quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O Deus que intervem na história (3)




A imagem da grande estátua (2.31 -33)
A estátua que Nabucodonosor viu tinha uma cabeça de ouro (v.32); o peito e os braços eram de prata (v.32); o ventre e as coxas da estátua eram de cobre (v.32); as pernas eram de ferro (v.33) e os pés da estátua continham ferro e barro (v.33). No versículo 34 temos “uma pedra que foi cortada, sem mãos”, a qual feriu a estátua nos pés destruindo-a completamente. Naqueles tempos, o misticismo e a utilização de figuras de representação faziam parte das crendices existentes na cultura pagã. Na mente de Nabucodonosor havia essa cultura e Deus aproveita para revelar realidades presentes e futuras daquele império através de sonhos.Todavia o rei esqueceu o sonho mas sabia que havia sonhado algo importante que tinha algum significado para si mesmo e para o seu império.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 44-45.
Dn 2.31 Tu, ó rei, estavas vendo. A Essência dos Sonhos e das Visões. O rei vira uma imagem gigantesca e grotesca, sob a forma de um imenso homem. A imagem rebrilhava como bronze fundido; era “gigantesca, rebrilhante e assustadora” (NCV). A imagem exalava poder e esplendor. Os sonhos espirituais envolvem imagens incomuns que deixam a pessoa estonteada, e foi isso o que aconteceu a Nabucodonosor. Os antigos do Oriente Próximo e Médio costumavam fazer imagens colossais, mas essa imagem tomou de surpresa o próprio Nabucodonosor, embora ele fosse um ativo construtor.
“Suas dimensões e sua aparência eram formidáveis, fazem ao rei parecer insignificante diante dela” (J. Dwight Pentecost, in Ioc.).
Os vss. 31-36 fornecem a visão. Em seguida, os vss. 36-38 dão a interpretação. Portanto, sigo o mesmo plano, apresentando a interpretação naqueles versículos, e não no começo. Conforme veremos, as várias porções da imagem representavam reinos mundiais.
“Havia algo na fisionomia da imagem que era ameaçador e terrível. A forma inteira, tão gigantesca, encheu o rei com profunda admiração, pois lhe pareceu terrível. Talvez isso denote o terror que os reis, sobretudo os arbitrários e despóticos, projetam sobre seus súditos” (John Gill, in Ioc.).
Dn 2.32,33 A cabeça era de fino ouro. Os Elementos da Imagem Representam Quatro Reinos:
1. A cabeça era de ouro
2. Os braços e o peito eram de prata
3. O ventre e as coxas eram de bronze
4. As pernas eram de ferro, enquanto os artelhos eram parte de ferro e parte de barro Essas quatro partes representam quatro reinos, que surgiriam sucessivamente. Seriam impérios mundiais. Os vss. 37-43 dão as interpretações sobre as figuras.
Observações sobre os Ites. 32-33:
1. Note o leitor a qualidade descendente dos metais: ouro, prata, bronze, ferro, ferro misturado com barro.
2. O grego de épocas remotas, Hesíodo, falava em eras do m undo em termos de metais. Aqui descem os do ouro ao barro. A descida parece ser de valor, e não de força. O quarto reino seria mais forte que os demais, tal como o ferro é mais forte (porém menos valioso) que os outros metais listados.
3. A prata é um metal nobre, mas não tão valioso quanto o ouro. O bronze é ainda menos valioso, porém mais forte que a prata. Provavelmente está em vista o cobre, que, misturado com o estanho, fica mais forte do que o simples cobre, e essa liga produz o bronze.
4. O ferro é o mais forte e o mais útil dos m etais listados, mas essa força é debilitada pela mistura com o barro, ou melhor, com o barro cozido, duro, mas não tão duro quanto um metal. O barro cozido fala de vulnerabilidade e fraqueza inerente, a despeito da demonstração de força. Todos os reinos, como é natural, têm os pés feitos de barro.
5. Os quatro reinos representam toda a história da humanidade, contada rapidamente, e o Reino de Deus é o quinto reino. A vasta porção da história do mundo é deixada de fora. A visão é um símbolo do que acontece no mundo e mostra as limitações do escopo do profeta, que só podia ver essa parte do total, e teve de fazê-la representar os reinos do mundo, ou os tempos dos gentios (ver Luc. 21.24).
Dn 2.34 Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada. Tem os aqui, na “pedra”, o quinto império, não feito por mãos humanas. A pedra era uma Grande Pedra, que demoliu a imagem, em suas partes de metal. A imagem e suas diversas partes eram produtos humanos e, por isso mesmo, teriam de chegar ao fim. Eram apenas temporais. Já a Grande Pedra é eterna, e não está sujeita à dissolução.
Com um simples golpe nos pés, ela levou a imagem feita pelo homem a cair em forma de poeira, ou seja, de form a irrecuperável. A interpretação sobre essa Pedra aparece nos vss. 44-45.
Dn 2.35 Então foi juntam ente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro. Continua aqui o poder destruidor da Grande Pedra. Os metais, de várias qualidades, não puderam resistir ao golpe da Grande Pedra, e todos se reduziram a uma poeira finíssima, que o vento levou embora. As eiras eram lugares abertos situados de tal m aneira que podiam ser tangidos por qualquer brisa que passasse, para que o grão, lançado ao alto, fosse facilmente separado da palha, que era então levada pelo vento. Essa é uma figura usada com freqüência nas Escrituras. Cf. Osé.13.3; Sal. 35.5; Jó 21.18; Isa. 41.15,16; Mat. 3.12. “Os fragmentos desapareceram tão com pletam ente que nem um traço deles podia ser encontrado. Assim mostram Sal. 103.16; Jó 7.10; 20.9 e Apo. 20.11. A finalidade do golpe desfechado pelo Pedra foi assim indicada, uma característica da literatura apocalíptica” (Arthur Jeffery, in Ioc.). A Pedra veio a tornar-se uma grande montanha, que encheu toda a terra.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3381.
Daniel aqui dá plena satisfação a Nabucodonosor no que diz respeito ao seu sonho e à sua respectiva interpretação. Aquele grande príncipe havia sido bom para com o pobre profeta em seu sustento e educação. Ele havia sido criado sob as expensas do rei, havia sido honrado na corte, e a terra do seu cativeiro havia aqui se tomado muito mais confortável para ele do que para muitos dos seus irmãos. E agora o rei recebe uma abundantemente retribuição por todo o gasto que havia tido com ele. E por receber esse profeta, embora não como um profeta, ele teve o galardão de um profeta, que nesse caso foi uma recompensa que somente um profeta poderia dar, e que o príncipe rico e poderoso estava agora feliz por receber. Aqui está, O sonho em si (w. 31,45). Talvez Nabucodonosor fosse um admirador de estátuas, e tivesse o seu palácio e os seus jardins adornados com elas. No entanto, ele era um adorador de imagens, e agora via uma grande imagem colocada diante de si em um sonho, o que poderia lhe sugerir o que eram as imagens às quais ele dava tanto valor e prestava tanto respeito. Elas eram meros sonhos. As criaturas da imaginação também poderiam agradar a sua imaginação. Pelo poder da imaginação ele poderia fechar os olhos, e representar para si mesmo as formas que pensasse ser adequadas, e embelezá-las como quisesse, sem a despesa e o incômodo de uma escultura. Esta era uma imagem de um homem de pé: Ele estava diante dele, como um homem vivo. E, devido a essas monarquias que foram criadas para serem representadas pela estátua e serem admiráveis aos olhos dos seus amigos, o esplendor dessa imagem era excelente. E devido a serem tremendas para os seus inimigos, e temidas por todos à sua volta, a forma dessa imagem é considerada terrível. Tanto as características do rosto como a postura do corpo a tornavam assim. Mas o que era mais notável nessa imagem eram os diferentes metais dos quais ela era composta - a cabeça de ouro (o metal mais valioso e mais durável), o peito e os braços de prata (o segundo metal em termos de valor), a barriga e os lados (ou coxas) de bronze, as pernas de ferro (metais ainda mais inferiores), e por fim os pés, parcialmente de ferro e parcialmente de barro. Veja como são as coisas deste mundo: quanto mais nos aproximamos delas, menos valor aparentam. Na vida de um homem a juventude é a cabeça de ouro, mas ela fica cada vez menos digna da nossa estima. A velhice é metade barro. Nesta etapa, o homem tem o seu vigor físico extremamente reduzido. E assim com o mundo, as épocas posteriores trazem consigo a degeneração. A primeira era da igreja cristã, a da reforma, era uma cabeça de ouro. Mas, em minha opinião, se é que esta comparação pode ser feita, vivemos em uma era que é de ferro e de barro. Alguns fazem uma alusão a isto na descrição do hipócrita, cuja prática não está de acordo com o seu conhecimento. Ele tem uma cabeça de ouro, mas pés de ferro e de barro: ele conhece o seu dever, mas não o cumpre. Alguns observam que nas visões de Daniel as monarquias foram representadas por quatro animais (cap. 7), porque ele olhava para a sabedoria de baixo para cima. Nesta situação elas se tornavam terrenas e sensuais, e um poder tirânico, tendo, nelas mesmas, mais características dos animais do que do homem. E assim a visão estava de acordo com a noção que Daniel tinha das coisas. Mas para Nabucodonosor, um príncipe gentio, elas foram representadas por uma imagem vistosa e pomposa de um homem, porque ele era um admirador dos reinos deste mundo e da glória deles. Para ele, a visão era tão encantadora que estava impaciente para vê-la outra vez. Mas o que aconteceu com essa imagem? A parte seguinte do sonho nos mostra que ela está calcinada, e foi transformada em nada. Ele viu uma pedra cortada da montanha por um poder invisível, sem mãos, e esta pedra caiu sobre os pés da imagem, que eram de ferro e de barro, e os despedaçou. E então, conseqüentemente, a imagem deve cair, e assim o ouro, a prata, o bronze, e o ferro foram todos despedaçados juntos, e esmiuçados de tal forma que se tornaram como a pragana das eiras no estio, e ali não seria achado nem sinal deles. Mas a pedra cortada do monte tornou- se um grande monte, e encheu a terra. Veja como Deus pode provocar grandes efeitos através de causas fracas e improváveis. Quando Ele quer, um pequenino pode se tornar mil. Talvez a destruição desta imagem de ouro, de prata, de bronze, e de ferro tivesse a intenção de representar a extinção da idolatria do mundo no devido tempo. Os ídolos dos gentios são de prata e de bronze, como era esta imagem, e elas perecerão na terra e debaixo destes céus (Jr 10.11; Is 2.18). E seja qual for o poder que destruir a idolatria, ele estará no caminho preparado para glorificar e exaltar a si mesmo, como esta pedra que, após esmiuçar a imagem, tomou-se um grande monte.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 834.
2. A interpretação dos elementos materiais da grande estátua (2.34-45).
Em primeiro lugar, “a cabeça de ouro” (w.32,36-38) representava o próprio Rei Nabucodonosor, o rei mais poderoso da terra na época. Sua palavra era lei e governou por 41 anos e transformou a Babilônia no maior império do mundo. Obteve grandes conquistas e alargou suas fronteiras e domínio tomando posse das riquezas das nações conquistadas, inclusive dos reinos de Judá e de Israel. Em segundo lugar, “o peito e os braços de prata” (vv.32,39) simbolizavam o império que sucedeu a Nabucodonosor, o Império Medo-persa. Os dois braços ligados pelo peito simbolizam a união dos medos e dos persas. Nesse tempo prevaleceu muito mais as leis instituídas que a autoridade dos reis desses povos. Em terceiro lugar, Daniel fala do “ventre e os quadris” da estátua (vv.32,39) que eram de cobre e representavam o terceiro reino que sucedeu ao medo-persa,
o Império Grego. Foi Alexandre Magno, o grande rei e general, que dominou o mundo inteiro até desintegrar-se com a sua morte. Em quarto lugar, aparece as “pernas de ferro” (v.33,40-43) que representavam o último império dessa visão, o Império Romano. Esta interpretação baseia-se na visão política de um rei pagão. Em quinto lugar, "os pés de ferro e barro ” indicavam a fragilidade dessa grande estátua. A mistura de ferro e barro não dá liga, nem sustenta aquele império que viria, o Romano. Ainda que não seja citado o Império Romano, o contexto histórico e profético denuncia que se tratava desse império. As pernas de ferro indicavam a dureza do poder militar que tornou Roma muito forte, mas diluiu-se moralmente demonstrando a fragilidade do barro. Os elementos constitutivos da estátua são materiais porque indicam esta visão política para a compreensão de Nabucodonosor.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 45-46.
Dn 2.37 O autor deixa claro que Nabucodonosor e seu império babilônico eram a cabeça de ouro. Esse m onarca era um rei de reis entre os homens, pleno de grande força e glória. Foi o “Deus do céu” (ver as notas em Dan. 2.18) que predestinou esse reino e seu rei. Pois Yahweh é quem se encarrega dos destinos humanos, individuais e coletivos (as nações). Deus é soberano (ver sobre Soberania, no Dicionário). Ele é tanto o Criador como o Interventor em Sua criação, recompensando, punindo e dirigindo em consonância com a lei moral. “Rei de reis” era um título com umente dado aos reis da Pérsia (ver Esd.7.12). Encontra-se em inscrições do antigo Oriente Próximo e Médio, incluindo o caso de reis vassalos, como os reis armênios ou os reis selêucidas. É usado para indicar Nabucodonosor, em Eze. 36.7 e Isa. 36.4. O título, claramente, é atribuído a Yahweh e, então, a Jesus, o Rei-Messias. Cf. Dan. 47.5; Jer. 27.6,7; Apo. 17.14 e 19.16. Cf. Jer. 52.32.
Dn 2.38 A cujas mãos foram entregues os filhos dos homens. Continua aqui a descrição do poder do “rei dos reis” (Nabucodonosor). A cabeça de ouro era a cabeça de tudo em seus dias. Yahweh havia entregado todas as coisas em suas mãos, tanto os seres humanos com o os animais. Nabucodonosor se tornou o governante universal do mundo conhecido em sua época, através de muitas e brutais conquistas que não deixaram adversário de pé. Os “animais do campo são animais ferozes, e não domesticados. A Septuaginta adiciona “e os peixes do mar, o que, obviamente, é secundário. Os monarcas antigos do Oriente Próximo e Médio (incluindo Salomão) tinham seus jardins zoológicos particulares, onde criavam toda a espécie de animais estranhos, desconhecidos nas regiões onde esses reis governavam. A expressão, seja como for, enfatizava a universalidade do governo de Nabucodonosor. A vida, tanto animal quanto humana, foi posta a seus pés. Cf. isso com o vs. 44 deste mesmo capitulo e também com 7.17,24. O império neobabiiônico durou de 626 a 539 A. C., ou seja, oitenta e sete anos.
Ouro provavelmente refere-se às riquezas da Babilônia, e não à sua força. Dignidade e glória fazem parte da figura como descrições que os versículos esclarecem.
O Peito e os Braços de Prata (2.39a)
Dn 2.39ª Depois de ti se levantará outro reino. Este segundo reino (mencionado em meio versículo) significa: 1. os medos e os persas; ou 2. De acordo com alguns intérpretes antigos e modernos, apenas os medos. O império medo-persa, em seu conjunto, perdurou por mais de duzentos anos (539-330 A. C.). Eles conquistaram a Babilônia em 539 A. C.
O Ventre e as Coxas de Bronze (2.39b)
Dn 2.39b Esse terceiro reino, de acordo com vários intérpretes antigos e modernos é formado: 1. pelos persas, em distinção aos medos; ou 2. pelo império grego. O leitor deve tomar consciência de que a identificação do quarto império como Roma não aconteceu senão quando Roma realmente apareceu, e então a interpretação do quarto império foi ajustada a esse fato. O quarto rei dos medos, Artiages, foi traído por suas próprias tropas em 550 A. C., e seu poder foi entregue a Ciro, o persa, que tinha sido um de seus vassalos. Foi dessa forma que Ciro se tomou o cabeça do reino medo-persa. Assim também, nos capítulos 5 e 6 de Daniel, essas duas potências aparecem intimamente ligadas. Ver as obsenvações sobre os vss. 32-33, que preenchem detalhes quanto à natureza desses reinos.
As Pernas de Ferro, com os Artelhos em parte de Barro Cozido (vs. 40)
Dn 2.40 O quarto reino será forte como ferro. Esse quarto reino era: 1. ou o império de Alexandre. 2. Ou Roma. No início prevalecia a primeira dessas posições, mas a segunda passou a predominar quando Roma apareceu. O quinto capítulo sofre a mesma variação quanto à interpretação. O ferro é o mais forte dos metais, e certamente essa interpretação se adapta à Grécia ou a Roma. Mas a mistura de ferro cozido com ferro (vs. 41) fala de uma fraqueza inerente e, provavelmente, de divisão, como quando o império grego foi dividido entre os quatro generais de Alexandre. A descrição do vs. 40 pode aplicar-se igualmente bem a Alexandre ou aos romanos, pois ambos se ocuparam de uma conquista mundial, quebrando e subjugando os povos.
Como o ferro quebra todas as cousas. “Todos os outros reinos" é a tradução da NCV, que contudo provavelmente está incorreta. A ideia não é que esse poder esmagaria todos os reinos que existiram antes, mas, antes, que esmagaria todos os oponentes de sua própria época e, assim, obteria domínio mundial.
Alexandre derrotou todos os oponentes e espalhou o idioma e a cultura grega por todas as partes. O mundo foi “helenizado". Mas outro tanto sucedeu com Roma, que se transformou no maior dos impérios antigos, quando o m ar Mediterrâneo se tornou o “lago" romano. O latim veio a tornar-se outro idioma universal, e, através do latim vulgar, espalhou-se por toda a Europa. Linguagens separadas surgiram a partir do latim vulgar, incluindo o nosso idioma português, a última das línguas neolatinas a desenvolver-se, sendo a caçula desses idiomas.
Dn 2.41,42 Quanto ao que viste dos pés e dos dedos. Esse poderoso quarto império tinha herdado fraquezas porque seus pés eram feitos de ferro e barro cozido, um misto de fortalezas e fraquezas. Neste ponto não são mencionados os dez artelhos, mas é natural vinculá-los aos dez chifres de Dan. 7.24. Se a Grécia está em vista, então a divisão do reino significa a distribuição do império de Alexandre entre os seus quatro generais, quando ele morreu. As duas pernas, nesse caso, apontariam para as duas principais divisões dessa divisão, os selêucidas e os ptolomeus. Mas a palavra “dividido”, aqui usada, poderia ser mais bem traduzida por “composto”, uma referência à mistura do ferro e do barro cozido que representa fortaleza e fraqueza.
Mas se Roma está em pauta, então pode estar em mira a divisão desse império em dez partes subordinadas. A visão dispensacionalista deste versículo, em seguida, liga os dez artelhos, e os dez chifres, aos dez chifres de Apo. 17.3.
Esses dez chifres, por parte de alguns estudiosos, são então as dez nações do Mercado Comum Europeu, ou dez centros de poder no mundo, concebidos como um reavivamento do império romano nos últimos dias, o qual será encabeçado pelo anticristo. Visto que o Mercado Comum Europeu consiste agora em mais do que dez nações membros, a teoria do “poder central” atualmente é mais popular. Não sabemos o quanto dessa forma de interpretação está correta e quanto dela não passa de fantasia. Os críticos pensam que é ridículo tentar adaptar tais profecias (ou história!) ao mundo conhecido atualmente.
Barro de oleiro. Dizem assim muitas traduções, mas barro cozido (ver o vs. 33) provavelmente é o que está em vista. O barro cozido é aparentemente duro, mas inerentemente fraco, e o fato de estar misturado com o ferro tornava a liga mais precária. O barro cozido é quebradiço, embora pareça ser forte. O vs. 43 diz “barro cozido” (NIV), mas algumas traduções dizem “barro de lodo”, conforme se vê em nossa versão portuguesa.
Dn 2.43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo. O ferro e o barro são elementos precários quando se misturam, sem im portar se o barro estiver cozido ou em sua forma semilíquida. O resultado é a fraqueza, conforme vimos nas notas sobre o vs. 42. Houve uma mistura dos homens fortes de Alexandre com as filhas das nações, pelo que o caráter grego distintivo foi poluído. O próprio Alexandre encorajava casamentos mistos, com povos conquistados, em sua visão universalista das coisas, e ele, como é natural, seria o rei do império mundial. Os reis selêucidas e ptolomeus continuaram a política dos casamentos mistos, e em breve o que era grego transformou-se em apenas outra forma de expressão gentílica. Se Roma está em mira, então temos o declínio gradual da força romana. A descentralização destruiu o império romano. A anarquia passou a reinar em alguns lugares: houve o governo da plebe, ou seja, das classes populares. Em outros lugares, a democracia enfraqueceu o poder centralizado, e o resultado foi a fragmentação. Portanto, vários tipos de “casamento” debilitaram o que antes fora muito forte. Não está em vista a mistura do cristianismo com o paganismo, na época da igreja, embora certamente isso tenha acontecido e continue acontecendo.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3382.
A interpretação desse sonho. Vejamos agora qual é o significado disso. Ela veio de Deus. Portanto, convém que consigamos a explicação que Ele se dispõe a nos dar. Ao que parece, Daniel tinha os seus companheiros consigo, e fala por eles bem como por si mesmo, quando diz: A interpretação dele diremos (v. 36). Agora:
1. Essa imagem representava os reinos da terra que governariam sucessivamente entre as nações, e teriam influência sobre as questões da congregação judaica. As quatro monarquias não eram representadas por quatro estátuas diferentes, mas por uma única imagem, pelo fato de todas elas serem de um mesmo espírito e caráter, e por todas serem mais ou menos contrárias à igreja. Foi o mesmo poder, conferido a apenas quatro nações diferentes, ficando as duas primeiras ao oriente da Judéia, e as outras duas ao ocidente. (1) A cabeça de ouro representava a monarquia dos caldeus, que estava em ação (w. 37,38): Tu, ó rei, és (ou antes, serás) rei de reis, um monarca universal, a quem muitos reis e reinos serão tributários. Ou, Tu és o mais elevado dos reis sobre a terra neste momento (como um servo dos servos é o servo mais inferior). Tu ultrapassas em brilho a todos os outros reis. Mas que ele não atribua a sua elevação à sua própria política e coragem. Não. Foi o Deus dos céus que deu a ti um reino, poder, força, e glória, um reino que exerce grande autoridade, permanece firme, e brilha intensamente, agindo através de um exército poderoso, com um poder arbitrário. Note que o maior dos príncipes não tem nenhum poder além daquele que lhe é dado do alto. A extensão do seu domínio é apresentada (v. 38): onde quer que habitem filhos de homens, em todas as nações daquela parte do mundo. Ele era príncipe sobre todas elas, sobre elas e tudo o que lhes pertencesse, sobre todo o seu gado, não só aquele que possuíssem, mas aquele que fosse ferae naturae - selvagem, ou seja, os animais do campo e as aves do céu. Ele era senhor de todos os bosques, florestas, e animais de caça, e ninguém tinha permissão de caçar sem a sua autorização. Assim “tu és a cabeça de ouro; tu, e teu filho, e o filho de teu filho, por setenta anos.” Compare esta palavra com Jeremias 25.9,11, especialmente com Jeremias 27.5-7. Havia outros reinos poderosos no mundo nessa época, como o dos citas. Mas foi o reino da Babilônia que reinou sobre os judeus, e isto iniciou o governo que continuou na sucessão aqui descrita até o tempo de Cristo. Ele é chamado de cabeça, por sua sabedoria, eminência, e poder absoluto, uma cabeça de ouro por causa de sua riqueza (Is 14.4). Era uma cidade de ouro. Alguns posicionam essa monarquia começando em Ninrode, e depois percorrendo todos os reis da Assíria, cerca de cinqüenta monarcas ao todo, e calculam que ela tenha durado mais de 1.600 anos. Mas ela não foi uma monarquia tão longa, de extensão e poder tão vastos quanto a que aqui é descrita, nem algo semelhante a essa. Portanto, outros consideram que somente Nabucodonosor, Evil-Merodaque e Belssazar pertencessem a essa cabeça de ouro. Eles tinham um trono glorioso e alto, e talvez exercessem um poder mais despótico do que qualquer dos reis que viveram antes deles. Nabucodonosor reinou quarenta e cinco anos ininterruptos. Evil-Merodaque, vinte e três anos ininterruptos, e Belssazar, três. A Babilônia era a metrópole deles. E Daniel esteve com eles, neste local, durante setenta anos. (2) O peito e os braços de prata representavam a monarquia dos medos e persas, das quais o rei recebe informações bastante resumidas: E, depois de ti, se levantará outro
reino, inferior ao teu (v. 39), não tão rico, poderoso, ou vitorioso. Este reino foi fundado por Dario, o medo, e Ciro, o persa, em aliança um com o outro. Portanto, ele é representado por dois braços que se encontram no peito. Ciro era persa por parte de pai, e medo por parte de mãe. Alguns calculam que essa segunda monarquia durou 130 anos. Outros calculam 204 anos. O primeiro cálculo está mais de acordo com a cronologia das Escrituras. (3) A barriga e as coxas de bronze representavam a monarquia dos gregos, fundada por Alexandre, que derrotou Dario Codomano, o último dos imperadores persas. Este é o terceiro reino, de bronze, inferior à monarquia persa em riqueza e extensão de domínio. Mas com Alexandre, pelo poder da espada, o reino dominará sobre toda a terra. Porque Alexandre vangloriou-se de ter conquistado o mundo, e então sentou e chorou porque não tinha outro mundo para conquistar. (4) As pernas e pés de ferro representavam a monarquia romana. Alguns creem que isto diz respeito à parte final da monarquia grega, os dois impérios da Síria e do Egito, o primeiro governado pela família dos Selêucidas, de Seleuco, o segundo pela família de Lagidae, de Ptolomeu Lago. Estes formam as duas pernas e os pés dessa imagem: Grótio, Júnio e Broughton entendem desta maneira. Mas a opinião mais aceita tem sido a de que a referência feita aqui seja à monarquia romana, porque foi na época desta monarquia, e quando ela estava no seu auge, que o reino de Cristo foi estabelecido no mundo pela pregação do Evangelho eterno. O reino romano era forte como o ferro (v. 40). O testemunho disso é o domínio desse reino contra todos aqueles que contenderam com ele por muitos anos. Esse reino despedaçou o império grego e depois disso destruiu boa parte da nação dos judeus. Durante a parte final da monarquia romana ele enfraqueceu muito, e se dividiu em dez reinos, que eram como os dedos desses pés. Alguns deles eram fracos como o barro, e outros fortes como o ferro (v. 42). Várias tentativas foram feitas para misturá-los e uni-los para o fortalecimento do império, mas foi tudo em vão: Não se ligarão um ao outro (v. 43). Esse império dividiu o governo por muito tempo entre o senado e o povo, os nobres e os comuns, mas eles não se fundiram inteiramente. Houve guerras civis entre Mário e Sila, César e Pompeu, cujos aliados eram como o ferro e o barro. Alguns entendem essas palavras como uma referência aos tempos de declínio desse império, quando, para o fortalecimento do império contra as irrupções das nações bárbaras, os ramos da família real se casaram entre si. Mas a política não teve o efeito desejado, quando chegou o dia da queda desse império.
2. A pedra cortada sem mãos representava o reino de Jesus Cristo, que deveria ser estabelecido no mundo na época do império romano, e sobre as ruínas do império de Satanás nos reinos do mundo. Esta é a pedra cortada do monte sem mãos, pois Ele não seria levantado nem apoiado pelo poder humano nem pela política humana. Nenhuma mão visível deveria agir no seu estabelecimento, mas isto deveria ser feito invisivelmente pelo Espírito do Senhor dos Exércitos. Essa foi a pedra que os edificadores rejeitaram, porque não foi cortada pelas mãos deles, mas agora se tornou a pedra fundamental, a pedra de esquina. (1) A igreja do Evangelho é um reino, do qual Cristo é o monarca único e soberano, no qual Ele governa pela sua palavra e pelo seu Espírito, ao qual Ele dá proteção e lei, e do qual Ele recebe honras e tributos. Não é um reino deste mundo, porém está estabelecido nele. E o reino de Deus entre os homens. (2) O Deus dos céus estabeleceria esse reino para dar autoridade a Cristo para executar juízo, para estabelecê-lo como Rei sobre o seu monte santo de Sião, e para trazer em obediência a Ele um povo bem disposto. Sendo estabelecido pelo Deus do céu, o reino é freqüentemente chamado no Novo Testamento de o Reino dos céus, pois a sua origem é do alto e a sua tendência é para cima. (3) Ele deveria ser estabelecido nos dias desses reis, os reis da quarta monarquia, da qual se faz uma menção especial (Lc 2.1): Cristo nasceu quando, pelo decreto do imperador de Roma, todo o mundo foi tributado, o que era uma clara indicação de que esse império havia se tornado tão universal quanto qualquer império terreno poderia ser. Quando esses reis estiverem competindo uns com os outros, e em todas as lutas em que cada uma das partes em conflito quiser encontrar a sua própria razão, Deus fará a sua própria obra e cumprirá os seus próprios conselhos. Todos esses reis são inimigos do reino de Cristo. No entanto, Ele será estabelecido, o que constitui um desafio a todos eles. (4) Esse é um reino que não conhece declínio, não corre o risco de ser destruído, e não admitirá qualquer sucessão ou revolução. Ele nunca será destruído por alguma força estrangeira invasora, como ocorre com muitos outros reinos. O fogo e a espada não podem consumi-lo. Os poderes conjuntos da terra e do inferno não podem privar os súditos do seu Príncipe ou o Príncipe dos seus súditos. Esse reino não será deixado para outros povos, como acontece com os reinos desta terra. Assim como Cristo é um monarca que não tem sucessor (porque Ele mesmo reinará para sempre), o seu reino também é uma monarquia que não está sujeita a nenhuma revolução. O reino de Deus foi certamente tirado dos judeus e entregue aos gentios (Mt 21.43), mas ainda assim foi o cristianismo que governou, sim, o reino do Messias. A igreja cristã ainda é a mesma. Ela está edificada sobre a rocha, enfrentando muita oposição. Mas as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela. (5) É um reino que será vitorioso sobre toda a oposição. Ele despedaçará e consumirá todos esses reinos, assim como a pedra cortada do monte sem mãos esmiuçará a imagem (w. 44,45). O reino de Cristo assolará todos os outros reinos, sobreviverá a eles, e florescerá quando eles afundarem com o seu próprio peso. Eles ficarão tão destruídos, que não se conhecerá mais o seu lugar. Todos os reinos que aparecerem contra o reino de Cristo serão quebrados com uma vara de ferro, como um vaso de oleiro (SI 2.9). E nos reinos que se sujeitarem ao reino de Cristo, a tirania, a idolatria, e tudo o que for reprovado neles, até onde o Evangelho de Cristo se estender, serão quebrados. Está chegando o dia em que Jesus Cristo abaterá todo governo, principado, e potestade, e colocará todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. E então essa profecia terá o seu pleno cumprimento no momento preparado pelo Senhor Deus, e não antes (1 Co 15.24,25). O nosso Salvador parece se referir a isso (Mt 21.44), quando, falando de si mesmo como a pedra rejeitada pelos edificadores judeus, Ele diz que aquele sobre quem esta pedra cair ficará reduzido a pó. (6)
Ele será um reino eterno. Aqueles reinos da terra que haviam despedaçado todos ao seu redor vieram, em sua vez, a ser despedaçados da mesma maneira. Mas o reino de Cristo despedaçará outros reinos e permanecei'á para sempre. O seu trono será como os dias do céu. A sua semente e os seus súditos serão como as estrelas do céu, não só inumeráveis, mas imutáveis. Do aumento do governo de Cristo, e da paz de Cristo, não haverá fim. O Senhor reinará para sempre, não só até o fim dos tempos, mas quando o tempo e os dias não mais existirem. E Deus será tudo em todos por toda a eternidade.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 834-836.
3. A pedra cortada, sem ajuda de mãos (2.45).
Os reinos descritos de cima para baixo representados na grande estátua revelam a progressiva decadência dos reinos desse mundo, pois começam no ouro e terminam no barro. Esta “pedra” representa o reino que virá que é o Reino messiânico de Cristo intervindo no poder dos reinos do mundo. Ele é a pedra cortada que virá para desfazer no último tempo o poder mundial do Anticristo (Dn 2.45; SI 118.22; Zc 12.3). O sentido da pedra cortada vinda do monte indica figuradamente a vinda de Cristo que esmiuçará o domínio configurado dos 10 dedos dos pés da estátua, formando um grande montão (Dn 2.44,45).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 46.
Dn 2.44,45 Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino. O quinto reino é o Reino Divino da era do reino e do Messias. Este versículo interpreta a Grande Pedra dos vss. 34-35. O reino universal de Deus destruirá todos os outros reinos, reduzindo-os a um pó tão fino que qualquer brisa será capaz de soprar para longe. Mas o próprio reino do Messias será invencível e indestrutível. Perdurará para sempre. Tornar-se-á ím par e único. Os dispensacionalístas vêem os dez artelhos como, especificamente, reinos a serem esmigalhados. A Grande Pedra é a Rocha, o Messias. Cf. Sal. 118.22; Isa. 8.14; 28.16; I Ped. 2.6-8. A Grande Pedra tornou-se uma montanha, tão poderosa e imensa será (ver Dan. 2.35). Essa montanha encherá toda a terra. A montanha simboliza um grande reino. Essa montanha é distinta da imagem. É de origem divina e tem uma qualidade eterna, ao passo que a imagem feita pelo homem é reduzida a pó. “Os reinos anteriores tinham sido destruídos ou pela corrupção interna ou por algum conquistador vindo de fora. Mas esse novo reino nunca será destruído, pois permanecerá para sempre. A soberania de Deus jam ais passará... O escritor sacro, pois, estava dizendo que o Novo Reino não será apenas outro reino, que chegou e logo passará. Não estará nas mãos de algum grupo nacional, mas nas mãos de Deus" (Arthur Jeffery, in Ioc.). Esse intérprete passa então a fazer do quinto reino a nação de Israel, o que, em certo sentido, é verdadeiro, porquanto o reino do Messias será manifestado através da restaurada nação de Israel. No entanto, será mais do que isso.
“Por ocasião de Sua volta, o Messias subjugará todos os reinos a Seus pés, levando-os assim ao fim (ver Apo. 11.15; 19.11-20). E então Ele governará para sempre no milênio e no estado eterno” (J. Dwight Pentecost, in Ioc.). Os amilenistas acreditam que o reino milenar foi estabelecido por Cristo em Seu primeiro advento, e que a Igreja é esse reino. Eles também imaginam que o cristianismo crescerá até tornar-se uma grande montanha. Os pré-milenaristas acreditam que o reino messiânico será estabelecido por ocasião do segundo advento de Cristo. História ou Profecia? Alguns intérpretes crêem que as chamadas profecias de Daniel são, de fato, “declarações de fatos já acontecidos’ . Também supõem que o autor não tenha sido o profeta Daniel, que viveu entre os judeus cativos na Babilônia, e, sim, um pseudo-Daniel, que teria vivido em cerca de 165 A. C., durante o período dos macabeus. O autor sagrado teria falado sobre coisas que já haviam acontecido, exceto o império romano, que foi então adicionado às tradições interpretativas, quando surgiu em cena. E eles pensam de evidências históricas para essas tais afirmações. Ver a introdução a este livro, seção III, Autoria, Data e Debates a Respeito. Seria útil ao leitor ler toda a Introdução, pois há inúmeras observações sobre o livro de Daniel.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3382-3383.
Tendo Daniel então interpretado o sonho, a satisfação de Nabucodonosor foi tão grande, que não o interrompeu nenhuma vez. A interpretação foi tão completa, a ponto de o rei não ter perguntas a fazer, e foi tão clara que ele não teve nenhuma objeção a fazer. E assim, o homem de Deus encerra tudo com uma declaração solene:
1. Da origem divina desse sonho: O Deus grande (assim ele o chama, para expressar os seus próprios pensamentos elevados a respeito dele, e para gerar o mesmo na mente desse grande rei) fez saber ao rei o que há de ser depois disso, o que os deuses dos magos não puderam fazer. E assim, uma confirmação completa foi dada a esse grande argumento que Isaías havia muito tempo antes exortado contra os idólatras, e particularmente os idólatras da Babilônia, quando ele desafiou os deuses que eles adoravam a anunciarem as coisas que ainda haviam de vir, para que soubessem que eram de fato deuses (Is 41.23). Através de tudo isso, Daniel provou que o Deus de Israel é o Deus verdadeiro, que só Ele é capaz de declarar o final de todas as coisas desde o princípio (Is 46.10). 2. Da inequívoca certeza das coisas preditas por esse sonho. Aquele que faz saber essas coisas é o mesmo que as criou e as determinou, e por sua providência as realizará. E temos a certeza de que o seu conselho permanecerá, e não poderá ser alterado. Portanto, o sonho é certo e a sua interpretação é segura. Observe que podemos confiar em tudo aquilo que Deus quiser nos revelar.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 836.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com


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