quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Introdução do livro de Daniel (2) contexto histórico



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Durante o período que Israel caminhou pelo deserto, o povo aprendeu a depender de Deus sob uma liderança teocrática através de Moisés. Quando Moisés morreu, Deus levantou Josué para substituí-lo e, sob o seu comando, Israel conquista a terra de Canaã. O período seguinte corresponde o dos juizes que dura aproximadamente trezentos anos, quando o governo teocrático continua. O período dos Juizes foi um período difícil porque Israel afastou-se da direção divina preferindo a Monarquia.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 20.
TEOCRACIA Palavra que vem de dois termos gregos, theós, "Deus" e kratéo, "governar". Isso chega ao sentido de "governo de Deus".
Devemos fazer distinção com outro vocábulo, democracia, cuja primeira porção, demos, significa "povo", e que indica o governo entregue àsmãos do povo. E também devemos distinguir teocracia de hierocracia, o governo dos sacerdotes. E, finalmente, de monarquia, o governo de um único homem ou rei. Embora a idéia de teocracia apareça nas Escrituras, com bastante freqüência, o próprio vocábulo, teocracia, nunca figura ali. Essa palavra parece ter sido cunhada por Josefo (vide), que se utilizou do termo a fim de referir-se ao caráter ímpar do governo dos hebreus, revelado a Moisés, em contraste com o tipo de governo de outras nações ao derredor. Escreveu Josefo: "Nosso legislador... ordenou aquilo que, forçando a linguagem, poderia ser chamado de teocracia,_ao atribuir a autoridade e o poder a Deus". (Contra Apion.lI, 165).
Não obstante, a idéia de teocracia é muito mais antiga do que a palavra que corresponde a ela, conforme o próprio Josefo sugeriu em sua declaração, citada acima. Essa idéia retrocede ao Antigo Testamento, desde a época de Moisés e, portanto, à iniciação mesma das Sagradas Escrituras (ver Êxo. 19:4-9; Deu. 33:4,5). No âmago dessa idéia fica a relação ímpar entre Deus e Israel, como seu povo peculiar. Essa relação é constituída pela aliança que vinculou o povo de Israel a Deus (ver Êxo. 19 e 20), e que constituiu aquele povo em " ... reino de sacerdotes e nação santa..." (Êxo. 19:6).
Deus reclamou o povo de Israel como sua propriedade, por havê-lo remido da servidão aos egípcios. Os grandes atos libertadores, da época da saída de Israel do Egito, e durante os quarenta anos de vagueação pelo deserto, declararam o Senhor como o eterno Governante de Israel (ver Êxo. 15: 18). Moisés foi, tão-somente, o homem por intermédio de quem Deus transmitiu a sua vontade ao seu povo terreno.
Gideão, várias gerações depois de Moisés, não aceitou a coroa porquanto acreditava que somente Deus poderia governar sobre Israel (Juí. 8:22,23). No período que antecedeu ao surgimento da monarquia em Israel, profetas, sacerdotes e juízes foram os intermediários na expressão da teocracia. Vale dizer, Deus governava o seu povo através daqueles representantes. Assim, na guerra de Israel contra Sísera, a profetisa e juíza Débora e o general Baraque aparecem como os agentes do livramento de Deus (Juí. 4:4-7). Os sacerdotes levitas também aparecem, com freqüência, como os mensageiros da vontade divina (Juí. 20:28; 1 Sam. 14:41). Mas, por ocasião da teocracia institucionalizada, quando surgiu a monarquia em Israel, a teocracia passou a se manifestar de forma muito menos direta, e o governo de Israel passou a assemelhar-se mais ao governo das nações gentílicas. "Disse o Senhor a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te rejeitaram a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles ... Porém, o povo não atendeu à voz de Samuel, e disseram: Não, mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós, e fazer as nossas guerras" (I Sam. 8:7,19,20). Apesar disso, depois que a monarquia se estabeleceu em Israel, principalmente de Davi em diante, o rei passou a ser considerado símbolo do reinado teocrático. Os reis de Israel não eram apenas reis, no sentido comum do termo, mas também eram ungidos do Senhor, em sentido puramente teológico (Sal. 2:2; 20:6): um príncipe do Senhor (I Sam. 10: 1; 11 Sam. 5:2). Mesmo durante o período monárquico, concebia-se que o Senhor Deus seguia adiante do rei (11 Sam. 5:24). O rei estaria sentado no trono de Deus (I Crô. 29:23; cf. 28:5). OGovernante real era Deus, e a autoridade do trono de Davi derivava-se do Senhor. A natureza teocrática da monarquia de Israel é conformada, por exemplo, pela prerrogativa dos profetas de destronarem os reis, além do fato de que foi o profeta Samuel quem estabeleceu o reinado em Israel, a mandado do Senhor (I Sam. 15:26; 16:1,2; cf. I Reis 11:29-31; 14: 10; 16:1,2,21:21). Nesse contexto, nota-se que não havia critérios estereotipados para reconhecimento ou confirmação de um profeta, em Israel. Somente a presença do indefinível Espírito de Deus revelava a diferença entre um profeta verdadeiro e um profeta falso.
A monarquia, em Israel, foi a organização do reino teocrático sob um governante humano. A teocracia talvez encontre sua mais excelente expressão nas predições dos profetas (ver ler. 1: 1,2; cf. Isa. 7:7). As visões messiânicas dadas aos profetas foram organicamente entretecidas no curso da história dos reis de Judá, bem como na restauração final da dinastia davídica. Em sua essência e em seu intuito, o reino é um instrumento de redenção, inseparavelmente vinculado às expectações messiânicas. De fato, em seu sentido messiânico, o trono de Davi aparece no centro da teologia bíblica, com seu reconhecimento de Deus como o Governante final sobre a Terra inteira. Dentro da revelação progressiva da escatologia bíblica, o conceito teocrático do reino davídico suprimiu o padrão das idéias concernentes à vinda palpável do reino de Deus, quando da era milenar. Através da restauração do trono de Davi, Deus haverá de realizar a redenção final de Israel. Mas, esse futuro acontecimento, que fará parte da História, haverá de introduzir a era da justiça e da paz eternas, sob o reinado universal do Filho maior de Davi, Jesus Cristo. Não há espaço para o secularismo, dentro da teocracia de Israel. Descendo até aos mais minúsculos detalhes, todos os regulamentos políticos, legais e sociais são essencialmente teológicos. Esses regulamentos eram a expressão suprema e direta da vontade de Deus. Até mesmo a detenção de criminosos e a punição dos mesmos fazem parte do interesse imediato de Deus (ver Lev. 20,3,5,6,20; 24:12; Núm.5:12,13; Jos. 4:16).
Várias religiões, " desde os tempos mais remotos" (hebreus, babilônios e egípcios), têm tomado a posição de que seus estados eram teocratas, visto que Deus ou os deuses, mediante revelações e profetas, lhes teriam dado suas leis e instituições. A teocracia é um estado no qual os princípios religiosos (usualmente com apoio de um monarca e de um sacerdócio alegadamente nomeados por Deus) são as principais leis e o poder controlador. Já nos tempos modernos, as cidades de Florença, na Itália, sob Savonarola (vide), e Genebra, na Suíça, sob Calvino (vide), durante algum tempo tornaram-se, alegadamente, teocracias. Além disso, as colônias da Nova Inglaterra, na América do Norte, sob o puritanismo, tornaram-se teocracias. O aparecimento de governos democráticos tem tendido a separar Igreja e Estado, de tal modo que as teocracias são evitadas. Naturalmente, o Irã atual é um exemplo de teocracia; mas, como tantas outras teocracias distorcidas, entristecemo-nos diante das perseguições e matanças, praticadas em nome de Deus.
Ver Governo Eclesiástico.
Este co-autor e tradutor quer dar aqui sua contribuição.
No Novo Testamento não parece haver definição quanto ao tipo de "governo eclesiástico". Porém, com base nas condições vigentes em Israel, até Samuel (ver 1 Sam. 8:7), bem como durante o governo milenar de Cristo, o que ainda jaz no futuro, o governo eclesiástico ideal seria o teocrático. Segundo penso, esse tipo de governo existiu na Igreja, durante todo o período apostólico. Deus (na pessoa de Cristo), dirigia sua Igreja mediante ministros por Ele escolhidos (ver Efé, 4: 11 ss). Pode-se dizer que "a Igreja entrou em decadência espiritual quando o ministério passou a ser tido como oficios burocráticos, a partir do século li d.C., não mais ocupado por indivíduos misticamente designados e preparados. Parece-me evidente que o Espírito do Senhor restaurará esse tipo de governo eclesiástico, antes do segundo advento de Cristo. Doutra sorte, no dizer do quarto capítulo de Efésios, os crentes não atingirão a maturidade que deverá caracterizar a Igreja nos dias finais do cristianismo. Seja como for, o Milênio (vide) será a mais pura teocracia, sem os abusos que têm havido no passado, e que têm feito muitos proscreverem-naaté mesmo de suas cogitações. E o estado eterno, passado o Milênio, dará continuidade à teocracia, para sempre. A teocracia é a essência do reino de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 353-354.
TEOCRACIA Este termo, significando "o governo de Deus", geralmente se refere ao governo literal de Deus, ou a um estado governado de uma forma agradável a Ele. A palavra não é de origem bíblica, mas a ideia de Deus sendo o governante do seu povo é básica no pensamento do AT. Josefo parece ter sido o primeiro a utilizar o termo. Ele contrastou a teocracia com outras formas de governo, como por exemplo, a oligarquia, a monarquia e a república (Contra Apion 11.16). Teoricamente, a teocracia seria um estado sob o qual Deus governa diretamente sem a mediação do homem ou de representantes. Israel nunca foi uma verdadeira teocracia, no sentido literal do termo. Embora Israel tenha sempre se considerado como estando sob o governo de Deus, este governo sempre foi mediado por um juiz, um rei ou um sacerdote. No sentido político, uma teocracia só seria possível durante os tempos de independência de Israel. Quando Israel se tornava um estado escravizado ou uma província de alguma potência estrangeira, como o Egito, a Assíria, a Babilónia, a Pérsia, a Grécia ou Roma, o governo de Deus só poderia ser espiritual. O mais longo período de independência de Israel foi o da conquista de Canaã, no tempo de Josué, até a queda de Jerusalém (em aprox. 586 a.C). Durante estes anos, Israel teve duas formas de governo: o anfictione (ou anfictião) ou a liga tribal; e a monarquia. Durante o período anfictião, Deus levantou governantes carismáticos (espirituais) chamados de "juízes" para livrar seu povo da opressão. No entanto, neste período, grande parte do governo foi literalmente deixado a cargo dos anciãos de cada tribo. No período da monarquia, o governo de Deus era desempenhado através do papel do rei. O ofício de rei em Israel era um ofício sagrado (cf. A. R. Johnson, Sacral Kingship in Ancient Israel, Cardiff, 1955). O rei era o ungido de Deus; ele era o representante de Deus. Embora a forma de governo de Israel tenha sido uma monarquia durante vários séculos, ela também era teoricamente considerada uma teocracia. Todo o conceito do relacionamento básico
entre Israel e Deus, que é visto na aliança, está de fato relacionado à ideia da teocracia. Um dos principais elementos da aliança entre Deus e Israel é a soberania de Deus. Este fato tem sido explicado e enfatizado nos últimos anos pela descoberta de algumas semelhanças entre a escravidão hitita, ou tratados de suserania, e a aliança de Israel com Deus (veja Meredith Kline, Treaty ofthe Great King, Eerdmans, 1963). No NT, a ideia do governo de Deus é tirada da esfera política, e se torna um sinónimo do reino de Deus, que é constituído pelo governo de Deus entre os cristãos (e dentro de cada cristão), mas que só poderá ser completamente desfrutado no final, quando Jesus Cristo retornar para inaugurar o reino milenial. Veja Aliança; Rei; Reino de Deus.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1909.
3. O governo monárquico.
Por cento e vinte anos o Reino de Israel esteve sob a liderança dos reis Saul, Davi e Salomão. Em 931 a.C., Salomão morre e inicia-se um período de decadência política, moral e religiosa. Seu filho Roboão assume a coroa, mas o reino acabou dividido em dois, o do Norte e o do Sul. O Reino do Norte, com dez tribos e o Reino do Sul com duas tribos. Em 722 a.C., a Assíria entrou nas terras de Israel e subjugou o Reino do Norte com todos os seus príncipes e líderes do povo, inclusive o rei. O Reino do Sul não foi por menos. O reino teve momentos de glória e de calamidade. Seus reis, alguns piedosos e outros ímpios deixaram o temor do Senhor e seus líderes religiosos perderam o respeito do povo e se corromperam. A Babilônia, através de Nabucodonosor entre 587 e 606 a.C, invadiu as terras do reino do Sul, quando reinava em Jerusalém o rei Jeoaquim, o qual estava sob o domínio do faraó do Egito chamado Neco (2 Rs 23.34). Nabucodonosor dominou Jerusalém e levou cativo os seus príncipes de Israel, entre os quais, Daniel. Toda essa história propiciou a intervenção divina na vida de Israel para preservação do projeto original.
A divisão política do Reino de Israel
Depois do reino de Salomão houve divisão em Israel. Dez tribos formaram o reino de Israel e duas outras tribos (Judá e Benjamim) formaram o reino de Judá. O reino de Israel, com as tribos do norte, foi tomado pela Assíria no ano 722 a.C., e o reino do sul ( de Judá) foi tomado pela Babilônia em 586 a.C. Em 605 a.C., Nabucodonosor fez mais que dominar a terra de israel. No ano 605 a.C.,esse rei invadiu Jerusalém e levou cativos os nobres e todos os utensílios de valor, de ouro, prata e pedras preciosas. O rei Jeoaquim, rei de Judá não resistiu e tornou-se tributário da Babilônia, perdendo o domínio do seu reino e perdendo, também, os homens de confiança. Entre os cativos estava o profeta Ezequiel (2 Rs 24.8). O exército de Nabucodonosor destruiu o templo e saqueou a cidade de Jerusalém. Judá ficou arrasada política, moral
e espiritualmente. A Babilônia se impôs com seu império por mais de quatro décadas. O povo de Israel foi humilhado, saqueado de seus pertences e tornou-se tributário da Babilônia.
O exílio inevitável na Babilônia
Quando uma liderança má perde sua relação com Deus como aconteceu com os últimos reis de Israel e de Judá, a tragédia espiritual, moral e material torna-se inevitável. O cativeiro profetizado por Jeremias de 70 anos na Babilônia teve o seu cumprimento ( 2 Cr 36.21). Por outro lado, Deus nos ensina a conhecer o traçado de seu caminho para que cumpramos seus desígnios, porque foi no exílio babilónico que Israel aprendeu a conhecer que Deus não aceita outro deus no seu lugar, como fez o rei Manassés adotando a idolatria no seu reino (2 Rs 21.11). A dispersão favoreceu a volta do seu povo à renovação da comunhão com o Deus de israel.Toda esta situação política propiciou a revelação de um projeto especial de Deus para com Israel. Para entendermos esta história precisamos conhecer aspectos gerais da importância do livro e da pessoa do profeta Daniel.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 21-22.
REI Este termo é usado na Bíblia para um governante do povo, dos israelitas ou dos gentios (Gn 36.31; 14.1; Mt 1.6). Também é usado em relação a Deus como governante de seu povo (1 Sm 12.12). O significado é "aquele que aconselha (bem)", mostrando que o ofício surgiu da habilidade intelectual e não da perícia física do indivíduo; aquele cujo conselho era consistentemente melhor, tor-nava-se rei.
Três conceitos principais de monarquia ocorriam nos tempos bíblicos. O grau mais baixo era o do rei sem muita importância, o governante de uma cidade e de seus arredores, tais como os cinco reis de Midiã (Nm 31.8) e os reis de Jerusalém, Hebrom, Jarmute etc. (Js 10.3). O grau seguinte era representado pelos reis da Mesopotâmia, Assíria e Babilónia, que se intitulavam os representantes ou vice-regentes da divindade, ordenados pelos deuses para o bem político e econômico do povo. Não importava se eles chegavam ao poder através de uma revolução; eles possuíam o exército para assegurar a imposição de sua vontade sobre o povo e o território. O terceiro grau era representado pelos reis do Egito, que professavam ser, e eram representados, como divindades. Alexandre o Grande parece não ter reivindicado ser um deus, embora um oráculo no Templo do deserto no Egito dissesse ser ele o filho de Zeus-Amom. Mas durante o período helenístíco, alguns dos reis selêucidas da Síria professaram ser divindades reinantes e assumiram títulos apropriados, como Teo e Epifânio.
A monarquia se desenvolveu lentamente em Israel, chegando ao pleno desenvolvimento apenas quando o povo começou a perder a fé em Deus e a imitar as maneiras e costumes de seus vizinhos. Embora Moisés tenha exercido os poderes de um rei, apresentando as leis de Deus e dando conselhos (Ex 20.1ss.; 18.16ss.), ele não assumiu o título. Ele apenas previu que este tempo viria mais tarde, e que quando o povo escolhesse um rei (Dt 17.14 ss.), eles deveriam ter o cuidado de receber o homem a quem Deus havia escolhido (cf. 1 Sm 8.7ò; 9.16; 16.1ss.). Ao buscar como rei um homem segundo o coração de Deus (por exemplo, Davi), ali está sugeri do o caráter santo do Messias-Cristo, Redentor dos eleitos de Deus, que um dia reinará como o Rei escolhido de toda a criação de Deus. Esta ênfase na vontade de Deus contida na seleção foi reivindicada como a base para a autoridade exercida pelos reis mesopotâmios e pelos governantes israelitas (Dt 17.15).
Reis ocasionais de menor importância surgiram em Israel antes de Saul, como Jefté (Jz 11.9) e Abimeleque (Jz 9.6). Nos dias de Samuel, a ameaça dos filisteus causou uma apreensão em Israel, levando-os a pedir um rei. Saul foi dado ao povo, mas foi um exemplo daquilo que um rei não deveria ser. Davi foi o exemplo notável do rei do Senhor, que buscou a vontade de Deus e governou o povo com sabedoria e graça do Senhor (2 Sm 23.1-5). Deus prometeu a Davi uma dinastia eterna (2 Sm 7.16). Em seus dias, os tratados de servidão heteus forneciam este benefício de perpetuidade quando o servo era um parente do governante soberano. No caso de Davi, o relacionamento não era físico, mas espiritual. Seu pleno significado e importância cumpriu-se em Cristo e tem benefícios para toda a humanidade pelo fato de Cristo ser o Deus-Homem (Is 9.6,7). Por sua encarnação, morte e ressurreição, ele conduz todo aquele que crê nele como o Filho ressurrecto de Deus a um relacionamento eterno de filho, que viverá e reinará com ele para sempre.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1659-1660.
FOI A VONTADE DE DEUS QUE ISRAEL TIVESSE UM REI? Certamente, pois Ele indicou em inúmeras profecias que um reinado fazia parte dos Seus planos para essa nação (Gn 49.10; Nm 24.17; Dt 17.14-20).
Embora m rei para eles não fosse uma escolha errada em si, os israelitas estavam exigindo isso de maneira equivocada. O povo claramente expôs seus motivos para querer um rei. Primeiro, os hebreus queriam seguir as práticas das nações vizinhas (1 Sm 8.5). Segundo, eles queriam um rei para liderá-los nas batalhas (1 Sm 8.20). Ambas as razões apontavam para a rejeição a Deus como seu Rei (1 Sm 8.7).
O Senhor demonstrou em inúmeras ocasiões que Ele pelejaria as batalhas de Israel. Desde a miraculosa queda das muralhas de Jericó (Js 6.20) até a fuga do exército dos midianitas de Gideão (Jz 7.19-22), Deus livrou o Seu povo inúmeras vezes dos seus inimigos. Por que os israelitas precisariam de um rei agora para liderá-los nas batalhas?
Além disso, Deus deu ao povo a Sua Palavra, os profetas e os juizes para guiá-lo. Mas a trágica história dos juizes demonstra que o povo de Deus ignorou a Sua orientação e aderiu às práticas de seus vizinhos (Jz 3,7). Mais uma vez, os hebreus estavam seguindo seus vizinhos, em vez de seguir o Deus vivo e a Palavra que Ele tinha dado a eles. Embora Samuel tenha claramente lhes falado sobre o alerta de Deus, eles teimaram e preferiram a sua própria vontade em detrimento da vontade o Senhor.
Por fim, Deus permitiu que os israelitas tivessem o que queriam. O Senhor lhes deu um rei como aqueles vistos nas outras nações. O alto e belo Saul teria sido a escolha perfeita para um rei. Mas, mediante o reinado trágico de Saul, Deus ensinou aos israelitas que eles precisavam de um rei que não fosse igual aos reis das outras nações.
Eles precisavam de um rei que obedecesse à Palavra de Deus, em vez de seguir a sua própria vontade; um rei que confiasse no Senhor, e não em si mesmo. À sombra dos erros de Saul, Deus treinou o jovem Davi para andar nos Seus caminhos de maneira que ele pudesse finalmente liderar a nação em retidão.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 468.
O REINO DIVIDIDO. Tensões entre as tribos do norte e do sul já existiam desde o tempo dos juízes, especialmente entre Judá e o sul de Efraim, a tribo mais influente no norte. Muitos dos líderes israelitas, como Josué e Samuel, vieram da tribo de Efraim. Mas Davi foi da tribo sulista de Judá. Estes fatores, somados à mudança da capital e do centro de adoração para a cidade sulista de Jerusalém, prejudicaram ainda mais o seu relacionamento. Sem contar a cobrança de impostos de Salomão para financiar a construção do templo e do palácio na cidade sulista de Jerusalém, que deixou as tribos do norte ainda mais perplexas.
Após a morte de Salomão, o povo de Israel se aproximou de seu filho Roboão para que os impostos que pesavam sobre eles durante as obras governamentais fossem diminuídos. Roboão rejeitou o conselho dos seus anciãos para ser mais flexível e insultou o povo, ameaçando fazer o seu fardo ficar ainda mais pesado (1 Rs 12.14). Esta foi a “gota d’água” que dividiu a nação em dois reinos. Roboão permaneceu rei no Reino do Sul, e Jeroboão se tornou o rei do Norte.
Seguindo o exemplo de Arão, dos bezerros das redondezas do monte Sinai, Jeroboão ergueu estátuas de dois bezerros de ouro para que o povo adorasse ali mesmo, e não precisasse viajar para a distante Jerusalém. Com esses ídolos, Jeroboão afastou o seu povo da adoração do único e verdadeiro Deus, combinando a verdadeira adoração com a falsa adoração dos seus vizinhos.
0 Reino do Norte, conhecido como Israel, e o do sul, denominado Judá, permaneceram assim, divididos, por mais de 200 anos.
Às vezes, entravam em conflito, às vezes, formavam uma aliança amigável contra ameaças vizinhas. Porém, esse período se tornou mais conhecido por seus grandes profetas — os quais tiveram fundamental importância em tempos de instabilidade espiritual — do que pelo sucesso político de ambas as partes.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 576.
II – OS FATOS QUE PROPICIARAM O EXÍLIO NA BABILÔNIA
1. O contexto político do reino de Judá.
Antes do cativeiro babilônico de Judá, houve o cativeiro assírio que envolveu a nação do norte, Israel. A queda de Samaria, capital do reino do norte, ocorreu em 722 A.C. O domínio assírio sobre Judá começou em 721 A.C., quando caiu o reino do norte, mas Judá nunca se tornou uma província assíria, embora tivesse pago tributo regularmente aos reis assírios. Com o surgimento do reino caldeu, sob Nabucodonosor (605— 562 A.C.), a situação de Judá piorou rapidamente. Em 598 A.C., Nabucodonosor invadiu Judá e levou para o cativeiro o seu rei, Jeoaquim, e muitos dos principais cidadãos dessa nação. O trecho de II Reis 24.15 mostra-nos que Ezequiel se encontrava entre esses exilados. Os eruditos discordam quanto ao modo geral e ao número das deportações. Presumivelmente, antes disso, em cerca de 605 A.C., houve outra deportação, de tal modo que a deportação de Ezequiel foi a segunda de três deportações. Na Babilônia, Ezequiel continuou a advertir aos que tinhamsido deixados na Judéia de que o pior ainda estava por vir. Os pecados nacionais, mormente a idolatria, eram as causas espirituais de todos esses infortúnios. O governo de Zedequias, em Judá, sob as ordens de Nabucodonosor, foi incapaz de controlar os rebeldes líderes do estado judeu. A revolta irrompeu contra o domínio estrangeiro, em 588 A.C. Nabucodonosor não perdeu um instante. Em 586 A.C., a terra inteira de Judá jazia arruinada, Jerusalém estava destruída e saqueada e o templo não existia mais. E muitos outros milhares de judeus foram então deportados (na terceira deportação).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3197.
O Reinado de Jeoaquim (608-597 a.C.), 23.36—24.7 (cf. 2 Cr 36.5-8)
A Bíblia deixa claro que Judá era uma nação vassala do Egito quando Jeoaquim subiu ao trono, mas ela se tornou sujeita à Babilônia no período final de seu reinado (cf. 23.34 e 24.1). Ela também foi perturbada por mãos estrangeiras como parte do juízo divino determinado (2,3), mas a nação que costumava causar os eventos que a levaram à queda foi a Babilônia. (7), a grande potência da Mesopotâmia.
E necessário nos referirmos a fontes seculares, para conhecermos certos detalhes e podermos compreender mais claramente os eventos registrados pelo historiador. Os babilônios, liderados pelo caldeu Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor, avançaram em direção ao oeste. Em 605 a.C. eles atacaram as forças egípcias em Carquêmis e as derrotaram, e forçaram-nas a fugir em direção a Hamate, onde sofreram um golpe ainda mais humilhante.
As notícias da morte de Nabopolassar em 605 atrasaram a marcha da Babilônia para o sul, em direção à Palestina e ao Egito. No entanto, em 603/2 a.C., Nabucodonosor conduziu o exército babilônio à Filístia. Foi possivelmente nesta época que Jeoaquim considerou uma política sábia transferir a sua lealdade para Nabucodonosor (24.1).
Em 601 a.C., Nabucodonosor foi derrotado em uma grande batalha contra os egípcios. Esta derrota parece explicar porque Jeoaquim se virou e se revoltou contra o rei da Babilônia (24.1), evidentemente na esperança de se aproveitar do momento de fraqueza da Caldéia. Os caldeus e as tropas dos siros, etc., (2) foram, talvez, contingentes de soldados que Nabucodonosor enviou contra Judá para mantê-la em xeque, até que ele próprio pudesse atacá-la. Finalmente, avançou contra Judá em 597 a.C. Jeoaquim estava vivo quando começou o cerco a Jerusalém. Entretanto, morreu, ou foi assassinado, e seu filho Joaquim, com dezoito anos (24.8), o sucedeu. Três meses depois, ele se tornou prisioneiro dos babilônios.
O Reinado de Joaquim (597 a.C.), 24.8-17 (cf. 2 Cr 36.9,10)
O registro bíblico da rendição de Joaquim a Nabucodonosor é notavelmente bem suplementado pela Crônica Babilônica. Ela relata como o rei caldeu marchou para a terra de Hatti (Síria-Palestina), acampou contra a cidade de Judá, atacou-a e capturou o seu rei. A data calculada a partir de detalhes da Crônica é março-abril de 597 a.C., o oitavo ano de seu reinado (12). A Crônica também menciona que Nabucodonosor recebeu um pesado tributo e o enviou para a Babilônia, após designar um rei de sua escolha. Este último detalhe é, aparentemente, uma referência à designação de Zedequias (17) como rei vassalo apôs Joaquim.
Este ataque babilônio resulta na primeira grande deportação de Judá (10-16) que foi realizada relativamente com poucos danos a Jerusalém. A intenção de Nabucodonosor era, meramente, trazer esta nação de volta à condição de um de seus reinos subjugados. Judá, entretanto, sentiu a severidade deste governo através da deportação do rei, dos membros da realeza e de todos os cidadãos cultos e bem preparados em diversas áreas. Incluído entre os cativos, nessa ocasião, estava Ezequiel, o profeta (Ez 1.1,2).
O saque do Templo (13) foi, talvez, impulsionado tanto por uma questão religiosa como por um interesse em arrecadar toda a riqueza disponível. Como não havia uma imagem de divindade para se tomar como prêmio de guerra, os vasos com que se ministravam no Templo serviram como substituto. Os babilônios, de posse destes, podiam reivindicar que o Senhor Deus não era tão grande como o deus deles - Marduque ou Bei.
O Reinado de Zedequias (597-586 a.C.), 24.18—25.7 (cf. 2 Cr 36.11-16)
Zedequias, um novo nome para Matanias, um filho de Josias (17; cf. Jr 52.1 e 2 Cr 36.10), indicou a mudança em sua vida ditada por seu senhor babilônio. Mudar o nome de alguém era proclamar poder sobre essa pessoa.
O Reinado Maligno de Zedequias (24.18,19)
As práticas perversas específicas de Zedequias não foram listadas. As condições em Judá e Jerusalém são, no entanto, freqüentemente descritas pelos profetas Jeremias e Ezequiel (Jr 21; 28-29; etc; Ezequiel 6-8; 13; etc.). Embora fosse claro que Judá não poderia mais viver como uma nação independente, Zedequias ainda tinha a responsabilidade de viver corretamente. Os babilônios não incluíram o culto aos deuses deles como uma condição de servidão, e teria sido possível a Judá continuar a servir a Deus fielmente. Esta foi, aparentemente, uma consideração importante que levou Jeremias a pregar publicamente a rendição e a submissão, ao invés da contínua oposição (Jr 38.17-22).
2. A Rebelião de Zedequias (24.20)
Zedequias permaneceu como um fiel vassalo de Nabucodonosor durante nove anos (25.1), e então se rebelou. Pelo que foi registrado em 2 Reis, a revolta parece ter sido uma tentativa de livrar-se do jugo babilônio, pois seu momento coincide com a atividade de Apries, faraó do Egito (chamado de Hofra na Bíblia Sagrada, Jr 44.30; veja a Carta A).
Neco II, do Egito (609-595 a.C.), abandonou a conquista militar durante os últimos anos de seu reinado, ao contentar-se em permitir que os babilônios controlassem os países do rio Eufrates até o rio (ou ribeiro) do Egito (veja 24.7). A mesma política de ficar em casa foi seguida por seu filho Psamético II (594-589). Os anos de submissão de Zedequias ao domínio babilônio correspondem ao período em que Neco II e Psamético II se sentiam satisfeitos por cuidar dos assuntos internos do Egito. Sua rebelião corresponde ao ano em que Apries (Hofra) chegou ao trono, ou seja, 588 a.C. Este reverteu a política dos dois faraós que o antecederam; ele ousou desafiar o controle de Nabucodonosor ao longo do Mediterrâneo.
Os detalhes dados por Heródoto são de que Apries enviou sua frota contra a Fenícia por volta da época em que Nabucodonosor iniciou o seu ataque final contra Jerusalém. Este movimento era direcionado contra o ponto-chave de conexão entre o exército babilónico na Palestina e a sua terra natal. Jeremias registrou que o rei caldeu teve que se retirar temporariamente do cerco a Jerusalém, a fim de proteger-se e derrotar o exército egípcio que vinha em socorro a Zedequias (Jr 37.5,7,8). Fica claro, a partir de
Jeremias, que Zedequias cometeu o erro de ouvir a Apries e depender do socorro do Egito. Ele o fez, apesar de ter sido alertado a não depender de faraó.
3. Nabucodonosor Toma Jerusalém (25.1-7)
Após sitiar a cidade por mais de um ano e meio (de janeiro de 587 a julho de 586 a.C.), o exército de Nabucodonosor irrompeu pelos muros de Jerusalém. A campina (4) é uma referência ao vale do Jordão, que se estende por cerca de 80 quilômetros do extremo sul do mar da Galiléia à margem norte do mar Morto. As campinas de Jericó (5) seriam a seção semi-desértica ao sul de Jericó. Zedequias e seu destacamento aparentemente fugiam para leste, na esperança de escapar através do rio Jordão. Ribla (6) era a localização do quartel-general dos babilônios, na Síria central, cerca de 320 quilômetros ao norte de Jerusalém (cf. 23.33). O severo tratamento dado por Nabucodonosor a Zedequias - quando comparado com a piedade que teve para com Joaquim - talvez possa ser explicado por sua fúria contra esse rei, em quem confiara e que havia traído essa confiança.
Jerusalém é Saqueada pelos Babilônios, 25.8-17 (cf. Jr 52.12-23)
No mês posterior àquele em que Zedequias foi capturado e levado a Nabucodonosor em Ribla, Nebuzaradã (8), seu general, queimou os maiores edifícios de Jerusalém (9), derribou os muros (10) e reuniu reféns de guerra (11). Os rebeldes que se renderam refere-se àqueles “que já haviam se rendido” (Moffatt). Ele também levou os utensílios do Templo (14), as duas colunas (16) e o mar (a grande pia de bronze; cf. 1 Rs 7.13-47). Estes foram cortados em pequenos pedaços, o suficiente para serem levados para a Babilônia. De puro ouro ou de prata (15) pode ser lido como: “O que era de ouro, o capitão da guarda levou como ouro e o que era de prata como prata”. Talvez pelo menos alguns dos instrumentos tenham sido derretidos e transformados em lingotes de ouro e prata. O magnífico Templo, planejado para permanecer como uma testemunha do Senhor Deus e daquilo que Ele havia feito pelo seu povo, foi demolido e despojado de sua riqueza material e de sua simples beleza. Foi transformado em um lugar que faria com que aqueles que por ele passassem ficassem pasmados e assobiassem com menosprezo (cf. 1 Rs 9.8).
Outra Deportação, 25.18-21 (cf. Jr 52.24-30)
Nebuzaradã, o capitão da guarda (18), moveu-se, então, contra aqueles que ainda o desafiavam. É possível que algumas informações indicassem que esses líderes em particular tenham sido contra os babilônicos em suas atitudes e ações. Isto é sugerido pelo modo como Nabucodonosor ficou ciente da posição pró-babilônica de Jeremias e ordenou que ele fosse solto (Jr 39.11-18). Entre os executados estava o sumo sacerdote (18), bem como outros sacerdotes e oficiais (18,19). Os sessenta homens do povo da terra (cf. 21.4) talvez fossem anciãos das províncias que representavam o povo de suas localidades. De acordo com Jeremias (52.29), o número daqueles que foram levados ao exílio desta vez totalizou 832 pessoas.
Harvey E. Finley. Comentário Bíblico Beacon I e II Reis. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 389-391.
Por volta de 603 a.C, Nabucodonosor reinava sobre toda a Sírio-Palestina. Jeoaquim transferiu a ele sua lealdade, mesmo de forma temporária (2 Rs 24.1). Asquelom, na Filístia, havia sido destruída por Nabucodonosor antes de seu retorno à Babilônia em fevereiro de 603 a.C. O Papiro Saqqara número 86984 (Museu do Cairo), uma carta escrita em aramaico que apela pela ajuda do Faraó, foi provavelmente escrito em Asquelom, pouco antes de sua destruição. Em 601 a.C, Nabucodonosor mais uma vez marchou em direção ao Egito e travou uma intensa batalha contra as forças de Neco nas proximidades da fronteira egípcia. Ambos os lados sofreram grandes perdas e a batalha terminou em um empate forçado. Foi nesse ponto que Jeoaquim, evidentemente convencido de que sua oportunidade havia chegado, rebelou-se contra a Babilónia e deixou de pagar seu tributo (2 Rs 24.1). Porém, embora estivesse em desvantagem naquele momento, Nabucodonosor não tinha qualquer intenção de permitir que Judá se desligasse de seu império. Portanto, durante algum tempo ele atormentou esse pequeno reino com bandos de saqueadores convocados dentre seu próprio exército, assim como de contingentes mercenários (24.2). Ele veio com o principal exército babilônico contra Judá (2 És 24.10,11) em dezembro de 598 a.C. O escriba lacónico da crônica da Babilônia reportando os eventos de 597 a.C. declara simplesmente que Nabucodonosor "acampou contra a cidade de Judá [isto é, Jerusalém] e, no segundo dia do mês de Adar [isto é, 16 de março], ele tomou a cidade e capturou o rei [isto é, Joaquim]. Lá ele nomeou um rei que o agradava [isto é, Zedequias]". Jeoaquim havia morrido misteriosamente no mesmo mês em que o exército babilónico havia marchado contra Judá. Em vista do fato de que seu filho Joaquim (2 Rs 24.6) governou durante três meses e dez dias (2 Cr 36.9; acredita-se que os "três meses" de 2 Rs 24.8 sejam apenas uma aproximação) antes da captura de Jerusalém. A data exata da morte de Joaquim foi 7 de dezembro de 598 a.C. Sua idade declarada em 2 Crónicas 36.9 - oito anos de idade - parece ser algum erro do copista, pois em 2 Reis 24.8 consta 18 anos de idade. Seguindo o exemplo de seus predecessores desde o tempo de Tiglate-Pileser III iq.v.), Nabucodonosor deportou o rei (Joaquim) e seu séquito, assim como todos os habitantes de Jerusalém que poderiam tentar fomentar uma rebelião (2 Rs 24.12-16; 2 Cr 36.10; Jr 22.24-30; 52.28). Embora ele tivesse exigido levar alguns reféns para a Babilônia, incluindo Daniel e seus três amigos, e parte dos vasos do Templo de Salomão, logo depois da batalha de Carquemis (Dn 1.1-7; cf. também 2 Cr 36.5-7), a deportação de 597 a.C. constituiu a primeira fase importante daquilo que é tradicionalmente referido como o cativeiro na Babilônia (cf. Mt 1.11). Da mesma maneira como havia feito antes, embora
em uma escala muito maior, Nabucodonosor saqueou o Templo de Salomão e levou consigo um enorme despojo de guerra. Ele empossou o tio de Joaquim, Matanias, no trono de Judá (2 Rs 24.17; em 2 Cr 36.10 seria melhor traduzir "irmão" como "parente"), dando-lhe o novo nome de Zedequias para demonstrar sua própria suserania. Zedequias, sem dúvida, teria se sujeitado a ser um vassalo muito mais dócil se vários fatores fora de seu controle não tivessem perturbado a situação política. Um considerável número de judeus, tanto em Jerusalém como na Babilônia, ainda considerava Joaquim o legítimo ocupante de seu trono. Ezequiel, por exemplo, traiu seus verdadeiros sentimentos ao avaliar as datas relativas ao cativeiro do "rei Joaquim" (Ez 1.2 etc). Além disso, mesmo depois de sua derrota em Carquemis, o Egito, embora seriamente enfraquecido, continuava a exercer alguma influência sobre os negócios do Oriente Próximo. Outrossim, a dissidência contra a Babilônia estava predominando não só em Jerusalém (o que se pode concluir pelos inúteis esforços de Jeremias para manter seus compatriotas afastados da rebelião), mas também entre o próprio povo de Nabucodonosor. Em 595/4 a.C, Nabucodonosor considerou que seria melhor permanecer na Babilônia para reprimir uma rebelião local. No ano seguinte, Hananias, um falso profeta de Jerusalém, previu publicamente o retorno do exílio - dentro de dois anos - de todos aqueles que o rei havia levado para a Babilónia (Jr 28.1-4). Talvez Hananias tivesse recebido alguma notícia sobre a insurreição e a tenha interpretado como sinal de uma revolta mais disseminada. De qualquer forma, Jeremias denunciou esse indevido otimismo e aconselhou os exilados a adotarem a filosofia de "viver como sempre", pois o Senhor havia revelado que sua permanência na Babilônia seria prolongada (Jr 29.1-23). Durante algum tempo, Zedequias continuou convencido da sabedoria do conselho de Jeremias. O texto em Jeremias 51.59 parece indicar que no mesmo ano da imprudente profecia de Hananias e, talvez, até mesmo como resultado dela, Zedequias fora convocado por Nabucodonosor para uma entrevista na Babilónia para determinar a extensão de sua lealdade. Evidentemente, Nabucodonosor ficou satisfeito com as respostas de Zedequias, pois permitiu que este continuasse no trono de Judá. Entretanto, os anos seguintes encontraram Zedequias cada vez mais incapacitado de resistir ao elemento pró-egípcío e antibabilônico da população de Judá. Finalmente, de modo contrário ao conselho de Jeremias (2 Cr 36.12; Jr 21.1-7; 37.3-10,17-20; 38.14-23) ele se rebelou (2 Rs 24.20. 2 Cr 36.13-16; Jr 52.3). Em janeiro de 588 a.C., Nabucodonosor e seu exército estavam sitiando Jerusalém (2 Rs 25.1; Jr 39.1; 52.4; Ez 24.1,2). O exército babilônico havia capturado, uma a uma, as cidades fortificadas de Judá, de modo que na época em que o sítio de Jerusalém estava acontecendo restavam somente Laquis e Azeca (Jr 34.6,7). As cartas de Laquis, um conjunto de 21 documentos encontrados na moderna Tell ed-Duweir (a bíblica Laquis, q.v.) em 1935 e 1938 ilustram a consternação que reinava em Judá durante os últimos dias de sua existência nacional (veja ANET, pp. 321ss.). O único lampejo de esperança para uma situação que de outra forma seria meramente desesperadora, seria uma retirada temporária das forças da Babilónia da cidade de Jerusalém para enfrentar o exército egípcio que estava avançando (Jr 37.5,11) provavelmente sob o comando do Faraó Apries (589-570, veja Faraó Hofra). Entretanto, o alívio de Jerusalém durou pouco, pois os babilónios forçaram os egípcios a se retirarem e o cerco à cidade recomeçou. A cidade suportou um sítio de 30 meses, mas as forças superiores da Babilónia finalmente abriram caminho através de seus muros em julho de 586, no 19° ano do reinado de Nabucodonosor (2 Rs 25.2-4,8; Jr 39.2; 52.5-7,12). Zedequias e algumas de suas tropas tentaram fugir durante a noite, mas foram capturados nas proximidades de Jericó. O rei foi levado à presença de Nabucodonosor em Ribla, no Orontes, onde foi forçado a contemplar a execução de seus filhos. Então cegaram seus olhos e ele foi levado acorrentado para a Babilônia (2 Rs 25.5-7; Jr 39.4-8; 52.8-11), como um dos exilados da segunda maior fase do cativeiro na Babilônia (Jr 52.29). Em seguida, Nabu-zer(a)-iddina (Nebuzaradã, q.v.), capitão da guarda de Nabucodonosor, chegou a Jerusalém para completar a destruição e a pilhagem da cidade e do Templo, assim como a deportação dos habitantes, deixando para trás apenas os indivíduos mais pobres (2 Rs 25.8-17; 2 Cr 36.17-20; Jr 39.9,10; 52.12-23).
Depois da destruição de Jerusalém, Nabucodonosor nomeou outro governador para Judá, Gedalias (q.v.) que logo caiu em desgraça perante os elementos restantes da população antibabilônica da cidade. Aguardando uma oportunidade adequada, eles assassinaram o governante em Mispa, junto com alguns de seus companheiros babilônios e judeus (2 Rs 25.22-25; Jr 40.7-41.3). O incentivador dessa conspiração, um certo Ismael, fugiu para Amom com oito de seus lacaios (Jr 41.15), enquanto um outro grupo de judeus, temendo as represálias dos babilônios, fugiu para o Egito (2 Rs 25.26; Jr 41.16-18) levando Jeremias consigo (Jr 43.5-7). Em 582 a.C, ocorreu a terceira e última fase do cativeiro na Babilônia (Jr 52.30), aparentemente como resultado de uma expedição punitiva enviada por Nabucodonosor depois do assassinato de Gedalias.
Enquanto isso, o cego Zedequias definhava na prisão na qual veio a morrer (2 Rs 25.7; cf. Ez 12.13). Seu predecessor, Joaquim, foi consideravelmente mais afortunado: em 562 Amel-Marduk (Evil-Merodaque, q.v.), filho e sucessor de Nabucodonosor, libertou-o da prisão e o manteve na corte da Babilônia (2 Rs 25.27-30; Jr 52.31-34). Antes disso, as necessidades de Joaquim já haviam sido amplamente satisfeitas, como está claro em inúmeros documentos administrativos encontrados na Babilônia, datados do reinado de Nabucodonosor, e que se referem a Joaquim como Ya(k)ukin(u), rei de Yah/kudu (Judá; ANET, p. 308).PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1329-1331.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com


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