Abrão retornou de uma jornada arriscada, em que salvou seu sobrinho.

Que funções Melquisedeque exercia?
Ele era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo.

Por que Abrão deu o dízimo a Melquisedeque?
Porque entendeu que, tendo sido abençoado pelo sacerdote do Deus Altíssimo, deveria ser grato a Deus pela bênção da vitória.

Como Melquisedeque demonstrou que era servo de Deus?
No seu encontro com Abrão, ao dizer: “... Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos...” (Gn 14.19,20 a).

Por que o sacerdócio de Cristo é superior ao de Melquisedeque?
Por ser um sacerdócio perfeito e eterno.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Melquisedeque — o Rei de Justiça

Prezado professor, para esta lição é importantíssimo estudar com muito cuidado e zelo o capítulo 7 do livro de Hebreus. Mas considerando atenciosamente Hebreus 5.6,10; 6.20; Gênesis 14.18-20 e Salmos 110.4. A partir da leitura atenta desses textos, procure responder as seguintes questões: (1) Qual foi o motivo de o autor aos Hebreus fundamentar o sacerdócio de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque? (2) Qual reflexão se pode fazer de acordo com a seguinte oposição: o sacerdócio judaico estava fundamentado segundo a ordem de Arão X o sacerdócio de Cristo está fundamentado segundo a ordem de Melquisedeque?
O sacerdócio segundo a ordem de Arão.
Para todo bom leitor da Bíblia, a sucessão sacerdotal dos judeus é óbvia. O Sumo Sacerdote devia ser levita, isto é, da tribo de Levi, e da linhagem de Arão (o primeiro Sumo Sacerdote de Israel). Assim, a máxima função sacerdotal derivaria da casa de Arão. Este é a grande figura que marca historicamente o sacerdócio levítico conforme evoca o capítulo 7 de Hebreus. O sumo sacerdócio de Israel foi estabelecido segundo a ordem de Arão.
O sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque
O Senhor Jesus Cristo não era da tribo de Levi, mas de Judá. Do ponto de vista histórico, não haveria a possibilidade de o nosso Senhor ser reconhecido como Sumo Sacerdote segundo os fundamentos judaicos. Mas Ele é o Deus encarnado, logo, o Messias é atemporal e sem limitação geográfica.
Antes de Arão nascer, um Sumo Sacerdote, que não era judeu, que havia recebido a revelação de Deus, que apresentara sacrifícios ao Altíssimo, recebeu os dízimos de Abraão. Seu nome, Melquisedeque. Em Abraão, o sacerdócio de Levi, que deveria receber os dízimos dos judeus, entregou-os ao Sumo Sacerdote “sem pai, sem mãe”, “sem genealogia”, “não tendo princípios de dias nem fim de vida”, “feito semelhante ao Filho de Deus”, “permanece sacerdote para sempre” (Hb 7.3). Além de Sumo Sacerdote do Altíssimo, Melquisedeque era rei em Salém. Assim, ao estabelecer a figura de Melquisedeque em o Novo Testamento, o escritor aos Hebreus quer revelar que Jesus é o Sumo Sacerdote perfeito, muito superior ao sacerdócio levítico, pois antes de existir Arão, Melquisedeque já exercia o sumo sacerdócio. De maneira profundamente bíblica, o escritor aos Hebreus traz luz a uma verdade incomensurável: Jesus, o Sumo Sacerdote que apresentou de uma vez por todas um sacrifício suficiente.

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS 
2º Trimestre de 2017 
Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato 
Lição 4: Isaque, um caráter pacífico
Data: 23 de Abril de 2017 
TEXTO ÁUREO 
“E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um fi lho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele” (Gn 17.19). 
VERDADE PRÁTICA 
Isaque, segundo filho de Abraão, deixou um exemplo de humildade e submissão a Deus e a seus pais.

LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Gn 17.19
Um nome dado por Deus
Terça — Lc 1.37
Para Deus nada é impossível 
Quarta — Rm 4.18
Abraão creu contra a esperança 
Quinta — Hb 11.8
Pela fé, Abraão, sendo chamado obedeceu a Deus 
Sexta — Rm 4.19
A fé não olha para as circunstâncias
Sábado — Hb 11.11
Sara, uma mulher de fé 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Gênesis 26.12-25. 
12 — E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava.
13 — E engrandeceu-se o varão e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande;
14 — e tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam.
15 — E todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus entulharam e encheram de terra.
16 — Disse também Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.
17 — Então, Isaque foi-se dali, e fez o seu assento no vale de Gerar, e habitou lá.
18 — E tornou Isaque, e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Abraão, seu pai, e que os filisteus taparam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai.
19 — Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale e acharam ali um poço de águas vivas.
20 — E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o nome daquele poço Eseque, porque contenderam com ele.
21 — Então, cavaram outro poço e também porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Sitna.
22 — E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o SENHOR, e crescemos nesta terra.
23 — Depois, subiu dali a Berseba,
24 — e apareceu-lhe o SENHOR naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo.
25 — Então, edificou ali um altar, e invocou o nome do SENHOR, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço.

HINOS SUGERIDOS

151, 225 e 432 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o temperamento de Isaque era pacífico.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Explicar porque Isaque era o filho da promessa;
II. Mostrar que Isaque era um homem abençoado por Deus;
III. Refletir a respeito de algumas lições do caráter de Isaque.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Na lição deste domingo, estudaremos a respeito de Isaque, o filho da promessa. Deus havia prometido a Abraão um herdeiro, porém sua idade e a da sua esposa já eram bem avançadas. Continuar esperando o cumprimento de uma promessa a essa altura da vida não parecia nada fácil. Mas Deus é fiel e vela por sua palavra. Se Ele fez uma promessa a você, creia que no tempo certo ela se cumprirá. Abraão e Sara devem ter criado o filho da promessa com muito amor e carinho, contribuindo para desenvolver em Isaque um caráter manso, pacificador e humilde. Isaque recebeu uma boa educação e decidiu fazer boas escolhas. Deus o abençoou em todas as áreas, mas, não significa que sua vida foi fácil. Ele teve de enfrentar a esterilidade de sua esposa, vizinhos invejosos e maus. Todavia, diante das adversidades, demonstrou ter um caráter pacífico e confiante em Deus.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

O caráter de uma pessoa é demonstrado por suas atitudes, testemunho e práticas. Isaque é um personagem da Bíblia que tem grande significado para a história do povo de Israel. Seu nome foi dado por Deus mesmo antes do seu nascimento conforme Gênesis 17.19. O significado de seu nome é interessante: quer dizer “aquele que ri” ou “ele ri”, em alusão à reação de seu pai e de sua mãe, quando o anjo anunciou seu nascimento, sendo seus pais de idade avançadíssima.


PONTO CENTRAL

Isaque nos deixou um exemplo de humildade e submissão a Deus e a seus pais.


I. ISAQUE, O FILHO DA PROMESSA

1. Promessa de Deus a Abrão. Para entender o caráter de Isaque, é importante conhecer a história que moldou sua personalidade e forjou o seu caráter. A história de Isaque ocupa nada menos que nove capítulos do livro de Gênesis. Filho de Abraão e Sara, pela lógica humana seu nascimento seria absolutamente impossível. O “filho da promessa” teria nascido “fora de tempo”, na concepção dos homens. Quando Deus chamou Abrão para sair de sua terra e ir para uma terra estranha, fez-lhe promessas gloriosas. Uma delas era que ele seria “uma grande nação”, quando ele tinha 75 anos (Gn 12.2). Abraão já era idoso, e sua esposa estéril. Parecia impossível o casal ter um filho. Quanto mais serem pais de uma grande nação.
2. Seu nascimento, um verdadeiro milagre. Ao ouvir que Sara seria “mãe de nações”, Abraão riu considerando coisa impossível para um homem de 100 anos e uma mulher de 90 (Gn 17.17). Percebendo Deus o pensamento de Abraão lhe fez saber que Ele é Fiel (Gn 17.19). Por ter rido, o nome do menino seria Isaque, que significa “riso” ou “aquele que ri”. Sua mãe, ao saber que teria um filho aos 90 anos (Gn 18.9,10), também não se conteve e, a exemplo do marido, também se riu no seu interior (Gn 18.12). Abraão aos 100 anos, e Sara com 90, foram pais de um lindo bebê, que causou espanto a todos que souberam daquele milagre.



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Isaque era o filho da promessa.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Idade de Noventa e Nove Anos
Abrão agora estava com noventa e nove anos e Sarai já há muito ultrapassara a idade de ter filhos. Mas treze anos após o nascimento de Ismael e vinte e quatro anos depois da promessa original de Deus, o Senhor apareceu a Abrão com uma mensagem e exigência. (1) Deus se revelou como o ‘Deus Todo-Poderoso’, significando que Ele era onipotente e que nada lhe era impossível. Como Deus Todo-Poderoso, Ele podia cumprir suas promessas, quando na esfera natural tudo dizia ser impossível o seu cumprimento. Então, seria por um milagre que Deus traria ao mundo o filho prometido a Abrão. (2) Deus ordenou que Abrão andasse diante dEle e que fosse ‘perfeito’. Assim como a fé de Abrão foi necessária na efetuação do concerto com Deus, assim também um esforço sincero para agradá-lo era agora necessário, para continuação das bênçãos de Deus, segundo o concerto feito. A fé de Abrão tinha que estar unida à sua obediência (Rm 1.5); senão ele estaria inabilitado para participar dos propósitos eternos de Deus. Noutras palavras, as promessas e os milagres de Deus serão realizados o seu povo busca viver de maneira irrepreensível, tendo o seu coração voltado para Ele” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 2006, p.56).



II. UM HOMEM ABENÇOADO POR DEUS

1. A prosperidade espiritual. Depois da morte de seu pai, já casado com Rebeca, e pai de Esaú e Jacó (Gn 25.19-23), Isaque foi buscar abrigo em Gerar, na terra dos filisteus, para escapar da fome que ocorreu onde morava. Ali, Deus lhe falou que não descesse ao Egito. “[...] em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis. Assim, habitou Isaque em Gerar” (Gn 26.4-6).
2. A bênção divina é passada de pai para filho. A bênção de Abraão foi transferida para Isaque, não pela hereditariedade em si, mas pela sua fidelidade a Deus. Seu caráter, demonstrado em sua conduta, agradou a Deus. E ele prosperou espiritualmente.
3. A prosperidade material. “E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava” (Gn 26.12). Este é o segredo da vida de Isaque. Ele era abençoado por Deus. Deus dá bênçãos espirituais e também materiais, quando o homem obedece à sua voz. A produção dos seus campos lhe deu cem por cento de colheita (Gn 26.12). É preciso entender que a prosperidade material não é o objetivo da vida cristã, como propalam os adeptos da falsa “teologia da prosperidade”. Mas Deus promete abrir “as janelas do céu” e derramar grande abundância; repreender “o devorador” e fazer as nações perceberem que seu povo é bem-aventurado, para quem é fiel nos dízimos e nas ofertas (Ml 3.10-12).



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Isaque era um homem abençoado por Deus.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Em uma família de poderosos empreendedores, Isaque era do tipo quieto, que cuida apenas de sua vida, até que foi especificamente chamado para agir. Ele foi o filho único e protegido, desde o momento em que Sara se livrou de Ismael, e até que Abraão arranjou seu casamento com Rebeca. Em sua própria família, Isaque tinha a posição patriarcal, mas Rebeca tinha o poder. E em vez de defender suas convicções, Isaque achou mais fácil fazer concessões ou mentir, para evitar confrontos. Apesar desses defeitos, Isaque fazia parte do plano de Deus” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.44).





III. LIÇÕES DO CARÁTER DE ISAQUE

1. Um homem esforçado e trabalhador. A prosperidade que Deus concedeu a Isaque chamou a atenção dos filisteus. A bênção de Deus era tão grande que incomodava os filisteus (Gn 26.15,16). Há pessoas a quem Deus abençoa e os adversários ficam com inveja, desejando o mal aos servos de Deus. Mas a maldição não alcança os que são fiéis a Deus. Balaão foi convocado para amaldiçoar os filhos de Israel. Mas não conseguiu. “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?” (Nm 23.8). Deus converteu a maldição em bênção (Ne 13.2 b; Pv 10.22).
2. O caráter pacífico de Isaque. Ao sofrer terrível oposição dos invejosos e ser aconselhado a sair do lugar onde prosperara, Isaque não fez questão alguma. Foi habitar “no vale de Gerar” (Gn 26.17). Honrando o nome e a memória do seu pai, Isaque reabriu os poços que seu pai abrira e foram tapados pelos filisteus, e chamou os poços com os mesmos nomes dados por Abraão (Gn 26.18). Os pastores de Gerar questionaram os outros poços que Isaque abrira, mas ele não os confrontou (Gn 26.19,21).
3. Um caráter resiliente. Após perder a posse de dois poços, Isaque não desistiu. Mais do que resistente, ele foi resiliente. Soube enfrentar as oposições sem se exasperar. Soube praticar a longanimidade (Gl 5.22). Continuou mandando abrir poços: “E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra” (Gn 26.22, 23). Era o “poço do alargamento” concedido por Deus. Livre da contenda, Isaque “subiu dali a Berseba” (Gn 26.28,29). Ali, Isaque e Abimeleque, rei de Gerar, fizeram um juramento de que seriam amistosos. Daí, Berseba significar “juramento”, ou “poço do juramento”. Em meio a essas experiências, “[...] apareceu-lhe o SENHOR naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo” (Gn 26.24).
4. Obediência e submissão. Certamente, esses são os aspectos mais marcantes do caráter de Isaque. Ele soube honrar seu pai e sua mãe, como manda o Senhor (Êx 20.12). A prova mais eloquente desse caráter foi demonstrada, quando Deus falou com Abraão e ordenou que ele oferecesse o seu filho em holocausto (Gn 22.2). Isaque foi amarrado sobre o altar para o sacrifício, e não se rebelou. Mas obedeceu. Submeteu-se à vontade do pai. Deus não permitiu que Abraão o imolasse. E proveu um cordeiro para ser oferecido em seu lugar (Gn 22.11-13). Uma figura de Cristo oferecido em nosso lugar como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Deus aceitou o gesto de Abraão como realizado pela fé (Hb 11.17-19).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Podemos extrair várias lições do perfil de Isaque.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, procure enfatizar as características do caráter de Isaque. Mostre que a sua mansidão “é vista em sua submissão sem resistência a seu pai ao tornar-se o sacrifício sobre o altar de Moriá, e em sua recusa a discutir quando os pastores de Gerar reivindicavam os poços. Ele possuía uma natureza afetuosa, profundamente ligado à mãe, chorando por sua morte, e sendo depois confortado em seu amor por Rebeca. Seu espírito mediador pode ter contribuído para seu afeto expansivo.
Ele era um homem que vivia em contato com Deus. Embora não tenha as visitações dramáticas que foram concedidas a seu pai, Abraão, Isaque obedeceu aos mandamentos de Deus. O altar, a tenda e o poço simbolizavam os principais interesses de sua vida” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.990).

CONHEÇA MAIS



“Isaque
O nome dado por Deus antes do nascimento da criança (Gn 17.19) significa ‘ele ri’, ‘aquele que ri’, ou simplesmente ‘riso’.
Nada é conhecido sobre os dias da infância de Isaque. Em seguida, vemo-lo grande e forte o suficiente para carregar a madeira para o fogo do altar subindo a montanha, não sabendo que ele mesmo seria colocado no altar. A experiência de ter sido amarrado como uma vítima de sacrifício e então liberto pela intervenção divina deve ter afetado profundamente toda a sua vida”. Para conhecer mais leia, Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.989.



CONCLUSÃO

A Bíblia nos mostra quão importante foi Isaque para história do povo de Deus. O seu nome se inclui entre os três patriarcas mais citados no Antigo Testamento e também no Novo. O Deus de Israel é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Que Deus nos abençoe para que nos espelhemos no caráter de Isaque para o fortalecimento da nossa fé no Deus Todo-Poderoso.

PARA REFLETIR

A respeito de Isaque, um caráter pacífico, responda:

Qual o significado do nome Isaque?
“Aquele que ri”, “ele ri” ou “riso”.

Que promessa Deus fez a Abraão, quando ele tinha 75 anos de idade?
Que ele seria “uma grande nação” (Gn 12.2).

Quais os aspectos mais marcantes do caráter de Isaque?
Um homem trabalhador, humilde e obediente a Deus.

Por que a bênção dada a Abraão foi transferida para Isaque?
Por causa de sua fidelidade a Deus.

Cite algumas características do caráter de Isaque.
Obediente aos pais, temente a Deus e pacificador.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Isaque, um caráter pacífico

A história de Isaque é a história de Israel. É o marco embrionário de uma nação que se desenvolveu por intermédio de Jacó, filho de Isaque, e de seus doze filhos, posteriormente, doze tribos. A história de Isaque remonta a história de Abraão. As promessas feitas ao pai da fé são as mesmas repetidas a Isaque (26.2-5) e, mais tarde, a Jacó (28.13-15). Os três patriarcas de Israel foram forjados debaixo da mesma promessa: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção” (12.2).
O caráter pacífico de Isaque
Um dos traços do caráter de Isaque a chamar atenção quando se estuda o texto bíblico de Gênesis é o pacífico. Isaque foi uma pessoa apaziguadora, buscando evitar os conflitos a fim de ter uma estadia tranquila na terra de Canaã. E importante ressaltar a época que o filho de Abraão viveu. Um período violento, onde as questões eram resolvidas nos termos do “olho por olho” e “dente por dente”.
O texto bíblico de Gênesis narra que Isaque habitou em Gerar e semeou na cidade (Gn 26.6,12). Motivo de o filho de Abraão prosperar abundantemente (26.13,14). Isaque passou a ter muitas ovelhas, vacas, pessoas ao seu serviço, despertando assim inveja nos filisteus. Estes iniciaram um processo de inviabilização aos planos do pai de Jacó. Primeira medida: entulharam os poços abertos nos tempos de Abraão. Segunda: Contenderam com os pastores de Isaque, afirmando que as fontes de águas não pertenciam a eles. Contudo, a reação de Isaque foi pacífica e bem diplomática. Quando os filisteus entulhavam os poços, ele os desentulhava. Quando os filisteus escolhiam uma região para cavar poços, Isaque partia para cavá-los em outro lugar. Assim, Deus o abençoou abundantemente.
Uma lição para hoje
Num tempo onde muitos não têm paciência para ouvir o outro, muito menos absorver o desaforo do outro, embora a sociedade ocidental do século XXI tenha muito bem desenvolvida as ideias de direitos humanos, alteridade, dignidade da pessoa humana e integração dos povos, o pacifismo de Isaque se torna uma chamada à Igreja de Deus. Viver de maneira pacífica não significa tolice, mas ter conscientemente um estilo de vida que priorize um coração leve e suave no espírito do Evangelho. Aqui, o professor pode remontar o ensino de Jesus no Sermão do Monte: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS
2º Trimestre de 2017 
Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato 
Lição 5: Jacó, um exemplo de um caráter restaurado
Data: 30 de Abril de 2017 
TEXTO ÁUREO 
“Como está escrito: Amei Jacó e aborreci Esaú” (Rm 9.13). 
VERDADE PRÁTICA 
Com base em sua presciência e propósitos, Deus escolhe pessoas para que cumpram seus desígnios. 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Gn 27.11,12
A mentira traz maldição 
Terça — Gn 27.41
Quando o ódio se torna mortal
Quarta — Gn 27.20
Jacó mentiu ao próprio pai 
Quinta — Gl 6.7
O que o homem planta, isso colherá 
Sexta — Rm 5.20
Onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus 
Sábado — Sl 133.1
Deus quer que os irmãos vivam em união 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Gênesis 25.28-34; 32.24,27,28,30.

Gênesis 25
28 — E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto; mas Rebeca amava a Jacó.
29 — E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo e estava ele cansado.
30 — E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso, se chamou o seu nome Edom.
31 — Então, disse Jacó: Vende-me, hoje, a tua primogenitura.
32 — E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?
33 — Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó.
34 — E Jacó deu pão a Esaú e o guisado das lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e foi-se. Assim, desprezou Esaú a sua primogenitura.

Gênesis 32
24 — Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um varão, até que a alva subia.
27 — E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.
28 — Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.
30 — E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.

HINOS SUGERIDOS

46, 77 e 432 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que Deus escolhe pessoas para que cumpram seus desígnios.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Apresentar a origem de Jacó;
II. Mostrar a direção de Deus na vida de Jacó;
III. Refletir a respeito de alguns aspectos do caráter de Jacó.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Na lição deste domingo, estudaremos a respeito do caráter de Jacó. Ele nasceu agarrado ao calcanhar de seu irmão primogênito e recebeu o nome de “enganador”. Todavia, Deus em seus desígnios já o havia escolhido e revelado aos seus pais que o primogênito serviria ao caçula. Jacó fez jus ao seu nome ao comprar a primogenitura de seu irmão e ao mentir e enganar seu pai. Seu engano e mentira levaram-no para longe de casa e fez com que ele também fosse enganado por seu tio Labão. Mas Jacó teve um encontro com Deus e foi transformado por Ele. Todo encontro com Deus é transformador. Ninguém sai da presença do Pai da mesma maneira que entrou. Atualmente, muitos apenas ouviram falar a respeito de Deus, mas na verdade nunca tiveram um encontro real e pessoal com Ele. Somente Deus, o Criador, pode transformar o nosso verdadeiro “eu”.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Isaque teve dois filhos gêmeos. Esaú tinha uma inclinação para o campo, para vida pastoril e também para a caça. Jacó, ao contrário, pelo seu temperamento e por sua personalidade, voltou-se para vida doméstica. Logo revelou ter um caráter oportunista e usurpador, que o levou a enganar o pai com apoio da mãe. As consequências foram duras em sua vida. O que plantou, colheu com grande sofrimento. Mas a misericórdia de Deus o alcançou e o Senhor o escolheu para ser o pai das doze tribos de Israel.


PONTO CENTRAL

Deus escolhe pessoas para que cumpram seus desígnios.


I. QUEM ERA JACÓ

1. O filho mais novo de Isaque. Seu nome, em hebraico, é Yakoov e significa “Deus protege”. Ele integra a lista dos três patriarcas hebreus, que marcaram a história de Israel: Abraão, Isaque e Jacó. Sua história foi pontilhada de episódios dramáticos desde o seu nascimento. Deus ouviu as orações de Isaque, pois Rebeca era estéril (Gn 25.21). O texto diz que, no ventre, havia uma luta entre os bebês (Gn 25.22). Jacó nasceu agarrado ao calcanhar do seu irmão. Diante disso, o seu nome passou a ter o significado de “aquele que segura pelo calcanhar” ou “suplantador”.
2. O preferido de sua mãe. Isaque tinha preferência por Esaú, por que gostava da caça. Mas Rebeca amava mais Jacó, por ser “varão simples, habitando em tendas” (Gn 25.27,28). Quando Isaque quis dar a bênção a Esaú, o primogênito (Gn 27.1-5), Rebeca, numa demonstração clara do seu caráter astucioso, chamou Jacó e o induziu a enganar seu pai (Gn 27.11,12,14,15). Enganado, Isaque abençoou Jacó (Gn 27.27-29). Ao retornar da caça, Esaú descobriu que seu irmão tomara sua bênção. Desesperado, recebeu do pai uma bênção menor (Gn 27.39,40). Cheio de ódio, planejou matar seu irmão (Gn 27.41). Jacó teve que fugir ameaçado por Esaú. Isaque percebeu que Deus tinha um plano na vida de Jacó, e o despediu com uma bênção profética de grande significado (Gn 28.1-4).
3. O preferido de Deus. A escolha de Jacó é um caso especial de presciência divina face aos desígnios de Deus. Deus não tem filhos privilegiados, nem escolhe uns para a salvação e outros para a condenação, pois tal atitude contrariaria frontalmente o seu caráter santo, justo e bom. Seria uma terrível discriminação por parte de Deus que condena quem faz acepção de pessoas (Tg 2.9; 1Pe 1.17). Mas, em sua soberania, em casos especiais, Ele escolhe pessoas para serem instrumentos de sua vontade diretiva. Jacó foi um desses escolhidos, ainda no ventre (Rm 9.9-13).



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Jacó foi escolhido por Deus ainda no ventre de sua mãe.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Abraão, Isaque e Jacó estão entre as mais importantes pessoas do Antigo Testamento. Isto não se deve ao seu caráter pessoal, mas ao caráter de Deus. Eles foram homens que conquistaram o respeito relutante e até mesmo o medo de seus colegas. Eram ricos e poderosos, e ainda assim, os três foram capazes de mentir, enganar e agir com egoísmo. Eles não eram os heróis perfeitos que poderíamos ter esperado; em vez disso, eram exatamente como nós; tentavam agradar a Deus, mas não conseguiram” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.56).

CONHEÇA MAIS



Jacó
“Era o terceiro no plano de Deus para iniciar uma nação descendente de Abraão. O sucesso deste plano se deu mais ‘apesar de’ do que ‘em razão’ da vida de Jacó. Antes de Jacó nascer, Deus prometera que seu plano se desenvolveria através dele, e não de seu irmão gêmeo, Esaú. Embora os métodos de Jacó nem sempre fossem respeitáveis, suas habilidades, determinação e paciência tinham de ser reconhecidas. Ao acompanharmos sua vida desde o nascimento até à morte, vemos a mão de Deus trabalhando”. Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p.46.



II. A DIREÇÃO DE DEUS NA VIDA DE JACÓ

1. A visão da escada que tocava o céu. Em sua fuga, no meio do deserto, Jacó teve um sonho dado por Deus. Ele viu uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. E Deus reiterou a bênção que lhe prometera (Gn 28.13-15). Deus não aprovou seus arranjos e enganos, mas também não retirou a bênção prometida a seus pais. Naquela noite, ele descobriu a presença de Deus, que se apresentou como o Deus de Abraão e de Isaque. Ele ouviu Deus reiterar suas promessas e descobriu que onde Deus está, ali é sua casa, “a porta dos céus” (Gn 28.13-17).
2. A coluna em Betel. Jacó não buscou a Deus, mas Deus o buscou, e se revelou como o Deus de seus pais. Uma prova do quanto a graça de Deus é profunda. Sem dúvida alguma, a história de Jacó se divide em dois períodos. Antes de Deus encontrá-lo e depois daquele encontro especial. Tão impactante na sua vida foi aquele episódio, que ele chamou aquele lugar deserto de Betel, que significa “Casa de Deus”. Ali, naquela madrugada, Jacó ouviu Deus lhe falar; sentiu a presença divina e teve uma mudança extraordinária em sua vida.



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Depois de deixar a casa dos seus pais, Jacó buscou a direção de Deus para sua vida.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Jacó fazia tudo, o certo e o errado, com grande zelo. Ele enganou seu próprio irmão Esaú, e seu pai, Isaque. Ele lutou com Deus, e trabalhou catorze anos para se casar com a mulher que amava. Por intermédio de Jacó, aprendemos como um forte líder pode, também, ser um servo. Também vemos como ações erradas sempre voltam para nos perturbar.
Depois de enganar Esaú, Jacó correu para salvar sua vida, viajando mais de 640 quilômetros até Harã, onde vivia seu tio, Labão. Pelo caminho, ele recebeu uma mensagem do Senhor, em um sonho, e deu a esse lugar o nome de Betel. Em Harã, Jacó se casou e iniciou uma família” (Extraído de Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.58).
Reproduza o mapa abaixo para mostrar aos alunos a rota feita por Jacó até Padã-Ara.





III. ASPECTOS DO CARÁTER DE JACÓ

1. Antes do seu encontro com Deus. Até o encontro com Deus em Betel, ele era apenas um “homem natural”, ou carnal (1Co 2.14). Naquela fase de sua vida, podemos ver alguns aspectos negativos de seu caráter.
a) Oportunista e egoísta. Quando seu irmão chegou com fome e lhe pediu para comer do seu guisado, ele poderia ter-lhe oferecido de sua comida, compartilhando sua refeição. Mas, numa prova de oportunismo e ambição, disse logo: “Vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn 25.31).
b) Interesseiro e calculista. Jacó era frio, calculista e de temperamento fleumático. Além de propor a troca da primogenitura ao irmão, exigiu que Esaú fizesse um juramento que lhe garantisse que a troca seria respeitada por toda a vida: “Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó” (Gn 25.33; Hb 12.16). Ele só esquecia uma coisa. O que ele estava plantando em sua juventude haveria de colher mais tarde (Gl 6.7). Em proporção muito maior.
c) Mentiroso e enganador. Com seu caráter fraco e leniente, concordou com a sua mãe em enganar o velho pai. Ao chegar à presença de Isaque, mentiu três vezes. Este perguntou: “Quem és tu, meu filho?”. Ele disse que era Esaú (Gn 27.19). A primeira mentira. Indagado porque chegara tão rápido com a caça, mentiu a segunda vez, dizendo: “Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro” (Gn 27.20). Ao abraçar Jacó, Isaque repetiu que era Esaú — “Eu sou” (Gn 27.24). Mentiu pela terceira vez.
2. Depois do seu encontro com Deus. Observe a transformação no caráter de Jacó:
a) Um caráter agradecido. Jacó passou a ver as coisas numa perspectiva espiritual de um novo relacionamento com Deus, e lhe fez um voto, dizendo que se Deus não lhe deixasse faltar nada, levantaria um altar e daria o dízimo “de tudo” (Gn 28.20-22). Neste fato, vemos que Jacó tinha consciência do valor do dízimo, como expressão sincera de gratidão a Deus, a exemplo do que fizera seu avô, Abraão, perante Melquisedeque (Gn 14.18-20). Ele não prometeu dar o dízimo do que lhe sobrasse (da “renda líquida”), mas “de tudo” como seu avô fizera (Hb 7.2).
b) Um caráter esforçado e sofredor. Ao chegar à casa de Labão, seu tio, revelou-se um homem trabalhador. Ali, começou a colher o que semeara em engano e mentira. Na “lua de mel”, foi enganado pelo sogro. Em lugar de casar com Raquel, teve de casar com Leia. Só depois, casou com sua amada, e para tanto, trabalhou “outros sete anos” (Gn 29.21-30). Não foi apenas esse o preço que Jacó teve que pagar por sua vida de enganos e mentiras. Labão mudou o seu salário dez vezes, durante vinte anos (Gn 31.7). O que o homem semeia, isso é o que colhe (Gl 6.7).
c) Um homem na direção de Deus. Depois de ser enganado pelo sogro, Jacó reuniu sua família e fugiu de Harã. Mas não o fez apenas por medo do sogro. Sua saída de Harã foi por direção de Deus (Gn 31.3,13). Desse modo, Jacó empreendeu a fuga com a família, e logo foi perseguido pelo sogro. Este não pôde lhe fazer mal, porque Deus entrou em ação e lhe determinou que não falasse com Jacó “nem bem nem mal” (Gn 31.24).
3. No seu encontro com Esaú. Ao se aproximar de Seir, onde seu irmão vivia, Jacó enviou mensageiros a Esaú, anunciando seu retorno. Os mensageiros voltaram e disseram que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens. Jacó temeu grandemente (Gn 32.7-12). Mas, no Vale do Jaboque, teve um encontro que marcou o resto da sua vida. Seu nome foi mudado para Israel, e viu Deus “face a face” (Gn 32.22-30). Ao encontrar Esaú, reconciliou-se com ele e o abraçou com perdão e amor.



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Antes de ter um encontro com Deus Jacó era oportunista, mentiroso e enganador.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

Professor, reproduza o esquema abaixo no quadro. Utilize-o para enfatizar as características de Jacó antes do seu encontro com Deus e depois. Ressalte que somente Deus pode mudar o nosso caráter.





CONCLUSÃO

Em suas experiências com Deus, vemos que Jacó teve seu caráter transformado. De oportunista e enganador, passou a ser humilde, sofredor, paciente, longânimo, altruísta. Foi pela sua paciência e graça que Deus escolheu Jacó, em lugar de Esaú. Quando damos lugar ao Espírito Santo, Ele nos transforma radicalmente o caráter.

PARA REFLETIR

A respeito de Jacó, um exemplo de caráter restaurado, responda:

Que significa o nome Jacó?
“Aquele que segura pelo calcanhar” ou “suplantador”.

Por que Esaú aborreceu a Jacó?
Por causa da bênção que seu pai deu a Jacó por engano.

Quantas vezes Jacó mentiu a seu pai por ocasião da bênção?
Três vezes.

O que Jacó prometeu a Deus se fosse abençoado em sua viagem?
Dar o dízimo de tudo.

Que aconteceu com Jacó, no vau de Jaboque?
Seu nome foi mudado para Israel, e viu Deus “face a face”.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Jacó, um exemplo de um caráter restaurado

O desvio de caráter é algo sério. Significa violar valores fundamentais que, uma vez não respeitados, põem em xeque o bem estar do outro. Essa afirmativa pode ser exemplificada a partir de dois exemplos.
Primeiramente, digamos que você entrega um valor monetário para uma pessoa, em tese de sua confiança, para depositá-lo numa conta mencionada por você. A pessoa diz que o depositou conforme solicitado. Mas passam os dias e o beneficiário informa que não o recebeu. Ora, por certo houve um problema eletrônico ou algo do tipo — pode-se pensar. Entretanto, a pessoa que você pediu para depositar o valor sabe que não houve problema algum, pois simplesmente ela o tomou para si.
Segundo, imagine um partido político uma vez no poder, que outrora pregava contra a corrupção, deliberadamente não obedece as leis fiscais, não se faz transparente, maquia a contabilidade no ano de eleições a fim de os adversários políticos e a sociedade não terem acesso às informações verdadeiras. Tudo em nome de uma causa que poucos conhecem a quem interessa. Desobedecer deliberadamente as leis a fim de esconder o próprio crime é a prova cabal do desvio de caráter. Portanto, algo muito sério!
Os casos mencionados, ambos exemplos da vida real, prejudicaram pessoas. O primeiro lesou duas: a que solicitou o depósito e a que teria de recebê-lo. Imagine o transtorno com atrasos, necessidades não atendidas e outras mais! O segundo caso lesou a nação inteira, pois trabalhadores perderam seus empregos, empresas faliram e a Economia quebrou. É impossível calcular as décadas de perda para essa nação. Demorará muito para ela se recuperar.
Na presente lição acerca do caráter de Jacó, tanto do ponto de vista individual quanto do coletivo, não podemos tratar o desvio de caráter como se fosse algo distante de nós. Invariavelmente, é possível o cristão comum se vê num contexto em que essa luta travada com a natureza humana se manifeste. Entretanto, devemos dar ênfase ao aspecto restaurador do caráter de Jacó, pois a história do patriarca mostra o quanto a natureza humana pode ser alterada a partir de um verdadeiro encontro com Deus. Um processo de metanoia se instala, isto é, há uma transformação radical no caráter, carregada de uma convicção profunda de arrependimento. Ora, em Cristo Jesus, todo ser humano pode ter esse encontro com o nosso eterno Senhor. Em Cristo, o caráter pode ser restaurado!




LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS 
2º Trimestre de 2017 
Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato 
Lição 6: Jônatas, um exemplo de lealdade
Data: 7 de Maio de 2017 
TEXTO ÁUREO 
“E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” (1Sm 18.3).
 VERDADE PRÁTICA 
O cristão deve ser exemplo de lealdade a Deus, a seus familiares e a todos os que estão ao seu redor. 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Dt 3.22
Deus peleja pelo seu povo 
Terça — Pv 17.17
Na angústia nasce o irmão
Quarta — Pv 18.24
Amigo mais chegado que um irmão 
Quinta — Pv 27.10
Um amigo não abandona o outro
Sexta — Jo 11.11
Um amigo de Jesus 
Sábado — 1Sm 26.23
O Senhor paga a lealdade 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
1 Samuel 18.3,4; 19.1,2; 20.8,16,17,31,32. 
1 Samuel 18
3 — E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma.
4 — E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.

1 Samuel 19
1 — E falou Saul a Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos para que matassem Davi. Porém Jônatas, filho de Saul, estava mui afeiçoado a Davi.
2 — E Jônatas o anunciou a Davi, dizendo: Meu pai, Saul, procura matar-te; pelo que, agora, guarda-te, pela manhã, e fica-te num lugar oculto, e esconde-te.

1 Samuel 20
8 — Usa, pois, de misericórdia com o teu servo, porque fizeste a teu servo entrar contigo em aliança do Senhor; se, porém, há em mim crime, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai?
16 — Assim, fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: O Senhor o requeira da mão dos inimigos de Davi.
17 — E Jônatas fez jurar a Davi de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor da sua alma.
31 — Porque todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a terra nem tu serás firme, nem o teu reino; pelo que envia e traze-mo nesta hora, porque é digno de morte.
32 — Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de ele morrer? Que tem feito?

HINOS SUGERIDOS

8, 198 e 536 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o cristão deve ser exemplo de lealdade a Deus, aos familiares e amigos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Apresentar as circunstâncias que uniram Jônatas a Davi;
II. Mostrar que a amizade de Jônatas e Davi foi aprovada por Deus;
III. Refletir a respeito das lições do caráter de Jônatas.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado professor, estudaremos a respeito da amizade e lealdade de Jônatas e Davi. Esse é um assunto bem relevante, pois vivemos tempos difíceis onde os interesses pessoais foram colocados acima das amizades. Então, para refletir com profundidade e tornar a aula mais participativa, inicie a lição pedindo que os alunos citem algumas qualidades do caráter de Jônatas e Davi. À medida que eles forem citando, vá relacionando as qualidades no quadro. Depois de ouvir com atenção os alunos, explique que as características do caráter de Jônatas e Davi revelam que eles eram homens cujo caráter foi forjado por Deus. Eles tinham consciência de suas limitações, eram prudentes e amavam a Deus acima de todas as coisas. Ressalte o fato de que os amigos são presentes do Pai, por isso, merecem a nossa lealdade. Sem lealdade não pode haver amizade, é o que nos ensina a história de Jônatas e Davi.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Jônatas entrou para a história à sombra do pai, mas pouca coisa herdou de seu genitor. Demonstrou ser um guerreiro cheio de coragem e determinação. E, aliada à sua coragem, está a sua humildade, sua fé e obediência ao Senhor, virtudes indispensáveis a um homem de Deus. Sua amizade por Davi nasceu de forma inesperada, quando assistiu, de perto, a vitória do jovem pastor de ovelhas sobre o imbatível gigante Golias, o campeão dos filisteus, que desafiava os exércitos israelitas, e afrontava o nome do Senhor.


PONTO CENTRAL

Precisamos ser leal a Deus e aos amigos.


I. CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI

1. Quem era Jônatas. Era o filho mais velho do rei Saul. Seu nome significa “dado por Deus” ou “presente de Deus”. Ele tinha todas as condições para ser o substituto do pai. Era valente e hábil no combate. Sua bravura já fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (1Sm 14.1-14). Entretanto, por direção de Deus, os rumos da história de Saul e de Jônatas foram mudados completamente. E isso ocorreu de forma surpreendente.
2. Uma batalha que mudou a história. Israel estava no campo de batalha contra os filisteus, num monte, “no vale do carvalho”, e os filisteus estavam do lado oposto do vale, também sobre um monte (1Sm 17.1-3). Um gigante filisteu, de nome Golias, campeão de seu povo, desafiava os exércitos de Israel, mas ninguém tinha coragem de enfrentar o inimigo. O clima de medo prenunciava a provável derrota de Israel (1Sm 17.10,11).
3. A presença de Davi. Jessé enviou Davi ao local da batalha para entregar víveres para seus irmãos e para o chefe do exército (1Sm 17.12-21). Contrariando seus irmãos e o próprio rei, Davi se dispôs a enfrentar o filisteu. Com permissão do rei, e confiando em Deus, Davi foi ao encontro de Golias, com apenas uma funda e cinco pedras do ribeiro (1Sm 17.40-47). E com uma única pedra derrubou o gigante, e o matou com a espada deste (1Sm 17.48-58). Uma vitória de desfecho surpreendente. Um gigante vencido por um jovem pastor de ovelhas. Um exército inteiro posto em fuga após um combate inusitado e desigual. Assistindo ao duelo estava Jônatas, o filho de Saul, que ficou profundamente tocado pela vitória de Davi sobre Golias.



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

A batalha com Golias contribuiu para criar laços de amizade entre Jônatas e Davi.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“A profunda amizade entre Jônatas e Davi é surpreendente por uma série de razões. Primeiro, Deus escolheu Davi e não Jônatas (filho de Saul e príncipe de Israel) para ser o segundo rei de Israel. Segundo, o pai de Jônatas, Saul, sentia intenso ciúme de Davi e tentou repetidamente matá-lo. Terceiro, Davi era um indivíduo multitalentoso, muito popular com as massas do que Saul ou Jônatas.
Jônatas e Davi deviam ter sido pelo menos cautelosos um para com o outro, senão inimigos declarados. Contudo, eles foram capazes de superar esses obstáculos em potencial e construir uma amizade exemplar. Talvez a qualidade excepcional de sua amizade fosse a lealdade. Aquela lealdade estava fundamentada numa profunda devoção a Deus. Esse maior compromisso foi o que capacitou a amizade deles e não apenas sobreviver, mas crescer em tempos de confusão e conflito.
Você é um amigo para todas as horas? Você foge de relacionamentos quando as dificuldades surgem? Se seus relacionamentos humanos são fracos, examine a profundidade de sua lealdade a Deus. Você pode se surpreender com o que vai descobrir” (365 Mensagens Inspiradas em Personagens da Bíblia. 12ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.103).

CONHEÇA MAIS



A amizade de Davi e Jônatas
“Esta amizade é uma das mais profundas e legítimas na Bíblia. (1) Eles basearam este pacto no compromisso para com Deus, não apenas para com o outro. (2) Não permitiram que qualquer coisa se colocasse entre eles, nem mesmo o interesse próprio ou os problemas familiares. (3) Aproximaram-se ainda mais quando a amizade foi testada. (4) Permaneceram amigos até o fim.
Jônatas o primogênito do rei, mais tarde predisse que Davi, e não ele, seria o próximo monarca. Mas isso não enfraqueceu sua estima pelo amigo. Jônatas preferia a amizade de Davi ao trono de Israel”. Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p.394



II. UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

1. Jônatas torna-se amigo de Davi. O povo de Israel jubilou diante da tremenda vitória. Saul ficou estupefato, e mandou o chefe do exército, Abner, chamar Davi, que levou como troféu da batalha inusitada a cabeça do filisteu (1Sm 17.54). Porém Jônatas, filho de Saul, foi quem mais foi tocado em suas emoções e sentimentos em relação ao jovem pastor, que derrotou o gigante com o uso de uma simples funda e um tiro de pedra. De imediato, aquela admiração despertou em Jônatas um sentimento de amizade e de amor fraternal por Davi. Deus tem seus caminhos, e, quando Ele quer, cria circunstâncias ou muda circunstâncias segundo seus propósitos amorosos e soberanos.
2. Uma amizade fiel e duradoura. A Bíblia registra com expressão tocante os sentimentos de Jônatas por Davi. Diz o texto bíblico: “E Sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma” e fizeram uma aliança diante de Deus (1Sm 18.1,3,4). O texto registra expressões que significam que Jônatas não só admirou grandemente a coragem e a audácia de Davi, como sentiu no seu íntimo que deveria nutrir por ele profunda amizade fraternal.
3. Uma aliança do Senhor. Grupos homossexuais procuram distorcer o sentido desse texto quando a Bíblia diz que Jônatas fez aliança com Davi, porque “o amava como à sua própria alma” e entregou a Davi suas vestes e equipamentos de combate (1Sm 18.3,4). Eles o fazem de forma desonesta e tendenciosa, afirmando que Jônatas sentiu atração sexual por Davi, e que ambos deram início a uma relação homoafetiva. Nada mais incoerente com a verdade bíblica. Jônatas era casado e pai de um filho, cujo nome era Mefibosete (2Sm 4.4). Em nenhum texto da Bíblia se diz que Jônatas desobedeceu a Deus e a sua Lei. Ele sabia que, se fosse homossexual, estaria cometendo “abominação ao Senhor” (Lv 18.22; 20.13). Na verdade, aquela amizade calorosa foi inspirada por Deus, pois Jônatas haveria de ser, tempos depois, o amigo que iria livrar Davi da sanha ciumenta e sanguinária de Saul. Eles fizeram aliança espiritual, e não uma parceria abominável aos olhos do Senhor (1Sm 18.3). Somente a má fé de quem usa a Palavra de Deus para justificar seus pecados pode afirmar tamanha incoerência e disparate.



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Deus aprovou a amizade entre Davi e Jônatas.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“Jônatas
O filho de Saul é uma das personalidades mais admiráveis do Antigo Testamento. Ao descobrir que Davi estava destinado a suceder seu pai no trono, Jônatas, corajosamente, defende Davi como um leal servidor do rei. Quando forçado a tomar posição, Jônatas novamente escolhe apoiá-lo, e enfrenta a fúria de seu pai para salvar a vida do amigo. Quando nos lembramos que Jônatas sucederia naturalmente a Saul como rei de Israel, sua amizade por Davi torna-se particularmente comovente. O Antigo Testamento não tem exemplo mais belo de amizade. A história de como Davi correspondeu à amizade de Jônatas é encontrada em 2 Samuel 9” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 9ª Edição. RJ: CPAD, p.192).



III. O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

Há um provérbio popular que diz: “Tal pai, tal filho”, sugerindo que os filhos tendem a demonstrar o mesmo comportamento de seus pais. Mas tal entendimento não pode ser generalizado. O exemplo de Jônatas é prova disso. Seu caráter praticamente era oposto ao do seu pai. Vejamos alguns aspectos do caráter de Jônatas.
1. Um homem de coragem. Saul era um homem inseguro e ciumento. Jônatas não herdou nem desenvolveu esse traço da personalidade do pai. Era corajoso. Em Micmás, ele lutou contra a guarnição dos filisteus, com seu pajem de armas, e os derrotou, confiando em Deus. Revelou-se um comandante de tropas, um herói e um homem de fé (1Sm 14.6). Mas sua coragem não era apenas física e emocional. Ele tinha a grandeza espiritual que lhe dava confiança, diante das adversidades (1Sm 14.1-4). Ele revelou firmeza diante dos inimigos, e lealdade diante dos amigos.
2. Um homem humilde. Sua coragem moral fê-lo não ter medo de perder a posição, como herdeiro do trono para Davi. Soube reconhecer que seu amigo tinha a direção de Deus, e as condições humanas para substituir Saul no cargo de monarca de Israel (1Sm 16.1,12,13). Um exemplo para os dias presentes. Há muitos, em igrejas evangélicas, que brigam por cargos e posições, agindo, muitas vezes, com métodos carnais, seguindo o exemplo dos ímpios. São obreiros carnais, dominados por “torpe ganância” (1Tm 3.3). A humildade é qualidade que só possuem os que têm grandeza de alma. E Deus se agrada dos humildes (1Pe 5.6).
3. Um homem leal. Em todas as ocasiões, depois que se tornou amigo de Davi, Jônatas demonstrou sua lealdade. Poderia ter ficado ao lado do seu pai, mas não cedeu aos caprichos de Saul, quando este, injustamente, quis eliminar a vida de Davi. Quando soube do plano de Saul para matar Davi, Jônatas procurou o amigo e lhe advertiu do perigo de morte (1Sm 19.1-3; 20.11-17,32,33). Jônatas teve um último encontro com Davi, onde mais uma vez selaram o pacto de lealdade diante de Deus (1Sm 20.41-43). Até o dia da sua morte, Saul continuou perseguindo Davi. Jônatas também veio a morrer em Gilboa ao lado de seu pai (1Sm 31.8).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Ao examinar o caráter de Jônatas e Davi podemos extrair importantes lições para nossas vidas.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Professor, reproduza o esquema abaixo no quadro. Utilize-o para enfatizar as características de Jônatas.





CONCLUSÃO

Deus não está sujeito às leis nem aos costumes dos povos. Ele estabelece sua vontade diretiva de forma implacável, contrariando todas as expectativas e previsões históricas ou políticas. Assim, em meio a um grave desafio contra o povo de Israel, levantou o jovem Davi para derrotar o gigante filisteu. Assistindo a extraordinária vitória, Jônatas sentiu profunda admiração pelo jovem pastor de Belém, e compreendeu que ele seria o escolhido por Deus. Em lugar de inveja ou ciúme, Jônatas tornou-se o maior e mais leal amigo de Davi.

PARA REFLETIR

A respeito de Jônatas, um exemplo de lealdade, responda:

Que significa o nome Jônatas?
“Dado por Deus” ou “presente de Deus”.

Quando começou a amizade entre Jônatas e Davi?
Logo após a batalha em que Davi venceu Golias.

Qual a natureza da aliança entre Jônatas e Davi?
De natureza espiritual, “aliança do Senhor”.

Além da coragem física e emocional, que grandeza tinha Jônatas?
Ele tinha grandeza espiritual que lhe dava confiança, diante das adversidades.

Que pacto fizeram Jônatas e Davi?
Um pacto de lealdade diante de Deus.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Jônatas, um exemplo de lealdade

Como nasce uma amizade? Segundo as Escrituras, do amor. “Amarás a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo” é o resumo de Marcos 12.30,31. A verdadeira amizade só é possível quando forjada no amor, do contrário se estabelecerá uma relação com base nos interesses egoístas. Por isso, segundo a ética das Escrituras Sagradas, não há relação que seja possível, mais estreita entre pessoas, senão, pelos meandros do verdadeiro amor: “Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros” (1Jo 4.11).
A história de Davi e Jônatas é um maravilhoso exemplo de amizade desprovida de qualquer interesse mesquinho. Para demonstrar isso, refletiremos acerca do perfil de Jônatas: (1) Filho mais velho de Saul; (2) um herdeiro legítimo para suceder seu pai; (3) hábil e valente guerreiro; (4) apresentava o porte de um verdadeiro príncipe. A partir de todo esse perfil, por que Jônatas estabeleceria uma amizade sincera com Davi, que mais tarde, seria a pessoa a substituir Saul, seu pai, no trono de Israel?
O contexto para a amizade entre os dois guerreiros ser entretecida foi o evento auspicioso do combate entre Davi e o gigante Golias. Não há dúvidas de que a vitória de Davi, assim como aconteceu com o rei Saul, despertou emoções em Jônatas. A emoção da vibração, a emoção da conquista de uma batalha, a emoção de vencer um inimigo que há muito havia humilhado a nação inteira. Mas passada a euforia da vitória, o auspício da conquista, o texto bíblico testemunha algo encantador e sincero: “a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. [...] E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” (1Sm 18.1,3).
Note que duas vezes o texto menciona “Jônatas o amou como à sua própria alma”. Uma amizade como a de Davi e Jônatas só poderia ter brotado a partir da perspectiva do amor. Por isso, em Jesus Cristo, essa perspectiva é mais abertamente ampliada e confirmada, por exemplo, pelo apóstolo João em suas cartas, pois só amamos porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4.19). E se amamos a Deus, devemos amar o próximo. Só então temos a plataforma formada para a vivência de uma verdadeira amizade cristã. Portanto, é tempo de nos entregarmos em amor ao próximo e, então, preparar o caminho a fim de construirmos verdadeiras amizades. Amizade que edifique, abençoe e frutifique. Nunca é tarde para isso!


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS 
2º Trimestre de 2017 
Título: O Caráter do Cristão — Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro
Comentarista: Elinaldo Renovato 
Lição 7: Rute, uma mulher digna de confiança
Data: 14 de Maio de 2017 
TEXTO ÁUREO 
“[...] porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). 
VERDADE PRÁTICA 
Deus usou Rute, quebrando todos os paradigmas raciais, para torná-la parte da linhagem do Messias. 
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Ne 13.2
Deus transformou a maldição em bênção
Terça — Sl 115.3
Deus faz tudo o que lhe apraz 
Quarta — Jo 3.16
Jesus veio para morrer por todos os homens que nEle creem 
Quinta — Sl 24.1
O mundo e seus habitantes pertencem a Deus 
Sexta — Cl 3.10,11
Em Cristo, nenhum povo é excluído do seu amor 
Sábado — Ef 2.19
Em Cristo, todos somos da família de Deus 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Rute 1.11,14-18. 
11 — Porém Noemi disse: Tornai, minhas filhas, por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos fossem por maridos?
14 — Então, levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela.
15 — Pelo que disse: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após a tua cunhada.
16 — Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
17 — Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o SENHOR e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18 — Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso.

HINOS SUGERIDOS

96, 467 e 515 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que Deus usou a vida de Rute para quebrar paradigmas raciais e torná-la parte da linhagem do Messias.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Apresentar um resumo da história de Rute;
II. Mostrar o cuidado de Noemi e o caráter de Rute;
III. Explicar como Rute entrou na genealogia de Jesus.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Na lição de hoje, estudaremos a respeito do caráter bondoso e fiel de Rute. Ela se recusou a abandonar sua sogra, viúva e sem nenhum recurso financeiro. Rute escolheu ajudar Noemi e seguir o seu Deus. Ela trabalhou nos campos recolhendo espigas para sustentar sua sogra e para sobreviver. Esse era um trabalho honesto, porém nada fácil para uma mulher sozinha. Sua história revela seu caráter bondoso e fiel ao Deus de Israel e à sua sogra. Aprendemos com seu perfil que o amor e a bondade são capazes de mudar a história de uma pessoa. Pois, essa gentia, que não fazia parte do povo de Deus, entrou na genealogia de Jesus.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o caráter de uma jovem estrangeira, que se tornou uma das mulheres mais admiráveis da Bíblia. Trata-se de Rute, uma moça moabita, que se casou com um jovem hebreu, contrariando os costumes e os preceitos legais de seu povo. A narrativa do livro que tem o seu nome mostra que Deus é soberano, onipotente, e, ao mesmo tempo, misericordioso e amoroso. O livro de Rute é considerado umas das mais belas peças da literatura universal.


PONTO CENTRAL

Rute tinha um caráter bondoso e íntegro.


I. RUTE, UM RESUMO DE SUA ORIGEM

1. Uma estrangeira. O nome Rute significa “amizade”. Ela era moabita. Um fato histórico tornou os moabitas adversários de Israel. Eles não permitiram ao povo de Deus passar pelo seu território quando deslocava-se em direção a Canaã, e precisava passar pelo território de Moabe, sob a liderança de Moisés (Nm 20.19). Eles foram hostis. Por isso, Deus determinou que nem moabitas nem amonitas poderiam fazer parte da “congregação do Senhor”, ou do povo de Israel, “nem ainda a sua décima geração” (Dt 23.3-6; Ne 13.2). Essa é a origem étnica de Rute. Se houvessem sido observados os preceitos da Lei, ela jamais poderia fazer parte da linhagem do povo de Israel.
2. Como Rute vinculou-se a uma família israelita. Uma família judaica teve que sair de Belém para escapar da seca que assolava a região. Eram eles: Elimeleque, Noemi (ou Naomi, que significa “agradável”), sua esposa, e os dois filhos, Malom e Quiliom. Emigraram para a terra de Moabe, onde havia alimento. Contrariando os costumes da família, os dois filhos casaram com jovens moabitas. Malom casou-se com Rute; Quiliom casou-se com Orfa. Não se sabe quanto tempo viveram com suas esposas. Os três homens faleceram deixando três mulheres sem amparo (Rt 1.1-5). Uma seca e três óbitos mudaram a história dessas pessoas.
3. Em direção à terra de Judá. Dez anos depois, Deus concedeu a bênção da fartura de pão em Israel (Rt 1.6). E a viúva de Elimeleque convidou suas duas noras, também viúvas, para irem a Belém, onde havia pão (Rt 1.7). Belém (hb. Beth-Lehem, significa “Casa do Pão”).



SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Rute era uma moabita que se vinculou a uma família israelita e veio a fazer parte da linhagem do Messias.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Professor, Rute era moabita. Por isso, é importante que você utilize o subsídio abaixo para explicar aos alunos a origem desse povo.
“De acordo com Gênesis 19.30-38, os moabitas descendiam de Moabe, filho de Ló, que era sobrinho de Abraão, como resultado de uma relação incestuosa com a filha mais velha de Ló. A narrativa, entretanto, indica que os israelitas e moabitas eram semitas e parentes de sangue, e isto é confirmado pelo fato de que a língua dos moabitas está intimamente relacionada à dos hebreus. Os sinais da inscrição de 34 linhas na Pedra Moabita correspondem aos sinais de inscrição de Siloé de Ezequias, e mostra que as duas línguas são da mesma descendência semítica. A similaridade de alguns costumes também indica o mesmo parentesco. Moabe é representada em Êxodo 15.15 como já sendo um povo poderoso quando Israel saiu do Egito.
A terra que veio a ser conhecida como Moabe era, até onde sabemos originalmente, habitada por um povo conhecido por sua grande estatura, que a Bíblia chama de refains (Dt 2.10,11). Eles foram citados pelos moabitas que os expulsaram, como ‘emis’ os ‘terríveis’ ou ‘ameaçadores’. Eles são citados em Gênesis 14.5 como habitantes de Savé-Quiriataim.
Durante o período dos juízes de Israel, em que a nação ficou enfraquecida, os moabitas prosseguiram para o norte, a partir do rio Arnom até vários quilômetros ao norte do extremo do mar Morto, atravessando o rio Jordão até Jericó. Os israelitas foram oprimidos por Eglom, rei de Moabe, durante 18 anos até este ser assassinado pelo juiz Eúde (Jz 3.12-30). As campanhas do rei Saul na Transjordânia incluíram a derrota de Moabe (1Sm 12.9). Quando Davi fugiu de Saul, ele levou seus pais até o rio de Moabe, para que estivessem protegidos. Talvez este simpatizasse com Davi por causa de Rute, a bisavó moabita de Davi. Durante os reinados de Davi e Salomão, Moabe esteve sob o domínio de Israel” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1296).

CONHEÇA MAIS



Bélem
“Situa-se a mais ou menos oito quilômetros a sudoeste de Jerusalém. A cidade era cercada por exuberantes campos de oliveira. Suas colheitas eram abundantes. A vinda de Rute e Noemi a Belém era certamente parte do plano de Deus porque nesta cidade nasceria Davi (1Sm 16.1), e, como foi predito por Miqueias (5.2). Jesus Cristo também viria ao mundo lá. Esta mudança, então, era mais do que mera conveniência para Rute e Noemi. Ela tinha como propósito o cumprimento das Escrituras”. Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p.357



II. O CUIDADO DE NOEMI E O CARÁTER DE RUTE

1. Um amor sincero e profundo. Noemi sugeriu que as duas noras voltassem às suas origens. Mostrou-lhes o quanto seria difícil estar com ela, e insistiu para que voltassem às suas famílias. “Então, levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela” (Rt 1.14).
2. O caráter amorso de Rute. Orfa, viúva de Quiliom, “beijou a sua sogra”, despediu-se, e foi embora para sua família, e “aos seus deuses” (Rt 1.15). Mas Rute demonstrou outra atitude. Preferiu acompanhar sua amada sogra.
a) Um caráter amoroso e confiante. “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu [...]” (Rt 1.16a). Como verdadeira serva de Deus, Rute demonstrou ter um caráter agradecido e generoso. Ela tomou a decisão consciente de estar ao lado de Noemi, em qualquer lugar e em qualquer circunstância. Ela amava de verdade.
b) Um caráter fortalecido na fé em Deus. Com toda a certeza, Rute se converteu ao Senhor. Em sua declaração de amor a Noemi, ela disse com toda a convicção: “[...] o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16b). Essa decisão mostra a sua fé em Deus (Hb 11.1). Rute não imaginava o que poderia lhe acontecer, mas ficou ao lado de Noemi, como vendo o invisível, sob a mão de Deus.
c) Um caráter decidido e firme. Rute afirmou diante da sua sogra, amiga e irmã de fé sua decisão consciente: “Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso” (Rt 1.17,18). Uma lição de grande valor para os dias atuais, quando muitos que se dizem cristãos, desistem de seguir a Cristo por causa dos desafios, das lutas e provações.



SÍNTESE DO TÓPICO (II)

O cuidado de Rute para com Noemi revelou o seu caráter fiel e bondoso.



SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“No mundo antigo, não havia quase nada pior do que ser uma viúva. Muitas pessoas tiravam vantagem das viúvas ou as ignoravam. Elas eram quase sempre atingidas pela pobreza. Portanto, a lei de Deus ordenava que o parente mais próximo do marido falecido cuidasse da viúva. Mas Noemi não tinha parentes em Moabe, e não sabia se algum dos parentes do marido estavam vivos em Israel.
Mesmo em uma situação desesperadora, Noemi teve uma atitude altruísta. Embora ela tenha decidido voltar para Israel, encorajou Rute e Orfa a permanecerem em Moabe e recomeçarem suas vidas, mesmo que isto trouxesse dificuldades para ela.
Belém ficava a aproximadamente oito quilômetros a sudoeste de Jerusalém. A cidade era cercada por oliveiras e campos verdejantes. Suas colheitas eram abundantes. Certamente, o retorno de Rute e Noemi a Belém foi parte do plano de Deus, porque nesta cidade nasceria Davi (1Sm 16.1). Como previsto pelo profeta Miqueias (Mq 5.2), Jesus Cristo também nasceria neste lugar. Portanto, esta mudança foi mais do que mera conveniência para Rute e Noemi. Ela propiciou o cumprimento das Escrituras” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.422).



III. COMO RUTE ENTROU NA GENEALOGIA DE JESUS

1. Rute chega a Belém. Ao chegar a Belém, Rute viu a admiração do povo pela condição em que sua sogra retornou à sua terra. Diz o texto: “[...] e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi? Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar; por que, pois, me chamareis Noemi? Pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo-Poderoso me tem afligido tanto” (Rt 1.19-21). Noemi quer dizer “agradável”, enquanto Mara significa “amargurada”. Este era o sentimento que enchia o coração de Noemi. Elas chegaram a Belém “no princípio da sega das cevadas” (Rt 1.22).
2. Rute atrai a atenção de Boaz. Rute era uma mulher trabalhadora. Não comia “o pão da preguiça” (Pv 31.27). Ao chegar a Belém, não esperou que Noemi sugerisse algum trabalho para sua manutenção. Ela tomou a iniciativa de procurar um serviço (Rt 2.2). Por direção de Deus, Rute foi rebuscar espigas no campo de Boaz, “que era da geração de Elimeleque” (Rt 2.3). Ao vê-la, Boaz perguntou ao chefe dos segadores quem era ela (Rt 2.5). O homem respondeu que era Rute, a moça moabita que voltou com Noemi (Rt 2.6). Encantado com a beleza da moça e admirado por sua história, Boaz falou benignamente a Rute; e disse que tomara conhecimento de seu gesto amoroso para com Noemi (Rt 2.8-13). Foi amor à primeira vista.
3. Rute casa com Boaz. Boaz procedeu de acordo com a lei, e diante das testemunhas e dos anciãos, casou-se com Rute. E declarou: “[...] também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar: disto sois hoje testemunhas” (Rt 4.10). O povo que compareceu à cerimônia ficou feliz com o casamento (Rt 4.11,12). Assim, ela entrou na genealogia de Jesus (Mt 1.5).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Rute, pela graça divina, veio fazer parte da linhagem do Messias.



SUBSÍDIO DIDÁTICO

“Rute era uma moabita, mas isto não a impediu de adorar o verdadeiro Deus, nem fez com que Ele rejeitasse e deixasse de abençoá-la grandemente. Os judeus não eram o único povo que Deus amava. O Senhor escolheu os judeus para serem o povo através do qual o resto do mundo viria a conhecê-lo. Isto se cumpriu quando Jesus Cristo nasceu como um judeu. Através dele, o mundo inteiro pode conhecer a Deus. Atos 10.35 diz que ‘lhe é agradável aquele que, em qualquer nação o teme e faz o que é justo’. Deus aceita todos os que o adoram; Ele opera através das pessoas, independentemente de sua raça, sexo ou nacionalidade. O livro de Rute é um exemplo perfeito da imparcialidade de Deus. Embora Rute pertença a uma raça frequentemente desprezada por Israel, ela foi abençoada por causa de sua fidelidade. Ela se tornou a bisavó do rei Davi e uma ancestral direta de Jesus. Ninguém deve se sentir desqualificado para servir a Deus por motivos de raça, sexo ou nacionalidade. E Deus pode usar toda e qualquer circunstância para edificar seu reino” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.422).



CONCLUSÃO

A história de Rute demonstra de forma clara como Deus criou o homem, na perspectiva de um plano de salvação para todas as pessoas, em todos os lugares, independente de sua nacionalidade, de sua cor ou condição social. Pela lógica humana, jamais uma mulher moabita faria parte da linhagem santa, da qual nasceu o Messias de Israel, o Salvador do mundo. O amor de Deus está além de toda a compreensão humana.

PARA REFLETIR

A respeito de Rute, uma mulher digna de confiança, responda:

Que significa o nome Rute?
O nome Rute significa “amizade”.

Por que os moabitas não podiam entrar na congregação de Israel?
Por não terem permitido o povo de Israel passar por suas terras, em direção a Canaã.

Qual a diferença entre a decisão de Rute e a de Orfa quanto a Noemi?
Orfa chorou, beijou a sogra, e voltou aos seus deuses; Rute chorou, mas preferiu ficar ao lado de Noemi.

Como Rute mostrou que se converteu a Deus?
Quando disse a Noemi: “[...] o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.

Que significado tem a inclusão de Rute, a moabita, na genealogia de Jesus?
Demonstra que Deus não é Deus apenas de Israel, mas é “Senhor do céu e da terra”.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Rute, uma mulher digna de confiança

Quando lemos Mateus 1.1-17, a genealogia de Jesus, quatro mulheres chama-nos a atenção. Destacaria primeiramente Tamar (v.3), Raabe (v.5), Bate-Seba — mulher de Urias — (v.6). Essas três mulheres tinham uma transgressão incomum: pecado na área sexual. A primeira se fez prostituta para garantir a sua descendência na família (Gn 38). A segunda era prostituta por “profissão” (Js 2). A terceira adulterou com o rei Davi (2Sm 11), cujo fruto desse relacionamento foi Salomão, o sucessor do homem segundo o coração de Deus. Note que os precedentes dessas três mulheres não são dos melhores, mas mesmo assim elas estão postas ali em Mateus para mostrar o alcance da graça em Jesus Cristo, onde o Deus encarnado não se envergonha dessas mulheres, mas se coloca humildemente como descendente delas. Por isso o ministério de nosso Senhor foi marcado pela seguinte afirmação: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (Mt 9.13). É notório, que após um encontro com Senhor, o pecador arrependa-se dos seus pecados e ande em novidade de vida. Por isso, essas mulheres anunciam profeticamente a marca do ministério do Senhor Jesus Cristo: trazer arrependimento ao pecador.
A quarta mulher a ser destacada neste contexto é Rute (v.5). Há uma curiosidade bíblica interessante. O esposo remidor de Rute, Boaz, era filho de Raabe. O que faz com que na genealogia de Jesus, Rute e Raabe se aproximem sobremaneira. Entretanto, o que se destaca na história de Rute — sobretudo, num contexto onde a identidade cultural e nacional de Israel estava sendo formada, pois à época em que se passa a história de Rute Israel ainda não era uma nação (e não por acaso o livro de Rute está alocado entre Juizes e 1 Samuel, fazendo uma espécie de transição literária) — é a jovem moabita ser uma estrangeira que rejeitou os deuses particulares para se converter ao Deus de Israel. O texto a destacar essa maravilhosa decisão está em Rute 1.16, quando da fala da jovem moabita à sua sogra Noemi: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.
Ao lado de Tamar, Raabe e Bete-Seba, Rute mostra o aspecto universal da obra de redenção de Deus para a humanidade. Eis a história de salvação!


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