quinta-feira, 1 de junho de 2017

Estudo livro de Exôdo (40) מחקר שמות

                      ESTUDO E COMENTARIO LIVRO DO EXÔDO 

                               Princípios do Sacerdócio Biblico.          
                 III - MINISTROS DE CRISTO PARA A IGREJA

1. Chamados por Deus.

O chamado de Deus para o ministério vocacional é diferente do chamado à salvação e do chamado que atinge todos os crentes: o serviço. Trata-se de uma convocação de homens selecionados para servir como líderes da igreja. Os destinatários desse chamado precisam ter a certeza de que Deus assim os escolhe para liderar. A concretização desse fato repousa sobre quatro critérios, o primeiro dos quais é uma confirmação deste chamado por outras pessoas e por Deus, pelas circunstâncias através das quais Ele providencia um lugar para o ministério. O segundo critério é a posse das habilidades necessárias ao serviço em posições de liderança. O terceiro consiste em um profundo desejo de servir no ministério. A qualificação final é um estilo de vida caracterizado por integridade moral. Um homem que preencha esses quatro requisitos pode descansar na certeza de que Deus o chamou para a liderança cristã vocacionada.


Frequentemente, recebo chamados de pessoas que, por vários motivos, estão interessadas no treinamento oferecido pelos seminários. A maior parte delas crê que Deus a está dirigindo para o ministério como vocação de tempo integral Essa inclinação é muitas vezes denominada “chamado”. Este capítulo explica o significado do chamado, procurando diminuir os equívocos em torno dessa experiência inigualável.

O chamado de Deus para o ministério vocacional possui dimensões diferentes.

Em primeiro lugar, está o chamado à salvação. Esse precisa ser o ponto de partida de qualquer chamado ao serviço ou ministério. A pessoa que deseja identificar seu chamado ao ministério vocacional deve primeiro certificar-se de que é chamada por Cristo (2 Co 13.5). Não se deve ter a ousadia de cogitar um ministério do Evangelho da graça ao povo de Deus, sem antes experimentar esta graça por meio da fé salvadora em Jesus Cristo.
O chamado à salvação também envolve um chamado ao serviço (Ef 2.10). Deus não nos predestinou apenas à salvação, mas a uma vida de serviço. Servir é privilégio e obrigação de todos os cristãos. Esse chamado ao serviço implica que nós, como cristãos, constituímos “o sacerdócio real” (1 Pe 2.9). Nosso privilégio é anunciar as virtudes daquEle que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9). Kãsemann o vê como uma referência ao fato de que aquele que provou pessoalmente o poder gracioso de Deus tem a responsabilidade de reconhecer esta experiência publicamente. Assim, todos os crentes devem se engajar no ministério do serviço como sacerdotes do Senhor. Para cumprir esse ministério, devem possuir o Espírito Santo, o qual lhes concede habilidades espirituais (1 Co 12.11). Esses dons espirituais expressam o propósito de servir para o bem comum da igreja (1 Co 12.7). O apóstolo Paulo escreveu aos efésios: “Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo” (Ef 4.7). Esses dons estão alistados em 1 Coríntios 12.8-10,28-30 e Romanos 12.6-8. Os cristãos são mordomos desses dons e vão prestar contas de sua mordomia (1 Pe 4.10).

Além de chamar os cristãos ao uso de seus dons espirituais, Deus estende esse chamado ao ministério vocacional de liderança. Conscientes de que todo crente deve se envolver na obra do Senhor, vamos usar o termo ministério no presente contexto para nos referir a um tipo específico de serviço prestado à igreja por um grupo particular de líderes.
O chamado para a liderança implica homens dotados e concedidos à igreja pelo Senhor da Igreja (Ef 4.12). Essa responsabilidade é tanto geral – exercer liderança em adoração, pregação, ensino, pastorado e evangelização – como específica - disciplina e aconselhamento.
Deus usou Charles Haddon Spurgeon de modo grandioso no final do século XIX. Ele pregou para milhares de pessoas semanalmente em Londres, no Metropolitan Tabernacle. Além de sua forte paixão pela pregação, ele possuía um grande desejo de desenvolver jovens para o ministério. Esse anseio fez com que instituísse a “Faculdade de Pastores”, como parte do ministério da igreja.
Seu livro Lições aos Meus Alunos, uma compilação de preleções realizadas nessa faculdade, fornece uma ideia precisa da seriedade do chamado para o ministério vocacional. Nas primeiras páginas de seu livro, ele pergunta:
Como pode o jovem saber se é vocacionado ou não. É uma indagação ponderável, logo desejo tratá-la aqui mui solenemente. Oh, a divina orientação para fazê-lo! O fato de que centenas perderam o rumo e tropeçaram em um púlpito está patenteado tristemente nos ministérios infrutíferos e nas igrejas decadentes que nos cercam. Errar na vocação é terrível calamidade para o homem e para a igreja sobre a qual ele se impõe, seu erro envolve aflição das mais dolorosas.

Spurgeon continua salientando a importância de reconhecer o chamado quando afirma: “É-lhe imperativo que não entre no ministério enquanto não fizer profunda sondagem e prova de si próprio quanto a esse ponto”.
William Gordon Blaikie também ministrou em Londres quase na mesma época que Spurgeon. Ele também viu a importância do chamado para o ministério e apresentou seis critérios para avaliá-lo: salvação desejo de servir, de viver uma vida que contribua para o serviço, capacidade intelectual, aptidão física e elementos sociais.Calvino dividiu o chamado em duas partes ao declarar: “Para que alguém seja considerado verdadeiro ministro da igreja, é necessário que considere o ‘objetivo ou o exterior’ dela e o chamado secreto, interior, de que ‘só o próprio ministério tem consciência’”.

Oden conclui seu artigo “O Chamado para o Ministério com uma discussão acerca da correspondência entre os aspectos internos e externos do chamado: O chamado interno é uma consequência do contínuo poder de direção ou de evocação do Espírito Santo que, a seu tempo, conduz o indivíduo para perto do chamado externo da igreja, ou seja, para o ministério. O chamado externo é um ato da comunidade cristã que, pelo devido processo, confirma aquele chamado interno. Ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor adequadamente se não for chamado e comissionado por Cristo e pela Igreja. Esse é o motivo pelo qual é tão crucial, tanto para o candidato como para a igreja, que a correspondência entre o chamado interno e o externo se estabeleça desde o início com clareza razoável.
Por que é tão necessário que experimentemos uma compulsão interna e externa para o ministério? Em seu volume clássico sobre ministério, Bridges expõe os motivos pelos quais um chamado é tão importante:
A labuta no escuro, sem uma comissão segura, tolda em muito a garantia da fé nos compromissos divinos; e o ministro, incapaz de se valer do apoio celestial, sente em seu trabalho “as mãos caídas e os joelhos fracos”. Por outro lado, a confiança de que está agindo em obediência ao chamado de Deus e de que Ele está em seu trabalho e em seu caminho, encoraja-o nas dificuldades, conscientizando-o das obrigações pelas quais deve responder com força onipotente.
Como Bridges declarou eloquentemente, o problema está no homem e em sua confiança em Deus. O homem confia que Deus o comissionou para uma tarefa que apenas o poder de Deus pode manter. Criswell fala dessa confiança: ‘A primeira e a maior de todas as fortalezas do pastor é a convicção profunda, como a própria vida, de que Deus o chamou para o ministério. Se essa persuasão for inabalável, todos os outros elementos de sua vida distribuir-se-ão em bela ordem e lugar”.
Respondendo à pergunta: “Qual a importância da certeza de um chamado especial?”, Sugden e Wiersbe afirmam: ‘A obra do ministério é muito desgastante, sendo difícil para um homem entrar nela sem uma consciência do chamado divino. Em geral, os homens entram e depois saem do ministério, pois lhes falta uma consciência da urgência divina. Apenas um chamado definido por Deus pode dar a alguém sucesso no ministério”.
Como os profetas do Antigo Testamento, os ministros de hoje falam das coisas de Deus sob constantes ataques e pressões. Lutzer, referindo-se às dificuldades do ministério, afirma:Não vejo como alguém possa sobreviver no ministério, caso sinta que essa foi sua própria escolha. Alguns ministros não têm sequer dois dias agradáveis.Eles são sustentados pelo conhecimento de que Deus os colocou onde estão. Os ministros sem essa convicção carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta de demissão no bolso do paletó. Ao menor sinal de dificuldade, vão-se embora.Crendo como esses homens, na importância do chamado ministerial, apresento quatro perguntas que podem ser utilizadas para avaliar esta convocação.

Quatro palavras resumem quatro passos específicos: confirmação, habilidades, anseios e vida.

HÁ Confirmação?
A confirmação pode ser divina e de outros.
Confirmação de Outros

Em Atos 16.1,2, compreende-se a importância do reconhecimento público na confirmação do chamado para o ministério e liderança. Timóteo foi, provavelmente, um convertido de Paulo em sua primeira viagem missionária (veja At 14.6). Paulo o chamou de “meu verdadeiro filho na fé” (1 Tm 1.2). Ao iniciar a segunda viagem missionária, Paulo passou pelas regiões que havia visitado em sua primeira viagem, “confirmando as igrejas” (At 15.41). Ele chegou à cidade de Timóteo e descobriu que este possuía bom testemunho dos irmãos que estavam em Listra e em Icônio (At 16.2). A consequência foi: “Paulo quis que Timóteo fosse com ele” (At 16.3). A confirmação pública de Timóteo transformou-o em uma aquisição desejável para a equipe missionária de Paulo. Mais tarde, quando Paulo escreveu a Timóteo, ele o lembrou de sua confirmação pública, referindo-se à “imposição das mãos do presbitério” (1 Tm 4.14). Tanto Paulo como os líderes da comunidade local haviam visto como Deus abençoou e usou Timóteo no serviço local. Assim, ele foi reconhecido e comissionado para servir a Deus no ministério internacional.
Spurgeon concorda que a confirmação pública é um passo necessário depois do sentimento interior, estando relacionada ao chamado para o ministério. Ele conclui: ‘A vontade do Senhor referente aos pastores é conhecida mediante o piedoso julgamento da igreja. É necessário, como prova de seu dom, que sua pregação seja aceitável ao povo de Deus. Muitos homens que sentem a compulsão interior para entrar no ministério hesitam em submeter este sentimento à confirmação da igreja. Por alguma razão, não confiam na igreja quanto a essa área importante de sua vida. Spurgeon disse aos seus alunos:
Muitas igrejas julgam segundo a carne, nem todas as igrejas são sábias, nem todas julgam no poder do Espírito Santo. Apesar disso, estaria mais pronto para aceitar a opinião de um grupo do povo do Senhor do que a minha própria opinião sobre um assunto tão pessoal como os meus dons e graças. De qualquer forma, quer valorizem o veredicto da igreja, quer não, uma coisa é certa: nenhum de vocês pode ser pastor sem o amoroso consentimento do rebanho. Portanto, este lhes servirá de indicador prático, senão correto.
Bridges também nos aconselha sabiamente quando comenta opiniões, especialmente de amigos e ministros experientes: “[Eles]... podem ser úteis para garantir se o desejo de trabalhar é ou não um impulso do sentimento e não um princípio, ou mesmo se a capacitação não é uma presunção enganosa”.
A Bíblia fala muito de buscar orientação e conselhos sábios. Os Provérbios são especialmente excelentes nesta área: “Não havendo sábia direção, o povo cai, mas, na multidão de conselheiros, há segurança” (11.14); “O caminho do tolo é reto aos seus olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio” (12.15); “Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria” (13.10); “Onde não há conselho os projetos saem vãos, mas, com a multidão de conselheiros, se confirmarão” (15.22).
Além disso, o conselho e a orientação dos outros constituem o procedimento para a ordenação, que é o processo de reconhecimento público da pessoa separada para o ministério (veja o capítulo 8, “A Ordenação para o Ministério Pastoral”). A Bíblia indica que a Igreja Primitiva tinha um processo específico pelo qual um grupo de crentes escolhia e separava os líderes para o serviço. A instrução de Paulo para que Tito destacasse presbíteros (Tt 1.5) exemplifica uma série de passagens que insinua a ideia de um processo de ordenação. A base para a indicação era o reconhecimento de homens qualificados em cada uma das cidades. Uma boa definição de ordenação é a confirmação pública de uma qualificação ou dotação interior, isto é, da formação e experiência no ministério.
Embora a pessoa ordenada não seja diferente dos outros membros da congregação, a ordenação pública proporciona uma confirmação visível de que Deus chamou um indivíduo para usar suas habilidades e dons singulares em benefício de toda a igreja.
Confirmação de Deus Newton encontrou três indicações do chamado para o ministério: desejo, competência e providência de Deus. Ele denominou a terceira indicação de “uma correspondente abertura na providência, mediante uma série gradativa de circunstâncias que apontam para os meios, o lugar e o momento de entrar de fato no trabalho”. Esse fator cobre tudo o que discutimos até aqui. A soberania de Deus convoca certos homens à liderança na igreja local. Deus lhes concede os dons para que desempenhem suas funções ministeriais, tornando-os desejosos deste serviço e preparando circunstâncias para prover-lhes o lugar no ministério.
Tudo isso refere-se a portas abertas e bênçãos de Deus. Paulo disse em 1 Coríntios 16.8,9: “Ficarei, porém, em Éfeso até ao Pentecostes; porque uma porta grande e eficaz se me abriu”. Ele, então, contrapõe os obstáculos à oportunidade:

“E há muitos adversários”.

Esses adversários são um elemento constante no ministério e, às vezes, causam frustrações e limitam os resultados. Mas os resultados não são o indicador final das bênçãos de Deus. Muitos têm labutado durante todo o ministério, alcançando pouco ou nenhum fruto visível. Jeremias profetizou por mais de 40 anos (Jr 1.2,3), obtendo pouca ou nenhuma reação do povo. Adoniram labutou sete anos na Birmânia antes de ter seu primeiro convertida porém ainda via a mão da providência de Deus em seu ministério. A carreira ministerial nunca é fácil e os resultados nem sempre são positivos, mas uma consciência de que Deus confirma o trabalho deve estar sempre presente.

Além de perguntar se há confirmação de Deus, o homem que deseja saber se é chamado precisa fazer várias perguntas práticas:
Os outros confirmam meus dons e minha capacidade de liderança?
Eles me pedem que atue em uma função de líder?
Eles me pedem que comunique as verdades de Deus por meio do ensino ou da pregação?
Essas são as pessoas que me sugerem pensar no ministério?

As respostas a essas perguntas só surgem em meio a um envolvimento ativo no ministério de uma igreja local. Para receber confirmação pública, é preciso que haja ministério público. Esse ministério implica o uso dos dons e das habilidades que as pessoas possam identificar, ajudar a desenvolver e incentivar.
Sem essas capacidades, faltará confirmação. Assim, as habilidades são uma parte importante no processo de determinação do chamado.

HÁ um Anseio?

Em 1 Timóteo 3.1, o apóstolo Paulo escreve: “Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja”. A palavra traduzida por “deseja” (oregomai), que ocorre apenas três vezes no Novo Testamento. Este termo significa “distender-se para tocar ou pegar algo, buscar ou desejá-lo”. É o retrato de um atleta acelerando os passos para cruzar a linha de chegada. Esse vocábulo também aparece em 1 Timóteo 6.10, onde é traduzido por “cobiça” relacionada ao dinheiro, a este se devota tanto amor que passa a ser a própria raiz de “toda espécie de males”. O terceiro uso está em Hebreus 11.16, em que é traduzido por “desejar”, frase na qual o objeto do desejo é a “pátria celestial”.
Assim, cada contexto determina a legitimidade da distensão e da busca.
A segunda palavra que fala da compulsão interna em 1 Timóteo 3.1 é (epithumeõ), verbo que significa “colocar o coração, desejar, cobiçar, ambicionar”. A forma substantivada desse verbo tem em geral um sentido negativo, mas o sentido básico do verbo é bom ou neutro, significando um desejo particularmente forte. Essa aspiração pelo ministério é, portanto, um impulso interior que se expressa em desejo exterior.
Sanders observa que o objeto do desejo não é o ofício, mas o trabalho. Deve haver um desejo pelo serviço, não pela posição, fama ou fortuna. Assim, essa aspiração é boa, contanto que se tenha boas motivações.
Spurgeon oferece o seguinte conselho quanto ao desejo pelo ministério: Note bem, o desejo de que falei deve ser totalmente desinteressado. Se um homem perceber, depois do mais severo exame de si próprio, qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das almas em sua busca do episcopado, melhor será que se afaste dele de uma vez, pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo. A introdução de qualquer coisa que cheire a mercenário, mesmo no menor grau, será como um inseto no unguento, estragando-o todo.
Esse desejo interior deve ser tão desinteressado a ponto de o líder aspirante não visualizar-se perseguindo outra coisa, exceto o ministério. “Não entre no ministério, se puder passar sem ele”, foi o sábio conselho de um velho pregador a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério.
Bicket disse: “Se você pode ser feliz fora do ministério, fique fora. Mas se veio o solene chamado, não fuja”. Bridges o considera “um desejo constrangedor... uma qualificação ministerial primária”John MacArthur, Jr. Redescobrindo o Ministério Pastoral. Editora CPAD. pag. 125-132; 137-138.

A Chamada para o Ministério SEU MÉTODO Deus chama homens para exercerem as mais distintas tarefas em sua obra, e, como Ele é soberano em seus desígnios, então não existe um método definido para a chamada divina. Existe, sim, o método divino, soberano e poderoso. A Bíblia registra a chamada de vários servos de Deus, e, por uma questão didática apenas, queremos abordar este assunto sob dois aspectos: a) Método direto Deus tem chamado homens de um modo direto. Entre esses, encontramos: Noé. "Então disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens: eis que os farei perecer juntamente com a terra" (Gn 6.13). 0 tempo era terrível, pois a sociedade estava corrompida à vista de Deus. 
A violência, a hostilidade e pecaminosidade eram o ambiente natural daquela época. Em meio a esse ambiente conturbado, Deus chamou Noé e deu-lhe a ordem de construir uma arca. A chamada de Noé era para construir. Podemos imaginar as ironias, pressões, contestações e até mesmo hostilidades que Noé sofreu quando começou seu projeto de construir a arca. Certamente ele foi tido como louco, paranóico. Porém Noé tinha plena certeza de sua chamada e missão dadas diretamente por Deus (Gn 6.8-12). Abraão. "Ora disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei" (Gn 12.1). A chamada de Abraão era para deixar seu povo, sua cidade, seus parentes, amigos e até mesmo alguns bens, e ir para uma terra que ele não conhecia. Essa decisão exigiu fé e ousadia, e somente uma poderosa chamada de Deus poderia arrancar Abraão de sua terra para ir em busca de uma nova terra. 
Os homens consideram isso uma aventura, um golpe no ar. Naquele tempo, certamente muitos amigos e parentes o aconselharam a abandonar essa ideia de ir para a terra prometida. Mas Abraão tinha certeza de sua chamada, e por isso, obedeceu (Gn 12.4). Moisés. "Vem, agora, e Eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito" (Êx 3.10). Moisés fracassou em sua primeira tentativa de ajudar seu povo (Êx 2.11-13), e, sem dúvida, esse revés marcou sua vida, e ele passou a se julgar incapaz para qualquer tipo de empreitada dessa ordem. 
A chamada de Moisés contém o antídoto para sua frustração interior. Deus o chamou, primeiramente para si: "Vem, agora" e se identificou como o Deus de seus pais, Abraão, Isaque e Jacó (Êx 3.1-22). Moisés precisava conhecê-lo. Ele não tinha nenhuma experiência com Deus, a não ser os ensinamentos da infância, recebidos de sua mãe. Quem é chamado por Deus deve conhecê-lo. Em segundo lugar, Deus o enviou e o comissionou: Essa extraordinária chamada é que deu condição a Moisés de realizar tão notável empreendimento.

Samuel. "Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor" (1 Sm 3.20). Os filhos de Eli, que seriam seus sucessores, tinham se tornado execráveis diante de Deus e do povo, em virtude dos abusos que praticavam, violando a Lei, que deviam cumprir e ensinar, e fazer o povo obedecer. Por esse motivo, a palavra do Senhor se tornou rara em todo o território de Israel, isto é, não havia profetas nem profecias. Deus se revelou a Samuel e lhe fez ciente de seu juízo sobre os filhos de Eli (1 Sm 3.1-14). Essa experiência foi básica na qualificação de Samuel para o ministério profético. 
O resultado é visto quando Samuel, já velho, resigna seu cargo, e faz um balanço da sinceridade, austeridade e santidade de sua vida ministerial (1 Sm 12.1-4). Isaías. "Vai, e dize a este povo..." (Is 6.9). A chamada de Isaías deu-se em meio a uma visão maravilhosa, onde se destaca a santidade do Senhor. Na visão, Isaías se conscientiza de três coisas: - Deus é Santo; ele (Isaías) é impuro e o povo está desviado dos retos caminhos do Senhor (Is 6.1-8). Essa visão marca todo o ministério profético de Isaías, o que é demonstrado ao longo de seu livro. Ele compreende a grandeza da glória, perfeição, justiça e santidade de Deus, e, ao mesmo tempo, conhece a necessidade de seu povo - a redenção (Is 59). 
A chamada de Isaías é muito semelhante à chamada neotestamentária: O pregador precisa conhecer a justiça de Deus e a necessidade do pecador, e a redenção em Cristo. Os apóstolos. "E Jesus disse: Vinde após mim, e Eu farei que sejais pescadores de homens" (Mc 1.17. Leia ainda Mateus 4.18-22; João 1.35-42). O Senhor chamou pessoalmente a cada um dos doze apóstolos. Houve o momento, inclusive, em que eles faziam parte de um número bem maior de discípulos, porém o Senhor Jesus fez questão de separá-los novamente e fazer uma designação específica - apóstolos (Lc 6.12-16). - Por que o Senhor Jesus fez tanta questão de chamá-los pessoalmente e ficar tanto tempo com eles? - Não temos dúvida de que a missão era por demais importante. Estes onze judeus iriam mudar o curso da história da humanidade. A maioria deles, e outros que seriam chamados posteriormente, haveriam de escrever com o próprio sangue algumas páginas da História. Por esse motivo, justifica-se o empenho do Mestre divino em chamá-los e prepará-los. Paulo. "Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente d visão celestial" (At 26.19). O arrogante Saulo se considerava justo diante de Deus, pela justiça da Lei (Fp 3.6) e achava que, matando os cristãos, estava prestando grande serviço a Deus (At 8.1,3; 9.1,2). Não seria qualquer chamada que iria mudar a vida e os propósitos deste homem. Por isso, o Senhor Jesus providenciou uma chamada inusitada. 
O impacto daquele encontro com o Senhor foi tão marcante que o transformou completamente (At 9.3-19). A conversão de Paulo tornou-se no acontecimento mais importante desde o Pentecoste até nossos dias. Está narrada três vezes (At 9.1-18; 22.1-11; 26.12-18). Logo após essa extraordinária conversão, Paulo já começou a testemunhar de Cristo. Alguns dias depois de sua conversão, Paulo foi encaminhado para sua terra natal, a cidade de Tarso. Dez anos mais tarde, Barnabé foi buscá-lo, e é nessa época que Paulo inicia seu ministério apostólico (At 9.30; 11.25,26). b) Método indireto Deus não somente chamou de forma direta, mas também vemos na Bíblia que Ele usou método indireto com grande objetividade. José. 
Ainda moço, José teve alguns sonhos que indicavam sua proeminência ou liderança sobre seus irmãos, porém, não se tratava de uma chamada definida (Gn 37.5-10). Analisemos as fases da vida de José: a) Odiado e vendido pelos seus irmãos, b) De filho, transformado em escravo, c) Acusado injustamente, tornou-se prisioneiro no calabouço do rei egípcio, d) De prisioneiro, é elevado a primeiro-ministro do Egito. O Egito na época de José era governado pelos hicsos e os Faraós eram considerados divinos, com poderes absolutos. Governar essa nação já era uma tarefa difícil, muito mais ainda em duas fases distintas: uma de fartura e outra de extrema fome.
 Quando examinamos as fases da vida de José, verificamos que não passam de um árduo e difícil treinamento, com o objetivo de moldar o cará ter desse servo de Deus. Entre outras coisas, José aprendeu: - o que os homens são capazes de fazer, quando são alimentados pelo ódio, interesses, cobiça e inveja; - o que Deus é capaz de realizar em favor e através de seus servos. Nesse período de provação, José teve oportunidade de demonstrar fidelidade em momentos e lugares difíceis (Gn 39.1-6, 20-23); e de não ceder à tentação (Gn 39.7-13). Por causa dessa chamada divina, José foi um líder sábio e justo, glorificando a Deus em sua proeminente missão no Egito. Aleluia! Josué. "Então disse o Senhor a Moisés: toma para ti a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e põe a tua mão sobre ele" (Nm 27.18; Nm 27.15-23; Dt 1.38; 3.21; 31.7,8). Josué é fruto de discipulado. Ele esteve ao lado de Moisés desde o início da jornada no deserto. 
A primeira missão que lhe coube foi selecionar homens para guerrear contra Amaleque (Êx 17.9). Em seguida, ele aparece como servidor de Moisés (Êx 24.13; 32.17; 33.11; Nm 11.28). Esteve presente em todos os momentos críticos da jornada pelo deserto. Com isso, no serviço e na obediência prática, ele se transformou em um grande líder: "E Josué, filho de Num, estava cheio de espírito de sabedoria, porquanto Moisés tinha posto sobre ele as suas mãos; assim os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés" (Dt 34.9). Grandes homens de Deus aprenderam o discipulado com seus líderes espirituais. Durante anos, tiveram a oportunidade de demonstrar obediência, fidelidade e submissão. Quando foram chamados a ocupar a liderança, estavam preparados, e Deus lhes falou, e confirmou a chamada para sua obra. 0 grande empecilho hoje é que muitos não querem esperar, obedecer, e submeter-se. Por isso são rejeitados. Timóteo: "Saúda-vos Timóteo, meu cooperador..." (Rm 16.21). Timóteo é o exemplo típico do ministro do Novo Testamento, fruto do discipulado contínuo. Desde jovem tornou-se companheiro e cooperador do apóstolo Paulo (At 16.1; 17.14; 18.5; 19.22; 20.4). Mirou-se no exemplo, firmeza e fidelidade do grande apóstolo. A palavra enxertada por sua piedosa mãe, na infância, teve terreno e ambiente fértil para desenvolver-se. Paulo o chama de: "Meu filho amado e fiel no Senhor" (1 Co 4.17); "ministro de Deus... no evangelho de Cristo" (1 Ts 3.2) e, ainda, de "verdadeiro filho na fé" (1 Tm 1.2). Estas expressões demonstram o apreço que o apóstolo tinha por Timóteo, e também o seu caráter. Com o passar dos anos, não foi difícil a Timóteo compreender sua chamada ministerial. SUA RAZÃO Por que é importante a chamada divina para o ministério? Qual a razão da chamada? Ao descrevermos as chamadas de alguns servos de Deus, tivemos o propósito de, pelo menos parcialmente, responder a essas perguntas. Resumindo, podemos dizer que a chamada divina tem alguns propósitos importantes: 1 - Esclarecer que o ministério, seja qual for, nunca foi uma profissão na Antiga Aliança, muito menos na atual dispensação. Na Antiga Aliança o sacerdócio era privativo dos filhos de Arão, e os profetas eram chamados pelo Senhor.
 O ministério neotestamentário é um dom e uma vocação de Deus. "E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres" (Ef 4.11).
A partir desta premissa básica, o homem chamado pelo Senhor deve estar consciente de que: a) Do Senhor vem a recompensa (1 Pe 5.2-4). b) Pelo Senhor ele será julgado (1 Co 4.3-5). 2 - A certeza da chamada de Deus faz o servo do Senhor superar obstáculos considerados, pelo homem comum, insuperáveis ou além de qualquer possibilidade humana, senão vejamos: a) Como compreender a posição de Moisés diante das rebeliões e tumultos que ele enfrentou no deserto? (Nm 12.1-16; 14.1-9; 16.1-19.) Como entender sua fervo rosa oração intercessória quando Deus quis destruir o povo israelita e fazer dele um novo e grande povo? (Nm 14.10-19.) Só um homem vocacionado por Deus poderia ter capa cidade, calma e equilíbrio para vencer nesses momentos críticos. Moisés não era um super-homem, mas era um homem chamado pelo Senhor.
 b) Como entender a perseverança de Paulo, que foi dado por morto, depois de ser apedrejado pelos judeus opositores do evangelho da graça, em continuar na sua missão de pregar essas boas-novas? (At 14.19-22.) Inúmeros outros exemplos poderiam ser citados. Homens, que, no dizer do escritor da carta aos Hebreus, "por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam bocas de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada; da fraqueza tiraram força; fizeram-se poderosos em guerra..." (Hb 11.33,34.) 3 - A chamada é acompanhada da missão. Ninguém que é chamado pelo Senhor vive de um lado para outro, de um trabalho para outro, sem nunca ter certeza da vontade de Deus. Deus, quando chama, comissiona seu servo para uma missão específica SUA OCASIÃO Se Deus chama como quer, isto é, de modo soberano, é lógico que Ele também chama quando quer. Não há faixa etária privilegiada, como vemos a seguir: a) Desde o ventre, o Senhor chamou Jeremias (Jr 1.5) e Paulo (Gl 1.15,16).

b) O Senhor chamou Samuel, sendo este bem jovem (1 Sm 3.3,4,20); também Davi (1 Sm 16.11-13) e, possivelmente, Timóteo (At 16.1-3). Em qualquer época de nossa existência, o Senhor pode nos chamar para o ministério ou para o cumprimento de uma missão em particular. É evidente que, na maioria das vezes, o Senhor desperta seus servos, em plena juventude para a obra do ministério, o que lhes proporciona tempo para a preparação em escolas teológicas, no discipulado, nas atividades auxiliares da igreja. Quanto às circunstâncias das chamadas registradas no texto sagrado, são as mais variadas possíveis. O Senhor chamou Davi quando cuidava do rebanho de seu pai (1 Sm 16.11); Eliseu quando andava lavrando com doze juntas de bois (1 Rs 19.19-21); Paulo a caminho de Damasco, com o objetivo de prender cristãos (At 26.12-16).
 SUA NATUREZA Quanto à natureza intrínseca, a chamada para o ministério neotestamentário apresenta as seguintes características: a) Divina. A responsabilidade da chamada ministerial é do Senhor; "e Ele mesmo concedeu uns para..." (Ef 4.11). Não se trata de uma incumbência dada por convenção, concílio ou igreja. Embora que estes possam ser instrumentos de Deus na chamada de alguém. b) Pessoal. A chamada para a salvação é universal. É para todos. A chamada para o ministério é pessoal; Deus tem o ministério ou missão certa para a pessoa certa. Ele é onisciente, conhecendo a capacidade de cada um, por isso, na distribuição dos talentos, estes são distribuídos segundo a capacidade de cada um (Mt 25.14,15). As responsabilidades diferem, por isso o Senhor chama o seu servo para o ministério e designa-lhe o lugar ou a missão, respeitando a sua capacidade, as suas características pessoais.
A Paulo foi dado o ministério entre os gentios (At 9.15); a Pedro o ministério entre os judeus.
c) Soberana. A soberania de Deus é ainda pouco entendida por muitos, e, para se começar a entendê-la, é necessário que levemos em conta alguns aspectos acerca da personalidade do Senhor: - Ele é a origem de todas as coisas. "Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a Ele para que lhe venha a ser restituído? (Rm 11.34,35. Ler ainda Isaías 40.13; segunda Coríntios 2.16.) - Ele é soberano porque a sabedoria e o poder são atributos de sua pessoa (Jo 9.4; Dn 2.20). - O servo do Senhor, ao ser chamado, deve aceitar com humildade, submissão, e como ato de soberania divina.
 Certamente não conseguirá respostas para muitas indagações imediatas. Só com o correr do tempo entenderá os desígnios do Senhor (Is 55.8,9; 1 Co 2.16). d) Definitiva. A chamada para o ministério é também uma chamada para o discipulado. Logo, esta chamada envolve algumas condições indispensáveis, tais como: - Que o ministro exerça seu ministério sem interesse de recompensa material (Lc 9.57,58). - Que a prioridade maior entre as suas atividades seja o próprio Senhor Jesus. (Veja como Ele recusou o segundo lugar na vida de duas pessoas que queriam segui-lo. Lc 9.59-62). - Que haja no ministro abnegação e renúncia. Em primeiro lugar estará a vontade do Senhor (Mt 16.24; Lc 14.26,33). A chamada para o ministério é definitiva. Aquele que é chamado não pode impor condições. Pelo contrário, deve agradecer a Deus o privilégio de ser chamado, como o fez Paulo (1 Tm 1.12,13).Mendes, José Deneval, Teologia Pastoral. Editora CPAD. pag. 11-19.

2. Qualificações.

I Tm 3.7 Mas ele também precisa ter um bom testemunho dos de fora, a fim de não cair na difamação e no laço do diabo.

Já em sua carta mais antiga o apóstolo exorta a congregação para que tenha uma “conduta decente (honrada)” aos olhos dos de fora. Não ser tropeço nem causar escândalo! Essa exortação vale para a conduta diante de todos: judeus, gregos, cristãos. Isso não tem nada a ver com uma falsa adaptação aos padrões e costumes do mundo, porque a igreja deve ser irrepreensível e pura em meio a esta geração pervertida e corrupta. Suas boas obras devem poder ser vistas à luz do dia e se diferenciar das inúteis obras das trevas. Porque “enquanto os cristãos se preocupam sacerdotalmente pelo mundo, o mundo lança o afiado olhar da hostilidade sobre a igreja, a fim de encontrar pontos vulneráveis. Por isso não será recomendável colocar na liderança da igreja homens que eram notórios na cidade por seus pecados ou fraquezas passadas, ainda que se tenham emendado sinceramente”.
Os de fora na realidade estão fora da igreja, mas nem por isso fora do alcance do juízo e da graça de Deus. Os que estão fora da igreja possuem uma percepção implacável e um juízo insubornável para os pecados daqueles que se dizem cristãos. Com essa atitude na verdade condenam a si mesmos, porque confessam que sabem muito bem o que é certo e como deveriam viver. Contudo, isso não desculpa a igreja. Ela mesma deve manter um juízo vigilante acerca das próprias transgressões e por isso ir com humildade e mansidão ao encontro dos “de fora”.
Quando se pondera como os meios de comunicação de massa vasculham a vida passada e atual de líderes políticos, econômicos e religiosos com a criatividade de um detetive, desnudando-a em público (em geral por motivos ignóbeis de luta pelo poder), torna-se ainda mais atual a exigência do bom testemunho de fora. Pois quando a difamação circula em lugar do bom testemunho, ela pode influir de modo tão terrível sobre o envolvido que lhe rouba a fé no perdão de Deus, lançando-o no desespero. Como uma mosca na teia da aranha, ele ficará então emaranhado nos laços do diabo, do acusador originário.

A lista das 16 “virtudes” começa de forma aparentemente inofensiva com a irrepreensibilidade como premissa fundamental para o serviço de presidente. O catálogo termina com a condição quase idêntica do bom testemunho dado pelos de fora da igreja, anunciando surpreendentemente a verdadeira razão e a grave conotação de toda a listagem: laço e juízo do diabo, esses são a ameaça e o risco reais daquele que visa servir a outros sendo seu presidente. Enquanto assim se abre a visão para o pano de fundo da sedução demoníaca, o catálogo de virtudes perde sua limitação helenista e o sabor pequeno-burguês resultante da apreciação meramente superficial.Hans Bürki. Comentário Esperança Cartas aos I Timóteo. Editora Evangélica Esperança.

Esta determinação lembra uma situação nos procedimentos de nosso Senhor com seus seguidores, relatada em Lucas 10.17-20. Os setenta haviam acabado de voltar de sua missão designada e estavam exultantes com o fato de que “até os demônios se nos sujeitam”. Jesus não reprovou imediatamente o orgulho espiritual principiante, mas observou um tanto enigmaticamente: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu”. E completou: “Eis que vos dou poder [...] [sobre] toda a força do Inimigo. [...] Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos”. Foi o orgulho que custou a Lúcifer o seu lugar nas hostes celestes, e esta foi a condenação do diabo. O ministro cristão tem de estar atento para que o orgulho não o compila a participar desta condenação.
Resta ainda uma especificação final para aquele que deseja servir na posição de bispo ou líder: Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço (“armadilha”, NTLH) do diabo (7). O ministro cristão tem de inspirar o respeito e a confiança da comunidade fora da igreja, caso deseje ganhar as pessoas dessa comunidade para a igreja. E fácil dizer: “Não me importo com o que as pessoas pensem de mim”; e contanto que essa atitude seja devidamente planejada e corretamente compreendida, justifica-se. Mas ninguém deve ser indiferente à sua reputação na comunidade em que vive. Ele deve desejar veementemente que as pessoas o considerem inteiramente acima de repreensão. Ver a questão de outro modo, diz Paulo, é expor-se à mesma armadilha que aguarda o indivíduo cujo espírito está arruinado pelo orgulho espiritual.J. Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 472.

I Tm 3.7. Como líder e representante do seu rebanho, o superintendente deve ter bom testemunho dos de fora, i. é, entre os não-cristãos, judeus e pagãos, na localidade. É sempre importante para os cristãos, conforme Paulo frequentemente impressionava sobre seus correspondentes (1 Co 10:32; Fp 2:15; Cl 4:5; 1 Ts 4:12; também 6:1; Tt 2:5) ter este alvo, e isto se aplica especialmente aos clérigos, por cujo caráter e conduta o mundo tende a julgar a igreja. O pastor que fracassa com respeito a isto está propenso a cair no opróbrio, visto que os de fora que têm antipatia pela igreja aplicarão a interpretação mais desfavorável à sua mínima palavra ou ação. Neste caso, é bem possível que ele caia no laço do diabo. Esta última frase poderia sei traduzida “aimadilha armada pelo caluniador” (ver nota sobre 6 para o duplo significado do Gr. diabolos), e esta tradução às vezes tem sido aceita. Deve ser objetado, no entanto, que isto não somente dá a diabolos (no singular) um sentido muito improvável, como também acrescenta pouco ou nada a cair no opróbrio. Do outro lado, o quadro do diabo armando laços para desacreditar o superintendente, e através dele a igreja, está em harmonia com 2 Tm 2:26, e também com o conceito geral das suas atividades exposto nas Pastorais.John Norman Davidson Kelly. Introdução e Comentário. I, II Timóteo e Tito. Editora Vida Nova. pag. 81.

I Tm 6.11 Ó homem de Deus: antes de recorrer a paralelos helenistas é preciso considerar que a locução é conhecida na tradução grega do AT: para Moisés, para um profeta desconhecido, para Davi, o rei ungido. O homem de Deus é o pneumatikós, que está pleno do Espírito de Deus. Uma comparação com 2Tm 3.17 sugere ver no “homem de Deus” o exemplo de todos que, dotados do Espírito, igualmente são “pessoas de Deus”. Pessoa de Deus (QI 31a) contrasta com pessoas do “deus Mâmon”, com pessoas do deus estômago. Compare-se também “homem da iniquidade”, “filho da perdição”.

Foge dessas coisas: talvez se tenha em vista todos os vícios listados em 1Tm 6.4s ou em especial o amor ao dinheiro. Fugir, escapar, buscar a salvação na fuga parece ser covarde e não-heroico. Foi assim que agiram os discípulos, quando abandonaram a Jesus: fugiram. O mau pastor foge diante dos lobos vorazes. Entretanto, diferente é a questão na esfera moral. Aqui a fuga pressupõe uma determinação máxima. Jesus escapa daqueles que queriam transformá-lo em rei. Fugir contém o sentido: tomar distância, evitar, abster-se, retirar-se, recear. Idolatria,, avidez, dissolução, são poderes a cuja atração demoníaca somente se pode resistir através da decidida fuga sem olhar para trás. Somente fugindo para Deus e submetendo a impotência pessoal e todos os poderes à potente mão de Deus é possível resistir ao diabo pela fé. Fugir de uma casa em chamas não é covardia, mas ação imediata e corajosa. Foge – corre atrás! Não é assim que escreve alguém que pensa em acomodar-se. A sagrada premência impele para a decisão.

Corre atrás!

Parágrafo após parágrafo da carta refuta a insustentável alegação de que nas past é possível notar uma “conotação de acomodação”, um “afrouxamento da energia da fé”. Muito pelo contrário: a carta nos diz que é necessária a fuga decidida da voragem destruidora e do fascínio de poderes demoniacamente intensificados, bem como a corrida igualmente decidida atrás do bem. Ficam excluídas a vida e a acomodação neutras entre as duas alternativas. O discipulado não se transformou em um aprazível passeio, mas em uma corrida que requer empenho máximo (QI 15d).
Atrás da justiça: na acepção mais ampla, o que é reto perante Deus e os humanos, porém não a virtude produzida pelo próprio ser humano, mas o fruto educativo da graça naqueles que foram redimidos para formar o povo da propriedade dele. Posicionada no começo, a palavra justiça com certeza possui o sentido absoluto, usual em Paulo, da justiça concedida e efetuada por Deus mediante a fé.
Atrás de beatitude: A devoção não representa uma posse sólida, adquirida de uma vez por todas. Somente quem se exercita constantemente nela (1Tm 4.7), que corre atrás dela, é inserido por meio dela no mistério de Deus que abarca o tempo e a eternidade (1Tm 3.16), na verdadeira autarquia (1Tm 6.6), ou seja, na transbordante vida do amor (QI 15).
Fé, amor, paciência: uma comparação com 1Ts 1.3 mostra que a “paciência”, mencionada junto com fé e amor, traz dentro de si a perspectiva e expectativa da esperança (QI 14).

Mansidão: Jesus declara bem-aventurados os mansos e designa a si mesmo de manso. Aquele que escapa de todas as escravizações consegue perseguir, com autêntica liberdade, alvos humanamente dignos. O manso é capaz de lutar corretamente. A “lista de virtudes” não foi acolhida ou compilada aleatoriamente, pois justiça e beatitude, fé, amor, esperança (paciência) e a mansidão que vive da esperança no poder e na intervenção de Deus visa integralmente a Timóteo. Quando correr atrás dessa realidade de vida determinada por Deus, ele poderá enfrentar os vícios dos hereges e atuar em sentido construtivo para a igreja. Ao invés de especulações inúteis, de uma devoção extravagante e mentirosa, devem concretizar-se em Timóteo as palavras elementares do Senhor, que levam à convalescença, e por intermédio dele, na igreja que lhe foi confiada.
12 Combate a boa luta da fé: somente com base na profecia oriunda do Espírito e mediante uma transmissão de poder constantemente ativada a luta pode ser uma luta boa, porque não se trata de uma luta absurda, que leva à derrota temporal ou eterna. O lutador luta a partir da fé e não em busca da fé. Seja na disputa esportiva, seja na guerra: só o lutador que vive na disciplina participa da vitória.

Toma posse da vida eterna: agarrar como troféu da vocação, tomar nas mãos para apropriar-se. Deve agarrá-lo lutando na fé como alguém dotado do Espírito e chamado para a vida eterna. Agarra a vida eterna! Um imperativo de intensidade máxima, uma convocação para a ação varonil. Agarra agora a vida verdadeira e plena, para a qual Deus te chamou! Quando, se não hoje? Não corras atrás de uma vida de ilusão. Sê sóbrio: agarra a vida verdadeira; Deus ta doou; está aí. Torna-te o que és – um homem de Deus!
Para a qual foste chamado: forma passiva, um linguajar semita, para evitar o nome de Deus, ou seja, para não escrevê-lo: para a qual Deus te chamou. Nem lutar nem correr atrás torna uma pessoa digna da vida eterna.
Quando fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas: a confissão não é um ato do passado, mas deve ser proferida de novo agora e até a última hora. A luta da fé é boa, porque a confissão é boa, inclusive quando o mundo a considera com desprezo. Os cristãos tinham de prestar contas de sua fé diante dos juízes seculares. Nessa situação não cabiam especulações nem sutilezas teóricas, estavam em jogo vida e morte. Quem confessava Jesus como seu Senhor colocava em cheque os senhores deste mundo, que demandavam autoridade divina. Por isso não se fala aqui de uma confissão tradicional e corriqueira sem maiores consequências. O olhar para Jesus, que se deparava com Pilatos, proíbe qualquer leviandade.Hans Bürki. Comentário Esperança Cartas aos I Timóteo. Editora Evangélica Esperança.

Fuja e Siga (6.11)

Depois de pintar em cores tão sombrias os males do desejo de lucro, o apóstolo volta a lidar com o bem-estar espiritual de Timóteo: Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas e segue a justiça, a piedade, a fé, a caridade (“o amor”, ACF, AEC, BJ, CH, NTLH, RA), a paciência, a mansidão. Paulo não poderia ter feito apelo mais eloquente que este no qual ele distingue Timóteo como homem de Deus. Esta era a descrição habitual dos servos de Deus no Antigo Testamento. Ao usar esse título, o apóstolo fala da dignidade, da responsabilidade sublime e solene do cargo que Timóteo mantinha e que é mantido igualmente por todo líder cristão. A determinação de Paulo é: Foge destas coisas. O significado não é fugir somente da sedução das riquezas, mas de todas as atitudes más que foram expressas desde o capítulo 4. Há uma antítese interessante na ordem de fugir destas coisas e, de outro lado, seguir as virtudes particularmente designadas. É uma lista notável de virtudes que Paulo quer infundir. A lista começa com justiça, a mais inclusiva das virtudes; significa dar a Deus e aos homens o que lhes é devido. As três virtudes seguintes formam um grupo dirigido a Deus. Piedade é a consciência reverente que tudo na vida é vivido na presença e sob os olhos de Deus. Fé é a fidelidade que nos mantêm firmes, mostrando lealdade a Deus em todas as situações. Amor (agape) é a expressão de gratidão e louvor de nossa alma pela maravilha da graça redentora. Por fim, Paulo infunde paciência e mansidão, que podem ser traduzidas por “firmeza” (CH; “constância”, BAB, RA; “perseverança”, NVI); e “bondade” (RSY). Estas são as características da vida cristã conforme é vivida em contato e companheirismo com as pessoas. O contraste entre estas virtudes e os males que Paulo denuncia não podia ser mais impressionante.

Milite a Boa Milícia (6.12)

Este versículo nos traz a imagem mental de um treinador instilando coragem e espírito de luta em seu time pouco antes do início de um jogo decisivo: Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas (12). Afigura de linguagem que o apóstolo usa é derivada mais das competições esportivas do século I do que da vida militar. Devemos entender que o verbo milita é a luta agonizante requerida caso a pessoa quisesse vencer uma partida de luta romana. Paulo se servia de analogias visuais, tanto da vida do soldado quanto da do atleta. Todo cristão é chamado a batalhar a luta pessoal contra o mal em todas as suas formas. E, como destaca Kelly, “é de propósito que o imperativo está no presente, indicando que a luta é um processo contínuo. Por outro lado”, continua Kelly, “o imperativo aoristo ‘toma posse’ sugere que Timóteo pode tomar posse da vida eterna (aqui concebida como o prêmio para o evento esportivo) imediatamente e em um único ato”. Assim, o atleta cristão desfruta do prêmio ao mesmo tempo em que ainda se engaja na competição.
Paulo diz que Timóteo foi chamado para esta campanha vitalícia. Na verdade, ele possuía um chamado duplo: o chamado para seguir a Cristo, que foi selado na confissão pública de fé no batismo; e o chamado para pregar o evangelho, a cuja tarefa ele fora ordenado pelo próprio apóstolo e colegas que o ajudavam. Muitos intérpretes acham difícil determinar a qual destes chamados se refere a frase final do versículo. Esta tradução interpreta que o chamado ocorreu “quando você deu o seu belo testemunho de fé na presença de muitas testemunhas” (12, NTLH). Contudo, seria mais adequado considerar que essa frase final é outra alusão que o apóstolo faz à ordenação que ele frequentemente menciona (e.g., 4.14).J. Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 497-498.
À medida em que sua carta vem chegando ao fim, Paulo dirige um apelo direto ao próprio Timóteo. A nota fortemente pessoal nele é inconfundível; é forçar demasiadamente a passagem interpretá-la como uma exortação ao pastor típico, e a sobrecarga na passagem fica sendo ainda maior se considerarmos que “Timóteo” representa o discípulo cristão em geral.

11. As palavras iniciais, Tu, porém, são enfáticas; formam uma nítida antítese com alguns no versículo anterior, e talvez também com se alguém em 3. A conduta de Timóteo, e os princípios sobre os quais ele a baseia, devem ser exatamente os opostos daqueles dos bancarrotos morais que acabam de ser descritos. O título homem de Deus é aplicado a ele deliberadamente. Tem a conotação de que está no serviço de Deus, que representa a Deus e que fala em Seu nome, e é admiravelmente apropriado a alguém que é um pastor (cf. 2 Tm 3:17). Uma tentativa tem sido feita, com a ajuda de paralelos de Filo, da literatura hermética, e da Epístola de Aristéias, de dar à expressão um significado semimístico, como se o “homem de Deus” significasse o cristão batizado em geral. Tais subtilezas, no entanto, são desnecessárias e artificiais, pois “homem de Deus” é regularmente usado no A.T. para designar os servos e agentes de Deus; cf. Dt 33:1 e Js 14:6 (Moisés); 1 Sm 9:6 (Samuel); 1 Rs 17:18 (Elias); 2 Rs 4:7 (Eliseu); Ne 12:24 (Davi).

Timóteo, por ser consagrado ao serviço de Deus, deve fugir destas coisas, i.é, primeiramente o amor ao dinheiro e os males dos quais ele é a causa radical, mas também, sem dúvida, os caminhos falsos e desastrosos que os sectários encorajam. Ao invés disto, deve seguir (“ter como alvo”, um uso bem paulino; cf. Rm 9:30; 12:13; 14:19; 1 Co 14:1; Fp 3:12, 14) a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. A lista de qualidade é escolhida tendo em vista a necessidade de Timóteo no seu cargo pastoral. Achamos a justiça e a piedade formando um par, na forma de advérbios, em Tt 2:12. A palavra grega para a primeira (dikaiosunè) não significa a justiça no sentido caracteristicamente paulino nem, mais estreitamente, a justiça rigorosa em contraste com a gula e a concupiscência dos sectários. É uma palavra geral para a conduta que é totalmente reta e imparcial com relação a todos os membros da comunidade: cf. 2 Tm 2:22; 3:16. Com piedade (mais uma vez sua palavra predileta eusebeia) Paulo denota uma atitude religiosa devota e inteiramente correta: ver sobre 2:2.(estudalicao.blogspot.com).
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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