segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Apocalipse taças da ira Armagedom (3)






     A Sexta Taça — Sobre o Rio Eufrates (16:12-16)

                    O sexto flagelo (16:12-16).



12. Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol. Este flagelo é diferente dos outros, porque não in­flige uma praga sobre a humanidade, mas serve de preparo para a batalha final. Ele é semelhante à sexta trombeta, quando quatro anjos foram soltos de além do rio Eufrates, para liderar uma invasão de exércitos praticamen­te incontáveis de cavalaria demoníaca, que matou a terça parte da raça humana (9:13-19). Vimos que no Antigo Testamento o rio Eufrates é o limite da terra prometida, e atrás dele hordas de pagãos aguardavam por uma oportunidade de invadir o povo de Deus (veja 9:14). Os profetas às vezes viam o rio Eufrates secar como prelúdio para o momento em que Deus reunirá seu povo disperso em seu próprio país (Is 11:15-16,4 Esdras 13:14). No presente exemplo o rio seco representa simbolicamente a remoção da barreira que retinha as hordas pagãs.

“Os reis que vêm do lado do nascimento do sol” não são definidos com mais detalhes, nem sua função é identificada. Alguns comentadores veem aqui um conflito civil entre os reis do oriente e os reis do mundo todo (v. 14), mas no texto não há nenhum indício disto. A conclusão mais natural é que os reis do oriente — as hordas pagãs — reúnem suas forças às dos reis do mundo (civilizado) todo, para combater o Messias, porque estamos claramente diante da “peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso” (v. 14). Mais adiante lemos que a besta é auxiliada por “dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora” (17:12). Junto com a besta eles combatem o Cordeiro (17:14). Estes dez reis podem ser os reis do oriente, como também os reis do mundo todo. Em qualquer caso João prevê uma confederação de dois grupos de reis que auxiliam a besta no combate com o Cordeiro.

Muitos comentadores afirmam — como se isto fosse evidente no tex­to — que os reis do oriente são os partos, que agora invadem o mundo civilizado sob a liderança de Nero redivivus. Isto, porém, é pura especulação. Conforme a lenda, Nero reconquistaria Roma; nesta passagem os reis se aliam ao Anticristo para se oporem ao Todo-poderoso. Se a alusão fosse à lenda do Nero redivivus, a besta como líder deveria vir do oriente, enquanto que no texto ela já tem seu trono em Babilônia e aceita ajuda destes reis estrangeiros.

13. Os “reis que vêm do leste” de repente desaparecem da narrativa, que continua falando do dragão e da besta. Pela primeira vez aparece o termo falso profeta; ele é a segunda besta que surgiu da terra para dar apoio à besta em suas exigências blasfemas. Os três espíritos imundos semelhantes a rãs, saindo da boca dele, são a maneira de João descrever a inspiração demoníaca dos inimigos de Deus na grande batalha final. Ao soar da sexta trombeta veio do oriente uma praga terrível afligir os ho­mens, matando a terça parte da humanidade. Aqui o quadro é diferente; os espíritos maus não afligem as pessoas, mas as inspiram para que se aliem ao dragão, à besta e ao falso profeta. João quer dizer que este movimento não é meramente político ou militar, mas uma manifestação escatológica histórica da luta secular entre Deus e Satanás. A palavra traduzida “imundos” é a mesma usada tantas vezes nos evangelhos para se referir a demônios como espíritos imundos (Mc 1:23; 3:11; 5:2). Eles são semelhantes a rãs talvez para manter a analogia com a praga das rãs no Egito (Êx 8:6).

14. Porque eles são espíritos de demônios pode ser traduzido melhor por “porque eles são espíritos demoníacos”. Demônios são seres espiri­tuais, por isso não podemos dizer que eles têm espíritos; eles são espíritos. Para os reis do mundo inteiro veja o comentários ao v.12. João antevê uma aliança de governadores humanos, inspirados por demônios, que com­baterão o Messias.

A peleja do grande dia do Deus Todo-poderoso não é uma frase comum na Bíblia. As expressões comuns são o dia do Senhor (veja 1 Ts 5:2), o dia de Cristo (Fp 1:10), ou o dia do Senhor Jesus Cristo (1 Co 1:8). Alguns intérpretes tentam encontrar alguma diferença de significado en­tre estes termos, como se representassem dias diferentes, mas isto é impos­sível. Na verdade são tão iguais e cambiáveis que somente a palavra “o dia”, ou “aquele dia”, sem adjetivos, pode ser usada para designar o úl­timo dia (l Co 3:13; 2 Ts 1:10). O evangelho de João refere-se com frequência ao “último dia” (Jo 6:39; 11:24; 12:48). Pedro fala do “dia de Deus” (2 Pe 3:12). O dia do Senhor é o momento em que todo o plano redentor de Deus estará consumado, de salvação e julgamento, tanto de indivíduos, como da igreja, e de toda a criação. João vê o ódio que se expressou durante os séculos da história humana em termos de hostilidade e perseguição ao povo de Deus chegando ao “grand finale”, quando todos os que governam a terra se juntam para uma batalha derradeira. Os profetas do Antigo Tes­tamento falaram muito de uma batalha como esta, entre o povo de Deus e seus vizinhos pagãos (Sl 2:2-3; Is 5:26-30; Jr 6:1-5; Ez 38; J13:9-15).

15. À vista da crise iminente representada pela batalha entre Deus e as forças do mal o próprio Jesus diz uma palavra à igreja, para advertir seu povo e lhes falar da realidade que há por trás dos acontecimentos históricos imediatos. A guerra dos reis aliados, sob a liderança do Anticristo, não é a última realidade: é o fato da volta do Senhor. É neste evento que a esperan­ça dos santos se concentra. Este versículo é uma interrupção da passagem, para proporcionar à igreja a perspectiva correta.

Ele virá como vem o ladrão. Outras passagens do Novo Testamento comparam a vinda de Jesus com a de um ladrão (veja 3:3). A ideia não é de astúcia, nem da surpresa da volta do Senhor, mas de que ela não é esperada. Paulo diz que Cristo vem como ladrão (1 Ts 5:2), mas isto somente em relação aos que não estão preparados: “Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa” (1 Ts 5:4). Para os que estão despertos, atentos, sua vinda não será surpresa, inesperada, mas uma libertação feliz da situação trágica do mundo em que se encontram... João presume que estas pessoas estarão vigiando. Esta tradução não deixa bem claro o significado do grego. Em português “vigiar” significa estar concentrado em um objeto, não dei­xando que nada desvie nossa atenção. Talvez este seja o argumento mais eficiente para a volta do Senhor “a qualquer momento”, isto é, antes da tribulação. É impossível “vigiar” a não ser que o acontecimento esperado possa acontecer a qualquer hora, ou seja, antes da grande tribulação. O termo grego, no entanto, significa simplesmente “estar desperto”. Jesus exorta seus discípulos a estarem acordados, porque não podem saber quando ele voltará (Mt 24:42). Ele ilustrou isto dizendo: "Mas considerai isto: Se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria (isto é, ficaria acordado) e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; Porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá” (Mt 24:43-44). A ênfase é colocada integralmente sobre a volta imprevista do Senhor, e por causa desta época de incerteza os crentes nunca podem se acomodar e dormir, têm de estar sempre acor­dados. Dormir significa dizer: “Paz e segurança” (1 Ts 5:3), quer dizer, perder de vista as coisas verdadeiramente importantes da vida e pensar que a segurança pode ser encontrada a nível humano, em vez de em ter­mos de nosso relacionamento com Cristo. Para estes “sobrevirá repen­tina destruição, como vem a dor do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1 Ts 5:3). No presente contexto João pre­sume que a igreja não perdeu a perspectiva e não perdeu de vista os valores espirituais realmente importantes, apesar de a besta reinar em triunfo sobre as nações.

A advertência guarda as suas vestes, para não andar nu, e não se veja a sua vergonha não é terminologia muito usada, mas o significado é claro. A igreja de Laodicéia tinha sido advertida contra pobreza e nudez espiritual, e aconselhada a comprar “vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez” (3:18). Isto é uma exortação ao zelo espiritual.

16. Então os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom. Depois de exortar a igreja a ficar desperta, João conclui a narrativa dos espíritos imundos que reúnem os reis da terra para a batalha, acrescentando que eles os trazem a um lugar chamado Armagedom. Isto são preparativos da batalha que será descrita em 19:11ss., quando Cristo vem como guerreiro vitorioso para derrotar seus inimigos.

A palavra “Armagedom” é difícil de interpretar; o equivalente em hebraico seria har megiddon — a montanha de Megido. O problema é que Megido não é uma montanha, mas uma planície, localizada entre o lado da Galiléia e o mar Mediterrâneo, parte do vale do Jezreel(ou Esdraelon). É um campo de batalha famoso na história de Israel. Foi em Megido que Baraque e Débora derrotaram Jabim, o canaanita (Jz 5:19); ali morreu Acazias, rei de Judá, ferido por Jeú (2 Rs 9:27) e Josias, na batalha contra o faraó Neco (2 Rs 23:29; 2 Cr 35:22). Não está claro por que João fala da montanha de Megido; R. H. Charles diz que até agora ninguém deu uma interpretação convincente a esta passagem; ela não aparece na literatura hebraica. Charles sugere que a referência à montanha como lugar da batalha final seja tirada de Ez 38:8,21; 39:2,4,17, onde o profeta vê uma batalha escatológica sobre as montanhas de Israel. Seja qual for a origem do termo, está claro que com Armagedom João quer dizer o lugar da batalha final entre os poderes do mal e o Reino de Deus.notas Eld Ladd,coment.do apocalipse,1990) 


Os eruditos divergem na interpretação desta passagem. Certo comentarista sugere que o secar do rio Eufrates é uma figura da própria Babilônia, situada às suas margens. Mas nada se encaixará no contexto a não ser o rio Eufrates tomado literalmente, cuja largura forma grande barreira, difícil de ser transposta tanto por indivíduos como por exércitos. A secagem deste rio permitirá aos exércitos asiáticos (descritos no capítulo 19) marchar sem impedimento à Terra Prometida, da qual o rio Eufrates é a fronteira leste.

O importante a ser lembrado é que tanto o rio Nilo (Is 11:15) como o Eufrates devem secar-se literalmente. Assim, os limites ocidental e oriental de Israel estarão abertos aos invasores, e Israel estará desprotegida aos ataques de todos os lados. Com a secagem do rio Eufrates, os exércitos orientais sob seus respectivos reis então alcançarão seu objetivo.

Estes reis, que vêm “do oriente”, marcharão sem impedimento algum contra a Terra Prometida. Como o emblema nacional do Japão é o sol nascente, pode ser que essa nação agressiva partilhe no avanço das hordas asiáticas. Não é terrível a ideia de que incontáveis milhões de asiáticos hão de cruzar o leito seco do Eufrates e unir forças com a besta contra Israel? Tal ímpeto de nações unidas antes do grande dia da ira é medonho ao extremo. Cegamente, correm para o morticínio por atacado, quando o sangue chegará aos freios dos cavalos.

Note-se o uso frequente de “grande” neste capítulo. Mediante o ministério milagroso da besta, as multidões estarão acostumadas a grandes coisas. Sensacionalismo estará na ordem do dia. Grandes acontecimentos, com suas influências enganadoras, serão ocorrências diárias. Mas o próprio Deus dará ao povo algumas “grandes” coisas; não para prazer, mas para disciplina:

Uma grande voz (16:1)
Um grande calor (16:9)
Um grande rio (16:12)
Um grande dia (16:14)
Um grande terremoto (16:18)
Uma grande cidade (16:19)
A grande Babilônia (16:19)
Uma grande saraiva (16:21)
Uma grande praga (16:21).

Nos versículos 13 a 16 do capítulo 16, que alguns escritores tratam como parêntese, temos a trindade satânica dirigindo a combinação mais gigantesca de forças da oposição jamais testemunhada na terra. Tendo a supervisão pessoal de Satanás, as forças mundiais unem-se para sua condenação.

Nesta sexta taça da ira temos a trindade do mal—o dragão, a besta e o falso profeta—arregimentando todos os reis da terra para a batalha, não somente contra Israel mas contra o próprio Deus. “Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas” (Sl 2:2, 3).

As Três Rãs

A trindade maligna do mistério da iniquidade é comparada a três espíritos imundos, semelhantes a rãs (16:13). Embora três rãs fossem o brasão original da França, país que tem sido centro de infidelidade, socialismo e espiritismo, não cremos na interpretação exclusivamente histórica desta parte (ou de qualquer outra parte) dos capítulos 4 a 22. E por ser a profecia muitas vezes progressiva ou cumulativa, há uma visão modificada do princípio de interpretação que procura combinar os sistemas históricos e futuristas. Assim, pode haver cumprimentos parciais de algumas seções do Apocalipse sem esgotar sua significação. Apontam para um cumprimento completo no futuro. Os intérpretes deste ponto de vista duplo vêm no Nazismo, no Fascismo e no Comunismo as três rãs da visão de João.

Muitos dos manuscritos da besta leem: “Como se fossem rãs.” Aqui temos o antítipo da praga das rãs enviadas sobre o Egito, milagre que os mágicos foram capazes de duplicar (Êx 8:7). Uma feição conspícua do ministério da besta serão os grandes sinais e maravilhas realizados por meios satânicos. O dragão, a besta e o falso profeta são apropriadamente comparados a repelentes rãs. Assim como as rãs coaxam à noite nos pântanos e charcos, assim também estes espíritos imundos nas trevas do erro ensinam mentiras na sujeira de lascívias imundas. Alford fala da “imundície e do barulho pertinaz da rã”. Os escritores e poetas gregos viam as rãs como habitantes do lago estígio, ou rio do inferno. Estes espíritos saem das bocas dos três ímpios que formam a trindade infernal (sendo a boca a sede principal de influência). De várias passagens das Escrituras concluímos que a boca é a fonte e o meio de destruição (Ap 1:16; 2:16; 9:17; 19:15; Is 11:4). O dragão há de ser consumido pelo sopro da boca do Senhor (2 Ts 2:8).

O espírito imundo que sai da boca do dragão simboliza a infidelidade orgulhosa que se opõe ao Senhor e ao seu Ungido (Cristo). O espírito imundo que sai da boca da besta representa o espírito do mundo nas políticas dos homens, quer seja a democracia sem lei, quer o despotismo, nos quais o homem é colocado acima de Deus. O espírito imundo que sai da boca do falso profeta representa o espiritismo mentiroso e a ilusão religiosa dominante nos dias do engano satânico.

Nesta trindade satânica, com seu ministério de operação de mila­gres, temos uma combinação de poder infernal direto, força bruta apóstata e terrível influência maligna para o propósito horrendo de reunir milhões de pessoas para a guerra. O esforço final do inferno a fim de derrubar o céu está próximo, e seu resultado é Cristo dominar como rei do mundo (19:17-21). Na sua vinda, ele lidará eficazmente com esses três espíritos imundos, assim como o fez com os que se opuseram a ele enquanto estava na terra.

Visto que o ajuntamento dos reis do mundo com a besta é sinal da vinda de Cristo a fim de destruir seus inimigos, os santos são exortados a vigiar esperando sua volta. Manda-se ao remanescente fiel uma palavra de ânimo e de advertência: “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua nudez” (16:15). Aqui temos um parêntese de grande importância espiritual. Deve-se compreender claramente que esta não é uma mensagem para a igreja, embora o princípio subjacente da bem-aventurança associada com o vigiar (e da vergonha com o viver descuidado) seja aplicável aos santos de todos os tempos.


O “eis” e o “bem-aventurado” definitivamente se relacionam com os santos da Tribulação. Ao seu redor haverá multidões dormindo na escuridão moral e espiritual. Vivendo num estado de segurança falso, congratulam a si mesmos por um estado de “paz e segurança”. Mas repentina e inesperadamente o Senhor, como um ladrão de noite, surpreenderá e destruirá os povos reunidos por agências satânicas contra o Senhor e seu Ungido. Os que acreditam que a igreja há de passar pela Grande Tribulação dão grande importância a este versícu­lo, mas Cristo não vem para sua igreja como um ladrão. Ele volta para a igreja como o noivo, já que a igreja é sua noiva. Com a vinda de um ladrão há pavor e medo, pois ele vem para roubar-nos de nossas posses e destruir nossos bens (1 Ts 5:2, 4; Mt24:43; 2 Pe 3:10). Não somos da noite nem das trevas, e portanto não tememos a volta de nosso Senhor.

fonte comentario Normam R. Champlin (N.T)

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