segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Comentario do Apocalipse as taças da ira (2)



                                A ira de Deus



Sete anjos e sete pragas formam os meios de expressão da ira de Deus. A expressão “ira de Deus” ocorre seis vezes no Apocalipse (14:10, 19; 15:1, 7; 16:1, 19), é deveras medonha e devia infundir terror nos corações de todos os não-salvos da terra.

“Sete anjos” (distintos dos sete anjos altamente honrados e relacio­nados com as trombetas) saem do santuário (15:6), a residência imediata de Deus e dos anjos. Do santuário de outrora saíram os sacerdotes como ministros da graça. Agora os anjos emergem dele como ministros do juízo.

O tabernáculo do testemunho é uma frase sugestiva. Para Israel este era o símbolo da presença de Deus e de sua provisão para seu povo. Agora, porém, a santidade de Deus exige castigo do ímpio, e portanto, temos as “testemunhas” do juízo, segundo a natureza de Deus contra a besta e contra todos os inimigos de seu povo. David Brown diz: “Aqui entra em campo, de maneira adequada, o tabernáculo do testemunho, onde a fidelidade de Deus vinga seu povo com juízos sobre seus inimigos; juízos que estão prestes a se desencadear. Precisamos dar uma olhada no Santo dos Santos a fim de compreender a mola secreta e o fim do trato justo de Deus.”

Estes sete anjos estão vestidos de maneira condizente com o caráter justo de sua missão, e também de maneira que se parece com o Senhor (1:13). Comparando com 19:8 descobrimos que o linho puro indica justiça, enquanto os cintos de ouro, à altura do peito, (não na cintura) sugerem a obra do juízo compatível com a natureza santa de Deus.

As “sete últimas pragas” sugerem finalidade e término, e assim a aparição do número sete é especialmente adequada. Chegamos ao ciclo final da visitação do juízo. É claro que as taças não trazem o fim da ira divina, como já vimos em ebdareiabranca, uma vez que mais ataques de vinganças devem ocorrer quando Cristo vier em pessoa (19:11-21). O que temos a esta altura é a conclusão dos juízos providenciais de Deus. Estas taças estão “cheias da ira de Deus”. “Cheias” significa terminado ou consumado. Para Deus o futuro é tão certo como se fosse passado, cuja realização é tão segura como a sua Palavra.

As Harpas de Deus

Este prefácio aos últimos juízos devastadores de Deus inclui uma linda descrição dos mártires vitoriosos que estão com o Senhor. O parágrafo de 15:2 a 15:4 é tomado de vitória, louvor e adoração.

Louvores corais celestes são representados pela harpa, que com sua combinação de notas solenes e grandes, acordes suaves e ternos indica o louvor e a adoração de Deus (1 Cr 25:6). As harpas de Deus (significando que os instrumentos, músicos e tema são dele) eram partes dos instrumentos do céu, usados somente para o louvor de Deus. Parece que os dois grupos celestes de cantores e harpistas mencionados em Apocalipse 14:2 e 15:2 representam a mesma hoste vitoriosa.

O palco no qual os harpistas se encontram é comparado a um mar de vidro misturado com fogo. No mar de vidro Walter Scott vê um estado fixo de santidade, de pureza interior e exterior. O mar sugere vastidão e vidro sugere calma sólida ou paz assentada e quieta.Diz Words­worth: “Um mar de vidro [expressa] suavidade e brilho; e este mar celeste é de cristal (4:6), declarando que a calma do céu não é como a dos mares terrenos, perturbada por ventos, mas cristalizada numa eternidade de paz.” Apresentada como se estivesse em pé sobre o mar de vidro, a companhia de mártires chegou ao seu descanso e também a esta nova posição como adoradores que venceram.

O mar de vidro misturado com fogo introduz outro elemento. Estes santos emergiram vitoriosos de sua tribulação de fogo. Temos três inimigos a enfrentar: o mundo, a carne e o diabo, mas os cantores tinham um quarto inimigo a derrotar: a besta. Foi alcançada a vitória sobre a besta, sobre sua imagem, sobre sua marca e sobre “o número do seu nome”, e agora eles triunfam por causa de uma vitória total e completa.

O cântico que acompanha as harpas tem o som de um grande poema. E um cântico de vitória como o de Moisés depois de atravessar o mar Vermelho. Dois cânticos são combinados: o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro. O cântico de Moisés é o triunfo sobre o mal pelos juízos de Deus. É um cântico que celebra a derrota de Faraó e de suas hostes no mar Vermelho (Êx 15). (Este cântico mosaico não deve ser confundido com o cântico profético de Deuteronômio 32:1- 44.) O cântico de Moisés, magnífico como é, celebra apenas a redenção terrestre. A graça e glória do cântico que foi apresentado à margem leste do mar Vermelho eram associadas com o poder sobre os inimigos de Israel no Egito, pelos juízos de Deus.

O cântico do Cordeiro, entretanto, possui natureza diversa. Este cântico, dirigido pelo Cordeiro como Capitão de nossa salvação, implica a exaltação do Messias rejeitado, daquele que sofre. Cantado pelo remanescente fiel que morreu dentre o Israel infiel e apóstata, este cântico dos sofredores vitoriosos no céu celebra a Deus e ao Cordeiro.

Ao examinarmos os assuntos deste cântico duplo encontramos Deus exaltado de várias maneiras. Primeiramente, louvam-se as suasobras. A frase “grandes e admiráveis” é repetida em 15:1, 3, indicando a vingança da justiça de Deus, de modo que possa ser glorificado no grande final de suas lides. No título divino combinado Senhor Deus Todo-poderoso temos um vasto reservatório de poder—consolo para os santos e presságio para os inimigos de Deus.

Os caminhos de Deus são exaltados como “justos e verdadeiros”. Ao castigar seus inimigos Deus agirá em harmonia com seu próprio caráter. Este juízo imparcial será distribuído pelo “Rei dos séculos”. O ponto em questão da controvérsia do Senhor com a terra é se ele ou o homem de Satanás, a besta, é o rei das nações. Na véspera de as taças descerem sobre o reino da besta, os cantores vitoriosos saúdam o Senhor como o verdadeiro Rei das nações.

adoração de Deus também contribui para este cântico admirável. Dão-se as razões pelas quais o Senhor deve ser glorificado: “Pois só tu és santo!”

Os cantores sobre o mar de vidro celebram a santidade de Deus. Eles o temem e glorificam-no como o único digno de ser chamado santo. A besta colocou-se como Deus, mas o coro vitorioso escolheu a santidade em face de um mundo tomado pelo pecado e agora está onde reina toda a santidade verdadeira.

“Por isso todas as nações virão e se prostrarão diante de ti.” Os juízos de Deus infundirão temor em seus inimigos. Antecipando o domínio universal do Senhor, os santos celebram o reconhecimento mundial de sua supremacia. Vemos aqui o cumprimento de profecias tais como o Salmo 148; Isaías 2:2-4; 56:6, 7; Zacarias 14:16, 17.

“Porque os teus juízos são manifestos!” O plural, juízos, indica a manifestação dos atos justos do julgamento. E por ser ele justo ainda quando dispensa julgamento e vingança, deve ser glorificado. Estas são deveras palavras lindas que vêm dos que passaram pelos horrores do tormento da besta.

Comentando esta cena única, F. B. Meyer diz: “Os que foram criados na dispensação de Moisés e os seguidores do Cordeiro na presente dispensação, juntos com todas as almas dos santos que venceram, constituirão um vasto coro. Contudo, por mais que se examine o cântico de Moisés, não se conseguirá encontrar uma nota que iguale a este em sublimidade. Aqui estão os santos de Deus, treinados para distinguir as belezas do governo e comportamento justo e santo, capacitados do seu ponto de vantagem na eternidade a examinar a história inteira das lides divinas, adorando-o como Rei dos séculos, e reconhecendo que todos os seus caminhos foram justos e verdadeiros. Que confissão! Que reconhecimento!”

A Glória de Deus

A seção final deste notável capítulo (15:5-8) é também introduzida por outro “eis” (omitido em várias versões). Este parágrafo se inicia com a habitação de Deus e se encerra com a glória divina. Visto como tudo no parágrafo está ligado com a glória de Deus, examinemos estes versículos com essa ideia em mente.

William Newell argumenta a favor de um santuário literal de Deus no céu, mas achamos que a palavra “santuário” é usada pelo que representa simbolicamente—a saber, habitação de Deus, onde pode ser encontrado e adorado. Do santuário saem os sete anjos com as sete pragas, que representam a visitação final de Deus de juízos sobre as nações.

A apresentação das taças aos anjos por um dos seres viventes indica que esses seres viventes são os executores do governo judicial de Deus. Sendo “cheios de olhos”, esses seres dignificados compreendem profundamente os propósitos de Deus, e portanto, apresentam aos anjos acontecimentos horríveis. Já foi salientado haver três passos na obra do juízo de Deus:

1.      Os anjos são comissionados e equipados no santuário (15:6).
2.      Os anjos recebem as taças de ouro cheias da ira de Deus de um dos seres viventes (15:7).
3.      Os anjos não podem dar um passo no ato do juízo até que Deus, com autoridade, dê a ordem (16:1).

Tudo isto sugere que as obras e caminhos de Deus ainda no juízo são calmos e medidos. E isto é o que esperaríamos daquele que “vive pelos séculos dos séculos”. É o Deus eterno que está prestes a lançar praga sobre a terra culpada, devastando-a com sua fúria. Nunca nos devemos esquecer de que ele é glorificado tanto no juízo como na graça.

Antes de deixarmos este capítulo preparatório somos apresentados à nuvem de fumaça de Deus que cobre tudo no santuário por um pouco de tempo. A fumaça, é claro, simboliza a presença de Deus (Êx 19:18; Is 6:4). Ninguém podia entrar no santuário por causa da presença de Deus manifestada em glória e poder durante a execução dos juízos das taças. Fumaça da glória e poder de Deus enchia o santuário. Moisés não podia entrar na tenda do testemunho (nem os sacerdotes entrar no santuário) por causa da glória do Senhor (Êx40:34, 35; 1 Rs 8:10, 11). O que temos aqui não é a glória em si mas a fumaça da glória de Deus. Não é o incenso que enche o santuário, mas fumaça, que é a glória de Deus manifestada em juízo. Certamente que há uma finalidade nesta cena toda que nos enche os corações do mais intenso assombro! Deus está prestes a lidar com os rebeldes da terra.

O versículo que abre o capítulo 16 é rico em significação. Primeiro temos “vinda do santuário, uma grande voz”, que tem sido interpreta­da de várias maneiras. É possível que se refira à voz de Deus, uma vez que agora chegamos às taças da sua ira. Cristo não é mencionado até que Deus, pessoalmente, execute o juízo. Como já sugerimos, o Apocalipse é o livro da voz, e sempre que se encontra a palavra “voz”, subentende-se uma compreensão inteligente do assunto em questão. Lemos de uma grande voz, de uma alta voz e de uma forte voz. Tais adjetivos descrevem o caráter da voz e também a natureza do anúncio.

Aqui, a grande voz sai do santuário, vinda do Santo dos Santos. Por exigir a santidade de Deus o juízo sobre um mundo apóstata, a ira de Deus queima com ardor feroz: “Ide. . . derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.” Foi dada a Cristo uma ordem diferente ao se preparar para deixar os seus: “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criatura.” Mas agora a graça é retirada. Já não é a taça da salvação mas a taça da ira de Deus.

O Pentecoste testemunhou o derramamento do Espírito e com tal efusão houve a manifestação de uma bênção. Mas agora chegamos a outro derramamento: fúria sem mistura está prestes a descer sobre a terra. A plenitude da ira divina é esvaziada em cada taça, que por sua vez é derramada sobre um mundo culpado. A oração do remanescente judaico sofredor é respondida nas terríveis sete pragas prestes a cair: “E aos nossos vizinhos, deita-lhes no regaço, setuplicadamente, a injúria com que te injuriaram, Senhor” (Sl 79:12).

Temos, nas taças de ouro, um pouco mais de vislumbre da ira de Deus. A palavra para “taças” é “tigelas” ou “copos” e representa os vasos de boca larga usados no santuário, e que eram cheios de incenso aromático. Agora os vasos, santificados pelo uso do templo e serviço, estão cheios da ira justa de Deus e estão destinados ao juízo. E a largura da boca dos vasos tenderia a fazer com que seu conteúdo fosse derramado de uma só vez, implicando a rapidez avassaladora dos ais.

A Primeira Taça — Sobre a Terra (16:2)

Há algo de expressivo na execução das sete pragas. As taças, como um todo, implicam ação rápida. Golpeando, como relâmpago, destroem o reino da besta, que havia tomado para si mesma o reino do mundo. Destruição repentina sobrevirá à besta e aos seus adoradores, e não poderão escapar.

Os juízos das trombetas limitam-se, mais ou menos, ao mundo romano, mas os juízos das taças hão de cobrir a terra e devem constituir a guerra total de Deus sobre o mundo. As taças são a resposta de Deus a Satanás e destruirão seu império. Nas trombetas, o poder de Satanás é liberado a fim de dar andamento a seus objetivos. Nas taças, Deus desencadeia todo o seu poder a fim de pôr termo à obra sombria de Satanás. Entrega a seus anjos controle direto sobre todas as forças naturais, e esses anjos, por sua vez, executam o julgamento que está escrito.

Na primeira taça da ira vemos uma praga parecida com a sexta praga egípcia (Êx 9:8-12), a primeira a afligir os corpos dos egípcios. David Brown afirma: “A razão pela qual a sexta praga egípcia aqui é a primeira é por ter sido dirigida contra os magos egípcios, Janes eJambres, para que não pudessem permanecer na presença de Moisés; de forma que aqui a praga é enviada sobre os que na adoração à besta haviam praticado a feitiçaria. Assim como se submeteram à marca da besta, da mesma forma devem levar a marca do Deus vingador.”

Neste sentido, ficamos a imaginar se “a chaga ruim e maligna” não afligirá a parte do corpo que leva a marca da besta—a saber, a fronte e a palma da mão. “Sofrimento físico, sem dúvida, adicionar-se-á à angústia dos homens, mas as feições principais e predominantes será o trato judicial com a alma e com a consciência—sofrimento que excede de muito qualquer aflição corporal.” Mas certamente não podemos afastar-nos das chagas literais—feridas ruins, malignas e supuradas!

A palavra usada para “chaga” significa uma úlcera feia que se extravasa de forma altamente ofensiva. Em Êxodo 9:8 Moisés e Arão jogaram cinzas da fornalha para o alto, à vista de Faraó, as quais desceram sobre homens e animais na forma de terríveis tumores. Tanto aquelas pragas como estas devem ser tomadas literalmente, como prova o fato de as feridas medonhas da primeira taça ainda estarem sobre os homens na quinta taça das trevas, onde lemos de “dores e chagas” (16:11). Estas feridas abertas indicam desesperança e também horripilância; elas são incuráveis (Dt 28:27, 35) e devem ser suportadas como prenúncio da angústia do inferno.

A Segunda Taça — No Mar (16:3)

Uma feição notável das sete taças não somente é sua semelhança com as pragas do Egito, mas também com as das trombetas. Nas taças, entretanto, não há o julgamento limitado das trombetas. Nesta segunda taça da ira temos um quadro de um homem assassinado e ensopando-se em seu próprio sangue. O mar e tudo o que nele há tornou-se “como um cadáver deitado em seu próprio sangue coagula­do”. Sob a terceira trombeta apenas a terceira parte do mar tornou-se em sangue (8:8), contudo aqui a destruição não é parcial, mas completa. Terminados os juízos, sobrarão poucas pessoas para entrarem no milênio.

E por que o mar cobre maior porção da terra, esta praga será largamente difundida em seu poder de acarretar a morte. Sangue, a marca vívida e terrível da morte, foi derramado abundantemente pela besta. Mas agora o sangue dos mártires há de ser vingado. A besta começa a colher o que semeou.

É sangue por sangue! Não há palavras para descrever a condição terrível das coisas enquanto milhões de criaturas marinhas mortas cobrem a superfície dos oceanos. O mau cheiro destas carcaças horríveis e putrefatas será grande demais. Com todos os seres viventes marinhos mortos, quanto de poluição e doença conterá tal mar de sangue!

A Terceira Taça — Nos Rios (16:4-7)

O terceiro anjo, presidindo sobre as águas, derrama sua taça nos rios e nas fontes das águas, isto é, as fontes do mar. Todas as fontes de progresso e bem-estar nacional entram em juízo porque o comércio e a vida, em geral, dependem dos rios, canais e fontes. Rejeitamos a aplicação inteiramente simbólica de “rios” como a vida comum da nação caracterizada por princípios reconhecidos e aceitos de governo, e “fontes das águas” como as fontes de prosperidade e bem-estar transformadas em sangue (envenenado moralmente). Sustentamos que o anjo da guarda que controla as águas as poluirá num instante.

Dois anjos aparecem nesta declaração dos juízos justos, recíprocos e retributivos de Deus. Primeiro, o anjo das águas (16:4) usa a expressão peculiar da eternidade de Deus—“que és e que eras”. Como o Justo, Deus não exagera no mínimo grau a medida justa de juízo estrito. Os apóstatas haviam derramado o sangue dos santos e dos profetas, e agora a justiça retributiva opera à medida que os assassinos do povo de Deus são forçados a beber a água tornada em sangue. Recebem terrível condenação. São dignos de morte medonha, que agora aparece como amostra da segunda morte no lago do fogo.

Refere-se ao segundo anjo como o anjo do altar (16:7). Mais corretamente, é o próprio altar que fala. A primeira parte do versículo 7 pode ser traduzida por “ouvi o altar [personificado], dizendo”. Neste altar, as orações dos santos são oferecidas a Deus, e debaixo dele encontram-se as almas dos mártires que clamam por vingança sobre seus inimigos e sobre os inimigos de Deus. Assim o anjo e o altar, representando o céu inteiro, admitem que os juízos de Deus são justos e verdadeiros. Todos, dentro do santuário celeste, estão do lado de Deus à medida que ele age como o grande vingador dos seus. Os clamores dos altares desde a época de Abel agora serão vingados para sempre (Mt 23:35).

A Quarta Taça — Sobre o Sol (16:8, 9)

Sob a quarta trombeta escurece-se a terça parte do sol (8:12), mas aqui o poder abrasador do sol intensifica-se. “Foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo.” Esta há de ser a bomba H de Deus. Não interpretamos o sol simbolicamente nesta passagem (como autoridade suprema governamental representada pelo mundo romano revivificado), mas como o sol real, de cujo calor nada pode escapar (Sl 19:1-6). Tendo controle completo sobre suas obras criadas, Deus intensifica o calor do sol e com isso causa grande morticínio. Descrevendo o grande e terrível dia do Senhor, o profeta Joel declarou:

O sol e a lua escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor (Jl 2:10).

Sob a primeira trombeta as árvores e a relva verde foram queima­das, mas agora Deus aplica sua política da terra abrasada aos corpos dos homens. Podemos nós imaginar a angústia terrível que as multidões experimentarão ao serem abrasadas por esse calor intenso? A versão de Almeida traduz bem a ênfase do grego, ao dizer: “Os homens foram abrasados com grande calor”—isto é, aqueles homens que em 16:2 são descritos como possuindo a marca da besta. Assim como aconteceu com as pragas do Egito, aqui também, nestas pragas do juízo, o povo de Deus fica imune. Assim como os três jovens hebreus foram preservados na fornalha de fogo, assim também o remanescente será protegido por Deus (Ap 7:16; Dn 3:27).

E como o coração de Faraó foi endurecido a despeito da amostra do poder absoluto de Deus sobre sua criação, assim também aqui o sofrimento físico extremo falha em produzir qualquer mudança de coração: “Não se arrependeram para lhe darem glória.” Em vez de serem esmagados pelos juízos de Deus e clamar por misericórdia, estes homens apenas blasfemaram o seu nome. O castigo merecido engrossa os lábios e endurece o coração; os fogos dos juízos falham em purificar. Por ser a bondade da graça que leva ao arrependimento (Rm 2:4), os homens que não são ganhos por meio da graça jamais serão ganhos.

Podemos apenas especular sobre o que poderia ter acontecido se tivesse havido arrependimento santo da parte destes homens com sua carne em fogo. Teria Deus, com autoridade sobre as pragas, parado a tempestade de sua ira e uma vez mais abençoado os arrependidos com seu favor? A tragédia será a falta absoluta de humildade e pesar da parte do homem pelo pecado. Um juízo duplo como o calor abrasador e ausência de água potável falhará em produzir qualquer mudança de coração. Por ser este povo réprobo por completo, Deus os abandonará.

A Quinta Taça — Sobre o Trono da Besta (16:10, 11)

Nesta quinta taça da ira, o juízo se derrama sobre o trono da besta que foi erigido em imitação arrogante do trono de Deus. O dragão deu seu trono para a besta (13:2). A obra-prima de Satanás agora é ferida no centro e sede do seu poder. A besta, uma pessoa real, como instrumento de Satanás, está condenada. E está claro que os súditos deste reino de imitação, e também seus executivos, sentem o golpe da vingança divina. William Newell sugere que o trono da besta será a Babilônia reconstruída no rio Eufrates—a antiga capital de Satanás na terra de Sinar, onde a maldade deve receber “uma casa” no final dos tempos (Zc 5:5-11).

Finalmente o desafio ímpio e insolente: “Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela?” (13:4) é para sempre respondido. Sob o domínio da besta, Satanás constrói um vasto império, mas Deus não há de ficar para trás: fere o reino da besta com a escuridão. Porque amaram mais as trevas do que a luz, escuridão tão negra como a da praga dos egípcios (Êx 10:21-23) agora sobrevêm aos seguidores da besta. Esta horrível escuridão sugere as trevas que devem suportar para sempre.

Tais trevas sem alívio fazem com que os homens mordam de dor as suas línguas. Este juízo parece acontecer simultaneamente com os efeitos das pragas anteriores. As dores e chagas da primeira taça tornam-se mais assustadoras pelas trevas. William Ramsay lembra-nos que a expressão “mordiam de dor as suas línguas” é única na Bíblia e indica uma agonia mais intensa e excruciante. Tal ação sugere ira por causa da desilusão de suas esperanças e da derrocada de seu governante e reino. Planejam vingança mas não a podem efetuar; daí a sua fúria. Sofrendo angústia mental e física, mordem os lábios e línguas.

É interessante notar que a parte do corpo com a qual estes rebeldes pecaram é a mesma que agora sofre a angústia. Blasfemaram o Deus do céu, Aquele que controla a luz e a escuridão. Juras terríveis procederam de seus lábios contra o nome de Deus e contra o próprio Deus. Agora estes blasfemadores mordem as línguas!

Até mesmo o acúmulo de pragas, em vez de mera sucessão, falha em produzir mudança de coração, pois lemos de novo que não se arrependeram de seus feitos. Sua vontade está indomada. Não correm lágrimas de penitência. Abandonados aos seus feitos malignos, golpes ainda mais pesados devem descer de Deus a fim de quebrar-lhes a vontade obstinada.


Devemos salientar que esta taça da escuridão não deve ser confundi­da com o escurecimento dos corpos celestes logo antes da aparição de Cristo em 19:11-16. O que vemos nesta quinta taça é um dos sinais que nosso Senhor deu em sua descrição do período da Tribulação (Lc 21:8-38). Para o remanescente na terra haverá luz bastante, assim como Israel teve luz em suas habitações durante as pragas egípcias.
coment. Normam R. Champlin, novo testamento


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