quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O Deus que intervem na história (2)






Daniel mostrou estar à altura da tarefa. A sabedoria humana, pois, aparece nesse caso com o débil, e esse é um dos grandes tem as do capítulo. “Os deuses não vivem no meio do povo" (afirmaram eles), pelo que não podiam ser invocados para ajudar, Mas Yahweh, o Deus de Daniel, estava sem pre presente, e daria poder a Seu servo para fazer o que som ente o poder divino era capaz de realizar. O judaísmo é glorificado às expensas do paganismo, e esse é, igualmente, um tem a do livro de Daniel. A queles magos tinham deuses deístas, os quais nunca intervém na histeria humana, mas estão em algum outro lugar, ocupados em seus próprios negócios.
Dn 2.12,13 Então o rei muito se irou e enfureceu. Nabucodonosor perdeu a paciência e ordenou um decreto terrível: toda a classe dos psíquicos profissionais (magos de vários tipos) seria executada. Entre eles estavam Daniel e seus amigos. Torna-se óbvio, através do vs. 13, que Daniel, em sua educação geral, fora treinado para ser um dos sábios (o grupo com binado dos mágicos, astrólogos e feiticeiros, vs. 2). Essa não é a linguagem evangélica. Os judeus naturalmente estabeleciam uma distinção: Daniel era inspirado por Yahweh, e os demais eram dotados apenas de sabedoria humana, inspirados quem sabe por qual tipo de poderes estranhos.
“ ... a coletividade inteira de sábios, que, de acordo com Dan. 1.20, incluía Daniel e seus amigos. A expressão “sábios” ocorre onze vezes no livro como nome geral para os sábios da corte, e duas vezes (2.27 e 5.15) com o nome para uma classe como tal: astrólogos, mágicos, encantadores. No Oriente Próximo, esses adivinhos, feiticeiros sacerdotais etc. formavam uma espécie de classe. O rei estava decidido a livrar-se daquele corpo inteiro de sábios. Decreto: A mesma palavra era usada para indicar uma sentença judicial (vs. 9)”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3378-3379.
As Exigências Impossíveis do Déspota (Dn 2.4-13)
O rei apresentou a esses homens sábios o problema da sua profunda preocupação acerca do sonho que o havia acordado e fizera seus pensamentos fluir em uma correnteza inquietante. Os representantes sacerdotais, os caldeus (4), tornaram-se os porta-vozes para o restante do grupo e pediram uma descrição mais exata do problema. Eles pediram detalhes específicos do sonho antes de aventurar uma interpretação. Esse pedido irritou o rei. Ele os acusou de falar até que se mude o tempo (9), i.e., simplesmente protelando para conseguir mais tempo. Se a habilidade sobrenatural deles era genuína, eles deveriam garantir sua interpretação ao contar-lhe o sonho. Isso, obviamente, tirou a máscara da sua hipocrisia, porque não tinham meios de contar-lhe o sonho.
Visto que o rei tinha tornado isso uma questão de vida ou morte para todos os sábios, eles começaram desesperadamente a procurar uma forma de sobrevivência. Quando descobriram que nem mesmo o rei poderia ajudá-los porque havia esquecido seu sonho, eles perceberam como a sua situação era desesperadora. Postos contra a parede, eles foram impelidos à verdade. Porquanto a coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne (11).
Keil1 insiste em que o rei, na verdade, não tinha esquecido o sonho, mas estava determinado a testar a veracidade das habilidades desses denominados sábios. Se eles pudessem relatar os detalhes do seu sonho, ele estaria certo de que a interpretação deles teria validade. Mas se eles não tinham a habilidade nem mesmo de descrever o sonho, a professa habilidade sobrenatural deles era uma farsa e o castigo horrendo com que o rei os havia ameaçado seria o seu justo destino. Quer o sonho tenha sido esquecido, quer não, a situação dos sábios havia se tornado desesperadora.
O castigo decretado por Nabucodonosor era bastante comum entre os babilônios (veja 3.29). A despedaçamento de cativos de guerra havia sido praticado até pelos hebreus (1 Sm 15.33) como uma manifestação de julgamento extremo. Nabucodonosor acrescentou a esse horror o confisco de propriedade e a profanação das casas das vítimas, tornando-as um monturo (5), i.e., depósitos de lixo públicos.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 506.
A impotência dos sábios (v.10,11)
A sabedoria dos sábios deste mundo tem limites. O rei mandou chamar os sábios da Babilônia, mas eles não puderam contar o sonho nem dar sua interpretação ao rei. A sabedoria deles era limitada. Quem eram esses sábios? Em primeiro lugar, os magos. Eles eram possuidores de conhecimentos dos mistérios sagrados e das ciências ocultas. Em segundo lugar, os encantadores. Eles eram astrólogos, ou seja, aqueles que se dedicavam a contemplar o céu e buscar sinais nas estrelas com o propósito de predizer o futuro. Em terceiro lugar, os feiticeiros. Eram aqueles que usavam a magia, invocando o nome de espíritos malignos. Finalmente, os caldeus, uma casta sacerdotal de homens sábios.
A resposta desses sábios acerca da incapacidade deles era baseada em vários argumentos, conforme os versículos 10 e 11: 1) Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige; 2) Era um assunto sem precedentes na história da humanidade; 3) O pedido do rei era extremamente difícil; 4) A solução do problema era supra-humano.
A teologia dos sábios deste mundo é deficiente (v. 11).
Eles reconhecem que há uma divindade acima e além, mas não têm uma visão do Deus pessoal, presente entre Seu povo (Is 57.15).
A prepotência dos poderosos (v.5,8,12,13)
Nabucodonosor revela sua prepotência até mesmo na hora da perturbação de espírito. Ele demonstrou isso de três maneiras. Primeiro, exigindo dos homens o que eles não poderiam oferecer (v. 5,10,11). Há coisas que são impossíveis aos homens. Exigir deles isso é um ato de prepotência. Os magos da Babilônia tinham limitações.
Segundo, oferecendo vantagens financeiras e promoções (v. 6). O rei tem poder e riqueza nas mãos. Com essas duas armas deseja o mundo aos seus pés. Terceiro, determinando o extermínio dos sábios para satisfazer um capricho pessoal (v. 5,8,9,12,13). O rei não respeitou a limitação dos sábios. Acusou-os de esperteza (v. 8), conspiração (v. 9) e determinou o extermínio sumário deles (v. 12). Reinhold Niebuhr diz que esse sentimento de insegurança, bem como esse complexo de ansiedade, é a causa da tirania política moderna. Quanto mais alto um homem sobe, mais medo ele tem de perder o poder, mais inseguro se torna. Isso prova que o poder, a riqueza e a fama não dão segurança ao homem nem satisfazem sua alma.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 42-43.
II – ATITUDE SÁBIA DE DANIEL
1. A cautela de Daniel (vv. 16-18).
A atitude de Daniel que adiou a sentença de morte dos sábios da Babilônia Daniel “falou avisada e prudentemente com Arioque, o capitão da guarda do rei” (2.14). Quando o chefe da Guarda do rei recebeu ordens para matar a todos os sábios da Babilônia, inclusive a Daniel e seus companheiros, Deu entrou em ação interferindo naquele episódio. Ele deu inteligência a Daniel para falar com Arioque e pedir-lhe tempo para a execução ordenada pelo rei. Arioque deu a entender que não poderia adiar o mandado do rei (2.15). Daniel pediu que Arioque pedisse ao rei para ser ouvido e foi-lhe concedida a audiência com o Rei. Daniel achou graça diante de Arioque porque Deus amenizou seu coração para que a soberana vontade de Deus prevalecesse naquele situação. Foi-lhe concedida a oportunidade de se apresentar diante do Rei e ele, com respeito ao Rei e com palavras prudentes se identificou e pediu tempo ao rei para trazer, posteriormente, a revelação do sonho.
Daniel pede tempo ao Rei para trazer a revelação (2.16). Daniel foi ousado com a iniciativa de entrar na presença do rei e pedir-lhe tempo a fim de poder trazer-lhe a revelação do sonho. Sua ousadia não era essencialmente dele, porque Daniel tinha algo muito mais forte que era a sua fé no seu Deus, o Deus de Israel. Daniel conhecia o seu Deus e havia entendido que nada há que não possa ser revelado por Ele. Daniel convidou seus amigos para orarem ao Senhor com eficiência, até porque suas vidas estavam sob a mesma pena emitida pelo rei contra todos os sábios do palácio. Ele não agiu isoladamente, mas procurou seus amigos Ananias, Misael e Azarias para orarem a Deus e obterem a resposta divina. Ele sabia que o mistério do sonho do rei só poderia ser revelado através da oração. Ele sabia que a oração é o canal mais eficaz de obter respostas de Deus às nossas necessidades (2.17,18). Os sonhos são um dos modos de Deus falar com o homem e revelar sua vontade.
A revelação dos mistérios de Deus pela oração (2.18,19)
“Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite” (2.19). No versículo 18 está escrito que “Daniel foi para a sua casa” que era o lugar da sua intimidade com Deus, onde ninguém mais o perturbaria. Foi na sua casa que ele pediu ao Pai que revelasse aquele mistério a fim de salvar a sua própria vida e a dos seus amigos hebreus, bem como dos demais sábios do palácio. Sua intimidade com Deus lhe propiciou a graça divina para receber a revelação do sonho do rei em visão de noite. Uma prova indiscutível de que Deus se utiliza desses meios para revelar a sua glória aos seus servos.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 41-43.
Dn 2.16 Foi Daniel ter com o rei e lhe pediu designasse o tempo. Daniel aproximou-se ousadamente do rei, sem dúvida com a mediação de Arioque (ver o vs. 24), solicitando uma entrevista pessoal. Dessa forma, Daniel deixaria a questão descansar, satisfazendo a demanda do rei por informações. Daniel dependia do auxílio da fonte divina, Yahweh. Ele não tinha tal confiança em si mesmo. “A providência sem dúvida influenciou sua mente. A Daniel seria concedido algum favor especial” (Fausset, in loc.). A hora era de ousadia, e não de humildade, pelo que o profeta agiu com grande decisão. A humildade seria apropriada para uma ocasião menos dramática.
Dn 2.17 Então Daniel foi para casa. O A poio da Oração. Tanto a experiência quanto a experimentação (incluindo a de variedade científica) mostram que a oração é m ais poderosa quando feita em grupo. Energias espirituais geradas por pessoas unidas em um propósito não podem ser geradas por indivíduos comuns. Dessa form a, Daniel buscou apoio na oração. Ele apelou para seus três amigos. Quatro amigos tinham uma só mente, e esperavam grandes coisas da parte de Yahweh.
Dn 2.18 Para que pedissem misericórdia ao Deus do céu. ‘Naquele tempo de testes, Daniel manteve a calma. Ele voltou para casa, procurou seus três amigos, e, juntos, eles oraram pedindo misericórdia da parte do Deus do céu.
No contexto do livro de Daniel, aponta para Yahweh com o o Deus Altíssimo, em contraste com os deuses babilônicos ausentes (ver o vs. 11). Os babilônios tinham uma espécie de deísmo idólatra, pois a força criativa era vista com o inativa entre os homens, porquanto abandonara sua criação às leis naturais. Em contraste com isso, a fé dos hebreus era teísta. O teismo ensina que o poder criativo continua no universo, intervindo, recompensando e punindo, de acordo com as demandas da lei moral. “O Deus do céu é o equivalente judaico do nome cananeu Ba’al samem.
Esse era o título que os persas usavam para referir-se ao Deus dos judeus. Parece que caiu de uso em tem pos posteriores, por assemelhar-se muito ao term  grego Zeus Ouranioá' (Arthur Jeffery, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3379.
Deus Concede a Daniel a Interpretação (2.14-23)
Embora Daniel e seus companheiros tivessem escapado da convocação do rei, não escaparam da inclusão no decreto de matar os sábios (14). Eles também estavam entre aqueles que seriam executados. Quando Daniel ficou sabendo da natureza do decreto e do motivo da sua severidade, imediatamente se dirigiu ao rei. O fato de ter esse tipo de acesso testemunha a alta posição que havia herdado nos exames ocorridos tão recentemente (1.19-20). Na presença de Nabucodonosor, Daniel corajosamente prometeu que daria a interpretação (16), se lhe desse tempo. O rei, antes tão furioso com as manipulações desesperadas dos sábios, estava evidentemente impressionado com a sinceridade, firmeza e confiança de Daniel.
A própria ação de Daniel foi coerente com o homem de Deus que era. Ele chamou seus três companheiros para juntos com ele passar um tempo em oração intercessora fervorosa. A resposta a essa oração não demorou a chegar. Quando Daniel recebeu o sonho em uma visão noturna, ele irrompeu em um hino de louvor exultante a Deus.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 507.
A intervenção de Daniel (v. 14-18)
Daniel toma três atitudes importantes na solução daquele intrincado problema. Em primeiro lugar, ele vai ao rei e pede tempo (v.16). Daniel tem iniciativa e ousadia. Ele não foge, não se esconde, nem tenta enrolar o rei. Ele reconhece sua limitação, mas demonstra confiança na intervenção divina.
Em segundo lugar, Daniel vai aos amigos e pede oração (v. 17). Quando, para o mundo, só resta o desespero, para os filhos de Deus ainda há o recurso da oração. Os magos suplicaram ao rei da Babilônia que lhes contasse o sonho, mas Daniel fez o mesmo pedido ao Rei dos reis, o Senhor Deus Todo-Poderoso. Daniel compreendeu a importância de termos um grupo de oração. Ele sabia que quando os crentes se unem em oração, isto agrada a Deus, e a vitória é certa. Precisamos buscar ajuda nas pessoas certas na hora da crise.
Em terceiro lugar, Daniel vai a Deus e pede misericórdia (v. 18). Ele ora ao Deus do céu. O nosso Deus está acima do céu, isto é, acima do sol, da lua e das estrelas que os babilônios adoravam. Enquanto os caldeus adoravam os astros, Daniel adorava o Deus criador dos astros. Ele revela sua fé no Deus vivo. Daniel chega a Deus pedindo misericórdia. A oração é um ato de humildade, não de arrogância.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 43-44.
2. Deus ainda revela mistérios (vv. 19-27).
Daniel oferece a Deus sua ação de Graças pela revelação (2.20-23)
Daniel exalta a Deus reconhecendo que Ele tem todo o poder e sabedoria acima do poder de Nabucodonosor e de todos os sábios e poderosos do mundo. Só Ele poderia revelar, por sua onisciência, as coisas obscuras ao homem comum. A resposta veio a Daniel em sonho pelo qual ele bendisse ao Senhor (w. 19,20). Como Criador do universo, a terra estava sob o seu controle e providência, porque só Ele tem o poder de mudar o tempo e as estações do ano (v. 21;At 1.7).
Daniel teve a revelação e imediatamente foi procurar o homem responsável por cumprir a ordem do rei. Contou-lhe o que Deus lhe revelara e pediu que o mais depressa possível o introduzisse à presença do rei para contar-lhe a revelação do sonho real. A semelhança do que Deus revelou a José no Egito (Gn 41), Daniel foi agraciado por Deus pela revelação .
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 43.
Dn 2.19 Então foi revelado o mistério a Daniel. O mistério do sonho do rei foi resolvido por m eio de um a visão noturna. Talvez esse term o fosse distinguido dos sonhos com o algo superior, conforme se vê em Joel 2.28. Mas parece que no livro de Daniel o sonho espiritual é considerado de mesmo nível que as visões. É verdade que na experiência humana algum as vezes precisam os de uma orientação especial que vem por meio da inspiração mística. A Daniel foi conferida essa bênção, em sua hora de necessidade. Oh, Senhor, concedemos tal graça! O próprio Daniel algum as vezes mostrou-se incapaz de obter orientação por sua sabedoria, a qual era muito superior à nossa. Assim sendo, é óbvio que, algumas vezes, precisam os de orientação especial por meio de eventos extraordinários. Cf. este versículo com Gên. 46.2 e Jó 33.14,15. Daniel e seus amigos oraram durante a noite, e eis que no meio da noite a resposta chegou. Algumas vezes precisamos de respostas rápidas!
Daniel estava abordando um mistério, mas, através da oração, até mistérios podem ser revelados pela sabedoria de Deus (vs. 30)”.
Dn 2.20 Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus. A grande vitória alcançada foi a inspiração para o significativo hino de agradecimento e louvor ao Poder que prestara grande favor aos jovens judeus. Os que conhecem a literatura poética, conforme ela existia na antiga nação de Israel, dizem-nos que o poema a seguir consiste em quatro estrofes de três e quatro linhas, sendo corretamente classificado como um hino. Trata-se de um tem a que louvava a sabedoria e o poder de Deus. Cf. I Cor. 1.24. Deus intervém na história humana, e nós agradecemos e O louvamos por isso. Encontramos sentimentos similares em Sal. 41.13; Jó 12.12,12; Nee. 9.5 e Est. 1.13.
O segredo foi revelado facilmente, pois Deus sabe de tudo. A visão noturna deu a Daniel toda a informação de que ele precisava, e eram informações salvadoras. A fonte dessas informações foi o Deus do céu. Ver as notas expositivas sobre o vs. 18 quanto a esse título. A oração dos quatro amigos mostrou ser realmente poderosa.
Dn 2.27 Respondeu Daniel na presença do rei, e disse. Daniel não piscou quando seu olhar encontrou o olhar do rei. Ele sabia que tinha consigo a resposta divina. Ele concordou com os psíquicos profissionais: somente um deus poderia resolver aquele caso (vs. 11). Mas como Daniel tinha consigo o seu Deus, tudo estava bem. A casta inteira dos magos foi mencionada por suas partes constitutivas: sábios, encantadores, magos, astrólogos, adivinhos, tal como se vê no vs. 2. Eles estavam certos quanto a um detalhe. Eles não podiam, nem individual nem coletivamente, solucionar o problema do rei. Porém, um único indivíduo, com a ajuda divina, poderia resolver o problema do rei. E Daniel era esse homem. O profeta, pois, estava mostrando a debilidade da sabedoria divina, que não é inspirada pela Fonte divina de toda a sabedoria; e é possível ser essa a mensagem principal que a história tenciona ensinar. Pode ficar subentendido que os sábios da Babilônia não conseguiriam solucionar o problema, mesmo que se consorciassem com os deuses (falsas divindades). Há coisas que só podem ser resolvidas pelo Deus do céu (vs. 28). Poderes preditivos são atribuídos somente a Deus. Cf. Gên. 20.3; 41.16,25,28; Núm. 22.35. Estudos demonstram que o poder de prever o futuro é uma habilidade natural da psique humana, e certamente existem profetas não bíblicos na antiguidade e na modernidade, Mas isso era ignorado pelos hebreus. Esse fato, porém, não enfraquece o argumento de Daniel (vs. 28).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3379-3380.
Sonhos e visões em Daniel
A habilidade dada por Deus a Daniel de interpretar sonhos e visões (Dn 1.17) foi importante para sua função como conselheiro do rei da Babilônia, Nabucodonosor, um homem de sonhos problemáticos e misteriosos.
A seguinte comparação de um sonho de Nabucodonosor com um sonho e com uma visão de Daniel revela um tema recorrente no livro de Daniel: a frequente sucessão de reinos.
No sonho de Nabucodonosor, havia uma estátua cuja cabeça [era] de ouro fino; peito e braços, de prata\ ventre e coxas, de cobre; pernas, de ferro e pés, em parte de ferro e em parte de barro (Dn 2.32).
No sonho de Daniel, havia um animal semelhante a um leão, masque tinha asas de águia: um semelhante a um urso, masque tinha na boca três costelas entre os seus dentes; um semelhante a um leopardo, mas que tinha quatro asas de ave nas suas costas, e um, diferente de todos os animais que apareceram antes dele, cujos dentes grandes eram de ferro e que, além disso, possuía dez chifres] (Dn 7.4-7).
Na visão de Daniel, havia um carneiro, o qual tinha duas pontas, uma mais alta do que a outra (Dn 8.3) e um bode com uma ponta notável entre os olhos. Em um dado momento, o bode se engrandeceu e [...] a grande ponta foi quebrada, e subiram no seu lugar quatro [também] notáveis [...] e de uma delas saiu uma ponta mui pequena (Dn 8.5-9).
Na interpretação dada por Deus a Daniel, a Babilônia se estabeleceria como o primeiro império mundial (Dn 2.38; 7.17); a Babilônia, como o segundo império (Dn 2.39; 7.17; 8.20); a Grécia derrubaria o império medo-persa e se estabeleceria como o terceiro (Dn 2.39; 7.17; 8.21); e a Roma derrubaria a Grécia e se estabeleceria como o quarto (Dn 2.40-43; 7.17).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1278.
Dn 2.19. Coisas que estavam ocultas para os sábios da Babilônia foram reveladas a Daniel. Onde os primeiros haviam sido impotentes (10), o Deus do céu se mostrou capaz de revelar aos Seus servos o que estes precisavam saber. Numa visão de noite ("visão noturna", BJ), Daniel “viu" o que o rei tinha visto em seu sonho e ainda compreendeu do que se tratava. Pelo uso do conceito 'Visões noturnas" em Jó 4:13 e 33: 15, parece que aquele que recebia a visão se achava num sono profundo, embora dele não se diga que estivesse sonhando (talvez pelo fato de que as imagens não vinham da sua própria mente, mas por uma intervenção direta de Deus).
Dn 2.20-23. O fato de ter sido socorrido encontrou expressão em um hino espontâneo de gratidão ao único Deus que poderia atender de tal modo a uma oração; mas havia também temor e espanto pelo fato de esse mesmo Deus, invisível e infinitamente grande, ter estado diretamente em contato pessoal com ele. Este último pensamento está por trás da primeira linha do seu luno: o nome de Detis é revelado somente pelo próprio Deus (cf. Êx 6:3; Jz 13:17, 18) e representa ao que pode ser conhecido a Seu respeito. Daniel acabara de ver algo da sua sabedoria e poder, tendo recebido de Deus o poder compartilhar desses atributos divinos (23). O poder de Deus, explicitamente aqui de controlar a ordem natural e de governar a política humana, antecipa já o sentido do sonho, que o autor até então ainda não revelara. A sabedoria de Deus, da mesma forma, é todo abrangente (22). ilimitada; a ênfase que perpassa o texto, contudo, está no fato de Deus colocar Sua sabedoria à disposição: ele dá sabedoria ... e entendimento.. ele revela,. me deste... me fizeste saber... nos fizeste saber (aos que juntos oraram pedindo por conhecimento do sonho do rei). Sabedoria aos sábios (21) significa não que só os sábios recebem o dom da sabedoria “extra”, mas que onde houver sabedoria, esta foi recebida como um dom do único Deus que é a sua fonte. De conformidade com isso, há uma ênfase neste salmo sobre o Doador. Nas linhas 3-5 eleé enfático e do mesmo modo a ti na linha 6. Esta miraculosa resposta à oração relembra Daniel de tudo que ouvira dos maravilhosos feitos de Deus no passado, sentindo assim a continuidade entre ele e os que foram antes dele; por isso, louva ao Deus de meus pais (23).
Este pequeno salmo é um modelo de ação de graças. Nenhuma palavra é meramente repetitiva; cada uma das primeiras 9 linhas enaltecendo a grandeza de Deus faz a sua contribuição própria ao cântico de louvor, estando todas relacionadas com a experiência de Daniel. As últimas 4 linhas expressam a sua própria admiração pelo privilégio de compartilhar da sabedoria e poder de Deus (cf. o v. 20; as mesmas palavras são repetidas no aramaico.
ligando assim o fim do salmo com o seu início). A simetria e beleza da poesia fazem também a sua contribuição ao louvor a Deus.
Dn 2.24. Faltava agora ir ter com Arioque, dando-lhe as boas novas de que as execuções não precisariam ter lugar, pois Daniel pode revelar e Dn 2.25. Arioque deprecia as credenciais de Daniel, creditando a si próprio o ter achado alguém que satisfizesse os desejos do rei.
Dn 2.26. A pergunta do rei traz implicada a incredulidade: “Podes tu...? ”
Joyce G. Baldwin,. Daniel Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag 95-97.
3. O carater profetico do sonho de Nabucodonosor (vv.28-29).
Daniel revela ao rei que o sonho tinha um caráter profético e escatológico (2.26-29) “Podes tu jazer-me saber o sonho que tive e a sua interpretação? ” (2.26). O rei Nabucodonosor está ainda incrédulo de que aquele jovem ousado pudesse trazer a revelação do seu sonho. Ele não conhecia o poder do Deus de Daniel. Deus não se deixaria zombar por um rei pagão, adorador de deuses fictícios existentes na Babilônia. Daniel não se engrandece nem ostenta qualquer virtude própria capaz de revelar segredos. Daniel foi objetivo e demonstrou sua audácia diante do rei, não se apressando em dar a revelação do sonho antes de dizer ao rei que ele não era mais sábio que os demais, destacando o fato de que a revelação devia-se unicamente ao seu Deus, ao Deus de Israel, cujo propósito era o de tornar conhecidos os seus planos ao rei da Babilônia.
 “Há um Deus no céu, o qual revela os mistérios” (2.27). Daniel fez questão de dizer ao rei que o mistério do seu sonho “nem sábios, nem astrólogos, nem adivinhos o podem declarar ao rei” (v. 27), mas fez questão de ressaltar que “há um Deus no céu o qual revela os mistérios” (v. 28). O sonho do rei dizia respeito ao próprio reino da Babilônia, mas continha uma visão futura dos próximos reinos que haveriam de suceder ao reino da Babilônia. Daniel usou a expressão “fim dos dias” (v.28) que é escatológica e não significa simplesmente a sucessão dos impérios representados no texto. Segundo a escatologia judaica do Antigo Testamento “o fim dos dias” pode significar todo o espaço de tempo desde o começo do cumprimento da profecia até a inauguração do reino messiânico na terra.
A preocupação do Rei com o seu reino no futuro (2.29)
No sonho do rei, ainda que ele tenha tido dificuldades para entender o seu significado, estava revelado o porquê do sonho, ou seja, causa ou o motivo do sonho que dizia respeito à preocupação do rei quanto ao seu futuro e o futuro do seu reino. Na verdade, Deus usou um ímpio para algo especial acerca do futuro do povo de Israel e das nações do mundo. O esquecimento do rei acerca do seu sonho e a inquietação acerca do mesmo por não ter se lembrado tinha o dedo de Deus para revelar a sua glória através do seu servo Daniel.
“a mim me foi revelado esse mistério” (2.30). Não havia presunção ou vaidade no coração de Daniel quando atribui a si a revelação do mistério, mas era uma demonstração da sua humildade e reconhecimento pela soberania do seu Deus. Daniel professa solenemente que não há nenhum mérito seu na revelação do mistério, mas a glória pertence ao Deus que revelou a ele, por sua imensurável graça e poder.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 43-44.
Dn 2.28 Mas há um Deus nos céus. Onde psíquicos profissionais e sábios e deuses pagãos falham, o Deus do céu é bem-sucedido. Ver o vs. 18 quanto a esse título. A expressão “nos últimos dias" é sempre usada do ponto de vista do autor, e não de nosso século! Portanto, significa “mais tarde” ou, talvez, “em tempos remotos do nosso”, e não necessariamente nos últimos dias, imediatamente antes da era do reino etc. Se as profecias deste capítulo atingem a época dos romanos, então o tempo estava bastante afastado de Daniel para merecer a expressão; mas a verdade é que a visão de Daniel mergulhou num tempo ainda mais distante. “Do ponto de vista de Jacó (ver Gên. 49.1), isso significou o fim da ocupação de Israel da Terra de Canaã. Do ponto de vista de Balaão (ver Núm. 24.4), significou o fim da independência de Moabe e Edom... Mais freqüentemente, porém, essa frase é usada escatologicamente para indicar o fim da era presente, os últimos dias antes do Reino de Deus, a nova era. O teu sonho e as visões da tua cabeça. Se Joel 2.28 faz distinção entre as duas coisas, no livro de Daniel esses term os parecem sinônimos.
Ambas as coisas são consideradas reveladoras dos propósitos e da vontade de Deus, uma maneira pela qual um homem pode olhar para além dos lim ites do conhecimento humano ordinário. Daniel não tomou o crédito para si mesmo.
Dn 2.29 Estando tu, ó rei, no teu leito. A Nabucodonosor, embora fosse ele um rei pagão, foi dada uma visão. A tentativa de limitar as visões aos judeus e aos cristãos não passa nos testes da investigação. O Logos opera universalmente, e Ele tem agentes e servos não-cristãos. Os Logoi Sperm atikoi (as sementes do Logos) estão por toda a parte. Ver sobre esse term o na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
Deus é aquele que revela, e Ele não escolhe, necessariamente, agentes que merecem nossa aprovação. O rei pode ter estado a meditar sobre o futuro. Seu coração (a sede da inteligência) estava ativo. Mas a visão ocorreu espontaneamente, de acordo com o propósito divino.
Escopo da Visão. A visão cobriu a história do mundo em grandes lances, a começar pelos tempos de Nabucodonosor, tocando de leve em vários impérios mundiais e terminando com o reino eterno. “Esse mesmo periodo é chamado de ‘tempo dos gentios’, em Luc. 21.24" (J. Dwight Pentecost).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3380-3381.
Ele confirmou o rei em sua opinião de que o sonho cuja lembrança ele estava desejoso de recuperar era realmente valioso. Ele tinha uma mensagem de grande importância e de vasta conseqüência, e não era um sonho comum, a diversão ociosa de uma imaginação ridícula e luxuriante, que não valesse a pena se lembrar ou contar novamente, mas era uma revelação divina, um raio de luz lançado em sua mente vindo do mundo superior, relacionado aos grandes assuntos e reviravoltas deste mundo inferior. Deus, nesse sonho, revelou ao rei o que aconteceria nos últimos dias (v. 28), isto é, nos dias que estavam por vir, chegando até ao estabelecimento do reino de Cristo no mundo, que deveria ocorrer nos últimos dias (Hb 1.1). Além disso, “os pensamentos que subiram à tua mente não foram as repetições do que havia sido antes, como os nossos sonhos geralmente são” (v. 29):
Omnia quae sensu volvuntur vota diurno Tempore sopito reddit amica quies. Os sentimentos que nutrimos durante todo o dia Freqüentemente se misturam com os cochilos agradáveis da noite.
Claudiano
“Mas foram predições do que há de ser depois disso, e que Aquele que revela os segredos te fez saber. Portanto, tens o dever de aceitar o sinal e procurar entendê-lo.” Observe que as coisas que deverão acontecer no futuro são coisas secretas, que somente Deus pode revelar. E o que Ele revelou sobre essas coisas, especialmente com referência aos últimos dias, ao fim dos tempos, deve ser muito séria e diligentemente analisado e considerado por cada um de nós. Alguns entendem que os pensamentos que subiram à mente do rei em sua cama, sobre o que havia de ser depois disso, eram os próprios pensamentos que teve quando estava acordado. Pouco antes de dormir, e de ter tido esse sonho, ele estava distraindo a sua própria mente com aquilo que seria o resultado da sua grandeza crescente, pensando no que aconteceria mais tarde com o seu reino. E assim, o sonho foi uma resposta a estes pensamentos. Deus, desse modo, prepara os homens para as revelações que Ele, por tão grande bondade, pretende fazer.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 833.
III – DANIEL CONTA O SONHO E INTERPRETA-O
(2.31-45)
1. A correta descrição do sonho (vv. 31-35).
O sonho de Nabucodonosor tinha uma estrutura de uma mensagem profética. Os estudiosos veem o capítulo 2 apenas numa perspectiva histórica, porque os quatro impérios pagãos que a visão anunciava já passaram. Porém, a visão tinha também um sentido escatológico, porque estabelece ao final o reino universal de Cristo. É algo que Deus tem preparado para o futuro. A visão contém quatro divisões principais.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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PAZ DO SENHOR

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