sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A origem dos conflitos e discórdias (3)




O Deus que tem ciúmes (4.5,6)
A interpretação do versículo 5 sempre trouxe dificuldades. A tradução da KJV está gramaticalmente correta, mas não é a única possibilidade. A maioria das traduções modernas e comentários concordam que o verbo habita (katokisen) é a palavra usada no Novo Testamento para indicar a presença do Espírito de Deus. Eles, portanto, dão ao versículo uma interpretação inteiramente diferente, tal como: “Ele anela de modo ciumento pelo espírito que fez habitar em nós” (RSV). Se essa interpretação está correta, fica claro que Tiago terminou a sua purificação da conduta má e começa o seu apelo ao arrependimento. Quando fomentamos a amizade com o mundo, podemos nos desviar e deixar Deus fora da nossa vida. Mas isso não ocorre facilmente. Deus é um Deus zeloso, que não tolera rivais. Quando nos convertemos, Ele nos deu um novo espírito. Deus se enternece por essa nova vida na alma. Ele procura de todas as formas nos analisar quando começamos a nos descuidar. Ele quer que essa vida cresça, porque deseja que sejamos totalmente seus.
Não há nenhuma passagem específica no Antigo Testamento que corresponda à última parte do versículo 5. As palavras diz a Escritura, que Tiago cita, não são uma citação, “mas um resumo dos ensinamentos do Antigo Testamento: Deus quer a pessoa inteira, nossa lealdade completa” (Berk., nota de rodapé).
Deus fica condoído com a nossa simpatia dividida e nossa amizade com o mundo que resulta disso. Ele deseja que a plenitude do seu Espírito controle a nossa vida; Ele nos convida a chegarmos a Ele e nos submetermos ao seu ministério. Deus dá essa ajuda especial àqueles que humildemente a aceitam. Para provar seu ponto, Tiago cita Provérbios 3.34 exatamente como ocorre na Septuaginta (cf. 1 Pe 5.5).
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 183.
Tg 4:5 Além de condená-los por seu comportamento. Tiago acrescenta uma advertência: ou pensais que em vão diz a Escritura que... Aquela gente tem lido o Antigo Testamento, e só a supressão voluntária de sua mensagem pode justificar suas ações.
As escrituras em questão provavelmente são uma obra apócrifa; a primeira tradução alternativa de ECA com certeza é a forma correta: o Espírito que ele fez habitar em nós tem intenso ciúme. Deus é como um marido ciumento (Êxodo 20:5; 34:14; Deuteronômio 4:24) que não vai tolerar adultério de sua “noiva”. O alvo do ciúme de Deus é o Espírito que ele soprou no seu povo (Gênesis 6:17; 7: 15; Salmos 104:29-30; Ezequiel 37), a quem chamou para que o adorasse e a ele obedecesse. Quando, entretanto, seu povo corrompe seu espírito para servir ao mundo, o ciúme de Deus se inflama. Ai da pessoa que ignora a ameaça divina, como se as Escrituras fossem apenas papel e tinta!
Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. pag. 132.
III - A BUSCA DA AUTORREALIZAÇÃO (Tg 4.6-10)
1. Humilhando-se perante Deus (Tg 4.6,7).
Submetendo-se a Deus
Nos versículos 6 a 10, o apóstolo Tiago exorta seus leitores a fugirem das paixões pecaminosas se submetendo a Deus. Ele começa nos lembrando que o Espírito de Deus, que em nós habita e tem zelo santo por nós, nos admoesta para que obtenhamos “maior graça” (v.6). Para isso, basta que, seguindo sua admoestação, sujeitemo-nos a Deus, isto é à sua vontade, que é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2).
Assevera Tiago que os orgulhosos, os soberbos, os egoístas, são resistidos por Deus, que “dá graça”, isto é, a “maior graça”, apenas aos humildes (Tg 4.6b). Na sequência, Tiago relaciona o sujeitar-se a Deus com o resistir ao Diabo (v.7), o que significa que o Diabo procura de todas as formas atrapalhar para que não nos sujeitemos à vontade de Deus. Porém, se resistirmos às suas sugestões, afirma o apóstolo, ele fugirá de nós. Ou seja, a melhor forma de mantermos o Diabo afastado de nós é nos sujeitarmos à vontade de Deus.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 122.
Tg 4.6 Nós precisaremos confiar no poder de Deus para resistir a tais desejos malignos. Este poder está disponível. Citando Provérbios 3.34, Tiago oferece esperança àqueles que desejam a comunhão com Deus. Deus resiste aos soberbos porque o orgulho nos torna egocêntricos e nos leva a concluir que nós merecemos tudo o que podemos ver, tocar, ou imaginar. Ele cria apetites avarentos que superam em muito aquilo de que necessitamos.
O orgulho pode sutilmente fazer com que não mais vejamos os nossos pecados ou a nossa necessidade de perdão. Mas a humildade abre o caminho para que a graça de Deus flua em nossa vida; assim. Deus dá graça aos humildes. A humildade não é uma fraqueza; ao contrário, é a única maneira pela qual os crentes conseguem coragem para enfrentar todas as suas tentações e provações com o poder de Deus. À medida que Deus nos dá mais graça, percebemos que as atrações sedutoras deste mundo são apenas substitutos baratos daquilo que Deus tem para oferecer. A escolha é nossa — podemos nos humilhar e receber a graça de Deus, ou podemos continuar com o nosso orgulho e auto-suficiência e sentir a sua ira. Como é que nós, tão propensos ao orgulho no mesmo momento em que pensamos que podemos estar nos aproximando da humildade, podemos descobrir a verdadeira humildade? Como podemos nos tornar o tipo de pessoas humildes que encontram a graça abundante que Deus promete? Tendo revelado a nossa necessidade, Tiago agora aponta o caminho claramente.
Tg 4.7 Nós nos sujeitamos a Deus reconhecendo tanto a sua amizade quanto a sua autoridade. A nossa relação com Deus não é de iguais, mas de servos confiantes. Embora Ele não esteja definindo especificamente a palavra, Tiago está descrevendo a vida de fé. A verdadeira fé responde a Deus ativamente, e não passivamente. Embora Deus inicie e facilite tudo o que ocorre entre Ele e nós, o nosso envolvimento nunca está completamente excluído. A humidade pessoal diante de Deus é parte da fé viva. Satanás sabe que, enquanto ele puder estimular o orgulho humano, poderá retardar o plano de Deus, mesmo que seja apenas temporariamente. Mas, por mais que Satanás seja poderoso, o seu único poder sobre os crentes está nas suas fortes tentações. Nós podemos resistir ao diabo, e eie fiigirá de nós. Por outro lado, uma falta de resistência praticamente garantirá a perseguição contínua de Satanás (veja também Ef 6.10-18 e lPe 5.6-9).
Uma vez que identificamos o diabo como o nosso inimigo, nós precisaremos compreender quem ele é e como ele opera, para que possamos efetivamente resistir a ele. O objetivo principal do diabo é separar o homem de Deus. Destinado à destruição, ele quer tomar a maior parte possível da criação. Entre as razões pelas quais nós precisamos tão desesperadamente da graça de Deus, está o fato de que nós travamos um combate mortal com um inimigo superior. Precisamos da ajuda de Deus para resistir às artimanhas separatistas de Satanás e nos aproximar de Deus.
Os mandamentos apresentados a seguir, e na verdade em todo o restante desta carta, são comentários sobre as suas declarações acima. Tanto a humildade diante de Deus quanto a resistência ao diabo sâo necessárias.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 683-684.
Tiago fala do diabo (4.6,7). O pecado predileto do diabo é a vaidade, o orgulho. Ele tenta as pessoas nessa área (4.6,7). Ele tentou Eva e tenta os novos crentes (iTm 3.6). Deus quer que dependamos dEle enquanto o diabo quer que dependamos de nós. O diabo gosta de encher a nossa bola. O grande problema da igreja hoje é que temos muitas celebridades e poucos servos. Há tanta vaidade humana que não sobra espaço para a glória de Deus.
Como podemos vencer esses três inimigos? Tiago nos informa que Deus está incansavelmente do nosso lado (4.6). Ele sempre nos dá graça suficiente para vencer. Mas a graça de Deus não nos isenta de responsabilidade. Nos versículos 7-10 há vários mandamentos para obedecer. A graça não nos isenta da obediência. Quanto mais graça, mais obediência.
Tiago menciona quatro atitudes, segundo Warren Wiersbe, que podem nos dar vitória; submissão a Deus, resistência ao diabo, comunhão com Deus e humildade diante de Deus.
Em primeiro lugar, devemos nos submeter a Deus (4.7).
Essa palavra é um termo militar que significa fique no seu próprio posto, ponha-se no seu lugar. Quando um soldado quer se colocar no lugar do general ele tem grandes problemas. Renda-se incondicionalmente. Ponha todas as áreas da sua vida sob a autoridade de Deus. Por isso um crente rebelde não pode viver consigo nem com os outros. Davi pecou contra Deus, adulterando, mentindo, matando Urias e escondendo o seu pecado. Mas quando ele se humilhou, se submeteu e confessou, encontrou paz novamente com Deus.
Em segundo lugar, devem os resistir ao diabo (4.7). O diabo não é para ser temido, mas resistido. Somente quem se submete a Deus pode resistir ao diabo. A Bíblia nos ensina a não dar lugar ao diabo (Ef 4.27).
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 88-89.
Tg 4.6 d.3) Mas na maior gravidade desse zelo de Deus também se evidencia todo o ardor de seu amor, de seu amor puro, misericordioso, e que está em busca de nós: “Contudo, ele concede tanto maior graça” (v. 6).
e) Que cabe, pois, fazer.
Tg 4.7 e.1) “Deus resiste aos soberbos, mas aos humildes concede graça.” Sujeitai-vos, portanto, a Deus.”
Tiago está citando uma palavra do AT (Pv 3.34; cf. 1Pe 5.5) a fim de mostrar o que desagrada e agrada a Deus e o que, consequentemente, cabe a nós fazer. – “Deus resiste aos soberbos”, aos “que se exaltam”, à vaidade impaciente que não quer esperar por Deus e pela sua hora, mas extrapola dos “trilhos que seu desígnio de amor estabeleceu” (J. A. Rothe). Tenta se virar sozinho e buscar outras ajudas e alianças que prometem levar mais rapidamente ao atendimento (cf. “a meretriz” em Ap 17.3; 18.7). Esse espírito vem da mesma fonte como o espírito do mundo hostil a Deus, autocrático e arbitrário (cf. o anticristo em Ap 13.5): trata-se da contaminação do espírito incomensuravelmente orgulhoso, do inimigo. – “Mas aos humildes concede graça”: por duas razões é relevante essa humildade. Primeiro, ela nos torna dóceis para a vontade de Deus. Cria disposição para ocupar o espaço que ele atribui, onde e pelo tempo que ele determinar. Visto que é ao mesmo tempo alegre na confiança e na esperança. “Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos” (Ap 13.10; 14.12). Em segundo lugar – Deus praticamente visa nos encontrar no lugar em que estamos: embaixo. Quem tenta se elevar não o encontra. Jesus, por meio do qual Deus nos procurou, foi “humilde de coração” (Mt 11.29). Deixou-se deitar na manjedoura e pregar à cruz. “Para baixo leva o caminho de Cristo.”
e.2) “Sujeitai-vos, portanto, a Deus”. Com essas palavras Tiago chega à conclusão final decorrente de suas declarações anteriores: parem de tentar afirmar-se a si mesmos! Capitulem perante Deus! Abram mão do “empreendimento próprio”! Desistam dos planos pessoais! Retornem a seu Senhor! Permitam que o amor dele volte a conquistar seu coração! Entreguem sua vida nas mãos dele! Deixem-se usar para a sua obra, como e onde ele quiser! Esse é o lugar dos filhos de Deus, da noiva de Cristo. Deixem-se colocar novamente ali, e façam-no todos os dias! No último trecho da jornada da igreja de Jesus será decisivo perseverar nessa atitude.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
2. Convertendo a soberba em humildade (Tg 4.8,9)
O apóstolo explica em detalhes como se dá essa submissão a Deus, no que ela consiste.
Em primeiro lugar, diz ele que é preciso se aproximar de Deus, isto é, buscá-lo sinceramente: “Chegai-vos a Deus” (v.8a). A consequência disso é que Deus se chegará a nós (v. 8b) — ou seja, teremos comunhão com Ele e seremos abençoados pela sua presença em nossas vidas. “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jr 29.13).
Em segundo lugar, é preciso se arrepender dos pecados e mudar de atitude: “Limpai as mãos, pecadores” (v.8c). Ter as mãos limpas fala de chegar-se a Deus com a consciência limpa devido ao arrependimento sincero. Paulo fala de levantar as mãos em oração diante do Senhor “sem ira nem contenda” (1 Tm 2.8), purificado.
Em terceiro lugar, é preciso dar fim ao “duplo ânimo” (v.8d), isto é, ao hesitar entre Deus e o mundo, ao coxear entre a vontade de Deus e as paixões pecaminosas.
Em quarto lugar, “purificai o coração” (v.8e), que significa aqui ter um coração sincero, sem falsidade, sem maldade. Só os puros de coração verão a Deus (Mt 5.8), isto é, só os sinceros de coração poderão ter um relacionamento real com Deus.
Ao final, Tiago reforça a necessidade de arrependimento sincero, de quebrantamento verdadeiro perante Deus: “Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza” (v.9).
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 122-123.
Tg 4.8 A idéia de humildade diante de Deus agora inclui o benefício adicional da resposta imediata de Deus. Nós podemos nos chegar a Deus e Ele se chegará a nós. A instrução de limpar as máos significa purificar os nossos atos e modificar o nosso comportamento exterior. A maneira como nós vivemos é importante para Deus. A medida que nos aproximamos de Deus, nós nos tornamos conscientes de hábitos e atos na nossa vida que não agradam a Ele. Limpar as mãos dá a idéia de remover estas coisas da maneira como vivemos. Precisamos nos afastar dos pecados que Deus nos mostra.(estudalicao.blogspot.com).
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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