quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O falso testemunho (2)





2. No Antigo Testamento.

a. Yahweh é chamado, antes de todos, de Juiz dos homens. «Não Fará justiça o Juiz de toda a terra?» (Gên. 18:25). Deus julga os indivíduos e as nações com base em sua justiça absoluta (Gên. 3:14 ss; 6:3 ss; 11:5 ss; 15:14; 16:5; 20:3; 31:53).
b. O chefe patriarcal de uma casa, na antiguidade, era o juiz de seus familiares e de seu clã (Gên. 21, 22 e 27).
c. Moisés era o único juiz da nação de Israel, depois que esta saiu da servidão, no Egito; mas Jetro, seu sogro, encorajou-o a distribuir tal responsabilidade escolhendo juízes secundários. Disso resultou a primeira instituição dos juízes. Ver Êxo. 18:13-17; Deu. 1:9-18.
d. Na codificação que se seguiu, conforme se vê no livro de Deuteronômio, houve a nomeação de juízes e oficiais, de tal modo que cada cidade contasse com o seu próprio juiz (Deu. 16:18 ss). Se o caso assim o exigisse, os sacerdotes podiam ser convocados para atuar como juízes (Deu. 17:8-13).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 636.
Êxo 22.8 Levado perante Deus. Tal como antes o sentido da frase deve ser "levado ao santuário”. O homem deve jurar solenemente em nome de Deus (ver v.11), declarando sua inocência. Esta espécie de decisão judicial precisava ser aprovada pelo queixoso (como num julgamento em que o réu tem de passar por uma prova quase impossível). Se o réu tiver jurado falsamente, a maldição que ele invocou cairá sobre ele mesmo e assim será suficientemente punido. Talvez nisso esteja a explicação da frase “ a quem Deus condena” (v.9). O homem que sofre os efeitos da maldição fica exposto como culpado pelo próprio Deus, e deve pagar em dobro ao queixoso.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 166.
II. O PROCESSO
1. RESPONDER EM JUÍZO.
O verbo "dizer" em "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êx 20.16; Dt 5.20) no Antigo Testamento hebraico é ‘ãnãh, "responder, testemunhar, falar", usado também em um processo jurídico, tanto nos tribunais humanos (Dt 19.16) como no tribunal divino (Is 3.9; 59.12; Jr 14.7). O termo hebraico ‘êd shãqer, "falso testemunho, falsa acusação", reaparece na literatura sapiencial (S127.12; Pv 6.19; 14.5; 19.5,9; 25.18). A palavra ‘êd, "declaração, testemunho", indica "alguém com conhecimento de primeira mão acerca de um acontecimento ou que pode testemunhar com base num relato que ouviu" (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 1083). Tal pessoa está obrigada a testemunhar (Lv 5.1). E sheqer, "mentira, falsidade, engano", diz respeito a qualquer atividade falsa, tudo aquilo que não se baseia em fatos ou realidades. Aqui é a testemunha na qual não se pode confiar.
Entretanto, no texto paralelo em Deuteronômio, sheqer é substituído pelo substantivo hebraico shãw‘, que significa "fraude, engano, inutilidade, inútil, imprestável, falsidade, desonestidade, futilidade, vacuidade" (Dt 5.20). É o mesmo termo empregado no terceiro mandamento para "vão" em "Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão" (Êx 20.7; Dt 5.11). Na verdade, há uma relação entre estes dois mandamentos, como exploramos no Capítulo 4. Muitos expositores do Antigo Testamento não consideram isso uma diferença, mas uma forma de ampliar o sentido do mandamento, podendo aplicar-se tanto no campo jurídico como nos vários aspectos da vida diária. Sheqer é um termo específico, e shãw ‘ é genérico. As versões antigas não apresentam também essa diferença. A LXX emprega pseudoma seitareis, "falso testemunho", nas duas versões do Decálogo. Isso acontece ainda em outras versões antigas como a Vulgata Latina, que traduz essas palavras por falsum testimonium, além do Pentateuco Samaritano e o Targum de Ônquelos.
É no nono mandamento em que o termo "próximo" aparece pela primeira vez no texto hebraico do Decálogo como berèã ‘chã, "contra teu próximo". A palavra rêa‘, "amigo, companheiro, outra pessoa", é usada para designar "vizinho, parceiro". O amigo pode ser íntimo ou ocasional. O termo ocorre mais três vezes no décimo mandamento: "... a casa do teu próximo; ... a mulher do teu próximo,... nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17; Dt 5.21) e faz parte do vocabulário jurídico (Êx 21.14, 35; 22.7- 10; Dt 15.2; 19.4, 5). É a mesma palavra de "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19.18) citada pelo Senhor Jesus (Mt 19.19). A LXX traduz pela palavra grega plêsíon, "perto, próximo" ou "perto de, próximo de", que no Novo Testamento grego aparece como preposição na passagem da mulher samaritana, quando o texto diz que Sicar era perto da herdade que Jacó tinha dado a José (Jo 4.5). Como advérbio substantivado, ocorre 12 vezes em relação aos mandamentos do Decálogo (Mt 5.43; 19.19; 22.39; Mc 12.31, 33; Lc 10.27,29,36; Rm 13.9, 10; G1 5.14; Tg 2.8).
A expressão "teu próximo" era conhecida por qualquer judeu familiarizado com as Escrituras no período do ministério terreno do Senhor Jesus, mas parece que havia incerteza quanto a seu exato significado: "E quem é o meu próximo?"(Lc 10.29), perguntou um doutor da lei a Jesus. O contexto dos evangelhos deixa claro que os judeus daquela época consideravam como seus "próximos" apenas os amigos da mesma etnia, tribo e classe com quem matinha uma relação mútua de afinidade e intimidade. Mas não é esse o pensamento do Antigo Testamento, que inclui também os estrangeiros além dos israelitas (Êx 3.22; Lv 19.34). O segundo e grande mandamento, "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", é a palavra final sobre o assunto. O próximo é qualquer pessoa, independentemente de sua etnia, status, confissão religiosa ou convicção política e filosófica.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 123-125.
Parece que o objetivo central deste mandamento é a proteção ao sistema judicial. Os tribunais seriam inúteis se os homens chegassem ali para mentir. Se tiver de ser feita uma acusação contra outra pessoa, e se 0 acusado tiver de defender-se, a verdade terá de ser dita por ambas as parles, sob pena da justiça naufragar. Mas esse mandamento também se aplica a questões individuais. A sociedade em geral perturba-se quando as pessoas saem a espalhar mentiras e calúnias sobre seus semelhantes. O trecho de Êxo. 23.1 condena 0 falso testemunho em nível pessoal. Ver Deu. 19.16-20 que requeria juízo apropriado contra falsas testemunhas que perturbavam o sistema judíciai. A linguagem e os fatos devem concordar entre si. Ver Deu. 13.14; 17.4; 22.20; Jer. 9,5; Sal. 9.5; 15.2; Pro. 12.19; 14.25; 22.21. A verdade precisa ser dita como tempero do amor (Efé. 4.15). Algumas vezes, as meias verdades prejudicam mais do que as mentiras francas. O amor, porém, guarda-nos tanto da mentira aberta quanto das meias verdades.
A mentira artística vem sendo aprovada desde os tempos mais antigos, conforme muitos eruditos supõem. Ver o caso de Labão (Gên. 29.21-27), e o caso um tanto anterior de Jacó (Gên. 27.6-36). Por outro lado, a luz que brilhou por meio de Moisés por certo condenava qualquer tipo de mentira ou abuso de linguagem.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393.
Êxo 20.16. Não' dirás falso testemunho. Já que numa sociedade simples, vivendo no deserto, quase todos os crimes envolviam penas capitais, “ falso testemunho” bem sucedido seria equivalente a assassinato. Para evitar tal problema, a testemunha deveria ser também o executor (Dt 17:7), de modo a incorrer na culpa do sangue se estivesse mentindo. O falso testemunho assume grandes proporções no Velho Testamento (1 Rs 21:10, por exemplo), como em qualquer sociedade em que a extrema pobreza exponha o homem à tentação do suborno. Não há dúvida de que o mandamento poderia ser generalizado para incluir a proibição de intrigas e mexericos (Lv 19:16), especialmente de mexerico falso e maldoso que prejudicasse o próximo.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 154-155.
O nono mandamento diz respeito ao nosso próprio bom nome, e ao do nosso próximo: “Não dirás falso testemunho”, v. 16. Isto proíbe: 1. Falar falsamente sobre qualquer assunto, com mentiras, com equívocos intencionais, e de qualquer maneira planejada para enganar o nosso próximo. 2. Falar injustamente contra o nosso próximo, para o prejuízo da sua reputação. E (o que envolve a culpa de ambos): 3. Dar falsos testemunhos contra ele, acusando-o de coisas de que ele não tem conhecimento, seja judicialmente, sob juramento (com o que são infringidos o terceiro e o sexto mandamento, além deste). Ou extrajudicialmente, em conversação comum, caluniando, difamando, inventando estórias, piorando o que é feito erroneamente e tornando-o pior do que já é, e de alguma maneira empenhando-se em aumentar a sua própria reputação sobre a ruína da do seu próximo.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 296.
2. FALSO TESTEMUNHO.
O nono mandamento não se restringe apenas ao aspecto jurídico, ao perjúrio num tribunal civil ou criminal, mas se aplica também à vida diária, como o boato e o mexerico (Êx 23.1; Lv 19.16). Estes envolvem a mentira e trazem implicações profundas na vida humana. Deus condena tais práticas, e o ensino bíblico sobre o assunto começa em Moisés e se estende até o Novo Testamento.
"Não admitirás falso rumor e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa" (Êx 23.1). A TB traz "Não levantarás um boato falso"; a ARA e NTLH empregam "notícias falsas". A expressão hebraica para "falso rumor" aqui é shêma ’ shãw ‘. O termo shêma ’, "informação, notícia, fama, boato", é um substantivo derivado do verbo Vtpüi (shãma ‘), "ouvir, escutar, prestar atenção, obedecer". Essa informação, notícia ou fama pode ser boa ou ruim e diz respeito ao que se ouve dizer (1 Rs 10.1), diferentemente de um conhecimento pessoal, de uma experiência direta: "Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos" (Jó 42.5). E o termo shãwque significa "fraude, engano, inutilidade, inútil, imprestável, falsidade, desonestidade, futilidade, vacuidade", aparece no terceiro mandamento (Êx 20.7; Dt 5.11) e no nono mandamento na versão de Deuteronômio (Dt 5.20). O falso boato é a propagação de uma notícia infundada, não oficial e de fonte desconhecida. O contexto mostra que divulgar informação enganosa é associação com o ímpio para se tornar falsa testemunha: "E não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa" (Êx 23.1b). Mesmo as coisas triviais do dia a dia podem terminar na justiça, pois elas destroem a reputação de qualquer pessoa.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 128-129.
Como o mandamento anterior, este ressalta que as relações humanas devem ser baseadas na honestidade e verdade. Aqui, Deus pede honestidade com respeito à reputação de nosso próximo. o falso testemunho (20:16) não se restringe ao contexto de um tribunal, mas ocorre sempre que difamamos ou mentimos sobre alguém. Esse tipo de discurso é moralmente errado, pois abala a integridade do mentiroso e a reputação do indivíduo que é alvo da mentira. As palavras mentirosas têm conseqüências sérias; além de destruir relacionamentos e perspectivas de carreira, podem até resultar em prisão e suicídio. Mais adiante, Deus expande esse mandamento: “Não espalharás notícias falsas, nem darás mão ao ímpio [...] nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito” (23:1-2). Devemos nos lembrar de que testemunhas falsas foram usadas até no julgamento injusto de nosso Senhor (Mt 26:59-62; Jo 19:12).
Tokunboh Adeyemo. COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO. Editora Mundo Cristão. pag. 114.
Embora negativo na forma, pode o nono mandamento apresentar um conteúdo positivo, levando-nos a não falsear a verdade em todas as afirmações (13.14; 17.4-6) e a sermos justos nos nossos juízos (17.8-13; 19.15-21). Cf. Mt 18.16. Na esteira do Mestre, deve todo o Cristão dar testemunho da verdade (Jo 18.37). E como será isto possível, senão dando testemunho daquele que é a própria Verdade?
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Deuterionômio. pag. 31.
3. O PRÓXIMO.
"Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não te porás contra o sangue do teu próximo. Eu sou o SENHOR" (Lv 19.16). A proibição consiste em dois preceitos paralelos que expressam a mesma ideia. O termo hebraico usado aqui como "mexeriqueiro" é rãkTl, "caluniador, difamador", e aparece apenas seis vezes no Antigo Testamento, indicando alguém que calunia e revela segredos (Pv 11.13; 20.19; Jr 6.28; 9.4 [3]; Ez 22.9). Com exceção de Ezequiel, em todas elas o substantivo vem acompanhado do verbo hãlach, "andar, caminhar"; isso indica tratar-se de uma expressão idiomática para o ato de caluniar. Os léxicos geralmente informam que rãkil é um termo obscuro. A Septuaginta revela nele nuances que indicam desonestidade, decepção, duplicidade e falsidade. Assim, o mexeriqueiro aqui é muito mais que a simples fofoca ou fuxico. Isso se confirma na segunda cláusula: "Não te porás contra o sangue do teu próximo. O "sangue" diz respeito à vida: "Não atentarás contra a vida do teu próximo" (ARA). A proibição nessa segunda parte significa a responsabilidade pessoal de não colocar em perigo a vida do próximo com o falso testemunho a fim de declarar o inocente como culpado.
O mexerico corriqueiro é também condenado pela Palavra de Deus (2 Co 12.20). O cristão nunca deve falar mal de um irmão na igreja (Tg 4.11). o nono mandamento proíbe toda forma de mentira, tanto aquela que se diz deliberadamente na vida diária como também sob juramento num tribunal. Tudo aquilo que se fala com o propósito de prejudicar o bom nome de alguém é pecado e violação desse mandamento. O Senhor Jesus Cristo citou este mandamento para o moço rico, juntamente com outros do Decálogo (Mt 19.18; Mc 10.19; Lc 18.20). Da mesma maneira, fez o apóstolo Paulo (Rm 13.9). Mas na graça este mandamento aparece na esfera espiritual e não jurídica (Ef 4.25; Cl 3.9).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 129-130.
PRÓXIMO
1. Palavras Envolvidas
Precisamos considerar quatro palavras hebraicas e uma grega:
a. Rea, «associado», «companheiro». Mas tem uma larga aplicação, incluindo até mesmo objetos inanimados (ver Gên. 15:10). Pode estar em foco um amigo íntimo (Pro. 26:10), ou um amante (Can. 5:16), ou o marido de uma mulher (Jer. 3:20). Essa palavra hebraica, pois, destaca como próximo uma pessoa que é íntima de quem fala, em um relacionamento onde imperam laços de amizade (ver £xo. 20:16, 17; Deu. 5:20). Essa palavra hebraica ocorre por cento e oitenta e nove vezes.
b. Shaken, «concidadão», «vizinho». Está em foco alguém que mora próximo, e de quem se pode pedir algo emprestado (ver Êxo. 3:22; 12:4; Pro. 27:10). Tal vocábulo também era usado para indicar cidades próximas (ver Jer. 49:18). O termo é utilizado por vinte vezes, como um substantivo, pois também era um verbo, com o sentido de «residir», etc.
c. Qarob, «próximo», referindo-se a alguém ou a algum lugar; no caso de pessoas, significava «parente». Ocorre por setenta e cinco vezes nas páginas do Antigo Testamento. Alguns exemplos: Exo. 32:27; Jos. 9:16; Sal. 15:3; Eze. 23:5,12; Gên. 19:20; Isa. 13:13; Joel 3:14; Sof. 1:14. Essas duas últimas referências mostram que a palavra também significava «perto» temporalmente.
d. Amith, «colega», «igual», «próximo». Essa palavra hebraica aparece por doze vezes no Antigo Testamento: Zac. 13:7; Lev. 6:2; 18:20; 19:11,15, 17; 25:14,15,17. Essas duas últimas referências mostram que ela pode ser traduzida em português como «outro», embora dando a entender outro ser humano, o próximo.
e. Plesíon, «próximo», «vizinho», «concidadão». Essa palavra grega aparece por dezessete vezes no Novo Testamento: Mat. 5:43 (citando Lev. 19:18); 19:19; 22:39; Mar. 12:31,33; Luc. 10:27,29,36; João 4:5; Atos 7:26; Rom. 13:9,10; 15:2; Gál. 5:14; Efé. 4:25; Tia. 2:8 e 4:12.
2. Ensinamentos Bíblicos Acerca do Próximo
Para um israelita, um outro israelita era o próximo, porquanto era um irmão, participante, com ele, do mesmo pacto com Abraão (ver Gen. 12:1-3). Dentro desse contexto foi dado o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo (ver Lev. 19:18). Esse mandamento foi universalizado no Novo Testamento; ao passo que no Antigo Testamento era restringido aos participantes do pacto abraâmico. Assim, a interpretação rabínica dizia que aos israelitas foi ordenado que amassem ao próximo, e que isso subentendia que eles deveriam odiar ao não-próximo, ou ao estrangeiro, ou ao inimigo. Jesus referiu-se a essa interpretação equivocada em Mat. 5:43 ss. E o Senhor reverteu essa ideia rabínica tão radicalmente que chegou a ordenar que amássemos aos nossos próprios inimigos, determinando que orássemos em favor daqueles que nos perseguem (ver Mat. 5:44). É desse modo que um crente chega a tornar-se um «perfeito» filho do Pai celeste (vss. 45,46] dotado de uma elevada natureza moral e espiritual. Diz Mat. 5:48: «Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste». Naturalmente, essa atitude para com o próximo faz parte da manifestação geral da lei do amor. A prática da lei do amor é prova da regeneração e da espiritualidade do indivíduo, segundo aprendemos em I João 4:7 ss.
O Antigo Testamento, de fato, emprega em sentido mais amplo o termo «próximo», conforme se vê em Êxo. 3:22; 11:2 e Eze. 16:26. Também poderíamos pensar no livro do profeta Jonas, que é o «João 3:16» do Antigo Testamento. Entretanto, essa visão mais espiritual .não conseguiu capturar a imaginação da corrente principal do judaísmo, que cada vez mais foi-se tornando uma fé exclusivista.
A mais significativa passagem neotestamentária sobre a definição de quem é o nosso «próximo», e o que isso deveria significar para nós, acha-se na parábola do Bom Samaritano, em Luc. 10:29-37.
O próximo é sempre alguma pessoa em necessidade, ao qual devemos socorrer, sem importar se essa pessoa vive perto ou longe de nós, sem importar sua raça ou religião. Do ponto de vista da criação (posto que não do ponto de vista da regeneração), todos os homens são filhos do mesmo Deus, e todos eles são irmãos. Assim, um próximo, nesse amplo sentido, tem direito ao nosso amor. Ora, esse ensino era totalmente estranho ao judaísmo exclusivista dos dias de Jesus; mas, embora concorde com a nossa teologia cristã, raramente é observado na nossa prática. A real lei de Deus consiste em amarmos ao próximo como a nós mesmos (ver Tia. 2:8); mas quanto a isso temos pouca experiência, exceto como uma proposição teológica.
Paulo também mencionou essa lei, no contexto da natureza do amor cristão (ver Rom. 13:9,10). O amor ao próximo não o prejudica. Antes, cumpre todos os requisitos da lei, que encoraja o bem e proíbe que se faça mal ao próximo (ver Gál. 5:14, que reitera esse mandamento). Um amplo ensino espiritual haverá de ser, finalmente, anunciado entre todos os homens (ver Heb. 8:11), quando então a espiritualidade do ser humano será elevada ao ponto dele deixar de ser um guerreiro tribal, conforme hoje se vê. Ver o artigo geral sobre o Amor, e também aquele sobre o Fruto do Espírito.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 489.
Lv 19. 18. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Essa é a Regra Áurea. Cada um deve amar o próximo como a si mesmo. Esse é o segundo grande manda- mento, de acordo com a avaliação do Novo Testamento, que só perde em importância para o amor a Deus. Jesus citou este versículo e exaltou os princípios em que ele está alicerçado. Ver Mar. 12.31. A lei mosaica inteira repousa sobre esses dois princípios.
A lei do amor é a primeira lei da espiritualidade, e, de fato, a essência da espiritualidade (I Cor. 13). É fruto da regeneração (I João 4.7).
Teu próximo. De acordo com a definição rabínica, um compatriota hebreu. Mas notemos que até este capítulo inclui o estrangeiro (vss. 33 e 34). Jesus falou de modo que entendêssemos que próximo é qualquer outro ser humano (Luc.10.29 ss.).
Quando de Hillel foi solicitado, por um discípulo em potencial, que dissesse a essência da lei, estando de pé sobre somente um dos pés (em tempo breve, portanto), ele apresentou, sob forma negativa, o conceito à nossa frente: Ό que não quiseres que outros te façam, não faças a outros”. Mas Jesus apresentou uma versão positiva desse mesmo princípio, em Mat. 7.12: Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-0 vós também a eles”. Cf. Rom. 13.8-10.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 552.
Lv 19.17-18. A responsabilidade para com o próximo envolve uma atitude positiva de coração e mente. O ódio é ufna resposta emotiva que somente deve ser empregada contra o mal (Am 5:15), e nunca contra alguém que também é um membro (“irmão") da comunidade da aliança.
Quando se considera necessária a repreensão, a questão deve ser discutida abertamente com o transgressor, e não por detrás das suas costas, a fim de que a ira não levasse ao ressentimento e ao ódio, resultando, assim, no pecado. Paulo encorajou Timóteo a repreender os membros da igreja que estavam em erro, com amor e paciência (1 Tm 4:12). Tomar vingança da maneira de uma inimizade tradicional de sangue meramente perpetua uma injustiça, e às vezes a aumenta além de todas as proporções.
A vingança como tal pertence somente a Deus (Dt 32:35; Rm 12:19; Hb 10:30), que pagará no tempo certo. O curso para o cristão seguir em tais casos foi exemplificado por Jesus Cristo (1 Pe 2:23). A lei do amor para como o próximo é enunciada somente aqui e no v. 34, e, segundo parece, abrange membros da comunidade da aliança (“os filhos do teu povo”) juntamente com os forasteiros e estrangeiros que viviam entre eles. Na realidade, os termos “amar” e “próximo” parecem ter sido tão compreensivos no seu escopo naquele tempo quanto o são agora.
Esta assim-chamada “regra de ouro” foi citada por Cristo (Mt 19:19; 22:39; Mc 12:31; Lc 10:27, etc.) como ideal de comportamento altruístico na sociedade. O sentimento que subjaz este aforismo era sem igual no mundo antigo, e representa um dos preceitos morais mais destacados do Antigo Testamento.
R. K. Harrison. Leviticos. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 183-184.
III. A VERDADE
1. ANTIGO TESTAMENTO.
I. Terminologia Bíblica
No hebraico devemos considerar uma palavra e no grego, também uma, a saber:
1. Emeth, “verdade”, “constância”. Esse vocábulo hebraico ocorre por 92 vezes no Antigo Testamento. Há outras formas dessa palavra e outros vocábulos que ocorrem por algumas poucas vezes, e que também podem ser traduzidos como “verdade”.
2. Alétheia, “verdade”. Palavra grega que é usada por 110 vezes.
No Antigo Testamento, a palavra emeth e seus cognatos indicam as idéias de firmeza, estabilidade, fidelidade, alguma base fidedigna de apoio. É uma qualidade atribuída tanto a Deus quanto às criaturas. Também é atribuída não somente às mais diversas afirmações (por exemplo, Rute 3:12), mas também à conduta (ver Gên. 24:49) e às promessas (II Sam. 7:28). A verdade é associada na Bíblia à gentileza (Gên. 47:29), à justiça (Nee. 9:13 e Isa. 59:14) e à sinceridade (Jos. 24:14). Por essas razões, a Septuaginta, com freqüência, a traduz pelo termo grego pistis, “fé”, “fidelidade”, “convicção”, a fim de expressar o aspecto moral, em vez de empregar alétheia, “verdade”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 593.
Dt 32 .4 — Diferente da ineficácia dos deuses pagãos (v. 37), Deus dá a vida, a estabilidade e a felicidade ao povo (v. 15,18,30,31). A vida abundante que Ele concede é baseada em Sua obra perfeita. Como uma Rocha firme que permanece inabalável diante das águas furiosas de um mar revolto, o Senhor e Sua obra continuam sólidos perante o caos produzido pelas vidas em pecado. O Todo-poderoso é a fundação segura de toda verdade num mundo decadente. Além disso, Ele nunca deixará as mentiras corromperem a justiça (Sf 3.5). Ao contrário, como um juiz justo e reto, protegerá os oprimidos.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 335.
Dt 32 (4) Ele é um Deus de verdade, cuja palavra podemos aceitar, e nela podemos confiar, pois não pode mentir aquele que é fiel a todas as suas promessas, nem suas ameaças cairão por terra.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 662.
Dt 32.1-4. Acerca do testem unho de céus e terra, cf. Is 1.2; M q 6.1,2. As palavras do cântico lembram a chuva e o orvalho porque refrescam e renovam os ouvintes, já que aludem ao caráter de Javé. Ele é tão sólido e confiável como uma rocha.
Bruce; F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. Editora Vida. pag. 386.
2. NOVO TESTAMENTO.
Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros" (Ef 4.25). O apóstolo Paulo mostra que engendrar pensamento falso, falar mentira, propalar falsos rumores faz parte do estilo de vida do mundo pagão. Os gentios convertidos à fé cristã tinham pela frente o desafio de mudar o seu padrão de vida; precisavam agora viver como discípulos de Cristo. Verdade é aquilo que corresponde aos fatos, em contraste com qualquer coisa enganosa, a mentira (Dt 13.14; 17.4; is 43.9).
A mentira é o oposto à verdade; trata-se da prática do engano, da falsidade e da traição. No contexto bíblico, a mentira vai além da prática intelectual da desonestidade; é uma distorção do verdadeiro eu e da nossa relação com Deus e com o próximo (1 Jo 2.4; 4.20).
A proibição aqui é a divulgação não oficial e de fonte desconhecida de informação ou notícia no meio do povo de Deus. A lei que manda amar o próximo proíbe o discurso nocivo, ainda mais quando o objetivo é destruir a vida ou a reputação do outro.
A pessoa confiável e de bem guarda segredo e não divulga o que ouve para não prejudicar o próximo.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 130.
Nas páginas do Novo Testamento, alétheia retém a ênfase moral e personalista que o termo paralelo hebraico tem no Antigo Testamento, embora a noção de fidelidade, com mais freqüência, seja transmitida através da palavra grega pistis. Etimologicamente, alétheia sugere que alguma coisa tenha sido descoberta, revelada, segundo a
sua verdadeira natureza, dando a ideia daquilo que é real e genuíno, em contraposição com o que é imaginário ou espúrio, ou, então, daquilo que é veraz, em contraposição com o que é falso. Assim, lemos a respeito do “verdadeiro Deus” e da “verdadeira vinha”, tal como o Credo Niceno faia sobre “o vero Deus do vero Deus”. O adjetivo grego, aléthinos, aparece em contextos assim, ao passo que alethés é palavra empregada como um predicado (ver Mat. 22:16; João 3:33, etc.). A julgar pelo uso que esses dois adjetivos têm no Novo Testamento, não se pode averiguar qualquer diferença essencial no significado fundamental desses dois termos, Porém, as referências neotestamentárias a declarações verazes tomam evidente que o conceito de verdade cognitiva deriva-se das noções de franqueza ou caráter fidedigno (ver, por exemplo, Mar. 5:33; 12:32; João 8:44-46; Rom. 1:25 e Efé. 4:25).
O conceito cognitivo é mais explícito no Novo Testamento do que no Antigo Testamento. A verdade está ligada não somente à fidelidade e à justiça, mas também ao conhecimento e à revelação. Isso se deve, pelo menos em parte, à intrusão da cultura grega com seus interesses mais acentuadamente teóricos no mundo judaico; e, também, em parte, ao idioma grego, e, portanto, seria um erro supormos que a língua grega e, portanto, o uso que o Novo Testamento faz do vocábulo aletheia, reflita um dualismo platônico, e, portanto, uma epistemologia platônica ou mesmo gnóstica. Pois, em primeiro lugar, a filosofia grega é muito variada do que isso subentende: não havia somente uma epistemologia grega. Em segundo lugar, os escritos bíblicos moldavam os significados que queriam dar a entender, mediante o seu próprio uso criterioso dos vocábulos. Sem dúvida alguma, ao escreverem para uma cultura já helenizada, com suas diferentes compreensões acerca da verdade, esses escritores conservavam em mente a ideia de verdade cognitiva. Todavia, a maneira de pensar dos escritores sagrados era mais diretamente moldada pelos conceitos veterotestamentários e acima de tudo, pela crença de que o verdadeiro Deus, o Deus alethinós, não vive oculto, mas antes, age e fala com uma franqueza totalmente digna de confiança (alethés).
II. Três Conceitos de Verdade na Bíblia
O uso que a Bíblia faz da palavra verdade, sugere três conceitos relacionados entre si, a saber: 1. a verdade moral; 2. a verdade ontológica; e 3. a verdade cognitiva. Naturalmente, os conceitos 2 e 3 dependem, logicamente, do conceito 1; e o conceito 3 depende, logicamente, dos conceitos 1 e 2. Em cada um desses casos, entretanto, a base da verdade se encontra em Deus, que é a fonte originária e o padrão de 1, a retidão; 2, o ser; e 3, o conhecimento.
1. A Verdade Moral. A verdade é um dos atributos de Deus. Como tal, esse vocábulo se refere à integridade, ao caráter digno de confiança e à fidelidade de Deus. Um poeta hebreu colebra esse atributo em Salmos 89, e o profeta Oseias o faz cm Osé. 2:19-23. Em ambos os casos, a verdade divina é combinada com a misericórdia e o amor dc Deus. De acordo com Deuteronômio 32:4, Salmos 100:5 e 146:6, a fidelidade de Deus é revelada por meio da criação; e, no livro de Apocalipse, esse é o atributo de Deus sobre o qual repousa a expectação de juízo (ver Apo. 3:7,14; 6:10; 15:3,4; 19:11 e 21:5).
Visto que o caráter divino deve ser imitado pelos homens, a verdade também deveria ser uma qualidade, virtude ou atributo humano. Por esse prisma, a verdade importa em honestidade (Sal. 15:2; Efé. 4:25) e justiça civil (Isa. 59:4,14,15). Dizer a verdade, portanto, para o homem constitui uma obrigação, de tal maneira que a veracidade (verdade cognitiva) seja uma das características do homem em quem se pode confiar (verdade moral). Entretanto, espera-se de cada indivíduo que se mostre íntegro diante de Deus e de seus semelhantes (Êxo. 18:21; Jos. 24:14). Nesse sentido moral, a verdade não é algum mero verniz superficial, pelo contrário, parte do próprio coração, distinguindo o caráter inteiro do homem interior (I Sam. 12:24; Sal. 15:2; 51:6).
2. A Verdade Ontológica. Originando-se no conceito de que o indivíduo que é inteiramente digno de confiança é veraz, temos aquele outro conceito do indivíduo que efetivamente é aquilo que se propõe a scr. Isso significa que tal indivíduo não vive uma ficção, não procura enganar ao próximo, c nem é um homem que dê um exemplo imperfeito ou negativo. Nesse sentido, “a verdadeira luz” (João 1:9) é a perfeição que João Batista refletia em parte, em sua pessoa; “o verdadeiro pão” (João 6:32) faz contraste com o imperfeito maná de Moisés; e “os verdadeiros adoradores” (João 4:23) fazem contraste com aqueles que adoravam por mera antecipação, aguardando por quem não conheciam o Messias. Os crentes tessalonicenses abandonaram seus ídolos a fim de servirem ao verdadeiro Deus (I Tes. 1:9). Cristo é a verdade personificada.
É nesse sentido que falamos sobre “um verdadeiro homem”, “um verdadeiro erudito” ou “um verdadeiro filho”,
dando a entender alguém que é fiel a algum ideal, que representa perfeitamente algum padrão de virtude. A teoria grega dos universais via, em todos os particulares, uma participação, em algum grau, nas formas ideais dos universais. Pensadores cristãos como Agostinho, Anselmo e Tomás de Aquino equipararam essas formas com as idéias e os decretos divinos (verdades eternas), tendo atribuído uma “verdade ontológica” aos objetos naturais que dão corpo a essas idéias e decretos. Entretanto, essa noção não se originou dos ensinamentos bíblicos, mas pela combinação das teorias gregas sobre a forma com o conceito bíblico de um Criador que faz todas as coisas em consonância com a sua perfeita vontade.
3. A Verdade Cognitiva. Um outro fator resultante da verdade moral é que o indivíduo veraz diz a verdade e não a mentira ou falsidade. Em Deus, a verdade origina-se na sua onisciência, de tal modo que o atributo da verdade se refere, pelo menos em parte, ao seu perfeito conhecimento de todas as coisas (Jó 28:20-26; 38:39). Visto que Deus é o Criador, tudo quanto sabemos depende, em última análise, do Senhor. Toda verdade é uma verdade divina. Nossas habilidades cognitivas são uma criação de Deus, e o caráter inteligível da natureza confirma a sabedoria de Deus. Por conseguinte, o conhecimento de Deus é um conhecimento arquétipo, do qual o nosso conhecimento é parcial, uma imitação. Aquilo que declaramos verdadeiro, só o é à proporção que concorda com a verdade, que só se manifesta perfeitamente na pessoa de Deus. Isso posto, a verdade terrestre é contingente, dependente, limitada, provisória. É por um motivo assim que o apóstolo dos gentios explicou que “... agora vemos como em espelho, obscuramente...”, e que somente na presença imediata de Deus, quando estivermos na glória, é que “...veremos face a face ...”. Sim, ainda no dizer do apóstolo, agora conhecemos apenas parcialmente; no céu conheceremos tal e qual somos conhecidos. Em contraste com o nosso conhecimento refletido, a verdade arquétipa é ilimitada, imutável e absoluta. No caso do homem, a verdade permanece em formação constante; mas, no caso de Deus, a verdade já é perfeita, completa.
Isso é expresso através do conceito do Logos, nos escritos de João, bem como na discussão, na epístola aos Colossenses, sobre o fato de estarem ocultos, em Cristo, “...todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento...” (Col. 2:3). O Cristo, por intermédio de Quem todas as coisas foram criadas, e que agora sustenta a tudo em existência, é aquele que empresta, à natureza e à história, inteligibilidade, boa ordem e propósito. Conhecer a Cristo é conhecer a fonte onisciente de toda a verdade, de todo o conhecimento, não a fim de que possamos saber de tudo quanto ele sabe, mas a fim de podermos compreender como são possíveis todo o conhecimento e toda a sabedoria. Cristo é aquele que garante o caráter fidedigno de qualquer verdade que podemos obter.
Apesar dc ser evidente, no Novo Testamento, o conceito cognitivo da verdade (ver, por exemplo, Mar. 5:33; 12:32; Rom. 1:25), é particularmente aplicado ali à mensagem anunciada por Cristo e seus apóstolos (João 5:33; 8:31-47; Rom. 2:8; Gál, 2:5; 5:7; Efé. 1:13; I Tim. 3:15; I João 2:21-27). Um mensageiro cristão fiel fala a verdade que procede de Deus; e, correspondendo a essa verdade de Deus, o crente confia em Deus, de quem procede essa verdade. A fé, pois, consiste tanto no assentimento da verdade como na dependência ao que Deus declara. Por isso é que se lê que uma pessoa “pratica a verdade”, quando dá o seu assentimento à mensagem do evangelho econfia em Cristo, em vista de sua “verdade moral” ou fidelidade (ver I João 1:6-8; 2:4; 3:18,19).CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 593-595.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com




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