João 13
12 - Depois que lhes lavou os pés, e
tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o
que vos tenho feito?
13 - Vós me chamais Mestre e Senhor
e dizeis bem, porque eu o sou.
14 - Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos
lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.
15 - Porque eu vos dei o exemplo,
para que, como eu vos fiz, façais vós também.
16 - Na verdade, na verdade vos digo
que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele
que o enviou.
17 - Se sabeis essas coisas,
bem-aventurados sois se as fizerdes.
Atos 2
42 - E perseveravam na doutrina dos
apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
43 - Em cada alma havia temor, e
muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.
44 - Todos os que criam estavam
juntos e tinham tudo em comum.
45 - Vendiam suas propriedades e
fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade.
46 - E, perseverando unânimes todos
os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e
singeleza de coração,
47 - louvando a Deus e caindo na
graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles
que se haviam de salvar.
II. O CRENTE E SUA COMUNHÃO COM DEUS
É impossível ao homem viver sob a
orientação das Sagradas Escrituras, sem que se debruce sobre ela com o
propósito de aprender o seu conteúdo (Jo 5.39). Quanto mais o homem dedica-se a
Deus, menos tempo e oportunidade tem para pecar. Sua vida vai, paulatinamente,
sendo moldada e transformada pelo Espírito Santo, e ele torna-se cada vez mais
contrário ao pecado (Sl 119.11; Ef 4.22-24). Algumas atitudes auxiliam-nos a
estreitar a nossa comunhão com Deus. São elas:
1. Meditação na Palavra de Deus. A
meditação unida à oração é a maneira mais produtiva de o crente desenvolver o
seu conhecimento da Palavra de Deus e seus valores. Pela meditação, estudo e
oração, o crente "come" a Palavra de Deus, isto é, apropria-se dela
(Jr 15.16). Meditamos quando submetemos a nossa mente ao que Deus é, no que Ele
em Cristo fez e faz por nós e no que Ele quer de nós (Cl 3.1,2). Esta é uma
santa e bendita atividade na qual o crente deve se ocupar todos os dias (Js
1.8; Sl 1.2; 119.97). Paulo insta com os irmãos filipenses para que disciplinem
e ocupem suas mentes com o que for verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de
boa fama, virtuoso e louvável (4.8). Ao jovem pastor Timóteo, ele recomenda
meditar e ocupar-se para ser operoso (1 Tm 4.15).
2. Oração. A oração é a maneira
direta de o crente falar com Deus. Orar não é um monólogo, mas um diálogo do
cristão e Deus, como filho e pai. A oração é uma prática indispensável à vida
de todo crente em Jesus. Ela é o instrumento provido pelo Eterno, através do
qual podemos nos dirigir a Ele como o Concessor da grande salvação e a Jesus
Cristo que a executou quando morreu em nosso lugar (Jo 15.16; 16.23). A oração
é um meio de comunhão entre Deus e o crente, e deve ser um exercício espiritual
voluntário, almejado, indispensável e constante em nossa vida.
3. Jejum A prática do jejum,
juntamente com a oração, é recomendada biblicamente (Mt 17.21). Inúmeros
crentes negligenciam a observação do jejum como ensina a Bíblia, e por fim o
abandonam de vez. Além do seu valor espiritual, o jejum ensina o crente a
disciplinar seus apetites carnais, fortalecendo sua vida espiritual. Jesus
jejuou e ensinou seus discípulos a jejuar. Ele disse: "[...] quando
jejuardes" (Mt 6.16), o que deixa claro que esta era uma prática de cunho
espiritual na vida de seus discípulos (Mt 9.15; 17.21; Lc 2.37; At 13.2,3;
14.23).
4. Imitar o exemplo de quem manteve
comunhão com o céu. Jesus é o maior exemplo de uma vida de oração. Ele orava
costumeiramente (Lc 22.39; Lc 5.16; Jo 12.20-28; 17.6-19) e nos ensina que
devemos orar para que não caiamos em tentação (Mt 26.41). O Filho de Deus
ensinou seus discípulos a orar, deixando claro que a oração é parte integrante
e fundamental da vida cristã. Várias vezes Ele expressou: "quando
orares"; "mas tu quando orares"; "e orando";
"portanto vós orareis" (Mt 6.5,6,7,9). Paulo, um exemplo de fé,
começou a sua vida cristã com oração (At 9.9,11). Ele admoestava os irmãos a
uma vida de constante oração. Em suas cartas Ele recomenda ao crente orar sem
cessar (1 Ts 5.17), isto é, "em todo tempo, com toda oração e
súplica" como um dos procedimentos na guerra contra o mal, bem como
condição para manter-se firme na fé (Ef 6.10-19). Nenhum ser humano tem, em si
mesmo, mérito algum diante de Deus, mas através do nome de Cristo, podemos
esperar respostas para as nossas orações (Jo 14.13,14; 1 Tm 2.5). Em nossa
jornada terrena é preciso buscar do Senhor forças espirituais para vencer as
astutas ciladas do Maligno (Mt 6.13).
Algumas atitudes como meditar na
Palavra de Deus, orar, jejuar, e seguir o exemplo de quem tem intimidade com o
Senhor, auxiliamnos a estreitar a nossa comunhão com Deus.
III. A SALVAÇÃO NOS HABILITA PARA O
SERVIÇO CRISTÃO
O homem é apenas um servo. A Bíblia
nos ensina essa verdade de maneira muito clara (Fp 2.7,8). Quando alguém aceita
ao Senhor Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, deixa de ser "servo do
pecado" (Jo 8.34), e passa a ser servo de Deus (1 Co 7.22; Gl 1.10),
devendo, a partir de então, ser aplicado à Obra do Senhor e servo da Igreja (1
Co 9.19).
1. Nosso primeiro e maior exemplo. A
vida de serviço do cristão deve ser espelhada em Jesus. O Mestre ensinou que
não veio para ser servido, mas para servir (Mt 20.28), assim Jesus fez a
vontade do Pai e realizou a sua obra (Jo 4.34; 9.5). Ele disse: "Se alguém
me serve, siga-me" (Jo 12.26a); logo, Cristo nos tem como servos, isto é,
pessoas comprometidas com a sua Obra.
2. Os crentes da igreja primitiva
muito cedo se dedicaram ao trabalho do Reino de Deus (At 1.8; 8.4). Dorcas é um
grande exemplo, servindo às viúvas e outros necessitados da igreja (At
9.36-39). Paulo apresenta uma galeria de homens e mulheres que se deram ao
serviço do Senhor na igreja em Roma (Rm 16). Onesífero saiu a procurar em Roma
o cárcere onde Paulo se encontrava e só assim Timóteo recebeu a sua segunda
carta (2 Tm 1.16,17). Ao confiar tarefas especiais ao jovem pastor Timóteo,
Paulo lhe mandou ocupar-se em tarefas ministeriais práticas e funcionais (1 Tm
4.15).
Professor, você está disposto a
servir, ao Senhor e ao próximo? O serviço cristão reflete o relacionamento que
o crente tem com Deus. Quem ama o Pai e o conhece não se nega a ajudar o
próximo. Servimos ao Senhor quando servimos o outro (Mt 25.40), por isso é
importante que o aluno compreenda que a pregação da Palavra de Deus, a comunhão
e a prática do serviço cristão formam o tripé da Missão Integral da Igreja.
Servir ao Pai Celeste é um privilégio. E não podemos nos esquecer que a vida
cristã vitoriosa é uma vida de serviço a Deus e ao próximo.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, a lição de hoje ensina a
respeito da prática do serviço cristão, por isso, procure, logo na introdução,
explicar que a palavra “serviço”, no original, significa diakonia. Seu
significado abrange a “distribuição de comida, socorro; serviço; ministério,
administração e ministração”. Fale que apesar do termo diakonia lembrar a
função do diácono, conforme Atos 6, o serviço cristão tratado aqui nada tem
haver com tal função eclesiástica. Refere-se a um estilo de vida pregado e
ensinado por Jesus de Nazaré (Jo 13.1-20), cuja abrangência refere-se a todos
os seus discípulos no mundo.
introdução
Palavra
Chave
Serviço:
Ato ou efeito de servir.
É com amor altruísta e
desinteressado que devemos servir ao Senhor Jesus e ao próximo. No Reino de
Deus, o serviço só tem valor quando o amor divino está presente no coração
daqueles que professam servir a Jesus (1 Co 13.3). Por conseguinte, servir ao
próximo, como Jesus ensinou, equivale a servir a Deus.
Libertos da servidão do pecado,
trabalhemos com alegria e ação de graças para o nosso Senhor e Rei (Mt 20.28).
Auxiliemos ao nosso próximo como gostaríamos de ser auxiliados (Mc 12.31; Lc
10.25-37; 1 Jo3.16). Esta é a mais perfeita lei do amor.
I. AS CARACTERÍSTICAS DO SERVO DE
CRISTO
1. Amor. O amor, a disposição em
servir a Deus e ao próximo, a abnegação e a diligência são marcas registradas
do servo que realmente ama a Cristo. Ele está sempre disposto a apoiar e ajudar
ao próximo, sem esperar nada em troca. Como Isaías — “Eis-me aqui” (Is 6.8) — é
sua filosofia de vida. O servo fiel não tem preferência por tarefa, pois seu
desejo é ajudar ao necessitado. Para o servo de Cristo não há tarefas boas ou
ruins, pois o amor a Deus e ao próximo faz com que todos os obstáculos sejam
transpostos (1 Jo 4.18).
2. Compromisso. Servir a Deus é um
grande privilégio. Como servos do Altíssimo temos um compromisso com Ele e com
o próximo (Mc 12.30,31). Temos uma missão a cumprir. Devemos executá-la com
excelência (Lc 9.62), pois o verdadeiro servo procura sempre dar o seu melhor
(Ef 6.5-9). Com zelo e cuidado o servo deve demonstrar o amor divino por
intermédio de suas ações e palavras, exaltando sempre o nome do Senhor. O seu
alvo e a sua meta são: “darei o melhor de mim”.
3. Humildade. Aquele que serve ao
Senhor não deve jamais vangloriar-se dos seus feitos, pois nossa capacidade e
recursos vêm de Deus (2 Co 3.5). Todo o sucesso na obra de Deus deve ser
atribuído tão-somente ao Todo-Poderoso (Fp 2.13). Reconhecer esta verdade
ajuda-nos a blindar a alma contra o orgulho, a vaidade, o egoísmo, a hipocrisia
e outras armadilhas do coração (Pv 4.23; Mt 15.19). Manter um caráter íntegro
no exercício do serviço cristão tem de ser o nosso objetivo.O amor, o
compromisso e a humildade são características dos servos de Cristo.
II. O SERVIÇO CRISTÃO
1. Ordenado pelo Senhor. Jesus,
nosso Mestre, deu-nos o inigualável exemplo de serviço (Mt 20.28). A Bíblia
Sagrada faz alusão às palavras de Cristo sobre a honra que o Pai Celestial
concederá àqueles que o servem: “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu
estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o
honrará” (Jo 12.26). Servir a Cristo requer um compromisso pessoal com Ele,
guardando os seus ensinamentos, negando a nós mesmos e seguindo-o
incondicionalmente (Mc 8.34).
2. Em relação a Deus. Também
servimos ao Senhor mediante a nossa adoração. A palavra adoração, no grego, é
um termo que designa ministério ou serviço; é o culto ao Supremo Criador (Lc
1.23; Hb 10.11; Jo 4.23,24). O termo também é usado para indicar o culto da
Igreja Primitiva (At 2.42). Portanto, o culto cristão é celebração, é vida, é
entrega, é serviço para e a Deus.
3. Em relação ao próximo. O livro de
Atos dos Apóstolos mostra que a Igreja Primitiva possuía um cuidado singular
para com os necessitados (2.42-47). Ela estabeleceu, inclusive, um fundo social
para ampará-los (2.45; 4.34,35). Este comportamento está consoante ao ensino de
Cristo (Mc 12.31) e ao dos apóstolos: “Então, enquanto temos tempo, façamos o
bem a todos” (Gl 6.10). Precisamos seguir o exemplo dos crentes da Igreja
Primitiva, promovendo o Evangelho e o alívio do sofrimento alheio (At 6.1-7).O
serviço cristão ordenado pelo Senhor compreende a relação do homem com Deus e o
com o próximo.
III. A MISSÃO DA IGREJA NESTE MUNDO
1. Proclamar a Palavra de Deus. A
Igreja precisa, com urgência, levar o Evangelho de Cristo até aos confins da
terra. Para cumprir plenamente a sua missão, ela deve utilizar-se de todos os
meios disponíveis: rádio, jornais, culto ao ar livre, campanhas evangelísticas,
etc. A mídia, quando utilizada com eficiência, ética e sabedoria, tem um papel
preponderante na proclamação da mensagem cristã.
2. Viver em comunhão. O amor e a
comunhão entre os irmãos são a prova do fervoroso amor da Igreja ao Senhor.
Onde há contendas e divisões, a igreja esfria-se em seu amor a Cristo e ao
próximo. O amor e a comunhão são características que evidenciam o tipo de
relação que tem de haver entre nós e o Senhor Jesus.
Tais características servem de
testemunho aos não-crentes, pois demonstram, na prática, a mensagem que
pregamos (Jo 13.34,35; At 2.42,47; 2 Co 8.4; 1 Jo 1.7). A comunhão dos santos
pode ser vista na experiência da conversão (1 Jo 1.3), na participação da Ceia
do Senhor (1 Co 10.16), nos sofrimentos alheios (Fp 3.10; Tg 5.16) e no
relacionamento com nossos irmãos em Cristo (Rm 12.18; Ef 2.14; Hb 12.14).
3. Servir a Deus e ao próximo.
Salvos em Cristo, temos a responsabilidade e o compromisso de servir a Deus e
ao próximo (Mc 10.43; 2 Co 8.13,14; Hb 6.10). A dedicação do servo de Deus (gr.
diakonia) para com o necessitado é uma expressão de fé e espiritualidade por
expressar o amor de Deus (1 Jo 3.16). Não podemos esquecer-nos de que a fé e a
ação devem caminhar juntas. A Palavra de Deus assegura-nos que a “fé sem obras
é morta” (Tg 2.7). Infelizmente, muitos confessam a Cristo como Salvador, mas
não servem a Deus e nada fazem em favor do seu semelhante.A missão da Igreja no
mundo é proclamar o evangelho, viver a comunhão, servira Deus e acolher o
próximo.
A pregação da Palavra de Deus, a
comunhão e a prática do serviço formam o tripé da Missão Integral da Igreja. O
homem é um ser integral. Portanto, o Evangelho de Cristo também é integral. Eis
porque temos de pregar o Evangelho a toda criatura, amenizar o sofrimento do
enfermo, matar a fome ao faminto e amparar aqueles que precisam de um ombro
amigo. Quando os crentes colocam-se à disposição de Deus para realizar a sua
obra integralmente, a igreja local também cumpre, integralmente, o serviço
cristão (Mt 28.19,20; Gn 1.26,28).
Subsídio Exegético
“Um Padrão para Seguir
Os versículos 12 a 17 [de João 13]
fornecem a razão para o lava-pés. Tendo lavado os pés dos discípulos, vestido a
roupa e retomado o lugar à mesa, Jesus pode falar então com nova autoridade.
Isto é revelado, sobretudo pelo modo como Ele se refere a si mesmo. Ele é
corretamente o ‘Mestre’, o ‘Senhor’ deles (vv.13,14,16). Ele começa fazendo uma
pergunta: ‘Entendeis o que vos tenho feito?’. Da parte deles, a resposta é
antecipada: ‘Não, não entendemos’. Isto é evidente pela resposta de Jesus.
O versículo 14 explica a motivação
de Jesus para o lava-pés: ‘Ora, se eu [...] vos lavei os pés, vós deveis também
lavar os pés uns aos outros’. O versículo 15 enfatiza nitidamente o fator
‘exemplo’ envolvido na ação — a atitude servil do discipulado modelado segundo
a atitude e comportamento de Jesus. A palavra grega traduzida por ‘exemplo’ é hypodeigma;
refere-se a mais que mero ‘exemplo’, pois tem um aspecto ético e compulsório.
Contudo o indivíduo não é servo de Jesus meramente por dever ou compulsão;
antes, a atitude emana do amor. O amor motivou Jesus a dar a vida pelo mundo e
lavar os pés dos discípulos. Todo serviço deve ser humilde, a despeito de
status” (ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal Novo
Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2003, p.574).
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PAZ DO SENHOR
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