quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Firmesa do carater moral (2)




Dn 1.3 Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos. A spenaz figura por nome somente aqui, e não aparece em nenhum outro trecho do Antigo Testamento. Ele é chamado de outros modos por seis vezes, por “o eunuco" ou “o chefe dos eunucos”, em Dan. 1.7-11,18. A derivação desse nome é incerta, mas sua versão hebraica parece significar “narina de cavalo”, por razões desconhecidas. Ele era o chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor. Daniel e seus companheiros foram entregues aos seus cuidados, e ele lhes trocou os nomes (ver Dan. 1.3,7). O tempo foi cerca de 604 A. C. A petição de Daniel, no sentido de que não fosse compelido a comer as provisões enviadas à mesa real, foi aceita favoravelmente, bondade que o profeta, agradecido, registrou em Dan. 1.16. Os eruditos subentendem do fato que o homem era o chefe dos eunucos, e Daniel e seus com panheiros hebreus também foram feitos eunucos. Mas esse ponto é disputado. Além disso, o chefe dos eunucos nem sempre era castrado. Aspenaz tinha o dever de preparar jovens promissores para o serviço especial ao rei, e Daniel estava entre aqueles que foram escolhidos para esse mister.
Assim da linhagem real como dos nobres. Quase incidentalmente, aprendemos algo do nascimento real ou nobre de Daniel. Mas não é dada nenhuma genealogia, o que seria comum, sabendo-se da importância atribuída à questão pelos hebreus. Quanto a comentários sobre o pano de fundo de Daniel, ver a seção II da Introdução. Josefo (Antiq. X.10.1) diz-nos que Daniel e seus companheiros pertenciam à família de Zedeouias, mas não sabemos se essa informação é correta, ou se ele supôs que tal informação fosse correta devido à declaração deste versículo.
Dn 1.4 Jovens sem nenhum defeito, de boa aparência. Daniel e seus amigos nobres (ou reais) eram espécies físicos perfeitos. Ademais, embora jovens, eram conhecidos por sua sabedoria e erudição, pelo que também se distinguiam intelectualmente.
Conforme a narrativa se desdobra, descobrimos que eles eram homens espirituais especiais, que levavam a sério sua fé religiosa. Portanto, foi apenas natural que tivessem sido escolhidos pelo rei da Babilônia para receber um treinamento especial, a fim de que fossem empregados em algum serviço que lhes fosse planejado, em benefício do império. Essa história me faz lem brar do “dreno de cérebros” em que os Estados Unidos da América está envolvido. Intelectuais de muitos países, que ali vão para receber treinamento, terminam ficando no país e servindo a América do Norte, e não seus próprios paises. Notemos que aqueles jovens também eram “sim páticos”, pelo que os hom ens bonitos sempre têm alguma vantagem, e tanto mais quando possuem outras qualidades que acompanham a beleza física.
Para assistirem no palácio do rei. Literalmente, diz o hebraico: “para se porem de pé perante o rei”. O texto fala em “serviço da corte” (ver I Sam. 16.21; I Reis 12.6), mesma expressão usada para indicar os atendentes angelicais que estão de pé na presença de Deus, em Dan. 7.10. Esses homens extraordinários seriam usados em toda a espécie de serviço divino. E lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Note o leitor a ênfase sobre a educação e a cultura. Esses homens bons tornar-se-iam ainda melhores por uma boa educação que incluiria sério estudo da linguagem. Como eles deveriam servir na Babilônia, teriam de falar o idioma do lugar. “O programa educacional provavelmente incluiu o estudo da agricultura, da arquitetura, da astrologia, da astronomia, das leis, da matemática e da difícil língua acádica” (J. Dwight Pentecost, in loc.). Nenhum prêmio é oferecido à ignorância. Um pai cuidará para que seus filhos obtenham uma boa educação. Não basta fazê-los ler a Bíblia.
O acádico, conforme aprendemos em Jer. 5.15, era o neobabilônico. Embora fosse um idioma semítico, não era entendido pelos judeus. Abraão, naturalmente, veio de Ur, antiga cidade babilônica. Ver o artigo sobre Babilônia, no Dicionário. Até mesmo um judeu esperto teria pouco conhecimento em comparação com os homens bem-educados da Babilônia. Os judeus eram especialistas nos campos da religião e da literatura, mas pouco sabiam sobre as ciências e seus muitos ramos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3373-3374.
Dn 1.3. Chefe dos seus eunucos. Eunuco (heb. sarîs), um macho castrado. Por motivos óbvios, os eunucos eram freqüentemente encarregados dos haréns reais. Às vezes a palavra, por metáfora, era usada simplesmente com referência a um oficial. Há uma grande possibilidade de que Daniel e seus amigos tenham sido desvirilizados. Veja novamente a predição sinistra de Isaías (II Rs. 20:18). Dos filhos de Israel (heb. Mib-benê-yis-ra-el, lit, tirados dos filhos de Israel). Esses eram originalmente todos os descendentes de Jacó ou Israel. Mais tarde, Israel passou a ser o nome das dez tribos que se separaram e se juntaram a Jeroboão (I Rs. 11:13; cons. 12:19). Mas depois da destruição do "Reino do Norte", o nome Israel voltou ao seu primitivo significado. Da linhagem real (lit, semente da reato). Isto se refere à família de Davi (cons. Is. 7:2, 13). Quanto a um exemplo da degeneração espiritual de certos membros da linhagem real mais ou menos nesse período, veja II Rs. 25:25; Jr. 41:1 e segs. Como dos nobres. A palavra nobres (Heb, partemîm) é um termo persa aparentemente cognata de palavras usadas com referência a pessoas importantes em diversas línguas indo-européias. Talvez fosse de uso comum na corte. Refere-se a importantes famílias, não à casa de Davi. O sentido dos três termos, Israel . . . linhagem real . . . nobres, indica que a seleção tinha de ser feita entre os hebreus, tanto da família real como de outras famílias da nobreza.
Dn 1.4. Jovens sem nenhum defeito. Esta é a primeira de uma série de qualificações estipuladas para a seleção de homens a serem treinados na corte da Babilônia. Jovens. No hebraico, yeladîm é uma palavra de significado indefinido, dependendo da idade da pessoa que fala. Em uma narrativa objetiva como esta, a estimativa comum de quatorze ou quinze anos de idade é o que parece certo. Ausência de defeito não elimina a possibilidade de sua castração. Ao serem selecionados, naturalmente não tinham essa mutilação. De boa aparência. O rei devia olhar para pessoas e coisas perfeitas e lindas. A mesma combinação de palavras se usou em relação à beleza de Raquel (Gn. 24:16; 26:7), Bate-Seba (II Sm. 11:3), da Rainha Vasti (Ester 1:11) e de Ester (Ester 2:2, 3,7). Instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, e versados no conhecimento. Essas três expressões cumulativas enfatizam a capacidade natural e a instrução prévia. A redundância da expressão hebraica é para dar ênfase e não para estabelecer distinções. Referia-se mais ao que os jovens já eram e não ao que iriam se tornar. Geralmente, a capacidade intelectual se revela em pessoas que não eram muito brilhantes na infância. Que fossem competentes para assistirem no palácio do rei. Talentos naturais e adquiridos que capacitassem esses homens a servirem um rei esplêndido em um edifício magnífico é o que se quis dizer. Os rapazes deviam ser humildes mas não tímidos, nem obtusos.
E lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. O aprendizado (Heb. livro) dos conhecimentos dos caldeus refere-se à literatura do povo da Mesopotâmia inferior. Desde que as descobertas arqueológicas do século passado trouxeram à luz e forneceram a chave para a tradução desta literatura, sabemos como era vasto o conhecimento dos caldeus. Recentes descobertas nas regiões mais próximas do Egeu Oriental demonstraram que um grande acúmulo de intercâmbio cultural aconteceu entre as duas áreas. E os vizinhos filisteus de Israel eram, ao que parece, de origem grega. Com eles, prova o Livro de Juízes, houve intercâmbio cultural. (Veja G. Bonfante, "Quem Eram os Filisteus?" American Journal of Archaeology, 1, 2, abril/junho, 1946, págs, 251.262.) A língua dos caldeus deve-se referir ao acadiano (babilônio, assírio), a língua da época. Caldeus aqui foi aparentemente usado em um sentido mais extenso, para designar os habitantes da região da Caldéia, que no seu significado mais amplo incluía toda a Babilônia. As diversas línguas da região, incluindo a muito antiga língua ritual, eram escritas sobre o barro com caracteres cuneiformes. Era um sistema ideográfico e silábico, muito diferente da escrita alfabética dos papiros feita com tinta e pena a que o povo da Palestina e Síria estava acostumado. Os fundamentos da astronomia, a matemática, as leis e uma dúzia de outras disciplinas eram registradas nessa antiga escrita cuneiforme, ao lado de uma grande quantidade de falsidades mágicas. Se tudo isso tinha de ser ensinado a esses jovens, então três anos (com. v. 5) não era demais para a sua educação.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 10-12.
Não nos é dito imediatamente porque os quatro moços hebreus, Daniel, Hananias, Misael e Azarias, são mencionados de modo específico (1:6). Mas a informação que temos é que seus captores logo iniciaram um processo de despersonalização, começando pela mudança do nome dos jovens. Para os semitas, os nomes não são meras insígnias.
Da mesma forma que os nomes africanos ligam as pessoas a seus ancestrais, a seus valores tribais e a seu destino coletivo, assim era para aqueles hebreus. Daniel significa “Deus é meu juiz”. Hananias significa “aquele a quem Javé demonstra graça”, Misael é uma pergunta: “Quem é como Deus?”, e Azarias significa “aquele a quem Javé ajuda”. Esses jovens foram educados em lares judeus piedosos. Daniel pode até ter sido um descendente do rei Ezequias, um rei que temia a Deus (cf. 2Rs 20:17-19; Is 39:6-7). Com o propósito de desligá-los de seus antepassados, de sua aliança com o Senhor e de seu destino coletivo como povo, Aspenaz, o chefe dos eunucos, deu-lhes nomes derivados de divindades babilônicas. Beltessazar significa “Príncipe de Bel”, conforme Bel, deus patrono da Babilônia (Is 46:1; Jr 51:44). Sadraque significa “inspirado pelo deussol, Aku”. Mesaque significa “quem pode ser comparado a Shak?”, nome dado à deusa Vênus, a quem os babilônios adoravam. Abede-Nego significa “servo do fogo resplandecente”, alusão ao deus-fogo ou uma corrupção do nome Nebo.
Tokunboh Adeyemo. COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO. Editora Mundo Cristão. pag. 1018.
2. O caráter colocado a prova (1.5-8).
(1.6,7) Essa prova começou com a troca de seus nomes hebreus, os quais tinham significados especiais de louvor ao Deus de Israel. A Daniel, cujo nome significa “Deus é meu juiz”, deram-lhe o nome de
Beltsazar, nome dedicado ao deus Bei; a Misael que significa: ’’Quem é como Jeová”?, deram-lhe o nome de Mesaque, homenagem ao deus“Aku”; a Ananias, cujo nome significa: “misericordioso é Jeová”, chamaram-lhe Sadraque, em homenagem ao deus Marduc; e Azarias, chamaram-lhe Abede-Nego, “servo de Nego”. Eram nomes pagãos com o propósito de apagar o nome de Jeová na formação moral e religiosa desses jovens. Mas não conseguiram. A fé estava plantada no coração deles. Na verdade, Daniel e seus amigos foram colocados à prova numa terra estranha, com uma cultura que se chocava frontalmente com aquela que haviam recebido em Jerusalém. Essa provação não diminuiu a integridade moral e espiritual da vida desses jovens. Ora, que significa integridade? Pode-se definir integridade como solidez de caráter. Pode, também, significar o estado de ser inteiro, ser completo. Na história do livro, Daniel, em especial, a sua integridade resultava de sua formação de caráter. Ele assentou em seu coração não se contaminar com as iguarias da mesa do rei, que acima de tudo, eram iguarias oferecidas aos deuses do rei Nabucodonosor. Daniel e seus companheiros apesar de serem jovens, ainda bem novos, tinham a consciência de tudo quanto estavam vivendo naqueles dias, desterrados e humilhados era consequência do pecado do seu povo e do seu rei e nada tinha a ver com o Deus de Israel. O mundo de hoje oferece muitas iguarias mundanas para contaminar os servos de Deus, mas devemos nos exemplificar em Daniel e seus amigos. A fidelidade ao Deus de Israel e a integridade moral e espiritual desses jovens demonstraram que, a despeito do pecado do seu rei e do seu povo, eles permaneciam fiéis a Deus. Aprendemos com Daniel e seus amigos que a vida espiritual deles não consistia em meras tradições religiosas, mas consistia numa vida de comunhão com Deus. Eles mantinham a fidelidade ao seu Deus e guardavam a palavra de Deus no coração para não pecar contra Deus como viram o seu rei pecar (SI 119.11).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 31-32.
Dn 1.5 Determinou-lhes o rei a ração diária. Àqueles jovens seletos e promissores foi dado um tratamento em estilo real; eles recebiam aulas de primeiro nível em boa mesa, e comiam diretamente das provisões reais, ou seja, metaforicamente, comiam “da mesa do rei”. Tinham os ricos alimentos e o vinho de que o próprio rei desfrutava, mas terminaram rejeitando essa alimentação em favor da comum dieta judaica, conforme se vê no vs. 16. Sem dúvida, por motivo de saúde, isso era melhor para eles, mas a preocupação principal era obedecer à dieta judaica ideal. Além disso, a rejeição dos alimentos reais era uma maneira de eles dizerem: “Também rejeitamos o luxo e a idolatria deste lugar, como algo contrário à boa moral”. Os hebreus escolhidos para esse programa especial continuariam sendo treinados por três anos e então teriam de apresentar-se ao rei para que fosse verificado o quanto da educação babilônica tinham absorvido. Se fossem considerados qualificados, entrariam no serviço do rei. Os três anos de educação e treinamento prático significariam a form ação universitária no sentido babilônico.
Nabucodonosor não tinha uso para homens ignorantes. Esses acabariam varrendo soalhos e cavando valetas. Daniel e seus amigos tinham de especializar-se nas tradições dos sábios caldeus, aperfeiçoando-se na sabedoria e erudição babilônica, tal como Moisés precisou tornar-se sábio na erudição egípcia (ver Atos 7.22). “Os pagens reais viviam da abundância real. Eles tinham rações diárias determinadas, o alimento e a bebida da mesa real. Ateneu (Deifosofistas, IV.26) mencionou que os atendentes do rei persa tinham recebido provisão da mesa real, e a porção diária para os cativos da realeza, na Babilônia, é mencionada em Jer. 52.34. Por três anos. Nos escritos babilônicos, desconhece-se qualquer período de três anos de educação, mas isso nos faz lem brar dos três períodos nos quais os escritores gregos diziam estar dividida a educação de um jovem persa.
Dn 1.6,7 Entre eles se achavam, dos filhos de Judá. Estes dois versículos nomeiam os amigos de Daniel: Hananias, Misael e Azarias. Ver no Dicionário os artigos sobre cada um deles. Todos pertenciam à tribo de Judá, presumivelmente (mas não necessariamente) de Jerusalém. No Dicionário há catorze homens que atendiam pelo nome de Hananias, no Antigo Testamento, e o do nosso texto é o de número oito. Há também três homens com o nome de Misael, no Antigo Testamento, e o do texto presente é o de número três no Dicionário. Finalmente, há vinte e cinco homens, no Antigo Testamento, que atendem pelo nome de Azarias! E este é o último Azarias da lista, no Dicionário. O chefe dos eunucos (chamado Aspenaz no vs. 3) mudou os nomes desses três homens para Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Ver o artigo sobre esses três, juntamente, sob esse título, onde apresento notas mais detalhadas. O nome de Daniel, finalmente, foi mudado para Beltessazar.
O nome alternativo de Daniel aparece oito ou dez vezes na seção aramaica do livro (ver Dan. 2.26; 4.8,9,18,19 (quatro vezes) e 5.12). E também se acha em Dan. 1.7 e 10.1. Esses novos nomes provavelmente significam que, doravante, eles seriam súditos babilônicos (sua história anterior terminou juntam ente com os antigos nomes) e serviriam a deuses babilônicos, e não a Yahweh. Em outras palavras, a esperança é que eles seriam totalmente paganizados para melhor servir à Babilônia. Dessa forma, estava armado o palco para que eles mostrassem como lutaram a fim de salvar e fomentar sua piedosa identificação judaica, permanecendo fiéis a Yahweh e à lei mosaica.
Notemos como os nomes anteriores ligavam essas figuras ao yahwismo: Hananias significa “Yah tem sido gracioso"; Misael significa “Quem é o que El é?”; Azarias significa “Yah tem ajudado”. E Daniel significa “El tem julgado”. Cada um desses nome incorpora um nome hebraico para Deus. Em sentido contrário, há esforços para fazer com que os nomes novos correspondam à divindade babilônica. Os massoretas sugeriam que Bel podia ser visto no nome Beltessazar. Abede-Nego parece significar o mesmo que Abdi-nabu, “servo de Nebo”. Mesaque pode significar “estou desprezado (humilhado) (na presença do meu deus)”. Nada semelhante tem sido demonstrado no caso do nome Sadraque. Mas talvez a última sílaba, aque, esteja associada ao nome Sadraque, ou a Merodaque. No entanto, outros vêem aqui uma alusão a rak, que no acádico significa rei, e pelo qual devemos entender “sol” ou “deus-sol”. Mas outros preferem sugerir saduraku, que significa “temo (o deus)”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3374.
Dn 1.5. A ração diária, das finas iguarias da mesa real, e do vinho que ele bebia. Nem guloseimas (ASV) nem alimentos nutritivos (RSV) substitui bem as finas iguarias. A palavra assim traduzida (patbag) é uma palavra emprestada do antigo persa pelo hebraico, significando "apropriação" ou "concessão" (Montgomery, ICC, págs. 122-124). Refere-se ao fato desses jovens serem sustentados pelo governo, partilhando da "ménage" dos outros oficiais do rei. Não há nem sequer a mais leve indicação no texto hebraico de que havia algo física ou moralmente prejudicial na comida ou na bebida. O vinho era comum à dieta dos judeus (veja Sl. 104:15; Is. 55:1; Ne. 5:18, onde a mesma palavra yayin foi usada). Muitas insinuações contra o uso excessivo do vinho aparecem, contudo, no V.T. (Pv. 20:1; 23: 20,30, 31); e certas ordens religiosas estavam proibidas do uso do vinho (Nm. 6:1-20; Jz. 13:1-7; Jr. 35:1-14). Os sacerdotes estavam proibidos de usarem vinho imediatamente antes de servirem no Templo (Lv. 10:1-9), e os reis eram desencorajados a beberem vinho (Pv. 31:4, 5).
A Identidade do Personagem Principal da História e Seus Companheiros. 1:5-7. Daniel, apresentado pelo nome, é alguém que através de todo o livro, além de fazer a narrativa, é também o personagem da maior parte dela em diversas circunstâncias: intérprete de sonhos (caps. 2; 4; 5), amigo dos sofredores (cap. 3), receptor de visões e sonhos reveladores de Deus (caps. 6-12). Em diversos incidentes três amigos judeus associam-se a ele. Aqui todos são apresentados por nome. A mudança dos nomes dos jovens é muito significativa. Sua educação dentro da história da mais desenvolvida cultura pagã que já tinha existido devia se completar com a substituição dos nomes honrando as vis divindades da Babilônia em lugar daqueles que honravam o Santo de Israel. Eles deviam ser afastados da antiga religião e cultura e totalmente transformados, até na identidade, em Babilônios. Pois entre os antigos o nome de um homem era ainda mais parte de sua identidade e caráter que entre os homens da atualidade.
Dn 1.7. Outros nomes, a saber: a Daniel o de Beltessazar. Daniel significa em hebraico príncipe (ou juiz) de Deus, enquanto que o novo nome Beltessazar, na língua da Babilônia, significa príncipe de Bel. Este nome Beltessazar (uma variante do nome do Rei Belsazar, cap. 5),homenageia Uma das principais divindades da Babilônia (veja Is. 46:1; Jr. 50:2; 51: 44). Hananias significa misericórdia de Jeová (sendo uma variação do original do nome do apóstolo amado, João), enquanto que Sadraque possivelmente significa "ordem de Aku", o deus da lua (HDB) uma forma mais ou menos disfarçada d Marduque (Montgomery, ICC, pág. 123), um dos principais deuses da Babilônia. Misael Com muita certeza significa Quem é como Deus? enquanto que Mesaque (de acordo com Fred. Delitzch, uma competente autoridade) significa Quem é como Aku? Lamentavelmente não podemos ter certeza porque o nome não aparece em nenhum outro lugar e sua origem é incerta. Azarias significa A quem Jeová ajuda, ou Jeová ajudará, enquanto que Abede-Nego muito provavelmente significa Servo de Nebo.
"Um costume . . , de impor novos nomes quando as pessoas passavam para novas condições de vida ou adquiriam novos relacionamentos", destaca Moses Stuart, "é muito comum no V.T. : veja Abrão e Abraão, Gn. 17:5; José e Zafenate-Panéia, Gn. 41:45; comp. II Sm. 12:24, 25; lI Rs. 23:34; 24:17; também Ester 2:7; Esdras 5:14 comp. com Ageu 1:14; 2:2, 21. Do mesmo modo no N.T., Mc. 3:16, 17. Esses nomes, assim impostos, geralmente designavam alguma coisa para honra dá pessoa que os recebia, ou uma homenagem ao deus adorado por quem os impôs, ou para comemorar algum acontecimento interessante, etc." (A Commentary on the Book of Daniel, pág. 9). Um comentário mais extenso sobre esses nomes poderá ser encontrado nas enciclopédias e dicionários bíblicos, como também nos léxicos hebraicos.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 11-14.
Jovens de Caráter (1.6-16)
Os quatro heróis do livro de Daniel se sobressaíram entre todos os vencedores do rigoroso exame. Esses que pertenciam aos filhos de Judá tinham a reputação de serem da linhagem de Davi. Eles eram Daniel, Hananias, Misael e Azarias (6).
Esses quatro jovens de Judá, por intermédio dos seus nomes, testemunhavam do único e verdadeiro Deus. Quaisquer que tivessem sido as limitações do seu ambiente religioso em Judá, seus pais lhes deram nomes que serviam de testemunho ao Deus que serviam. Daniel significava: “Deus é meu juiz”; Hananias significava: “O Senhor tem sido gracioso ou bondoso”; Misael significava: “Ele é alguém que vem de Deus” e Azarias declarava: “O Senhor é meu Ajudador”. A continuação da história claramente indica que, embora outros pais em Judá pudessem ter falhado em relação à educação dos seus filhos, os pais desses meninos tinham dado a eles uma base sólida em relação às convicções e responsabilidades dignas do significado dos seus nomes. Seu treinamento piedoso havia cultivado profundas raízes de caráter.
Em consideração ao rei e seus deuses pagãos, o chefe dos eunucos designou novos nomes aos quatro jovens. Beltessazar (7) significava “o tesouro (ou segredos) de Bei”. Sadraque significava “a inspiração do sol”. Mesaque sugeria: “aquele que pertence à deusa Sesaque”. E Abede-Nego significava “servo de Nego (a estrela da manhã)”. A pouca importância que esses jovens deram aos seus novos nomes pode ser vista nas narrativas que se seguem.
Com convicção inabalável, ousadia santa e cortesia refinada, Daniel e seus companheiros revelaram seus dons extraordinários de sabedoria e caráter. A decisão de não comer das iguarias do rei era muito mais do que uma questão de conveniência ou saúde. Isso estava relacionado com a integridade dos seus votos de consagração como hebreus ao Deus de Israel. O significado cerimonial do alimento, puro ou impuro, significava tudo para descendentes profundamente comprometidos de Abraão. Ingerir alimentos dedicados a deuses pagãos da Babilônia constituiria uma ruptura de fé com Jeová. Eles não vêem outra saída senão arriscar o perigo da recusa. Mas eles devem fazer isso de maneira afável e atenciosa com aqueles que são responsáveis em cumprir as ordens do rei.
Quando o chefe dos eunucos (8,10) recusou o pedido, uma sugestão sensata dada ao despenseiro (11), encarregado direto dos jovens, tirou a pressão do oficial superior e abriu caminho para uma solução. O período de prova de dez dias (12) era justo e suficiente para prover uma demonstração adequada do bom senso higiênico do pedido e dar oportunidade a Deus para vindicar seus jovens servos. Legumes significa, literalmente, “sementes”, mas incluía vegetais em geral.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 498.
III – ATITUDE DE DANIEL E DE SEUS AMIGOS
1. Uma firme resolução: não se contaminar (1.8)
Quando Aspenaz, chefe dos eunucos recebeu ordens expressas de Nabucodonosor quanto a preparação daqueles jovens, não discutiria essa determinação palaciana. Reuniu os jovens hebreus e deu-lhes a ordem (1.5,6). Além da troca de seus nomes para apagar de vez com os vínculos religiosos que eles mantinham, Aspenaz lhes deu novos nomes pelos quais eles seriam identificados (Dn 1.7). Com a força de sua autoridade palaciana, Aspenaz passou- lhes a ordem direta de Nabucodonosor. Mas Daniel, apoiado por seus companheiros exilados, com atitude inteligente e prudente, convenceu a Aspenaz a aceitar a proposta de outra dieta alimentar que daria o mesmo resultado requerido. Daniel e seus amigos, inteligentemente não revelaram as razões de sua rejeição à dieta da mesa do Rei, mas, na verdade, eles propuseram entre si não queriam contaminar-se com as iguarias da mesa do rei que eram oferecidas aos deuses. Essa atitude corajosa de Daniel e seus amigos representava toda a fé que tinham no seu Deus a quem serviam e sabiam que seriam guardados do mal.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 33.
Dn 1.8 Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se. Bem no começo de ter sido tão altamente favorecido, Daniel resolveu permitir que sua fé religiosa interferisse e lhe causasse dificuldades. Não são muitas as pessoas que permitem que sua fé intervenha em alvos e ambições mundanas, para nada dizermos sobre os prazeres, que usualmente form am a base de sua fiiosofia de vida. Daniel e seus amigos resolveram arriscar-se a enfrentar a ira do rei (que lhes seria fatal), a fim de permanecerem fiéis. Eles se revoltaram contra o alimento não-kosher que lhes era servido. Os alimentos consumidos pelos pagãos continham coisas consideradas cerimonialmente im undas para os judeus. Ver no Dicionário o artigo chamado Limpo e Imundo. Daniel fez um propósito “em seu coração” (segundo a King James Version e nossa versão portuguesa). Ele tinha profundas convicções sobre essas questões. Ver sobre coração, em Pro. 4.23. Quanto a outras instâncias nas quais os judeus tentaram efetivar seus regulamentos dietéticos em ambientes pagãos, ver Juí. 12.1-4; Tobias 1.10,11; IV Macabeus 5.3,14,27; Josefo (Vidas, 3); Jubileus 22.16. O texto de I Macabeus 1.62,63 mostra que, para alguns judeus, comer alimentos ilegítimos significava praticar pecados graves.
Tudo isso se assemelha às convicções que os evangélicos costumavam ter, as quais, em nossos dias, foram essencialmente abandonadas devido à atmosfera mundana de nossas igrejas. Notemos que Daniel também rejeitou o vinho do rei. Os judeus bebiam vinho e, se fossem piedosos, eram usuários moderados de vinho. Talvez Daniel estivesse apenas certificando-se de que não se contaminaria por imitar os comedores e bebedores da Babilônia, em nenhum sentido. Portanto, cortemos o vinho da lista. Nabucodonosor dava a seus futuros oficiais uma prova da boa vida, parte da qual consistia em alimentos e bebidas superabundantes. Os babilônios não diluíam o vinho, mas os hebreus o faziam; e, assim sendo, os babilônios tendiam mais para o alcoolism o do que os judeus. Alguns israelitas misturavam uma parte de vinho com três partes de água, e alguns chegavam a diluir uma em seis partes. Ver em Pro. 20.1 e Isa. 5.11 advertências contra as bebidas alcoólicas. Ver no Dicionário o verbete chamado Bebedice. Os gregos e os romanos também misturavam vinho com água. Um dia, meu professor de latim, diante de uma passagem que mostrava esse fato, declarou não entender como alguém podia fazer algo assim. E essa era, talvez, a única coisa, acerca dos gregos e romanos, que ele não compreendia. Alguns estudiosos sugerem que os alimentos babilônios eram dedicados a seus deuses por meios rituais, algo parecido com as bênçãos que, em nossos dias, muitos pedem antes das refeições. Isso pode ter feito parte da objeção de Daniel.
Humildemente, Daniel requereu que fosse isentado dos alimentos oferecidos aos jovens hebreus, e Aspenaz, o porta-voz de Daniel, foi capaz de dar-lhe essa licença, conforme vemos no vs. 16. Daniel, entretanto, não demonstrou intolerância ou animosidade, como fazem alguns separatistas hoje em dia. Ele não iniciava inimizades desnecessariamente.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3374.
Dn 1.8a. Uma Decisão pela Justiça. Resolveu Daniel firmemente. Inteligência inata e comportamento nobre eram complementados neste homem por uma firme lealdade aos princípios. Não contaminar-se. A contaminação (v. 5) nada tinha a ver com qualquer elemento prejudicial que houvesse no alimento ou na bebida. Era antes por ser "do rei". A palavra traduzida por contaminar-se (ga'al, uma palavra heb. antiga) pode significar contaminação física (Is. 63:3, "mancha"), contaminação moral (Sf. 3:1), ou, mais freqüentemente, contaminação cerimonial (por exemplo, Esdras 2:62; cons. Ne. 7:64). Quanto à relação entre o alimento e a bebida com a contaminação cerimonial, veja Mt. 15:11. Embora recomende moderação, a Bíblia em lugar nenhum ordena abstinência de qualquer alimento ou bebida com base moral; o problema era cerimonial ou religioso. A religião afetava toda a vida dos antigos, como ainda nos povos primitivos da atualidade – e como deveria para todos os homens. Até mesmo o comer e o beber tinha um ritual e significado místico. O matar de um animal era um ato religioso que deveria ser executado com solenidades próprias. A carne da mesa do rei era sem dúvida morta de acordo com o ritual pagão e oferecida a um deus. Os judeus estavam proibidos de comer carne sacrificada a um deus pagão (veja Êx. 34:15), pois era "servir a outros deuses" aos olhos públicos. Os judeus sempre enfrentaram este problema ao comer fora de sua terra (Oséias 9:3, 4; Ez. 4:13, 14). Uma situação semelhante prevalecia quanto ao vinho. Outro problema era que os procedimentos levíticos não eram considerados, isto é, a comida e a bebida do rei não eram "Kosher" (veja Lv. 3:17; 6:26; 17:10-14; 19:26).
Dn 1.8b-14. Um Procedimento de acordo com a Justiça.
Dn 1.8b. Então pediu, etc. Em caso de necessidade, as leis cerimoniais podiam ser postas de lado (Mt. 12:3-5; I Sm. 21:6; Nm. 28:8, 9). Foi porque Daniel tinha o discernimento de perceber o propósito real nestas coisas de afastá-lo de sua santa fé, que ele então resolveu não se submeter sem lutar. Ele "simplesmente determinou ... através do alimento manter viva a lembrança de sua pátria. Ele queria viver na Caldéia como um exilado e cativo, mas como procedente da sagrada família de Abraão" (Calvino, Commentaries on the Book of Daniel the Prophet, in loco.) A palavra pediu (biqesh, "buscou") não se pode usar com referência a uma solicitação desprovida de energia. Sendo um piel (ou intensivo ativo) na forma, sempre é uma palavra incisiva (usada em II Sm. 2:17; 12:16).
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 14-15.
A questão em pauta, e traçando os limites
Nos tempos de Daniel, o perigo que a sua própria nação corria e que devia ser enfrentado pelos seus líderes era ir descambando aos poucos, em seus costumes e tradições, conformando-se com o mundo ao seu redor, alterando, assim, inteiramente o seu rumo e a sua direção na História, e perdendo de vista os propósitos para os quais Deus a trouxera à existência. Pois os homens que estavam colocados numa posição como a de Daniel, e que pensavam como Daniel, sentiam que não poderiam servir a Deus com uma consciência pura a não ser que algum limite fosse estabelecido, e que uma posição firme fosse adotada em certos aspectos. Deveriam ser definidos e estabelecidos para aquele dia princípios constantes de conduta e de crença e, como já vimos, a adesão a estes princípios teria que ser uma questão de consciência para cada um. Daniel nem fazia idéia de que era o guardião das tradições e do destino da sua nação!
A questão era: em que ponto estabelecer um limite? Onde seria possível o meio-termo, e onde não? Daniel estava convicto de que, nas circunstâncias do exílio, não se poderia transigir com as leis dietéticas tradicionais. Talvez pressentisse que a abolição das leis dietéticas abriria a porta para os casamentos mistos e para a transigência em questões religiosas e financeiras. De qualquer maneira, a esta altura, ele sentia que até a existência da sua nação como tal dependia deste sinal visível de diferenciação e de separação. Desta maneira, fez dele uma questão de consciência e de confissão. Acreditou que a fidelidade até mesmo na observância dos regulamentos quanto a aspectos visíveis era importante, pois os verdadeiros e superiores aspectos invisíveis internos teriam uma sutil dependência dos aspectos visíveis externos.
Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se (v.8). Certamente isto parece ser um tanto supersticioso. Que contaminação real poderia advir só por comer e beber? Não seria isto ainda legalista demais? Jesus não condenou esta atitude quando disse: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina”?
Em certas circunstâncias, porém, questões que normalmente poderiam ser consideradas triviais podem adquirir grande importância. O uso de um pequeno emblema, a prestação de uma continência, cantar uma breve cançSo de libertação, por mais inferiores que sejam a música e a letra, podem inspirar resistência heróica ou incitar oposição demoníaca. Acabamos de passar por um período da história da cultura ocidental em que o comprimento dos cabelos de um rapaz podia assumir tanta importância simbólica que às vezes se tornava uma questão quase de vida ou de morte num lar. E, sob a providência e bênçãos de Deus, atos triviais tais como a distribuição do pão e do vinho numa congregação cristã ou o uso de um pouco de água num ato de batismo podem tomar- se atos de relevância e de poder insuperáveis. Nas circunstâncias do exílio, Daniel sentia que qualquer tendência potencialmente desastrosa somente poderia ser contida tomando-se uma posição firme na lei, até mesmo em questões que em outras ocasiões talvez parecessem estranhas e sem conseqüência.
A preocupação de Daniel era não contaminar-se. Isso não significa que ele acreditasse que literalmente alguma contaminação física pudesse advir-lhe por ingerir alimento proibido, e que disso resultasse, também, alguma mácula moral em sua alma. 0 seu pensamento seguia uma linha bem diferente. Simplesmente ele acreditava que a fé em Deus e o perdão de Deus já o tinham tornado limpo. Esta era uma purificação da idolatria existente no mundo em derredor, e da contaminação moral que a acompanhava. Significava uma chamada para uma vida nova e diferente. Estas leis dietéticas e outros costumes que o diferenciavam eram para ele o sinal e o símbolo desta purificação interior. Mas se ele transigisse no caso destas leis, e permitisse que estes marcos de diferenciação, que preservavam a sua atitude interior distintiva, fossem removidos, aí então inevitavelmente ele se deixaria levar pela enxurrada de costumes dos quais ele tinha sido purificado, e já não seria plenamente útil como um instrumento adequado nas mãos de Deus.
Ronald S. Wallace. A Mensagem de Daniel. Editora ABU. pag. 33-34.
2. Daniel um modelo de excelência.
Mesmo tendo sido levado muito jovem para o exílio babilônico, Daniel conhecia a Deus e não o trocaria por iguaria alguma que lhe fosse oferecida. E um modelo para os jovens (Ec 12.1), como também foram outros jovens na história bíblica como Samuel (1 Sm 3.1-11), José (Gn 39.2), Davi (1 Sm 16.12),Timóteo (2 Tm 3.15). Durante toda a sua vida, Daniel foi um exemplo de fidelidade e de oração, pois orava três vezes ao dia, continuamente (Dn 6.10).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 34.
Daniel, um jovem fiel a Deus apesar de um passado de dor A vida de Daniel é um farol a ensinar-nos o caminho certo no meio da escuridão do relativismo. Seu testemunho rompeu a barreira do tempo e ainda encoraja homens e mulheres em todo o mundo a viver com integridade.
Observemos alguns aspectos de sua vida:
Em primeiro lugar, no meio de uma geração que se corrompia, Daniel possuía valores absolutos. Ele era ainda um adolescente, mas conhecia a Deus. Era ainda jovem, mas sabia o que era certo e errado. Estava no alvorecer da vida, mas não se misturava com aqueles que se entregavam ao relativismo moral. Era um jovem que tinha coragem de ser diferente.
Daniel vivia no meio de uma geração que estava colhendo o que seus pais haviam semeado (Dn 1.2).
Jerusalém ficara intacta na primeira invasão, mas o templo fora saqueado. Isso não foi por acidente. Por muito tempo, os judeus haviam confiado no templo, e não no Senhor (Jr 7.7). Achavam que enquanto tivessem o templo estariam a salvo. Mas o templo náo os salvou. Uma religião sem vida não nos salvará. Confiar no templo não era um substituto para o arrependimento. Deus reina, quer Seu templo exista, quer não. A invasão da Babilônia, o saque do templo, os tesouros transportados foram obra de Deus.
O povo estava sendo derrotado, mas Deus era vitorioso.
Em segundo lugar, no meio de tragédias terríveis, Daniel não deixa seu coração se azedar. Ele teve muitas perdas. Perdeu sua nacionalidade e sua bandeira. Foi arrancado de sua Pátria e de seu lar. Perdeu sua família, foi arrancado dos braços de seus pais, de seus amigos, de seus vizinhos. Ele foi agredido, violentado em seus direitos mais sagrados.
Daniel perdeu sua liberdade. Ele saiu de casa não como estudante, mas como escravo. Ele não é dono de sua vida nem de sua agenda. Ele está debaixo de um jugo. Sua cidade foi cercada. A fome desesperadora tomou conta de seu povo até o ponto das mães comerem seus próprios filhos. Por fim, seu povo foi levado em bandos para a terra da servidão.
Daniel perdeu sua religião. Seu país foi invadido, sua cidade arrasada e o templo do Senhor derrubado. Seu povo estava debaixo de opróbrio. Daniel estava agora longe de casa, em um país estranho, com uma língua estranha, sem a Palavra de Deus nas mãos, sem o templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto.
Daniel, a despeito de tantas perdas, porém, não deixa seu coração ser envenenado pela mágoa. Em vez de buscar a vingança dos inimigos, procurou ser instrumento de Deus na vida deles. Daniel não é um jovem influenciado, mas um influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (SI 137). Daniel escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha. Não é o que as pessoas nos fazem que importa, mas como reagimos a isso.
No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 30-32.
Em 605 a.C., o jovem Daniel é levado para a Babilônia e matriculado, juntamente com outros três jovens da nobreza de Judá, numa escola criada por Nabucodonosor. O rei fundara esta escola para a formação de administradores para servirem o império (1.3-8). Daniel decide permanecer fiel a Deus, não quebrando a rigorosa legislação dietética judaica. Em entrevista com o diretor da escola, preocupado que sua alimentação lhes fizesse mal à saúde, Daniel, respeitosamente, propõe submeter-se a uma experiência de 10 dias (w, 9-14). Os quatro companheiros não somente permaneceram saudáveis, mas, quando submetidos à prova pelo próprio Nabucodonosor, ao final dos exames, mostraram desempenho superior aos demais jovens (w. 15-21). Este cenário introdutório dá o tom para a seção pessoa] deste livro envolvente. Daniel é um modelo para todos quantos decidem permanecer fiéis a Deus e, ainda assim, ser bem-sucedidos neste mundo secularizado.
RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 513.
Agora entendemos o propósito dc Daniel. Ele não estava simplesmente mirando a temperança quanto a comida ou praze- res, mas desejava evitar as armadilhas de Satanás que via a sua volta. Não há dúvida dc que ele estava ciente de sua própria fraqueza, e é louvável de sua parte sua desconfiança cm si mesmo c o desejo dc fugir para longe dc todos os laços c armadilhas. Porque, como disse anteriormente, o que o rei tinha em mente era sem dúvida uma rede diabólica destinada a apanhar o pássaro. Daniel recusou a armadilha - indubitavelmente, Deus iluminou a mente de seu espírito para que ele atentasse no devido tempo. Portanto, não desejando cair nas malhas do diabo, livremente absteve-sc da comida c bebida reais. Este é o resumo da passagem.
Tal exemplo é posto diante de nós em Daniel, que não só rejeitou os prazeres da corte, que poderiam tê-lo deixado embriagado - mas seriam como veneno para ele - como também admoestou e persuadiu a seus amigos a fazer o mesmo. Eis a razão por que ele denomina de ‘poluição’ ou abominação a degustação da comida real. Em si mesmo, com já disse, isso não era abominável. Daniel era livre para comer e beber à mesa do rei. No entanto, era uma abominação por causa de sua conseqüência. Antes daquele tempo, quando já se encontravam na Caldéia, os quatro indubitavelmente haviam ingerido comida como todos os outros c se permitido comer tudo quanto se pusesse diante deles. Não pediram verduras quando ficaram numa pensão durante sua jornada, mas começaram a pedi-las quando o rei tentou contaminá-los com suas delícias c seduzi-los a preferir sua nova situação cm vez de retornar a seu próprio povo. Quando perceberam as armadilhas armadas para eles, o fato de desfrutarem das festas e comerem da mesa do rei tornou-se uma poluição ou abominação. Devemos, portanto, tomar nota da razão por que Daniel se via contaminado caso passasse a viver suntuo- samente e bebesse e comesse tudo o que lhe era provido pelo rei - pois (como já mencionei) ele estava ciente de sua própria fraqueza e queria manter-se atento em todo tempo, para que não fosse apanhado pelas malhas e decaísse da santidade e do louvor a Deus, degenerando-se nos costumes caldeus, como se houvera sido criado entre eles c fora simplesmente um de seus príncipes.
João Calvino. Série de Comentários de Calvino do Antigo Testamento. Editora edições Parakletos. pag. 59-60.
3. Daniel modelo de integridade x sociedade corrupta.
Apesar de todo o esforço de seus exatores que os trouxeram para uma terra estranha, com costumes e hábitos, dedicados a outros deuses, Daniel soube, durante toda a sua vida, manter-se íntegro moral e fisicamente. A tentativa de apagar a força e neutralizar a força de sua fé, os jovens hebreus permaneceram firmes e dispostos a não render-se, senão a Deus com suas próprias vidas. A mudança de nome não os fez esquecerem de sua fé e seu Deus Vivo e Poderoso (Dn 1.6,7). Nas atividades políticas soube conduzir-se, respeitando as autoridades superiores, sem trair a sua fé em Deus. Sabia cumprir seus deveres e, quando foi desafiado na sua fé a deixar de orar, ele não traiu o seu Deus.
fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

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