sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chamada ministerial (3)



Um incentivo adicional a este tipo de hospitalidade vem do registro bíblico de que, com a sua hospitalidade, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos. Isto aconteceu com Abraão (Gn 18.1-14) e Ló (Gn 19.1- 3). A hospitalidade estendida aos anjos e recebida por eles mostra a importância da hospitalidade que os cristãos devem oferecer uns aos outros. E melhor oferecer hospitalidade generosamente do que perder a oportunidade de receber anjos.
Heb 13.3 A terceira instrução concentra-se nos presos. Já houve uma alusão a esta recomendação em 10.32-34. Os crentes devem se compadecer dos prisioneiros, especialmente de (mas sem se limitar a) cristãos aprisionados pela sua fé. Jesus disse que os seus seguidores seriam seus representantes quando visitassem pessoas na prisão (Mt 25.36). Outros que eram maltratados - espancados, assaltados, atacados, ou humilhados – também precisavam ser lembrados. Os crentes devem sofrer com eles e compartilhar a sua tristeza (veja também 1 Co 12.26; 2Tm 1.16).
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 643.
Heb 12.2 A hospitalidade: “Não vos esqueçais da hospitalidade” (v. 2). Precisamos acrescentar ao amor fraternal a hospitalidade. Observe aqui: 1. O dever exigido - hospitalidade, tanto para com aquelas pessoas que são estranhas à comunidade de Israel quanto para com aquelas que são estranhas à nossa pessoa, especialmente os que sabem que são estrangeiros aqui e estão buscando uma nova pátria, que é o caso do povo de Deus, e era assim nessa época: os judeus que criam estavam numa condição desesperadora e angustiante. Mas ele parece referir-se à hospitalidade em relação a estranhos como tais; embora não saibamos quem são, nem de onde vêm, mesmo assim, vendo que estão sem um lugar definido de hospedagem, devemos lhes dar lugar no nosso coração e na nossa casa, à medida que tivermos oportunidade e condições.
2. O motivo: “...porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”', foi assim no caso de Abraão (Gn 18), e de Ló (Gn 19), e um dos que Abraão recebeu era o Filho de Deus; e, embora não possamos supor que isso sempre seja o nosso caso, mas o que fizermos aos estranhos, em obediência a Ele, Ele vai considerar e recompensar como tendo sido feito a Ele mesmo (Mt 25.35): “Era estrangeiro, e hospedastes-me”. Deus com frequência concedeu honras e favores aos seus servos hospitaleiros, além de toda a imaginação e de forma inesperada. V A compaixão cristã: “Lembrai-vos dos presos (v. 3). Observe aqui: 1. O dever - lembrar dos presos, e dos maltratados.
(1) Deus com frequência ordena as coisas de tal forma que enquanto alguns cristãos e igrejas estão em meio a adversidades, outros desfrutam de paz e liberdade. Nem todos são chamados ao mesmo tempo a resistirem até o sangue. (2) Aqueles que estão em liberdade precisam ter compaixão daqueles que estão presos e em meio a adversidades, como se estivessem presos com eles nas mesmas correntes; eles precisam sentir os sofrimentos dos seus irmãos. 2. A razão desse dever: “...como se estivésseis presos com eles [...] como sendo-o vós mesmos também no corpo”; não somente no corpo natural, e assim propensos a sofrimentos semelhantes, e vocês devem se compadecer deles agora para que outros se compadeçam de vocês quando chegar o seu tempo de provações. Mas também no mesmo corpo místico, debaixo da mesma cabeça: “De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele”. Não seria natural nos cristãos se não carregassem os fardos uns dos outros.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 818.
Bondade para com o estrangeiro (13.2). A mesma palavra philia, “amor”, que no versículo 1 está associada com “irmãos”, está aqui associada com zenos, “estrangeiro”. Não permitam que o calor da sua afeição e hospitalidade seja uma coisa exclusiva, limitada ao seu círculo imediato de amigos crentes; portanto, não vos esqueçais da hospitalidade (6.10), porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos (Gn 18—19). Isto não significa que devemos tratar cada maltrapilho que passa como um convidado de honra, mas significa que há recompensas inesperadas e escondidas em um espírito de hospitalidade generoso, que vale para os de fora bem como para os de dentro. Nossa bondade pode não descobrir anjos, mas pode contribuir para a formação de santos.
Compaixão pelos que sofrem (13.3). Também devemos lembrar dos presos, como se estivéssemos presos com eles. Não pode haver verdadeira empatia se nos restringirmos a lágrimas de crocodilo em casa. Devemos entrar no sofrimento dos outros por meio da oração, da escrita, da visitação, às vezes por meio de ajuda jurídica ou financeira. Muitos estão presos pela doença em hospitais ou inválidos em casa. Estes também precisam ser lembrados. Devemos ser atenciosos com todos que sofrem adversidades, de qualquer tipo, como se nós mesmos estivéssemos sendo maltratados no corpo. Se no momento não estamos passando por tribulações semelhantes isto não deve ser motivo de presunção e, certamente, nenhuma evidência de favoritismo divino; nem é uma garantia para o futuro. Estar no corpo é ser igualmente exposto a todos os riscos que pertencem à vida na terra. Os cristãos muitas vezes são protegidos sobrenaturalmente, mas nem sempre. Eles não estão imunes a doenças ou isentos de sofrimento. Por que Deus permitiu que Tiago fosse morto por Herodes, mas poupou Pedro de maneira miraculosa? Por que Ele permite todas as outras injustiças aparentes? Isto é um mistério que está escondido em sua soberania inescrutável e perfeita.
Richard S. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 123.
3. O despenseiro deve administrar com fidelidade.
O DESPENSEIRO DEVE ADMINISTRAR BEM A GRAÇA DE DEUS
Aqui, entendemos que cada crente é um despenseiro de Deus. Pedro adverte quanto a sua mordomia, dizendo: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém” (1 Pe 4.10, 11).
O DESPENSEIRO DEVE SER FIEL
Escrevendo aos coríntios, Paulo ensina que devemos ser vistos pelos homens, todos os crentes, como “ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (1 Co 4.1). A palavra ministro vem de diáconos, ou servo. Diante de Deus, cada um deve ser servo a serviço da igreja e de sua missão na Terra. Tendo em vista sua grande missão, diante de Deus, da Igreja e dos homens, os despenseiros devem ser fiéis em tudo. Os “mistérios de Deus” não têm nada a ver com coisas ocultistas, esoteristas ou místicas. A Bíblia nos declara que significa esse mistério. Paulo, aos colossenses, diz: “o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos-, aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória (Cl 1.26,27). Aí, temos “o mistério” revelado: “Cristo em vós, esperança da glória”! Esse mistério foi revelado “para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef 3.10).
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 154.
I Ped 4.10 Cada pessoa recebeu um ou mais dons espirituais da parte de Deus - um talento ou uma habilidade concedidos pelo Espírito Santo que podem ser usados no ministério da igreja. Os dons espirituais ajudam o povo de Deus a servir e amar uns aos outros (4.8) e a prosseguir em sua tarefa de divulgar o Evangelho. Alguns destes dons tão variados estão listados em Romanos 12.6-8, I Coríntios 12.4-11,27-31, e Efésios 4.11,12 - estas listas são diferentes, e não são, de maneira alguma, exaustivas. Quando os crentes reconhecem humildemente a sua parceria no corpo de Cristo, os seus dons podem ser usados de maneira eficaz.
Quando os crentes usam os seus dons no serviço humilde aos outros, a graça de Deus pode fluir deles. Os dons que Deus dá aos crentes são tão variados e multifacetados quanto os próprios crentes. Assim como a graça de Deus varia ao tratar as pessoas, os dons de Deus (dados devido à sua graça) também variam na administração da sua graça como corpo de Cristo na terra. Administrá-los bem significa não ocultar os dons, mas usá-los como devem ser usados - para servir e edificar o corpo de Cristo.
I Ped 4.11 Pedro encorajou os crentes para que usassem os seus dons (4.10). Os homens e mulheres que têm o dom de falar devem ser responsáveis peio que dizem, falando segundo as palavras de Deus. Da mesma maneira, aqueles que foram dotados com habilidades que se centram em ajudar aos outros também têm uma responsabilidade - não servir com as suas próprias forças, mas segundo o poder que Deus dá. Se os crentes servirem unicamente com as suas próprias forças, ou para parecerem bons aos olhos dos outros, eles começarão a pensar que servir é uma tarefa exaustiva. Mas servir com o poder de Deus significa ser capaz de fazer mais do que é pedido, e fazê-lo com um único objetivo: para que Deus seja glorificado por Jesus Cristo. Quando os crentes usarem os seus dons como Deus ordena (para ajudar os outros e edificar a igreja), os outros verão a Jesus Cristo neles e glorificarão ao Senhor pela ajuda que receberam.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 729.
(1) A regra é que, qualquer que seja o dom, comum ou extraordinário, quaisquer que sej am o poder, a habilidade ou a capacidade para fazer o bem que nos foram dados, devemos administrar, ou servir, uns aos outros com eles, não nos considerando senhores, mas somente “...bons despenseiros da multiforme graça”, ou dos diversos dons de Deus. Aprenda: [1] Seja qual for a habilidade que tivermos para fazer o bem, precisamos reconhecê-la como um dom de Deus e atribuí-lo à sua graça. [2] Quaisquer dons que tenhamos recebido, devemos considerá-los como recebidos para o uso uns aos outros. Não podemos tomá-los para nós mesmos, nem escondê-los num lenço, mas servir com eles aos outros da melhor maneira que conseguirmos. [3] Ao recebermos os multiformes dons de Deus, precisamos considerar-nos apenas despenseiros, e agir de acordo com isso. Os talentos que nos são confiados são bens do nosso Senhor, e precisam ser empregados de acordo com a orientação dele. E se exige de um despenseiro que seja encontrado fiel.
(2) O apóstolo exemplifica as suas orientações acerca dos dons em dois aspectos particulares: falar e administrar, acerca dos quais ele dá estas regras: [1] “Se alguém, seja um ministro em público, seja um cristão numa reunião particular, falar ou ensinar, precisa fazê-lo segundo as palavras de Deus”, que nos orientam acerca dos assuntos da nossa fala. O que os cristãos em particular ou os ministros em público ensinam e falam precisa ser a pura palavra e os oráculos de Deus. Acerca da maneira de falar, precisa ser com seriedade, reverência e solenidade, que convém à santa e divina palavra. [2] “Se alguém administrar, ou como um diácono, distribuindo donativos da igreja e cuidando dos pobres, ou como pessoa particular, por meio de dádivas e contribuições de caridade, administre segundo o poder que Deus dá”. Aquele que recebeu abundância e habilidades de Deus deve administrar com abundância, e de acordo com sua habilidade. Essas regras devem ser seguidas e praticadas para este fim, “...para que em tudo, em todos os seus dons, ministrações e serviços, Deus seja glorificado” (v.11), “...para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16), “...por Jesus Cristo” (v. 11), que obteve e concedeu esses dons aos homens (Ef 4.8), e unicamente por meio de quem nós e nossos serviços são aceitáveis a Deus (Hb 13.15), a quem, Jesus Cristo, “...pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém.” Aprenda que, em primeiro lugar, é dever dos cristãos em particular e dos ministros em público falar uns aos outros das coisas de Deus (Ml 3.16; Ef 4.29; SI 145.10-12). Em segundo lugar, importa seriamente a todos os pregadores do evangelho manter-se próximos da palavra de Deus, e tratar essa palavra como os oráculos de Deus. Em terceiro lugar os cristãos não devem somente cumprir com as suas obrigações, mas precisam cumpri-las com vigor e de acordo com as suas melhores habilidades. A natureza da obra de um cristão, que é trabalho sublime e difícil, a bondade e o favor do Mestre e a excelência de toda a recompensa, tudo exige que os nossos esforços sejam sérios e vigorosos, e tudo que somos chamados a fazer para a honra de Deus e o bem dos outros, devemos fazer com todas as nossas forças. Em quarto lugar, em todos os deveres e serviços da vida devemos almejar a glória de Deus como o nosso propósito principal; todas as outras coisas precisam ser submetidas a isso, que vai santificar nossos atos e coisas comuns (1 Co 10.31). Em quinto lugar, Deus não é glorificado por nada do que fazemos se não oferecermos isso a Ele por meio da mediação e dos méritos de Jesus Cristo. Em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, que é o único caminho para o Pai. Em sexto lugar, a adoração que o apóstolo presta a Jesus Cristo e o fato de lhe atribuir louvor e domínio eternos provam que Jesus Cristo é o Deus Altíssimo, bendito acima de tudo para sempre. Amém.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 879-880,
I Ped 4. 10 Cada um, conforme recebeu um dom da graça – servi uns aos outros com ele como bons administradores da multiforme graça de Deus. Visto que os dons da graça (em grego: charisma) são dados pelo Espírito Santo, eles também são chamados de “dons do Espírito” (1Co 14.1). Este versículo presta uma importante contribuição para a pergunta a respeito do que são os carismas e como devem ser exercidos. O contexto demonstra que ser hospitaleiro, falar a palavra de Deus e exercer a diaconia são serviços dos dons da graça. O NT, portanto, não restringe o termo “dom da graça” aos dons particularmente notórios, p. ex., cura de enfermos (1Co 12.9) ou línguas (1Co 12.10; 14.13). Quem pratica de modo alegre e consciente a hospitalidade provavelmente obteve um carisma para isso. Porém, todo aquele que recebeu um dom para a edificação da igreja é um “carismático”. Pedro não escreve: “cada um, quando recebeu um dom da graça”, mas como (ou: “na proporção em que”) recebeu. Logo tem por certo que cada cristão participa da multiforme graça de Deus, que conseqüentemente também possui dons da graça. Não é possível produzi-los a partir de si mesmo, mas somente recebê-los. É verdade que podemos “buscá-los” (1Co 14.1), mas sempre continuarão sendo dádiva de Deus através do Espírito Santo. Servi uns aos outros com eles significa: os dons da graça foram dados para o serviço mútuo. Obviamente os dons não devem ser mal usados pelo seu detentor, p. ex. para a fama pessoal, pois então se tornam uma ameaça. Os dons da graça que nos foram confiados não devem nos tornar “carismáticos” deslumbrados, mas servidores humildes e singelos. Desse modo a dádiva se torna incumbência. Cada qual é servo do outro, essa é a ordem da igreja de Jesus. Como bons administradores da multiforme graça de Deus. A graça de Deus é sua dadivosa dedicação aos seus (cf. o comentário a 1Pe 1.13). Multiforme ela é na medida em que exerce uma obra diversificada na igreja e em cada cristão (cf., p. ex., 1Pe 5.10). Como graça multiforme ela também é suficiente para todas as múltiplas carências da igreja. Administradores é o nome dado pelo próprio Jesus a seus discípulos em várias parábolas (Lc 16.1; cf. Mt 25.14ss). Um administrador é caracterizado pelo fato de ter recebido dádivas em confiança para o serviço, que não são de sua propriedade. Cabe-lhe prestar contas sobre seu uso, razão pela qual tem de aproveitar tempo e oportunidade, enquanto possui os dons. Um laborioso empenho em prol de seu Senhor com os dons da graça que lhe foram confiados constitui o bom administrador.
I Ped 4. 11 Quando alguém fala – em palavras de Deus; quando alguém serve – a partir da força que Deus oferece. Uma vez que aqui se trata do serviço mútuo (v. 10), com “falar” Pedro provavelmente tem em vista tanto o discurso na reunião da igreja como também a palavra pessoal de irmão para irmão. Quando alguém fala, que sejam palavras (ou: “enunciações”) de Deus. Aqui não se refere a palavras da Bíblia, mas a palavras que brotam de ouvir a Deus, embora não dissociadas da Sagrada Escritura. Trata-se do falar de Deus aqui e agora, de seu falar relativo a uma situação específica. Quando alguém fala – em palavras de Deus não devemos traduzir de forma atenuada: “como palavras de Deus”. No grego não apenas se usa uma comparação, mas designa-se a realidade. Aquele que fala deve enunciar palavras que de fato se originam de Deus. Quando isso acontece, será um falar eficaz – para honra de Deus e não para a honra pessoal – determinado pelo Espírito Santo e seus dons da graça (cf. também Cl 3.16): um “culto carismático”. A presente palavra de Pedro corresponde à de Paulo: “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. (em grego propheteuein)” (1Co 14.1). Importa para Pedro a fala compreensível, concedida por Deus e desmascarando o que está oculto no coração (1Co 14.24s). Em 2Co 2.17 Paulo assevera: “É da parte de Deus, na presença de Deus, em Cristo que falamos” [TEB]. É vontade do Senhor que isso aconteça na igreja de forma abundante e clara. Quando alguém serve – a partir da força que Deus oferece. O grego diakonein = “servir” formou o termo “diaconia”. Originalmente diakonein significa “servir à mesa” e se refere, no NT, ao auxílio prestado em situações de carência e necessidade física, mas também espiritual (cf. ThBl, artigo “Dienen”). O fato de Pedro citar, dentre a grande variedade de carismas, justamente o diakonein demonstra como ele é importante em uma igreja viva. Uma vida eclesial apropriada sempre se manifestará através da diaconia. Não estamos diante de uma exortação especial para diáconos e diaconisas, mas de uma convocação para toda a igreja. Pedro conta naturalmente com o fato de que na igreja existem muitos servidores. Todos os discípulos são instruídos a servir (Jo 13.15-17). É verdade que nos primórdios do NT já houve exercício do
ministério do diácono e da diaconisa (At 6.3; Fp 1.1); a exortação de Pedro à igreja toda, no entanto, revela com nitidez e clareza que esses serviços organizados não devem tornar desnecessário o agir diaconal específico de todos os membros da igreja. A incumbência diaconal é tão grande que o “ministério” diaconal do indivíduo e o agir diaconal de todos os membros da igreja precisam completar um ao outro. Quando alguém serve – a partir da força (ou “vigor”) que Deus oferece. Na força que Deus oferece residem, teológica e historicamente, as raízes da diaconia. Por isso a diaconia verdadeira somente poderá ser exercida por alguém que vive diariamente da força que Deus oferece. A miséria com que o cristão se depara pode ser tão dura e desanimadora que não se pode enfrentá-la de outra forma que não pela força suprida por Deus. Também nesse ponto fica evidente: a diaconia somente pode ser realizada mediante oração e no poder de Deus.
É significativo como o presente trecho termina: para que em tudo Deus seja exaltado por meio de Jesus Cristo. Somos chamados a ser algo para o louvor da glória de Deus (Ef 1.12). É para isso que aponta toda a atuação do Filho (Mt 6.9s; Jo 17.4). É para isso que aponta também o Espírito Santo em nós, que ele convocou. Não existimos para nós mesmos. Quando nos transformamos no centro das atenções, erramos nosso alvo. Sempre estão em jogo Deus e sua honra. Toda a vida, também o amor fraternal, a hospitalidade e diaconia, têm em Deus seu fundamento e alvo: para que em tudo Deus seja exaltado (ou: honrado, glorificado) por meio de Jesus Cristo. Servindo ao irmão o cristão honra a Deus. Em tudo (ou: através de todos) Deus deve ser exaltado. O alvo da exortação apostólica é que cada um viva, em tudo que fizer, para a glória de Deus, engrandecendo assim o nome dele. Além disso, importa que Deus seja exaltado através de todos. Um cristão não pode fazer nada sem Jesus, nem mesmo prestar a Deus a honra que lhe é devida. O que ele fizer para a honra de Deus acontece por meio de Jesus Cristo. Consequentemente, também na glorificação de Deus a honra não cabe aos cristãos, mas a Jesus Cristo. Para ele é (ou: ele possui) a honra e o poder para os éons dos éons. Amém. O trecho encerra com uma exaltação, uma “doxologia” (de doxa = honra). Como nosso Deus é grande! Aqui Pedro diz enfaticamente: “Para ele é a honra e o poder”, não apenas “para ele seja” ou “a ele compete a honra”, como normalmente. Devemos estar cientes disso no sofrimento. Éon significa “era”. A Sagrada Escritura desconhece nosso conceito estático, onerado pela filosofia, de “eternidade” em repouso. A Bíblia fala de forma mais dinâmica de éons, referindo-se às diferentes eras marcadas pelo agir salvador de Deus. Quanto à expressão: para os éons dos éons, lemos, p. ex., no Comentário Esperança sobre Rm 16.27: “O futuro não é eternidade vazia, mas uma plenitude de novas eras, que hão de desenvolver cada vez mais e de forma mais profunda a exuberante riqueza de sua graça (Ef 2.7).”
Uwe Holmer. Comentário Esperança Cartas aos I Pedro. Editora Evangélica Esperança.
I Cor 4.1 A missão de Paulo e de todos os que foram chamados para pregar o evangelho foi construída sobre quatro elementos: serviço, mordomia, fidelidade e sensibilidade aos juízos de Deus. Embora todos estes elementos estejam relacionados, há diferença entre eles.
a) Serviço (4.1). Paulo e Apoio não deveriam ser considerados como líderes de evangelhos diferentes. Ambos eram ministros de Cristo. A palavra ministros (hyperetas) significa “servos”. Originalmente o termo se referia a remadores que ajudavam a impulsionar barcos através das águas do mar. A palavra sugere a labuta e o trabalho contínuo envolvido na obra do evangelho.
b) Mordomia (4.1). Paulo e Apoio também eram despenseiros dos mistérios de Deus. Um despenseiro (oikonomos) era literalmente o “administrador de uma casa”. Freqüentemente ele era um escravo respeitado e eficiente a quem o negociante ou o dono da terra havia entregue a administração da propriedade. Como tal, o despenseiro tinha autoridade sobre os ajudantes ou empregados. Ele atribuía trabalho e distribuía mantimentos. Ele era o superintendente sobre a operação de todo o empreendimento. Contudo, ele estava sempre ciente de que era um escravo, e estava sob a obrigação de iniciar e executar a vontade do proprietário.
O termo mistérios se refere a todo o plano da salvação (cf. o comentário sobre 2.7). Paulo e Apoio não possuíam qualquer conhecimento secreto escondido de todos, exceto de alguns escolhidos. Eles eram mestres e pregadores da verdade revelada sobre a salvação em Jesus Cristo e através dele.
William M. Greathouse. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 267.
I Cor 4.1 Como Paulo deve ter se sentido profundamente mal-interpretado! Ao combater com determinação uma parte dos novos mestres em Corinto com sua ―sabedoria‖, seu interesse era exclusivamente a causa, a vigência única da ―palavra da cruz‖, não a importância de sua pessoa. Por isso ele torna a dar uma instrução à igreja, sobre como ―a gente‖ deve ―avaliar‖ a ele e todos os seus colaboradores: “Assim sejamos avaliados: como servos de Cristo” [tradução do autor]. Em 1Co 3.5 ele já descrevera Apolo e a si mesmo como ―servos, por meio de quem crestes‖. Ali utilizou o termo diakonos, que designa o serviço de acordo com o proveito que ele traz para aquele a quem se serve. Agora ele usa uma palavra que designa sobretudo a subordinação e dependência do servo diante do senhor. Desse modo deixa claros ambos os aspectos: de maneira alguma visa ser ―senhor‖ da igreja, ele é apenas ―servo‖; no entanto ele é servo de um Senhor e está comprometido com ele, motivo pelo qual é impossível que fique subordinado aos coríntios e a seus desejos. Isso é reforçado pelo adendo que fala sobre o conteúdo de seu serviço: “administradores dos mistérios de Deus”. A ele foi confiada a administração da causa magna: os mistérios de Deus. Com quanto zelo um administrador precisa lidar com
essas preciosidades! Paulo e seus colaboradores – afinal, Paulo volta a falar de ―nós‖ – não determinam com pleno poderio pessoal o que dão à igreja. Mas tampouco a igreja pode exigir o que deseja ouvir e obter. Trata-se de ―mistérios‖, de realidades que se subtraem à nossa avaliação e transcendem nossas capacidades naturais, para as quais precisamos nos abrir com reverência para obtê-las. E esses mistérios foram planejados exclusivamente pelo próprio Deus antes dos éons e concretizados unicamente na própria história da salvação, sobretudo na cruz de Jesus (Cf. 1Co 2.7 e o comentário, acima, p. 63). Ninguém tem direito de mudar algo disso, nem Paulo nem a igreja.
Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos I Corinto. Editora Evangélica Esperança.
O ministro é um mordomo fiel (4.1-6)
Paulo ainda está corrigindo o mesmo problema identificado desde o capítulo 1, a divisão na igreja em virtude do culto à personalidade. O mundo estava entrando na igreja de Corinto e a filosofia do mundo conduzia os seus assuntos internos.
Corinto era uma cidade grega e o grande hobby dessa cidade era ir para a praça, a ágora, a fim de escutar os grandes filósofos e pensadores discutirem suas idéias e exporem a maneira como viam o mundo ao seu redor. Eles se identificavam com um ou outro líder, com esse ou aquele filósofo. Eles acabavam se tornando seguidores de homens.
Centrando-se em seus líderes, os coríntios estavam prestando fidelidade a homens; homens de Deus é verdade, mas apenas homens. Essa era a maneira que o mundo se comportava e ensinava. Sempre que a igreja segue os grandes nomes e gira em torno de homens, está imitando o mundo.
Uma vez que eles estavam acostumados a vivenciar isso no mundo, queriam, agora, fazer o mesmo dentro da igreja. Por isso, diziam: Eu sou de Paulo, eu de Apoio, eu de Cefas e eu de Cristo.
Como Paulo combate essa idéia do culto à personalidade?
Após afirmar que os obreiros da igreja são apenas servos ou diáconos, ele prossegue em seu argumento, dizendo que eles são escravos condenados à morte que trabalham sob as ordens de um superior (4.1). Vamos examinar alguns pontos importantes:
Em primeiro lugar, o obreiro é um escravo sentenciado à morte. Paulo escreve: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo” (4.1). A palavra - “ministro” na língua portuguesa representa o primeiro escalão do governo. O ministro é uma pessoa que ocupa uma alta posição política, de grande projeção na liderança, e tem em suas mãos um grande poder e autoridade. Se olharmos a palavra “ministro” no campo religioso, estaremos falando de alguém que exerce a função de líder na igreja local. Todavia, a palavra usada pelo apóstolo Paulo para definir o ministro nos dá uma idéia totalmente contrária. A palavra grega usada é huperetes, que significa um remador de galés.
Essa palavra era utilizada para a classe mais simples de servos. Os ministros são meros servos de Cristo. Eles não têm autoridade procedente deles mesmos. A palavra huperetes só aparece aqui em todo o Novo Testamento. Nos grandes navios romanos existiam as galés, que eram porões onde trabalhavam os escravos sentenciados à morte. Aqueles escravos sentenciados à morte prestavam um serviço antes de morrer. Eles tinham os seus pés amarrados com grossas correntes e trabalhavam à exaustão sob o flagelo dos chicotes até à morte. Paulo diz que o ministro não deve ser colocado no pedestal como o dono da igreja ou como o capitão do navio, antes deve ser visto como um escravo que serve ao capitão até à morte. Paulo está dizendo para não colocarmos os holofotes sobre um homem, porque importa que os homens nos considerem como huperetes e não como capitães do navio. O obreiro da igreja é um escravo já sentenciado à morte, que deve obedecer as ordens do capitão do navio, o Senhor Jesus Cristo.
Em segundo lugar, o obreiro éu m mordomo que obedece as ordens do seu Senhor (4.1). Paulo usa agora uma nova figura. Ele diz que o obreiro é um despenseiro ou mordomo. A palavra grega usada por Paulo é oikonomos, de onde vem a nossa palavra mordomo. O ministro é um despenseiro, aquele que toma conta da casa do seu senhor. Em relação ao dono da casa, o mordomo era um escravo, mas em relação aos outros serviçais, ele era o superintendente. Sua função era cuidar dos interesses do seu senhor. Ele cuidava da alimentação da casa. Ele prestava contas, não aos seus colegas, mas ao seu senhor.
Os mistérios de Deus representam aqui o evangelho, a Palavra de Deus. O mordomo ou oikonomos era a pessoa que cuidava da despensa, da dieta, da alimentação de toda a família. O oikonomos era um administrador, mordomo, dirigente de uma casa, com freqüência um escravo de confiança que era encarregado de todos os negócios do lar. A palavra enfatiza que a pessoa recebe uma grande responsabilidade, pela qual deve prestar contas. O que isso nos sugere?
a) Não era competência do mordomo prover o alimento para a família; essa era uma responsabilidade do dono, do senhor da casa. O ministro do evangelho não tem de prover o alimento, porque esse já foi providenciado. Esse alimento é a Palavra de Deus. Compete ao ministro dar a Palavra de Deus ao povo. O ministro não é o provedor, ele é o garçom que serve as mesas. Ele não coloca alimento na despensa, mas prepara o alimento e o serve. Ele não pode sonegar o alimento que está na despensa, ou adulterá-lo nem substituí-lo por outro.75 Ele precisa ser íntegro e fiel, dando ao povo o mesmo alimento que o dono da casa proveu para a família.
Sabemos, porém, que é possível ter na despensa os melhores alimentos e, mesmo assim, ter na mesa a pior refeição. A competência do mordomo era pegar a riqueza do alimento que estava na despensa, que é a Palavra de Deus, e preparar uma refeição gostosa, saborosa, e balanceada: Leite para a criança, alimento sólido para aqueles que podem suportá-lo. Não é conveniente preparar a mesma refeição todos os dias. O ministro precisa ensinar todo o desígnio de Deus. Paulo diz: “Toda a Escritura é inspirada por Deus é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16, 17).
b) Nao era função do mordomo buscar nova provisão ou servir qualquer alimento que não fosse provido pelo senhor. A Palavra de Deus deve ser ensinada de formas variadas. Paulo diz para ensinarmos todo o conselho de Deus (At 20.27). Hoje, não temos mais profetas nem apóstolos como tinham as igrejas primitivas! Eles pregavam mensagens de revelação. Quando os profetas diziam Assim diz o Senhor, eles estavam recebendo uma mensagem inspirada, inédita, e nova da parte de Deus. E essa mensagem iria fazer parte do cânon das Escrituras.
Nos dias atuais, porém, nenhum homem e nenhuma mulher recebe mensagens novas de Deus. Tudo o que Deus tem para nós já está nas Escrituras. Mesmo que um anjo descesse do céu e pregasse outra mensagem que vá além daquela que está nas Escrituras, deve ser prontamente rejeitada e considerada como anátema! (G11.6-9). A Bíblia já tem uma capa posterior. Ela já está concluída, fechada e é por isso que no livro do Apocalipse diz que nós não podemos acrescentar ou retirar mais nada do que nela está escrito (Ap 22.18,19). A pregação hoje não é revelável, mas expositiva. Você não acrescenta mais nada ao que está na Palavra, mas expõe apenas o que está na Palavra.
Não recebemos mensagens novas, mas damos ao povo o conteúdo da Palavra de Deus já revelada. c) A função do mordomo era servir as mesas com integridade.
O ministro não é um filósofo que cria a sua própria filosofia. Não é assim o despenseiro. Ele não cria uma doutrina, uma teologia ou uma idéia a fim de aplica-la e ensiná-la. Cabe a ele transmitir o que recebeu. E Paulo sempre usa essa expressão: “[Eu] vos entreguei o que também recebi” (ICo 15.3). O despenseiro não pode entregar o que não recebeu. E o que é que ele recebeu? E o que está na Palavra! Sendo assim, o despenseiro não podia mudar o alimento. De igual forma, nós não podemos mudar a mensagem. Também o despenseiro não podia adulterar o alimento, ou seja, ele não podia mudar o conteúdo, a substância, e a essência do alimento.
Nós não podemos mudar nem diluir a Palavra de Deus. Ainda, o despenseiro não podia acrescentar nenhum alimento no cardápio além daquele que estava na despensa. Nós não podemos pregar o evangelho e mais alguma coisa. E o evangelho, somente o evangelho e, todo o evangelho. Finalmente, o despenseiro não podia reter as iguarias que o senhor da casa havia provido para toda a casa, para toda a família. Ele tinha de distribuir todo o alimento que o seu senhor providenciara para a família e para o restante da casa. E isso significa dizer que o despenseiro precisa pregar para a igreja todo o conselho de Deus. Não pode pregar apenas as doutrinas da sua preferência. A melhor maneira de fazer isso é pregando expositivamente, livro por livro. Essa é a maneira mais adequada de se colocar na mesa todas as iguarias providenciadas pelo Senhor.
LOPES, Hernandes Dias. 1 Coríntios Como resolver conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 69-74.
III - OS DONS ESPIRITUAIS E O FRUTO DO ESPÍRITO
1. A necessidade dos dons espirituais.
No capítulo 2, vimos o Propósito dos Dons Espirituais. Neste item, podemos identificar a necessidade dos dons para as igrejas em todos os tempos e lugares. Hoje, mais do que nunca, com o esfriamento do amor e a multiplicação da iniquidade (cf. Mt 24.12), a Igreja do Senhor Jesus necessita de mais poder, de mais unção, de “mais demonstração do Espírito e de poder” (1 Co 2.4). Os teólogos cessacionistas, que ensinam que os dons espirituais cessaram com o fechamento do Cânon do Novo Testamento, e não há mais necessidade deles. Cometem equívoco elementar em sua exegese sobre a atualidade dos dons. O fechamento do Cânon nada tem a ver com doutrina. Quer dizer que não se pode acrescentar mais nenhum livro ao Novo Testamento.
No que concerne aos dons espirituais, os ensinos cessacionistas não se firmam na boa interpretação da Bíblia, porque carecem de fundamento escriturístico. Eles se baseiam em premissas equivocadas, que aprenderam com seus mentores, nos seminários, ou em seus tratados teológicos. Para esses teólogos, suas conclusões cessacionistas tornaram- se dogmas, a exemplo do que ocorreu na teologia católica. São postulados intocáveis, sagrados, infalíveis. Eles defendem, corretamente, o postulado da “Sola Scriptura”, fundamento da Reforma, mas, em seus estudos, valorizam mais a opinião dos teólogos do que a própria Palavra de Deus. Em nenhum lugar, na Bíblia, está escrito que os dons espirituais deixaram de operar na igreja. Os dons espirituais, hoje, são mais necessários do que no tempo dos apóstolos. Há uma “frente fria”, passando pelos seminários, por faculdades teológicas, e por muitas igrejas, em que não se vê a presença de Deus, através dos dons espirituais, ou dos sinais do poder de Deus, na vida das pessoas.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 155.(estudalicao.blogspot.com
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com



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