quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A providencia divina (1)






O primeiro tópico da quarta lição, sob o título "a tentativa de se instituir uma religião mundial" leva-nos a pensar o assunto do Ecumenismo e do Diálogo Inter-Religioso. Uma característica da sociedade brasileira é a pluralidade das religiões e dos costumes. Igualmente, as denominações cristãs no Brasil são plurais. Por isso é importante definirmos expressões tão mal compreendidas no meio evangélico como o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso.

Ecumenismo
Em primeiro lugar começaremos dizendo o que não é o Ecumenismo. Ele não é a tentativa de reunir várias religiões numa só. Há muitas afirmações equivocadas sobre o conceito de Ecumenismo. Em parte, devido a propagação de um conceito errôneo da própria mídia brasileira. Entretanto, a palavra Ecumenismo provém da grega oikouméne que designa a ideia de "toda a terra habitada". Em outras palavras, do ponto de vista da Teologia Cristã, e segundo o pastor Claudionor de Andrade, Ecumenismo é "a concretização do ideal apostólico de agregação de todos os que professam o nome de Cristo". Isto é, um movimento dialogai e cooperativo entre as igrejas cristãs, especificamente, "a Igreja Católica, a Igreja Ortodoxa e a Igreja Protestante". Devido aos muitos aspectos culturais e teológicos, o ecumenismo cristão até agora não foi possível.
Diálogo Inter-Religioso
O Dicionário Teológico do pastor Claudionor de Andrade, acerca do termo Ecumenismo diz que "com o passar dos tempos, porém, a palavra foi sendo desvirtuada até ser tomada como um perfeito sinônimo para o sincretismo religioso". O termo passou por uma série de evoluções tanto no cenário religioso quanto no secular. Entretanto, os conceitos modernos da Teologia vêm resgatando a ideia do diálogo entre as igrejas de tradição cristã como sendo a identidade do Ecumenismo. Por outro lado, a expressão Diálogo Inter-Religioso dará conta da tentativa de se agregar as diversas religiões da sociedade. Ou seja, o Diálogo Inter-Religioso reúne os representantes das diversas religiões para dialogarem. Portanto, quando você assiste a um sacerdote, um pastor, um rabino e um imã (o dirigente muçulmano) reunidos num mesmo lugar o que ocorre ali não é um ato ecumênico, mas o diálogo inter-religioso. Entretanto, a tradição reformada e a pentecostal, ambas de tradição cristã, entendem as Escrituras como exclusivistas em matéria de fé e prática, por isso, ambas rejeitam o diálogo entre religiões
Revista Ensinador Cristão. Editora CPAD. pag. 38.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Neste capítulo percebe-se a obsessão do rei Nabucodonosor pelo poder quando ele se engrandece e se endeusa perante os súditos do seu império. Supõe-se que a história desse capítulo ocorreu quase ao final do seu reinado (Jr 32.1; 52.29).
O capítulo três é mais uma prova de que vale a pena ser fiel a Deus até mesmo quando somos desafiados em nossa fé. Percebe- se que Nabucodonosor já havia se esquecido da manifestação do poder de Deus na revelação dos seus sonhos, mas ele parecia embriagado pelo poder e pelo fulgor de sua própria glória. A presunção chegou ao ápice da paciência de Deus e ele não se contentou em ser apenas “a cabeça de ouro” da grande estátua do seu sonho no capítulo dois. Ele perde o bom senso e constrói uma estátua toda de ouro de mais de 27 metros de altura aproximadamente, e ordena que os representantes das nações, súditos seus, se ajoelhassem e adorassem à sua estátua que representava ele mesmo.Tornou-se um déspota que exigia dos seus súditos um servilismo irracional. No meio da multidão dos súditos estavam os três jovens hebreus fiéis ao Deus de Israel, o qual não transigiram de modo algum.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 55-56.
Temos aqui uma história que ilustra a convicção judaica de que o martírio é preferível à apostasia. A imagem colossal de Nabucodonosor teria de ser adorada por todos. Essa imagem de ouro (cap. 5) provavelmente representava o panteão do império, e talvez deificasse o próprio rei como seu deus-mensageiro. O sonho do segundo capítulo, em que Nabucodonosor figura como a cabeça de ouro da imensa e grotesca imagem, pode ter-lhe sugerido que seria apropriado construir uma imagem dele próprio, para efeitos de autoglorifícação. Essa história ignora a humilhação do rei diante de Yahweh-Elohim (vs. 46). Não seria demais que um pagão esquecesse esse incidente. Além disso, era comum que os antigos potentados levantassem tais imagens.
Daniel não aparece nessa história. Seus três amigos foram os perseguidos. Talvez devamos supor que o profeta, em sua glória (ver Dan. 2.48), estivesse fora do alcance do decreto e do desígnio do rei, mas seus amigos, em posições inferiores, foram assediados.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3383.
O MAIS IMPORTANTE NÃO É VIVER, mas ser fiel a Deus. Pessoas comprometidas com Deus resistem o pecado até o sangue e estão prontas a morrer, não a pecar.
Em Daniel 3, algumas verdades preliminares nos chamam a atenção:
Em primeiro lugar, tome cuidado, pois, a sede pelo poder pode tornar você cego e louco. Nabucodonosor era um homem embriagado pelo poder. Ficou cego pelo fulgor de sua própria glória.
Ele não se contentou em ser rei de reis, em ser o maior rei da terra, mas quis ser adorado como deus.
Em segundo lugar, acautele-se com a síndrome de dono do mundo.
Nabucodonosor não se contentou em ser a cabeça de ouro (capítulo 2). Agora constrói uma estátua toda de ouro, de trinta metros de altura, e ordena que todos os súditos de seu reino a adorem.
Esse rei megalomaníaco quer ser o centro do mundo.
Em terceiro lugar, o poder dos tiranos esbarra na fidelidade dos servos de Deus. O poder dos tiranos e dos déspotas sempre encontra seu limite em pessoas fiéis a Deus. Os três jovens hebreus são uma nota dissonante no meio daquela sinfonia de servilismo. Eles são intransigentes, inconformistas. A verdade é inegociável para eles. Não transigem com os absolutos de Deus. Não vendem a consciência. Preferem a morte à infidelidade. Estão prontos a morrer, não a pecar.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 51-52.
I – A TENTATIVA DE SE INSTITUIR
UMA RELIGIÃO MUNDIAL
1. A grande estatua.
“O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro” (3.1). Na verdade, o Império Babilônico foi o primeiro grande império mundial a construir uma grande estátua que deveria ser adorada por todos os súditos do império (Dn 3). Era interessante notar que em nenhum momento se identifica a estátua com algum deus babilônico. A omissão de algum nome para essa estátua sugere que o rei fez uma estátua que fosse identificada com ele mesmo que assumia uma postura de deidade. Era comum naqueles tempos dos assírios e babilônicos que os seus reis construíssem suas próprias imagens nas entradas dos palácios e diante das imagens dos deuses para que ficassem protegidos de males e fossem felizes em seus reinados. Porém, aquela imagem de 27 metros de altura fora construída para ser adorada pelos súditos em obediência ao edito soberano de Nabucodonosor. Em ocasiões especiais como a que o rei propiciou, quando as homenagens aos reis aconteciam diante dos deuses, Nabucodonosor exigia obediência cega dos seus súditos de todos os territórios do império fortalecendo seu domínio. De todas as nações presentes com seus exilados estavam lá os judeus que serviam ao Deus vivo de Israel. Mas o rei testava seu poder de dominação requerendo dos exilados que renegassem suas crenças e substituíssem seus deuses pelos deuses da Babilônia. Na história contada por Daniel, estavam lá os seus três amigos. Não há uma explicação plausível para a ausência de Daniel naquele evento. O que importa, de fato, é que os três hebreus deram uma lição de fé no seu Deus.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 56.
Dn 3.1 O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro. A imagem erigida foi imensa, tendo cerca de 30 m de altura, equivalente a oito andares de um edifício. Era feita de ouro. Talvez o sonho do rei, no qual ele aparecia como a cabeça de ouro, tenha influenciado a escolha do metal. A largura era de apenas 3 m, e é provável que a imagem não tivesse o formato de um homem. Se tivesse, seria uma figura muito grotesca. Foi levantada na planície de Dura (ver a respeito no Dicionário, quanto a detalhes). O termo dura era comumente usado na Mesopotâmia para indicar qualquer lugar fechado por uma parede ou por montanhas. Provavelmente o lugar ficava perto da Babilônia. Quanto a detalhes, ver o artigo. Essa construção provavelmente era uma coluna com inscrições, talvez uma imagem esculpida que representasse o deus honrado. Continua em debate a quantidade de ouro que havia nessa coluna. Provavelmente ela era apenas recoberta de ouro.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3383.
Um Auto-endeusamento do Imperador
J. A. Seiss faz uma defesa vigorosa de Nabucodonosor e de seu intento. Ele argumenta que o conceito audacioso da grande imagem era resultado direto do sonho do rei. Ele próprio não tinha caído em adoração diante do homem que transmitiu a mensagem do Deus dos céus?
Agora todo o seu reino se curvaria diante dessa maravilhosa ideia revelada a ele. Em sua mente pagã confusa esse era um tributo maravilhoso ao Deus de Daniel e seus amigos hebreus. Isso tornaria a recusa deles (em se curvar diante da estátua) ainda mais irracional e irascível.
Diante da luz da revelação clara e completa e dos princípios divinos que Nabucodonosor não tinha, fica evidente que ele cometeu um grande equívoco que não pode ser justificado ou desculpado de acordo com os padrões bíblicos. Mas o erro estava no método e não nos motivos. Era o erro da educação defeituosa, não da intenção. Ele honestamente queria reconhecer e glorificar o Deus dos céus que tinha se comunicado com ele de forma tão marcante. Ele desejava que o seu império, por meio de todos os seus representantes reunidos, reconhecesse que Deus era a cópia tangível da imagem dada a ele em sonho. A profundidade da sua natureza religiosa, das suas experiências e convicções se intensificaram no sentido de fazer obedecer ao que ele havia arranjado e ordenado de maneira tão devota e honesta”.
Mas é provável que esse esforço em defender o rei pagão da Babilônia não cubra todos os pontos. Não parece provável que Nabucodonosor tenha erigido uma imagem a um dos antigos deuses da Babilônia, visto que a terra estava cheia de deidades e templos competindo entre si. É possível, no entanto, que esse sonho tivesse marcado profundamente o rei, em relação ao seu lugar no mundo e na história. Afinal, não era ele a cabeça de ouro? Não era ele o primeiro e maior de todos os reis da terra? Não é difícil imaginar a crescente vaidade desse déspota oriental, cuja mente pagã falhou em sondar o verdadeiro significado das percepções espirituais que Deus havia tentado compartilhar com ele. Essa estátua de dois metros e sessenta de largura e vinte e sete metros de altura, que se elevava acima do campo de Dura (1), sendo visível a quilômetros de distância, proclamava a todos o esplendor do homem que a havia projetado e a glória do rei que ela simbolizava. O campo de Dura certamente ficava próximo de Babilônia, mas sua localização exata é desconhecida.
Qualquer que tenha sido o motivo de Nabucodonosor, o decreto que convocava todos os líderes políticos do reino, grandes e pequenos (3), não deixava dúvida quanto à exigência do rei. Instantaneamente, após o sinal combinado de antemão se o som da orquestra imperial (5), cada homem deveria prostrar-se em adoração diante da imagem.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 509.
"... uma estátua de ouro...” Alguns comentadores de renome têm pensado que a estátua do presente texto fosse uma “imagem do deus Merodaque, o padroeiro da cidade de Babilônia; ou do deus Nebo, do qual derivava o nome do rei. Outros porém são de opinião que a estátua ali erigida era do próprio monarca Nabucodonosor. (Ver Jz 8.27; 2 Sm 18.18). Entre os antigos conquistadores era natural que, após uma grande conquista, o conquistador fizesse uma estátua de sua própria pessoa, gravando nela o seu nome e o nome de seu deus. Segundo Heródoto, a “estátua de Sesostris, do Egito, tinha na largura do peito, de ombro a ombro, uma inscrição com os caracteres sagrados do Egito, onde se lia: ‘Com meus próprios ombros conquistei esta terra”’. E, segundo Cícero, havia “uma bela estátua de Apoio, em cuja coxa estava o nome de Miro, em minúsculas letras de prata”. Pode, de fato, ser imaginado que a estátua erigida ali, fosse a do próprio rei, contendo, na altura do peito, o nome de seu deus (Comp. com Ap 13.15). Quanto ao testemunho da Arqueologia, Operte, que fez escavações nas ruínas de Babilônia, em 1854, achou o pedestal de uma colossal estátua que pode ter sido um resto da gigante imagem de ouro de Nabucodonosor.
"... no campo de DURA...” A palavra persa que dá origem a esse nome significa: lugar rodeado por muros. E uma abreviação de um nome mais longo, composto com Duru, tal como Duru-sha-Karrabi, um subúrbio de Babilônia. Ali, pois, foi levantada uma estátua que media 30 metros por 3, aproximadamente. O côvado babilônico, segundo o “Dic. Davis”, media 0,56 a 0,58 centímetros, o que daria, em números redondos, aproximadamente, transformando côvados em metros, 34,00 a 35,00 m de altura por 3,40 de largura, ou seja, 60 x 6 côvados.
Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 53-54.
2. A diferença entre as estátuas.
A obsessão pelo poder faz a pessoa perder o bom senso. O rei Nabucodonosor estava dopado pela ideia de ser o maior e perdeu a autocrítica embriagado pelo próprio poder e cego pelo fulgor de sua própria glória. Ele não se contentou em ser apenas a cabeça de ouro da estátua do seu sonho. No capítulo dois havia uma estátua no seu sonho e no capítulo três ele constrói literalmente uma estátua para si. Essa presunção vislumbra profeticamente outra estátua (imagem) que será erguida pelo último império mundial gentílico profetizado como o reino do Anticristo e será no “tempo do Fim” (Ap 13.14,15).
Outra lição que aprendemos neste capítulo é a diferença entre a estátua do capítulo 2 e a do capítulo 3. A estátua do capítulo 2 era simbólica que surgiu no sonho do rei Nabucodonosor e a estátua do capítulo 3 era literal, construída pelos homens. A estátua do capítulo 3 tinha a forma de um obelisco e tinha um desenho um tanto grotesco que revelava a intenção vaidosa de Nabucodonosor de impor-se pela idolatria do homem e sua auto deificação aos olhos dos súditos.
“o campo de Dura, na província de Babilônia” (3.1). O nome Dura vem do acadiano, de onde vem o aramaico. O seu significado é “lugar cercado”, e entende-se que se tratava de um lugar fechado e cercado, que ficava numa planície pertencente à Babilônia.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 56-57.
Dn 3.1. A estátua e sua inauguração (3.1-3). A estátua do capítulo 2 foi em sonho; esta é real. Tinha sessenta côvados de altura - cerca de 29 metros. (O côvado babilônico tinha mais ou menos 48 cm). Tudo aqui era à base de seis, indicando coisas puramente humanas. (Ver 1 Samuel 17.4 e Apocalipse 13.18, onde também sobressai o número humano.)
Antônio Gilberto. DANIEL & APOCALIPSE Como entender o plano de Deus Para os últimos dias. Editora CPAD.
Foi pelo sonho e sua interpretação que Nabucodonosor foi trazido por um momento ao limiar de grandes e novas possibilidades para uma dedicação pessoal. Teve percepções que poderiam contribuir para um novo entendimento de si mesmo, e obteve, pelo menos, uma cura temporária de seus sonhos perturbadores.
Não fez, porém, uma plena dedicação de sua vida a Deus, o que então seria possível, e portanto não ficaremos surpresos ao lermos o que acontece no presente capítulo. Nabucodonosor agora reage contra o reino de Deus com o mesmo grau de tensão com que anteriormente se sentira atraído em direção a ele. Fez uso da ajuda que Deus lhe dera para avançar cada vez mais para uma posição de independência de Deus. Logo permitiu que o sistema em que estava vivendo o tragasse de novo, e imediatamente o achamos pervertendo a própria mensagem através da qual Deus procurara ganhá-lo. Agora, facilmente excluiu da sua mente a parte mais distante e desagradável da mensagem, o trecho acerca da pedra e do seu impacto esmagador sobre todas as estruturas terrestres;1 e começou a regalar-se no encorajamento que a parte agradável do sonho lhe deu, no louvor indubitável dos esforços que estava fazendo.
2 Aquela mesma palavra da parte do Deus de Daniel, tu és a cabeça de ouro, veio a ser para ele uma nova licença para continuar com as suas obras!
Mas pelo menos lembrou-se da única parte da visão que de imediato era relevante à tarefa de construir a grande nova sociedade. Era a parte dos pés muito frágeis sobre os quais a cabeça de ouro e o restante do corpo se firmavam, e a mistura de ferro e barro que não se ligam mas que se desintegram facilmente, com a qual, eles foram moldados. Tomou esta parte do sonho como uma advertência a si mesmo quanto à falta de coesão na sociedade que estava reestruturando. Pensando nisso ficava perturbado e era impulsionado para a frente. Talvez acreditasse que ele mesmo pudesse ver a tendência à desintegração, ilustrada pela estátua, já operando ao seu redor no seu império de ouro. Sentia que devia garantir a seus sucessores um desenvolvimento melhor. Tinha de injetar um cimento forte, durável, que formasse uma boa liga naquela sociedade em desenvolvimento.
Que cimento melhor e mais durável poderia haver do que uma só religião para todos e uma cultura profundamente influenciada por essa religião em comum? Nisso, acreditava ele, conseguiria o núcleo em redor do qual uma consciência comunitária verdadeiramente forte poderia desenvolver-se e crescer. Organizaria as coisas em prol desse desenvolvimento.
Não é, portanto, surpresa alguma, depois do sonho, vermos Nabucodonosor com um novo ímpeto de planejamento social, levado a efeito com urgência, idealismo e convicção. O que mais o preocupa agora é acabar com todas as possíveis fontes de divisão e de desintegração. Sendo ele um militar, podemos até mesmo imaginar que desejava criar na vida civil o mesmo sentimento de união e comunhão que decerto experimentara nas suas campanhas militares! De qualquer maneira, cada um deve ser levado a sentir que pertence a alguma coisa que vale a pena, que é vital e basicamente atraente. O alvo de Nabucodonosor é desenvolver e unificar a cultura. Mas, antes de tudo, precisa de uma religião unificante, já que religião era definida, naquele mundo antigo, como sendo “aquilo que liga” e era amplamente reconhecida como sendo o melhor cimento para conservar unida a sociedade.
Ronald S. Wallace. A Mensagem de Daniel. Editora ABU. pag. 56-57.
3. A inauguração da estatua de ouro.
Um rei embriagado por sua própria glória (3.1-5). Nabucodonosor foi seduzido por seu ego presunçoso que se via superior a tudo e todos. Ele estava embriagado por sua própria glória temporal e passageira, por isso seu coração se engrandeceu e ele desejou ser adorado como deus. Não lhe bastou a revelação de que o único Deus verdadeiro triunfaria na história conforme está expresso no capítulo dois. Ele preferiu exaltar a si mesmo e para tal instituiu o culto a si e a adoração, também, dos seus deuses. O objetivo era escravizar as consciências e obrigá-las a servirem aos seus deuses.
A ameaça da fornalha ardente (3.6). Era a punição mais terrível que alguém poderia sofrer: ser queimado vivo numa fornalha grandemente aquecida. Era um modo de forçar a que todos os seus súditos, principalmente, os príncipes que viviam no palácio, a obedecerem o edito real e adorarem a imagem que o rei construiu. Todos deveriam, ao som dos instrumentos musicais, se prostrar e adorar a imagem de ouro do rei (Dn 3.5). Aos súditos que eram idólatras e serviam a deuses pagãos, mais um não faria muita diferença. Mas para os servos do Deus Altíssimo que é adorado em espírito e em verdade era uma questão de fé e ousadia. O decreto do rei era inevitável e quem o desobedecesse sofreria a punição na fornalha ardente. Segundo o profeta Jeremias, o rei Zedequias de Judá foi queimado no fogo na Babilônia (Jr 29.22).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 57-58.
Dn3.2 Então o rei Nabucodonosor m andou ajuntar os sátrapas. A importância da imagem para Nabucodonosor é demonstrada pelo convite geral (ordem, decreto) aos oficiais babilônicos para a dedicação da imagem. Essas comemorações festivas eram comuns na Babilônia. A lista dos oficiais é similar a outras descobertas no antigo Oriente Próximo e Médio. Sargão, em suas inscrições, bem como Esar-Hadom, apresentou listas similares. Os títulos aqui usados eram quase todos persas, e isso tem provocado um problema histórico. Inscrições neobabilônicas não mostram nenhuma influência das palavras persas. Alguns críticos vêem nesta circunstância evidência de uma data posterior do livro.
Nomes:
1. Sátrapas. Cf. Esd. 8.36; 3.12; 8.9 e 9.3. Foi Dario I quem dividiu o império em satrapias e suas datas foram 521-495 A. C. Eram os principais representantes do rei, pois eram os cabeças do governo provincial.
2. Prefeitos. Cf. Dan. 2.48 e 6.7. Esdras e Neemias usaram o termo para certos oficiais secundários de Jerusalém . Mas alguns estudiosos acreditam tratar-se de comandantes militares.
3. Governadores. Ver Esd. 5.14. Esses eram “senhores de distritos”, os bel pahati dos babilônios. Oficiais im portantes e subalternos eram assim cham ados, o que significa que essa palavra pode apontar para ambas as coisas.
Eram administradores civis de várias categorias.
4. Conselheiros. Conforme os nomes persas subentendem, eram conselheiros do povo (handarza, conselheiro + /cara, povo), Essa palavra pode significar qualquer pessoa que tinha a autoridade do governo por ela representada.
5. Tesoureiros. Cf. Esd. 7.21, onde a palavra existe com uma variante de diferente soletração. Eles eram administradores dos fundos públicos.
6. Juízes. Essa palavra vem do hebraico, data bara (sustentador da lei). Eram os especialistas na administração das leis.
7. Magistrados. Ao que parece, a palavra deriva-se de um termo persa, pat, “chefe”. Oficiais militares e palacianos eram assim chamados, mas alguns estudiosos vinculam esse ofício com o de número seis, supondo que eles fossem executores da lei.
8. Todos os oficiais. O autor sagrado usou essa expressão para evitar deixar de lado qualquer oficial que tivesse autoridade. Ninguém que tivesse um mínimo de importância foi ignorado no convite (ordem, decreto). Todas as autoridades da terra se puseram de pé diante da imagem, dando a ela sua sanção e aprovação, confirmando o decreto de que todos os habitantes do reino deveriam adorar àquela monstruosidade. Toda idolatria é abominação.
Nabucodonosor teve sua abominação forçada, e não permitiria uma única voz discordante. Os desobedientes seriam brutalmente executados, conforme o restante da história demonstra claramente.
Dn 3.3 Então se ajuntaram os sátrapas... O decreto real foi autenticado pela liderança coletiva da nação. Este versículo repete os nomes dos oficiais do versículo anterior, para compreendermos que todos aqueles oficiais concordaram com o decreto.
Não houve absolutamente voto democrático. Nem havia permissão para que alguém desobedecesse às ordens reais. Desobedecer seria considerado uma traição ao estado. Foi assim que o rei pensou em um absurdo, e a liderança secundária inteira promoveu a causa com entusiasmo. Os oficiais do governo vieram de todos os lugares. Nenhum oficial seria capaz de ocultar-se e escapar dessa prática idólatra.
Aqueles homens ridículos ficaram de pé enquanto a imagem era dedicada, pois seria considerado um sacrilégio alguém sentar-se. Eles respeitaram o que não deveria ser respeitado. Ninguém proferiu um comentário crítico contra a imagem, e certamente ninguém lhe deu pontapés. A lealdade foi jurada àquele culto, a qual seria a “religião do estado” em todos os lugares do império.
Dn 3.4 Nisto o arauto apregoava em alta voz. Um arauto foi comissionado para exprimir a convicção da liderança babilônica. Visto que fora o rei quem ordenara aquele culto, todos eram cem por cento favoráveis. Todos os povos dentro dos limites do império babilônico foram obrigados a adorar a imagem. Isso significa que praticamente todo o mundo então conhecido foi forçado a adorar o monstro da planície. Quanto a “povos, nações e línguas”, cf. os vss. 7 e 29; 4.1; 5.19; 6.25 e 7.14. Isso fala em universalidade. Judite 3.8 pinta Nabucodonosor decidido a eliminar todas as religiões não-babilônicas. Isso se tornou um ato de patriotismo.
Talvez exista um paralelo aqui a Antíoco (ver Dan. 11.36). A ordem era “ou obedece, ou é queimado”.
Dn 3.5 No momento em que ouvirdes o som da trombeta. “A música daria o sinal para o ponto alto do culto de dedicação. Isso ocorreria não somente porque todos os reunidos deviam saber o momento preciso em que deveriam obedecer ao decreto real, mas também porque, na antiguidade, era costume que instrumentos musicais acompanhassem as cerimônias públicas” (Arthur Jeffery, in Ioc.).
Os nomes dos instrumentos foram dados em grego, talvez outra indicação da data tardia do livre de Daniel, Cf. as palavras empregadas para os oficiais, no vs. 2. Pode-se argumentar que as edições posteriores do livro mudaram os nomes desses instrumentos para que se tornassem inteligíveis aos leitores da época — mas esse é um argumento fraco. Além disso, era cedo demais para os críticos afirmarem que palavras gregas influenciaram uma lista inteira de instrumentos da época de Nabucodonosor. Logo, que o problema fique como está, e que aqueles que quiserem incomodar-se com ele, que se incomodem.
“A orquestra incluiu instrumentos de sopro (a trom beta e o pífaro, cf- Dan. 3.10,15); um instrumento de palheta (a flauta); e instrumentos de corda (a harpa, a citara e o saltério)” (J. Dwight Pentecost, in ioc).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3384.
Uma convocação geral dos estados do império para comparecerem à solenidade de consagração dessa imagem (w. 2,3). Mensageiros são enviados a todas as partes do reino para reunir os sátrapas, os prefeitos, os presidentes, todos os pares do reino, com todas as autoridades civis e militares, os capitães e comandantes das forças, os juízes, os tesoureiros ou recebedores gerais, os conselheiros, os oficiais, e os governantes das províncias. Todos eles devem vir para a consagração dessa estátua, sob pena de sofrerem a dor e o perigo do que lhes sobrevirá depois disso. Ele convoca os grandes homens, para a grande honra do seu ídolo. É, portanto, mencionado para a glória de Cristo que os reis lhe trarão presentes. Se esse governante pode trazê-los para prestar homenagens à sua estátua de ouro, ele não tem dúvida de que as pessoas inferiores farão o mesmo. Em obediência às convocações do rei, todos os magistrados e oficiais desse vasto reino deixam os serviços dos seus respectivos países, e vêm para a Babilônia, para a consagração dessa estátua de ouro. Muitos deles fizeram viagens longas e caras, em uma missão muito tola. Mas, assim como os ídolos são coisas insensíveis, os adoradores também o são.
Uma proclamação é feita ordenando que todos os tipos de pessoas se apresentem diante da imagem, e que ao sinal dado, caiam prostradas, e adorem a imagem, sob o tratamento e o título: “A imagem de ouro que o rei Nabucodonosor erigiu”. Um arauto proclama isso em voz alta por toda essa reunião de pessoas eminentes, com a sua numerosa comitiva de servos e atendentes, e uma grande multidão de pessoas, sem dúvida, que não foram convocadas. Que todos eles observem: 1. Que o rei rigorosamente exigiu e ordenou que todos os tipos de pessoas se prostrassem e adorassem a estátua de ouro. Não importavam quais eram os deuses que eles adoravam em outros tempos. Agora, eles deveriam adorar esse. 2. Que todos eles deveriam fazer isso exatamente ao mesmo tempo, em sinal de sua comunhão uns com os outros nesse serviço idólatra, e que, para esse fim, a notícia deveria ser comunicada através de um concerto de música, que igualmente serviria para adornar a solenidade, amenizar e suavizar o pensamento daqueles que estivessem relutantes a ceder, e levá-los a obedecer à ordem do rei. Essa alegria e júbilo na adoração seriam muito condizentes com as mentes sensuais e carnais, que são estranhas à adoração espiritual que é devida a Deus, que é espírito.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 838-839.
Dn 3.2: “E o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátra- pas, os prefeitos e presidentes, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, os oficiais, e todos os governadores das províncias, para que viessem à consagração da estátua que o rei Nabucodonosor tinha levantado”.
"... tinha levantado”. O original pode verter as palavras da seguinte forma: “O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro. E levantou-a”. Estas palavras formam um refrão que percorre a primeira metade do capítulo (versículos 1 a 18). O grande ídolo de Nabucodonosor era uma imagem nova e nacional. E, evidentemente, o objetivo do monarca era consolidar todas as nacionalidades do mundo em uma só nação. A nação babilônica. “Para alcançar tal coisa, era essencial que o governo fosse supremo em tudo, tanto no sentido religioso como no civil. A Roma pagã, séculos depois, fez o mesmo, perseguindo os crentes, não somente porque faziam cultos a Cristo, mas porque não adoravam a César, o imperador, como um ser divino...” Nota-se nas palavras, repetidas vezes, que o rei ajuntou “os sátrapas, os prefeitos, e presidentes, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, os oficiais, e todos os governadores... para que viessem à consagração”. Isso era, sem dúvida, uma forma para dar prestígio à inauguração da nova religião, ajuntando, assim, as autoridades de todas as províncias do seu vasto reino.
Dn 3.3: “Então se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, os oficiais, e todos os governadores das províncias, para a consagração da estátua que o rei Nabucodonosor tinha levantado, e estava em pé diante da imagem que Nabucodonosor tinha levantado”.
O leitor deve observar a repetição exata da lista de oficiais de grandes patentes, bem como dos instrumentos musicais, pode estar refletindo um estilo de retórica semítica; isso, podemos observar no próprio Pentateuco, era uma forma hebraica; enquanto a forma grega era abreviada. A lista de autoridades segue o estilo grego daqueles dias. Sátrapas, é uma transliteração da palavra grega que, por sua vez, representa um original medo. A palavra significa “protetor” e era usada no Império Persa para o governador de uma província. As demais patentes são palavras de vasto sentido no mundo ocidental e principalmente no oriental. Quase que as funções da lista restante, são traduzidas por magistrados, como se todos fossem juízes. Mas é evidente que os governantes daqueles dias eram considerados juízes, conselheiros, etc.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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