quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Introdução do livro de Daniel (3) contexto histórico




A parte profética do livro
No plano geral da revelação divina o livro de Daniel ocupa um lugar de suma importância. Sua parte histórica é cheia de experiências marcantes que revelam a soberania de Deus e o seu cuidado com aqueles que lhe são fieis. A parte profética contém predições escatológicas cujo cumprimento ainda não tem chegado.
Essa parte ocupa os últimos seis capítulos os quais trazem o registro de quatro visões proféticas dada especialmente a Daniel. Essas visões apresentam figuras simbólicas dos reinos gentílicos envolvendo tempos distintos nos quais Deus fará valer sua soberania no mundo, especialmente, com as nações que unirão para massacrar a Israel no tempo do Fim. Algumas dessas profecias já tiveram seu cumprimento na história e outras que se cumprirão no tempo que Deus estabeleceu para se cumprirem. Ao longo do estudo dessas profecias constataremos essas predições. As visões, portanto, se estendem para o futuro.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 23.
A destruição (36.17-21). Os caldeus mataram jovens e velhos sem demonstrar misericórdia (17), demoliram completamente o Templo e a cidade (19) e levaram o povo cativo para a Babilônia (20). Só então a terra passou a ter os sábados de descanso (21). Estas palavras de Jeremias sugerem que o ano sabático não foi observado durante o período da monarquia. Elas lembraram o povo de que havia pelo menos duas razões para o cativeiro: (1) a idolatria; e (2) a falha em manter o ano do jubileu. Por esta razão o cativeiro (606-536 a.C.) deveria durar setenta anos - um sábado de repouso (cf. Jr 25.12; 29.10).
Robert L. Sawyer. Comentário Bíblico Beacon I e II Cronicas. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 475.
Os efeitos do Exílio. A causa do exílio foi a apostasia do povo em relação a Deus e a seu pacto. Os israelitas tinham rejeitado de forma consistente a mensagem dos profetas e persistentemente continuaram em seu pecado e idolatria. Constantemente os profetas avisavam os israelitas contra a confiança em sua própria sabedoria e poder. O exílio foi interpretado pelos profetas como o julgamento divino que resultaria em restauração e revelação do eterno amor de Deus para com Israel (Is 54.9,10; Jr 31.3-6). Ele é o incidente histórico primário sobre o qual o messianismo bíblico está baseado. Entre os resultados do exílio para Israel estava uma compreensão mais profunda da lei de Moisés e dos Profetas, tão importante para os judeus como um povo. De lá veio também uma compreensão mais clara da universalidade e soberania de Deus; que Yahweh é único Deus e não existe deus além dele. Esta fé permaneceu tão inabalável que suportou a influência e fascinação da cultura grega apesar dos efeitos do Helenismo sobre outras áreas do Judaísmo e sobre o restante do mundo Mediterrâneo.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 677.
a) Na sua sabedoria eterna, Deus tinha decretado que a nação de Judá precisava chegar a um fim. Ele indica como isso iria acontecer: Eis que [...] tomarei a todas as gerações do Norte [...] a Nabucodonosor, rei da Babilônia [...] e os trarei sobre esta terra (9). Meu servo significa somente que Deus estava usando Nabucodonosor como instrumento para castigar Judá. Passaram-se mais dezoito anos de vida nacional, mas a decisão de Deus era definitiva: E farei perecer, entre eles, a voz de folguedo [...] de alegria [...] do esposo [...] da esposa [...] E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto (uma ruína desolada; 10-11). O som das mós, e a luz do candeeiro eram sinais conhecidos de vida entre eles.
b) Deus também havia determinado o número de anos do exílio de Judá: E toda esta terra [...] e estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos (11). Esse número provavelmente é arredondado, mas o período de servidão de Judá na Babilônia chegou muito próximo disso. A batalha de Carquemis ocorreu em 606 a.C., e deu à Babilônia o controle de toda a região do Oriente Médio, desde o Egito até a boca do rio Eufrates (2 Rs 24.7). Isso incluía Judá, e há indícios de que os cativos judeus foram levados para a Babilônia em 606-605 (veja nota de rodapé do v. 16 na KJV). A Babilônia caiu diante dos medos e persas em 539 a.C., e o primeiro grupo de judeus retornou para Jerusalém em 539 a.C. Desde a primeira deportação dos cativos para Babilônia em 606605 até o primeiro retorno dos judeus a Jerusalém em 536, temos um período aproximado de setenta anos. Alguns estudiosos preferem fazer a contagem desde a queda de Jerusalém em 586 a.C. até a dedicação do segundo Templo em 516 a.C. Isso também abrange um período de setenta anos.
C. Paul Gray. Comentário Bíblico Beacon. Jeremias. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 323-324.
III – DANIEL, O AUTOR DO LIVRO
1. O homem Daniel.
No hebraico, Deus é meu juiz». Há quatro personagens com esse nome, nas páginas da Bíblia:
1. Um filho de Davi, o segundo que ele teve com Abigail, a carmelita (I Crê, 3:1). No trecho paralelo de II Samuel 3:3, ele é chamado Quileabe. Viveu em tomo de 1050 A.C.
2. Um descendente de Itamar, que retomou do cativeiro babílôníco em companhia de Esdras (Esd. 8:2). Viveu em tomo de 456 A.C. Foi um dos signatários do pacto firmado por Esdras.
3. Um dos sacerdotes que assinou o pacto com Neemias. Quanto à sua identidade, alguns pensam tratar-se do profeta desse nome. Mas outros identificam-no com o descendente de Itamar, segundo ponto, acima. (Nee. 10:6). Viveu por volta de 456 A.C.
4. O profeta Daniel, o herói principal do livro veterotestamentário desse nome.
O Homem Daniel e o Plano de Fundo Histórico do Livro
Daniel era descendente da família real de Judá, ou pelo menos, da alta nobreza dessa nação (Dan. 1:3; Josefo, Anti. 10.10,1). e possível que ele tenha nascido em Jerusalém, embora o trecho de Daniel 9:24, usado como apoio para essa ideia, não seja conclusivo quanto a isso. Com a idade entre doze e dezesseis anos, ele já se encontrava na BabiU~nia, como cativo judeu entre todos outros jovens nobres hebreus, como Ananias, Misael e Azarias, em resultado da primeira deportaçio da nação de Iudá, no quarto ano do reinado de Ieoiaquim. Ele e seus companheiros foram forçados a entrar no serviço da corte real babilênice, Daniel recebeu o nome caldeu de Beltessazar, que significa «principe de Baal». De acordo com os costumes orientais, uma pessoa podia adquirir um novo nome, se as suas condições fossem significativamente alteradas, e esse novo nome expressava a nova condiçio (11 Reis 23:34; 24:17; Est. 2:7; 'Bsd, 5:14). A fim de ser preparado para suas novas funções, Daniel recebeu o treinamento oriental necessário. Ver Platão, Alceb, seção 37. Daniel aprendeu a falar e a escrever o caldeu (Dan. 1:4). Não demorou para ele distinguir-se, tomando-se conhecido por sua sabedoria e piedade, especialmente na observância da lei mosaica (Dan. 1:8-16). O seu dever de entreter a outras pessoas sujeitou-o à [tentação de comer coisas consideradas impróprias pelos preceitos levítícos, problema esse que' ele enfrentou com sucesso.
A educação de Daniel teve lugar durante três anos, e então tomou-se um dos cortesões do palácio de Nabucodonosor, onde, pela ajuda divina, conseguiu interpretar um sonho do monarca, para inteira satisfação deste. Tudo em Daniel impressionava o rei, pelo que ele subiu no conceito real, tendo-lhe sido confiados dois cargos importantes, como governador da província da Babilônia e inspetor-chefe da casta sacerdotal (Dan. 2:48). Posteríormente, em um outro sonho que Daniel interpretou, ficou predito que o rei, por causa de sua prepotência, deveria ser humilhado por meio da insanidade temporária, apôs o que, seu juizo ser-lhe-ia restaurado (Dan. 4). As qualidades pessoais de Daniel, como sua sabedoria, seu amor e sua lealdade, resplandecem por toda a narrativa.
Sob os sucessores indignos de Nabucodonosor, ao que parece, Daniel sofreu um período de obscuridade e olvido. Foi removido de suas elevadas posições, e parece ter começado a ocupar postos inferiores (Dan. 8:27). Isso posto, ele s6 voltou à proeminência na época do rei Belsazar (Dan. 5:7,8), que foi co-regente de seu pai, Nabonido. Belsazar, porém, foi morto quando os persas conquistaram a cidade. Porém, antes desse acontecimento, Daniel foi restaurado ao favor real, por haver conseguido decifrar o. escrito misterioso na parede do sallo do banquete (Dan. 5:2 e ss), Foi por essa altura dos acontecimentos que Daniel recebeu as visões registradas nos capítulos sétimo e oitavo, as quais descortinam o curso futuro da história humana, juntamente com a descrição dos principais impérios mundiais, que se prolongariam nlo somente até à primeira vinda de Cristo, mas exatamente até o momento da parousia.., ou segunda vinda de Cristo. Os medos e os persas conquistaram a Babilônia, e uma nova fase da história se iniciou. Daniel mostrou-se ativo no breve reinado de Dario, o medo, que alguns estudiosos pensam ter sido o mesmo Ciaxares II. Uma das questões envolvidas foram os preparativos para a possível volta de seu povo, do exílio para a Terra Santa. Sua grande ansiedade, em favor de seu povo, para que fossem perdoados de seus pecados e fossem restaurados à sua terra, provavelmente foi um dos fatores que o ajudou a vislumbrar o futuro, até o fim da nossa atual dispensação (Dan. 9), o que significa que ele previu o curso inteiro da futura história de Israel. Daniel continuou cumprindo seus deveres de estadista, mas sempre observando estritamente a sua fé religiosa, sem qualquer transigência. Há um hino cujo estribilho diz: «Ouses ser um Daniel; ouses ficar sozinho». O caráter e os atos de Daniel despertaram ciúmes e invejas.
Mediante manlpulação política, Daniel terminou encerrado na cova dos leões; mas o anjo de Deus controlou a situação, e Daniel foi livrado dos leões, adquirindo um novo prestigio, uma maior autoridade.
Daniel teve a satisfação de ver um remanescente de Israel voltar à Palestina (Dan. 10:12). Todavia, sua carreira profética ainda não havia terminado, porquanto, no terceiro ano de Ciro, ele recebeu uma outra série de visões, informando-o acerca dos futuros sofrimentos de Israel, do período de sua redenção, através de Jesus Cristo, da ressurreição dos mortos e do fim da atual dispensação (Dan. 11 e 12). A partir desse ponto, as tradições e as fábulas se manifestam, havendo histórias referentes à Palestina e à Babilônia (Susã), embora não possamos confiar nesses relatos,
Pano de Fundo e Interpretes liberais. A moderna erudição critica é praticam~nte unânime ao declarar que o livro de Daniel foi compilado por um autor desconhecido, em cerca de 165 A.C., porquanto conteria supostas profecias sobre monarcas pôs-bebilônicos que, mais provavelmente, são narrativas históricas, porquanto vão-se tomando mais e. mais exatas, -à medida jue o tempo de seu cumprimento se aproxima (Dan. 1 :2-35). Para esses intérpretes o propósito do livro foi o de encorajar os judeus fiéis, em seu conflito com Anttoco IV Epifinio (ver I Macabeus 2:59,60). Por causa da tenção em que viviam, o livro de Daniel teria sido entusiasticamente acolhido, porquanto expõe uma vislO final otimista da carreira de Israel no mundo. E assim, o "livro teria sido recebido no cânon "hebreu. Isso posto, temos duas posições: uma delas afirma que realmente houve um profeta chamado Daniel, que viveu a vida descrita nos parigrafos anteriores do livro, e cujas visões fazem parte indispenável do quadro profético. A outra posiçio diz que o livro de Daniel é uma espécie de romance-profecíe, que apresenta acontecimentos históricos como se tivessem sido preditos. exatos em tomo de 165 A.C., mas nlo tanto, à medida que se retrocede no tempo. Os vários argumentos são apresentados na terceira seção, intitulada Autoria. Data e Debates a Respeito, mais abaixo.
Informes Posteriores Sobre Daniel. Uma tradição rabínica posterior (Midrash Sir ha-sirim, 7:8) diz que Daniel retomou à Palestina, entre os exilados. Mas um viajante judeu, Benjamim de Tudela (século XII D.C.) supostamente teria encontrado o túmulo de Daniel em Susl, na Babilônia. Nesse caso, se o primeiro informe é veraz, entio Daniel retornou mais tarde à Babi1&nia. Há informes sobre esse túmulo, desde o século VI D.C., embora muitos duvidem da exatidão dessas tradições, pois geralmente nlo passam de fantasias.
Um Daniel Antediluviano? Alguns supõem que o Daniel referido em Ezequiel 14:14 não é o Daniel da tradição profética, e, sim, uma personagem que viveu antes do dilúvio, não contemporâneo de Ezequiel, e cujo nome e caráter teriam inspirado o pseudo vinculado ao livro canênico de Daniel. A lenda ugarítíca de Aght refere-se a um antigo rei fentcio. Dnil (vocalizado como DaneI" ou Daniel), o que significaria que esse nome é antiquíssimo... Ver Ezequiel 28:3, onde o profeta escarnece de Tiro porque, supostamente, era «mais sábio que Daniel...
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 8-9.
DANIEL Herói do AT e principal personagem do livro de Daniel. De linhagem nobre e real (Dn 1.3), foi levado como prisioneiro para Babilônia por Nabucodonosor em 605 a.C. juntamente com outros jovens judeus com as mesmas qualidades e capacidade (1.1-7). Ali passou os resto de sua vida e ganhou destaque como profeta e estadista. Daniel foi instruído sobre a língua e a civilização dos caldeus (1.4). Ele e seus amigos Hananias, Misael e Azarias foram agraciados com o generoso menu da corte pagã. Como o alimento real era contra a lei de Moisés, e poderia torná-lo menos eficientes, Daniel "assentou em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia" (1.8). Como uma concessão ao seu pedido, Daniel e seus amigos tiveram permissão de apenas comer vegetais e beber água durante dez dias, e demonstraram ter ficado mais saudáveis que os demais companheiros. Os supervisores perceberam que esses jovens judeus possuíam grande habilidade e sabedoria. Ao final de seu período de treinamento foram reconhecidos pelo rei como superiores a todos os homens sábios da corte real. Através da divina revelação, Daniel contou o sonho que o rei havia esquecido e também deu a interpretação, que incluía a destruição do reino de Nabucodonosor (Dn 2).
O rei elogiou Daniel, honrou o seu Deus e o recompensou com presentes preciosos (2.46,47) e também "o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também por principal governador de todos os sábios de Babilônia" (2.48). Mais tarde, Daniel interpretou outro sonho de Nabucodonosor e disse ao rei que, durante algum tempo, ele perderia seu trono, mas que este seria recuperado depois que ele tivesse se humilhado completamente (Dn 4). Deus revelou, através de Daniel, certos aspectos do reino messiânico que poderiam interferir no curso da história e da eternidade. Veja Daniel, Livro de. Durante mais de 20 anos (561-539 a.C.) nada foi registrado a respeito de Daniel; pode ser que ele tenha perdido sua posição e o favor real. Então, na festa de Belsazar (q.v), que era o co-regente com seu pai Nabonido, a rainha (provavelmente mãe de Belsazar, e filha de Nabucodonosor) lembrou-se de Daniel, que foi convocado para interpretar uma estranha inscrição na parede (Dn 5.10-28). De acordo com sua interpretação, a Babilônia seria conquistada naquela noite (539 a.C.) por Dário, o medo. Embora a história secular não tenha, até o momento, conhecido um personagem medo com o nome de Dário, ele foi identificado por competentes estudiosos como sendo Gobryas, governador da Babilônia no reinado de Ciro (John C. Whitcomb, Darius the Mede). Dário reconheceu a habilidade de Daniel e o fez chefe de um conselho de três presidentes e "pensava constituí-lo sobre todo o reino" (Dn 6.3). Em sua religião, Daniel manifestava a mesma fidelidade incondicional. Ele desafiou o decreto de Dário e orava a Deus ao invés de fazer petições ao rei. Foi lançado na cova dos leões e milagrosamente salvo (Dn 6). Ele nunca transigiu as suas convicções, nem hesitou em sua lealdade a Deus. Viveu até o terceiro ano do reinado de Ciro (536 a.C), chegando, provavelmente, a 90 anos de idade e ainda bastante ativo. Ezequiel se referia a Daniel como um homem de grande sabedoria e piedade (Ez 28.3) e o colocava ao lado de pessoas tão dignas quanto Noé e Jó (Ez 14.14,20), homens de renomada virtude. Jesus se referiu a Daniel pelo menos uma vez (Mt 24.15).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 519-520.
A primeira parte da vida de Daniel demonstra que há muito mais na vida do jovem do que apenas cometer erros. Nenhuma característica conquista mais rapidamente o coração dos adultos do que a sabedoria nas palavras e ações de uma pessoa jovem. Daniel e seus amigos tinham sido levados de seus lares, em Judá, para o exílio. O futuro era incerto, mas todos eles possuíam características pessoais que os qualificavam para o trabalho no palácio, na presença do rei. Eles tiravam proveito da oportunidade som deixar que esta tirasse proveito deles.
O primeiro sinal da dignidade de Daniel é visto quando ele se recusa discretamente a desistir de suas convicções. Daniel tinha aplicado a vontade de Deus a sua vida e era contrário a mudar os bons hábitos que formara. Tanto o alimento físico quanto o espiritual eram uma parte importante de seu relacionamento com Deus. Alimentava-se cuidadosamente e vivia em oração. Um dos benefícios de estar em treinamento para o serviço real era comer da mesa do próprio rei. Daniel escolheu com discernimento um cardápio mais simples e provou ter sido esta uma escolha saudável. Assim como Daniel, as horas das refeições são testes óbvios e regulares de nosso empenho em controlar os apetites. Enquanto controlava sua ingestão de alimentos, Daniel entregava-se ã oração. Podia comunicar-se com Deus porque fez disto um hábito. Ele colocou em prática suas convicções, mesmo quando isto significou ser lançado em uma cova de leões famintos. Sua vida provou que tinha feito a escolha certa.
Você mantém tão firmemente sua fé em Deus que, não importa o que aconteça, fará o que Deus lhe disser? Tal convicção o mantém um passo à frente da tentação e lhe dará sabedoria e estabilidade diante das mudanças. Em oração, viva as suas convicções no dia-a-dia e confie em Deus quanto aos resultados.
Pontos fortes e êxitos:
• Apesar de jovem quando deportado, permaneceu leal à sua fé.
• Serviu como conselheiro a dois reis babilônicos e dois reis
medo-persas.
• Era um homem de oração e um estadista com o dom da profecia.
• Sobreviveu à cova dos leões.
Lições de vida:
• As convicções silenciosas freqüentemente ganham respeito em longo
prazo.
• Náo espere chegar a uma situação dificil para aprender sobre oração.
• Deus pode usar as pessoas onde quer que estejam.
Informações essenciais:
• Local: Judá e as cortes da Babilônia e da Pérsia.
• Ocupação: Um cativo de Israel que se tornou conselheiro de reis.
• Contemporâneos: Hananias, Misael, Azarias, Nabucodonosor,
Belsazar, Dario e Ciro.
Versículo-chave:
"Porquanto se achou neste Daniel um espirito excelente, e ciência, e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará interpretação" (Dn 5.12).
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1093.
2. A importância do livro.
O livro de Daniel é o desvendar de um mistério. E, se por um lado desvenda o mistério, por outro, o envolve em surpresa e admiração, deixando grande parte do mistério da revelação em aberto.
Daniel era um homem de extraordinária sabedoria e percepção. Vivendo no meio de grandes e repentinas mudanças mundiais, ele foi capaz de manter seu equilíbrio e sanidade, observando o que estava acontecendo com um olhar atento. Ele serviu a reis. Ele foi um valoroso conselheiro de governantes. Porém, mais importante de tudo, ele tinha um relacionamento íntimo com o Deus dos céus. Ele estava com os seus pés firmemente plantados na terra, entre os acontecimentos terrenos. Mas, a sua cabeça ficava numa atmosfera mais clara; ele vivia diante da realidade de coisas eternas.
Algumas verdades tomam-se claras na mensagem de Daniel, revelando o plano de Deus para a Terra e seus habitantes. Em primeiro lugar, poderes terrenos e circunstâncias são temporários. As tiranias mais poderosas ficam no poder durante um curto período. Em segundo lugar, Deus faz com que a ira do homem acabe se transformando em louvor a Ele e faz com que todo o resto seja impedido. Tanto Nabucodonosor, o déspota enfurecido, quanto Ciro, o soberano sábio e cordial, testificaram dessa verdade. Em terceiro lugar, Deus mantém as suas promessas para o seu povo; Ele não esquece. Em quarto lugar, Deus tem seu próprio tempo para realizar a sua obra. Ele nunca se adianta nem se atrasa. Em quinto lugar, os reinos desse mundo são designados para dar lugar ao reino do nosso Senhor e do seu Cristo. Em sexto lugar, embora Deus tenha uma visão eterna e cósmica, Ele tem um interesse amoroso em relação aos afazeres mais insignificantes de um indivíduo.
O livro de Daniel foi um livro para Daniel e para o atribulado povo remanescente de Deus dos seus dias. Esse também é um livro para todas as gerações, designado para manter a história em perspectiva. O livro continua sendo relevante para os nossos dias. Certamente, estamos mais próximos do tempo da consumação do Reino de Deus do que qualquer povo que viveu antes de nós. Em dias de profunda escuridão e conflitos cruciais, vamos extrair esperança e coragem da mensagem transmitida a Daniel.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 500.
Já pudemos ver que os críticos supõem que o livro de Daniel tenha sido escrito para encorajar os judeus palestinos em meio à sua resistência ao programa de helenização de Antíoco IV Epifânio. Por outro lado, o livro pode ter tido o propósito de realizar o mesmo papel, mas em favor dos judeus exilados na Babilônia, que estariam enfrentando graves problemas em seus preparativos para retornar a Jerusalém. Nesse caso, o livro também mostraria que Deus, embora juiz dos judeus, já que os deixou ir para o exílio, haveria de restaurá-los, por causa de sua misericórdia. Esse segundo ponto de vista está mais em consonância com o arcabouço histórico apresentado no próprio livro. Naturalmente, a arcabouço histórico poderia ter sido utilizado pelo autor como uma lição objetiva, destinada a um povo posterior, que estivesse enfrentando um conjunto inteiramente diverso de dificuldades.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3370.
PROPÓSITO
No monte Sinai, no deserto, o Deus do céu e da terra depositou Sua afeição de modo peculiar sobre Israel, escolhendo essa nação para ser Seu povo e declarando que Ele seria seu Deus. Dessa maneira entrou em relação de concerto com Israel, manifestando tal relação por um poderoso ato de livramento. Seu propósito para com essa nação era que ela fosse um "reino de sacerdotes" e que Deus fosse seu governante. Assim foi estabelecida a teocracia (governo de Deus). Israel deveria ser uma nação santa, uma luz para iluminar os gentios e dar testemunho do conhecimento salvador do verdadeiro Deus a todos.
Israel, todavia, não foi fiel a esse alto propósito. Depois que já se achava por algum tempo na Terra Prometida, exibiu insatisfação com os princípios fundamentais da teocracia ao solicitar um rei humano, para que fosse semelhante às nações ao seu derredor. Em primeiro lugar lhe foi dado um homem mau como rei, e então um homem segundo o próprio coração de Deus. Davi, entretanto, era homem de guerra, pelo que não foi senão durante o reinado pacífico de Salomão que o templo, o símbolo externo do reino de Deus, foi edificado. Após a morte de Salomão rebelaram-se as tribos do norte, renunciando às promessas da aliança. Dessa ocasião em diante, tanto nos reinos do norte como do sul, a iniquidade passou a caracterizar o povo, pelo que Deus anunciou Sua intenção de destruí-los (cf. Os 1.6; Am 2.13-16; Is 6.11-12, etc.). Os instrumentos que o Deus soberano empregou para realizar Seu propósito de fazer ponto final na teocracia foram os assírios e babilônios. Sob o poder dessas nações o povo teocrático foi levado em cativeiro, e o exílio ou período de "Indignação" foi iniciado (Is 10.25; Dn 8.19). O próprio exílio foi seguido por um período de expectativa e preparação para a vinda do Messias. Foi revelado que um período de setenta vezes sete tinha sido determinado por Deus para a materialização da obra messiânica (Dn 9.24-27). O livro de Daniel, um produto do exílio, serve para mostrar que o próprio exílio não seria permanente. Pelo contrário, a própria nação que havia conquistado Israel desapareceria da cena da história para ser substituída por outra e, de fato, por três outros grandes impérios humanos. Enquanto esses impérios estivessem em existência, entretanto, o Deus do céu erigiria outro reino que, diferentemente dos reinos humanos, seria ao mesmo tempo universal e eterno. O propósito de Daniel, por conseguinte, é ensinar a verdade que, embora o povo de Deus esteja escravizado em uma nação pagã, o próprio Deus é seu soberano e aquele que em última análise dispõe dos destinos, tanto dos indivíduos como das nações.
Essa verdade é ensinada por meio de um rico uso de símbolos e comparações, e o motivo dessa característica se encontra no fato que as revelações feitas a Daniel tiveram a forma de visão. O livro de Daniel, pois, pode assim ser chamado de obra apocalíptica, mas se eleva muito acima dos apocalipses pós-canônicos. A única obra que pode com justiça ser-lhe comparada é o livro neo-testamentário do Apocalipse. Essencialmente, Daniel exibe as qualidades de um livro verdadeiramente profético e suas comparações são usadas tendo em vista um propósito didático.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia.  pag. 2-3.
3. A autoria e as características do livro.
LIVRO DE DANIEL
Características Gerais
O livro de Daniel ocupa um lugar único no AT. Ele introduz predições maravilhosas sobre a vinda do Messias e do Reino de Deus. Na Bíblia Sagrada (tanto em português quanto em inglês), ele se encontra entre os maiores profetas depois de Ezequiel; na Bíblia hebraica, ele se encontra entre os Escritos, a terceira divisão do cânon judeu. Na Bíblia
hebraica, as passagens em hebraico de Daniel l.l-2.4a e 8.1-12.13 revelam o significativo papel de Israel nos desenvolvimentos internacionais; a passagem em aramaico de Daniel 2.4Ò - 7.28 indica a ordem de sucessão, o ca-ráter e o destino das nações pagãs.
Esboço
I.          A história de Daniel, capítulos 1-6
A. A juventude e a educação de Daniel, capítulo 1
B. A imagem do sonho de Nabucodonosor, capítulo 2
C. Fidelidade dos companheiros de Daniel, capítulo 3
D. A árvore do sonho de Nabucodonosor, capítulo 4
E. A festa de Belsazar, capítulo 5
F. Daniel na cova dos leões, capítulo 6
II.         Visões de Daniel, capítulos 7-12
A. A Visão dos quatro animais, capítulo 7
B. Visão do carneiro e do bode, capítulo 8
C. A oração de Daniel; visão das 70 se manas, capítulo 9
D. A última visão de Daniel, capítulos 10-12
1.O anjo aparece para encorajar Daniel e predizer o futuro, capítulo 10
2. Pérsia e Grécia; lutas entre os ptolemaicos e os selêucidas; opressão sofrida sob Antíoco Epifânio, capítulo 11
3. A Era Messiânica e sua consumação, capítulo 12
Data e Autoria
Desde a antiguidade a tradição judaico-cris-tã tem declarado que Daniel escreveu esse livro durante o exílio no século 6 a.C. O fato de os homens da Grande Sinagoga terem escrito o livro de Daniel durante o período de Esdras e Neemias, de acordo com o Talmude, significa apenas que eles o copiaram. O livro pretende revelar uma historia séria e afirma que Daniel pronunciou as profecias ali contidas. Jesus referiu-se à "abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel" em Mateus 24.15. Até o momento, a opinião tradicional tem sido seriamente questionada. Porfírio, um filósofo platônico do século III depois de Cristo, afirma que o livro foi escrito no século II a.C. Muitos estudiosos modernos consideram que um escriba piedoso usou a figura de Daniel (o uso de pseudônimos era um costume antigo), para estimular lealdade a Deus e manter o entusiasmo pela causa nacional durante a revolta dos macabeus de 167-164 contra o governante selêucida Antíoco Epifânio. Segundo essa opinião, o livro de Daniel consiste de historias espúrias sobre Daniel na corte Babilónica durante o período do Exílio e as visões atribuídas a ele, que atravessam a história de Israel desde esse período até o período do próprio escritor, estão concentradas nos anos da perseguição, e sua consumação no reino de Deus. Apesar dessa prevalecente opinião crítica contra conferir ao livro a data do século VI, uma gradual inclinação tem sido registrada em direção a uma data anterior. A descoberta do nome de Belsazar (q.v.) nas tábuas de argila da Babilônia, e a provável identificação feita por Whitcomb em relação a Dário, o medo (q.v.) com sendo Gubaru (em grego, Gobryas), foram muito longe para reivindicar a precisão histórica desse livro para o século VI Supostos problemas linguísticos e exegéticos têm sido mais que adequadamente respondidos por estudiosos conservadores (SOTI, pp. 368ss.). Fragmentos de Qumran do livro de Daniel (150 a.C.) também estão exercendo forte pressão para localizar a data de sua autoria dentro de uma opinião conservadora.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 520-522.
Autoria
Ao longo dos séculos, tanto entre os judeus quanto entre os cristãos, o livro tem sido tradicionalmente atribuído a Daniel. Em diversas seções importantes o texto é atribuído diretamente a Daniel. A primeira pessoa do singular: “Eu, Daniel”, é usada repetidas vezes. O capítulo 7 começa da seguinte forma: “teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça; escreveu logo o sonho e relatou a suma das coisas” (Dn 7.1).
Mas nos últimos cento e cinqüenta anos a autoria do livro de Daniel tem se tornado um grande campo de batalha. Tornou-se um hábito atribuir o livro a um autor desconhecido que viveu na época de Antíoco Epifânio, 175-169 a.C. De acordo com essa posição supõe-se que o livro de Daniel é uma alegoria escrita parcialmente em códigos para encorajar e inspirar os judeus que estavam sofrendo debaixo da tirania e perseguições de Antíoco. As histórias do livro, portanto, não deveriam ser entendidas de forma literal, mas simbolicamente. O livro, portanto, deveria figurar na categoria de pseudepígrafes (escritos posteriores que adotavam nomes de grandes homens do passado), devido a algumas semelhanças com essa categoria.
Para aqueles que entendem existir uma inspiração divina e, portanto, sobrenatural, não há motivo justificável para rejeitar a fé cristã tradicional acerca da integridade do livro de Daniel. Procurar possíveis motivos para uma outra autoria do livro que leva o seu nome é injustificável. Se levarmos em conta todos os questionamentos que foram levantados contra a sua autoria, concluímos que é necessário mais do que credulidade. E necessário fé. Essa fé busca aquietar-se e ouvir o que Deus tem a nos dizer em nossos dias acerca do firme propósito que Ele estabeleceu para o presente e nas eras futuras.
Daniel não está sozinho e indefeso na Bíblia. Sem dúvida, a referência mais impressionante e de maior autoridade é sobre Daniel 9.27. Jesus faz referência a esse texto na sua mensagem apocalíptica: “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel...” (Mt 24.15; também cf. Mc 13.14). Jesus parece claramente dar o seu endosso para a legitimidade de Daniel como profeta e para a veracidade da sua mensagem.
Referências relacionadas por dedução à profecia de Daniel são também bastante numerosas nos ensinamentos de Jesus, particularmente em seu uso da expressão “Filho do homem”. Em Mateus 24.30, lemos: “verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. Essas palavras parecem ecoar o que lemos em Daniel 7.13-14: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem [...] E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino” (cf. Mt 16.27-28).
Quando Paulo escreve sobre o “homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora” (2 Ts 2.3-4), ele está se referindo claramente a Daniel 11.36: “e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis”.
Referências de Daniel refletidas no livro de Apocalipse são suficientemente numerosas para justificar a inferência de que a autoridade desse livro do Novo Testamento sustenta a integridade do seu correlato do Antigo Testamento.
É interessante notar que os integrantes da comunidade de Qumrã, que produziram os manuscritos bíblicos mais antigos conhecidos atualmente, tinham um interesse especial pelo livro de Daniel. Com base nos fragmentos recuperados das suas cavernas fica claro que possuíam inúmeras cópias desse livro. Devido aos tempos turbulentos em que viviam, logo após o reinado de Antíoco até a destruição de Jerusalém em 71 d.C., eles tinham um profundo interesse na esperança apocalíptica.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 498-499.
Características Gerais
Este livro aparece na terceira seção do cânon hebraico, chamada ketubim. Nas Bíblias em línguas vernáculas, trata-se de uma das quatro grandes composições proféticas escritas, de acordo com o cânon alexandrino. Na moderna erudição, diferem as opiniões a seu respeito. Alguns estudiosos pensam que se trata apenas de um dos melhores escritos pseudepígrafos, uma pseudoprofecia romântica, escrita essencialmente como narrativa, e não um livro profético. Mas outros respeitam altamente o livro como profecia, baseando sobre este livro várias doutrinas sérias a respeito dos últimos dias, ainda futuros. Seja como for, é verdade que o Novo Testamento incorpora grande parte da visão profética deste livro no Apocalipse, envolvendo temas como a grande tribulação, o anticristo, a segunda vinda de Cristo, a ressurreição e o julgamento final. As indicações cronológicas do livro de Daniel são adotadas diretamente pelo Apocalipse.
O livro foi escrito em hebraico, mas com uma extensa seção em aramaico, ou seja, Daniel 2.4b - 7.28. Os eruditos liberais pensam que essa porção é um tanto mais antiga, tendo sido adaptada às pressas para seu uso, em uma revisão palestina. Temos a introdução do livro escrita em hebraico (Dan 1.1-2.4a), com visões adicionais (caps. 8 em diante), a respeito de coisas que ocorreram durante a crise sob o governo de Antíoco IV Epifânio (175-163 A.C.). Reveste-se de especial importância o material do décimo capitulo, que apresenta uma personagem “à semelhança dos filhos dos homens” (Dan. 10.16), que os estudiosos cristãos pensam tratar-se de uma alusão ao Messias. O livro também encerra a doutrina da ressurreição dos mortos (Dan. 12.2,3) e uma angelologia típica do judaísmo posterior. Daniel é o único livro judaico de natureza apocalíptica que foi finalmente aceito no cânon palestino, ao passo que vários livros dessa natureza vieram a tornar-se parte do cânon alexandrino.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3367.
Autor A autoria e data de Daniel têm sido objeto de muita polêmica entre os estudiosos do texto bíblico. A disputa se concentra na forma como as visões e profecias de Daniel enfocam quatro impérios antigos em sucessão. iniciando pela Babilônia (caps. 2; 7; 11 ). Daniel descreve com grandes detalhes as relações históricas entre o reino selêucida e o ptolemaico no período imediatamente anterior e durante o tempo de Antíoco IV Epifânio (cap. 11) Tentando justificar tal conhecimento detalhado, muitos estudiosos concluem que o livro deve ter sido escrito por um autor desconhecido por volta de 170 a.C., durante a vida de Antíoco IV Epifânio, e não no tempo de Daniel, que foi levado para a Babilônia em 605 a.e. Contudo, informações do próprio livro indicam Daniel como o seu autor (9.2; 10.2) e sugerem que o texto foi escrito pouco tempo após a vitória de Ciro sobre a Babilônia, em 539 a.C. Além disso. Jesus menciona a predição do "abominável da desolação" encontrada neste livro como tendo sido proferida pelo "profeta Daniel" (Mt 24.15).
Características e Temas o Livro de Daniel contém dois tipos distintos de texto. Seis narrativas históricas estão registradas nos caps. 1-6, e quatro visões, nos caps. 7-12. As visões são quase exclusivamente predições. Entre as seis narrativas, o cap. 2 contém uma visão revelada a Nabucodonosor e a sua interpretação conforme enunciada por Daniel. Reflexões sobre o conteúdo das narrativas históricas revelam que elas não constituem um tratado histórico integrado, mas tratam-se de unidades independentes reunidas com um propósito específico. As narrativas não apresentam uma história de Israel sob o domínio da Babilônia ou da Pérsia, tampouco se constituem em uma biografia histórica de Daniel ou de seus amigos. O elemento comum subjacente a estes textos é a ênfase na forma pela qual a soberania absoluta de Deus opera na vida de todas as nações (2.47; 3.17-18; 4.28-37; 5.18-31; 6.25-28). Jerusalém pode ser destruída e ter seu templo reduzido a ruínas, o povo de Deus pode ser exilado, e os maus governantes podem parecer triunfantes, mas Deus permanece supremo. Deus é maior que todas as circunstâncias, e o seu povo deve ser-lhe fiel em qualquer situação que se encontre. A descrição dessa verdade é o princípio orientador de Dn 1-6.
A visão de Nabucodonosor no cap. 2 demonstra que os outros deuses não controlam a história e que o seu mistério não pode ser descoberto pela manipulação dos homens. A história está sob o controle de Deus, que é totalmente livre para dirigi-la e revelá-la como melhor lhe aprouver (Ap 5.9). De acordo com a sua soberana vontade, Deus intervirá nos reinos deste mundo e estabelecerá um Reino universal que permanecerá para sempre.
As visões (caps. 7-12) contêm predições de tempos futuros, quando esta verdade será de suma importância para o povo de Deus. Embora os judeus tenham sido perseguidos durante o tempo da sua sujeição aos dominadores babilônicos e persas, não houve nenhuma tentativa abrangente e sistemática de abolir a sua fé. Isso não aconteceu até o tempo de Antíoco IV, que se denominou "Epifânio", que significa "Deus manifesto", e governou no Império Selêucida de 175-164 a.C. Antíoco tentou forçar os judeus a aceitarem a cultura do helenismo e a abandonarem suas práticas religiosas. Muitos Judeus se submeteram, mas outros recusaram-se a fazê-lo e sofreram grande perseguição. Uma das principais razões para a redação do Livro de Daniel foi a de preparar o povo de Deus para os tempos de Antíoco Epifânio e encorajá-los durante esse período de perseguição. Ao mesmo tempo, o livro se volta para o período subseqüente a Antíoco Epifânio, para a vinda de Cristo. É Cristo quem destruirá todos os reinos dos homens e instituirá o seu reino eterno de justiça e paz.
Além desses temas abrangentes de Daniel, alguns conceitos-chave são relevantes para o estudo do livro. Um deles é o "tempo de angústia" ( 12.1), geralmente denominado a "grande tribulação", que precederá o segundo advento de Cristo (Mt 24.21; Lc 21.23; Ap 2.22; 7.14). Mateus relaciona essa grande tribulação com o "abominável da desolação" (Mt 24.15) predito por Daniel (cf. Dn 9 27; 12.11) e cumprido pelo anticristo (o "homem da iniquidade" em 2Ts 2.3-4).
O "anticristo" pode também ser incluído na teologia de Daniel (Dn 7.8,20-22,24-27; 11.36-45). Essa palavra só aparece nas epístolas de João (1Jo 2.18,22; 4.3; 2Jo 7), porém referências a uma pessoa de ódio satânico que surgirá no fim dos tempos da história humana, antes da segunda vinda de Cristo, são encontradas em ambos os testamentos. O anticristo estabelece a "abominação desoladora" (Dn 11.31; Mt 24.15), exalta a si mesmo como um deus (Dn 11.36-39; 2Ts 2.3-4) e é finalmente destruído por Cristo em sua volta (Dn 11.45; 2Ts 2.8 [cf. Is 11.4]; Ap 19.20).
A ideia do milênio também ocorre nas elaborações de Daniel.
O termo "milênio" é derivado da palavra latina que significa "mil" e designa o período de mil anos descrito em Ap 20. O caráter desses mil anos é compreendido de maneira distinta por três escolas de interpretação, classificadas como segue: (a) Os pré-milenistas acreditam que o milênio é um reino mundial de paz e justiça sobre a terra, que será estabelecido após a segunda vinda de Cristo (Is 2.1-5; 11.1-1 O). (b) Os pós-milenistas acreditam que o milênio é um período de paz e justiça que será estabelecido pela pregação do evangelho em todo o mundo, resultando nas condições descritas em passagens como Is 2.1-5; 11.1-1 O. (c) Os amilenistas acreditam que o milênio é uma referência figurada ao tempo presente do evangelho. Dessa forma, o milênio não é visto como uma ordem política futura, mas como o reino espiritual do governo de Cristo sobre a Igreja.
Na visão dos pós-milenistas e amilenistas, o número "mil" é geralmente considerado como uma forma figurativa de representar um longo período de tempo, em lugar de mil anos literais.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editoras Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 982-983.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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