quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

William Blackstone (sionismo cristão)

        

                William Blackstone e o Sionismo Cristão




Em seu livro A Place Among The Nations: Israel and the World [Um Lugar Entre as Nações: Israel e o Mundo], Benjamin Netanyahu identifica o americano William Blackstone como um dos exemplos mais notáveis de cristão sionista. Netanyahu comenta que “tal atividade cristã precede o moderno Movimento Sionista em, pelo menos, meio século”.[1] (Na realidade, há registro de Sionismo Cristão já no fim de 1500 na Inglaterra).[2] Os primeiros cristãos sionistas eram conhecidos comorestauracionistas, visto que desejavam uma restauração dos judeus à terra de Israel . O nome de William Blackstone é muito estimado pelos judeus sionistas, a ponto do Estado de Israel ter dado o nome de Blackstone a um bosque, a fim de homenageá-lo pelos esforços iniciais para influenciar outras pessoas em favor da reconstituição da nação de Israel .

O Começo do Movimento Com Blackstone

Blackstone nasceu em Adams, Estado de Nova York, no ano de 1841 e foi criado num ambiente familiar de metodistas fervorosos, onde se tornou crente em Cristo com onze anos de idade.[3] Quando se casou, Blackstone mudou-se para Oak Park, Estado de Illinois, na região de Chicago, e foi muito bem sucedido como homem de negócios, tornando-se um magnata do ramo imobiliário. “Em 1878, ele participou da Conferência de Niagara, cujo tema era o retorno dos judeus à Palestina, na qual decidiu tornar-se um corajoso restauracionista”.[4] Apesar de ser metodista, passou a empreender esforços em prol do restabelecimento do Estado de Israel, motivado por sua visão dispensacionalista da profecia bíblica. “Blackstone passou a ser um colaborador pessoal de líderes pré-milenistas, tais como, D. L. Moody, James H. Brookes e Horatio Spafford, este que, por fim, fundou a colônia americana em Jerusalém”.[5]

Blackstone, um incansável estudioso autodidata da Bíblia e da teologia, continuou a desenvolver seu interesse por aquilo que a Bíblia ensina acerca de Israel . À semelhança de muitos crentes em Cristo que possuem esse mesmo interesse, foi levado a empreender esforços para pregar o Evangelho ao povo judeu. Em 1887, fundou a Chicago Hebrew Mission [Missão Hebraica de Chicago] que está ativa até hoje. Ao longo de sua vida, Blackstone combinou sua postura pró-sionista com seus esforços contínuos de ganhar o povo judeu para Cristo.

Em 1908, Blackstone publicou o livro Jesus is Coming [Jesus Está Voltando], que se tornou um best-seller com a venda de mais de um milhão de cópias em três edições e foi “traduzido para trinta e seis idiomas”.[6] “É provável que em sua época não tenha havido um expositor dispensacionalista da Bíblia mais aclamado pelo público do que ele”.[7] Blackstone pode ser considerado o Hal Lindsey daquele tempo.

O Sionismo Cristão de Blackstone

Embora seja amplamente conhecido na história do evangelicalismo por diversos feitos, Blackstone é mais conhecido por sua incansável atividade em prol do restabelecimento da nação judaica em Israel . Sem dúvida alguma, Blackstone foi o principal líder sionista de seu tempo. Timothy Weber faz o seguinte comentário sobre Blackstone e o dispensacionalismo:

Os dispensacionalistas, na sua maioria, ficaram satisfeitos em ser meros observadores do movimento sionista. Eles ficaram atentos ao movimento e o analisaram; pronunciaram-se em favor dele. Porém, em termos políticos, raramente se envolveram para promover seus objetivos. Entretanto, há uma exceção a essa regra na pessoa de William E. Blackstone, um dos escritores dispensacionalistas mais estimados de sua época.[8]

No que diz respeito à restauração dos judeus à sua terra natal, Blackstone diz em seu livro: “Talvez você diga: ‘eu não creio que os israelitas devam retornar à terra de Canaã, nem creio que Jerusalém deva ser reconstruída’. Meu caro leitor, você já leu as declarações da Palavra de Deus sobre esse assunto? Certamente não existe nada que tenha sido afirmado com mais clareza nas Escrituras do que isso”.[9] Após fazer tal declaração, as próximas quatorze páginas que ele escreveu praticamente só contêm citações das Escrituras que fundamentam sua convicção. Então ele conclui: “Poderíamos ter enchido um livro inteiro com explicações sobre a maneira pela qual Israel será restaurado à sua terra, mas nosso único desejo era o de demonstrar o fato inquestionável da profecia, fato esse que está intimamente relacionado com a aparição de nosso Senhor e que, segundo cremos, cumprir-se-á plenamente”.[10]

Por volta de 1891, o ativista Blackstone organizou um abaixo-assinado endossado por 413 proeminentes cidadãos americanos e enviou esse documento ao presidente Benjamin Harrison defendendo o restabelecimento dos judeus que estavam sendo perseguidos na Rússia numa nova terra natal, então chamada de Palestina. Segue abaixo um trecho daquela petição:

Por que não lhes devolver a Palestina? De acordo com a distribuição das nações feita por Deus, a Palestina é a sua terra natal – uma possessão inalienável da qual eles foram forçosamente expulsos. Quando eles a cultivavam, era uma terra extraordinariamente frutífera que sustentava milhões de israelitas; eles diligentemente lavravam suas encostas e vales. Eram agricultores e produtores, bem como se constituíam numa nação de grande importância comercial – o centro da civilização e da religião [...] Cremos que este é o momento adequado para que todas as nações, principalmente as nações cristãs da Europa, demonstrem benevolência para com Israel. Um milhão de exilados que, devido ao seu terrível sofrimento, imploram, de forma comovente, a nossa compaixão, justiça e humanidade. Restauremos-lhes agora a terra da qual eles tão cruelmente foram despojados por nossos ancestrais romanos.]

Blackstone esclareceu: “Cerca de 2 milhões de judeus da Rússia apelam em condições deploráveis por nossa compaixão, justiça e humanidade, desesperados por um lugar de refúgio na Palestina”.[13] Carl Ehle faz a seguinte descrição dos signatários:

Entre os 413 signatários alistados por suas respectivas cidades – Chicago, Boston, Nova York, Filadélfia, Baltimore e Washington – estavam os formadores de opinião da época: editores e/ou redatores dos principais jornais e periódicos evangélicos (no mínimo, um total de noventa e três jornais representados), os prefeitos de Chicago, Boston, Nova York, Filadélfia e Baltimore, dentre outras autoridades, os principais clérigos e rabinos, grandes empresários, T. B. Reed (presidente da Assembléia Legislativa), Robert R. Hitt (presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara) e William McKinley, de Ohio, o qual mais tarde se tornou presidente.

Webber salienta: “Embora a petição tenha recebido muita cobertura da imprensa, o presidente Harrison e seu secretário de Estado praticamente ignoraram aquele documento; além disso, a pequena atenção que o documento recebeu na esfera diplomática dissipou-se rapidamente”. Apesar de ter conseguido pouco na área política, foi dito que a petição de Blackstone exerceu um impacto estimulante em toda a sociedade americana. A petição ganhou ampla cobertura dos jornais, gerando muita discussão e adesão pública. Ela despertou grande interesse entre os todos os judeus.[16] Blackstone desejava que o presidente convocasse uma conferência internacional de chefes de Estado, principalmente os europeus, a fim de usarem sua influência para constituir o novo Estado Judeu. Blackstone argumentou da seguinte maneira: “A ninguém [...] a nenhum mortal, desde os dias de Ciro, rei da Pérsia, foi concedida tamanha oportunidade privilegiada de propiciar o cumprimento dos propósitos de Deus relativos ao Seu antigo povo”.[17]

Em 1916, Blackstone fez um apelo semelhante ao presidente Woodrow Wilson, filho de um pastor presbiteriano que se tornara cristão sionista, solicitação essa que influenciou o presidente americano a se mostrar favorável à Declaração Balfour em 1917.[ Essa declaração foi assinada praticamente nos mesmos termos da primeira petição de Blackstone. Oren chega à seguinte conclusão: “Como sempre aconteceu na experiência histórica dos Estados Unidos com o Oriente Médio, a fé de um homem provou ser o sonho de outro, enquanto a política era determinada pelo poder governamental”.

O Relacionamento Com os Judeus

Embora Blackstone tenha atuado incansavelmente como um cristão sionista, nunca perdeu seu ardor pela evangelização dos judeus. “Em 1890 ele organizou e presidiu a primeira conferência para cristãos e judeus em Chicago”.[20] Hoje em dia, eventos assim são comuns, mas na época de Blackstone nunca se ouvira falar, até então, de conferências dessa natureza. Blackstone aproveitou a ocasião para promover o tema da restauração dos judeus à terra de Israel, com a inclusão de alguns argumentos que comprovavam ser Jesus o Messias. Os judeus “sionistas gostavam de Blackstone e confiavam nele”, apesar das suas freqüentes tentativas de evangelizá-los. Um exemplo típico de iniciativa de evangelização tomada ao longo de sua vida é a que ocorreu “em 1918, por ocasião de um ajuntamento sionista em massa na cidade de Los Angeles, quando Blackstone teve a petulância de fazer um apelo de púlpito”, convidando sua audiência de centenas de judeus a que viesse à frente e aceitasse Jesus como seu Messias. A despeito de tais tentativas, ele continuava a ser muito amado dentro da comunidade judaica.

Blackstone queria deixar um legado de evangelização para o povo judeu, de modo que pudesse contribuir para a salvação dele após o Arrebatamento da Igreja. Ele produziu e distribuiu material explicativo a fim de que os judeus soubessem como poderiam ser salvos depois que o Arrebatamento acontecesse. Houve ocasião em que Blackstone chegou a ter centenas de Novos Testamentos impressos em hebraico, os quais foram levados para Petra [na atual Jordânia] e lá estocados a fim de que o remanescente judeu pudesse conhecer o caminho da salvação durante o tempo da Grande Tribulação.

Conclusão

Não é de se admirar que “a Conferência Sionista de 1918, realizada em Filadélfia, tenha aclamado Blackstone como o ‘Pai do Sionismo’ e que em 1956, por ocasião do septuagésimo quinto aniversário de sua petição ao presidente Harrison, os cidadãos do Estado de Israel tenham homenageado Blackstone, dando seu nome a um bosque”. Blackstone passou o resto de sua vida, até a sua morte em 1935, a serviço da causa que amava. Embora tenha ficado muito empolgado com os desdobramentos da Declaração Balfour em 1917 e com o Mandato Britânico na Palestina após a Primeira Guerra Mundial, ele morreu frustrado pelo fato de que Israel, até então, ainda não tinha se tornado uma nação em sua terra. Entretanto, o sonho dele tornou-se realidade treze anos mais tarde. William Blackstone é um modelo inspirador, um exemplo para os crentes em Cristo, de alguém que apóia ardentemente Israel, enquanto busca, ao mesmo tempo, ganhar o povo judeu para Cristo. Maranata! 
FONTE (Pre-Trib Perspectives - http://www.beth-shalom.com.br).

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