terça-feira, 29 de março de 2016

Lições antigas livro de Romanos 1998 n.9


Lições Bíblicas CPAD
Jovens e Adultos 
2º Trimestre de 1998 
Título: Romanos — O Evangelho da justiça de Deus
Comentarista: Esequias Soares da Silva


 Lição 9: Problema da rejeição de Israel
Data: 31 de Maio de 1998

TEXTO ÁUREO

E, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! (Rm 11.12).

VERDADE PRÁTICA

Embora a Igreja se encontre numa posição espiritual superior a Israel, nem por isso os judeus deixam de ser povo de Deus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda — Gn 28.14-16
Deus escolheu Israel para abençoar todas as famílias da terra 

Terça — Êx 19.4-6
Deus fez de Israel sua propriedade peculiar 

Quarta — Zc 2.8-12
Israel é a menina dos olhos de Deus 

Quinta — Rm 9.30-33
Israel tropeçou na Pedra da Esquina 

Sexta — Zc 12.10
Israel se converterá ao Senhor Jesus nos últimos dias 

Sábado — Hb 6.13-18
A promessa da eleição de Israel é irrevogável

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 9.4,5; 11.1,25-32.

Romanos 9
4 — ...são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas;
5 — dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!

Romanos 11
1 — Digo, pois: Porventura, rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
25 — Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.
26 — E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades.
27 — E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados.
28 — Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.
29 — Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.
30 — Porque assim como vós também, antigamente, fostes desobedientes a Deus, mas, agora, alcançastes misericórdia pela desobediência deles,
31 — assim também estes, agora, foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.
32 — Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.

PONTO DE CONTATO

Nesta lição vamos estudar sobre a eleição do povo de Israel. Um tema fundamental para entendermos o propósito de Deus para Israel e sua situação espiritual na atualidade. Trabalhe com sua classe de tal forma que possa se situar nesse contexto histórico-teológico e alegrar-se com a misericórdia divina para com os não-judeus, concedendo-lhes a salvação.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·        Enumerar os três propósitos de Deus para a humanidade através do povo israelita.
·        Identificar quem são os verdadeiros israelitas diante de Deus.
·        Construir para sua vida expectativas constantes da volta de Jesus com base no sinal que Israel representa.
·        Aplicar em sua vida a bênção de sermos “participantes da raiz e seiva da oliveira”, porque a rejeição de Israel é a reconciliação do mundo.

SÍNTESE TEXTUAL

Contrariando a opinião dos judeus, que, como “povo escolhido” de Deus não se consideravam necessitados da salvação, o apóstolo Paulo explica no capítulo 9 a verdadeira situação espiritual do povo de Israel diante de Deus.
Eles criam que, sendo filhos de Abraão, automaticamente tinham direito a todas as bênçãos da aliança de Deus com Abraão e, por conseguinte, a justificação e a glorificação eram direitos exclusivos dos judeus mediante o seu nascimento natural.
Mas, foi Israel quem rejeitou o Salvador, pelo seu endurecimento espiritual. Assim como os gentios. Deus colocou os judeus em situação de desobediência para usar de misericórdia com todos.
Haverá um dia, então, que Israel embora povo eleito, se voltará para Deus e todos os seus pecados serão tirados.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

Podemos introduzir esta aula com uma interessante ilustração.
Na Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo compara Deus a um agricultor que cuida de árvores frutíferas.
A oliveira era uma árvore muito importante para os romanos. Seu fruto tinha várias utilidades. Era usado na salada e, depois de esmagada, a azeitona dava o azeite usado na comida.
Esta imagem é aplicada em Romanos para falar dos judeus, povo especial de Deus, que era a oliveira. Porém, não estavam dando bons frutos. Como num enxerto em árvores frutíferas, o agricultor podou muitos dos ramos e indo ao bosque cortou galhos da oliveira brava, e colocou no lugar dos ramos que havia cortado. Colocou uma casca e amarrou com um barbante. Logo, os novos galhos brotaram e deram bons frutos.
Você poderá tornar a sua aula mais educativa se de alguma maneira, conseguir que seus alunos conheçam a técnica do enxerto.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Os três capítulos de Romanos que tratam da situação de Israel podem ser divididos em três partes: análise da eleição de Israel no passado (9.6-29); a rejeição do Messias por Israel (9.30-10.21); e Israel ocupa o segundo plano até que a plenitude dos gentios se complete (11.1-36).

I. PROPÓSITOS DE DEUS COM ISRAEL

1. O tríplice propósito. Israel, em relação a Deus, enquadra-se biblicamente no contexto histórico, teológico e escatológico das Sagradas Escrituras. Deus escolheu o povo israelita com um tríplice propósito para a humanidade: revelar Seu poder, dar a Bíblia e enviar o Salvador ao mundo. Sem os três capítulos já mencionados, ficaríamos impossibilitados de entender os discursos dos profetas sobre o futuro de Israel, e o Cristianismo poderia correr o risco de ser interpretado como religião antissemita.
2. Revelar o poder de Deus. Deus mostrou ao mundo a sua grandeza, poder e glória através de Israel (Rm 9.17). Haja vista que Ele suscitou a Faraó para, através da intolerância deste com os israelitas, abater o monarca e dar liberdade ao povo da promessa, e assim mostrar ao mundo o seu grande e eterno poder.
3. Dar a Bíblia ao mundo. O segundo propósito de Deus para com o povo judeu foi trazer ao mundo os seus oráculos. Israel foi receptáculo dos arcanos divinos; a Bíblia foi dada às nações através de Israel.
O apóstolo Paulo pergunta aos irmãos de Roma: “Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhes foram confiadas” (Rm 3.1,2). Então, através de Israel, Deus entregou a Bíblia ao mundo.
4. Dar ao mundo o Salvador. A terceira razão da eleição de Israel por Deus foi para dar o Salvador ao mundo. Deus prometeu a Abraão: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Jesus disse para a mulher samaritana: “... porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22).

II. ANÁLISE HISTÓRICA DE ISRAEL

1. A ameaça da dispersão. A segurança do povo de Israel residia na sua obediência a Deus; uma vez rompida esta aliança, o povo estaria vulnerável diante das nações. A diáspora (ou dispersão) ser-lhe-ia uma ameaça constante (Lv 26.36-37; Dt 28.25,36,37).
A primeira diáspora ocorreu nos dias de Nabucodonosor, rei de Babilônia (2Rs 24.10-16). A segunda diáspora dos judeus, veio com a destruição de Jerusalém, em 70 d.C, e deu-se por causa de sua incredulidade — rejeitaram o seu Messias (Lc 21.24; 23.28-31).
2. A incredulidade de Israel. O apóstolo começa o capítulo 9 lamentando a incredulidade de seus compatriotas, e reconhece os privilégios que Deus conferira a Israel no passado (vv.1-5). Em seguida, mostra que o verdadeiro israelita é o que vive pela fé (9.6-8).
3. A soberania de Deus. A seguir, o apóstolo cita exemplos do Antigo Testamento para mostrar a soberania de Deus sobre suas criaturas, e o direito dEle escolher quem Ele quiser para ser o seu povo. Deste modo, Ele escolheu a Jacó e rejeitou a Esaú, antes mesmo do nascimento destes (9.10-16). A partir do v.23, Paulo mostra, citando os profetas Oséias e Isaías, que o plano de Deus, desde o princípio, era salvar os gentios.
4. Israel tropeçou. O apóstolo Paulo conclui dizendo que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram-na. Porém, a justiça “que é pela fé” (v.30). Israel, entretanto, que buscava a lei da justiça, não a conseguiu (v.31). Por quê? Porque Israel não seguiu o caminho da fé, mas o das obras, e por isso tropeçou (v.32). Israel tropeçou por haver rejeitado o seu Messias (v.33).

III. O VERDADEIRO ISRAEL

1. Deus não rejeitou o seu povo (11.1). Paulo argumenta que Deus não rejeitou o seu povo, cita como prova disso, os judeus cristãos. O exemplo de Elias, que ele apresenta, mostra que os sete mil que não dobraram os joelhos diante de Baal, eram os verdadeiros israelitas (11.2-4). Da mesma forma, a minoria de judeus, que creu em Jesus, são os israelitas de fato (11.5).
2. Os incrédulos. Como fica a situação dos rebeldes? Pode perguntar alguém. Em Roma, nos dias de Paulo, essa questão obrigou o apóstolo a deter-se um bom tempo sobre o assunto. O fato de Israel ter rejeitado o seu Messias não significa ser ele um povo proscrito por Deus. Isto faz parte do gigantesco plano que Deus traçou antes da fundação do mundo (11.7-12).
3. Devemos considerar a bondade de Deus. A triste experiência de Israel deve servir de exemplo para a Igreja. Os israelitas eram os filhos naturais de Deus e, não obstante, foram cortados da verdadeira oliveira por causa da incredulidade (11.17-20). Cada cristão, portanto, deve valorizar a sua posição diante de Deus. O que Deus fez conosco é de uma grandeza infinita. Quem vacilar pode ser cortado por Deus assim como aconteceu com Israel (11.21-24).
4. Israelita espiritual. É o verdadeiro israelita (Rm 4.11-16). O cristão é reconhecido, no Novo Testamento, como judeu, no sentido espiritual. Isto é: pela fé em Jesus, tornou-se ele filho de Abraão (Gl 3.7). “Nem todos que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6).
5. O enxerto. É verdade que hoje a “menina dos olhos” de Deus é a Igreja. A nossa posição espiritual está acima da dos judeus. Os ramos foram quebrados, por culpa dos próprios judeus: “Não que a palavra de Deus haja faltado” (9.6).
A promessa de Deus não foi quebrada, mas os judeus é que recusaram a promessa. Somos como zambujeiros enxertados no lugar deles, e, assim, participamos da raiz e da seiva da oliveira (11.15-19).

IV. A SALVAÇÃO DE ISRAEL

1. Restauração nacional. A restauração nacional será seguida da restauração espiritual (Ez 36.24; 37.21). Ou seja: quando todos os ossos se juntarem e formarem os nervos, e as carnes recobrirem os ossos, estará pois o corpo pronto (Ez 36.24; 37,21).
2. Restauração espiritual. Depois, em 36.25 e 37.22 de Ezequiel, vemos a restauração espiritual dos judeus. Diz ainda o profeta depois de haver profetizado acerca da formação do corpo: “Mas não havia neles espírito” (Ez 37.8).
Quando o espírito de graça e de súplica vier sobre os judeus, aí ocorrerá a restauração espiritual (Zc 12.10; Ez 37.23-28). A partir de então os judeus não mais rejeitarão o seu Messias.
3. A salvação de todos os judeus (11.26,27). Quando a plenitude dos gentios se cumprir. Deus voltará a tratar com Israel. A rejeição de Israel é parcial e temporária. Por isso que afirmamos que Israel continua sendo povo de Deus. O apóstolo prevê a salvação em massa dos judeus (11.26,27), quando o Messias voltar (Ap 1.7), algo também previsto pelos profetas do Antigo Testamento (Is 59.20; Zc 12.10).

V. A ELEIÇÃO DE ISRAEL

1. Decreto divino. Os decretos, ou conselhos divinos, são imutáveis, irrevogáveis e incondicionais. São coisas que não dependem da vontade, ou da conduta, do homem, pois nasceram no coração e no propósito de Deus.
2. A promessa do Salvador. Deus prometeu dar à humanidade um Redentor, mas não estabeleceu condições (Gn 3.15). Qualquer que fosse a conduta do homem: crendo nesta promessa ou não; obedecendo a Deus ou não. Ou seja: independentemente de tudo isto, o Salvador viria da mesma forma. E foi o que realmente aconteceu! Este é o conselho divino.
3. A eleição de Israel é irrevogável (11.28-29). Paulo diz que a eleição de Israel é irrevogável porque é decreto divino. Mesmo sendo os judeus indiferentes ao evangelho, não importa, pois os conselhos divinos são incondicionais: “Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (11.28,29).
Então, por causa da promessa que Deus fez aos pais Abraão, Isaque e Jacó, Israel continuará sendo o povo escolhido (Hb 6.13-18).

CONCLUSÃO

Israel é o relógio de Deus na terra. Jesus disse: “Olhai para a figueira (Israel), e para todas as árvores; quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão” (Lc 21.29-30).
A figueira é Israel. Pelas palavras de Jesus, conscientizamo-nos de quão próximo está “o verão”, pois a figueira está brotando. A restauração nacional já ocorreu, falta apenas chegar o verão para a restauração espiritual.

VOCABULÁRIO

Iminente: Que ameaça acontecer breve; que está em via de efetivação imediata.
Diáspora:
 A dispersão dos judeus, no decorrer dos séculos.
Oráculo:
 Palavra, sentença ou decisão inspirada, infalível, ou que tem grande autoridade.
Arcanos:
 Segredos, mistérios.
Proscrito:
 Aquele que foi desterrado; emigrado.

QUESTIONÁRIO

1. Quais são os três propósitos divinos com Israel?
R. Revelar o poder de Deus; dar a Bíblia ao mundo; e dar ao mundo o Salvador.

2. Por que Israel tropeçou?
R. Porque Israel não seguiu o caminho da fé, mas o das obras.

3. Quem é o verdadeiro israelita?
R. É o israelita espiritual. Isto é: tanto judeu quanto gentio tornam-se filho de Abraão pela fé em Jesus.

4. Quando se dará a salvação de todo o Israel?
R. Quando a plenitude dos gentios se cumprir, Deus voltará a tratar com Israel.

5. Por que a eleição de Israel é irrevogável?
R. Paulo diz que a eleição de Israel é irrevogável porque é decreto divino.

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

Subsídio Teológico

A respeito dos três elementos distintos no exame que Paulo fez de Israel no plano divino da salvação, a Bíblia de Estudo Pentecostal traz comentário tratando-os na seguinte perspectiva:
“(1) Esse exame de condição de Israel não se refere à vida ou morte eterna de indivíduos após a morte”. Pelo contrário, Paulo está tratando do modo como Deus lida com nações e povos do ponto de vista histórico, i.é., do seu direito de usar povos e nações conforme Ele quer. Por exemplo, sua escolha de Jacó em lugar de seu irmão Esaú (9.11) teve como propósito fundar e usar as nações de Israel e de Edom, oriundas dos dois. Nada tinha que ver com seu destino eterno, i.é., quanto à sua salvação ou condenação como indivíduos. Uma coisa é certa: Deus tem o direito de chamar as pessoas e nações que Ele quiser, e determinar-lhes responsabilidades a cumprir.
(2) Paulo expressa sua constante solicitude e intensa tristeza pela nação judaica (9.1-3). O próprio fato que Paulo ora para que seus compatriotas sejam salvos, revela que ele não admitia o ensino teológico da predestinação, afirmando que todas as pessoas já nascem predestinadas, ou para o céu, ou para o inferno. Pelo contrário, o sincero desejo e oração de Paulo reflete a vontade de Deus para o povo judaico (cf. 10.21). No NT não se encontra o ensino de que determinadas pessoas foram predestinadas ao inferno antes de nascer.
(3) O mais relevante neste assunto é o tema da fé. O estado espiritual de perdido, da maioria dos israelitas, não fora determinado por um decreto arbitrário de Deus, mas, resultado da sua própria recusa de se submeterem ao plano divino da salvação mediante a fé em Cristo (9.33; 10.3; 11.20). Inúmeros gentios, porém, aceitaram o caminho de Deus, que é o da fé, e alcançaram a justiça mediante a fé. Obedeceram a Deus pela fé e se tornaram ‘filhos do Deus vivo’ (9.25,26). Esse fato ressalta a importância da obediência mediante a fé (1.5; 16.26) no tocante à chamada e eleição da parte de Deus.
(4) A oportunidade de salvação está perante a nação de Israel, se ela largar sua incredulidade (11.23). Semelhantemente, os crentes gentios que agora são parte da Igreja de Deus são advertidos de que também correm o mesmo risco de serem cortados da salvação (11.13-22). Eles devem sempre perseverar na fé com temor. A advertência aos crentes gentios em 11.20-23, pelo fato da falha de Israel, é tão válida hoje quando o foi no dia em que Paulo a escreveu.
(5) As Escrituras estão repletas de promessas de uma futura restauração de Israel ao aceitarem o Messias. Tal restauração terá lugar ao findar-se a Grande Tribulação, na iminência da volta pessoal de Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD).




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