sábado, 18 de junho de 2016

Principais concilios da igreja primitiva



OS PRINCIPAIS CONCILIOS NA IGREJA PRIMITIVA.






50
C. de Jerusalém
As leis judaicas e os cristãos}
325
1º C. de Niceia
Contra o arianismo. Credo
381
1º Constantinopla
Finalização do Credo
432
C. de Éfeso
Contra o nestorianismo
451
C. de Calcedónia
Contra o monofisitismo princípio da união hipostática
553
2º Constantinopla
Contra os nestorianos
681
3º Constantinopla
Contra o monotelitismo




                         CONCILIO DE NICEIA N.1



No ano de 324 Constantino era o único Senhor do Império Romano. A Igreja estava livre, enfim, das perseguições. Mas foi exatamente então que começaram a surgir problemas dentro da própria Igreja. Em Alexandria, um dos mais notáveis centros da Cristandade, explodira uma disputa teológica entre um padre chamado Ário e seu Bispo. Diz-se até que a disputa foi derivada da mania de discussões teológicas que existia na época... O Bispo Alexandre teria feito uma afirmação e Ário, para chamá-lo à uma discussão, a teria contradito. Daí nasceu um grave impasse teológico pois, em seu desenvolvimento, Ário passara a afirmar que o Logos Encarnado era inferior a Deus Pai e que se o Pai gerou o Filho, então houve uma época em que o Filho não existia.

Ário acreditava em Jesus Cristo como o Salvador, mas subordinava o Filho ao Pai. Enfim, negava a divindade de Jesus Cristo, pois afirmava que ele não era igual ao Pai. Desde os tempos apostólicos a Igreja combatia os que pregavam divindades subordinadas a Deus, derivadas das seitas agnósticas. Tudo isso era contra o mistério da Redenção, pois a Redenção, como há tempo fundamentara o diácono Atanásio, não teria sentido se Deus mesmo não tivesse se encarnado, se Jesus Cristo não fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Tomando Constantino conhecimento dessa discussão herética e do perigo iminente de cisão na Igreja, promoveu a convocação de um Concílio que se realizou na cidade de Nicéia da Bitínia, próxima de Constantinopla, em 325.
Como ficou na história, o Concílio foi um acontecimento impressionante, um dos grandes marcos da vida da Igreja. Acorreram Bispos da Ásia Menor, Palestina, Egito, Síria, e até Bispos de fora do Império Romano, ou seja, de todos os lugares onde a Cristandade tinha se estabelecido com vigor, como a longínqua Índia e a Mesopotâmia, além de delegados da África do Norte. O Papa Silvestre, Bispo de Roma que já estava ancião e impossibilitado de comparecer pessoalmente, mandara dois presbíteros como seus delegados. Estiveram presentes ao Concílio 320 Bispos, mais grande número de presbíteros, diáconos e leigos. Por maioria quase absoluta (apenas dois Bispos não quiseram firmar a resolução final) foi redigido o Credo de Nicéia que confirmava a verdade em que a Cristandade unida, à exceção dos seguidores de Ário, sempre acreditara: Jesus Cristo, Deus Encarnado, é ponto fundamental do Cristianismo. O próprio Credo, a seguir, estabeleceria o conteúdo da fé da Igreja.
Destaque-se que Eusébio de Cesaréia e alguns outros pensaram em resolver a questão com uma pequena mudança de grafia na palavra essencial da definição dogmática. Em vez de declarar "homousios" (da mesma substância - consubstancial), propunham usar "homoiusios" (de substância semelhante). Mas este artifício fazia diferença essencial e a Igreja não vacilou.
Igualmente, o Credo de Nicéia em nada mudou a fé já confessada pelo Símbolo dos Apóstolos, tradição da Igreja Primitiva (esse Credo que rezamos, normalmente, nas missas de cada dia). O que está no Credo que apresentamos nesta área são apenas definições que resolveram o problema então debatido. Nele foram omitidas aquelas verdades enunciadas pelo Símbolo dos Apóstolos. Posteriormente, no Concílio de Constantinopla (ano de 381), foi redigido um Credo completo adicionando ao Símbolo dos Apóstolos as definições teológicas do Credo de Nicéia. É o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, usado nas missas oficiais e/ou cantadas em Latim.
É lamentável que o gosto pelas discussões tenha continuado perturbando a Igreja por muitos anos após o Concílio de Nicéia. Por outro lado, é comovedor constatar - como demonstra a História - como compareceram ao Concílio, em defesa do Deus Humanado, gerações de cristãos que tinham por Ele sofrido perseguições, muitos deles com as marcas das violências sofridas.

- Oh Igreja Santa e Pecadora! 

Em Ti nossa alegria supera, incomparavelmente, nossos lamentos, 
por graça de tua Cabeça, Jesus Cristo!
Além desse grave cisma, havia entre a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente uma divergência de menos importância: a data em que cada uma celebrava a Páscoa. O assunto será resolvido também por este Concílio, que estabelecerá 20 cânones, os quais darão seqüência ao Credo primeiramente apresentado.

O Credo de Nicéia

(Encontrado nas atas dos Concílios Ecumênicos de Éfeso e Calcedônia; na Carta de Eusébio de Cesaréia à sua própria igreja; na Carta de Santo Atanásio ao Imperador Joviniano; nas Histórias Eclesiásticas de Teodoreto e Sócrates e algum outro lugar. As variações no texto são absolutamente sem importância).
O Sínodo de Nicéia firmou este Credo:


«Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, 

criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, 

o Filho de Deus, 
unigênito do Pai, 
da substância do Pai; 
Luz de Luz, 
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, 
gerado, não criado, 
consubstancial ao Pai; 
por quem foram criadas todas as coisas que estão no céu ou na terra.

O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu (do céu), 

se encarnou e se fez homem.
Padeceu e ao terceiro dia ressuscitou e subiu ao céu.
Ele virá novamente para julgar os vivos e os mortos.
E (cremos) no Espírito Santo.

E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia,

ou que antes que fosse gerado ele não existia, 
ou que ele foi criado daquilo que não existia,
ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), 
ou que ele é uma criatura, 
ou sujeito à mudança ou transformação, 
todos os que falem assim, 
são anatematizados pela Igreja Católica e Apostólica.» 


 Notas fonte  Ecclesia


                     Concilio     Constantinopola, 381 N.2

Assunto: O modo em que a humanidade e a divindade se relacionam em Jesus Cristo. Conflito entre a escola de Alexandria (alegorista) e a de Antioquia (literalista).
Personagens e Ensinos: Apolinário, bispo de Laodicéia na Síria... disse que Jesus teve corpo e alma humanos, mas que não teve espírito (mente) humano... no lugar do espírito (mente) humano estava o “Logos”. Deste jeito, Apolinário procurava destacar a unidade de Jesus e não a dualidade, pois “não existem dois Filhos de Deus” . Do outro lado, Damário, bispo de Roma, e Gregório de Nazianzo (um dos grandes capadócios) argumentaram que Deus salva o homem na sua totalidade... corpo, alma e espírito (mente). Na sua encarnação, Cristo juntou-se ao espírito humano para salvá-lo. Sem tal união, o espírito do homem não seria salvo. Deste jeito, destaca-se mais a dualidade de Cristo... espírito humano e espírito divino.

Resolução: Houve vários sínodos que se pronunciaram contra o apolinarismo, e este foi condenado, por fim, neste 2º concílio ecumênico em Constantinopola . Este concílio também re-afirmou as decisões de Nicéia contra o arianismo. 

notas fonte prebiterianos calvinista



                                CONCILIO DE EFESO 421 N.3

         

Assunto: O modo em que a humanidade e a divindade de Jesus Cristo se relacionam... qual foi a maneira de Jesus Cristo vir ao mundo, e qual foi a sua natureza na encarnação. O termo mais controvertido foi “theótokos”, termo aplicado a Maria e significando “mãe de Deus/genitora de Deus”.

Personagens e Ensinos: Nestor e Anastácio de Constantinopola, Diodoro de Tarso, Teodoro de Mopsuéstia... ensinaram a plenitude da natureza humana em Cristo (como sempre foi o ensino da escola de Antioquia). Nestor, afirmou a presença em Cristo de duas pessoas, e não somente de duas naturezas. A união que existe entre a pessoa humana e a pessoa divina é uma conjugação ou “união moral”,. Do outro ladi, Cirilo de Alexandria, com o apoio de Celestino I, bispo de Roma. Eles argumentaram que simples união moral entre Deus e um ser humano não pode nos salvar.
Cirilo, era ciumento e tinha ambição inescrupulosa, querendo abalar os patriarcados de Antioquia e Constantinopola.
Resolução: Concílio ecumênico, convocado pelo imperador. Concílio aconteceu em circunstâncias de confusão. Em junho, sessão liderada por Cirilo, e dominada pelos bispos do Egito, condenou e depôs a Nestor. Em julho, João de Antioquia com seus seguidores (todos chegados atrasados) condenaram e depuseram Cirilo e seus seguidores. Em agosto, os legados papais (também chegados atrasados) juntaram-se a Cirilo e seus bispos, e declararam deposto não somente Nestor mas também a João. Ao mesmo tempo condenaram o pegianismo. Mais tarde Cirilo e João fizeram um acordo, mas Nestor não foi convidado a participar e ficou exilado até a morte.

                                 CONCILIO CALCEDÔNIA 451

Assunto: A humanidade e a divindade de Cristo. A questão de uma natureza ou duas.

Personagens e ensinos: Da escola de Alexandria... Dióscoro, bispo de Alexandria. Êutico, abade em Constantinopola, mas partidário do falecido Cirilo de Alexandria; Crisápio, capelão do imperador em Constantinopola e político poderoso. Êutico, negou que Cristo existisse em duas naturezas depois da encarnação e que fosse “consubstancial conosco” (da mesma natureza que o homem) por causa da sua humanidade. Da escola de Antioquia... Flaviano, bispo de Constantinopola; Pulquéria, irmã do imperador, e Marciano, marido de Pulquéria... com o apoio de Leão, o Grande, bispo de Roma.

Resolução: Este concílio, foi convocado em substituição a um concílio realizado em Éfeso, em 449, que foi presidido por Dióscoro... Êutico foi reabilitado e Flaviano foi condenado. Dióscoro, recusou ler carta doutrinária de Leão (“O Tomo”). Flaviano, foi batido e pisado, e morreu poucos dias depois. Leão chamou o concílio de Éfeso de “conciliábulo de ladrões”. Depois da morte do imperador, Pulquéria e Marciano convorcaram este novo Concílio em Calcedônia, 451. Estiveram presentes 520 bispos. Condenaram a Êutico e a Dióscoro. O Tomo de Leão foi lido e aprovado com aclamação. A definição aceita foi a de existir: “duas naturezas em uma só pessoa”.
NOTAS fonte Presbiterianos Calvinistas



                                            CONCILIOS CARTAGO E HIPONA

Os católicos alegam que os protestantes devem confiar em sua tradição para saber que livros devem incluir no cânon Bíblico. O argumento diz que desde que não há um “índice inspirado” da Bíblia, então nós somos forçados a confiar na tradição católica para saber que livros pertencem realmente à Bíblia, e que livros não pertencem. 
Os católicos ainda alegam que foi a igreja de Roma, que determinou o cânon bíblico nos Concílios de Hipona (393 A.D.) e Cartago (397 A.D.), e somente por isso que hoje os protestantes sabem quais livros são inspirados, e quais não são. Conseqüentemente, é à Igreja Romana que deveríamos nos submeter em questões de fé e decisões doutrinárias.
Contudo, o argumento acima é espúrio por diversas razões as quais nós iremos comentar logo abaixo:
Cartago e Hipona 
Primeiramente, os Concílios de Cartago e Hipona não estabeleceram o cânon à Igreja como um todo. Até mesmo “A Nova Enciclopédia Católica” em inglês assegura o fato de que o Cânon não esteve oficialmente estabelecido à Igreja Ocidental até o Concílio de Trento no século XVI e que até mesmo uma autoridade tal como Gregório – o Grande, que posteriormente veio a ser papa havia rejeitado os Apócrifos como canônicos.
Jerônimo, chamado de doutor da igreja, fez uma clara distinção entre os livros que considerava canônicos e eclesiásticos. Quanto ao ultimo grupo ele declarou que poderia circular pela Igreja como literatura útil, mas não foi reconhecida como Escritura Sagrada e autorizada para fins doutrinários.
A situação permaneceu obscura nos séculos seguintes. Por Exemplo, João Damasceno, Gregório o Grande, Walafrid, Nicolas de Lyra continuaram a duvidar da canonicidade dos livros deuterocanônicos. Segundo a doutrina católica, o critério usado para definir o cânon bíblico é a decisão infalível da Igreja. No entanto esta tal decisão nunca foi tomada antes do Concílio de Trento. Que isto não tinha sido feito antes de Trento é provado pela incerteza que persistia até o tempo deste Concílio.
Houve pais da igreja de grande influência antes dos Concílios Africanos do Norte que rejeitariam o julgamento destes dois Concílios tais como Orígenes, Melito de Sardes, Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Gregório de Nazianzeno, Hilário de Poitiers, Epifânio, Basílio o Grande, Jerônimo, Rufino e muitos outros. Eles defendiam que os livros do Velho Testamento foram em número de 22 ou às vezes 24, dependendo de como os livros eram agrupados. Isto corresponde ao cânon Judaico que não aceitava os livros apócrifos como sendo canônicos. Jerônimo, que gastou muitos anos estudando na palestina e que teve mestres judaicos, rejeitou os apócrifos porque aqueles livros não foram reconhecidos como canônicos pelos Judeus. 
A objeção que os católicos levantam é que se a Septuaginta incluía esses livros é prova de que os judeus alexandrinos tiveram um cânon mais extenso que seus irmãos palestinenses. Todavia isso não passa de mera especulação. Eles fazem esta afirmação porque os livros apócrifos são incluídos em alguns dos antigos manuscritos que nós temos da Septuaginta. Mas se isto prova alguma coisa, prova no máximo que a Septuaginta incluía os livros apócrifos junto com os livros canônicos do velho Testamento para propósitos de leitura, e não que eles fossem recebidos como canônicos. O manuscrito mais antigo que nós possuímos da Septuaginta remonta ao 4º ou 5º século d.C. Sendo assim eles não refletem necessariamente a crença dos Judeus de Alexandria sobre os apócrifos. Também, esses manuscritos da Septuaginta contêm livros tal como III Macabeus que nunca foi aceito como canônico por Roma. Acrescenta-se a isso, como importante fato, que Orígenes e Atanásio mesmo sendo de Alexandria, ambos rejeitaram os livros apócrifos como sendo canônicos. O único livro apócrifo que Atanásio incluiu na sua lista foi Baruque, mas isto devido ao fato de ele ter pensado que este livro fazia parte do livro de Jeremias. 
Hipona e Cartago foram concílios locais que não tiveram autoridade ecumênica. Em adição, podemos dizer que mesmo aqueles dois Concílios contradizem o Concílio de Trento em um ponto importante. Primeiramente, Hipona e Cartago declara que 1 Esdras e 2 Esdras são canônicos. Eles estão referindo aqui à versão Septuaginta de 1 e 2 Esdras. Nesta versão 1 Esdras é uma adição apócrifa a Esdras enquanto 2 Esdras é a versão Judaica de Esdras-Neemias do cânon Judaico. O Concílio de Trento, entretanto declara que 1 Esdras é realmente o Esdras do cânon Judaico e 2 Esdras é Neemias do cânon Judaico. Trento omite a versão da Septuaginta de 1 Esdras. 
Outro ponto que prova ser as alegações católicas infundadas é o fato de que a prática universal da Igreja como um todo até o tempo da Reforma foi seguir o julgamento de Jerônimo que havia rejeitado os apócrifos. Aqueles livros tiveram a permissão de serem lidos na Igreja para fins de edificação, mas nunca foram considerados autorizados para estabelecer doutrinas.
Parece que a igreja dava dois significados para o termo “canônico” em relação aos livros da Bíblia: um mais lato no sentido de incluir todos os livros que foram permitidos serem lidos nas igrejas e outro mais restrito que incluía unicamente aqueles livros que foram considerados como autoridade para estabelecer doutrina. 
O caso da Glossa Ordinária – Esta Glosa foi um comentário bíblico autorizado para a Igreja Ocidental como um todo. Seu prefácio declara que a Igreja permite a leitura dos livros apócrifos somente para a devoção e instruções e costumes, mas que eles não possuem nenhuma autoridade para decidir controvérsias em matérias de Fé. Ele ainda declara que há 22 livros do AT e apela para os testemunhos de Orígenes, Jerônimo e Rufino. 
Conclusão 


As reivindicações que a igreja romana faz sobre o cânon são historicamente insustentáveis. Ela sugere que nós deveríamos receber seus ensinos como autoridade suprema por causa desta questão do cânon, pressupondo que foi ela quem nos deu a lista correta dos livros canônicos. Mas isto equivale aos fariseus exigirem que Jesus recebesse seus ensinos como autoridade suprema simplesmente porque como Judeus eles tinham determinado que livros faziam parte do cânon. Mesmo que as reclamações da Igreja Romana estivessem corretas com respeito ao cânon, isto não prova de maneira alguma que ela está automaticamente correta em todas as áreas pertinentes à sã doutrina, e que nós deveríamos obedecê-la e receber como autenticas suas doutrinas extrabíblicas, não mais do que Jesus deveria receber as doutrinas ou seguir os fariseus hipócritas. As principais doutrinas romanas contradizem as sagradas escrituras tais como a Tradição Oral, o Papado, Maria, os sacramentos, o purgatório, além do que o seu cânon é diferente do cânon da igreja primitiva.
fonte notas www.cacp.org.br



                                CONCILIO DE TRENTO 

Enquanto João Paulo II encontra-se há vinte anos assentado no chamado trono de São Pedro, os cinco papas que governaram a Igreja durante os 18 anos do Concílio de Trento (1545-1563) tiveram pontificados de pequena duração. 
Paulo III foi eleito papa aos 66 anos e morreu 15 anos depois. Júlio III foi eleito aos 63 e morreu 5 anos depois. Marcelo II foi eleito aos 54 (em 10 de abril de 1555) e morreu 22 dias depois (1º de maio), Paulo IV foi eleito aos 79 e morreu 4 anos depois. E Pio IV foi eleito aos 60 e morreu 7 anos depois. Com exceção do piedoso Marcelo II, todos os outros mancharam seus pontificados com a prática do nepotismo. Paulo IV, por exemplo, fez de seu sobrinho Carlos Carafa Cardeal Secretário de Estado. Esse homem era imoral e destituído de consciência e abusou de seu ofício para cometer extorsões vergonhosas.

O 19º Concílio Ecumênico da Igreja, mais conhecido como o Concílio de Trento, por ter se reunido em sua grande parte na cidade de Trento, ao norte da Itália, realizou 25 sessões plenárias em três períodos distintos, de 1545 a 1563. O primeiro período foi de 1545 a 1547. O segundo começou 4 anos depois, em 1551, e terminou no ano seguinte. O último período começou 10 anos mais tarde, em 1562, e terminou no ano seguinte.
 

A essa altura, a Reforma Protestante já tinha se espalhado por todos os países da Europa Ocidental e da Europa Setentrional. A abertura do Concílio de Trento deu-se 28 anos depois do rompimento de Martin Lutero com Roma (outubro de 1517) e 9 anos depois da primeira edição das
 Institutas da religião cristã, de João Calvino, em 1536 (um livro de formato pequeno, com 516 páginas). Outras edições em latim e francês já tinham sido publicadas. Por ocasião da abertura do Concílio (13 de dezembro de 1545), todos os reformadores, exceto Úlrico Zuínglio, ainda estavam vivos: Martin Lutero com 62 anos, Guilherme Farel com 56, Filipe Melanchton com 48, João Calvino com 36 e João Knox com 31. Lutero morreria no ano seguinte (1546). 

O propósito do Concílio de Trento era fazer frente à Reforma Protestante, reafirmando as doutrinas tradicionais e arrumando a própria casa. Houve portanto duas reações distintas, uma na área teológica e outra na área vivencial. Um dos papas teria confessado que Deus permitiu a revolta protestante por causa dos pecados dos homens, “especialmente dos sacerdotes e prelados”.
 

No que diz respeito à melhoria da conduta do clero, o Concílio foi muito positivo. Formulou-se uma legislação com o objetivo de eliminar os abusos. Os sacerdotes deveriam residir junto às paróquias, os bispos, na sede episcopal, monges e freiras, em seus mosteiros e conventos. A Igreja deveria fundar seminários para preparar melhor seus sacerdotes.
 

Mas, no que diz respeito às doutrinas postas em dúvida pela Reforma Protestante, o Concílio de Trento nada fez senão confirmar o ensino tradicional católico. Enquanto os protestantes afirmavam que a Escritura Sagrada é a única regra de fé e prática dos cristãos, o Concílio colocava a tradição e os dogmas papais no mesmo pé de igualdade com a Bíblia. O Concílio declarou que a tradução latina da Bíblia, a Vulgata, era suficiente para qualquer discussão dogmática e só a Igreja tem o direito de interpretar as Escrituras. Também reafirmou a doutrina da transubstanciação, defendeu a concessão de indulgências, aprovou as preces dirigidas aos santos, definiu o sacrifício da missa, insistiu na existência do purgatório e ensinou que a justificação é o resultado da colaboração entre a graça de Deus e as obras meritórias do crente. Outra resolução do Concílio de Trento que acentua a diferença entre católicos e protestantes foi a inclusão de livros deuterocanônicos no cânon bíblico.
 

Depois do Concílio de Trento, a cristantade ficou definitivamente dividida entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Protestante, por meio de suas diferentes denominações: valdenses, anabatistas, luteranos, presbiterianos (calvinistas) e outras. Como já havia uma divisão anterior, ocorrida em 1054, deve-se acrescentar o terceiro braço da Igreja Cristã: a Igreja Ortodoxa Grega.
 

A última sessão do Concílio de Trento aconteceu no dia 4 de dezembro de 1563. Nesse dia foram lidas todas as decisões tridentinas — todo o texto ou apenas seus começos — e encaminhadas ao papa Pio IV para aprovação final, o que ocorreu menos de dois meses depois, em 26 de janeiro de 1564.
 

Durante o Concílio de Trento, os protestantes redigiram pelo menos três clássicas confissões de fé: a
Confissão Escocesa (1560), o Catecismo de Heidelberg (1562) e a Segunda Confissão Helvética (1562). Os pontos doutrinários aí expostos não se afinam com as declarações tridentinas. As diferenças entre um credo e outro permanecem até hoje, embora a convivência entre um grupo e outro seja muito melhor neste final do século XX do que na primeira metade do século XVI


Nos séculos que vão desde finais do século IV ao século XVI, o cânon do Novo Testamento ficou de facto fixado sem maiores discussões. Em princípios do século XVI, com o impulso dado ao estudo pela invenção (no século anterior) da imprensa de tipos móveis, e pela edição impressa do Novo Testamento em grego por Erasmo de Roterdão em 1516, eruditos de diversas tendências discutiram a importância relativa dos livros canónicos.

A posição de Lutero

Um deles foi o reformador Martinho Lutero (1483-1546), que pelos seus pontos de vista sobre os livros do Novo Testamento foi excessiva e injustamente criticado. Na sua primeira edição da versão alemã da Bíblia, Lutero numerou os livros do NT de Mateus a 3 João, e deixou separados, sem numeração, quatro livros: Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse. Sem dúvida, Lutero não os punha ao mesmo nível que o resto (dentro dos quais, por outro lado, atribuía mais importância ao Evangelho de João e 1 João, Romanos, Gálatas, Efésios e 1 Pedro que às outras cartas paulinas, Actos, 2 Pedro, e 2 e 3 João). Em todo o caso, e pese as suas próprias reservas ante os quatro livros citados, insistiu em que tal era a sua
 opinião, a qual não desejava impor a outros, e que não pretendia tirar esses livros do NT.
Há que recordar que esta posição de considerar uma hierarquia dentro dos escritos canónicos (um "cânon dentro do cânon") era também sustentada por alguns
 eruditos católicos, como o dominicano Tomás de Vio ("Caetano", 1469-1534) sem que ninguém os caluniasse. Por outro lado, a maioria dos demais reformadores, incluído Calvino, assim como as grandes confissões protestantes, admitiram sem discussão os 27 livros do Novo Testamento.O Concílio de Trento ratifica  o Novo Testamento

O Concílio de Trento não realizou nenhuma inovação em relação ao cânon do Novo Testamento, mas admitiu o que era um consenso de largos séculos. Muito distinto foi o seu triste papel em relação ao cânon do Antigo Testamento, como o observámos noutro lado.Finalmente, sobre a razão pela qual os livros que compõem o nosso Novo Testamento são esses e não outros, podemos de bom grado assentir o afirmado pela Igreja Católica nada menos que no
 Concílio Vaticano I, sobre os livros do cânon:Ora, a Igreja os tem por sagrados e canónicos, não porque compostos só pela indústria humana, tenham sido depois aprovados por ela; nem somente porque contenham a revelação sem erro; mas porque escritos por inspiração do Espírito Santo, têm Deus por autor, e como tais foram transmitidos à própria Igreja.
notas (Concilio Vaticano I, Sessão III de 24 de Abril de 1870;
 Constituição dogmática sobre a fé católica, Capítulo 2, Da revelação; Denzinger # 1787; negrito acrescentado).
Dado que os livros sagrados têm uma
 autoridade intrínseca que provém do seu Autor, o seu carácter canónico não depende da sanção humana em geral, nem eclesiástica em particular. A Igreja católica antiga (da qual por então era parte a Igreja de Roma) não decidiu nem decretou o cânon, mas o discerniu ou reconheceu, e a seguir o confessou e proclamou.
NOTAS fonte conheceis-a-verdade.com (Fernando d.caravi)


fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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