sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A origem dos conflitos e discórdias (2)




I Sam 16.7 Os profetas, quando falavam debaixo da direção divina, eram tão sujeitos a erros como qualquer outro; como Natã (2 Sm 7.3). Mas Deus corrigiu o engano do profeta por meio de um sussurrar secreto em sua mente: Não atentes para a sua aparência (v. 7). Era estranho que Samuel, que tinha sido tristemente desapontado em relação a Saul, cuja aparência e estatura o recomendavam mais do que qualquer outro, deveria estar tão ansioso em julgar um homem por essa regra. Quando Deus desejava satisfazer o povo com um rei, escolheu um homem decoroso; mas, quando desejava ter alguém conforme o seu coração, esse não deveria ser escolhido pela sua aparência exterior. Os homens julgam segundo a vista dos seus olhos, mas Deus não (Is 11.3). O SENHOR olha para o coração, isto é: (1) Ele conhece o coração. Nós podemos afirmar como as pessoas se parecem, mas Ele pode afirmar quem elas são. As pessoas olham para os olhos (de acordo com o original), e se satisfazem com a vivacidade e disposição de alguém, mas Deus olha para o coração, e vê os pensamentos e intenções dele. (2) Ele julga as pessoas pelo coração. A boa disposição do coração, a santidade ou bondade dele, nos recomendam a Deus. O coração é precioso diante dele (1 Pe 3.4), não a majestade da aparência, ou a força e estatura do corpo. Vamos reconhecer a verdadeira beleza que está no interior, e julgar as pessoas, tanto quanto for possível, pelo seu coração, e não pela sua aparência.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 285.
I Sam 16.6,7 — Eliabe significa meu Deus é pai. E disse. Samuel estava provavelmente dizendo para si mesmo. A aparência e a estatura do filho mais velho de Jessé, Eliabe, recomendava-o para a liderança.
Mas as mesmas características foram exatamente aquelas que recomendaram Saul (1 Sm 9.2). Em vez de olhar para a aparência, Deus olhou para o coração. Portanto, Deus deu a Samuel uma nova perspectiva. O estado do coração de um homem era muito mais significativo do que a sua habilidade natural e a sua aparência física.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 480.
3. O porquê de não recebermos bênçãos (Tg 1.3).
A primeira reflexão para a qual a repreensão de Tiago nos leva diz respeito à necessidade de analisarmos as nossas reais motivações. O versículo 3 é enfático quanto a esse ponto. Ali, Tiago afirma que, em vez de forçarmos para conseguir as coisas que desejamos, devemos pedi-las confiantemente a Deus (v.2b); só que, em seguida, ele acrescenta que nem adianta pedirmos a Deus o que desejamos quando o que pedimos a Ele é com base em péssimas motivações: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (v.3). Ou na versão da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus Próprios prazeres” (Tg 4.2,3 — grifos meus).
Ou seja, o que o apóstolo Tiago está afirmando aqui é que o verdadeiro cristão não é fonte de conflitos porque ele harmoniza os seus desejos com a santidade de Deus; ele harmoniza as suas motivações com o que é santo. Em outras palavras, não basta que nossos alvos sejam bons; nossas motivações também têm que ser boas. Elas devem refletir a nossa comunhão com Deus, que é santo.
O apóstolo Paulo, escrevendo em sua Primeira Epístola aos Coríntios sobre o uso correto dos dons espirituais, trata do tema do amor e, quando o faz, apresenta o amor como aquilo que caracteriza uma motivação santa. Isto é, nenhuma motivação é correta se não se baseia no amor cristão (1 Co 13.1-7).
Outro parâmetro para avaliação das nossas motivações, além do amor e da santidade, é a busca da glória de Deus. A Bíblia diz que, em tudo o que fazemos, devemos buscar a glória de Deus acima de tudo (1 Co 10.31).
Em segundo lugar, a repreensão de Tiago nos aponta para a necessidade de não apenas refletirmos sobre nossas motivações, mas também sobre os meios que utilizamos para chegar aos fins que almejamos. Ou seja, não basta também que os alvos que desejamos alcançar sejam corretos, e nem que as motivações que nos levam a buscá-los também sejam corretas; é preciso ainda atentar para que os meios usados para atingir esses alvos sejam igualmente corretos.
Não há problema em desejarmos realizar coisas ou mesmo buscarmos uma realização pessoal, contanto que o tipo de realização que procuramos não seja pecaminosa em si mesma e que também as nossas motivações e os meios pelos quais objetivamos alcançar essas realizações também não sejam pecaminosos, mas completamente sadios.
Um fato impactante sobre esse ponto na Epístola de Tiago é que a repreensão do apóstolo chama a atenção para métodos extremamente terríveis que estavam sendo usados em sua época. Essa constatação fica bem clara quando acompanhamos o raciocínio que ele desenvolve no versículo 2 como aparece em algumas outras versões em português, que procuram ser ainda mais precisas na tradução do texto original grego. Vejamos, por exemplo, o versículo 2 na NTLH: “Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam” (Tg 4.2 — grifos meus). O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento traz ainda a seguinte tradução especial para a referida passagem: “Você deseja, mas não tem; então você mata. Você tem inveja, mas é incapaz de conseguir, então você guerreia e peleja”.
Como vemos, o texto bíblico no original dá a ideia de pessoas que estão tão cegas pelos seus desejos que já se encontram totalmente fora de controle, ao ponto de haver entre elas gente que estava disposta até a matar para conseguir o que desejava! Essa é uma interpretação mais correta, que mostra de forma chocante até que ponto pode chegar uma pessoa possuída e dominada por um desejo.
Há, porém, uma outra interpretação dada a essa passagem, como lembra o Comentário Bíblico Pentecostal: “Existe entre os comentaristas uma acentuada tendência para interpretar a exortação de Tiago ‘combateis e guerreais’ (Tg 4.2) como uma simples figura de retórica e não uma verdadeira acusação de assassinato. De acordo com esses estudiosos, Tiago está acompanhando a precedência de Jesus quando se referiu ao ódio como assassinato (Mt 5.21,22)”.2 Entretanto, como sublinha a referida obra, parece muito mais provável que Tiago está aqui aludindo à “omissão de cuidar ‘dos órfãos e das viúvas’ (Tg 1.27), assim como de outros membros indigentes da comunidade (Tg 2.15,16)”, como a causa “de mortes desnecessárias”. Logo, “o desejo pecaminoso de ‘gastar em vossos deleites’ (Tg 4.3)” é também “uma espécie de assassinato”.
Ademais, devemos nos perguntar se nossa interpretação pró- -retórica e pró-espiritualização dessa ideia de morte nesta passagem bíblica, não se dá porque nos choca imaginar que alguns ditos cristãos dos dias de Tiago estavam levando irmãos em Cristo mais necessitados — e pobres de forma geral — à morte devido a seus interesses egoístas, que lhes fazia omitirem-se de ajudar essas pessoas. Ao lutarem apenas pelos seus próprios deleites, estavam, na prática, mesmo que indiretamente, combatendo e guerreando contra seus irmãos necessitados, levando-os, dessa forma, à morte.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 1.16-119
Tg 4.3 Quase tão ruim quanto não pedir é pedir de maneira errada. Se não entendermos bem o uso correto da oração, poderemos deixar de orar, ou tentar manipular a Deus. Mais adiante, Tiago deixa claro que, quando oramos, precisamos nos humilhar diante de Deus (4.7). Se não for assim, poderemos não ser atendidos. As pessoas não deveriam ficar surpresas quando as suas orações não fossem atendidas, porque os seus motivos são frequentemente maus (versão NTLH). Elas iriam gastar o que recebessem nos seus deleites (a mesma palavra utilizada em 4.1). Os desejos das pessoas eram tão fortes, que elas estavam brigando, disputando, e usando a oração para conseguir o que queriam. O seu motivo não era ajudar os outros, mas satisfazer a si mesmas.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682.
Tg 4.3 Para eles,' orar era apenas um meio de fomentar a ganância. Se conseguissem qualquer coisa com esse propósito dúbio, teriam a certeza que não fora Deus quem lhe dera Tinham perdido completamente o conceito do uso apropriado da oração. Tinham-na transformado em um instrumento da carnalidade. Em que eles se importavam acerca da oração como um avanço na santidade e no bem-estar espiritual? Agiam como se houvesse apenas a dimensão terrena na existência, sem céu e sem Deus. Eram teístas professos, mas eram ateus na prática, porquanto, na realidade, imaginavam que Deus não desempenhava qualquer papel vital em suas vidas. Dd «eu» e seus prazeres tinham feito os seus deuses. Eram idólatras da pior espécie. Nada há de errado nas orações que pedem a prosperidade e o bem-estar físico; conforme se depreende de III João 2. E bom -alguém gozar de boa saúde e estar financeiramente próspero. Mas é mau fazer dessas coisas a finalidade central de nossas vidas. Outrossim, os leitores originais da epístola tinham como alvos verdadeiros de suas vidas a busca pelos prazeres, pelo conforto e pelo poder; e assim não se preocupavam apenas com uma abastança mais razoável. Tinham substituído a dimensão eterna pela dimensão temporal; tinham feito da auto-indulgência algo mais importante do que cumprir a vontade de Deus, sendo transformados segundo a imagem de Cristo, o que é e deverá ser sempre o alvo de toda a existência. (Ver Efé. 1:10). «...buscai pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas» (Mat. 6:33).
«Uma vida consagrada ao seniço de Deus é a melhor oração que pede bênçãos temporais. A oração feita com espirito ganancioso é como a de um bandido, que pede sucesso para os seus assaltos.» (Plummer, in loc.).
«...mal...», isto é, erradamente. (Comparar com Sabedoria 14:29,30 e IV Macabeus 6:17). Aquela gente pedia com «propósitos egoístas», para obter os frutos ilegítimos dos prazeres. Essas orações não são ouvidas por Deus. (Quanto ao fato que Deus ouve as orações dos justos e penitentes, ver Sal. 34:15-17; 145:18; Pro. 10:24; Salmos de Salomão 6:6; Luc. 18:9 e ss.; Tia. 1:6 e ss.-, I João 5:14 e Hermas, Sim. iv.6).
«...esbanjares em vossos prazeres...» A ideia central é que eles desejam a abastança financeira, a fim de se ocuparem mais diligentemente na busca pelos prazeres; e existem ainda outros meios pelos quais os prazeres podem ser obtidos, e as petições de tais pessoas incluem qualquer coisa mediante o que o «eu» pode ser satisfeito.
«Até mesmo as orações dos crentes com frequência são melhor respondidas quando os seus desejos são menos atendidos». (Faucett, in loc.).
«Queriam fazer de Deus o ministro de suas próprias concupiscências». (Calvino, in loc.).
«O sentido geral é: se realmente orásseis corretamente, esse senso de contínua sede por coisas mundanas em maior quantidade não existiria: todas as vossas necessidades apropriadas seriam supridas; e aqueles desejos impróprios, que geram guerras e contendas entre vós desapareceriam. Pediríeis, e pedirieis bem, e, consequentemente, obteríeis». (Alford, in loc.).
«É grande a misericórdia de Deus quando ele não ouve aos homens que fazem orações injustas. (Ver Sal. 66:18)» (Quesnel, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 63.
Até mesmo a oração é deturpada (v. 3).
Tg 4.3 O mau espírito do egoísmo, o espírito de baixo, deturpa até mesmo a oração (quando ainda existe), de modo que ela pode tornar-se vã: “Pedis e não recebeis, porque pedis com má intenção, para (o) consumirdes em vossos prazeres”. O ser humano, também aquele que é aparentemente cristão, encontra-se em uma posição de “ouriço”, de “defesa para todos os lados”. No fundo não se interessa pessoalmente por Deus e pelo que agrada a ele. Quando ora a Deus, espera que ele seja mero fornecedor dos meios com que possa se afirmar e reforçar sua posição. Deus somente deve prover os auxílios para a felicidade, o conforto, o prazer e a edificação do pedestal da auto-exaltação dessa pessoa. Alguém pode até mesmo pedir pelos dons do Espírito, em grego charismata – pelos mais notáveis – com a intenção de se sobressair com eles, de exibi-los como distintivo de sua devoção singular. Também a intenção de celebrar vitórias nesse campo significaria “consumir em seus prazeres” o que foi pedido. – Contudo, Deus não aceita esse papel de fornecedor. Em vão se aguarda o atendimento de tais pedidos. Por esse motivo uma oração altamente efusiva não obtém resposta. Por isso, eventualmente uma pessoa torna-se receptiva para “dons” enganosos, os pseudo-charismata, “moeda falsa”, que procede de outra “casa da moeda”, de outro remetente.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
II - A BUSCA EGOÍSTA (Tg 4.4,5)
1. Adúlteros e amigos do sistema mundano (Tg 4.4).
A partir do versículo 4, Tiago entrelaça a busca pecaminosa com o sistema que domina a maior parte da humanidade, e que é chamado na Bíblia de “mundo”. O apóstolo chama de “adúlteros e adúlteras” todos os crentes que, em vez de se afastarem da cultura humana pecaminosa, em vez de se distanciarem do sistema pecaminoso fomentado pelo Diabo, se unem a ele. Ou seja, o relacionamento do cristão com esse sistema é traição a Deus, é traição ao nosso relacionamento e compromisso com Ele, é adultério espiritual.
O meio-irmão de Jesus é enfático: “A amizade do mundo é inimizade contra Deus” e “Qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). Esse ensino é frisado também pelos apóstolos Paulo e João em 2 Coríntios 6.14-18 e 1 João 2.15-17.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 119.
Tg 4.4 A chocante palavra “adúlteros” descreve claramente a infidelidade espiritual das pessoas e tenciona despertá-las para que encarem a sua verdadeira condição espiritual. Estes crentes estavam tentando amar a Deus e ter um romance com o mundo. O fato de Deus expressar, nos termos mais fortes possíveis, a importância da fidelidade deve nos inquietar. Os padrões bíblicos de comportamento pessoal, conjugal e espiritual estão sob constante ataque de erosão.
Nós somos constantemente bombardeados pela mensagem da transigência. Do ponto de vista do mundo, nós devemos ser flexíveis, tolerantes ao pecado, e complacentes. Mas isto não funciona, porque a  amizade do mundo é inimizade contra Deus. Para os crentes, o mundo e Deus são dois objetos distintos de afeto, mas são completamente opostos. O mundo é o sistema do maligno, que está sob o controle de Satanás; ele representa tudo o que é contrário a Deus. Ter amizade com o mundo, portanto, é adotar os seus valores e desejos (veja também Rm 8.7,8; 2 Tm 4.10; I Jo 2.15-17). Estes crentes podem amar verdadeiramente a Deus, mas também são atraídos pelos benefícios do sistema deste mundo. Eles adoram a Deus, mas podem desejar a influência, os padrões de vida, a segurança financeira, e talvez um pouco da liberdade que o mundo oferece. A busca destas coisas só irá minar a generosidade, os cuidados, e a divisão de recursos que deveriam caracterizar os cristãos.
Qual é, então, o relacionamento adequado de um crente com o mundo? Alguns usaram declarações bíblicas como esta de Tiago como a base para uma retirada radical do “mundo”. Mas a retirada não é a solução. Embora seja verdade que nós somos chamados para estar no mundo mas não pertencer a este mundo (Tg 17.14), deveríamos amar as pessoas deste mundo o suficiente para lhes transmitirmos o Evangelho. Para fazermos isto, precisamos nos relacionar com elas sem nos relacionar com as coisas deste mundo que são contrárias a Deus (veja 1 Jo 3.15-17).
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682-683.
Ruptura com o Mundo (4.4)
As palavras Adúlteros e adúlteras não se encontram nos textos gregos mais antigos. Deveríamos interpretar adúlteras figuradamente, como Jesus usou esse termo quando chamou as pessoas falsas e infiéis dos seus dias de “geração [...] adúltera” (Mt 12.39). A expressão não sabeis vós supõe que os leitores estavam familiarizados com essa verdade mas a estavam ignorando. O mundo aqui, como em outras partes do Novo Testamento, significa tudo que as pessoas pensam e fazem que desconsidera Deus e é contrário à sua vontade. Por meio de palavras retumbantes, Tiago declara que o povo de Deus deve tomar uma decisão clara entre Deus e todas as atitudes não-cristãs. Se pertencemos a Deus, a amizade do mundo precisa nos deixar. Se nos agarramos a qualquer caminho errado, nutrindo-o como um amigo, nos tornamos inimigos de Deus e não temos mais uma base bíblica para crer que estamos em um relacionamento de salvação com Ele.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 182.
Tg 4.4 “Adúlteros (literalmente: adúlteras), não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Quem, portanto, pretende ser um amigo do mundo revela-se inimigo de Deus.”
a) “Mundo”: o que a Bíblia visa dizer com isso?
a.1) A palavra grega kósmos significa “enfeite” (o termo “cosmético” origina-se dela). Segundo a opinião dos gregos, portanto, o mundo é uma “coisa linda”, uma “bela ordem”. Uma série de autores entende por “mundo” a bela e maravilhosa criação de Deus. “Deus fez o mundo e tudo o que ele contém” (At 17.24; cf. Hb 11.3; Sl 50.1; 90.2; Pv 30.4).
a.2) Um grande número de referências bíblicas, particularmente no NT, emprega “mundo” no sentido de “humanidade”, “mundo das pessoas”, com determinada natureza e intenção homogêneas: o ser humano, ao qual Deus confiou a terra (Gn 1.28), abriu as portas para o inimigo, deu-lhe atenção. Agora este o domina. Toda a humanidade é território ocupado pelo inimigo. Jesus fala do diabo como “príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.11). Paulo chega a designar o inimigo como “deus deste mundo” (2Co 4.4). E João diz que o mundo “jaz no maligno” (1Jo 5.19; cf. também o comentário a Tg 1.27). Deus “amou o mundo” (Jo 3.16), porém não para confirmar sua natureza, mas para, por meio de seu Filho, salvar o que é possível salvar. Como cristãos prestamos serviço ao mundo em consonância com o amor e a vontade salvadora de nosso Deus, devendo por isso “tomar o rumo”, entrar no mundo (Mt 28.19). Jesus fala aos seus: “Assim como meu Pai me enviou, assim envio vocês” (Jo 20.21). Porém não devemos nos perder no mundo, nem diluir-nos nele, do contrário não poderemos mais ser para as pessoas o que devemos ser. Nesse sentido (negativo) a Escritura fala com muita frequência do “mundo”. João exorta: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15ss). Paulo escreve: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12.2). Lamenta que Demas “passou a amar este mundo” (2Tm 4.10). E as testemunhas do NT constatam que o mundo com sua natureza e seu prazer desaparecerá e será condenado (1Co 7.31; 1Jo 2.17; 1Co 11.32). É nesse sentido negativo e de advertência que também Tiago fala aqui do mundo.
b) “A amizade com o mundo”: colocando em último plano ou até mesmo negando o que Deus é, concede e deseja, o ser humano busca concordância com aquilo que prevalece nos seres humanos e obtém reconhecimento, aprovação e aplausos deles. Adapta-se ao entorno, para não prejudicar sua aceitação. Isso também acontece porque seu desfavor e sua inimizade acarretam desvantagens ou até mesmo poderiam tornar-se perigosos.
c) O efeito nefasto da amizade com o mundo: “inimizade contra Deus”. Deus deseja se reconciliar com o pecador. Mas ele é inconciliável em vista do pecado, do inimigo e de sua natureza. Uma linha de confrontação perpassa o mundo, fazendo divisão entre Deus e Satanás. Quem se volta para esse último e para pessoas determinadas por sua natureza obrigatoriamente se distancia de Deus e se volta contra ele. Não é possível ser simultaneamente um bom amigo de Deus e do mundo controlado pelo inimigo (cf. Mt 6.24; 12.30). É preferível perder o mundo todo que perder a Deus! Quando o ser humano diz “não” a Deus, Deus por fim dirá “não” a ele e sua vida. “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31). Fazer a mesma troca que Judas, largando Jesus, e com isto também Deus, para obter a amizade (e os bens) do mundo tem consequências quase inimagináveis para nós.
d) Tiago elucida por que a aliança com o mundo tem efeitos tão nefastos, recorrendo a uma estranha constatação: “Adúlteras” sois vós! De acordo com o v. 5, a acusação não é de transgressão do Sexto Mandamento (“Não cometerás adultério”), mas do Primeiro Mandamento: “Eu sou o Senhor, teu Deus, não terás outros deuses além de mim.”
d.1) A comunhão que o grande e santo Deus concede a seu povo, ao pequeno ser humano pecador, é repetidamente comparada na Escritura aos dois relacionamentos humanos mais estreitos que existem: o relacionamento entre pai e filho e entre marido e mulher, ou noivo e noiva. Sim, o verdadeiro relacionamento entre pai e filho, o verdadeiro matrimônio, é a comunhão que Deus concede. Constitui o protótipo da comunhão humana. O melhor que os humanos conseguem realizar é sempre uma mera réplica, mais ou menos fiel. As palavras que a Escritura usa para descrever a comunhão entre Deus e sua igreja do AT e NT como matrimônio ou noivado, passam como um fio vermelho por toda a Bíblia. A aliança do Sinai (Êx 19.1-9) foi como uma celebração matrimonial. Mais tarde isso passou a ser expressamente formulado (Os 2.19s; Ez 16; 23; Is 61.10; 62.5; Ef 5.25; Ap 19.7; 21.2; 22.17). Hoje o mundo manifesta incompreensão diante da mensagem da comunhão que Deus concede aos humanos. Declara: “Temos agora uma ideia da magnitude do cosmos. É inconcebível que – se existir um Deus – ele se importe tanto com cada pequenino ser humano.” No entanto, para quem crê, para quem compreendeu algo do amor de Deus, esse amor se transforma em milagre ainda maior. No Sl 8 nos deparamos pela primeira vez com a admiração que toma conta do ser humano quando por um lado se apercebe do poder de Deus, o Criador, e por outro, do amor de Deus, o Pai, para com seus filhos: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste: que é o homem, que dele te lembres, e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus” (Sl 8.3-5). João expressa essa surpresa e admiração com as palavras: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus!” (1Jo 3.1). Foi necessário falar disso aqui com tanto detalhamento porque somente sob esse ângulo é possível compreender a presente passagem da Escritura, a gravidade do afastamento de Deus: somente quem conhece o dia sente integralmente a profundidade das trevas. Somente quando conhecemos o amor de Deus e o experimentamos podemos aquilatar o que significa jogar fora esse amor como algo sem valor e trocá-lo por uma coisa qualquer. Precisamente isso é chamado aqui de “adultério”. A grave palavra não se dirige a descrentes, que não conhecem o amor de Deus, mas àqueles que ouviram o “pedido de casamento” na palavra proclamada, que responderam sim a Deus, experimentaram seu amor e viveram em sua comunhão, mas depois lhe deram as costas (cf. Hb 6.4-6).
d.2) Paralela à linha lúcida da “noiva” a Bíblia também é perpassada pela linha obscura do povo de Deus que se tornou infiel, que desprezou o milagre de seu amor (Os 1ss; Is 1.21; Ez 16; 23; também cabe citar aqui Ap 17).
“Adúlteras” é o nome dado por Tiago aos cristãos que flertam com o mundo, desertam para o lado dele e se associam a ele. A forma feminina deve estar relacionada com a circunstância de que, na “aliança matrimonial” entre Deus e seu povo, tanto sua igreja quanto o cristão individual ocupam o lugar da “esposa”.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
2. “Inimigos de Deus”.
Nessa passagem, um aspecto muito importante ressaltado por Tiago sobre o nosso relacionamento com Deus é que o “Espírito, que em nós habita, tem ciúmes” (v. 5). A construção do versículo 5 no original grego não é muito clara, podendo esse texto significar que o espírito humano tem a tendência natural “de opor-se a Deus e ao próximo”,4 o que estaria implícito na expressão traduzida como “ciúmes”; ou então que o Espírito Santo tem ciúmes de nós, isto é, zelo intenso por nós. A maioria esmagadora dos comentaristas bíblicos, à luz do que afirmam o final do versículo 4 e o início do versículo 6, prefere a segunda interpretação para o versículo 5, que é também a interpretação aceita por mim: Tiago quer dizer aqui que o Espírito Santo de Deus tem ciúmes de nós. O Consolador, aquEle que intercede por nós e em nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26,27) e se entristece frente aos nossos pecados (Ef 4.30), o nosso Ajudador, que nos guia na caminhada espiritual e no relacionamento com o Pai celestial através de Cristo (Rm 8.5-11), tem um forte, intenso e amoroso zelo por nós.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 119-120.
Em guerra contra Deus (Tg 4.4-10)
A raiz de toda a guerra é rebelião contra Deus. Mas como um crente pode estar em guerra contra Deus? Cultivando amizade com os inimigos de Deus. Tiago cita três inimigos com quem não podemos ter amizade, se desejamos viver em paz com Deus. Tiago fala de tentações que estão fora de nós (o mundo e o diabo) e tentações que estão dentro de nós (a carne).
Tiago fala do mundo (4.4). A palavra kosmos foi empregada em um sentido ético, para indicar uma sociedade corrupta, ou o princípio do mal que opera sobre os homens.*^ O mundo aqui é a sociedade humana com seus valores, princípios e filosofia vivendo à parte de Deus. Esse sistema que rege o mundo é anti-Deus. Se o mundo valoriza a riqueza, começamos a valorizar a riqueza também. Se o mundo valoriza o prestígio, começamos a valorizar o prestígio. Temos a tendência de assimilar esses valores do mundo.
Um crente pode tornar-se amigo do mundo gradativamente:
primeiro, sendo amigo do mundo (4.4).
Segundo, sendo contaminado pelo mundo (1.27).
Terceiro, amando o mundo (IJo 2.15-17).
Quarto, conformando-se com o mundo (Rm 12.2). O resultado é ser condenado com o mundo (iCo 11.32). Assim, seremos salvos como que por meio do fogo (iCo 3.11-15). Amizade com o mundo é uma espécie de adultério espiritual. O crente está casado com Cristo (Rm 7.4) e deve ser fiel a Ele (Is 54.5; Jr 3.1-5; Ez 23; Os 1-2; ICo 11.2). O mundo é inimigo de Deus e ser amigo do mundo é constituir-se em inimigo de Deus.
Não dá para ser amigo do mundo e de Deus ao mesmo tempo. Temos que tomar cuidado com as pequenas coisas.
O mundo envolve as pessoas pouco a pouco. Ninguém se torna um viciado em álcool do dia para a noite. Ninguém se lança de cabeça nas aventuras loucas das drogas no primeiro trago ou na primeira picada. Ninguém começa uma vida licenciosa num primeiro flerte. A sedução do mundo é como uma fenda numa barragem, começa pequena, mas pode conduzir a um grande desastre. Luis Palau comenta:
Quando a imensa represa Teton Dam, no sudeste de Idalio, desmoronou, em 05 de junho de 1976, todos ficaram aturdidos. Sem aviso prévio, sob céu claro, a imensa estrutura subitamente desmoronou, lançando milhões de litros de água para dentro da bacia do rio Snake. Uma catástrofe súbita? Um desastre instantâneo?
Certamente parecia ser pelo menos superficialmente. Mas, abaixo da linha da água, numa profundidade em que os engenheiros não podiam ver, ocorria a propagação de uma rachadura oculta que, de forma lenta, porém gradual, enfraquecia toda a estrutura da represa.
Aquilo começou de forma bastante insignificante. Apenas um Como viver em um mundo cheio de guerras pequeno ponto frágil, uma pequena ponta de erosão. Ninguém vira e ninguém cuidara do problema. Quando a fenda foi detectada, já era muito tarde. Os empregados da represa tiveram apenas de correr para salvar suas vidas e de escapar de serem levados pelas águas. Ninguém vira a pequena rachadura, mas todos viram o grande desmoronamento.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 86-88.
a. “Povo adúltero”. A New International Version toma o texto direto e pessoal com o pronome vocês (“vocês, adúlteros”). No original, a primeira palavra é uma forma de tratamento e significa “adúlteras”.
11 E difícil interpretar essa expressão literalmente, especialmente quando o contexto indica que Tiago não está apresentando uma questão moral. Assim como nos versículos anteriores (4.1-3), é preciso que compreendamos a expressão adúltero figurativamente, ou, para ser mais exato, espiritualmente.
Tiago está escrevendo para cristãos judeus que estão familiarizados com o termo adúltera quando aplicado ao relacionamento matrimonial entre Deus como marido e o seu povo como esposa infiel. Por exemplo, Deus disse ao profeta Oséias: “Vai, toma uma mulher de prostituições, e terás filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor” (Os 1.2).
Jesus chama os fariseus, saduceus e intérpretes da lei de “geração má e adúltera” (Mt 12.39; 16.4; e ver Mc 8.38; itálico nosso).
Além disso, Jesus se refere a si mesmo indiretamente como o noivo (Mt 9.15 e paralelos) e Paulo diz que Cristo é o esposo da igreja (2Co 11.2; Ef 5.22-25; consultar também Ap 19.7; 21.9).
b. “A amizade do mundo é ódio para com Deus”. Tiago faz essa colocação na forma de pergunta e apela para o conhecimento intuitivo do leitor. Que esposo permite que sua esposa tenha um relacionamento ilícito com outro homem? E o que pensar de uma esposa que abre mão do amor matrimonial para envolver-se em relações adúlteras?
Qual você acha que é a reação de Deus quando um crente se apaixona pelo mundo? Deus é zeloso (Ex 20.5; Dt 5.9), ele não tolera qualquer
amizade com o mundo.
O que significa a palavra mundo? Ela representa “o sistema da humanidade como um todo (suas instituições, estruturas, valores e costumes) organizado sem Deus”.12 E o sentido que Paulo transmite em sua segunda carta para Timóteo: “Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e foi para Tessalônica” (2Tm 4.10). Tiago é enérgico ao dizer que uma pessoa não pode ter amizade com o mundo e com Deus ao mesmo tempo. O mundo não tolera amigos de Deus, pois estes são considerados inimigos. O contrário também é verdade. Deus considera um “amigo do mundo” como um inimigo.
c. “Ódio para com Deus”. Que expressão aterradora! Um amigo de Deus que suporta a inimizade do mundo pode sempre encontrar consolo nas palavras do reformador do século 16, John Knox, que disse: “Um homem com Deus ao seu lado está sempre junto com a maioria”, mas a pessoa que se depara com Deus como seu inimigo está sozinha, pois o mundo não pode ajudá-la. O autor aos Hebreus conclui: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).
Quem é um inimigo de Deus? O cristão foi colocado no mundo apesar de não ser do mundo (Jo 17.16,18). O apóstolo João adverte: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (lJo 2.15). Quando uma pessoa intencionalmente se volta para o mundo, para tomar-se parte dele, ela tomou uma decisão consciente de rejeitar Deus e os ensinamentos de sua Palavra.13 Assim, qualquer um que deliberadamente escolhe em favor do mundo e contra Deus terá Deus como seu inimigo.
Simom J. Kistemaker. Comentário do Novo Testamento Tiago e Epistola de João. Editora Cultura Cristã. pag. 183-185.
Será que “precisamos” conhecer mesmo? E preciso experimentar todos os tipos de religiões para se ter certeza qual é a correta? É preciso passar por todo tipo de dor para saber que é ruim? É preciso experimentar a droga para saber que não é boa para nosso corpo? Nao é preciso flertar com o mundo nem coisas as coisas do mundo para poder opinar sobre elas. Pois quando o fazemos, corremos um grande risco de entrar em um processo de amizade com o mundo. Principalmente porque sabemos que amizade com o mundo, para Deus, é sinônimo de inimizade com ele. “Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus”, afirma Tiago. Além do mais, essa amizade se torna inimizade para com Deus por que o inimigo de Deus é o Diabo. E sendo ele o deus deste mundo {aiori), como já vimos, se comportar com as atitudes e ambições do Diabo quer dizer ser inimigo de Deus também. Jesus dialogou com os judeus: “Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado” (Jo 8.34).
“Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. [...] Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). “Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes?” Essa maneira de entender esse texto no original pressupõe que o Espírito seja o Espírito Santo. Ele certamente não fomenta inveja nos indivíduos no quais ele habita. Buscar a amizade do mundo é o mesmo que viver debaixo da sua influência, dependência e segurança como se isso fosse o mais importante de tudo. Esse tipo de namoro com o mundo, esse andar de mãos dadas, não é apenas perigoso, mas é fatal, pois a infidelidade leva à apostasia. Nenhum marido ou esposa se contentaria com menos do que exclusividade total em seu relacionamento conjugal. Assim, Deus jamais tolerará qualquer tipo de divisão entre ele e o mundo. Pois Deus é “ciumento” quando se trata de sua “esposa” ou “noiva”, a igreja.
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De Deus. Editora Shedd Publicações.
3. O Espírito tem “ciúmes” (Tg 4.5).
Sim, Deus tem ciúmes dos seus filhos!
Parece estranha a ideia de que Deus tem ciúmes, mas é exatamente disso que Tiago está falando no versículo 5. E a expressão “...diz a Escritura...” não quer dizer que as palavras que vêm a seguir — “O Espírito que em nós habita tem ciúmes” — se trata de uma citação fiel, ao pé da letra, de algum texto do Antigo Testamento. O que Tiago diz é que essa é uma das mensagens das Sagradas Escrituras no Antigo Testamento: o Espírito do Senhor tem ciúmes de seus filhos.
Há inúmeras passagens do Antigo Testamento que revelam isso, especialmente aquelas que dizem respeito ao relacionamento entre Deus e o povo de Israel. Em seu clássico O Conhecimento de Deus, o teólogo britânico James I. Packer dedica um capítulo inteiro para relembrar algumas dessas fortes passagens do texto sagrado com o objetivo de refletir sobre esse aspecto divino pouco abordado hoje em dia — o ciúme de Deus. Escreve Packer:
“Quando Deus tirou Israel do Egito, levando o povo para o Sinai e dando-lhes sua lei e aliança, seu ciúme foi um dos primeiros fatos a respeito de Si mesmo que lhes ensinou. A sanção do segundo mandamento, pronunciado em voz audível para Moisés nas ‘tábuas de pedra escritas pelo dedo de Deus’ (Ex 31.18) era este: ‘Porque Eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso” (Ex 20.5). Mais tarde, Deus falou a Moisés de modo mais direto: ‘O nome do Senhor é Zeloso; sim, Deus zeloso é Ele’ (Ex 34.14). [...] De fato, a Bíblia fala bastante sobre o ciúme de Deus. Há diversas referências no Pentateuco (Nm 25.11; Dt 4.24; 6.15; 29.20; 32.16,21), nos livros históricos (Js 24.19; 1 Rs 14.22), nos Profetas (Ez 8.3-5,16; 38 e 42; 23.25; 36.5; 38.19; 39.25; J1 2.18; Na 1.2; Sf 1.18; 3.8; Zc 1.14; 8.2) e nos Salmos (78.58; 79.5). Ele [seu zelo] é constantemente apresentado como um motivo para [Deus] agir, seja em ira ou misericórdia: ‘Terei zelo pelo meu santo nome’ (Ez 39.25); ‘Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e Sião’ (Zc 1.14); ‘O Senhor é um Deus zeloso e vingador’ (Na 1.2)”.
O apóstolo Paulo também fala sobre o ciúme de Deus, ao lançar sobre os orgulhosos cristãos de Corinto a seguinte pergunta: “Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que Ele?” (1 Co 10.22). Nessa passagem, Paulo está afirmando aos crentes coríntios que havia uma impossibilidade moral de se beber “o cálice do Senhor” e beber “o cálice dos demônios” (1 Co 10.21).
Como ressalta Donald Metz, “o cálice dos demônios representava o apogeu dos banquetes dos pagãos nos quais eram feitas três saudações em honra aos deuses.
Um crente não podia tomar parte em tal rito pagão sem ofender a sua consciência. Qualquer tentativa de ter comunhão com Deus e, ao mesmo tempo, de participar deliberadamente de práticas idólatras provocará a irritação do Senhor (1 Co 10.22; Dt 32.21)”.
Lembrando ainda que, nessa mesma Epístola, alguns capítulos antes, Paulo já falara do ciúme divino aos crentes em Corinto, evocando justamente o fato de que, desde o dia em que aceitaram Cristo como Senhor e Salvador, o Espírito Santo passou a habitá-los (1 Co 6.19,20), mesmo fato frisado por Tiago (Tg 4.5). E o apóstolo aos gentios ainda revisitaria esse assunto na sua Segunda Epístola aos Coríntios (2 Co 6.14-18).
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 120-121.
Tg 4.5 O texto em Tiago 4.6 (o próximo versículo) é uma citação do Antigo Testamento — especificamente. Provérbios 3.34. No entanto, esta expressão não é uma citação direta de nenhum versículo do Antigo Testamento. Tiago está adotando uma abordagem usada em outras passagens do Novo Testamento, que consiste em resumir ensinamentos do Antigo Testamento em vez de citá-los diretamente. O texto grego da frase “o Espírito que em nós habita tem ciúmes” oferece diversas traduções alternativas, de modo que o contexto deve nos ajudar a determinar o que o autor quis dizer. Tiago estava dizendo que Deus, que fazia com que o seu Espírito residisse nos crentes, tem ciúme do seu relacionamento, ou estava dizendo que o espírito que Deus pôs no homem é inclinado aos ciúmes - e por essa razão deve ser mantido em observação. O objetivo desta declaração é confirmar a comunhão do crente com Deus, e a sua posição contrária ao mundo.(esatudalicao.blogspot.com)
fonte  www.mauricioberwaldoficialblogspot.com

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