quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A providencia divina (3)






3. Coragem para não fazer concessões à idolatria (Dn 3.12).
Três acusações graves contra os judeus (3.12).

A primeira acusação: “não fizeram caso de Ti”(v. 12). Esta expressão é o mesmo que dizer: eles não te respeitaram como rei. Os seus acusadores passaram a ideia de que os jovens, quando não se ajoelharam nem adoraram a estátua do rei, voluntária e maliciosamente, decidiram desafiar publicamente a autoridade do rei.
A segunda acusação: “a teus deuses não servem” (v. 12). Estavam afirmando ao rei que os jovens hebreus não prestavam culto aos deuses da Babilônia, uma vez que havia um politeísmo babilônico exacerbado com muitos deuses e deusas. Os jovens hebreus mantiveram a fé recebida de seus pais em Jerusalém. Eles não serviriam a outros deuses, senão a Jeová, o Deus de Israel.
A terceira acusação: “não servem, nem a estátua de ouro que levantaste, adoram” (v. 12). Os caldeus entendiam que a atitude dos jovens hebreus era de total rebelião e contra as demais religiões representadas pelas nações exiladas na Babilônia.
A lição que aprendemos com esses jovens hebreus é que eles conheciam a Deus e sabiam que Ele tinha poder para interferir naquela situação e livrá-los da morte.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 59.
O presente versículo mostra os acusadores em plena atividade, prestando um serviço à pessoa de Satanás, o acusador de nossos irmãos, "... o qual diante de nosso Deus os acusava de dia e de noite” (Ap 12.10). Eles bem sabiam das circunstâncias em que estes judeus haviam sido designados para os cargos, e estavam ressentidos pelo fato de ter o rei promovido estrangeiros para estarem acima deles. Agora, porém, segundo eles, estava ali a oportunidade de obter o favor do rei, revelando-lhes a traição daqueles jovens inocentes. Eles esqueceram que Deus “se curva para ver o que está nos céus e na terra. Que do pó [do próprio cativeiro] levanta o pequeno, e do monturo ergue o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes...” (SI 113.6-8). Sadraque, Mesaque e Abdenego, foram promovidos ali, exclusivamente pela misericórdia de Deus (Dn 2.49).
Severino Pedro da Silva. Daniel vercículo por vercículo. Editora CPAD. pag. 60.
O coração dos três judeus (vv. 8-12).
No entanto, naquela imensa multidão, três homens permaneceram em pé, mesmo quando todo o resto prostrou-se com o rosto em terra. Sua fé estava no verdadeiro Deus vivo e na Palavra que ele havia dado a seu povo. Conhecendo a história do povo judeu, tinham certeza de que o Senhor estava no controle e de que não havia nada a temer.
O profeta Isaías havia escrito: "Mas agora, assim diz o S en h o r , que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti" (is 43:1, 2). Ter fé significa obedecer a Deus apesar dos sentimentos dentro de nós, das circunstâncias a nosso redor ou das conseqüências diante de nós.
E difícil reconstruir os detalhes dos acontecimentos, mas tudo indica que o rei Nabucodonosor e seus conselheiros ("caldeus") não estavam juntos enquanto assistiam à cerimônia e o rei não havia exigido que se juntassem ao povo em sua adoração. E possível que tivessem declarado sua lealdade em particular por considerarem um insulto juntar-se "à ralé". Uma vez que os três homens hebreus tinham cargos nas províncias (Dn 2:49), deviam estar presentes, mas não sabemos exatamente onde.3 Ao que parece, Nabucodonosor não tinha como observá-los, mas os caldeus podiam ver o que eles faziam e, sem dúvida, esses homens perversos vigiavam e esperavam uma oportunidade de acusar os três estrangeiros que haviam sido promovidos a líderes dos babilônios.
Não sabemos se esse grupo de conselheiros era o mesmo que havia sido envergonhado quando Daniel interpretou o sonho do rei, mas se esse é o caso, esqueceram-se rapidamente de que os "estrangeiros" haviam salvo a vida deles.
A verdadeira fé não teme as ameaças, não se impressiona com as multidões nem se abala com cerimônias supersticiosas. A verdadeira fé obedece ao Senhor e confia que ele cuidará das conseqüências. Esses três homens judeus conheciam a lei de Deus:
"Não terás outros deuses diante de mim [...]. Não as adorarás, nem lhes darás culto" (Êx 20:3, 5). Uma vez que o Senhor falou sobre um assunto, isso está resolvido e não há espaço para discussão nem necessidade de transigência. Prostrar-se diante de uma imagem, ainda que uma só vez, quaisquer que fossem as desculpas que pudessem dar, teria acabado com seu testemunho e rompido sua comunhão com Deus. O tempo do verbo grego, em Mateus 4:9, indica que Satanás pediu a Jesus que o adorasse apenas uma vez, e o Salvador se recusou. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não se prostrariam diante da imagem de ouro nenhuma vez, pois isso os levaria a servir os falsos deuses de Nabucodonosor para o resto da vida.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. IV. Editora Central Gospel. pag. 323-324.
III – A FIDELIDADE A DEUS ANTE A
FORNALHA ARDENTE (Dn 3.8-12)
1. Os jovens hebreus foram acusados e denunciados (vv.8-12).
A punição foi inevitável. A ordem do rei não podia voltar atrás. Os inimigos dos três jovens hebreus não deram tréguas aos judeus. Depois de acusados e denunciados tiveram que enfrentar e submeter-se à punição do rei. Os seus algozes foram os mesmos que haviam sido poupados anteriormente da pena de morte no episódio do sonho do rei no capítulo 2 e não tiveram a menor consideração com seus pares dentro do Palácio. O rei, tão logo foi informado da desobediência dos jovens hebreus, ficou enfurecido e os chamou diante de si. Foram interrogados e, mais uma vez ameaçados com a punição da fornalha ardente, mas os servos do Deus Altíssimo mantiveram sua fidelidade à fé judaica. Eles não se intimidaram diante das ameaças porque sabiam que Deus poderia intervir naquela situação, e estavam prontos a serem queimados vivos sem trair a sua fé.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 60.
Dn 3.8 Ora, no mesmo instante, se chegaram alguns homens caldeus. O rei se fizera entender claramente. Ninguém poderia dizer-se ignorante da lei. Alguns oficiais provinciais observaram que havia três jovens judeus que não cumpriam seus “deveres religiosos”. Esses jovens estavam cometendo um claro ato de traição. Não temos aqui menção ao grupo de judeus no cativeiro, mas somente aos três jovens companheiros de Daniel, o que indica claramente que as massas dos judeus estavam obedecendo ao edito real. O três tinham sido colocados em posição de autoridade (ver Dan. 2.49 e 3.12), o que os tornara conspícuos.
E acusaram os judeus. Diz a Revised Standard Version: “acusaram maliciosamente”.
Isso é justificado pelas palavras literais: “e comeram seus pedaços”. Esta é uma expressão idiomática no aramaico, que comumente significava “acusar” , o que demonstra uma atitude virulenta. O aramaico também usava a expressão “comeram a carne deles” (Quran, 49.12). Cf. as palavras akalo karsi, das cartas de Tel-el-Amarna (e ver Sal. 27.2). Pode ter havido inveja política na questão, em que um partido tentava derrubar outro. A única coisa pior do que a perseguição política é a perseguição religiosa.
Dn 3.9 Disseram ao rei Nabucodonosor. Aqueles pequenos oficiais locais, em sua tremenda inveja, certificaram-se de que o rei ouvisse sobre a clara infração que tinham descoberto. Dessa maneira, demonstraram quão competentes e patriotas eram revelando a questão assim que puderam. Demonstraram respeito pelo rei, desejando que ele “vivesse para sempre”, e não dando valor algum à vida dos três “criminosos”, “Um prefácio de lisonja foi seguido de perto pela crueldade. Assim também, em Atos 24.2,3, onde Tértulo, ao acusar Paulo diante de Félix, começou lisonjeando o governador romano” (Fausset, in Ioc.). O restante dos judeus acom panhava o movimento de apostasia; Daniel era importante e favorecido demais para alguém tentar atingi-lo. Assim sendo, a ira recaiu sobre os três amigos de Daniel, que são m encionados por nome no vs. 12.
Dn 3.10 Tu, ó rei, baixaste um decreto, Aqueles réprobos lembraram a Nabucodonosor que fora ele próprio quem decretara, de modo “justo e sábio”, que, ao começarem a tocar os instrumentos m usicais (já listados por duas vezes nos vss. 5 e 7), todos deveriam prostrar-se e adorar a imagem feita pelo monarca. Os instrumentos tinham sido tocados, O decreto entrara em efeito. Mas certos jovens preferiram desobedecer ao decreto real. Este versículo é uma repetição virtual do vs. 5, onde são oferecidas notas expositivas.
Dn 3.11 Qualquer que não se prostrasse e não adorasse. Este versículo repete essencialmente o vs. 6 — o resultado para quem não obedecesse ao decreto, ou seja, a fornalha ardente. Ver notas alí. Aqueles homens ímpios e desvairados agora “exigiam” que a execução ocorresse. Provavelmente eles seriam galardoados de alguma maneira, ainda que somente com a satisfação de ver a queda dolorosa de inimigos políticos que, além do mais, eram estrangeiros desprezados.
Dn 3.12 Há uns homens judeus. Os réprobos não demoraram a identificar os “traidores”: eram aqueles três estrangeiros, os desprezíveis cativos judeus, a saber, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, homens desobedientes e ímpios que ousavam desafiar o rei e o seu decreto, dignos da punição ameaçadora. Quanto aos nomes desses três homens, seus nomes hebraicos originais e seus novos nomes babilônicos, ver Dan. 1.6,7. O texto não menciona a razão pela qual Daniel (que também, sem dúvida, desobedecera ao decreto real) não estava entre os acusados.
Por isso floresceram várias conjecturas: 1. Daniel era alto demais para ser tocado; 2. ele estaria viajando; 3. ele teria seu próprio julgamento severo (capítulo 6), pelo que pôde ter-se mostrado culpado no caso, mas fora deixado em paz propositadamente.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3384-3385.
As pessoas ingratas têm memória curta (v. 8). Os caldeus tinham sido poupados da morte pela intervenção de Daniel e seus amigos (Dn 2.5,18). Agora eles, de forma ingrata, acusam as pessoas que lhes ajudaram, no passado, a se livrar da morte. A ingratidão é uma atitude que fere as pessoas e entristece a Deus. A acusação dos caldeus é maliciosa. A palavra hebraica significa “comer a carne de alguém”.
As pessoas invejosas tentam se promover buscando a destruição dos concorrentes (v. 12). Os caldeus usam a arma da bajulação ao rei antes de acusar os judeus. Eles acrescentam um fato inverídico: “Não fizeram caso de ti”. Eles não querem informar, mas distorcer os fatos e destruir os judeus. Isso, apenas porque esses judeus foram constituídos sobre os negócios da província. A inveja foi o pecado que levou Lúcifer a ser um querubim descontente, mesmo no céu, e a tornar-se um demônio. A inveja provoca contendas, brigas, mortes e desastres. As pessoas fiéis, entretanto, entendem que fidelidade é uma questão inegociável. A fidelidade a Deus é mais importante que a preservação da própria vida. Esses jovens entenderam que agradar a Deus é mais importante que preservar a própria vida. A principal lição desse texto não é o livramento miraculoso, mas a fidelidade inegociável.
Três jovens têm coragem de discordar de todos; de preferir a morte ao pecado. Estão dispostos a morrer, não a pecar. Transigir era uma palavra que não constava do vocabulário deles.
A fidelidade incondicional não é uma barganha com Deus. Muitas vezes, nossa fidelidade a Deus nos levará à fornalha, à cova dos leões, à prisão, a sermos rejeitados pelo grupo, a sermos despedidos de uma empresa, a sermos rejeitados na escola. Nosso compromisso não é com o sucesso, mas com a fidelidade a Deus.
Ceder à pressão da maioria pode destruir sua vida mais que o fogo da fornalha. Muitos jovens crentes são tentados a ceder. Jovens cristãos são instados a se embriagar com seus amigos ou a perder a virgindade antes do casamento. São tentados a mentir aos pais, a ver filmes indecentes, a curtir músicas maliciosas do mundo. O mundo tem sua própria fornalha ardente à espera daqueles que não se conformam em adorar seus ídolos. E a fornalha de ser desprezado, ridicularizado. Os que são fiéis a Deus são chamados de retrógrados. Cuidado com a opinião da maioria, ela pode estar errada e, via de regra, está.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 53-54.
E estranho ver que Sadraque, Mesaque, e Abede-Nego estavam presentes nessa reunião, sabendo, provavelmente, qual era o intento dessa convocação. Podemos supor que Daniel estivesse ausente porque os seus negócios o requisitavam, ou porque ele tivesse a dispensa do rei para se retirar, a menos que suponhamos que ele estivesse tão elevado no favor do rei que ninguém ousasse se queixar dele pela sua desobediência. Mas por que os seus companheiros não se afastaram do caminho? Certamente porque queriam obedecer ao rei até onde fosse possível, e estariam prontos a dar um testemunho público contra essa idolatria grosseira. Eles não acharam suficiente não se prostrarem diante da imagem, mas, estando no evento, se viram obrigados a ficar de pé diante dela, embora fosse a estátua que o rei, seu senhor, havia levantado, e uma estátua de ouro para aqueles que a adorassem. Então: IA denúncia é trazida ao rei por alguns caldeus, contra esses três homens que não obedeceram ao decreto real (v. 8). Talvez esses caldeus que os acusaram fossem alguns daqueles magos ou astrólogos que foram particularmente chamados de caldeus (cap. 2.2,4). Eles eram aqueles que guardavam rancor contra os companheiros de Daniel por causa dele, devido ao fato de ele tê-los ofuscado junto com esses companheiros. Os amigos de Daniel, por suas orações, tinham obtido a misericórdia que salvou a vida desses caldeus. Mas estes retribuíram o bem com o mal. Eram adversários daqueles que demonstraram amor. Isto também aconteceu com Jeremias, que intercedeu diante de Deus por aqueles que mais tarde cavaram uma cova para a sua vida (Jr 18.20). Não devemos estranhar o fato de nos depararmos com homens ingratos. Ou talvez esses fossem os caldeus que esperavam pelos cargos aos quais esses homens foram promovidos, e invejavam o favorecimento deles. E quem pode suportar a inveja? Eles apelaram ao próprio rei a respeito do decreto. Apresentaram-se com o devido respeito à sua majestade, fazendo a saudação habitual: “O rei, vive eternamente!” (como se não visassem nada além da honra do rei, e quisessem servir aos seus interesses, quando, na verdade, estavam colocando sobre o rei aquilo que ameaçava a ruína dele e do seu reino). Então pedem licença: 1. Para lembrá-lo da lei que ele havia feito recentemente, pela qual toda sorte de pessoa, sem exceção de nação ou língua, deveria se prostrar e adorar a imagem de ouro. Eles também o lembraram da penalidade que pela lei deveria ser infligida aos que se recusassem: deveriam ser lançados no meio do forno de fogo ardente (w. 10,11). Não pode ser negado que essa era a lei. Ela deveria ser considerada, quer fosse uma lei justa ou não. 2. Para informá-lo de que esses três homens, Sadraque, Mesaque, e Abede-Nego, não haviam obedecido ao seu decreto (v. 12). E provável que Nabucodonosor não tivesse qualquer propósito específico de apanhá-los em uma armadilha ao fazer a lei, porque então ele mesmo estaria de olho neles, e não teria precisado dessa informação. Mas os seus inimigos, que buscavam uma oportunidade contra eles, aproveitaram isso, e se apressaram a acusá-los. Para agravar a situação, e incitar mais o rei contra os servos de Deus: (1) Eles o lembram da dignidade com que os criminosos tinham sido favorecidos. Embora fossem judeus, estrangeiros, cativos, homens de uma nação e religião desprezíveis, o rei os havia constituído sobre os negócios da província de Babilônia. Era, portanto, uma ingratidão e uma insolência intolerável desobedecerem à ordem do rei, depois de terem recebido tantos favores daquele monarca. E, além disso, a elevada posição em que estavam tornava a recusa deles ainda mais escandalosa. Isto seria um mau exemplo, e teria uma má influência sobre os outros. Portanto, era necessário que essa atitude fosse punida com muito rigor. Desse modo, os príncipes que são suficientemente incitados contra pessoas inocentes geralmente têm muitos ao redor deles que farão tudo o que puderem para agravar a situação. (2) Eles sugerem que isso foi feito maliciosamente, obstinadamente, e em desprezo ao monarca e à sua autoridade: “Eles não fizeram caso de ti. A teus deuses não servem, nem a estátua de ouro, que levantaste, adoraram.”
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 839-840.
2. A resposta corajosa dos jovens hebreus (Dn 3.16-18).
“agora, se estais prontos” (3.15). Eles estavam prontos, não para obedecer a imposição do rei quanto à sua fé. Eles estavam prontos, sim, para manter a sua fé no Deus que podia mudar toda aquela situação. Aqueles jovens entendiam que fidelidade é algo inegociável. A fidelidade desses jovens era mais que uma qualidade de caráter, era uma confiança inabalável em Deus que haveria de intervir naquela situação. A resposta resultava do conhecimento prévio que tinham do mandamento divino: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex 20.3-5). Deus busca homens e mulheres que tenham a fibra de manter a fidelidade a Ele mesmo quando ameaçados.
“Não necessitamos de te responder sobre este negócio” (3.16). A confiança em Deus e a certeza de que Deus faria alguma coisa lhes deu a convicção de que valia a pena enfrentar a fornalha pelo nome de Jeová.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 60-61.
Dn 3.16 Responderam Sadraque, Mesaque e A bede-Nego ao rei. O rei não precisou mandar tocar de novo a música, nem os três cativos vacilaram , debateram e ficaram jogando na tentativa de escapar do inevitável, por meio de argumentos espertos. O caso era fácil: eles precisavam ser fiéis a Yahweh e entregaram sua vida nas mãos Dele, incondicionalmente. Assim , os três judeus responderam que não tinham necessidade de defender-se. A defesa deles era Yahweh, ou então não tinham defesa algum a. Se ser alguém leal a Yahweh era um crime, então eles eram os piores crim inosos, pois a lealdade deles era grande e sem hesitações.
“A hesitação ou a parlamentação com o pecado é fatal. Uma decisão sem hesitação é a única vereda segura quando a vereda do dever é clara (ver Mat. 10.19,28)” (Fausset, in Ioc.). “Há certa demonstração de orgulho aqui, como no caso da resposta de Daniel ao rei, em Dan. 5.17. Era um orgulho derivado da consciência de que, na qualidade de seivos de Deus, eles eram superiores a qualquer potentado, e, assim, não precisavam de sua clemência ou de seus dons" (Arthur Jeffery, in Ioc.).
Dn 3.17 Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos... Elohim, o Poder (relativo a Elah, a palavra caldaica que aparece neste versículo), era capaz. Eles estavam dispostos a submeter o Senhor a teste. Esperavam livramento — ser tirados da fornalha, e não postos dentro dela. Esse seria um livramento da mão perversa do rei idólatra. A tarefa era impossível para a instrumentalidade humana.
Nesse caso, somente o Ser divino poderia fazê-lo. Ocasionalmente, todos os homens enfrentam situações em que “somente Deus é capaz” e então são obrigados a entregar a vida nas mãos Dele.
Oh, Senhor, concede-nos tal graça!
Ao serem submetidos a teste, eles também estavam submetendo Yahweh a teste.
Dn 3.18 Se não, fica sabendo, ó rei. Se eles seriam livrados ou não, não fazia nenhuma diferença. Eles sabiam que a idolatria estava errada, mesmo quando se tratasse da idolatria do governo, a lei da terra, mas eles não se envolveriam nisso, sem importar o que essa atitude lhes custaria. O tema principal da história, pois, emerge: O martírio é preferível à apostasia, uma lição que poucos judeus, na época do ataque babilônico e do cativeiro, tinham aprendido. Judá estava perdida em sua idolatria-adultério-apostasia. Este livro praticamente não usa o nome divino Yahweh, o qual, para os judeus piedosos, tinha-se tornado santo demais para que fosse proferido. Portanto, o nome Deus é usado aqui, e aquele título especial é evitado.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3385.
Eles respondem algo com que todos concordam, que eles ainda permanecem firmes em sua decisão de não adorarem a estátua de ouro (w. 16-18). Temos aqui um exemplo de firmeza e magnanimidade que são raramente encontrados. Chamamos esses servos de Deus de “os três jovens”, mas deveríamos chamá-los de “os três campeões”, “as três preciosidades do reino de Deus entre os homens”. Eles não explodiram em qualquer violência ou paixão imoderada contra aqueles que adoravam a imagem de ouro, não os insultaram ou os afrontaram. Nem se lançaram precipitadamente a um tribunal, ou saíram do seu caminho para ir ao martírio da corte. Mas, quando foram devidamente chamados à prova de fogo, se comportaram corajosamente, com uma conduta e coragem que convinha aos sofredores de uma causa tão nobre. O rei não foi tão ousado e mal ao fazer esse ídolo, mas eles foram corajosamente bons quando testemunharam contra ele. Eles mantiveram a sua calma de uma forma admirável e exemplai; não chamaram o rei de tirano ou de idólatra (a causa de Deus não precisa da ira do homem), mas, com uma calma e tranqüilidade de espírito exemplar, eles deram sua resposta, pela qual resolveram aceitar as conseqüências. Observe:
1. O desprezo bondoso e generoso deles em relação à morte, e a nobre indiferença com a qual olham para o dilema que lhes é apresentado: “O Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio”. Eles não lhe negam com mau humor uma resposta, nem permanecem mudos. Mas lhe dizem que não estão preocupados com isso. Não há necessidade de uma resposta (assim se lê). Eles decidem não obedecer, e o rei está decidido que eles morrerão se não obedecerem. A questão, portanto, está decidida, e por que isso deveria ser discutido? Mas é melhor ler: “Não queremos dar uma resposta para ti, nem temos de procurar uma, mas viemos preparados”.
(1) Eles não precisavam de tempo para deliberar a respeito desse negócio. Pois não tiveram a mínima hesitação se iriam obedecer ou não. Era uma questão de vida ou morte, e alguns diriam que eles poderiam ter pensado melhor antes de decidir. A vida é desejável, e a morte é terrível. Mas quando o pecado e a obrigação que estavam envolvidos no caso foram imediatamente determinados pela letra do segundo mandamento, e nenhum espaço foi deixado para se questionar o que era certo, então a vida e a morte que estavam envolvidos no caso não deveriam ser consideradas. Note que aqueles que querem evitar o pecado não devem negociar com a tentação. Quando aquilo a que somos atraídos ou aquilo que nos aterroriza é manifestadamente mal, o impulso deve ser rejeitado com indignação e repulsa, sem que haja qualquer hesitação. Não queira discutir o assunto, mas diga então, como Cristo nos ensinou: “Para trás de mim, Satanás”.
(2) Eles não precisavam de tempo para planejar como responderiam. Enquanto fossem defensores de Deus, chamados para testemunhar a favor de sua causa, eles não tinham dúvidas de que lhes seria dado na mesma hora o que deveriam falar (Mt 10.19). Eles não estavam planejando uma resposta evasiva, quando uma resposta direta estava sendo esperada deles. Não, nem iriam rogar ao rei que não insistisse nisso. Não há nada na resposta deles que pareça alguma saudação. Eles não começaram como os seus acusadores: “O rei, vive eternamente!” Também não fizeram nenhuma insinuação ardilosa, a captandam benevolentiam - para deixá-lo de bom humor, mas disseram tudo de forma clara e direta: “O Nabucodonosor, não precisamos te responder sobre este negócio”. Observe que aqueles que fazem da sua obrigação a sua preocupação principal, não precisam se preocupar com as várias situações que possam vir a enfrentar.
2. A forte confiança deles em Deus e a sua dependência dele (v. 17). Foi isso que os capacitou a olhar para a morte com tanto desprezo, a morte em seu esplendor, a morte em todos os seus terrores. Eles confiavam no Deus vivo, e por esta fé escolheram antes sofrer do que pecar. Por essa razão não temeram a ira do rei, mas resistiram, porque, pela fé, tinham o seu olhar fixo Naquele que é invisível (Hb 11.25,27): “Se for assim, se formos trazidos a essa dificuldade, se formos lançados na fornalha de fogo ardente a menos que sirvamos aos teus deuses, saiba, então:” (1) “Que embora não adoremos os teus deuses, não somos ateus. Há um Deus que podemos chamar de nosso, a quem nós fielmente estamos ligados.” (2) “Que servimos a esse Deus precioso. Temos nos dedicado à sua honra. Estamos empenhados em sua obra, e dependemos dele para nos proteger, suprir as nossas necessidades, e nos recompensar”. (3) “Que temos plena certeza de que este Deus é capaz de nos livrar da fornalha de fogo ardente. Quer Ele nos livre ou não, temos certeza de que Ele pode impedir que sejamos lançados na fornalha, ou de nos resgatar dela.” Note que os servos fiéis de Deus confiarão que o Senhor é capaz de sustentá-los nos seus serviços, controlando e dominando todos os poderes que são armados contra eles. ‘Senhor, se quiseres, tu podes’. (4) “Que temos motivos para esperar que Ele nos livre”, em parte porque, em um vasto comparecimento de idólatras como esse, seria muito oportuno, para a honra do seu nome grandioso, livrá-los, e em parte porque Nabucodonosor o havia desafiado a fazer isto - Quem é o Deus que irá vos livrar? Deus às vezes se manifesta de forma extraordinária para calar as blasfêmias do inimigo, como também para responder as orações do seu povo (SI 74.18-22; Dt 32.27). “Mas, se Ele não nos livrar da fornalha ardente, Ele nos livrará da tua mão”. Nabucodonosor pode apenas atormentar e matar o corpo. E, depois disso, não há mais nada que ele possa fazer. Então eles são afastados do seu alcance, e livrados da sua mão. Observe que os bons pensamentos a respeito de Deus, e uma plena certeza de que Ele está conosco enquanto estivermos com Ele, nos ajudará muito a passarmos pelos sofrimentos. E, se Ele for por nós, não precisaremos temer o que os homens possam nos fazer, mesmo que tentem fazer o pior. Deus nos livrará da morte ou na morte.
3. A firme decisão deles de permanecerem fiéis aos seus princípios, quaisquer que possam ser as conseqüências (v. 18): “Mas se não for assim, mesmo que Deus ache por bem não nos livrar da fornalha ardente (o que sabemos que Ele pode fazer), se Ele permitir que caiamos na tua mão, saiba ó rei, que não serviremos estes deuses, embora eles sejam os teus deuses, nem adoraremos esta imagem de ouro, embora tu mesmo a tenhas levantado”. Eles não estão envergonhados nem com medo de reconhecer a sua religião, e dizem ao rei, face a face, que não têm medo dele, e que não lhe prestarão obediência. Se eles tivessem consultado a carne e o sangue, muito poderia ter sido dito para trazê-los a uma concordância, especialmente diante da impossibilidade de evitar a morte, uma morte tão sofrida. (1) Não foi exigido que eles renunciassem ao seu próprio Deus, ou que abandonassem a sua adoração. Não, nem que por uma confissão ou declaração verbal reconhecessem essa imagem de ouro como sendo um deus, mas apenas se prostrassem diante dela, o que eles poderiam fazer com uma reserva secreta em seus corações pelo Deus de Israel, detestando essa idolatria interiormente, assim como Naamã se inclinou na casa de Rimom. (2) Eles não iriam cair no caminho da idolatria. Era exigido deles apenas um simples gesto, que seria feito em um minuto, e o perigo teria acabado, e poderiam depois disso declarar a sua tristeza por isso.
(3) O rei que ordenou isso tinha um poder absoluto. Eles estavam sujeitos a ele, não só como súditos, mas como cativos. E, se eles fizessem isso, seria puramente por coerção e coação, o que serviria para desculpá-los. (4) Ele havia sido o benfeitor deles, os havia educado e favorecido, e em gratidão a ele, eles deveriam ir até onde pudessem, embora isso fosse exigir demais de sua consciência. (5) Eles estavam agora sendo forçados a entrar em um país estranho, e para aqueles que eram assim forçados a sair, foi dito, na verdade: “Vai, serve a outros deuses” (1 Sm 26.19). Foi considerado como certo que, na disposição deles, eles serviriam a outros deuses, e isto se tornou uma parte do juízo (Dt 4.28). Eles poderiam ser desculpados se tivessem seguido a corrente que era muito forte. (6) Os seus reis, os seus príncipes, os seus pais, e os seus sacerdotes também, levantaram ídolos até mesmo no Templo de Deus, e os adoraram ali, e não só se incli naram diante deles, mas levantaram altares, queimaram incenso, e ofereceram sacrifícios a esses ídolos, sim, até mesmo os seus próprios filhos. Não adoraram todas as dez tribos, por muitas gerações, deuses de ouro em Dã e Betei? Serão eles mais exigentes do que os seus pais? Communis errorfacitjus - O que todos fazem deve estar certo. (7) Se eles concordassem salvariam as suas vidas e manteriam os seus cargos, e assim estariam em condições de prestar um grande serviço aos seus irmãos na Babilônia, e por muito tempo. Porque eles eram jovens, e estavam prosperando. Mas há o suficiente naquela única palavra de Deus com a qual se deve responder e calar estes e muitos outros argumentos carnais: Não te inclinarás diante de nenhuma imagem, nem a adorarás. Eles sabem que devem obedecer a Deus antes de ao homem. Eles devem, antes, sofrer do que pecar, e não devem fazer o mal para que o bem possa vir. Portanto, nenhuma dessas coisas os toca. Eles estão decididos, antes, a morrer em sua integridade do que a viver em sua iniquidade. Enquanto os seus irmãos, que ainda permaneciam em sua própria terra, estavam adorando imagens espontaneamente, eles na Babilônia não seriam levados a isso pela força, mas, curiosamente, se mostravam mais zelosos contra a idolatria estando em um país idólatra. E verdadeiramente, considerando todas as coisas, guardá-los dessa obediência pecaminosa era um milagre tão grande no reino da graça quanto guardá-los da fornalha ardente era um milagre no reino da natureza. Esses eram aqueles que anteriormente decidiram não se contaminar com a porção do manjar do rei, e, naquele momento, eles decidiram tão corajosamente não se contaminar com os seus deuses. Observe que, uma firme renúncia, uma forte devoção a Deus e ao dever, em ocasiões menores, nos qualificará e nos preparará para fazer o mesmo em ocasiões maiores. E nisto devemos ser resolutos em nunca, sob nenhum pretexto, adorarmos imagens, ou fazermos “uma aliança” com aqueles que o fazem.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 840-842.
“Não necessitamos de te responder sobre este negócio”. O presente versículo mostra os três jovens hebreus diante do poderoso monarca; eles, tecnicamente, são culpados diante daquela corte, e nada há que os três possam dizer em sua defesa. Eles responderam ao rei dizendo: “Não necessitamos de te responder”. Há uma interpretação feita com base no original aramaico, que diz: “Nós não te responderemos! Deus te responderá! Ele pode, tanto nos livrar como nos entregar nas tuas mãos, depende dele”. O verdadeiro cristão não faz sua defesa prévia, mas deixa tudo por conta do Senhor que disse: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor”. E evidente, portanto, que Deus recompensará, tanto o ofendido como o ofensor: o primeiro com sua bênção; o segundo com seu castigo.
"... o nosso Deus, a quem nós servimos...” O presente texto, declara claramente a posição dos três jovens hebreus, quanto à ordem do rei. Eles apelam tanto para “providência” como para “o poder de Deus”. Seja como for, Deus livra como quer! Se Deus usasse a providência no presente caso, os moços não teriam ido para dentro do forno de fogo ardente, porém, é evidente que o monarca não teria reconhecido a soberania do Criador. (Ver v 29). Assim, Deus permitiu que seus servos fossem parar ali; não os livrou do forno, mas os livrou no forno. Deus permitiu que José, mesmo inocente, fosse parar na prisão, vítima de uma calúnia da mulher de Potifar, capitão da guarda de Faraó (Gn cap. 40), mas dali Deus o exaltou, fazendo-o assentar-se no trono, ao lado de Faraó. Deus é sempre o mesmo, tanto no passado como no presente. Ele não muda. O apóstolo Paulo entendeu isso, quando disse: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28).
"... não serviremos a teus deuses...” Os jovens judeus, como já ficou demonstrado em outro capítulo deste livro, mesmo numa terra de cativeiro, permaneceram fiéis à lei do seu Deus, que dizia: “Não terás outros deuses diante de mim (Ex 20.3). E perfeitamente compreensível que Deus, disposto a ser o único Deus suficiente e o recurso sobrenatural do seu povo proíba um apelo a quaisquer outros poderes sobrenaturais. Por isso, entendemos que o espiritismo é proibido a quem crê num Deus vivo. No conceito divino, é impossível a criatura humana fazer uma representação superior à sua própria idéia, e por isso é-lhe impossível apresentar dignidade à divindade, pois Deus há de ser infinitamente superior ao nosso mais sublime pensamento. Nabucodonosor não compreendia esse princípio emanado do supremo Deus, mas aqueles hebreus sim, o conheciam muito bem.Severino Pedro da Silva. Daniel versículo por versículo. Editora CPAD.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PAZ DO SENHOR

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.