segunda-feira, 20 de junho de 2016

Estudo do Apocalipse


                        Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse
                             1º Selo (6.2): Cavalo Branco



E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei e ouvi um dos quatro animais, que dizia, como em voz de trovão: Vem e vê! E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso e para vencer.

O primeiro selo possui paralelo com Zacarias 1.7-17 e 6.1-8 que tratam do simbolismo dos quatro cavalos. Nas Escrituras, o cavalo é símbolo de força, poder e conquistas: O cavalo prepara-se para o dia da batalha (Pv 21.31a). O próprio Deus lembra a Jó a força e capacidade do cavalo para a batalha (Jó 39. 19-25); enquanto o profeta faz referência a velocidade do cavalo para cumprir o que se determina (Is 30.16); ou ainda para expressar a confiança e o poder pessoal (Is 31.1). No livro de Apocalipse o cavalo aparecerá outras três vezes: 9.7; 14.20; 19.11.

As opiniões acerca da identidade deste cavaleiro têm ocupado diversos biblistas, chegando cada um deles a resultados díspares.

O. Boyer, por exemplo, afirma que este selo é símbolo da conquista do evangelho no mundo e, que o cavalo branco, que é figura da santidade, deve representar a força irresistível e veloz de Deus. A. Gilberto assevera que este cavaleiro não pode ser Cristo, porque Cristo é quem abre o selo do versículo 1, do qual sai o cavalo e o cavaleiro do versículo 2. Além disso, Cristo sempre tem em seu cortejo, em sua companhia, melhores agentes do que os mencionados neste capítulo: guerra (vv.3,4); fome (vv.5,6); e peste (vv.7,8).

Isto significa que o primeiro cavaleiro deve ser identificado juntamente com os outros três, isto é, do mesmo tipo. Isto posto, se os outros três cavaleiros são símbolos de destruição e morte, pelos quais Deus executa o seu julgamento, o cavalo branco não pode destoar do conjunto. Assim sendo, o cavalo branco é símbolo de conquistas, o arco  não retesado, isto é, que conservava as flechas na aljava, é símbolo de uma guerra não declarada, do domínio diplomático do Anticristo. Assim, a identidade desse cavaleiro não deve ser confundida com a pessoa de Jesus Cristo.

De acordo com esta corrente de interpretação, o cavalo branco e seu cavaleiro representam o Anticristo em seus primeiros anos de governo político. Nesse período ele se apresentará como se fosse o Messias prometido e enganará a nação eleita. O cavaleiro surgirá provavelmente em um período conturbado no cenário das nações do mundo, proporcionando, através da diplomacia, segurança e paz para os reinos da terra. Facilmente os homens serão seduzidos por suas palavras e lhe entregarão o domínio das nações. A cor branca, segundo certos exegetas, é que impõe dificuldade para admitir a possibilidade de se tratar do Anticristo, pelo fato de a cor ser usada frequentemente para simbolizar a paz e Cristo. Todavia, observamos que o cavalo, símbolo de conquista, representa a conquista do Anticristo, e a cor branca, símbolo de vitória e da paz, representa a vitória e a falsa paz que será imposta pelo Anticristo. O arco representa o domínio do Anticristo através da diplomacia e da guerra fria. A coroa representa o triunfo do Anticristo.

2º Selo (6.3,4): Cavalo Vermelho

E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada.

Este segundo selo contrapõe-se ao primeiro. O arco contrasta com a espada. Enquanto o arco e as flechas estão na aljava, este cavaleiro está com uma grande espada nas mão. A paz que o cavaleiro branco traz sobre a terra é temporal e falsa. A função deste cavaleiro, montado sobre o cavalo vermelho é tirar a paz da terra. Tudo aquilo que o primeiro cavaleiro ofereceu aos judeus - reino territorial seguro, paz e protecão para o exercício de sua religião - é completamente destruído pelo segundo cavaleiro. Vermelho é a cor do sangue e geralmente representa a guerra. Nos tempos do apóstolo João, Marte, o planeta vermelho, também era considerado pelos romanos como o deus da guerra.

O cavalo vermelho é símbolo da guerra e do derramamento de sangue que dela advém. A descrição deste selo, no primeiro século da era cristã, deve ter causado bastante impacto entre os crentes daquele período, pois viviam no tempo da Pax Romana, período de paz que atingiu todo o domínio do império romano. Não devemos esquecer da relação deste cavalo vermelho com a profecia de Zacarias 6.2. No tempo da Grande Tribulação a paz diplomática do Anticristo dará espaço para as mais cruéis e sangrentas guerras. Este selo, desencadeará os sofrimentos relacionados aos outros castigos que se seguem.



                 Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (II)
3º Selo (6.5-6): Cavalo Preto

“Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho”.

Este terceiro selo traz juízo sobre a terra. O segundo selo trouxe infortúnios à política das nações e às relações sociais dos homens. Neste, o castigo recai sobre a terra e os víveres. Devemos considerar este sofrimento como consequência do selo anterior, pois a guerra traz consequentemente a fome e a morte.

O cavalo negro é símbolo da morte e a balança de dois pratos subentende o racionamento de alimentos. Este tipo de balança era usado para pesar trigo. Segundo Ryrie “em circunstâncias normais com um denário (o salário de um dia na Palestina nos tempos de Jesus, Mt 20.2), se podia comprar oito medidas de trigo e vinte e quatro de cevada. Nestas condições de fome, com o mesmo salário só se poderá comprar uma medida de trigo ou três de cevada. Em outras palavras haverá 1/8 da subsistência de comida”. [1]

G.R. Beasley-Murray (um erudito conservador que combina as escolas preterista e futurista) afirma que “pouco antes de João escrever o livro de Apocalipse, uma falta aguda de cereais, junto com uma abundância de vinho no Império, levou Domiciano a decretar a restrição da vinicultura e o incremento da produção de cereais; o decreto criou um tal furor, que teve que ser abandonado. O texto pode ter em mente uma igual situação”. [2]

O trigo era o alimento principal do mundo antigo e uma medida de trigo correspondia ao consumo diário necessário para uma pessoa. Já a cevada, por ser mais barata, era o principal alimento dos colonos e pobres. A escassez desse tempo fará com que o preço dos alimentos básicos suba a ponto de um pai de família gastar todo o salário com os alimentos primários. O valor dos produtos fundamentais à subsistência estará acima das condições dos trabalhadores assalariados. Em condições normais, com o mesmo denário (dinheiro), comprava-se quase dezesseis vezes a mais daquilo que será adquirido neste período. Tempos de exacerbada carestia.

Não devemos deixar de mencionar o caráter irônico deste período tribulacional, pois o trigo e a cevada – os mais básicos alimentos do período bíblico – custarão, com o aumento da inflação [consequência da guerra], um valor abusivo e absurdo, enquanto o vinho e o azeite, que eram artigos mais caros, não escasseariam. Isto significa que a maior parte da população pobre ficará mais pobre, enquanto alguns ricos, principalmente os que não sofreram as consequências das guerras, terão ainda seus artigos de luxo: o vinho e o azeite. Porém, à luz da economia atual, podemos entender que estes artigos, cereal, azeite e vinho, necessariamente sofrerão um altíssimo aumento monetário não estando disponíveis ao poder aquisitivo da maioria das pessoas já empobrecidas pela guerra.[3]

Não podemos, entretanto, deixar de considerar a posição de G. LADD. Este considera com base nos textos de Dt 7.13; 11.14; 28.51; 2 Cr 32.28; Ne 5.11; Os 2.8,22; Jl 2.19; Ag 1.11 que “o cereal, o azeite e o vinho” de Apocalipse 6.5-6, é uma frase-chave da Bíblia que representa as necessidades básicas da vida humana, o que leva-o a considerar que este período será de extrema necessidade, mas não de fome catastrófica.

É provável que a globalização da economia desencadeie esta crise por todos os países, além do próprio castigo atingindo os quatro cantos da terra.
4º Selo (6.7-8): Cavalo Amarelo

“Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a peste e por meio das feras da terra”.

A guerra, a carestia e a escassez de alimentos, trazendo consequentemente a fome, prepararão a terra para o castigo do quarto selo – a Morte. O cavalo amarelo representa a morte por meio da fome, da peste e das feras. O termo “amarelo” não significa um amarelo de cor viva, mas pálida [4], simbolizando a palidez característica da morte. Este cavaleiro, diferente dos outros três, é identificado como Morte e é seguido pelo Hades ou inferno. Não está claro, como observa Ladd, “se o inferno estava montado em outro cavalo ou andando a pé atrás da morte, ou no mesmo cavalo com esta”. [5] A Morte vitima os homens através da espada, fome, peste e das feras, enquanto o Hades, isto é, o “mundo dos mortos” [6] recolhe todos os que são ceifados pela Morte. Morte e Hades referem-se aparentemente a morte física e espiritual. [7]

Estas quatro catástrofes - a espada, a fome, a peste e os animais selvagens - são chamados em Ezequiel 14.21 de “os quatro maus juízos de Yahweh”. Estas catástrofes destruirão a quarta parte da terra. Se naquele período houver cerca de seis bilhões de habitantes no mundo, quase dois bilhões de pessoas seriam mortas.

Nunca é demais repisar a relação que existe entre essas pragas e a justiça e o castigo de Deus mencionado em Ezequiel 14.12-21, que trata da “fome” (v.13), “animais selvagens” (v.15), “espada” (v.17), e “peste” (v.19).

Os danos causados por estes cavaleiros.

Morte através da espada: Neste caso, espada assim como na metáfora do texto de Mateus 10.34, significa “contenda”, “dissensões”, daí morte causada por intrigas, contendas, dissensões, assassinato e violência. Um dos pilares que leva-nos a interpretar desta forma, além do uso metafórico de espada, distribuído por toda a Escritura, é que o segundo selo traz a guerra, enquanto, “para matar com a espada”, provavelmente esteja se referindo a morte causada por dissensões, violência, intrigas. Assim sendo, a violência urbana, os assassinatos, sequestros, estupros e toda mazela inominável de violência contra o ser, será aguerrido neste período. Isto sugere um aumento da violência acima dos limites sociais observáveis nos dias hodiernos.

Morte através da fome: O que temos visto e ouvido sobre a fome na Etiópia, na região do nordeste brasileiro, ou em qualquer outro canto do mundo vitimado pela fome, não se compara à mortandade que se seguirá através da fome nesses dias tribulacionais. O terceiro selo trouxe o racionamento de alimentos sobre a terra, este quarto, a morte através da fome. Será uma crise de víveres que atingirá toda a pirâmide social da terra.

Morte através da peste: Se alguns homens sobreviverem à espada ou a fome, muitos não resistirão a morte através das pragas. Cabe lembrar o quanto é eficiente o poder de destruição aqui evocado. A Europa e a Ásia do século XIV foram quase varridas pela peste bubônica – a morte negra. Esta doença, provocada pela pulga dos ratos, foi responsável pela morte de quase um quarto da população (cerca de 25 milhões de pessoas) da Europa e Ásia do final da Idade Média. Se tomarmos como exemplo, o rato, além da peste bubônica, esta criatura, transmite o tifo, enfermidade que segundo estimativas, em quatro séculos matou mais de duzentos milhões de pessoas.[8] Segundo Phillips, “os ratos ameaçam o abastecimento de alimentos para os homens, pois devoram e contaminam, além de que se destruirmos noventa e cinco por cento dos ratos que habitam um determinado local, eles se recuperam no prazo de um ano”. [9]

O Dr. Franck Holtman, chefe do Departamento de Bacteriologia da Universidade de Tennessee, afirma que: Ainda quando a maior parte de uma cidade poderia ser destruída por uma bomba atômica, o método bacteriológico poderia eliminar facilmente a todos em apenas uma semana. O vírus que causa a febre de parrot, uma das mais mortíferas enfermidades humanas, é considerado pelos cientistas como o mais apropriado para este propósito....enquanto o custo de uma bomba psitacosis poderia ser comparativamente barato, sua potência é extremamente alta..., mas se requer menos de um centímetro cúbico do vírus para infectar 20 milhões de seres humanos quando se libera na atmosfera em quantidade infinitesimal...[10]

Devemos lembrar que estas pestes não são apenas a ocorrência de pragas já conhecidas pela ciência. É provável que surjam pragas desconhecidas pelos homens, que exterminarão milhares de pessoas. Muitas destas pestes serão resultado das mortes ocasionadas pela espada e a fome. A peste não causará apenas doenças que levarão os homens à morte, mas será responsável pela contaminação dos víveres e pela poluição das águas. O suprimento dos homens será destruído e poluído por estas e outras pestes. Em nossos dias, vivemos o pavor dos vírus e doenças cada vez mais mortais que surgem à medida que a qualidade da vida humana vai diminuindo por culpa de um crescimento insustentável. Nada, porém, pode ser comparado a este tempo.

Morte através das feras: A natureza sofrerá tanto pelos itens acima que os próprios animais invadirão os habitares dos homens fazendo muito deles suas vítimas.
Notas
[1] RYRIE, Charles. Apocalipsis. p.46. Apud Harold L. WILLMINGTON. Auxiliar Bíblico Portavoz.Barcelona: CLIE, 1984, p.566.
[2] O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995, p.1461.
[3] Cf. LADD, George. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980, p.76 .
[4] No texto grego chloros, de onde procede o nosso termo cloro (alvejante)] pode significar verde pálido ou verde como em Mc 6.39,Walter BAUER, A Greek-English Lexicon of the New Testament and other early Christian Literature, apresenta o significado de Ap 6.8, como “amarelo esverdeado” ou “pálido, como uma pessoa doente”, Chicago, 1979,p.882. LADD, op.cit.p.77, admite como tradução possível “a palidez amarelada da morte”. CHAMPLIN, op.cit., p.467, citando o período clássico da língua grega, a firma que Homero usou o termo para indicar a “palidez” do rosto de uma pessoa atemorizada, indicando “ausência de cor”, cita ainda Hipócrites, usando o termo com o sentido de “carne descolorida de pessoa gravemente enferma”.
[5] G.LADD, op.cit.,p.77. CHAMPLIN, ao contrário, identifica apenas um cavaleiro, chamado Morte e também Hades, visto que a morte é companheira inseparável do Hades. No entanto, a Morte e o Hades são claramente identificáveis como distintos um do outro, principalmente quando se observa que o texto usa o pronome na terceira pessoa [ele] para se referir a Morte.
[6] Hades entre os gregos era o deus do mundo subterrâneo, corresponde ao deus mitológico romano Plutão, o deus do mundo inferior.
[7] WILMINGTON, op.cit.,p.568.
[8] John PHILLIPS. Exploring Revelation, p.116 apud WILMINGTON, id.Ibid.,p.568
[9] Id.Ibid.p.568.
[10] Ibidem.



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