terça-feira, 30 de maio de 2017

Estudo livro de Exôdo (2) מחקר שמות

                ESTUDO E COMENTÁRIO DO EXÔDO PARTE N.2



                                              No Deserto

"E APASCENTAVA Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe" (versículo 1). Aqui temos, pois, uma mudança admirável na vida de Moisés. Lemos em Génesis, capítulo 46:34, que "todo o pastor de ovelhas é abominação para os egípcios" e no entanto, Moisés, que era "instruído em toda a ciência dos egípcios", é transferido da corte do Egito para trás do deserto para apascentar um rebanho de ovelhas e preparar-se para o serviço de Deus. Seguramente isto não "é o costume dos homens" (2 Sm 7:19) nem o curso natural das coisas: é um caminho incompreensível para a carne e o sangue. Nós havíamos de pensar que a educação de Moisés estava terminada logo que se tornou mestre de toda a sabedoria do Egito, gozando ao mesmo tempo das vantagens que oferece a este respeito a vida de uma corte. Poderíamos supor que um homem tão privilegiado havia de ter não apenas uma instrução sólida e extensa mas também uma distinção tal em suas ações que o tornariam apto para cumprir toda a espécie de serviço. Porém, ver um tal homem, tão bem dotado e instruído, ser chamado a abandonar a sua elevada posição para ir apascentar ovelhas atrás do deserto, e qualquer coisa incompreensível para o homem, qualquer coisa que humilha até ao pó o seu orgulho e a sua glória, mostrando que as vantagens humanas são de pouco valor diante de Deus; mais ainda, que são "como esterco", não somente aos olhos do Senhor, mas aos olhos de todos aqueles que têm sido ensinados na Sua escola (Fp. 3:8).

Existe uma diferença enorme entre o ensino humano e o divino. Aquele tem por fim cultivar e exaltar a natureza; este começa por a "secar" e a pôr de lado. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2:14). Podeis esforçar-vos por educar o homem natural tanto quanto puderdes, sem que jamais consigais fazer dele um homem espiritual. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6). Se alguma vez um "homem natural" educado pôde esperar ter êxito no serviço de Deus, esse tal foi Moisés: ele era "instruído... e poderoso em suas palavras e obras" (At 7:22); e todavia teve que aprender alguma coisa "atrás do deserto" que as escolas do Egito nunca lhe haviam ensinado. Paulo aprendeu muito mais na Arábia do que jamais havia aprendido aos pés de Gamaliel (¹). Ninguém pode ensinar como Deus; e é necessário que todos aqueles que querem aprender d'Ele estejam a sós com Ele. Foi no deserto que Moisés aprendeu as lições mais preciosas, mais profundas, mais poderosas e mais duráveis; e é ali que devem encontrar-se todos os que queiram ser formados para o ministério.C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.

3. O objetivo da chamada divina (Êx 3.10).

Êx 3.12 Resposta à Primeira Objeção. Moisés não era apenas Moisés; ele era o Moisés em quem Deus estava cumprindo o Seu propósito. Esse é um segredo universal de homens verdadeiramente grandes. Eles são capacitados mediante a presença e o poder divino. O projeto era de Deus, e não de Moisés. Moisés seria apenas um instrumento. Naturalmente, suas habilidades naturais e seu conhecimento seriam usados no plano. Ele não seria apenas uma marionete.O sinal. Temos aqui uma garantia dada por Deus, como se fora uma promessa, de que 0 plano teria êxito, de tal modo que, ao sair do Egito, o povo de Israel serviria a Deus naquele monte santo, o monte de Deus, Horebe, ou Sinai. E isso teve cumprimento, como é lógico. A lei foi concedida ali, e Israel tornou-se uma nova espécie de nação, uma teocracia.A Moisés foi dado entender que o êxodo seria um empreendimento teocêntrico, envolvendo um sentido cósmico, o que significa que só o poder divino poderia realizar o feito.
Alguns eruditos pensam que o sinal foi a sarça ardente (vs. 3,4); mas isso é menos provável. Ver Êxo. 24.4,5 quanto ao cumprimento do sinal, em comparação com Isa. 37.30, outro acontecimento da mesma natureza.
Êx 3.13 A Segunda Objeção. Israel não daria crédito ao radical Moisés, que falava em visões e comissões dadas pelo Deus de Abraão. Haveriam de considerá-lo um visionário louco. Não o veriam como uma autoridade. Faltava a Moisés a autoridade divina, de acordo com sua própria estimativa, e o povo de Israel não demoraria a perceber isso. Moisés teria a tarefa de convencer o povo de Israel de que tinha falado com Deus e tinha recebido sua comissão.

Qual é o seu nome? De acordo com a Bíblia, o nome de uma pessoa indica o seu caráter. Moisés, pois, estava reivindicando uma nova revelação, e isso requereria um novo nome divino para dar-lhe respaldo. Isso pode ser com- parado com a história do novo nome de Jacó, Israel (Gên. 32.27 ss.). “Cria-se nos dias antigos que a essência de uma pessoa se concentrava em seu nome” (Oxford Annotated Bible, sobre Gên. 32.27). Um novo nome é um novo “eu”. No caso de Moisés, o novo nome indicava uma nova revelação de Deus, um novo propósito.Neste versículo está envolvido muito mais do que a ideia de o Deus de Israel ser identificado mediante um nome, em contraposição aos muitos nomes que eram adorados no Egito, conforme alguns eruditos têm interpretado.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 318.

Embora Deus pudesse ter livrado Israel diretamente por uma palavra, preferiu fazer sua obra por seu servo. Disse Deus a Moisés: Eu te enviarei a Faraó (10). Este homem, outrora auto designado libertador, tinha de ir à presença do orgulhoso rei e tirar Israel do Egito sob a direção de Deus.
Identificamos “O Envolvimento de Deus com o seu Povo” em cinco declarações: 1) Tenho visto atentamente, 7; 2) Tenho ouvido, 7; 3) Conheci, 7; 4) Desci, 8; 5) Eu te enviarei, 10.
c) As instruções divinas (3.11-22). A princípio, Moisés contestou o plano de Deus usá-lo. Viu: a) sua incapacidade: Quem sou eu?; e b) a impossibilidade da tarefa: E tire do Egito os filhos de Israel? (11). O príncipe que há quarenta anos era confiante em si mesmo agora temia a tarefa. Era mais sábio no que concerne à capacidade humana de ocasionar a libertação, mas ainda tinha de aprender o poder de Deus. Como é frequente hesitarmos quando olhamos para nós mesmos — ato que devemos fazer —; mas não precisamos ter medo quando olhamos para Deus! Certamente eu serei contigo (12) sugere que quando Deus escolhe um mensageiro, Ele não se baseia na habilidade do indivíduo, mas na submissão deste à vontade de Deus. Deus assegurou a Moisés que ele e o povo serviriam a Deus neste monte depois que Israel fosse libertado do Egito. A expressão: Isto te será por sinal, está corretamente traduzida.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 146.

II - AS DESCULPAS DE MOISÉS E A SUA VOLTA PARA O EGITO
1, O receio de Moisés e suas desculpas.

Moisés foi chamado por Deus, mas não atendeu à voz divina imediatamente. Analisemos os textos que se seguem.
Em um primeiro momento (Êx 3.5,6), Deus fala com o pastor Moisés para que tenha temor ao se aproximar, e de imediato se identifica como sendo o Deus de Abraão, de Isaque e Jacó, uma clara referência de que Ele era reverenciado pelos antepassados de Moisés.
Após se identificar (Ex 3.7,8), Deus deixa claro que viu a aflição do seu povo e que ia livrá-lo, tirando-os da escravidão e levando-os a uma terra nova e frutífera.“Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Ex 3.10). É curioso que Deus diz a Moisés que vai tirar seu povo do Egito, para depois dizer a Moisés que ele havia sido escolhido para ir diante de Faraó e convencer o rei a libertar o povo. Por que Ele mesmo não aparecia a Faraó e ordenava que o povo fosse solto? Ele tinha de usar alguém para tal função? Sim, Deus tinha de usar Moisés para tal feito. Como Moisés, precisamos aprender que Deus pode fazer grandes coisas sem utilizar ninguém, mas em diversas situações Ele se utiliza de pessoas como eu e você, limitadas, para cumprir seus propósitos.

Analisando de forma mais acurada o texto que narra a conversa de Deus com seu servo, poderemos observar: “Então, Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? E Deus disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte” (Ex 3.11,12).

Moisés já tinha visto a sarça ardendo no deserto, e já ouvira Deus convocando-o para a missão que ocuparia uma parte importante de sua vida. Mas nem sempre pessoas que serão grandemente utilizadas por Deus estarão de imediato prontas para obedecer à sua voz quando chamadas. Moisés trouxe seu primeiro questionamento ao Senhor: “Quem sou eu para falar com Faraó e tirar o povo do Egito?” Aos próprios olhos, Moisés não tinha tal capacidade. É provável que ele estivesse pensando em seu passado, no crime que havia cometido, no prejuízo que teria se retornasse ao Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera. Mesmo se essa possibilidade fosse remota, o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer à voz de Deus, e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó.

Observe que Deus disse a Moisés que seria com ele. Deus sabia das limitações daquele homem, mas garantiu-lhe que o acompanharia. Essa é uma promessa que nos deve fazer refletir, pois não raro, dependemos de muitos fatores para nos sentirmos seguros para fazer a obra de Deus, como recursos, pessoal e tempo. E do que realmente precisamos? Da companhia de Deus. Sem ela, nossos recursos, por mais que se mostrem abundantes, serão insuficientes. Com a presença de Deus, os recursos, por mais escassos, tornam-se instrumentos de abundância e de milagres diariamente.

Então, disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés:EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. (Êx 3.13-15) Moisés fez um segundo questionamento ao Senhor: Qual era o nome daquele que o estava comissionando? Deuses deveriam ter nomes. Os do Egito tinham suas nomenclaturas, e o nome das divindades geralmente espelhava alguma característica relacionada a um poder ou a um hábito dentro da teologia daquele povo.O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó deveria ter um nome também. A expressão “o Deus de vossos pais” é muito impessoal. Se Deus tem um nome, porque Moisés não poderia sabe-lo? A resposta divina foi: “Diga aos filhos de Israel que o EU SOU está mandando você para libertá-los. Lembre-os de que sou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó”. Deus deveria ser identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas.
Deus ordena que Moisés procure os anciãos e diga que o Deus dos pais deles tinha aparecido e ordenado a ele que fosse falar com Faraó. Observe que Deus não apenas trata de falar com Moisés, mas de dar a ele ordens bem direcionadas e específicas. Ele deveria falar com Faraó que Deus estava ordenando que o rei deixasse o seu povo ir, mas havia a orientação para que Moisés procurasse os anciãos do povo e comunicasse que Deus tinha visto o que os egípcios fizeram com os israelitas, que Ele os tiraria do Egito e que eles prestariam culto ao Senhor (Êx 13.16-18).

A mensagem foi dada, mas isto não indicava que as coisas seriam fáceis para Moisés. Deus diz a Moisés que Faraó não era uma pessoa de fácil relacionamento, e que não deixaria o povo sair. Por isso, Deus feriria o Egito e no fim os israelitas seriam libertos e ainda pediriam aos seus vizinhos egípcios bens em roupas e metais preciosos (Êx 3.19-22).Moisés apresentou outra desculpa para não obedecer àquilo que Deus estava mandando: os israelitas não acreditariam nele, e ainda diriam que Deus não havia aparecido a Moisés. Se Moisés não se convenceu imediatamente de sua chamada, como convenceria os israelitas de que ele era um enviado de Deus? A resposta de Deus foi imediata, por meio de sinais. Moisés lançou no chão a vara com que liderava as ovelhas de seu sogro, e ela se transformou em uma serpente. Quando Moisés pegou a serpente pela cauda, ela se transformou em uma vara novamente. Mas se este sinal foi pouco, Deus tinha outra forma de mostrar seu poder a Moisés:E disse-lhe mais o Senhor: Mete agora a mão no peito. E, tirando-a, eis que sua mão estava leprosa, branca como a neve. E disse: Torna a meter a mão no peito. E tornou a meter a mão no peito; depois, tirou-a do peito, e eis que se tornara como a sua outra carne. E acontecerá que, se eles te não crerem, nem ouvirem a voz do primeiro sinal, crerão a voz do derradeiro sinal; e, se acontecer que ainda não creiam a estes dois sinais, nem ouçam a tua voz, tomarás das águas do rio e as derramarás na terra seca; e as águas que tomarás do rio tornar-se-ão em sangue sobre a terra seca (Êx 4.6-9).

Deus já conversara com Moisés, e lhe mostrou sinais de seu poder. Depois de tantas demonstrações, disse que confirmaria um terceiro sinal, transformando a água do rio em sangue. O que Moisés queria mais? Ele já tinha visto dois sinais, e se isso fosse pouco, um terceiro sinal Deus faria. Mas Moisés permaneceu na defensiva: desta vez ele alegou que não era uma pessoa hábil para realizar discursos que convencessem as pessoas.
O tom de voz de Deus começou a mudar naquela conversa. Deus disse que Moisés fosse fazer seu trabalho que Ele o ensinaria como deveria falar (Ex 4.10-12). Moisés apenas deveria aprender a confiar no Senhor.

Essas desculpas podem parecer irreais a nós hoje, mas nos lembremos de que Moisés até aquele momento, ao que parece, não tivera ainda um contato com Deus. Ele pode ter sido criado por uma família piedosa, mas ainda precisava ter sua própria experiência com o Senhor. E por não ter ainda essa experiência, provavelmente não estava disposto a obedecer. Para não ficar tão mal aos olhos de Deus, ele sugeriu: “Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim” (Ex 4.13, ARA).

Moisés já chegara ao seu limite, e não poderia mais protelar sua obediência ao Senhor. Deus disse-lhe que Arão seria um companheiro adequado para aquela missão, e que Arão falaria ao povo por Moisés. Desta vez, ele não teria mais alternativas a não ser obedecer (Ex 4.13-17).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 17-21.

Êx 3.11 Quem sou eu para ir...? Moisés Apresentou Quatro Objeções. 1. Inadequação pessoal (3.11). 2. A autoridade de Deus (investida em Seu nome) entregue a Moisés diante de Israel (3.13). 3. As dúvidas de Israel acerca da comissão e da autoridade recebida por Moisés da parte de Deus (4.1). 4. A falta de eloquência de Moisés (4.10).

Moisés iniciou suas queixas falando sobre suas próprias inadequações. O augusto Faraó nem lhe daria ouvidos. É como se Moisés tivesse dito: Domine, non sum dignos. “Os homens mais aptos para grandes missões geralmente são os que se julgam mais despreparados. Quando Deus chamou Jeremias para ser um profeta, sua resposta foi: Ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque não passo de uma criança (Jer. 1.6). Ambrósio lutou muito para não ser nomeado arcebispo de Milão. Agostinho relutou em aceitar a missão na Inglaterra. Anselmo temia aceitar a liderança da igreja nos dias maus de Rufo” (Ellicott, in loc.).
Durante quarenta anos (Atos 7.30), Moisés tinha sido um humilde pastor no deserto. Estaria ele agora preparado para ir falar pessoalmente com o Faraó? O Faraó tinha grande poder e um exército bem equipado. E 0 que tinha Moisés?

Êx 4.14 ... se acendeu a ira do Senhor. Temos aqui uma expressão antropomórfica. Por que o Senhor se irou? Não porque Moisés estava sendo humilde demais. Antes, estava demonstrando incredulidade e porque, naquele momento, preferia sacrificar sua grande missão e privilégio em troca de conforto pessoal. A maioria dos homens não se dispõe a sacrificar-se muito em favor de Deus e do bem. A maioria dos homens é egocêntrica.

O Substituto. O texto apresenta Deus a raciocinar com Moisés, cedendo diante de suas objeções e limitações, e, por assim dizer, concordando com as suas condições. Todos nós procuramos tratar com Deus dessa maneira, mas isso é uma ilusão. A sugestão divina foi que, em lugar de substituir Moisés, haveria de reforçá-lo no ponto de sua fraqueza. Arão, irmão de Moisés, homem que a mente divina sabia ser eloquente (pois, afinal de contas, Deus o havia criado desse modo, vs. 11), seria um reforço para garantir o sucesso do projeto divino. Fosse como fosse, conforme minha mãe costumava dizer: “Algumas vezes podemos barganhar com Deus, mas de outras vezes, não”. Ademais, 0 homem espiritual sabe que, algumas vezes, 0 melhor dos homens precisa ser fortalecido em seus pontos fracos, a fim de não fracassar. Deus lembra-se de que somos apenas pó. (Sal. 103.14).

A Elevação de Arão. Esse foi um dos fatores que 0 qualificou para sua obra de sumo sacerdote, e qualificou a sua tribo, a dos levitas, a ocupar o oficio sacerdotal. Arão tornou-se o porta-voz de Moisés. Neste versículo, Arão é chamado de levita. Alguns críticos pensam que essa afirmação tenha sido feita a fim de conferir a Arão e à sua tribo a autoridade sacerdotal, mediante um texto de prova bíblico que favorece tal autoridade. O autor sagrado estaria aqui firmando os levitas como uma ordem sacerdotal autorizada, mediante uma palavra divina.
... se alegrará em seu coração. Provavelmente essas palavras indicam que Arão sentir-se-ia feliz em participar do projeto de libertação, a despeito de seus perigos, e não apenas que se alegraria por ver Moisés, ao qual talvez já não visse por algum tempo, que não é aqui designado.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 318.

Moisés percebeu que, como porta-voz de Deus, ele tinha de convencer o povo. As pessoas perguntariam: Quem é este Deus que está te enviando? Qual é o seu nome? (13). Os deuses egípcios tinham nomes, e as pessoas iam querer saber o nome do Deus delas.

Aqui em Horebe, Deus disse: EU SOU O QUE SOU (14). O original hebraico é uma forma da palavra Yahweh (Jeová). O tempo é indefinido, podendo significar igualmente o passado, o presente ou o futuro.20 Deus “se revelou a Moisés não como o Criador — o Deus de poder — Elohim, mas como o Deus pessoal de Salvação, e tudo o que contém o ‘eu sou’ será manifestado pelos séculos por vir”.21 Este nome também revelou sua eternidade — Ele era o Deus de vossos pais e este seria seu nome eternamente: Seu memorial de geração em geração (15). Mais tarde, este Ser divino disse que seria ele aquele “que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso” (Ap 1.8). E evidente por Gênesis 4.26 (onde Yahweh é traduzido por “o SENHOR”) que aqui Moisés recebeu uma explicação de um nome há muito conhecido (cf. tb. 6.3 e os comentários feitos ali).
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 146-147.
10. Eu te enviarei. Davies aponta esta passagem como a comissão apostólica de Moisés. Não há contradição entre o envio de Moisés e a intenção declarada de Deus de realizar pessoalmente a obra, Deus normalmente trabalha através da obediência voluntária de Seus servos, realizando Sua vontade. Cristo pode ter tido esta passagem em mente quando deu uma comissão apostólica semelhante a Seus discípulos (João 20:21).

11. Quem sou eu. Esta não é uma pergunta existencial mas uma expressão de dúvida (cf Jz 6:15). Moisés, ao contrário de seus anos no Egito, aprendera a desconfiar de si mesmo tão profundamente a ponto de incorrer na ira de Deus (4:14). Auto-desconfiança só é virtude quando nos leva a confiar em Deus. Caso contrário, termina em paralisia e incapacidade espirituais, "bem como em completa relutância em levar a cabo qualquer tipo de ação. Moisés, tal como Elias, é o exemplo do homem que sofreu um “ colapso nervoso” e se encontra completamente fechado para o trabalho de Deus.

 12. Eu serei contigo. A frase “ Eu serei” (hebraico ’ehyeh) é quase com certeza um jogo de palavras com YHWH, o nome divino, explicado nos versos 14 e 15. O único meio de “ traduzir” o jogo de palavras para o português seria dizer “ Eu, Deus, serei contigo” . Deus responde à objeção levantada por Moisés quanto à sua incapacidade, de duas maneiras. Primeiramente Ele promete Sua própria presença; em segundo lugar, dá a Moisés um sinal ou prova de que está com ele. Depois disso Moisés não tem mais direito de protestar. Já não se trata de falta de autoconfiança (o que é bom) mas falta de fé (que é pecado). Este será o sinal de que Eu te enviei. A despeito de várias outras interpretações mais sofisticadas, a explicação mais simples de uma “ prova” é ainda a melhor. A nação que fora escrava, depois de liberta, adoraria a Deus um dia naquele mesmo Monte Sinai. Como diríamos hoje, era questão de ver para crer. O sucesso da missão confiada a Moisés provaria além de qualquer dúvida que Deus estava com ele e o havia enviado.

Tais sinais sempre seguem a fé. Por enquanto, Moisés deve avançar pela fé; a situação é típica da perspectiva bíblica quanto a sinais. A grande aliança e a doação da Lei no Sinai foram o cumprimento deste sinal (cap. 19 ss). Basta esta promessa para entendermos a insistência de Moisés perante Faraó de que Israel precisava celebrar uma festa a YHWH no deserto (5:1); somente assim o sinal poderia ser cumprido.R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 65-66.

MOISÉS TENTA ESQUIVAR-SE DE DEUS

Longe de sentir-se encorajado com sua experiência na sarça ardente, Moisés inventa uma série de desculpas que ele acredita desqualificá-lo como escolha de Deus. Quem sabe Deus cometeu um erro de julgamento! Suas desculpas são:Incapacidade (ou au Lo dep reciação): “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (3.11)Ignorância'. “Eis que quando vier aos filhos de Israel [...] e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?” (3.13)Incredulidade-, “Então, respondeu Moisés e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu” (4.1).Inexpressividade. “Ah! Senhor! Eu não sou homem eloquente [...] porque sou pesado de boca e pesado de língua” (4.10).Insubordinação-, “Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviai; menos a mim” (4.13 — ARA).

Childs, com correção, comenta: “O avanço do diálogo é mais visceral que racional”.
Felizmente para Moisés, o Deus com quem ele conversou já estava acostumado à desculpas semelhantes. Deus retorque a cada escusa apresentada.Incapacidade. Nas várias respostas de Moisés, nota-se que ele considera seus próprios recursos, sem contar com os recursos de Deus. Logo, para corrigi-lo e refutar sua primeira desculpa, Deus diz: “Eu estarei com você” (Ex 3.12 — NVI). Isso significa que, para Moisés, a principal questão não é “Quem sou eu?”, mas “A quem pertenço?” (Conforme o que afirma o apóstolo Paulo: “Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo” [At 27.23]). D. E. Gowan, em um fascinante estudo dessa expressão (“Eu estarei com você” / “o Senhor estava com ele”) no Antigo Testamento, frisa que ela é predominantemente utilizada com pessoas em posição de liderança, ou prestes a assumi-la. E também utilizada com pessoas que enfrentam um sério perigo ou cuja chance de fracasso é grande. Assim sendo, jamais se pretendeu que ela significasse uma “garantia incondicional de segurança do status quo [...] (ou) fosse uma expressão comum utilizada em relação a um bem-estar geral”. Como garantia.

Deus provê um “sinal” (3.12a). Para decepção de Moisés, o sinal se tornaria evidente somente após ele arriscar a própria vida (3.12b). O que ele deseja é um sinal antecipado, não posterior; não apenas a palavra do Senhor, mas um sinal tangível.

Ignorância. Moisés previu que lhe seria perguntado algo que não saberia responder. Pode ser que tal preocupação tivesse sido motivada por suposições quanto à possibilidade de o nome de Deus ter sido apagado da memória dos hebreus, visto que já estavam há tanto tempo refugiados no Egito. Mais provavelmente, contudo, ele estava preocupado com a possibilidade de lhe pedirem para identificar pelo nome o Deus que o enviou, como em um tipo de teste para validar seu ministério entre eles. Talvez não seja incidental o fato de as Escrituras jamais registrarem alguém fazendo essa pergunta. Apesar disso, Deus não considera as preocupações de Moisés inválidas.
Em resposta, surge o nome do próprio Deus, Jeová, ou como ele é muitas vezes chamado, o Tetragramaton (ou seja, o tetragrama formado por quatro letras hebraicas\y-h-w-h). E enorme o número de estudiosos que já trataram dessa questão. Para os principiantes, podemos definir como a terceira pessoa do singular do verbo h-w-h, “ser”, ou seja: “ele é” ou “ele será”. Via de regra, a tradução no versículo 14 de ’ehyeh ’ashèr ’ehyeh é “eu sou o que sou”, apesar de uns poucos (como, por exemplo, C. H. Gordon e C. Isbell) estudiosos defenderem que essa frase está na terceira pessoa e não na primeira pessoa, de modo que deveria ser lida como “Ele é o que Ele é” .

Qual o significado da resposta de Deus? Seria uma evasiva, uma humilhação para Moisés, que, assim como Jacó (Gn 32.29) ou a mãe de Sansão (Jz 13.6), não tinha direito algum de indagar sobre o nome sagrado? O argumento apresentado no versículo 14b (“Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós”) demonstra que não se trata de uma evasiva. E uma resposta suficiente e satisfatória para que Moisés atenda ao povo no caso de a questão ser levantada.Na sintaxe hebraica, quando o verbo da oração subordinada é o mesmo da oração principal, existem duas traduções possíveis. E exatamente isso que encontramos aqui: “Eu sou o que Sou” (3.14).

Para exemplificar, podemos citar Êxodo 4.13, onde se lê: “Envia aquele que hás de enviar” (ARA); ou seja, “envie qualquer outro, menos eu” . Em 1 Samuel 23.13, lemos literalmente: “Então, se levantou Davi com os seus homens [...] e foram-se aonde puderam”; ou seja, “foram para onde puderam ir”. Nesses dois exemplos, com o orador no primeiro e o narrador no segundo, vemos expressões deliberadamente genéricas. Ao comentar sobre essa expressão em Êxodo 3.14, Martin Noth observa: “O tipo de indefinição expressa deixa um grande número de possibilidades em aberto (‘Eu sou aquilo que quiser ser’)” .
A mesma expressão pode transmitir não apenas indeterminação, mas também veemência e realidade. Êxodo 33.19. “terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer” , por exemplo, não expressa indefinição, mas veemência. Da mesma forma, Ezequiel 12.25.“Porque eu, o Senhor, falarei, e a palavra que eu falar se cumprirá”, significa que o Senhor não pode ser silenciado ou sua palavra abafada. Um texto neotestamentário semelhante pode ser encontrado na palavras de Pilatos: “O que escrevi, escrevi” (Jo 19.22).

Sua palavra é imutável e indelével.

Nesse sentido, portanto, “Eu sou o que Sou” significa que “eu estou (com você, onde quer que você esteja), que eu realmente estou” . Parte dessa nuança é aventada pela tradução da Septuaginta, que traz “Eu sou aquele que é” . Voltando à sintaxe hebraica, o sujeito da oração subordinada deve concordar em gênero e número com a oração principal. Sendo assim, Êxodo 20.2 literalmente diz: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que [Eu] te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. E claro que na sintaxe da língua portuguesa o “que” já bastaria como sujeito do verbo, mas em hebraico, não passa de um conectivo que liga a oração principal à subordinada. Em consequência, o termo equivalente a “Eu sou o que Sou” seria “Eu sou ele que é”. E visto que ele é, ele está sempre presente, ainda que em meio à confusão que havia no Egito.

O fato de Deus revelar seu nome a Moisés indica a impossibilidade de poder haver um relacionamento significativo com alguém cujo nome não se conhece. Contudo, como Terence Fretheim enfatiza, conhecer o nome de alguém implica em poder honrar ou desonrar esse nome. Deus se dispõe a assumir esse risco, mas não sem antes dar um alerta. Logo, o Deus que revela seu nome a Moisés em Êxodo 3 e 6 toma o cuidado de proibir seu uso errado em Êxodo 30 (v. 7).

Incredulidade. Ainda assombrado pela possibilidade de ser rejeitado, Moisés sugere que sua credibilidade será atacada por seu próprio povo. O povo de Deus é mais difícil de lidar que os inimigos do Altíssimo.Moisés recebeu três sinais de Deus para comprovar seu chamado divino: uma vara é transformada em cobra e então novamente em vara; uma mão é tomada pela lepra e então curada; um copo cheio de água do Nilo, ao ser derramado na terra, transforma-se em sangue (4.2-9). Os dois primeiros, ao menos para Moisés, devem ter sido assustadores. George Knight comenta: “Deus precisou sacudir de Moisés seus raciocínios egoístas. Moisés precisou aprender que ninguém menos que Deus o chamava para fazer coisas absurdamente difíceis”.
Inexpressividade. Uma coisa é realizar atos miraculosos, mas o que acontece se a pessoa também precisar falar e temer ficar com a língua presa ou confundir as palavras? Poderiam alguns tropeços verbais destruir os bons efeitos dos sinais sobre o povo?E interessante observar que Estevão fala sobre um Moisés “instruído em toda a ciência dos egípcios e [...] poderoso em suas palavras e obras” (At 7.22). Ou Estevão está deliberadamente exagerando em sua exposição, ou o que Moisés demonstrou foi uma falsa humildade; ou seja, negou um dom que Deus efetivamente lhe dera.Pode ser, no entanto, que Moisés de fato sofresse de algum tipo de problema na fala (Tigay), o que justificaria seus temores.
Insubordinação. O esforço de Moisés em evitar suas responsabilidades chegam ao clímax em sua quinta objeção: “Manda outra pessoa” . De modo relutante, Deus cede aos seus desejos, sugerindo que Arão seja o representante de Moisés. As credenciais de Arão? “Eu sei que ele falará muito bem” (4.14). Como bem? Pelo menos suficientemente bem para reunir apoio e recursos para a apostasia do bezerro de ouro (Ex 32)!
Satisfeito por Deus tê-lo ao menos suprido de um assistente, Moisés volta até seu sogro para dizer adeus (um tanto diferente da separação entre Jacó e Labão!) e segue para o Egito.

Em seguida, lemos o mais estranho acontecimento narrado no livro de Êxodo. Antes de chegar a seu destino, Moisés encontra-se com o Senhor, que tenta matá-lo. (Moisés ou o primogênito de Moisés?) A passagem é extremamente confusa. Por que Deus procuraria matar Moisés logo após chamá-lo? Na frase “o Senhor o encontrou e o quis matar”, quem é o “o”? Seria Moisés ou um de seus dois filhos? Caso fosse um filho, qual dos dois? Como Zípora, uma midianita, sabe como reagir prontamente naquela situação?Na frase “e o lançou a seus pés”, aos pés de quem ela lançou? Seriam os pés de Moisés, do filho ou do agressor celestial (a ARA substitui abertamente o “o” por “Moisés”)? Que devemos entender quando Zípora reage automaticamente: circuncida seu filho com uma pedra afiada e toca os pés de alguém (seria isso um eufemismo para genitália?) com o prepúcio. Graças à ação rápida da esposa, Moisés (ou seu filho) é salvo. Fretheim comenta que Zípora, ao salvar Moisés (ou seu filho) da ira de Deus, prenuncia o ministério de intercessão de Moisés (capítulo 32), o qual salva Israel da ira divina.

Se ela não tivesse tomado uma atitude, Moisés (ou seu filho) seria morto. Se Moisés não orasse e implorasse pela misericórdia de Deus, o povo de Israel seria morto e Deus começaria tudo outra vez com Moisés. Zípora assemelha-se a Raabe e Rute: três mulheres gentias que demonstram grande sabedoria e coragem, sendo usadas por Deus para livrar e preservar seu povo.

A história claramente enfatiza a importância da circuncisão como um sinal da aliança. Não se trata de um ritual a ser realizado conforme a conveniência do momento. Não se pergunta ao adorador se ele acha isso apropriado e importante. A circuncisão é uma ordenança divina. O ministério junto à família tem precedência sobre o ministério para com a congregação. A respeito desse incidente, C. H. Gordon comenta: “Ele tem o objetivo de alertar os judeus de todas as gerações: ‘Não deixem de circuncidar seus filhos! Se nem Moisés conseguiu fugir disso, como poderiam vocês?’”

A utilidade da narrativa, contudo, vai além de uma lição com fins práticos para as gerações vindouras. Já vimos que interiormente que a circuncisão era o sinal da aliança especial com Abraão e sua semente (Gn 17). Como mediador da aliança, Moisés precisa cumprir em si o sinal da aliança. Além do mais, a circuncisão feita por Zípora identifica Moisés e seu filho como pertencentes à descendência de Abraão. A aliança de Deus com Abraão incluiu Moisés na qualidade de filho de Abraão. Toda tentativa de se traçar distinções rígidas entre a aliança com os patriarcas e a aliança firmada no Sinai acaba neutralizada pela correspondência entre as obrigações de Moisés e Abraão.

Greenberg relaciona as temáticas desse relato e da experiência de Jacó em Peniel. Um agressor divino, encoberto pela escuridão, ataca alguém que está desprevenido. Jacó estava na expectativa de se reconciliar com Esaú. Moisés estava voltando ao Egito para reunir-se com seus compatriotas e enfrentar Faraó. O sangue ali derramado, que resultou no livramento de Moisés, prenuncia a libertação de Israel do Egito, também com derramamento de sangue. As correspondências entre esse incidente, em Êxodo 4. e a Páscoa, em Êxodo 12, são por demais interessantes. Ambos acontecem à noite (4.24; 12.8,12,29). 
Em ambos, a circuncisão tem um papel fundamental (4.25,26; 12.43-49). Ambas utilizam o verbo “lançar” (nãga")\ em 4.25, Zípora “lançou” o prepúcio aos pés de Moisés ou de seu filho; enquanto, em 12.22, as pessoas devem “lançar” um pouco de sangue nas vergas e ombreiras das portas de suas casas. E, acima de tudo, em ambos os casos o sangue derramado protege alguém da ira de Deus. Para esse episódio, existem outros temas análogos em Gênesis e Êxodo. O Senhor, por exemplo, livra, comissiona e, então, procura matar Moisés. De forma semelhante, o Senhor livra, comissiona e procura, logo em seguida, exterminar seu povo (Ex 32.10). Em ambos os casos, o juízo é causado por uma violação dessa aliança. A presteza de Zípora salvou Moisés e a intercessão de Moisés salvou os israelitas.
Assim como a atitude astuta de Raquel salvou Jacó de Labão a agilidade de Zípora salvou Moisés de Deus. Knight levanta algumas questões interessantes: “Será que Zípora compreendia esse aspecto da aliança melhor que seu marido? Cria ela que a união de um homem e uma mulher em aliança refletia a importância da própria aliança divina, de modo que seu marido havia desonrado tanto ela como a Deus? Seria possível que ela, intuitivamente, tivesse compreendido a gravidade da revelação de que não há redenção sem o derramamento de sangue?”

Pelo menos no curto prazo, a vida de Moisés não se tornou nem um pouco mais agradável. Após um difícil diálogo com Deus (3.1—4.17), ele se acha à beira da morte (4.18-26). Ele já havia conhecido a Deus em meio a um debate; agora, conhecia-o como um divino agressor. Em seguida, há um momento de alívio (4.27-31), quando Moisés é recebido de volta e se reúne com todo o povo em um culto de adoração e louvor.

O Faraó, no entanto, é obstinado. Ele é totalmente indiferente aos apelos de Moisés (5.3). Ao afirmar: “Não conheço o Senhor”.Faraó quer dizer que não reconhece sua autoridade. Sua declaração parece ser uma combinação de desafio e ignorância. Um Faraó anterior não “conhecera” José (1.8) e aquele Faraó não “conhecia" Jeová como Jeová, tal qual os patriarcas que, conforme 6.3, são impedidos de “conhecer” Jeová como Jeová.

Para piorar tudo, a carga de trabalho exigida dos hebreus foi aumentada de maneira absurda (5.4-18). Como seria de se esperar, os hebreus ficam profundamente ressentidos com seu suposto libertador (5.19-21). Que mudança de ânimo! Num dia, lisonja no outro, repúdio. Diante de um outro libertador, um dia o povo diria: “Hosana”; e então, no dia seguinte: “Crucifica-o!” Observe a aspereza das palavras de Moisés para Deus nos versículos 22,23. Em sua raiva e perplexidade, ele dá início a uma tradição de dizer a verdade em oração, novamente verificada em alguns salmos de lamento (SI 73, por exemplo) e nas “confissões” de Jeremias (Jr 12.1-6; 15.16-18; 20.7).VICTOR P. HAMILTON. Manual do Pentateuco. Editora CPAD. pag. 162-169.(estudaalicao.blogspot.com)
www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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