quarta-feira, 2 de agosto de 2017

TEMPERANÇA (5)





Antônio Neves de Mesquita. Provérbios.
Pv 13.3 O que guarda a boca conserva a sua alma. Eis aqui outro versículo que versa sobre a vida e a morte. Ver Pro. 4.23 e 12.13. O sábio, que guarda a boca, mostrando-se cuidadoso com o que diz e não infligindo danos a terceiros, preserva a própria vida. As palavras saídas da boca têm poder, dando instruções baseadas na lei, que transmite vida (Deu. 4.1; 5.33; 6.2; Eze. 20.1). O mestre, uma vez mais, manifesta-se contra a linguagem pesada. Ver Pro. 21.3; Sal. 39.1 e Tia. 3.2 ss. Ver no Dicionário o artigo chamado Linguagem, Uso Apropriado da.
Antítese. O pecador, que fala precipitadamente, provoca a destruição de outras pessoas e também de si mesmo. As palavras que saem do coração produzem a realidade na vida. Quanto a falar precipitadamente, ver Pro. 12.18, e quanto à ruína, ver Pro. 10.8 e 14. Falar de modo nenhum é algo barato, embora ficar murmurando seja barato. Contudo, tanto os homens maus quanto os homens bons falam com seriedade, o que provoca acontecimentos, bons ou adversos.
O homem bom tira do tesouro bom cousas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira cousas más. (Mateus 12.35)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2601.
Se o pai descuida a disciplina do filho, verá depois que andou errado, e o filho que atende à disciplina é sábio. Só os tolos recusam a repreensão, que também é outro aspecto da disciplina (v. 1). O filho sábio e o cínico se destacam por suas atitudes para com a disciplina paterna. Filhos há que entendem ser a disciplina castigo corporal, o que não é, e, sim, correção e desejo de endireitar o caminho da vida enquanto é tempo (v .1). A linguagem impura de um homem denota falta de disciplina doméstica, mas a linguagem limpa enobrece esta disciplina. Do fruto da boca o homem comerá o bem, mas o desejo dos pérfidos é a violência (v. 2). Fruto da boca quer dizer boas palavras, enquanto a língua suja é uma provocação só admitida em meios malsãos. Há uma Intima relação entre este verso e a conduta diante de Deus, pois o homem que guarde a boca conserva a sua alma, mas o que muito abro os lábios a ai mesmo se arruína (v. 3). Jamais se viu um rapaz ou uma jovem recusar a disciplina doméstica, e tirar bom partido da vida. É o que o verso 3 nos informa. Há muitas vidas arruinadas por causa da falta de correção, por ser dolorosa ou falha.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios.
2. Evitando a maledicência.
Maledicência — a sétima abominação
O problema se situava na área dos relacionamentos. Havia um clima de animosidade entre os crentes ali. A comunhão estava trincada. Era aquilo que a Bíblia denominava em Provérbios
6.16-19 de a sétima abominação. Era uma fuxicaria sem fim. O trabalho do Senhor simplesmente não conseguia prosperar. O próprio líder que me antecedera naquela congregação me contou posteriormente que havia sido afastado porque alguém dali conseguira envolvê-lo em um fuxico. O clima era pesado. À medida que mais me envolvia com a obra, mais consciente ficava da presença da semente de contenda espalhada entre os irmãos. Resolvi agir pela Palavra de Deus. Durante os primeiros meses me dediquei quase que exclusivamente a pregar sobre relacionamentos. Usei como base o livro de Provérbios.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 63.
MORREU PORQUE DIFAMOU
Após ter ministrado sobre este tema na cidade de Panambi-RS, o pastor Alaino da cidade de Cruz Alta-RS, procurou-me para contar um fato impressionante ocorrido em sua igreja.
Certo dia foi chamado para orar por unia jovem senhora que estava sentido a ânsia da morte. Preocupado com aquela que era membro de sua igreja, atendeu o chamado com urgência. Ao chegar na casa perguntou:
—  O que se passa com a irmã? O que ela respondeu:
— Eu pedi para chamar o pastor, porque preciso pedir perdão. Perdão do que, perguntou ele. Ela disse:
— Eu difamei o senhor durante muito tempo. Visitei as congregações, fiz grupinhos e através de conversas vis, sujei seu caráter, mal disse publicamente a seu respeito. Por causa disto, Deus me disse que serei disciplinada com a morte.
Apavorado com  aquilo tudo, o pastor disse:
— A irmã esta perdoada, não morra por causa disso. O que ela respondeu:
—Não tem mais jeito pastor, eu não vou para o inferno, mas Deus encurtou o tempo de existência aqui, eu vou morrer.
O pastor sem entender muito bem o que estava acontecendo, orou e foi para a sua casa. Algumas horas depois, ele recebia um telefonema, informando-o que a jovem senhora havia morrido.
Que lição Davi nos ensina diante deste episódio. "Eis que este dia os teus olhos viram que o Senhor hoje te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do Senhor. (1 Samuel 24:10)
Ainda que o ungido do Senhor esteja fora da sua vontade, longe dos seus caminhos, quem cuida disso é Deus. Nosso dever é fazer como Gideão, trabalhar para ver mudanças acontecer. (Juízes 6:11). Não adianta fazer greve, não adianta fazer grupinhos, não adianta espalhar boatos, Deus não age por estes meios. Deus não é Deus de confusão.
Se queremos mudanças, temos que trabalhar mais do que criticar.
As críticas devem ser construtivas e dirigidas à pessoa certa. Só creio em críticas construtivas, quando quem critica oferece sugestões e se apresenta para o trabalho. Infelizmente, os que mais criticam, são os que menos fazem "O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos ímpios derrama coisas más". (Pv 15:28)
Palavras são como Penas Levadas ao Vento
Havia um irmão muito piedoso, integro, honesto e fiel, que infelizmente foi vítima de uma calúnia. Seu caráter e sua vida reta foram colocados em dúvida pela esposa, filhos, igreja, etc. O poder desta difamação foi psicologicamente tão destrutivo, que o irmão adoeceu, e logo precisou ser internado em um hospital.
Logo que o difamador ficou sabendo sobre o estado de saúde do irmão, com a consciência pegando fogo, resolveu visitá-lo no hospital. Ao chegar no quarto, que ficava no quinto andar do prédio, encontrou-se com o irmão, confessou seu grave erro e pediu perdão do que havia feito. O irmão ofendido, disse: — Eu te perdoo. Só quero que você me faça um pequeno favor. Pegue aquele travesseiro de pena, abra-o, e jogue todas as penas pela janela. Estava ventando muito. Sem entender, ele o fez. Todas as penas foram levadas pelo vento. Depois que o difamador jogou todas as penas, o irmão ofendido disse:
—Agora querido, saia Ia fora e pegue pena por pena e coloque novamente dentro do travesseiro. O que o outro respondeu: — Isso é impossível, não dá para fazer. Então o irmão concluiu dizendo. — Assim são as palavras que você disse a meu respeito. Eu te perdoo, mas as consequências das suas palavras difamadoras, continuarão produzindo seu efeito demolidor.
Com muita propriedade disse Calvino: "Não pode ser infligida aos homens injúria maior do que lhes ferir a reputação".
E sempre bom, ao final do dia, fazermos um balanço daquilo que falamos, para ver se não estamos ferindo mais do que restaurando e edificando, através das nossas palavras.
A disciplina da língua depende de um exercício contínuo e muito autocontrole. Vencer a tentação de falar da vida alheia deve ser nosso objetivo sempre.
GONÇALVES. Josué. A Língua - Domando Esta Fera!. Editora Mensagem Para Todos, 2002.
Pv 6.16 Seis cousas o Senhor aborrece. A atividade do safado que acaba de ser descrito trouxe à mente do mestre aqueles pecados comuns, mas fatais, que homens pervertidos tão frequentemente cometem. Essas seis coisas, que logo se transformam em sete, compõem um artifício literário que também pode ser visto no capítulo 30 do livro de Provérbios e nos Provérbios de Ahikar e na literatura ugaritica. A progressão de seis coisas para sete tem por intuito chamar nossa atenção, o que realmente consegue fazer, subentendendo que o autor está provendo uma lista completa (representativa) de coisas que Deus aborrece. Cf. Amós 1 e 2. Essa lista enfatiza a abominação envolvida em tal iniquidade. Ver Pro. 3.32 quanto a isso. O texto sagrado, como é óbvio, refere- se a Deus como quem vê e sabe, e então age. Ele não se mostra indiferente para com o que os homens fazem. Ele abençoa os bons e retalia contra os feitos dos ímpios. É um Deus teísta, e não um Deus deísta. Em outras palavras, Deus é o Criador que não abandonou a Sua criação, mas recompensa, castiga, intervém e aplica tanto Sua providência negativa quanto sua providência positiva. Ver no Dicionário o artigo chamado Teísmo. O Deísmo (ver também no Dicionário) ensina que o Poder criador abandonou a criação aos cuidados das leis naturais.
“Ele aborrece seis coisas, mas a sétima é pior do que todas. Essa forma numérica de provérbio, intitulada middah, também foi empregada por escritores posteriores e pode ser encontrada em Pro. 30.1,16,18,21,22,23,29-31; Jó 5.19; Amós 1.3-2.1; Eclesiástico 23.16; 25.7; 26.5,38” (Ellicott, in loc.).
Pv 6.17-19 Olhos altivos, língua mentirosa. Há sete coisas que Deus abomina. Cf. estes pontos:
1. Olhos altivos. Ver Pro. 30.13. Note como várias partes do corpo são empregadas para produzir o ensino. O homem mau emprega tudo quanto é e tem para praticar seus atos maus. Quanto aos olhos altivos, que significam que o homem tem um coração altivo, ver Pro. 8.13; 30.13; Sal. 18.27 e 101.5. Ver também I Ped. 5.5 e Mat. 5.3. “... o olhar altivo, o desdém contra outros, considerados indignos de ser olhados, pois o indivíduo tinha-se em alta conta, o pecado dos anjos, o pecado por trás da queda: o orgulho, a primeira das sete coisas aborrecidas a serem listadas” (John Gill, in loc., com algumas adaptações).
2. Língua mentirosa. Apanhando o que acabava de ser descrito com detalhes, nos vss. 13-16. Ver no Dicionário o artigo chamado Mentira (Mentiroso), quanto a plenas anotações sobre a idéia. Cf. Pro. 12.19; 21.6 e 26.28. Esse é um dos pecados mais comuns entre os homens, embora muitos o considerem uma falta leve. De fato, é referido entre sorrisos e piadas. Mas Deus aborrece tal pecado e, para Ele, esse pecado é abominável.
3. Mãos que derramam sangue inocente. Os culpados são assassinos. Ver Pro. 1.11,12 quanto a uma vívida descrição. Cf. Pro. 1.16; Isa. 1.15; Rom. 3.15.
4. Coração que trama projetos iníquos. Está sendo descrito aqui o homem iníquo, cujo homem interior, o coração, a alma, é corrupto, o que se torna a fonte originária de todos os tipos de planejamento maligno, visando o benefício próprio em detrimento de outras pessoas. Tal homem inventa inúmeras imaginações, que são planos para a prática do mal. Ele dedica sua vida a traçar planos complicados, que produzam confusão. O homem corrupto é corrupto de dentro para fora. Não há nele sanidade espiritual. Ele é pútrido e espalha sua putrefação com alegria feroz. Cf. Gên. 6.5. Más imaginações resultaram no julgamento do dilúvio. Cf. o vs. 14 deste capítulo, onde encontramos o mesmo tipo de pecado. Ver no Dicionário o verbete intitulado Coração.
5. Pés que se apressam a correr para o mal. Aquilo que é planejado no coração logo é posto em prática na realidade, pelos pés, os agentes dos movimentos corpóreos e das expressões externas. Esses pés' ruins correm, em lugar de andar. A pessoa se vê ansiosa para praticar o mal. O homem tem uma mente criminosa. Tal homem desfruta do mal. Ver Pro. 1.11 ss., onde vimos esse tipo de atitude e ação. Esses homens não cedem diante das tentações após um período de luta. Antes, já se entregaram ao mal. São escravos das concupiscências e de atos deprimentes. Vivem para prejudicar seus semelhantes. São pecadores profissionais. Pecar é a única razão de sua existência. Cf. Isa. 59.7; Rom. 3.15. Essa gente opera obras de iniquidade com ganância e alegria.
Porque os seus pés correm para o mal, e eles se apressam a derramar sangue. (Provérbios 1.16)
6. Testemunha falsa que profere mentiras. Temos aqui o pecado de dizer mentiras em tribunal, buscando prejudicar algum oponente. Ver Sal. 27.12; Pro. 19.5,9 e 27.12. Esse pecado desobedece ao Décimo Mandamento. Ver Êxo. 20.16; 23.1,7 e Deu. 5.20.
7. O que semeia contendas entre irmãos. Cf. Pro. 3.30, onde dou notas adequadas sobre a questão. Este é o sétimo pecado da lista e, presumivelmente, o pior de todos, embora não pareça haver uma progressão de males menores para maiores, dentro dessa enumeração. Se semear a discórdia entre irmãos é algo terrível, e está sucedendo com tal frequência em nossas igrejas de hoje em dia, também podemos dizer que dificilmente é pior do que o assassinato (o terceiro pecado da lista, vs. 17). Quanto a como é desejável que reine a harmonia entre irmãos, ver a vívida passagem de Sal. 133. Ver o vs. 14 deste capítulo quanto ao homem mau que semeia discórdias. Semear a discórdia “... quer em um relacionamento natural, quer em uma sociedade civil, quer na comunidade religiosa” (John Gill, in loc.).
A origem de todas as guerras, a fonte de todos os males está em nós.
Píerre Lecomte Du Nouy)
Quão incrível é que, nesta frágil existência, nos odiemos e nos destruamos mutuamente. Existem possibilidades suficientes em todos nós que queiram abandonar o domínio sobre outras pessoas, para buscarmos o domínio sobre a natureza. O mundo é grande bastante para todos buscarem a própria felicidade à própria maneira.
(Lyndon B. Johnson)
Décimo Terceiro Discurso: o Valor da Sabedoria para Salvar da Imoralidade Sexual (6.20 - 7.27)
Este é o décimo terceiro dentre os dezesseis discursos que compõem o primeiro livro de Provérbios — 1.8 - 9.18. Por cinco vezes, no primeiro livro de Provérbios, o mestre (pai espiritual) adverte os seus alunos (seus filhos espirituais) contra os pecados sexuais. Ver Pro. 2.16-19; 5.3-34; 6.20-35; o capítulo 7 inteiro; e 9.13-18, onde a insensatez, personificada como uma mulher, sugere o assunto, embora sem mencioná-lo especificamente. Esse tema obviamente atraía muita atenção.
Pro. 6.20 - 7.27 é a mais longa seção do primeiro livro dos Provérbios, e era apenas natural e até mesmo inevitável que atacasse o ponto mais fraco do homem, o apetite sexual, que está sujeito a toda espécie de perversão. As declarações de sabedoria falam francamente acerca desse pecado. Os hebreus não eram um povo pudico em demasia, e ninguém corava diante de afirmações salgadas. A sabedoria fala sobre a desilusão do amor ilícito, e sobre como o remorso sem dúvida se seguirá, o que pode incluir até uma morte amarga, o julgamento de Deus contra a perversão.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2567.
As sete coisas que Deus aborrece são de Belial (6:16-19)
Estas sete coisas naturalmente são do tal Belial; só uma pessoa igual a ele pode usar olhos, línguas. mãos, coração e pés para o mal. Examinemos rapidamente todos estes dons maléficos, sejam de um Belial ou de outro igual.
(1)Olhos altivos, arrogantes, como de quem domina o tempo e as estações, e não quer dar contas a ninguém. Há gente assim: olha para nós como se fosse senhor de tudo. Normalmente, tais pessoas são justamente as mais carecedoras de poder e de caráter, pois não cabe arrogância em ninguém, pelo simples fato de todos sermos pobres criaturas de Deus, uns com mais e outros com menos capacidade, menos dinheiro ou menos oportunidade. De modo geral a humildade é uma grande virtude que os olhos arrogantes não possuem.
(2)Língua mentirosa (v. 17) (Leia Tiago 3:1-12). Nós, os que lidamos com o povo, sabemos bem o que significa uma pessoa mentirosa, de canto em canto cochichando nos ouvidos dos incautos e inoculando veneno contra alguém. Os mentirosos são capazes de grandes invenções malignas, de apresentar o impossível e fazê-Io passar por algo verdadeiro. As igrejas sofrem muito com tais pessoas, maledicentes, boateiras. Tiago tem um capítulo clássico sobre a língua, que vale a pena examinar. Meus Irmãos... se alguém não tropeça no falar, é perfeito verão, capaz de refrear também todo o seu corpo (Tiago 3:1, 2). Para dar as tintas completas, Tiago compara a língua ao queixo de um cavalo, ao qual se bota freios para o conter. É um pequeno membro capaz de incendiar o inferno; mundo de Iniquidade, pão em chamas toda a carreira da existência humana (Tiago 3:6, 7). Tiago tem o mais completo repertório de vocabulários ferinos a respeito da língua, o membro de tão relevante utilidade, pois com ela louvamos a Deus e com ela amaldiçoamos o próximo. Que beleza ouvir um discurso, um bom sermão proferido por lábios que movimentam uma língua admirável! Sem ela, o homem perde o mais importante órgão do seu corpo. Ouçamos um declamador ou declamadora enaltecendo as belezas do Criador ou da criação, e vejamos como somos elevados aos píncaros da sublimidade, do louvor, do amor. Ouçamos o mentiroso, como degrada e avilta uma pessoa, a rebaixa e até aniquila, sendo capaz de lhe roubar a honra e a felicidade. Uma intriga que envolva a honra de uma donzela, de uma senhora casada, a honestidade de um comerciante, seja lá o que for, e depois verifique-se como tais pessoas rolam ladeira abaixo, até o abismo, onde se perdem para sempre. Basta. Não há necessidade de prosseguir. A língua é o melhor e o pior membro do corpo humano. Não é sem justo. motivo que se conta esta fábula. Um potentado mandou o criado preparar o melhor prato que pudesse inventar. Este então preparou uma língua. No dia seguinte, o potentado ordenou que lhe trouxesse o pior prato que pudesse ser inventado. O criado de novo preparou um prato com língua. O potentado então, admirado, perguntou por quê? A resposta foi: A língua é a melhor coisa que há, e também a pior.
(3) Mãos que derramam sangue (v. 17). Que procissão enorme poderia fazer-se dos que têm morrido às mãos de sanguinários! Os pistoleiros, que matam de emboscada, como sói acontecer, especialmente no norte do Brasil, e também noutros lugares, onde os inimigos políticos peitam um sanguinário para eliminar o adversário a troco de meia dúzia de cruzeiros. Que se pode dizer de tais indivíduos? Que são desalmados, diabólicos e merecem igual pena. Não há pena de morte no Brasil, e dizem os penalistas que este remédio heroico não produz os resultados esperados, tanto assim que os países onde há pena de morte, como a forca na Inglaterra, a cadeira elétrica ou câmara de gás na América do Norte, estão abolindo a pena.
Sejam quais forem os resultados de tais processos de punição, parece certo que quem mata devia morrer, e aos poucos, para poder avaliar o quanto vale uma vida. Isto é maldade que Deus aborrece, porque a vida foi dada por ele e ninguém tem o direito de atentar contra ela, a não ser, como vimos, em caso de punição social. Poderíamos encher páginas com esta forma de matar, invocando o preceito mosaico, em todos os seus mais variados pormenores, a começar pelo verso 13 do capítulo 20 de Êxodo, de onde promana toda a legislação mosaica a respeito da vida. Mas os leitores destas notas estão fartos de saber o que diz a Bíblia e de verem como a sociedade hebraica estava doutrinada a respeito. Quando estendemos a mão para dar uma esmola, que estamos fazendo? Procurando salvar uma vida. Quando damos um remédio, que fazemos? Pretendemos ajudar uma pessoa a viver mais. Quando se fala em orfanatos, creches, asilos, ambulatórios, hospitais e toda uma gama de organizações sociais, que estamos lendo, ouvindo ou fazendo? Poupar vidas! Apenas salvar vidas. Pois então o pistoleiro, o assassino, que por qualquer coisa tira a vida do semelhante, é algo que já deixou os quadros humanos, para se converter num.. . Que palavra serviria aqui?
(4) Coração que trama projetos Iníquos (v. 18). Vejamos outra vez Prov. 4:23. É do coração que provém todo o mal. o assassino, que tira a vida de outrem, concebeu antes o crime no coração. O que difama a mulher do próximo já arquitetou a maldade no coração. Do coração é que provém todo o mal, na linguagem de Jesus (Mat. 15:19). A Bíblia usa cerca de 79 vezes a palavra coração, em referência aos deveres da vida. É talvez a palavra mais usada em todos os sentidos, quer no bom, quer no mau. O coração que trama projetos Iníquos é um coração que Deus aborrece e abomina. Então, cuidado com os sentimentos que se aninham em teu coração. Vigia esse órgão admirável, policia-o e cuida a fim de ele não pulsar no planejamento do mal, contra Deus e teu próximo.
(5) Pés que se apressam a correr para o mal (v. 18). Quantas passadas se dão em sentido negativo do bem-estar da vida! Quantas vezes uma perna quebrada, é ou será uma bênção? Mesmo que nós, do grupo evangélico, não andemos à cata do mal, nem por isso estamos livres de andar para fazer algo ruim. Multas vezes damos passos para arruinar a nossa própria vida. Este autor ia certo dia fazer um negócio que lhe parecia muito duvidoso quanto ao seu valor comercial. Poderia resultar em perder o pouco que tinha. No caminho orou - "Senhor, se este negócio não presta, que eu quebre as pernas antes de chegar ao local do mesmo." Poderá parecer um pecado, mas foi cometido. Seria preferível ficar deitado num hospital por uma quinzena ou mais. e não fazer um mau negócio, que o poderia arruinar por anos. Mesmo aceitando que os pés dos crentes não correm para o mal, ainda assim quantas passadas erradas se dá para o mal. Quando este autor era pastor de uma igreja no norte, havia multa "trancinha", muito "diz-que-diz-que" na igreja. Ele se via tonto. Recorreu a um diácono dos mais ativos, para que o ajudasse. Certa noite, disse ao diácono: "Aquela encrenca entre fulana e beltrana está morta." Ele respondeu: "É isso que o senhor crê, mas não é o que vai acontecer." Depois soube que, tão depressa o pastor foi embora, ele, o diácono, foi à casa onde a paz tinha sido selada e incendiou tudo outra vez. O pastor verificou que a vida do diácono consistia em andar de casa em casa, levantando mexericos e intrigas. Que fazer com tal pessoa? O pastor chamou o diácono e o intimou a pedir carta para outra igreja, senão seria eliminado. Pediu a carta e se foi, mas continuou a sua obra diabólica na igreja. São pés que correm para o mal.
(6) Testemunha falsa que profere mentiras (v. 19). Mentir num tribunal, onde se procura averiguar a verdade, é o procedimento mais abominável que uma criatura pode praticar. Mas pratica-se.
Um professor de educandário batista foi demitido sem causa e sem motivo. Pura política. O demitido reclamou multas vezes, mas sem resultado. Pediu a outros batistas que o ajudassem, mas também sem resultado. Vendo-se injustiçado, apresentou a sua reclamação a uma junta de Conciliação do Ministério do Trabalho. Essa junta deu-lhe ganho de causa e mandou reintegrá-lo. Quando isso aconteceu, a instituição, por sua diretoria, chamou-o e fizeram as pazes. Foi recebido de novo na instituição. Aconteceu que o advogado da instituição, zangado com o acordo, apelou da sentença contra a vontade da diretoria da instituição e às escondidas prosseguiu com a causa. Um belo dia deu-se o julgamento no Tribunal Regional do Trabalho. Como o dito professor estivesse ausente, por ignorar o que se passava, o advogado, diácono de uma igreja batista, disse tudo que bem entendeu; mentiu, destratou o pobre professor, e de tal modo, que o Tribunal entendeu que o referido professor era mesmo um homem perigoso e demitiu-o, mandando indenizá-lo de acordo com a lei. Agora pergunta-se: Como é que um diácono batista pode proceder assim, mentindo num tribunal profano? É o que a Bíblia condena, mentir, e especialmente num tribunal. Ao referido diácono nada aconteceu e o seu pastor nada disse e nada fez. O pastor desse diácono era um dos diretores da instituição. Que dizer de uma coisa destas? Ir a um tribunal mentir contra seu irmão de crença é uma abominação. Essa testemunha é abominável a Deus. Nunca aconteça que cheguemos a tal condição. A mentira já é coisa do Diabo. Ninguém deve mentir, mas mentir num tribunal, onde se procura apurar a verdade, deve ser a abominação das abominações. Será uma pessoa que mente num tribunal uma pessoa crente? É difícil afirmar, pois a mentira é do Diabo, que é mentiroso desde o princípio, pois foi por uma mentira que a humanidade toda se arruinou e para sempre (Gên. 3:4). Satanás garantiu que a mulher não morreria, quando Deus havia dito que morreria no dia em que comesse da árvore proibida. Morreu mesmo. De lá até agora e daqui até o fim, o Diabo continuará a mentir e a ter os seus lacaios para o ajudarem nessa obra satânica. Basta, basta. O arsenal de fatos delituosos causados pela mentira é muito variado, e quase todos nós o conhecemos. Portanto, BASTA!
(7) E o que semeia contendas entro irmãos (v. 19). Seis coisas Deus aborrece e a sétima ele abomina. O que semeia contendas entre os irmãos aparece aqui como o pior de todos. Não é. Apenas um clímax de Provérbios, em que a escala vai aumentando. Todavia, o que semeia contendas entre irmãos, a que desune a família hebraica ou cristã, deve ser mesmo um abominável, porque da intriga ou contenda nasce tudo que há de pior. Começa por separar o que deveria estar unido e junto; cria o mal-estar onde deveria haver amor; prepara para outros desenvolvimentos, que podem levar muito longe, ao crime até, se Deus não intervir. Quantas contendas entre irmãos nas igrejas, por causa de um semeador de intrigas! Falem os
pastores e líderes de igrejas. Eles sabem disso, porque já sofreram na carne os efeitos de tal semeadura diabólica.
Este provérbio devia ser, em Israel, uma espécie de cartilha, um manual que todo israelita saberia de cor, transpondo para o grupo dos provérbios, como o encontramos aqui. Seria uma espécie de trocadilho, que se proferiria ocasionalmente. Pensa-se, seria uma forma didática para uso nas escolas, onde o mestre perguntaria ao aluno: Quais são os sete pecados mortais? O aluno responderia na ponta da língua. Para nós são bastante claros, pois todos temos ciência dos seus efeitos, de um modo ou de outro.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios.
III - O BOM USO DA LÍNGUA
1. Quando a língua edifica o próximo.
Princípios Bíblicos para um Bom Relacionamento
Abaixo estão alguns princípios bíblicos que extrai do livro de Provérbios que nos ajudarão a nos relacionar bem uns com os outros:
1. Saiba ouvir (Pv 18.13).
Um dos grandes problemas em nos relacionar bem uns com os outros surge por conta da nossa falha em ouvir. Ouvimos, mas ouvimos mal. Ou ainda: ouvimos mais do que foi dito. Precisamos aprender a ouvir.
2. Não se apresse para falar (Pv 17.28; 19.2).
A precipitação em falar é outro grande problema. Jesus mesmo condenou o juízo temerário. Isto é, falar apressadamente sem um conhecimento total dos fatos.
3. Fale pouco (Pv 10.19; 13.3; 12.18).
Aqui talvez esteja um dos maiores fatores de desajuste nos relacionamentos. É um comentário inoportuno que fazemos. Uma palavra a mais, que aparentemente não tem a intenção de ofender, mas que vem sublimada.
4. Fale coisas boas das pessoas (Pv 16.24; 16.28; 20.19).
A tendência de só enxergar coisas ruins nos outros é uma herança da nossa velha natureza adâmica. Dificilmente falamos de alguém para exaltar suas virtudes. Necessitamos enxergar algo de bom no nosso semelhante se queremos nos relacionar bem.
5. Não atice (fomente) conversas (Pv 30.33; 26.20,21).
Acredito que se não passássemos à frente as fofocas que chegam até nós muitas intrigas seriam evitadas.
6. Fale pouco de si mesmo (Pv 27.2).
A atitude de falar de si mesmo, além de revelar um complexo de inferioridade, acaba também por arranhar os relacionamentos. Isso por uma razão simples: é difícil louvar a si mesmo sem diminuir o outro.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 65-66.
I Cor 14.26 — Paulo, agora, apresenta aos coríntios um exemplo de como deveria ser conduzida a reunião de uma igreja local. Se cada um de vós trouxer para o culto a habilidade especial que Deus vos deu e tudo for feito para edificação, a igreja como um todo será beneficiada.
Salmo, provavelmente, refere-se a um salmo cantado do Antigo Testamento (compare com Cl 3.16; Ef 5.19). E muito provável que o ensino consistisse de uma apresentação de alguma verdade do Antigo Testamento ou ensinamento dos apóstolos. Embora o apóstolo tenha procurado cortar o excesso, ele ainda reconhece que havia um lugar apropriado para o dom de línguas (tem língua) com interpretação. Aquele que recebe uma revelação pode ser o profeta que fala a palavra de Deus (v. 29-32).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 440.
I Cor 14.26 Esse texto traz a descrição de um ―culto comunitário a Deus‖ em Corinto. Ele diverge totalmente do que hoje caracteriza o encontro de culto a Deus numa igreja. A esse respeito Schlatter destaca especialmente que ―o pregador instruído pelo ‗reitor‘ não aparece na lista dos que tornam o culto frutífero‖. Muito menos ele é aquele que no essencial ―dirige o culto‖ sozinho. Pelo contrário, é característica da reunião da igreja que ―todos‖ tenham algo e contribuam para a vida da igreja. “Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação: Seja tudo feito para edificação!” Se aqui primeiramente é citado um ―salmo, a ideia não é que alguém recite um salmo do Antigo Testamento. O Espírito Santo sempre concede novos cânticos que são acolhidos pela igreja e contribuem para a construção da igreja. Também a “doutrina” não é assunto dos diversos ―ministros‖; qualquer um pode ser presenteado com uma “doutrina” e transmiti-la à igreja. Paulo, porém, também cita a “revelação”, a “língua” e sua “interpretação”. É isso que acontece na igreja em Corinto. Uma riqueza tão viva de manifestações na reunião da igreja é um presente. Contudo reside nela o perigo de que leve à desordem.
Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos I Coríntios. Editora Evangélica Esperança.
2. Nossa língua adorando a Deus.
Pv 10.32 Os lábios do justo sabem o que agrada. O autor sacro continua aqui a abordar o tema do uso correto da língua. O homem sábio usa sua faculdade da fala de maneira correta, pelo que emprega os lábios para dizer o que é aceitável. Sua fala beneficia a outros, sendo instruções na lei, conforme ela é fomentada e interpretada pelas declarações de sabedoria. Esse tipo de linguagem traz todos os benefícios que a lei promete, incluindo vida longa, próspera e feliz (ver Pro. 4.13; 9.6,11;
10.11,17). O homem que escuta a lei e a obedece vive melhor e por mais tempo. Os lábios do homem justo são como árvores frutíferas saudáveis (vs. 31).
O que agrada. Agrada a quem? A Deus e aos homens, pois se trata de uma linguagem graciosa e benéfica, Cf. Luc. 4.22."... agradável e proveitosa" (Adam Clarke, in ioc.).
Antítese. Esta linha métrica repete a segunda linha métrica do vs. 31, pois ambos os trechos usam a palavra “perversidade", que no hebraico significa algo que “sai do caminho". Ver Pro. 2.12.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2591.
O mundo em que habitamos é controvertido e contraditório; por um lado, prega a justiça, a bondade e a harmonia; por outro, destrói tudo isso, como se a pregação fosse uma simples diversão malsã, uma crueldade demoníaca. Ao simples observador assim parece e até lhe damos razão. Todavia, em melhor verificação, logo nos convencemos de que tudo se processa de outro modo. A justiça, por ser uma senhora calma e prudente, não alardeia as suas atitudes. Passa despercebida pelas ruas, enquanto a perversidade levanta a voz zombeteira, como senhora da sociedade. Os nossos jornais se incumbem de nos dar uma visão falsa da realidade do nosso mundo, quando destacam os crimes e ocultam as virtudes. Os homens que se enclausuram num laboratório, pesquisando micróbios e procurando saber como destruí-los, são os grandes ignorados, os anônimos, os sem terra. As multidões que gastam a sua vida nos hospitais, curando ou tratando até subversivos, assassinos e ladrões, são ignoradas, enquanto o salteador, ao encontrar o homem que volta alta noite do seu trabalho, lhe diz: "A bolsa ou a vida!', esse vai para as manchetes e até os vadios tomam conhecimento da façanha. Por isso, o bem não aparece, embora exista. A verdade dos Provérbios é uma eterna realidade que não se conhece bem. Os lábios do justo... mas a boca do perverso (v. 32) são os contrastes da sociedade. O professor que dia a dia vai inculcando, nas mentes plásticas dos seus alunos, as grandes verdades da vida, não ouve o seu nome nas ruas. Entretanto, o perverso, esse sim, até os alunos do primeiro ano acham mais bonito o que este profere. A luta atual contra os marginais que rondam os colégios para vender um cigarro de maconha é mais bem-vinda do que o professor que acaba de dar a sua aula e, cansado, vai para casa. Que dizer disto e de muito mais que não cabe aqui? O mundo foi feito errado? O homem não é capaz de entender por que vive. Talvez se pense assim. Todavia, o mundo é bom, o tem mais coisas boas que más, mais justos que injustos ou perversos; e ai de nós se não fosse assim. Tudo depende do caminho que o homem toma para viver. O caminho do Senhor, que muitos
ignoram, é que determina as aparentes contradições da vida. O que Moisés ensina em Êxodo 20:12, contrastado com o que diz o Senhor Jesus em Mateus 5:5, resolve o problema de muita gente, que anda desgarrada da vida, justamente por causa do seu afastamento do lar.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios.
Hb 13.15 Novamente o apóstolo volta à ideia do sacrifício, que já transpareceu nos v. 10-12. Com seu sacrifício singular Jesus Cristo suspendeu toda a ordem sacrificial do AT. Através dele, passa a vigorar um novo serviço de sacrifícios que se exterioriza na vida dos filhos de Deus através da oração, do testemunho, do amor prático ao semelhante e da obediência. O sacrifício de gratidão e louvor que foi instituído no AT (Lv 7.12), não é suspenso no NT, apenas muda sua configuração exterior. Trata-se de um sacrifício que deve vir do impulso mais íntimo do coração (2Cr 29.31). No povo de Deus da antiga aliança, o sacrifício de louvor constituía a resposta do ser humano a experiências especiais do bondade de Deus (Sl 107.22; 116.17). No caso dos membros do novo povo de Deus, a energia para ofertar o sacrifício de gratidão, o louvor a Deus na oração, em qualquer situação, mesmo sob as piores dificuldades (At 16.22-25), é concedida através do Espírito de Deus. O verdadeiro sacrifício de louvor, o “fruto dos lábios” (cf. Os 14.2), no entanto, não somente se mostra no diálogo do orador com Deus (Sl 141.2), mas igualmente no testemunho da salvação experimentada no nome de Jesus.
Fritz Laubach. Comentário Esperança Cartas aos Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
Hb 13.15,16 — Embora os sacrifícios do Antigo Testamento houvessem se tornado, com Cristo, obsoletos (Hb 8.13), os crentes poderiam e deveriam oferecer a Deus sacrifícios espirituais, entre os quais seu louvor, seus bens, sua vida (Rm 12.1,2).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 667.
Ef 5.19 As características da dádiva do Espírito citadas por Paulo na presente passagem referem-se inicialmente às reuniões de culto: “Falai entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais.”
Parece que a intenção de Paulo é que tanto o relacionamento recíproco dos cristãos (“entre vós”) como a relação pessoal e íntima com o Senhor e Pai sejam dominados pelo Espírito Santo. No lugar do desleixo e suas exteriorizações caóticas surgem, pois, o hino de louvor, a exaltação e a gratidão (cf. v. 20). Ainda que outros efeitos do Espírito não sejam mencionados aqui, isto não significa de forma alguma que os frutos do Espírito Santo citados em outras passagens sejam colocados em segundo plano (Rm 8.15s; 12.6ss; 1Co 12.4ss; etc.). Os v. 19 e 20 estão estreitamente relacionados com Cl 3.16s: a convocação para entoar salmos, hinos e cânticos espirituais e cantar nos corações ao Senhor, e a gratidão ao Pai são dirigidas com formulações bastante idênticas a ambos os grupos de leitores.
Não parece ser por acaso que o enchimento pelo Espírito Santo se explicite de três maneiras: no falar marcado por melodias espirituais (do pneuma), no louvor ao Senhor e na gratidão a Deus, o Pai. Também aqui se revela, portanto, um modo trinitário de falar. Ao mesmo tempo a obra do Espírito Santo é explicada: ela consiste em glorificar o Pai e o Filho (Jo 16.14), mas não na comunicação de experiências espirituais espetaculares e arrebatadoras.
Os hinos são devotados “ao Senhor” – até mesmo quando “falados uns aos outros”. Logo, tratam-se de hinos para Cristo. 1Co 14.5,26 informa sobre seu surgimento no contexto do culto na igreja. A oração e o cântico de salmos “no Espírito” é contraposto à oração “com a razão”. Deve permanecer em aberto se o conceito “hinos espirituais” (literalmente: hinos “pneumáticos”) de Ef 5.19 necessariamente tem o mesmo sentido de “cantar no Espírito” (to pneumati) de 1Co 14.15. Ainda que o termo psalmos possa referir-se a salmos do AT (cf., p. ex., Lc 24.44; At 13.33), aparentemente trata-se aqui do salmo cristão, que no entanto certamente tem por matriz os cânticos do AT (cf., p. ex., os hinos no livro do Apocalipse: Ap 11.17s; 15.3s; 19.6s).
Além disso cabe notar que o termo traduzido por “hino” (hymnos) não precisa se referir exclusivamente ao hino cantado, podendo designar também o louvor e a exaltação em geral.
A combinação “cantar e dizer louvores (ao Senhor)” origina-se igualmente dos salmos: Sl 27.6; 57.7; 105.2; 108.1, sendo que o significado original “louvar pelo toque de cordas” provavelmente seja entendido apenas de forma figurada.
O louvor provocado pelo Espírito Santo dirige-se “ao Senhor” e diz respeito ao centro do ser humano, seu “coração”. Ele acontece “no coração” e ao mesmo tempo vem “do coração”, depois que o coração foi renovado pela obra do Espírito Santo e plenificado com o amor de Deus (Rm 5.5).
Ef 5.20 Juntamente com o louvor de Cristo aparece a gratidão ao Pai. Essa combinação de louvor e gratidão também é familiar a partir dos salmos: “Rendo graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo” (Sl 7.17). “Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome” (Sl 100.4). “Todas as tuas obras te renderão graças, Senhor; e os teus santos te bendirão” (Sl 145.10).
O que Paulo em geral faz no começo de suas cartas – agradecer exaustivamente a Deus pelas respectivas igrejas – também deve ser característica marcante dos crentes: “Dai sempre graças por tudo”.
Quando Paulo agradece “por todos” os membros da igreja, até mesmo quando alguns precisam ser corrigidos duramente no que escreve a seguir, os cristãos devem incluir na gratidão a Deus todas as situações e todas as vicissitudes. Nelas estão incluídos todos os tempos (“sempre”) e episódios marcados por sofrimento, carências ou perseguição. Esse modo de ver só é possível “em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Pelo fato de que na cruz o juízo de Deus se abateu sobre ele, pelo fato de Deus não ter poupado seu único Filho, por isso foi com ele “concedido tudo” ao crente (ibidem) (Rm 8.32), por isso agora também “todas as coisas” devem “cooperar para o supremo bem dele” (Rm 8.28). Somente por que em Jesus Cristo Deus se dedica total e abrangente mente ao ser humano, o cristão também consegue agradecer “sempre por tudo” a esse Deus, e esse modo de falar não se torna retórica exagerada. Visto que “no nome de Jesus Cristo” há salvação (At 4.12), visto que invocar seu nome constitui certeza de salvação (Rm 10.13), por isso abre-se com ele o caminho para Deus, por isso Deus é o “Pai” (cf. Ef 2.18).
A passagem análoga de Cl 3.17 interpreta o “tudo” através de “com palavras e ações”, remetendo para que se faça “tudo em nome do Senhor Jesus”. Dessa forma torna-se claro que louvor e ação de graças de maneira alguma se restringem à reunião do culto, mas que o culto precisa ser praticado “no cotidiano do mundo”. A isso corresponde a entrega dos corpos em sacrifício vivo como “culto racional” (Rm 12.1). Assim o preenchimento com o Espírito Santo (Ef 5.18) chega à expressão visível em uma vida pessoal e comunitária que obtém da vontade de Deus um parâmetro compromissivo, que serve ao Senhor com alegria e em tudo honra e agradece a Deus como o Pai.
Eberhard Hahn. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.
Ef 5 .19 - Cantar e salmodiar ao Senhor é uma das práticas naturais de quem é cheio do Espírito. Alguns estudiosos acreditam que as três formas de música mencionadas por Paulo neste versículo se referem às partes diferentes do livro de Salmos. A maioria, porém, crê que essas palavras se referem a três categorias mais amplas: (1) os 150 salmos no saltério, além de outros poemas no estilo dos salmos ao longo de toda a Escritura; (2) hinos, composições dirigidas a Deus, como os hinos da Harpa; (3) cânticos espirituais, canções inspiradas sobre a experiência crista.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 512-513.
IV - SALOMÃO E TIAGO
1. Uma palavra ao aluno.
Escute Mais, Fale Menos !
Dizia um apresentador de programa na TV, chamado Chacrinha: "Quem não se comunica, se complica". Mas afinal de contas, o que é "comunicação? O que ela envolve? Por que é indispensável? De forma resumida, comunicação envolve basicamente três pontos: Falar, ouvir e compreender.
A palavra comunicação no latim é "communicatio" a composição de três palavras: com (juntos); munis (presente, dádiva); actio (ação). Então comunicação é trocar presentes e os comunicadores, juntos, fazem uma festa. Na origem no entanto, comunicar queria dizer "troca de boas coisas".
Você sabia que "conversar" significa versar juntos? Eu faço uma estrofe, quando falo. Você fala e faz outra estrofe, e assim formamos uma poesia que chamamos de "conversa".
Ministrando aos casais, eu tenho dito insistentemente, que, renunciar a comunicação verbal ou utiliza-la de maneira insuficiente é desprezar as incríveis possibilidades de desfrutar as bênçãos que Deus preparou para um relacionamento harmonioso. Os que querem fazer amigos e manter amizades, devem conservar a qualquer preço os canais de comunicação sempre abertos. Não podem haver canais potentes de comunicação sem que se ouça de verdade. Por que Deus nos deu dois ouvidos e uma língua?..
"Prontos para ouvir e tardio para falar..." Entre falar, ouvir e compreender, o mais difícil é ouvir.
Se Deus nos deu dois ouvidos e uma língua, é porque é melhor ouvir mais e falar menos.
Ouvir é mais do que esperar educadamente sua vez de falar. E mais do que escutar palavras. Ouvir de verdade é receber e aceitar à mensagem a medida que está sendo enviada, tentando compreender o que a outra pessoa quer dizer. Quando isto acontece, você pode ir além de dizer: "Estou ouvindo você." Pode dizer: "Estou ouvindo o que você quer dizer."
Embora ouvir seja normalmente considerado a parte passiva da comunicação, isso não é verdade. Ouvir com sensibilidade é abrir-se para a outra pessoa, importando-se ativamente com que ela diz e o que ela quer dizer.
Dwight Small, no seu livro "Depois de ter dito sim" ressalta que ouvir não é natural para nós, tampouco, é coisa fácil para a maioria das pessoas. Ouvir não é nossa preferência natural. A maioria das pessoas prefere ser a pessoa que está falando. Gostamos de expressar nossas ideias. Sentimo-nos mais confortáveis ao identificarmos nossa posição afirmando nossas opiniões e sentimentos. Na verdade, a maioria das pessoas não deseja ouvir tanto quanto deseja falar e ser ouvida.
A maior reclamação das esposas é: "Meu marido não sabe me ouvir..." esta também é a reclamação de muitos filhos. Porém a reclamação de alguns maridos é: "Minha mulher fala demais..."
É difícil viajar de carro com a mulher ao lado, tentando ensinar o marido dirigir o tempo todo.
 Ela diz: "O farol está vermelho... É contra mão... Olha a lombada... Vai devagar... Para, para, para... Quer morrer..."! Não tem marido que aguente isto.
Você sabia que nós ouvimos apenas vinte por cento daquilo que nos falam. Por que ouvimos tão pouco? Se ouvir é tão fundamental para uma boa comunicação, por que não ouvimos mais?
A compreensão no relacionamento interpessoal depende da maneira como ouvimos as pessoas. Se houver disciplina no ouvir, jamais compreenderemos as pessoas com as quais nos relacionamos. Para ouvir bem é necessário atentar para alguns princípios básicos:
1) Ouvir olhando nos olhos de quem esta falando. Quando olhamos nos olhos de quem está falando, estamos demonstrando interesse no que está sendo dito e isto é sinal de respeito. Não podemos nos esquecer que, respeito gera respeito.
2) Ouvir com o coração aberto e a mente desarmada. Isto significa ouvir esforçando-se para compreender o que a outra pessoa está dizendo. Muitas vezes há uma tendência de ouvirmos o que não foi dito.
Nós filtramos o que ouvimos através do nosso sentimento.
Por exemplo, a esposa menciona que está cansada do serviço doméstico. A mensagem que o marido recebe é a de que ela está infeliz porque ele não está podendo pagar alguém para ajudá-la, como a mãe dela tem. Não era isto que a esposa tinha em mente, mas é o que o marido ouviu.
Este é o grande problema no processo de comunicação em alguns relacionamentos.
Ouvir o que não foi dito pode ser a causa de muitos conflitos.
Quando se ouve com o coração aberto e a mente desarmada, não acontece isto. Quando tanto quem fala como quem ouve compreende a importância de dar ao outro toda a atenção, estão dando grandes passadas em direção ao estabelecimento de canais potentes de comunicação.
3) Ouvir com a boca fechada, até que a outra pessoa termine de falar. Ouvir bem exige disciplina do nosso temperamento. Nem sempre é fácil ouvir, sem atropelar quem está falando, principalmente quando o nosso "ego" está sendo atingido. Quem consegue isso, demonstra equilíbrio e maturidade para se relacionar bem com as pessoas.
".. tardio para falar..." Quem pensa antes de falar tem tudo para acertar...
Temos dificuldade para ouvir e muita facilidade para falar aqui que reside o grande dilema. Se desejamos manter os canais de comunicação sempre abertos, temos que considerar imprescindível O CONTEÚDO, A FORMA, O LUGAR E O TEMPO no processo de comunicação.
Conteúdo - Paulo disse em (Ef 4:29) que não deveria sair da nossa boca nenhuma palavra torpe. Avaliar previamente o conteúdo daquilo que vamos falar é um meio eficaz de evitar problemas. Se o conteúdo não é edificante, construtivo e verdadeiro, será melhor não colocar para fora, em forma de palavras.
O propósito final de tudo o que falamos, deve ser promover a edificação beneficiando sempre os que nos ouvem.
Forma - Não basta falar o certo. É preciso falar da maneira correta. Se o conteúdo é construtivo, edificante e abençoador, a "maneira, a forma" de passar isto deve ser a melhor possível. Há muita diferença quando você diz: "Mentiroso!" e "Você faltou com a verdade." Quando chamamos alguém de mentiroso, estamos pré-julgando o caráter desta pessoa, e isto, muitas vezes, é uma agressão. Quando dizemos que a pessoa faltou com a verdade, significa que houve uma erro, um descuido e isto não significa que a pessoa tenha como hábito mentir.
Muitos pais não conseguem ganhar seus filhos, muitas esposas não conquistam o marido, muitos maridos não cativam suas esposas, muitos perdem amigos, tudo porque não sabem falar a verdade em amor. São pessoas cheias de verdade e vazias de graça. Precisamos usar mais o tato, ser mais diplomáticos, ser prudente no falar. Falar o certo da maneira certa.
O lugar - Não basta falar o certo da forma certa. E imprescindível que se fale no lugar certo. Existem assuntos que o bom senso diz, que não devem ser falados na hora da refeição, perto das crianças ou dos filhos em geral. Comunica-se bem quem fala o certo, da forma certa e no lugar certo.
Tempo - Em (Pv 15:23) diz: "... a palavra dita a seu tempo quão boa é..." Discernir o tempo certo para falar determinados assuntos pode ser a chave para desenvolver uma comunicação construtiva e edificante. Em (Ec 3:7) o pregador disse que há tempo para tudo, tempo de falar e tempo de silenciar para ouvir.
Os que levam em conta estes princípios fundamentais com certeza serão beneficiados através de uma boa comunicação. A comunicação eficaz é determinante para a saúde do relacionamento interpessoal em qualquer dos seus níveis.
-Comunicação- Quem sabe falar e ouvir, não tem dificuldade para compreender.
“A oração tem o poder de transformar Nossas murmurações em louvor e ações de graça!"
GONÇALVES. Josué. A Língua - Domando Esta Fera!. Editora Mensagem Para Todos, 2002.
Filho meu, ouve o ensino do teu pai. “O treinamento no lar é uma salvaguarda moral. Protege o jovem que sai ao mundo” (Oxford Annotated Bibie). Um pai tem a responsabilidade de ensinar seus filhos literais, mas a expressão, neste caso, significa “discípulo”, o aluno do mestre. Talvez o professor tivesse uma escola formal, com certo número de alunos, ou talvez tivesse alguns poucos jovens estudantes que com frequência se valiam de sua sabedoria superior e eram estudantes informais. Seja como for, o mestre contava com alguns poucos homens sobre os quais exercia autoridade espiritual. Para eles, o mestre era a fonte de aprendizado, tanto teórico quanto prático. Para eles, o mestre dava instruções, e essas instruções eram acerca da lei mosaica. A mãe do aprendiz era uma mulher piedosa, que tinha o cuidado de instruir seus filhos. Ademais, o pai literal do aprendiz também era um instrutor. Então havia o mestre, que substituiu o pai, quando este ficou muito idoso. “De acordo com a psicologia dos hebreus, a ação era o resultado natural do ato de ouvir, pelo que a palavra ouvir também pode ser traduzida por obedecei (Charles Fritsch, in loc).
Ensino. Todo ensino de natureza espiritual se derivava da lei de Moisés, o manual de conhecimentos teóricos e práticos dos hebreus. Ver Sal. 1.2 quanto a um sumário do que a lei de Moisés significava para Israel. Cf. Pro. 3.1. Jarchi e Qersom fazem com que o “pai”, neste caso, seja o Pai celestial. Ele é a fonte originária de todos os ensinamentos a filhos fiéis.
Tua mãe. O livro de Provérbios exalta a posição da “mãe” mais do que qualquer outro livro do Antigo Testamento. É óbvio o papel que mulheres piedosas sempre tiveram na instrução espiritual durante todo o tempo. Em certo sentido, a mãe de uma criança é a primeira linha de ensinamentos espirituais, pelo menos durante os anos formativos da criança. Ver II Tim. 1.5. Lóide e Eunice foram brilhantes exemplos disso.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2538-2539.
Pv 1.7-9 - Nessa era da informação, o conhecimento é abundante, mas a sabedoria é escassa. A sabedoria significa muito mais do que ter muito conhecimento. É uma atitude que afeta todos os aspectos da vida. A base do conhecimento é temer ao Senhor; honrá-lo, respeitá-lo, reverenciá-lo por seu grande poder e obedecer à sua Palavra. A fé em Deus deve ser nortear a compreensão que temos do mundo, nossas atitudes e nossas ações.
Confie em Deus; Ele o tornará verdadeiramente sábio.
Pv 1.8- Nossas atitudes falam mais alto do que nossas palavras. Isto é especialmente verdadeiro no lar. As crianças aprendem valores, moral e prioridades observando como seus pais agem e reagem todos os dias. Se os pais exibirem uma profunda reverência e dependência de Deus. as crianças absorverão estas atitudes. Deixe que elas vejam sua reverência a Deus. Ensine-as a viver corretamente, dando à adoração um lugar importante em sua vida familiar; leia a Bíblia com sua família!
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 834.
2. Uma palavra aos mestres.
Um recado aos mestres
Tiago inicia a sua argumentação com uma exortação direta aos mestres e àqueles que porventura quisessem ensinar. “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” (Tg 3.1). Estas palavras de Tiago necessitam ser analisadas dentro do contexto educacional da cultura hebraica e seu desenvolvimento dentro da Igreja Primitiva. As palavras hebraicas para ensinar e suas correlatas ocorrem mais de 270 vezes nas Escrituras do Antigo Testamento. Por outro lado, a palavra grega didaskalos, traduzida por Tiago como mestre, juntamente com aquelas de mesma raiz, ocorrem 211 vezes no texto grego do Novo Testamento. A frequência com que esses vocábulos ocorrem nas Escrituras Sagradas revelam que o mestre ocupava uma posição de destaque na cultura bíblica. É de se notar que a escola de um judeu era primeiramente o seu próprio lar onde recebia instrução de seus pais (Pv 22.6); mas a educação mais formal ficava a cargo dos sacerdotes e profetas. As Escrituras registram, por exemplo, que “Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (Ed 7.10). Em outro estágio da cultura hebraica esse ensino mais formal ficaria a cargo dos escribas.
No mundo do Novo Testamento os mestres não eram estranhos. Além da herança cultural judaica, o processo de helenização promovido por Alexandre, O Grande, solidificaria mais ainda a estrutura educacional. Graças a universalização da língua grega e a popularização do ensino, Paulo podia ser ouvido e entendido em todos os lugares. “Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor” (At 15.35; 19.9). Os mestres, portanto, passaram a ganhar grande visibilidade, e muitos eram tentados a se tornarem mestres. Muitos, às vezes, não possuíam qualificação para isso, e acabavam ensinando o que não deviam. “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até o ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pe 2.1). Diante de um quadro como esse, Tiago adverte aos crentes sobre a grande responsabilidade que esse cargo exige. Não era somente ensinar, mas o que ensinar. Não era somente falar, mas que conteúdos eram revelados nessa fala. Ele lembra aos mestres cristãos que contas seriam pedidas do exercício desse ofício. “Havemos de receber maior julgamento.” Tiago tem em mente o julgamento de um tribunal, já que a palavra grega krima usada por ele mantém o sentido de “julgamento de um juiz”. Nesse particular o tribuno seria o próprio Deus. Esse era um cuidado que aqueles que vivem da fala deveriam sempre lembrar. Quão grande responsabilidade pesa sobre os que ensinam.
Tirando o Veneno da Língua
A língua necessita de controle. Do versículo 2 até o versículo 12 Tiago passa a tratar diretamente sobre o devido uso da língua. E uma advertência àqueles que gostam de falar ou vivem sempre falando. A língua, mais do que qualquer outro órgão do corpo, necessita de controle. Há toda uma linguagem metafórica usada por Tiago para ilustrar o poder negativo da língua. São símbolos extraídos do cotidiano de pessoas comuns, mas que em Tiago crescem em dramaticidade.
1. Freios
Tiago fala da necessidade de se pôr freios {gr kalinós) na boca assim como são postos nos cavalos. Há quatro ocorrências dessa palavra no Novo Testamento grego; três em Tiago (Tg 1.26; 3.2; 3.3) e uma em Apocalipse (Ap 14.20). O sentido no original é de um freio ou cabresto colocado na boca do animal. A lição é muito clara: aqueles que gostam de falar muito, e por isso acabam falando o que não devem, necessitam pôr freios na sua própria boca. Uma solução já apontada anteriormente por Tiago seria primeiramente ouvir e somente depois falar (Tg 1.19). Não há como fugir do paralelo que surge entre o “freio” de Tiago e o “domínio próprio” citado por Paulo em Gálatas 5.21-23. O freio deve controlar o animal e o domínio próprio, a língua do crente.
2. Leme
A língua necessita de freio porque ela tem um poder muito grande de traçar rumos e destinos. Assim como o leme (gr. pedalion) tem o poder de conduzir uma embarcação a qualquer lugar desejado, da mesma forma a língua. “Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro” (Tg 3.4). O leme controla o navio, a língua, o crente.
3. Fogo
Talvez a imagem mais dramática usada por Tiago para ilustrar o poder da língua seja a do “fogo”. Tiago diz que “a língua é fogo” (Tg 3.6). A figura evocada pelo homem de Deus aqui é do poder destrutivo do fogo. O fogo queima, o fogo incinera. Uma língua sem freios e fora de controle queima como fogo! Quantas pessoas estão hoje literalmente “queimadas” por conta de comentários maldosos que foram feitos sobre elas. Na maioria das vezes não houve uma visão adequada dos fatos. Devemos tomar cuidado com aquilo que falamos.
3. Mundo
Há uma disputa entre os intérpretes sobre o real significado deste termo usado aqui por Tiago. Isso porque a palavra kosmos (Tg 3.6) traduzida por “mundo”, aqui tem uma variedade de significados no contexto do Novo Testamento. O sentido mais natural do texto é que Tiago fala de “mundo” como a esfera onde as coisas acontecem. Nesse sentido a língua é um pequeno órgão, mas que pode se tornar um grande universo de coisas ruins. Isso explica porque a palavra “iniquidade” ou “injustiça” vem associada a “mundo” no versículo 6 do capítulo 3.
4. Veneno
O mau uso da língua pode desencaminhar uma vida e até mesmo matar. Há um veneno na língua que precisa ser tirado (Tg 3.8). O veneno mortífero do qual fala Tiago reside no poder que a língua tem de servir ao mesmo tempo para abençoar ou amaldiçoar. “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim” (Tg 3.9,10). Há regiões no Brasil onde se usa o termo “língua grande” para pessoas que fofocam ou falam demais. O perigo está em alguém possuir uma “língua grande”e, além disso, “envenenada”.
5. Fonte
A outra figura usada nesta carta é a de uma fonte. Os orientais sabiam da importância que as fontes de águas doces e perenes possuíam para eles. Mais do que qualquer outra coisa, a água era um bem extremamente precioso. A ideia que Tiago sugere é o de uma fonte jorram-te {gr. bryo, v.l 1). A analogia é simples, mas extremamente forte — assim como das fontes jorravam águas doces, próprias para o consumo, assim também a nossa língua deve ser. “Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (Tg 3.11,12).
6. Árvore
Tiago apela para a peculiaridade de cada espécie. “Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos?” (Tg 3.12). Uma figueira produz figos, uma videira produz uvas (Tg 3.12). A lógica é simples: Uma mangueira produz mangas e uma laranjeira, laranja. A boca do crente não deve produzir maldição, mas bênção, pois isso faz parte de sua nova natureza (2 Co 5.17; Ef 4.17-22).
Tiago é nosso contemporâneo e fala hoje. As suas advertências sobre o uso da língua chegam até nós como verdadeiras preciosidades. Em um contexto em que os relacionamentos se fracionam e são trincados com relativa facilidade, deveríamos atentar para as exortações que o Senhor nos faz por meio desse escrito. Assim como o anjo tocou nos lábios de Isaías e purificou a sua boca (Is 6.7), da mesma forma devemos permitir que o Espírito Santo faça o mesmo com a nossa língua.
Pois bem, se por um lado Tiago procurou tirar o veneno da língua, por outro Salomão procura deixá-la mais curta ainda.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 57-62.
A realidade da fé testada pelo controle da língua.
Pela linguagem expressamos os nossos pensamentos e revelamos se o que nos domina é nossa própria vontade ou se é a obediência à vontade de Deus. Tiago inicia o capítulo 3 de sua epístola com um aviso "Não vos apresseis em ser mestres". Parecia haver uma ansiedade da parte de muitos para falar em público, enquanto falhavam em reconhecer que a qualificação fundamental do mestre é saber. Pelo tom geral deste capítulo, deveria haver na igreja judaica, muitos presunçosos, briguentos, de mentalidade mundana, de temperamento descontrolado, que impunham como líderes e mestres. Para estes ele diz: "Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo'". (Tg 3:1).Talvez também houvesse a tendência de confundir fluência de linguagem com erudição. Os mestres levam sobre si grandes responsabilidades e serão julgados com especial rigor em virtude da influência exercida sobre os outros. Note-se o versículo 2 "Todos tropeçamos em muitas coisas". O verbo é ptaio, tropeçar ou escorregar. O perigo do pretenso mestre está no falar desenfreado, que leva à declarações irrefletidas e demonstrações de mau gênio. Tiago não diz que todo mundo usa deliberadamente mau a língua, mas que esta, é às vezes, mal empregada por todas as pessoas, involuntariamente. Quem nunca é culpado de um deslize cometido com a língua, quem nunca profere um palavra ociosa ou vã, esse é perfeito(2), isto é, plenamente instruído, bem equilibrado e bem aparelhado para aceitar a responsabilidade de ensinar a outros e de frear toda a inclinação menos digna. A expressão todo o corpo, pode-se aplicar à Igreja de Cristo, tanto quanto às paixões e apetites.
Se fizermos uma pesquisa para sabermos qual é uma das causas dos grandes problemas de relacionamento entre pessoas, sem dúvida a resposta da maioria será: "O USO INDISCIPLINADO DA LÍNGUA".
Você sabia que o maior problema da igreja de Corinto era os pecados sociais da língua ? Foi necessário que Paulo tratasse este problema com muita firmeza. "Rogo-vos porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer". (1 Co 1:10)
Um dos sinais de que há pessoas na comunidade com a língua precisando ser domada, é a divisão por causa das contendas (1 Co 1:11).
Este problema também estava comprometendo a espiritualidade das igrejas da Galácia, quando Paulo escreveu: "As obras da carne são conhecidas as quais são: dissenções, contendas, discórdias, facções, inimizades, porfias, ciúmes e ira que havia no meio do povo, (Gl 5:20,21).
"Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã" . (Tg 1:26) "Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal e os seus lábios não falem engano". (1 Pe. 3:10)" Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado". (Mt 12:37)
GONÇALVES. Josué. A Língua - Domando Esta Fera!. Editora Mensagem Para Todos, 2002.
Tendo mostrado porque o erro dos que se opõem à verdade deve ser exposto (1.10-16), Paulo agora passa a indicar como “exortar na sã doutrina” (ver 1.9-2.1). Todas as injunções aqui dadas a Tito, e as pormenorizadas exortações que este há de dar aos outros, referem-se à conduta. O melhor antídoto para o ensino falso é o ensino positivo e exortações morais, calculadas a promover saúde espiritual. Já foi observado que as pessoas iludidas por ensinos errados são corrompidas primeiro no coração, e esta corrupção se manifesta depois na vida. Por isso, os que desejam manter, por meio de seus ensinos, o bem-estar espiritual dos outros, devem exigir uma conduta que corresponda à pureza de coração.
No ministério público de Tito, este é o tipo de exortação que há de pronunciar. As suas exortações hão de ser adaptadas às necessidades dos diferentes grupos no seio da igreja, conforme a idade. Há de exortar as senhoras idosas a ensinarem, por sua vez, as mulheres mais jovens. O seu próprio exemplo e comportamento hão de reforçar os seus ensinos, especialmente quando se dirigem a rapazes. A sisudez e incensurabilidade do ministério de Tito envergonhará e silenciará qualquer oponente. Os escravos, que têm de servir a senhores humanos, necessitam de exortação especial, a fim de se mostrarem obedientes e fiéis, exibindo de uma maneira atraente o valor do evangelho, que declara ser Deus o Salvador dos homens.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Tito. pag. 11.
Tt 2.1 — Normalmente, depois das reprimendas à falsa doutrina, Paulo orienta o que o cristão deve fazer (2 Tm 3.10,14). Sã significa saudável e é um termo frequentemente utilizado por Paulo nas epístolas pastorais — encontrado cinco vezes em Tito (1.9,13; 2.1,2,8). O apóstolo vê a sã doutrina como a raiz que produz os frutos da boa prática (boas obras), tais como a fé, o amor e a paciência (v.2), assim como a boa fala (v.8). Pensar com retidão é a matéria-prima da boa ação (SI 119.11; Pv 23.7; Rm 12.2; Tg 1.1345). Nossos atos revelam naturalmente a direção de nossos pensamentos.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag.  624-625.
CONCLUSÃO
Programa de Treinamento da Língua
Como iniciar um programa de treinamento da língua? Será que isto é possível, já que a Bíblia diz que ela é indomável? Precisamos entender que Tiago se referia ao esforço humano sem a cooperação do Espírito Santo.
Quando estamos vivendo sob o controle do Espírito de Deus, com certeza é possível haver controle da língua. Então como vencer?
Exercícios:
1)  Diga não a si mesmo, diante da possibilidade de usar palavras que irão influenciar negativamente.
2) Quando alguém trouxer os problemas de um irmão com a intensão de difamar, pergunte: — Quanto tempo você já orou por este irmão? Você já conversou com ele tentando ajudá-lo? Se você estivesse no lugar dele, gostaria que alguém espalhasse seu problema?
3) Quando for tentado a falar mal de alguém que lhe prejudicou, procure lembrar do que Jesus disse: "Amem seus inimigos! Orem por aqueles que perseguem vocês! Dessa forma vocês estarão agindo como verdadeiros filhos do seu Pai do Céu. Porque Ele envia sua luz do sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e manda a chuva para os justos e para os injustos também. Se vocês amam apenas aqueles que amam vocês, que adianta isso? Se vocês forem amigos apenas dos seus amigos, em que são diferentes de qualquer outro? Até mesmo os pagãos fazem isso. Mas vocês devem ser perfeitos, tanto como seu Pai do céu é perfeito".
4) Num momento de ira, pense bastante antes de falar, pois nessas ocasiões corremos o risco de falar o que não devemos.
5) Textos para memorizar:
"O homem que sabe ficar calado e manter a calma é sábio". (Pv 17:27 - Bíblia na Linguagem de Hoje)
"Seja, porém, o vosso 'Sim', sim, e o vosso 'Não, não; o que passar disso vem do maligno". (Mt 5:37)
"Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem enganosamente". (SI 34:13)
"O que guarda a sua boca preserva a sua alma, mas o que muito abre os seus lábios tem perturbação". (Pv 13:3)
"O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angústias a sua alma". (Pv 21:23)
"Se alguém cuidar ser religioso e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião deste é vã". (Tg l:26)
"Pois quem quiser desfrutar a vida e ter dias felizes, refrei a sua língua do mal, e os seus lábios não falem enganos". (1 Pd3:10)
"A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um". (Cl 4:6)
"Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus". (2 Tml:13)
"...linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós". (2Tt2:8)
"Todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse homem é perfeito, e capaz de refrear todo o corpo". (Tg 3:2)
"Favo de mel são as palavras agradáveis, doçura Para a alma e saúde para os ossos". (Pv 16:24)
"Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a Palavra dita a seu tempo". (Pv 25:11)
"Nas palavras da boca do sábio há favor, mas os lábios do tolo o devoram". (Ec 10:12)
"As palavras do sábio são como agulhões, e como pregos bem fixados são as palavras coligidas dos mestres, as quais nos foram dadas pelo único Pastor". (Ec 12:11)
"O Senhor Deus me deu língua instruída, para saber a palavra que ampara o cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido, para que ouça como discípulo". (Is 50:4)
Quem lê pensa, e quem pensa nunca será escravo da ignorância!
GONÇALVES. Josué. A Língua - Domando Esta Fera!. Editora Mensagem Para Todos, 2002.
FONTE www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com


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