sábado, 18 de junho de 2016

Historia da reforma protestante (6)


             
                 Na Dinamarca (escandinavio)



Na Dinamarca, também um rei – Cristiano II – estava à frente da Reforma, e apesar da oposição do partido eclesiástico, que se tornou um sério embaraço para os seus movimentos, e de os bispos terem chegado a promover a sua deposição, continuou sempre a sua boa obra enquanto esteve no exílio, empregando o seu secretário para traduzir o Novo Testamento para a língua dinamarquesa.
Os dinamarqueses deviam muito ao ministério do intrépido monge de Antvorscov, João Tausen, que tendo sido feito prisioneiro por pregar a justificação pela fé, continuou a expor a doutrina pela janela da sua prisão. O novo rei Frederico ouvindo falar nele, deu ordem para o porem em liberdade, e pouco depois nomeou-o um dos seus capelães.
Na conferencia de Odense, que teve lugar em 1527, o rei declarou-se publicamente a favor da Reforma; e, embora os bispos fizessem muita oposição, decretou ele que dali por diante os protestantes gozariam as mesmas regalias que os católicos. Quando Frederico morreu, os bispos fizeram outro esforço desesperado para restabelecer o papismo, e conseguiram o exílio de Tausen, mas o triunfo deles não foi duradouro. O novo rei era tão favorável à Reforma como o seu antecessor; e no ano 1536 foi reunido um Concílio em Copenhague, que estabeleceu a religião protestante no país. Os bispos, acusados de intrigas e de outros atos de traição, foram destituídos dos seus cargos e emolumentos; e os últimos sinais do papismo que ainda existiam acabaram por completo na Dinamarca.



                           A Reforma nos países baixos

       Os paises baixos se compunham dos atuais paises da Belgica e Holanda ,no inicio da Reforma ,sob o dominio da ESPANHA.Esses paises receberam logo os ensinos da Reforma,porem foram perseguidos pelos regentes espanhóis.Nos países -baixos a reforma era um clamor de liberdade politica e religiosa e a tirania dos espanhois levou o povo a rebelar-se .Após prolongada guerra a incrivel sofrimento ,os países baixos sob direção de Guilherme ,o Taciturno,finamente conquistaram a indenpendencia desligando-se da Espanha,apesar de somente haverem alcançado o reconhecimento no ano de 1648,  60 anos depois do falecimento de Guilherme.A holanda ,tornou-se protestante .Entretanto a Belgica continuou em sua maioria romana.(notas ibib p.147,J.L.HURLBUT).
Os Países Baixos eram parte do Sacro Império Germânico e depois ficaram sob o domínio da Espanha. Durante o reinado do imperador Carlos V, surgiram naquela região luteranos, anabatistas e principalmente calvinistas, por volta de 1540. Desde o início foram objeto de intensas perseguições, tendo a repressão aumentado sob o rei Filipe II (1555) e o governador Duque de Alba (1567). A revolta contra a tirania espanhola foi liderada pelo alemão Guilherme de Orange, grande defensor da plena liberdade religiosa, que seria assassinado em 1584. Eventualmente, os Países Baixos dividiram-se em três nações: Bélgica e Luxemburgo (católicas) e Holanda (protestante).
A Igreja Reformada Holandesa foi organizada na década de 1570. No início do século 17, surgiu uma forte controvérsia por causa das idéias de Tiago Armínio. O Sínodo de Dort (1618-1619) rejeitou as idéias de Armínio e afirmou os chamados “cinco pontos do calvinismo”, cujas iniciais formam em inglês a palavra “tulip” (tulipa): Depravação total ( Total depravity), Eleição incondicional (Unconditional election), Expiação limitada (Limited atonement), Graça irresistível (Irresistible Grace) e Perseverança dos santos (Perseverance of the saints).

                                 Espanha



O país mais poderoso da Europa durante o tempo da Reforma (1520-1580) era a Espanha. Dominou a América do Sul e a América Central e uma boa porção da América do Norte, ilhas no Pacífico, as índias Ocidentais, os Países Baixos (Holanda e Bélgica) e certas províncias da Itália. O rei Carlos V era também Imperador da Alemanha, e seu filho Filipe II veio a ser também rei de Portugal e do Brasil, em 1580. Tinha um grande e bem treinado exército, e uma poderosa frota. O rei Filipe II era homem fanático, mesquinho, teimoso e cruel. Animou a Inquisição a fazer seu serviço nefário, torturando e queimando os "hereges protestantes" e os judeus. Antes de morrer (1598), o rei gabou-se pelo fato de não existir nem um só "herege" no país. A Holanda recebeu esses "hereges" e a Espanha fez guerra contra esse povo, que se revoltara contra a introdução da Inquisição e contra a terrível perseguição à sua fé evangélica; e, antes de morrer, o rei da Espanha tinha perdido a Holanda.

Os espanhóis levaram sua religião e a Inquisição a todas as partes do mundo que conquistaram. Antes da morte de Filipe, a decadência do país começara, e continuou no século seguinte. O rei vira destruída sua "Invencível Armada", a grande frota que mandara com a bênção do papa para castigar a herética Inglaterra, com Isabel sua rainha protestante (1588). Os espanhóis eram odiados devido a crueldade dos seus soldados e padres, e o rei era homem sem misericórdia para com seus inimigos.

A Espanha foi de mal a pior nos séculos XVII e XVIII, e a imoralidade do povo em geral durante o século XVIII, como descreve um contemporâneo, parece-nos quase incrível. No tempo de Napoleão, os exércitos Franceses entraram e tomaram posse do país com o consentimento do seu rei. Os generais franceses acabaram com a Inquisição que ainda funcionava até aquela data. A Guerra Peninsular assolava todo o país, trazendo terrível miséria ao povo, até que terminou no ano de 1814, quando os exércitos ingleses expulsaram seus inimigos.

Vinte anos depois, rebentou uma guerra civil que durou muitos anos, com uma ferocidade incrível. A administração das colônias espanholas era sempre péssima, e estas aproveitaram as dificuldades internas da Metrópole para declararem sua independência. Assim, as possessões da América revoltaram-se e tornaram-se repúblicas, desde o México, no Norte, até a Argentina, no Sul. Isto foi uma grande vantagem para o trabalho evangélico, pois missionários da Inglaterra e da América do Norte agora trabalham em todas as repúblicas. A Espanha passou poucos anos durante o século XIX com paz interna. Havia uma decadência, produzindo uma degradação intelectual, moral e material. Mais de 80%. do povo era de analfabetos. O país é muito rico em minerais, com clima bom e solo fértil, mas tornou-se a nação mais atrasada da Europa. A corrupção da administração das Ilhas de Cuba, e das Filipinas, no Pacífico, resultou numa guerra com os Estados Unidos em 1896, e a Espanha perdeu suas últimas colônias de importância e terminou o século com uma dívida enorme.

A Sociedade Bíblica Britânica enviou Jorge Borrow para vender Bíblias e Novos Testamentos na Espanha no ano 1835, e imprimiu o Novo Testamento na Capital. Enquanto isto se fazia, Jorge Borrow visitava as cidades principais do país, vendendo bíblias, mas encontrou muitas dificuldades, e a oposição dos padres. No princípio do presente século, diversos missionários ingleses começaram o trabalho evangélico na Espanha, mas a guerra civil no ano de 1936 pôs termo a este serviço, e mais uma vez produziu muita miséria e grande privação para o povo. A Espanha tem sido uma filha fiel da infiel igreja de Roma, e tem pago caro por ter rejeitado o Evangelho no tempo da Reforma.(notas historia do cristianismo,A.knight e W.Anglin,2009,cpad)


De Espanha passamos naturalmente para os Países Baixos, visto formarem parte dos domínios do rei espanhol. Aí, apesar da perseguição, as doutrinas revivificadas espalharam-se com rapidez, e o martírio de três monges da Ordem Agostinha, que foram condenados por lerem as obras de Lutero, despertou um tal espírito de investigação entre o povo, que nem as ameaças nem as torturas puderam-no reprimir.

No ano de 1566 foi uma deputação apresentar ao rei uma petição pedindo tolerância, e assinada por cem mil protestantes, mas este, em vez de satisfazer o seu pedido aconselhou sua irmã Margarida de Parma, a governadora dos Países Baixos, a levantar um exército de 3000 homens de cavalaria e 10000 de infantaria para dar cumprimento aos seus decretos. Mas exércitos e ordens reais pouco valiam, pois Deus tinha decidido que a obra fosse por diante. O número dos protestantes aumentava diariamente, apesar dos esforços da força armada para o diminuir e espalhar. O insensível e fanático Filipe entendeu que tinha de recorrer a medidas mais desesperadas do que as adotadas até então, se quisesse exterminar mesmo aquela religião odiada.

Aumento da Perseguição
Pouco satisfeito com a clemência de Margarida, deu plenos poderes ao duque de Alba, o qual, pouco depois, chegou ao país com um exército de 15000 espanhóis e italianos. Começou então uma série de atrocidades que quase não tem igual nos anais da perseguição.

A Inquisição começou logo a funcionar; e dentro em pouco podiam contar-se as suas vítimas aos milhares. A maior parte das igrejas protestantes e casas de oração foram destruídas, levantando-se forcas para enforcar os luteranos. As cidades despovoavam-se porque o povo fugia como quem foge da peste – e o comércio do país ficou paralisado. Mercadores, operários, artistas, gente de todas as classes, saíam às pressas do país e consideravam-se felizes por serem capazes de salvar as suas vidas. Para os que ficaram a morte era a certa.


Roberto Ogier
Em 1562, Roberto Ogier, de Ryssel, em Flandes, sofreu o martírio, em companhia do seu filho mais velho. Este, que ainda era muito jovem, exclamou quando já estava nas chamas, "Ó Deus Pai Eterno, aceita o sacrifício das nossas vidas em nome do Teu Amado Filho". Um monge que se achava perto retorquiu encolerizado: "Tu mentes, maroto, Deus não é teu pai; vós sois filhos do Demônio". Um momento depois o mancebo exclamou: "Olha, meu Pai, o Céu está se abrindo, e eu vejo um milhão de anjos que se regozijam em nós! Estejamos contentes porque estamos morrendo pela verdade". "Mentes! Mentes!" gritou o padre, "o Inferno é que se está abrindo, e vem mais de um milhão de demônios que vão os lançar no fogo eterno". A mulher de Roberto Ogier e outro filho que lhe ficou, sofreram igual sorte alguns dias depois, e assim se reuniu toda a família no Céu.


Misérias e Martírios
Tinha chegado o pior tempo para os Países Baixos. As execuções pela água, pelo fogo e pela espada, e a confiscação de bens, sucediam-se sem cessar. As vítimas eram aos milhares. O número de emigrantes aumentava na mesma proporção, e o produto da confiscação chegou pouco a pouco à soma de trinta milhões de dólares. Os antigos privilégios desses países estavam aniquilados; a população tinha diminuído assustadoramente; a prosperidade de agricultura estava ameaçada de ruína; o comércio, parado; as portas vazias, as lojas e armazéns devastados; muitos braços sem trabalho; os grandes negócios parados, as cidades comerciais, que tanto prosperavam estavam empobrecidas. Em suma, tudo que tinha contribuído para a prosperidade comercial e industrial daquela região começou a decair.

Mas o duque de Alba não se importou com isso. Sendo escravo ativo dum senhor cruel, nunca o pensamento da economia política perturbou o seu espírito; esse medonho retrocesso nada era para ele. Ainda mais, ele ainda não tinha pensado em acabar com o sacrifício das vidas humanas – a sua sede de sangue não estava saciada! O assassinato de alguns milhares de protestantes não era bastante para satisfazer a crueldade de um tal homem; a foice precisava ceifar mais vidas; numa palavra: Toda nação de hereges devia cair debaixo das mãos do assassino! No ano 1568, quando o "concílio de Sangue" se reuniu pela segunda vez, foi decretado que todos os habitantes dos Países Baixos fossem condenados à morte como hereges; e desta horrorosa sorte ninguém era excetuado senão raras pessoas que foram especialmente indicadas.

Os efeitos deste estilo cruel foram terríveis. Muitos enlouqueceram, e outros, que conseguiram fugir para os bosques de Flandes tornaram-se selvagens em conseqüência da solidão e do desespero. Nas cidades e vilas ouvia-se o dobrar dos sinos a todos os momentos; e é certo que o estado de coisas não podia ter sido mais terrível se o país tivesse sido visitado por uma peste! Em todas as casas havia luto, e os corpos carbonizados e mutilados das vítimas daquele medonho decreto estavam expostos às centenas por toda a parte.


Guerra Civil
Por fim entenderam que não podiam mais suportar aquela opressão e, levantando-se com a energia do desespero, saíram dos seus lares desolados e dos seus esconderijos nos bosques, e reuniram-se em volta da bandeira de Guilherme de Nassau, Príncipe de Orange. Não podemos agora entrar em detalhes da guerra civil que se seguiu. O exército protestante a princípio não foi bem sucedido, mas foi auxiliado por Isabel, da Inglaterra; pelo rei da França, e pelos protestantes alemães; e no ano 1580 puderam finalmente ver-se livres do jugo espanhol e firmar a sua independência, constituindo-se em um novo estado protestante na Europa. (notas protestantismo.ieadog.com)



                                                                                                               Portugal

No tempo da Reforma, Portugal rejeitou o Evangelho, preferindo a Inquisição romana, e pagou caro por ter seguido o exemplo da Espanha. Alianças entre as famílias reais influíram nesta decisão. O último rei morreu sem família, e Filipe II da Espanha, sendo herdeiro do trono, entrou em Portugal como rei. A religião católica e a Inquisição ficaram ainda mais arraigadas no país (1580). Devido ao fato de Filipe estar em guerra perpétua com a Holanda, e começar outra guerra com a Inglaterra, Portugal viu-se obrigado a fechar seus portos ao comércio com estas nações, as mais comerciais. Filipe deixou como herança para seu sucessor a guerra com a Holanda, e este país aproveitou a oportunidade para invadir o Brasil, tomando Pernambuco e estabelecendo ali uma colônia holandesa.

No ano de 1640 os portugueses revoltaram-se contra o jugo espanhol, e proclamaram rei o Duque de Bragança (João IV). Este novo soberano mostrou energia e prudência, e os holandeses foram obrigados a sair do Brasil. Embora eles fossem calvinistas, não parece terem evangelizado os brasileiros.

No ano de 1693 minas de ouro foram descobertas em Minas Gerais, e o metal foi exportado para Portugal, tendo o rei João V o desperdiçado em edifícios religiosos e de luxo. A coroa de Portugal nunca havia sido tão rica como durante os primeiros 50 anos do século XVIII, mas o reino não prosperou. Muito dinheiro foi emprestado ao papa e desperdiçado entre os padres e as ordens religiosas. Felizmente o governo do Marquês de Pombal (1750-1777) produziu um avivamento na indústria, no comércio, na educação, e em todos os aspectos da vida. Depois do terremoto que destruiu Lisboa, a capital, em 1755, foi edificada uma cidade melhor. A Inquisição foi suprimida, e os jesuítas foram expulsos do país. E pena que este grande estadista não fosse amigo do Evangelho e não substituísse pelas Escrituras as abominações religiosas.

Quando o rei (José I) morreu e passou a reinar a sua filha Maria I, então os jesuítas voltaram, e a rainha, que era uma religiosa fanática, enlouqueceu, e a decadência de Portugal continuou. Eis o que escreveu um historiador contemporâneo: "A igreja em Portugal é como um deserto árido. Não tenho ouvido ou lido de qualquer esforço feito durante séculos para introduzir um raio de verdade evangélica entre eles [os portugueses]. As Escrituras são um livro selado, escondido e interdito. 

A superstição, a imoralidade e a crueldade pairam sobre eles. Nenhum espírito reformador ousa murmurar uma dúvida acerca dos dogmas absurdos, ou fazer sugestão para reformar os piores abusos sacerdotais. Provavelmente Portugal e suas colônias serão os derradeiros entre as nações a serem salvos da ignorância, e libertados do jugo do papado... Havendo contribuído tanto quanto qualquer outra parte para expulsar os jesuítas e extinguir esta ordem, Portugal não tem subido acima dos seus velhos preconceitos e submissão à imposição sacerdotal. Estou seguro disso, e é espantoso ver com que profundo ódio e aborrecimento eles nos olham a nós como hereges".

Veio a liberdade mais tarde quando Portugal obteve uma constituição mais liberal, e recebeu depois diversos missionários para pregar no país. Então a luz começou a dissipar as trevas, não só em Portugal, mas também na sua antiga e principal colônia, agora independente, o Brasil. No princípio, a luz veio de outras trevas, mas agora estes países estão sendo evangelizados pelos seus próprios filhos. Há um fato impressionante em relação à evangelização dos países que falam a língua portuguesa: é que Deus preparou o instrumento principal, a chave de ouro para abrir a porta de ferro que conduz à liberdade espiritual, com dois séculos de antecedência, quando pôs no coração de João Ferreira de Almeida traduzir a Bíblia em língua portuguesa. 

Esta obra gloriosa foi terminada no ano de 1670 em Batávia, capital onde o servo de Deus residia. O tradutor era português nato, mas seu nome não está escrito em qualquer rol de honra na sua pátria, e parece ser um nome desconhecido pela maioria de seus patrícios, e dos brasileiros, mas é um nome querido (e deve sê-lo) de todos os amantes da Palavra de Deus, que falam a língua portuguesa. Durante a sua vida ele recebeu mais maldição do que louvor por ter preparado a boa semente que futuramente iria produzir bom fruto. Depois de quase três séculos, as terras onde se fala a língua portuguesa ainda estão brancas para a ceifa.( notas historia do cristianismo,A.Knitght e W.Anglin,2009,cpad)



                            Holanda e Bélgica (B)

A Holanda e a Bélgica são países que têm sido unidos sob o mesmo governo, e separados por diversas vezes. São chamados Países Baixos devido à pouco altitude de seus terrenos.

Já vimos como na luta contra a tirania de Felipe II, os Países Baixos obtiveram sua independência. Guilherme de Orange (chamado também Guilherme, o Taciturno) era holandês, e o povo protestante. A maioria do povo belga era católica e de outra raça, e não queria Guilherme como seu príncipe, preferindo o velho regime; algumas províncias aceitaram o rei da Espanha, e duas convidaram um príncipe francês, o Duque d'Anjou. Finalmente este príncipe retirou-se, e as duas províncias foram restauradas ao rei da Espanha, e assim sacrificaram seu progresso e prosperidade. Milhares de seus habitantes, os mais progressistas e inteligentes, fugiram da Inquisição para habitarem na Holanda. Todo o comércio ficou paralisado nas cidades principais, e o capim crescia nas ruas. A Bélgica não prosperou até o século XIX, foi um campo de batalha em diversas guerras entre as potências vizinhas.

Depois da queda de Napoleão, que havia conquistado os Países Baixos, a Bélgica e a Holanda foram unidas, e começou um tempo de prosperidade para eles. Surgiram tantas questões entre os dois países, devido às diferenças de idéias, língua e religião, que a Bélgica acabou por revoltar-se e escolher como rei um príncipe alemão que foi coroado com o nome de Leopoldo I. Este rei era protestante, e sob a sua direção, o país prosperava rapidamente, e continuou seu progresso durante o século XIX.

A história da Holanda é muito diferente. A prosperidade começou logo depois de obtida a sua independência. Os holandeses são excelentes marinheiros, e fundaram diversas colônias no além-mar, e suas indústrias e comércio interno prosperaram. Na cidade de Leiden, uma universidade foi fundada no ano 1575. Os primeiros professores eram homens piedosos e moderados e ensinavam o valor da tolerância, mas geralmente os ministros calvinistas se opuseram a tais inovações, sustentando que o país devia ter somente uma religião. Um dos estudantes desta universidade era Tiago Armínio. Depois passou ele algum tempo em Genebra com Teodoro Beza (sucessor de Calvino). Armínio era homem liberal, tolerante e piedoso, e muito contra os princípios rígidos de uma uniformidade forçada. Não era contencioso, mas possuía mente clara e lógica. Um dos seus princípios era que a providência ou governo de Deus, embora soberana, é exercida em harmonia com a natureza das criaturas governadas, isto é: a soberania de Deus é exercitada numa maneira compatível com a liberdade do homem.

Quando Armínio morreu, a Holanda foi dividida em dois sistemas religiosos, os calvinistas e os seguidores de Armínio, que foram chamados "os remonstrantes". O primeiro ministro do estado, chamado Oldenbarnevedt, deu seu apoio aos "remonstrantes". O príncipe Maurício de Orange, querendo debelar o movimento, mandou prender e processar os aderentes. Dois chefes foram condenados à prisão perpétua, um foi o célebre Hugo Grotio. Outro, o grande estadista Oldenbarnevedt, foi degolado em 1619. Este ministro de estado fez mais do que qualquer outro para a libertação da pátria, estabelecendo também justiça, paz e prosperidade durante 30 anos. Grotio era doutor em direito pela Universidade de Leiden, e um dos homens mais eruditos na Europa. Depois de muitos anos na prisão, pelo auxílio da sua esposa, Grotio escapou da fortaleza onde estava preso. A julgar por estes fatos, podemos entender que a liberdade de consciência e a tolerância não eram ali apreciadas nos séculos XVI e XVII.

Embora a Holanda tenha sofrido com guerras, a igreja ali tem gozado liberdade e tranqüilidade, mas, como as demais igrejas protestantes nacionais, seu estado durante os séculos XVIII e XIX era semelhante ao da igreja de Sardo, descrita no Apocalipse. Atualmente (1941) o país está sofrendo sob a tirania dura de Hitler. A boa rainha junto com o governo, fugiu para a Inglaterra, onde aguarda o dia de voltar à sua pátria, isto é, quando o país for liberto dos seus opressores.(NOTAS historia do cristianismo,A.Knight e W.Anglin,cpad,2009)


Mas vamos à nossa história. Voltamos a nossa atenção para a Holanda, que na época era conhecida como Países Baixos (o território que hoje é ocupado por Bélgica, Holanda e Luxemburgo). É lá que toda a trama acontece. Na época da Reforma o Rei da Espanha, Filipe II, governava os países baixos. O crescimento do protestantismo foi severamente coibido com fortíssimas perseguições e mortes. Estima-se que dezenas de milhares de protestantes foram mortos pelos dirigentes católicos que governavam o país.

A revolta contra os espanhóis foi crescendo até que Guilherme de Orange conseguiu, depois de muitas tentativas, conquistar a tão sonhada independência, mais tarde consolidada por seu filho Maurício de Nassau. Surgia uma nova nação protestante já que o país era, naquela época, de maioria calvinista. Os novos líderes resolveram adotar a religião reformada como religião oficial, utilizando-a como elemento de integração e estabilidade do novo país. Todos os oficiais da igreja reformada holandesa tinham que jurar seguir a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg.
É importante ter em mente a forte ligação entre o estado e a igreja, comum nos tempos da reforma. Só que na Holanda as igrejas tinham uma autonomia relativamente grande, podendo nomear seus oficiais e exercer disciplina sobre os membros. Isso perturbava alguns membros do Estado. Em 1591, uma comissão, presidida por Johannes van Oldenbarnevelt e James Arminius, propôs uma estrutura mais ao gosto do poder secular: a escolha de oficiais da igreja passaria a ser feita por um grupo de representantes (quatro do Estado e quatro da igreja). Isso permitiu uma ingerência muito maior do Estado nos assuntos da igreja. Esta situação – a história mostra – costuma causar problemas. Levando-se em conta que outras religiões eram meramente toleradas (mas não tinham nem o direito de ter seus próprios templos), muitas pessoas vieram para a igreja, cuja vinda não teria ocorrido caso a igreja não fosse oficial do Estado holandês. Repetia-se algo como nos tempos do imperador romano Constantino – a igreja passava a atrair pessoas não regeneradas, muitas vezes com seg



                       A Reforma Protestante na  Inglaterra

O movimento da Reforma na Inglaterra passou por varios períodos  de progresso ,em razões das revelações politicas,das diferentes atitudes dos soberanos e do conservadorismo natural aos ingleses .A reforma inicio-se no reinado de Henrique 8°,com um grupo de estudantes de Literatura classica e da bilbia ,alguns dos quais ,como Tomas More,recuaram e continuaram católicos,enquanto outros avançaram corajosamente para fé protestante.
Um dos dirigentes da Reforma foi João Tyndale,que traduziu o novo testamento no idioma  "mater", a primeira versão em inglês depois   da invenção da imprenssa;essa tradução mais do que outra qualquer ,modelou todas ,as traduções ,a partir daí.Tyndale foi martirizado em Antuerpia ,no ano de 1536.(notas ibid p.147,J.L.HURLBUT).  
   Outro dirigente da Reforma foi Tomas Craner ,arcebispo de Canturia,Craner ,após ajudar de modo notavel a Inglaterra a tornar-se protestante ,retratou-se no reino da rainha católica Maria ,na esperança de salvar vida.entretanto,ao ser condenado a morrer queimado,revogou a retratação.A reforma na Inglaterra foi favorecida e tambem prejudicada por Henrique 8°,o qual se separou de Roma,porque o papa não quis sancionar seu divorcio da rainha Catarina,irmã do imperador Carlos 5°.Henrique 8°,fundou uma igreja católica inglesa,sendo ele mesmo o chefe.Aquele que não concordavam com suas idéias,quer católico ,quer protestantes ,eram por ele condenados á morte.(notas ibid p.147,J.L.Hurlbut).  
  Sob o governo de Edurado 6°;que era muito jovem,e cujo reinado foi curto,a causa da reforma progrediu muito.Dirigida por Craner e outros ,a igreja da Inglaterra foi fundada e o livro de oração foi compilado,com sua rica forma de linguagem.A rainha Maria ,que sucedeu a Eduardo 6°,era uma fanatica romanista e inicio um movimento para reconduzir seus súditos a sua antiga igreja ,usando para isso a perseguição.Ela governou somente 5 anos ;porem nesse período mais de 300 protestantes sofreram martirio.
  Com o acesso ao trono de Elizabete ,a mais capaz de todos os soberanos da Inglaterra ,as prisões se abriram,os exilios foram revogados ,a blibia foi novamente honrada no pulpito e no lar,e durante seu longo governo ,denominado a "época de Elizabete",a mais  esperta  inglesa da história desse país firma-se outra vez e tomou a forma que dura até hoje.(notas ibid p.148,J.L.HURLBUT). 

Evidentemente que não se pode imaginar o que seria a Reforma Inglesa sem a figura de Henrique VIII(1491-1547), filho mais jovem de Henrique VII. Ele estava sendo preparado para exercer uma função eclesiástica, quando a morte precoce de seu irmão, Arthur (1502) e posteriormente a de seu pai Henrique VII (1509) mudou totalmente sua história e da Inglaterra e, por conseguinte, da futura Igreja inglesa.
Mas a biografia de Henrique VIII instiga intensa defesas e ataques na maioria das vezes antagônicos, como resumiu Pollard:
Em nosso desejo de reprovar a imoralidade de métodos de Henry, somos levados a negar o seu sucesso, ou, no nosso apreço pela grandeza dos fins por ele obtidos, buscamos justificar os meios que ele tomou para alcançá-los. Tal como acontece com a sua política, portanto, com seu caráter. (POLLARD, 1919).
Mas assumir o trono inglês trouxe-lhe o fardo de assumir o casamento diplomático com Catarina de Aragão, a viúva de Artur seu irmão mais velho, filha de Fernando e Isabel da Espanha. Depois de postergar o máximo possível e tendo a bênção do papa Júlio II, o jovem Henrique, no apogeu de seus 17 anos, casa pela primeira vez.
Deste casamento com Catarina nasceram diversos filhos, dos quais sobreviveu apenas uma filha, Maria. O rei sabia das dificuldades históricas de manter a linhagem do trono sem um filho homem, e as lembranças das terríveis consequências das “Guerras das Rosas [1]ainda estavam frescas na memória dos ingleses, de maneira que o rei tornou-se obcecado por um herdeiro masculino.
Surge então a figura emblemática de Ana Bolena, pela qual Henrique se apaixona, o que para ele não era muito difícil. Tendo suas próprias ambições Ana resiste às primeiras investidas reais de maneira que Henrique sente-se pressionado a torna-la rainha. Entretanto, para isso teria que desvencilhar-se de seu casamento com Catarina.
Seu pedido inicial de divorcio em maio de 1527 foi colocado em banho-maria, pois o Papa de plantão, Clemente VII, não desejava e nem podia criar atrito com o sobrinho de Catarina, o Imperador Carlos V, que naquele momento se constituía no maior aliado da Igreja romana. (Walker,1981, p. 32). A paciência de Henrique esgotava a cada dia, pois as estrategias do cardeal Wolsey, os canonitas, e os esforços diplomatas nenhum resultado conseguiram, e nem mesmo as ameaças pessoais de Henrique minimizaram os receios  do Papa em relação ao Imperador (Haigh, 1987, p. 105).
Entra em cena a figura de Thomas Crammer (1489-1556), então professor na universidade de Cambridge, sugerindo que o assunto da anulação do casamento real fosse transferido para a esfera das Universidades, que naquele momento histórico ocupavam uma posição relevante em relação às questões teológicas (LATOURETTE, 2006, p. 1.084).
Assim que tomou conhecimento desta proposta, o rei convoca Crammer e o coloca como capelão da família de Bolena. A questão da anulação do casamento real foi transferida para a esfera acadêmica e consultas foram feitas às principais universidades católicas, e às de maior prestígio – Paris, Orleans, Tolosa, Oxford, Cambridge, e até as italianas e todas elas corroboraram para o desfecho tão ansiado por Henrique, declarando que seu primeiro casamento com a viúva de seu irmão não era valido, (GONZALES, 2003, p. 124-125).
Imediatamente as providências são tomadas para que o rei casasse (14 de Novembro de 1532) com Bolena, pois a esta altura dos acontecimentos ela se encontrava grávida, e Henrique queria legitimar a criança, que para sua frustração pessoal veio a ser mais uma vez uma menina, Elizabete, mas, sem que ele pudesse saber, ela faria um dos mais extraordinários reinados da história da Inglaterra.
As consequências deste ato de rebeldia de Henrique também foram imediatas, pois o Papa declarou o casamento com Bolena nulo, reafirmou a validade do casamento de Catarina (março de 1534) e em 1538, Paulo III publicou a bula, já redigida a três anos, excomungando o rei e destituindo-o do trono inglês e desvinculando seus súditos do juramento de fidelidade. Todavia, na pratica o efeito foi irrisório e a bula nem sequer foi publicada na França e na Alemanha. Mas Henrique que vinha acelerando o processo de esvaziamento do poder clerical, iniciado por seu pai, através da promulgação de sucessivas leis, reagiu de forma contundente, e no dia 3 de novembro 1534, o Parlamento inglês promulga o Ato de Supremacia em que se declara: “Que o rei nosso soberano, seus herdeiros e sucessores, reis deste reino, serão considerados, aceitos e reputados como a única Cabeça suprema da Igreja da Inglaterra, chamada Igreja Anglicana” (FISHER, 1984, p. 299 - . Todos os que se recusassem a aceitar com juramento o Ato de Supremacia e reconhecer o novo casamento do rei como ordem de sucessão ao trono, seria considerado réu de alta traição e punido com a morte cruel. O rompimento com Roma estava selado.
Mas que não se tenha qualquer ilusão quanto às intenções de Henrique. O rei inglês tinha que tomar uma posição e como não via com bons olhos o que estava acontecendo em alguns países vizinhos que optando pela reforma viram o poder do trono minimizado ele faz a opção de instituir uma igreja dentro das necessidades dele e das características do povo inglês. Henrique VIII rompe com a Igreja Romana, mas não adota o manual dos reformadores, pois ele estabelece a Igreja Inglesa no mesmo molde da velha igreja católica romana tendo ele mesma como chefe soberano e não mais o papa. O próprio Matinho Lutero percebe esta força do rei inglês: “Henrique é o Papa, e o Papa é Henrique na Inglaterra.(HILLERBRAND, 2007, p. 212).
Henrique nunca deixou de ser católico, e somente adota na Igreja inglesa os pontos de vista dos reformadores que lhe convinham. “Henrique estava orgulhoso de sua ortodoxia e era meticuloso em sua frequência diária às missas e em seu uso de um confessor.” (LATOURETTE, 2006, p. 1.086). Alguns anos antes (1521) havia escrito um tratado teológico “Assertio septem sacramentorum” refutando o pensamento de Lutero “De captivitate Babylonica ecclesiae praeludim”, o que lhe havia valido, por parte do papa Leão X, o título de “Defensor da Fé Católica”, que sempre fez questão de ostentar até seus últimos dias. (GONZÁLES, 2003, p. 125).
Em 1536 promulga o chamado Dez Artigos, que em quase nada se diferenciava dos dogmas católicos. Para deixar ainda mais claro suas opções teológicas, em 1539 faz uma nova promulgação substituindo a anterior e restringindo-os a Seis Artigos, mais radicalmente católicos do que os dez anteriores e apelidado por muitos de “Edito Sangrento”, pois muitos discordantes foram condenados e queimados. O texto mantinha as posições católicas clássicas como a doutrina da transubstanciação, a comunhão sob uma só espécie, o celibato e a castidade do clero, as missas pelos mortos, a confissão auricular, etc. “Até o fim de sua vida, o rei escapa completamente a influência da Reforma” (CASALIS, 1989, p. 151).
Evidentemente que muitos súditos ingleses não ficaram contentes e nem passivos diante desta artimanha real. Os que defendiam o papa e a igreja romana sentiram-se traídos e os que almejavam uma reforma religiosa ampla e radical também não se sentiram realizados. Duas questões revelam a profundidade e amplitude deste descontentamento de ambos os lados: o primeiro é que tanto católicos quanto reformadores foram presos, condenados e sentenciados a morte e uma ilustração deste fato é que em 30 de julho de 1540, por ordem direta do rei “três clérigos de ideias luteranas (Barnes, Garret e Jerome) foram queimados em Smithfield; e três romanistas foram torturados e decapitados por negar a supremacia espiritual do rei” (LINDSAY, 1959, p. 279); segundo que somente vinte anos depois, após rápidas sucessões no trono inglês, é que a rainha Elizabete conseguiu impor um consenso religioso aos ingleses, chamado pelos historiadores de “Acordo Elisabetano”.
Mas alguns passos importantes foram tomados em direção a uma Reforma mais substancial, ainda nos dias de Henrique. Em 1536,Cromwell, como vigário-geral do rei, determina que uma bíblia em latim e outra em inglês fossem colocadas em cada igreja para que qualquer pessoa pudesse ler. Com o rei ainda vivo, Cramwell começou a preparar o que veria a ser o Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer) que foi promulgado somente em 1549, após a morte de Henrique. Durante sua elaboração Cromwell mantem intensa correspondência com Melanchton, Calvino, Bucero e Pedro Mártir Vermigli. “Teologicamente o Book of Common Prayer se distingue radicalmente da doutrina católica: não adota a doutrina da transubstanciação, ou a reserva da espécie, nem a adoração do Santíssimo Sacramento e a oração pelos mortos, nem a unção dos recém-nascidos e dos doentes” (CASALIS, 1989, p.152). Este livro litúrgico teve várias revisões sucessivas, porém superficiais (1552, 1662, 1871, 1872), e ainda continua sendo utilizado nos cultos da Igreja Anglicana. Entretanto, Henrique VIII morre em 1547, deixando para seus sucessores a imensa tarefa de concluir a Reforma inglesa.



Notas - protestantantismo   + referencias

             Referência Bibliográfica

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Zabriskie, Alexander C. Anglican Evangelicalism. Philadelphia, 1999.


O reinado da rainha Isabel trouxe tranqüilidade e liberdade à Inglaterra, e firmou a religião protestante no país. Entre os protestantes havia dois partidos: o povo que queria manter certas formas e vestimentas da Igreja católica, e os puritanos que queriam um culto mais simples e espiritual. A rainha era favorável tanto quanto possível às cerimônias da Igreja católica, e desprezava os puritanos. Por isso a Igreja Anglicana tem conservado certas vestimentas. A sua liturgia é uma forma episcopal onde os bispos são como nobres, tendo domínio sobre a herança de Deus. Os prelados tornaram-se perseguidores dos puritanos no século seguinte, e inimigos da pregação do Evangelho no século XVIII. A rainha não era cruel como sua irmã Maria se mostrara, mas não tinha qualquer sinal de fé cristã. A derrota e destruição da "Invencível Armada" de Filipe da Espanha, firmou o reino contra o catolicismo.

O século seguinte viu a Escócia e a Inglaterra unidas sob o mesmo soberano. O herdeiro, depois de Isabel, ao trono da Inglaterra, era o rei Tiago da Escócia. No ano 1603 Isabel morreu, e Tiago I foi declarado rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda. O nome da nova família real era "Stuart", e houve quatro reis dessa família. Todos eles procuravam exaltar o poder real acima do Estado e da Igreja, e perseguiram todos os que não queriam conformar-se com o ritual da Igreja Anglicana. Somente durante onze anos de protetorado, o povo gozou ampla liberdade, tanto na Inglaterra como na Escócia. A Escócia sofreu especialmente da família Stuart, que odiava o sistema presbiteriano, onde o rei era considerado somente um membro e não a "cabeça", como na Igreja Anglicana. Nesta igreja o rei nomeava os bispos, e os bispos os ministros, e assim tudo era submisso à vontade do rei. Os reis pensavam que o soberano possuía direitos que vinham de Deus, e portanto não tinha de dar conta a mais ninguém.

A loucura e a teimosia do segundo rei desta dinastia, Carlos I, custou-lhe a cabeça, depois de uma guerra civil entre o rei e o povo, em favor da liberdade. O ditador, Oliver Cromwell, concedeu liberdade religiosa, mas o povo gozou esta bênção apenas onze anos, pois o filho de Carlos I voltou e é conhecido como Carlos II. Era homem devasso e sem honra ou princípios. Uma das primeiras leis promulgadas foi chamada "ATO DE UNIFORMIDADE", que obrigou a todos a pertencerem à Igreja Anglicana e proibiu reuniões religiosas de outra denominação. 2.000 dos melhores ministros da Igreja Anglicana foram enxotados das suas paróquias e proibidos de voltar para perto das antigas congregações.
Durante este período, João Bunyan, por ter pregado ao ar livre, e em casas particulares, foi condenado a doze anos de cadeia. Outro pregador dissidente era Ricardo Baxter, que foi, repetidamente, processado, multado e preso por ter pregado, e por ter escrito livros que não agradaram os prelados. Era homem santo e liberal, e odiava a intolerância religiosa. Um livro que escreveu chamado "O Descanso Eterno dos Santos" é lido ainda hoje, e tem sido uma bênção para muitas pessoas durante quase três séculos: Pelos meados do século XVII, apareceu um movimento cristão que existe até hoje, chamada os "Quákers (Tremedores) ou a "Sociedade dos Amigos". O fundador foi Jorge Fox, um crente fervoroso, mas ele por vezes fez muitas extravagâncias, entrando nas igrejas anglicanas e estorvando os ministros.

Fox passou diversos períodos na cadeia. Outros homens de mais educação ajuntaram-se ao movimento sendo um deles Guilherme Penn, o fundador da Pensilvânia, agora um dos Estados da América do Norte. Os adeptos dessa denominação deram muita atenção às operações do Espírito Santo, doutrinas pouco entendidas na igreja reformada. Protestaram contra as cerimônias e o ritualismo; e nas suas reuniões costumavam sentar-se por muito tempo em silêncio, esperando a direção do Espírito Santo. Os Quákers vestiam-se com muita simplicidade, recusaram jurar nos tribunais de justiça, ou tomar armas até para se defenderem. 
Não usavam o batismo nem a Santa Ceia, porque diziam que hoje o cristianismo é todo espiritual. Esta gente, sendo considerada fanática, foi perseguida, e as cadeias encheram-se de pessoas acusadas de terem freqüentado reuniões, ou terem recusado jurar, e cerca de 12.000 quákers estavam presos durante um certo período. Quando soltos, voltaram às suas reuniões abertamente, e deixaram a polícia levá-los à cadeia novamente. Jorge Fox não era bem educado, mas Guilherme Penn era filho dum almirante distinto, e defendeu-se com coragem nos tribunais. O rei devia a seu pai muito dinheiro, e quando este morreu, para liquidar a dívida, Carlos II concedeu ao filho Guilherme um vasto território na América do Norte, então colônia inglesa. Penn foi para ali e fundou uma colônia modelo, fazendo aliança com os índios, aliança essa que nunca foi desonrada, e assim ganhou o respeito dos indígenas.
 O rei deu a esta colônia o nome de Pensilvânia, e Penn fundou a capital, chamando-a Filadélfia, agora uma das cidades principais dos Estados Unidos. Os quákers foram muito perseguidos em outras colônias inglesas, pelos puritanos, homens que fugiram da perseguição dos prelados da Inglaterra. Os quákers mais tarde, quando veio a liberdade na Inglaterra, foram conhecidos pela sua filantropia, e depois trabalharam na Inglaterra e nos Estados Unidos pela abolição da escravatura. Nestes últimos anos os quákers têm diminuído muito, e a maior parte deles tem deixado as verdades cristãs fundamentais. Há ainda um pequeno grupo deles que são fundamentais.

No ano de 1621 um grupo de puritanos embarcou num navio chamado o "Mayflower" para formar uma colônia na América do Norte, a fim de fugir à perseguição na Inglaterra e gozar a liberdade no outro lado do oceano. Sofreram muitas aflições, doenças, privações, morticínios pelos índios, mas perseveraram, e aumentaram pela emigração da Inglaterra durante sessenta anos, e as colônias americanas foram bem povoadas, formando a base da República agora tão poderosa, chamada Os Estados Unidos.

O último rei da Casa de Stuart, Tiago II, era católico, teimoso e fanático, embora jurasse manter a religião protestante e a liberdade do povo, queria introduzir a religião católica. Depois de quatro anos de aflição, o povo convidou o seu genro, Guilherme de Orange, de Holanda, para substituir seu sogro, e este fugiu para a França. Guilherme e sua esposa Maria eram muito bons soberanos e concederam liberdade religiosa, que tem sido mantida desde essa data (1689).

Mas a liberdade não produziu espiritualidade. Ao contrário, no século XVIII o estado espiritual da Inglaterra piorou gravemente. Era igual à condição da igreja em Sardo: um nome para viver, mas morta. O povo estava embrutecido, os ministros da Igreja Anglicana não cumpriam os seus deveres, e muitos gastavam seu tempo caçando e jogando, e alguns eram bêbados. As denominações eram espiritualmente mortas e sem poder, e a maior parte caiu em heresia.

Mas Deus felizmente não deixou sua igreja assim. Levantou os irmãos Wesley, Jorge Whitefield, Rowland Hill e outros, que pregavam ao ar livre e produziram uma revivificação espiritual. Foi então fundada a Igreja Metodista, e outro resultado foi uma mudança na moral do povo. A diferença produzida pela revivificação, dizem alguns historiadores, evitou a repetição na Inglaterra do desastre que se deu na França chamado o "Reinado de Terror". Ao princípio João e Carlos Wesley e Jorge Whitefield eram perseguidos pelos bispos e padres anglicanos. A pregação ao ar livre foi considerada uma extravagância religiosa. Milhares de pessoas assistiram a essas pregações, e muitos foram convertidos. Wesley também organizou uma multidão de pregadores leigos, que pregaram com bom êxito. Jorge Whitefield foi ajudado pela condessa de Huntingdon, que edificou salões em diversas partes da Inglaterra, e pagou o ordenado de muitos ministros para pregarem o Evangelho. Muitos desses salões existem até hoje.

Este despertamento desenvolveu-se no século XIX quando foram estabelecidas diversas sociedades bíblicas e sociedades missionárias. Havia também grande interesse pelo texto da Bíblia, e pelos manuscritos antigos dos quais foram descobertas traduções mais exatas que foram traduzidos. Escavações na Mesopotâmia, na Babilônia e no Egito trouxeram à luz escritos confirmando histórias bíblicas. Também certas verdades foram estudadas, como as profecias do Velho Testamento e a vinda do Senhor. 
O espírito sectário, que dominava em todas as classes de crentes, despertava a consciência de muitos, e resultou em mais comunhão fraternal na Igreja. A rainha Vitória começou a reinar no ano de 1847, e reinou mais de 60 anos. Sendo cristã, e com idéias elevadas, ela fez uma limpeza na corte, e elevou o nível social e público, começando com os ministros de Estado até a administração da justiça. Se um ministro de Estado, embora de grande capacidade, tivesse uma mancha no seu caráter moral, seu nome era riscado da lista. A justiça agora estava ao alcance dos mais pobres, e não favorecia os ricos.

No ano 1859 houve uma revivificação no Norte da Irlanda e no Norte da Escócia, e a Inglaterra sentiu seu efeito. Durante dez anos em seguida houve uma grande onda de evangelização no país, e muitos foram convertidos. Poucos anos depois veio o evangelista D. L. Moody da América do Norte para suas campanhas de pregações, e com ele Sankey, o cantor evangélico. Visitaram todas as cidades principais nos três reinos, e milhares foram convertidos. Nos maiores salões das cidades não cabia a metade do povo que queria assistir às suas pregações.
 Moody era homem humilde e de família pobre e pouco educado, com sotaque americano, mas pregava com grande poder. Durante os anos que seguiram a estas campanhas, nasceram muitas sociedades de evangelização entre crianças, marinheiros, soldados, pescadores, empregados nas estradas de ferro, e políticos, para impressão e distribuição de tratados evangelísticos. Os trabalhos missionários desenvolveram-se e novas sociedades foram instaladas. Tudo parecia semelhante à Igreja em Filadélfia. A porta estava aberta para o Evangelho em quase todo o mundo: "Uma porta que se abre e ninguém fecha". O grande pregador batista Spurgeon (chamado o "príncipe dos pregadores") durante mais de 30 anos pregava todos os domingos a milhares de pessoas em Londres, e seus sermões são lidos até hoje.

Mas, enquanto o Espírito de Deus fazia estas maravilhas, o inimigo não dormia, apanhando semente de joio e começando a sua sementeira. Seus servos eram como os fariseus e saduceus. Os primeiros estavam representados na Inglaterra por um forte partido de ritualistas, que queriam fazer a Igreja Anglicana igual à Igreja Católica. Os "saduceus" criticavam as Escrituras, e a crítica à Palavra de Deus tem crescido gradualmente. Um célebre cientista chamado Charles Darwin, inventou a teoria da "Evolução". Baseando suas teorias sobre certos fatos científicos. Ele negou a obra do Criador do universo, dizendo que o homem é descendente de animais, sendo o macaco o nosso parente mais chegado, tendo havido entre este animal e o homem um elo que agora falta.

Durante muitos anos os cientistas tem procurado em vão algumas evidências da existência desse "elo", que deve ser meio homem e meio macaco. Muitos cientistas têm abandonado esta teoria, mas infelizmente foi adotada pelos professores dos seminários para treinar ministros para os púlpitos de várias denominações.

A teoria da evolução foi adaptada ao ensino bíblico, e o resultado disso hoje em dia é que uma boa parte desses ministros são "modernistas", negando a inspiração da Palavra de Deus. O efeito na vida do povo é triste. Embora a pregação do Evangelho ainda atraia o povo, a Inglaterra em geral é quase como uma nação pagã, e é calculado que somente 20% assiste a qualquer culto. E destes 20% a maior parte são modernistas. Embora a Inglaterra tenha alguma parte no serviço missionário do mundo, este é apoiado por uma pequena percentagem do povo.
 O estado espiritual é como o de Laodicéia. O Evangelho produziu, e ainda existe no país, um alto nível de responsabilidade e honestidade na administração das leis, da justiça, e foram instituídos muitos benefícios, tais como proteção aos velhos, aos fracos, aos desempregados, e as leis protetoras nas indústrias. O comércio é praticado com elevada moral, mas o povo em geral é muito indiferente às coisas de Deus. O domingo agora é quase tão profano como no Continente. Riquezas, prazeres, esportes, conforto, luxo, têm tomado o lugar da piedade. Deus está agora retirando do país muitas destas vantagens, e o povo foi bastante castigado na Segunda Guerra Mundial.notas historia do cristianismo,A.Knight e W.Anglin,2009,cpad)

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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