domingo, 1 de janeiro de 2017

Subsidio juvenis livro de Oséias n.2 2017





       
                      Introdução ao Livro de Oséias

                                         Escritor Mauricio Berwald

Oséias escreveu no oitavo século a.C. (segundo as datas dos reinados dos reis mencionados em 1:1), durante a mesma época do trabalho de Amós (Amós 1:1), Isaías (Isaías 1:1) e Miquéias (Miquéias 1:1). Ele fala sobre o povo que se achava bom e próspero, mas estavá se apodrecendo por causa da idolatria, a imoralidade e a injustiça. Destes quatro, Amós e Oséias profetizaram principalmente para Israel, e Isaías e Miquéias pregaram mais para Judá.
Oséias viveu nos últimos dias do reino de Israel. Devido a séculos de pecado, o povo estava chegando ao fim. A infidelidade espiritual do povo é comparada ao pecado de adultério. Para conhecer mais esse período da história, leia 2 Reis 14-17 e 2 Crônicas 26-29.
O livro de Oséias, talvez mais do que qualquer outro livro do Velho Testamento, expõe o coração de Deus. Oséias vive no próprio casamento o que Deus estava passando em relação a Israel. Os primeiros três capítulos descrevem a vida de Oséias. Ele se casa, mas a mulher dele se torna adúltera. Ele sofre com a infidelidade dela, mas ainda mostra a misericórdia para tomá-la de volta. Assim Deus viu a sua noiva, o povo de Israel, se envolvendo com "outros deuses", ou seja, cometendo adultério espiritual. Mesmo depois de tudo que Israel havia feito, Deus teria graça e misericórdia para reconciliar com esta esposa adúltera e estabelecer uma nova aliança com ela.

Reproduza o esquema abaixo no quadro de giz. Utilize-o na introdução do primeiro tópico da lição. O esquema facilitará a compreensão dos alunos a respeito da estrutura do livro de Oseias. Explique que os assuntos principais do livro são: a apostasia de Israel; o grande amor de Deus; o juízo divino e as promessas de restauração. O objetivo do livro é mostrar quão grande e abnegado é o amor de Deus por seu povo. Escritor: Oseias
Lugar da Escrita: Samaria (Distrito)

Escrita Completada: Depois de 745 AEC

Tempo Abrangido: Antes de 804-depois de 745 AEC

O livro de Oseias é o de número 28 no cânon das Escrituras. Os últimos 12 livros das Escrituras Hebraicas são, em geral, chamados de “os profetas menores”. A expressão comum na Alemanha, “os profetas pequenos”, parece ser mais apropriada, pois estes livros não são de modo algum menores em importância, ainda que a extensão conjunta deles seja menor do que a de Isaías ou de Jeremias. Na Bíblia hebraica eles eram considerados um só volume e chamados de “Os Doze”. Terem sido assim agrupados provavelmente visava a preservação, pois facilmente se poderia perder um rolo pequeno separado. Como é o caso em todos estes 12 livros, o primeiro deles leva o nome de seu escritor, Oséias, que é uma forma abreviada de Hoshaiah, que significa “Salvo por Jah; Jah Tem Salvo”.

No livro que leva seu nome, pouco se revela sobre Oséias, exceto que era filho de Beeri. As suas profecias dizem respeito quase que exclusivamente a Israel, sendo Judá mencionado só de passagem; e, embora Jerusalém não seja mencionada por Oséias, a tribo dominante de Israel, Efraim, é mencionada nominalmente 37 vezes e a capital de Israel, Samaria, 6 vezes.

O primeiro versículo do livro informa-nos de que Oséias serviu como profeta de Deus por um período incomumente longo, desde fins do reinado do Rei Jeroboão II, de Israel, até o reinado de Ezequias, de Judá. Isto foi pelo menos desde 804 AEC até depois de 745 AEC, no mínimo 59 anos. Seu tempo de serviço profético se estendeu, sem dúvida, por alguns anos durante os reinados de Jeroboão II e Ezequias. Durante esse tempo, Amós, Isaías, Miquéias e Odede eram outros profetas fiéis de Yehowah. — Amós 1:1; Isa. 1:1; Miq. 1:1; 2 Crô. 28:9.

A autenticidade da profecia é confirmada por ser ela citada muitas vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. O próprio Jesus citou Oséias 10:8 ao pronunciar julgamento contra Jerusalém: “Então principiarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’, e às colinas: ‘Cobri-nos!’” (Luc. 23:30) Esta mesma passagem é parcialmente citada em Apocalipse 6:16. Mateus cita Oséias 11:1, mostrando o cumprimento da profecia: “Do Egito chamei o meu filho.” (Mat. 2:15) A profecia de Oséias sobre a restauração de todo o Israel se cumpriu quando muitos do reino das dez tribos se uniram a Judá antes de seu cativeiro e seus descendentes estavam entre os que retornaram depois do exílio. (Osé. 1:11; 2 Crô. 11:13-17; 30:6-12, 18, 25; Esd 2:70) Desde o tempo de Esdras, o livro tem ocupado o seu devido lugar no cânon hebraico como a “palavra de Yehowah por meio de Oséias”. — Osé. 1:2.

Por que enviou Yehowah a Oséias como seu profeta para Israel? Por causa da infidelidade e da contaminação com a adoração de Baal por parte de Israel, em violação do pacto de Yehowah. Na Terra Prometida, Israel se tornara um povo agrícola, mas, com isso, adotou não só o modo de vida dos cananeus mas também a religião deles, que incluía a adoração de Baal, um deus símbolo das forças reprodutivas da natureza. Nos dias de Oséias, Israel se havia desviado completamente da adoração de Yehowah para cerimônias tumultuosas, com bebedices, que incluíam relações imorais com prostitutas de templo. Israel atribuía a sua prosperidade a Baal. Mostrou-se desleal a Yehowah, indigno dele e, assim, tinha de ser disciplinado. Yehowah havia de mostrar-lhe que os seus bens materiais não se originavam de Baal, de modo que ele enviou Oséias para avisar a Israel sobre o que significaria não se arrependerem. Depois da morte de Jeroboão II, Israel enfrentou o seu mais terrível período. Um reinado de terror, com diversos governantes sendo assassinados, continuou até o cativeiro assírio, em 740 AEC. Durante esse tempo, duas facções lutavam entre si, uma delas desejando formar aliança com o Egito, e a outra, com a Assíria. Nenhum dos grupos confiava em Yehowah.

O estilo de escrita de Oséias é revelador. Não raro é terno e sensível na sua fraseologia e repetidas vezes frisa a benevolência e a misericórdia de Yehowah. Ele se delonga em qualquer pequeno sinal de arrependimento que observa. A sua linguagem é, em outros momentos, abrupta e impulsiva. Sua falta de cadência é compensada em força e poder. Expressa profundo sentimento e muda de pensamento com rapidez.

No início de sua carreira profética, Oséias recebeu a ordem de tomar “uma esposa de fornicação”. (1:2) Yehowah por certo tinha um propósito com isso. Israel havia sido para Yehowah como esposa que se tornara infiel, praticando fornicação. Todavia, ele mostraria seu amor por ela e procuraria restaurá-la. A esposa de Oséias, Gômer, podia ilustrar isso com exatidão. Entende-se que, depois do nascimento do primeiro filho, ela se tornou infiel e, pelo que parece, deu à luz os outros filhos em adultério. (2:5-7) Isto é indicado pelo registro dizer que ela “lhe deu [a Oséias] um filho”, mas omite qualquer referência ao profeta em relação ao nascimento dos outros dois filhos. (1:3, 6, 8) O capítulo 3, versículos 1-3, parece falar de Oséias receber de volta a Gômer, comprando-a como se fosse escrava, e isto se enquadra com Yehowah receber de volta a seu povo depois de este se arrepender do seu proceder adúltero.

O reino setentrional de Israel, das dez tribos, a quem principalmente se dirigem as palavras da profecia de Oséias, era também conhecido por Efraim, que era o nome da tribo dominante no reino. Estes nomes, Israel e Efraim, são usados alternadamente no livro.


O ESBOÇO DO LIVRO DE OSEIAS
Esposa do profeta Oseias.......................................................................(Os 1 — 3).
O povo de Oseias.....................................................................................(Os 4 — 14).
Mensagem de julgamento......................................................................(Os 4 — 10).
Mensagem de Amor................................................................................(Os 11 — 14).

                                    AUTOR E DATA 

Oséias era profeta de Israel, filho de Beeri (1.1), viveu durante a “era de ouro” do reinado de Jeroboão II e segundo uma tradição cristã, pertencia à tribo de Issacar. O nome “Oséias” era comum nos tempos do Antigo Testamento e significa “ajuda” ou “livramento”. O nome é derivado da palavra hebraica que significa “salvação”. “Jesus” ou “Yeshua” é uma forma desse nome (Mt 1.21).

O seu livro sugere em muitas particularidades, que Oséias era natural do Reino do Norte/Israel. Foi contemporâneo de Isaías, Amós e Miquéias. Seu ministério começou durante o ministério de Amós ou talvez pouco depois. Sendo natural do Norte, conhecia as más condições existentes em Israel, isso deu peso especial a sua mensagem.

Oséias foi profeta em Israel durante o século VIII a.C., e com a possível exceção de Jonas, foi o único profeta escritor do Reino do Norte.

A prostituição de Israel e a quebra da aliança “conjugal” com Deus, aliadas as ameaças da ofensiva assíria, levaram Oséias a profetizar. Ele deve ter começado seu ministério pouco depois da morte do rei Jeroboão II (753 a.C.). Sua missão no Reino do Norte, provavelmente terminou quando Salmaneser V da Assíria invadiu Israel, saqueou Samaria e deportou mais de 27 mil israelitas para a Mesopotâmia (722 a.C.; conf. 2Rs 17.1-34). É provável que a mensagem de Oséias tenha sido escrita entre a data em que o rei Menaém pagou tributo a Tiglate-Pileser III da Assíria em 739 a.C. (5.13; 8.9; 12.1) e a queda de Samaria em 722 a.C., já que Oséias não menciona este acontecimento. Se Oséias está fazendo alusão ao conflito siro-eframita de 735-734 a.C., nas passagens de 5.8 a 6.6, isso pode ajudar a especificar a data da composição do livro.

Deus mandou Oséias se casar com uma prostituta chamada Gômer, filha de Diblaim. Oséias foi pai de três filhos da infidelidade de Gômer – Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. As circunstancias do casamento de Oséias são essenciais para seu ministério profético, já que o comportamento de sua esposa simbolizava o adultério de Israel e a quebra da aliança com Javé.

O livro de Oséias é o primeiro da coleção de obras proféticas mais curtas, denominada “Os Doze” na Bíblia hebraica. Atualmente os doze livros são chamados de Profetas Menores. Estes livros estão em ordem quase cronológica, das quais Oséias, Amós, Jonas e Miquéias situam-se no começo do Período Neo-Assírio (meados e final do século VIII a.C.). Naum, Habacuque, Sofonias e Obadias são datados do período neobabilônico (final do século VII a.C.). Os outros, Joel, Ageu, Zacarias e Malaquias, são considerados profetas do Período Persa (500 a.C.).

ESFERA DE AÇÃO
Os acontecimentos históricos a que se refere o livro de Oséias cobrem um período de mais ou menos 60 anos.

CONTEXTO DA ÉPOCA
O reinado de Jeroboão II é considerado, muitas vezes como a era de ouro do Reino do Norte. A base para o renascimento político e econômico da nação foi lançada pelo pai de Jeroboão, Jeoás. Antes Jeoás havia liderado três campanhas militares bem-sucedidas contra os sírios ou arameus (2Rs 13.25), libertando Israel da vergonha e opressão do domínio estrangeiro.

Jeroboão II deu continuidade à política de expansão militar, quase restabelecendo todos os limites territoriais de Israel no sentido Leste e Norte da era de Davi e Salomão (2Rs 14.25,28). A perícia militar e a estabilidade econômica produzidas sob a liderança capaz de Jeroboão deram origem à classe de comerciantes ricos em Israel. A riqueza da monarquia de Jeroboão era demonstrada pelo esplendor arquitetônico, luxo e fartura agrícola.

Mas a prosperidade econômica e a segurança política que a nação experimentou durante o reinado de Jeroboão II (793-753 a.C.), foram seguidas de um período de caos político e social e de declínio religioso sob os seis reis seguintes que reinaram por um período total de vinte e cinco anos (2Rs 15.8 – 17.41). Quatro desses reis foram assassinados por aqueles que usurparam seus tronos (Zacarias, Salum, Pecaías e Peca); o rei Oséias tornou-se prisioneiro político (2Rs 17.3-4); apenas Menaém foi sucedido por seu filho (2Rs 15.23).

A Assíria expandia-se em direção a oeste, e Menaém aceitou essa potencia mundial como seu senhor feudal pagando-lhe tributo (2Rs 15.19,20), mas pouco depois em 733 a.C., Israel foi desmembrado pela Assíria por causa da intriga de Peca, que usurpou o trono de Israel assassinando Pecaías, filho e sucessor de Menaém. Somente os territórios de Efraim e de Manasses ocidental sobraram para o rei de Israel. Depois por causa da deslealdade do rei Oséias (sucessor de Peca), Samaria foi conquistada, e seu habitantes exilados em 722-721, causando assim o fim do Reino do Norte.

COMPOSIÇÃO DO LIVRO
As referencias a Judá são consideradas “intrusas” na mensagem de Oséias, pois ele era um profeta no Reino do Norte, Israel. No entanto outros profetas pré-exílicos como Amós e Isaías também mencionam Israel, mesmo pertencendo a Judá (Am 2.4-8; Is 5.7; 48.1). A eliminação dos versículos sobre Judá prejudicaria a compreensão das passagens no contexto mais amplo. Também danificaria o paralelismo da parelha poética de Judá/Efraim ou Israel. Além disso, a maioria das citações descreve Judá de forma desfavorável e não condiz com a idéia de que esses versículos foram acréscimos posteriores de um organizador “pró-Judá”, cujo propósito incluía enaltecer a posição de Judá em relação a Israel.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
O livro de Oséias não foi escrito para contar a história de Oséias, mas para falar sobre Deus e seu relacionamento com o povo da aliança, Israel. Deus enfatiza sua singularidade e soberania (12.19; 13.4). Por causa de sua santidade peculiar (11.9), adorá-lo é a única resposta apropriada (3.5) e ele não tolera exigências rivais. Como soberano tudo está sob seu governo, seja a fertilidade (2.8), a história de Israel (5.14-15) ou as nações (10.10).

A narrativa do relacionamento conjugal de Oséias com a prostituta Gômer nos capítulos 1 – 3 contem biografia e autobiografia. Estes capítulos servem de prefácio às profecias dos capítulos 4 – 14. A história do casamento é disposta no padrão literário conhecido tecnicamente por palístrofe. Essa estrutura equilibra assuntos teológicos importantes voltados a um ensinamento ou idéia fundamental. A falta de conhecimento de Deus por parte de Israel é a “junta” desta construção literária.

As profecias dos capítulos 4 – 14 constituem a extensão biográfica do casamento de Oséias, no sentido de que a união com a prostituta infiel, Gômer, espelhava o relacionamento da aliança de Deus fiel com o Israel desleal. Essa parte de Oséias foi considerada a mais poética de todas as escrituras proféticas. O estilo literário é uma mistura de prosa e poesia chamada “prosa oracular”, característica dos profetas hebreus.

O esboço de quatro pontos, característico dos profetas escritores pré-exílicos, contém oráculos e fornece a estrutura básica da mensagem do livro:

1.     Acusação, incluindo denuncias específicas de violação à aliança (4.1-11).
2.     Julgamento, incluindo destruição e exílio (5.10-8 14).
3.     Instrução, incluindo convite ao arrependimento (6.1-3).
4.     Conseqüências, incluindo a promessa de restauração dos justos (14.1-8)

A linguagem do texto de Oséias origina-se do tema da violação da aliança refletida na ação de Deus contra Israel. A terminologia legal é abundante nas profecias, à medida que Jeová apresenta sua causa contra a nação. Outros aspectos literários peculiares do livro incluem “Israel” e “Efraim” como parelha poética sinônima ou par de palavras referente ao Reino do Norte (4.16-17; 5.3) e o conhecimento do profeta do vocabulário relativo à aliança, por exemplo: voltemos (6.1), conheçamos (6.3), redimi-los (7.13), quebraram, aliança e Lei (8.1), amei (11.1) e acusação (12.2).
A MENSAGEM DE OSÉIAS
A primeira parte do livro, do capítulo de 1 ao 3, narra a vida familiar de Oséias, como símbolo para transmitir a mensagem que o profeta recebera do Senhor para o povo. Deus ordenou a Oséias que se casasse com uma adúltera, Gômer, e cada um de seus filhos recebeu nome simbólico que representava parte da mensagem ameaçadora.

O capítulo 2, alterna entre o relacionamento de Oséias com Gômer e a representação simbólica do relacionamento de Deus com Israel. Os filhos recebem ordens de expulsar de casa a mãe infiel; mas a intenção era reformá-la, não livrar-se dela. Deus ordena que o profeta continue marido, e ele a aceita de volta, mantendo-a em isolamento por algum tempo (cap. 3). Este caso representa de modo pitoresco o relacionamento entre o Senhor e os israelitas que tinham sido desleais a Ele ao adorarem as deidades cananéias como fonte de fartura. O Senhor, porém, continuava amando o povo da aliança e ansiava recebê-los de volta como Oséias recebera sua esposa. Essa volta é relatada numa linguagem figurada que relembra o êxodo do Egito e o estabelecimento de Canaã (1.12; 2.14-23; 3.5; 11.10; 14.4-7).
A segunda parte do livro dos capítulos 4 a 14, oferece os pormenores do envolvimento de Israel na religião de Canaã. Assim como os demais livros proféticos, Oséias transmite um convite ao arrependimento. Israel para não ser destruído, devia abandonar os ídolos e voltar-se para o Senhor (cap. 6 e 14).
Oséias percebeu que o problema básico de Israel era não reconhecer devidamente a Deus (4.6; 13.4). O relacionamento entre Deus e Israel era de amor (2.19; 4.1; 6.6; 10.12; 12.6). A intimidade pactual entre Deus e Israel, ilustra a primeira parte do livro pelo relacionamento conjugal, é mais tarde ampliada da relação pai – filho (11.1-4). A deslealdade para com Deus significava adultério espiritual (4.13,14; 5.4; 9.1). Israel volta-se para o culto a Baal e oferecera sacrifícios nos altos pagãos, o que significava intimidade com as prostitutas cultuais dos santuários (4.14), bem como adoração do bezerro de Samaria (8.5; 10.5-6; 13.2).
Outro importante tema do livro centraliza-se no significado de “conhecer” o Senhor (2.20; 4.1; 5.4; 6.3,6; 13.4). Parece tratar de um termo técnico para a intimidade, lealdade e obediência. O livro ensina que o verdadeiro conhecimento de Deus não se resume em possuir informações corretas a respeito dele, mas inclui a intimidade típica do casamento e da vida em família, intimidade que se evidencia na adoração, no estilo de vida e na lealdade ao Senhor Deus da aliança. Oséias também adverte que o pecado pode iludir o povo, levado-o a pensar que conhece e compreende a Deus, quando na verdade, estão muito distante dele (8.2)
Uma polêmica contra o sincretismo religioso também difunde-se pelo livro (2.2-13; 4.10-19; 5.4; 9.1-10). Repetidas vezes Oséias aponta para o pecado do Reino do Norte de tentar unir a adoração ao Senhor Deus com a religião Cananéia e sua deificação do sexo e da natureza.
Para o profeta, a prostituição de Israel tinha duplo sentido. Além de estar cometendo adultério espiritual contra Deus ao buscar a Baal (7.16) o povo também se prostituía nos atos sexuais associados aos ritos dos cultos de fertilidade dos cananeus (4.13-15). Sem saber se podia confiar em Deus para obter chuva necessária para a vida na Palestina, Israel decidiu misturar javismo e baalismo em uma religião sincretista, mas isso fracassou. Ironicamente a sentença divina sobre a nação atingiu o que eram mais sagrados para o culto a Baal: fartura agrícola (8.7-10), prosperidade material (9.1-4); vitalidade sexual e fertilidade (9.10-17), templos altares e ídolos (10.1-6) e poder militar (10.9-15).
A impossibilidade de união entre Deus e o pecado adverte a igreja a permanecer fiel mesmo em meio a uma cultura que encoraja o compromisso e a aceitação de princípios e crenças incompatíveis com a doutrina bíblica. Além disso, a descrição realista de Oséias sobre o pecado lembra os crentes da natureza e das conseqüências do pecado humano que incorre em julgamento divino (9.9; 13.12); causa graves crises na natureza e na sociedade (4.3) e corrompe a personalidade humana. O povo se torna semelhante aquilo que ama (9.10).
A mensagem do profeta é intensificada pelo efetivo uso que faz das ilustrações. As metáforas mais intensas e de maior extensão derivam-se da experiência humana da intimidade. Oséias retrata o relacionamento entre Deus e seu povo. Em outras figuras Deus é comparado com a traça e com a podridão (5.12), com a chuva serôdia (6.3), com um leão (5.14; 11.10; 13.7-8), com um leopardo (13.7), com uma ursa (13.8) e com um cipreste (14.8).
COMO INTERPRETAR OS ACONTECIMENTOS NA VIDA DE OSÉIAS
A questão de como interpretar os acontecimentos pessoais da vida de Oséias, que fazem um paralelo simbólico à sua mensagem profética, tem deixado perplexos os estudiosos do livro de Oséias. Os detalhes sobre a vida familiar de Oséias nos capítulos 1 e 3 devem ser compreendidos como literais ou alegóricos?
- Há estudiosos que interpretam esses detalhes da vida conjugal de Oséias como alegóricos, por causa da perplexidade moral que viria a causar a ordem de Deus para o profeta casar-se com uma prostituta.
- Existem estudiosos que argumentam que a ordem de Deus no capítulo 2 e versículo 1 se refere ao futuro. Raciocinam que Gômer tenha se tornado uma prostituta apenas após o nascimento do primeiro filho.
- Há ainda os que defendem uma leitura literal modificada, argumentando que Gômer não era uma prostituta comum, mas uma mulher envolvida com a prostituição cultual dos adoradores de Baal.
De forma semelhante tem-se questionado sobre os filhos de Oséias. Seus nomes, como os filhos nascidos de Isaías com a profetisa (Is 8.1-4), tem a intenção de dar um significado apenas simbólico (Is 7.3; Ez 23). Os nomes dados aos filhos de Oséias: Jezreel, Lo-Ruama, que significa desfavorecida; Lo-Ami, que significa vós não sois meu povo. Ilustram propositadamente a mensagem sobre o crescente descontentamento de Deus com a desobediência de Israel, mas também transmitem a mensagem de esperança, renovação, amor e restauração.
Um problema semelhante surge na relação entre o cap. 1, que apresenta um relato na terceira pessoa sobre o casamento de Oséias com Gômer e o nascimento de seus filhos, e o cap. 3 que apresenta um relato na primeira pessoa das instruções de Deus a Oséias quanto a amar uma mulher infiel. Embora esses capítulos tenham sido mais freqüentemente considerados como um relato cronologicamente sequencial de um único casamento, alguns argumentam que duas mulheres e dois casamentos diferentes são descritos nesses capítulos. Outros sugerem que os capítulos não estão em seqüência, mas antes descrevem o mesmo acontecimento.
Por traz desses pontos de vista diferentes estão dificuldades textuais e da tradução do texto hebraico. Por exemplo, a expressão “outra vez” em 3.1 se encontra entre “disse” e “vai” no hebraico, e poderia significar “O Senhor disse outra vez” ou “O Senhor disse: vai outra vez”. Embora as discussões continuem o significado profundo do casamento do profeta como um retrato do relacionamento de Deus com Israel é bastante claro.        
SINOPSE
SEÇÃO I – A apostasia de Israel simbolizada pela experiência do profeta em seu matrimônio, caps. 1 – 3.
SEÇÃO II – Discursos proféticos são principalmente descrições da reincidência e da idolatria do povo, mesclado com ameaças e exortações, cap. 14.
LINGUAGEM FIGURADA
 Usada para expressar a deplorável condição que se encontrava Israel, como por exemplo:
- Vale de Acor: uma porta de esperança (2.15).
- Com o povo se mistura: já não é uma nação separada e santa (7.8).
- Um bolo que não foi virado: farinha por um lado, expressando fraqueza de coração.
- Estrangeiros que lhe comem a força: debilitado pelas más companhias (7.9).
- E as cãs se espalharam sobre ele: velhice prematura e deterioração inconsciente (7.9).
- Como um vaso que ninguém tem prazer: um vaso inútil ao Senhor (8.8).
- Ele ama a opressão: falta de honradez nos negócios (12.7).

Filhos do Adultério

 Foi então que Gômer deu à luz um bebê. Para Oséias isso seria uma renovação de esperança. Talvez quando ele segurou aquele menino nos braços, deve ter raciocinado: "Foi Deus quem o fez. Pois este garotinho tomará uma mão gorducha e a colocará ao redor do meu peito e com a outra enlaçará o coração de Gômer e manterá nossas vidas unidas".

"E disse-lhe o SENHOR: Põe-lhe o nome de Jizreel; porque daqui a pouco visitarei o sangue de Jizreel sobre a casa de Jeú, e farei cessar o reino da casa de Israel" (Oséias 1:4).

Na língua hebraica "Jizreel" significa "se livrar de alguma coisa", deixar algo de lado. Era também o nome de uma cidade que havia desempenhado um papel trágico na história de Israel. A terrível apostasia sob o Rei Acabe e a Rainha Jezabel havia chegado a um desfecho ameaçador, quando a rainha foi atirada de uma janela do seu palácio e o seu corpo foi devorado por cães, nas ruas de Jizreel.

Então quando Deus disse a Oséias que chamasse o seu filho de Jizreel, ele estava tornando o garoto e sua família, uma lição ilustrativa da relação de Deus com o seu povo. É como se hoje um pai judeu chamasse o filho de Dachau, ou Bergen-Belsen, nomes dos campos de horror de Hitler, onde milhões de judeus foram massacrados durante a II Guerra Mundial. Esses nomes, soando aos ouvidos de um judeu hoje em dia, iriam arrancar do cemitério das memórias, fantasmas dos dias passados.

Desse modo, Jizreel era um lembrete a Israel do relacionamento de Deus com o seu povo. Cada vez que Oséias chamasse o seu filho para brincar, cada vez que o chamasse no mercado, esse nome iria soar aos ouvidos de um judeu piedoso como uma nefasta lembrança de que no passado Deus havia sido fiel para lidar com o pecado da nação.

Contudo, apesar do filho pequeno, Gômer não mudou. "E tornou ela a conceber, e deu à luz uma filha. E Deus disse: Põe-lhe o nome de Lo-Ruama; porque eu não tornarei mais a compadecer-me da casa de Israel, mas tudo lhe tirarei" (Oséias 1:6). Este nome significa "desgraça" ou "sem misericórdia".

Depois que Lo-Ruama foi desmamada, Gômer gerou uma terceira criança - o segundo filho. Por ordem de Deus este foi chamado Lo-Ami.

Esses três nomes dos filhos de Oséias significam duas coisas. Primeiro, eles nos dão um esboço do que iria acontecer à nação de Israel. Segundo, eles nos dão um relance quanto ao que iria acontecer com a família do profeta. Pois este terceiro nome Lo-Ami, significa não meu povo. Mostram que em sua amargura e sofrimento de coração, Oséias foi dominado por uma suspeita que se tornou uma certeza condenatória de que essas crianças geradas em seu lar não eram de modo algum seus filhos!

Indo atrás de uma Esposa Infiel

 Muito embora Gômer vivesse em adultério, Oséias não quis divorciar-se dela. O que aconteceu depois pode ser avaliado, conforme a mensagem de Deus dada por Oséias ao seu povo no Capítulo 2. Parece que Gômer o abandonou. Quem sabe ela deixou um bilhete pregado na porta, dizendo-lhe que estaria indo embora para viver sua própria vida, deixando as crianças com Oséias, e que este não deveria ir atrás dela.

Então podemos visualizar o profeta, à noite, colocando na cama, seus filhos para dormir. Ele tem de ser pai e mãe ao mesmo tempo. Ele lhes dá o jantar frugal e escuta suas orações e depois fica velando até que adormeçam. Mas Oséias continua insone. Muito embora Gômer tenha abandonado o lar, não abandonou o seu coração.

Provavelmente, quando Gômer abandonou Oséias, pensou que iria melhorar de vida. "Porque sua mãe se prostituiu; aquela que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atrás de meus amantes, que me dão meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas" (Oséias 2:5). Talvez ela tivesse sido iludida por promessas de alimentos exóticos e roupas excitantes. Mas, como sempre acontece com as pessoas que trilham esse desastroso caminho, que a princípio parece conduzir às alturas, de repente muda e cai até às profundezas.

Todo esse tempo Oséias ficou observando a trilha degradante seguida pela esposa. Eventualmente parece que Gômer caiu nas mãos de um homem incapaz de prover suas necessidades básicas da vida. Mesmo sem o amor da esposa, Oséias deve ter decidido prover suas necessidades. Podemos imaginá-lo indo à casa do amante dela, apresentando-se e dizendo: "O senhor é o homem que está vivendo com Gômer, filha de Diblaim? O homem responde: "Bem, e se eu for?" Oséias diz: "Sou o marido dela". O homem fecha o punho e se prepara para a luta. Oséias diz: "Não, o senhor não entende. Veja, eu amo minha esposa. Amo-a profundamente e gostaria de saber se o senhor receberia um pouco do meu ouro e da minha prata para comprar as coisas de que ela precisa".

O homem olha espantado o profeta. Contudo, ao ver a prata na palma de sua mão, ele pensa: "não existe um tolo maior do que um velho tolo", e concorda com a proposta do profeta.

Vocês me diriam: "Não é lógico um homem pagar em sonante prata e ouro pela manutenção de uma mulher que foi falsa com ele". E concordo plenamente. Mas o caso é que, conforme se vê, Oséias não está agindo pela lógica. Está agindo por amor! "O coração tem razões que a própria razão desconhece" (Blaise Pascal). Pois o amor é de Deus e é infinito. "Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus" (1 João 4:7). Oséias está desempenhando com Gômer o papel que Deus tem desempenhado com você e comigo, durante toda a nossa vida.

Vejamos então este libidinoso crápula, voltando para casa. Seus braços estão cheios de coisas compradas com o dinheiro de Oséias. Gômer sai da cabana, vê o amante com os braços cheios de provisões e se atira sobre ele enlaçando-o e agradecendo pelo que ele fez.

Em algum lugar por trás das sombras, vemos Oséias. Ele tem uma rápida visão de Gômer e esta lhe enche o coração. Ele vê quando Gômer extravasa o seu afeto pelo sensual amante, agradecendo as coisas que o amor do marido lhe proveu. Em lágrimas Oséias diz: "Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o azeite, e que lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal" (Oséias 2:8).

Antes de se zangar com uma mulher como Gômer, gostaria de lembrar-lhe que você e eu temos feito exatamente isso com Deus. É de Sua mão que recebemos o dom da vida. Dele temos recebido o alimento para nossas mesas e as vestes para nossos corpos. Contudo, quão depressa agradecemos a todos e a tudo, exceto a Deus, que no-los deu. Agradecemos aos amigos, ao governo, agradecemos o nosso vigor físico, a tudo e a todos, exceto a Deus, de quem provêm as bênçãos.

Redimindo a Rebelde


 Em Oséias 2:9-23, Deus anuncia o seu plano de dupla face, no sentido de ganhar de volta o seu povo. Primeiro ele diz que lhe trará dureza, privando-o de todos as boas coisas da vida: "Portanto tornarei a tirar o meu grão a seu tempo e o meu mosto no seu tempo determinado; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez" (Oséias 2:9).

Em seguida, quando o seu povo cair na maior miséria, Deus começará a "cortejá-lo" novamente, procurando ganhar-lhe de volta os corações. "Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração" (Oséias 2:14). Tanto a justiça como o amor de Deus, fazem parte do seu plano. Nem a Sua justiça nem o Seu amor permitir-lhe-ão abandonar o seu povo.

Será que Deus nos ama desse modo? Saltando das fontes escriturísticas, está a verdade de que Deus nos ama exatamente assim.

Deus dá ao homem o metal da mina. Deus dá ao homem as árvores da floresta. Deus dá ao homem a destreza manual. O homem com a sua destreza derruba a árvore. O homem com a sua destreza extrai o metal da mina. Depois do metal extraído e da árvore cortada, o homem com a sua destreza pega essa árvore e faz dela uma cruz. Com sua destreza toma o metal e o transforma em pregos.

Em seguida, Deus vem na Pessoa de Jesus Cristo e permite que os homens, com violência cruel, fixem os pregos em suas mãos. Então Ele morre naquela cruz por amor de cada homem que ali o colocou, pelas multidões que zombam ao pé da cruz, pelos soldados que cravaram os pregos em suas mãos. Ele morre ali por eles e por nós, por você e eu, para que tenhamos os nossos pecados perdoados, a fim de obtermos vida eterna e possamos ir morar no céu, para todo o sempre.

No Capítulo 3 descobrimos o último ato deste admirável drama da redenção. Não apenas Gômer caiu nas mãos de um homem incapaz de prover suas necessidades. Ela agora caiu nas mãos de um homem que não queria provê-las. Evidentemente, esse homem decide vendê-la como escrava.

Nos dias em que esta história aconteceu, a escravidão era institucionalizada. Alguns historiadores contam que quando uma mulher era oferecida num leilão de escravos, ela era despida de suas vestes e forçada a permanecer de pé diante da multidão curiosa. Foi evidentemente para esse lugar que Gômer fora levada e para lá Oséias fora chamado.

Vocês podem imaginar o cochicho da multidão e o comentário que ia de boca em boca, quando esta viu Oséias. As pessoas diziam: "Ele veio para observar o que ela merecia. Ele veio para observar o seu castigo".

Então começa o pregão. Alguém oferece dez peças de prata, outro oferece doze. E Oséias diz: "dou quinze peças de prata". Alguém mais diz: "dou quinze peças de prata e um feixe de cevada". Oséias diz: "dou quinze peças de prata e um feixe e meio de cevada". Soa o martelo e Oséias se apressa em redimir a esposa. "E comprei-a para mim por quinze peças de prata, e um ômer, e meio ômer de cevada" (Oséias 3:2).

Enquanto a conduz para longe da multidão, o povo deve ter dito: "é um preço alto pago pela vingança. Por que não apenas deixou que ela fosse vendida como escrava? Por que pagar tanta prata por uma mulher que usou de falsidade?"

Mas Oséias não comprou sua esposa a fim de puni-la, mas para redimi-la. "E ele lhe disse: Tu ficarás comigo muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti" (Oséias 3:3). O que Oséias está sugerindo é : "o que você não faria de sua livre vontade, peço-lhe para fazer agora como uma possessão adquirida".

Isso é o que depreendemos através de toda a Bíblia. Deus diz que nos ama e porque Ele nos redimiu, pede que O sirvamos. O apóstolo Pedro disse aos que estavam sob os seus cuidados: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo" (1 Pedro 1:18,19-a).

O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios, membros de uma igreja culpada de perversão sexual, disse-lhes: "Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Coríntios 6:20).

Palavra Chave
Matrimônio: União voluntária entre um homem e uma mulher.

A mensagem de Oseias começa a partir de sua vida pessoal. O seu casamento com Gomer e o difícil relacionamento familiar ocupam os três primeiros capítulos do livro que leva o seu nome. Deus tinha uma mensagem para o povo, pois a esposa e os filhos de Oseias, assim como o abandono e a prostituição dela, e o seu sofrimento e perdão, são sinais e profecias sobre Israel e Judá ao longo dos séculos.

I. O LIVRO DE OSEIAS

1. Contexto histórico. O ministério de Oseias deu-se no período da supremacia política e militar da Assíria. Ele profetizou em Samaria, capital do Reino do Norte, durante os “dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (1.1). A soma desses anos deve ser reduzida significativamente porque Jotão foi corregente com seu pai, Uzias, e da mesma forma Ezequias reinou com Acabe, seu pai (2 Rs 15.5; 18.1,2,9,10,13).
Esses dados fornecidos pelo profeta nos permitem datar o seu ministério entre 793-753 a.C. Jeroboão II, reinou 41 anos num período de prosperidade econômica, mas também de apostasia generalizada (2 Rs 14.23-29).
2. Estrutura. A revelação foi entregue ao profeta pela palavra “dita a Oseias” (1.1a). A segunda declaração: “O princípio da palavra do Senhor por Oseias” (1.2a), reitera a forma de comunicação do versículo anterior. Também esclarece que a ordem para Oseias se casar com “uma mulher de prostituições” aconteceu no começo do seu ministério, como fica claro na ARA e na TB (1.2b).
O livro pode ser dividido em duas partes principais. A primeira é uma biografia profética escrita em prosa que descreve a crise do relacionamento de Oseias com sua esposa infiel, ao mesmo tempo que compara essa crise conjugal com a infidelidade e a apostasia do seu povo (1-3). A segunda parte é escrita em forma poética e se constitui de profecias proferidas durante um longo intervalo de tempo (4-14).
3. Mensagem. O assunto do livro é a apostasia de Israel e o grande amor de Deus revelado, que compreende advertência, juízo divino e promessas de restauração futura (8.11-14; 11.1-9; 14.4-9). Mesmo num contexto de decadência moral, o oráculo descreve o amor de Deus de maneira bela e surpreendente (2.14-16; 6.1-4; 11.1-4; 14.4-8). Seus oráculos são cheios de metáforas e símbolos dirigidos aos contemporâneos. Sua mensagem denuncia o pecado do povo e a corrupção das instituições sociais, políticas e religiosas das dez tribos do norte (5.1). Oseias é citado no Novo Testamento (1.10; 2.23 cp. Rm 9.25,26; 6.6 cp. Mt 9.13; 12.7; 11.1 cp. Mt 2.15).O livro do profeta Oseias é repleto de metáforas e símbolos. Sua mensagem denuncia o pecado e a corrupção do povo.



II. O MATRIMÔNIO

1. Etimologia. Os termos “casamento” e “matrimônio” são equivalentes e ambos usados para traduzir o grego gamos, que indica também “bodas” (Jo 2.1,2) e “leito” conjugal (Hb 13.4). Trata-se de uma instituição estabelecida pelo Criador desde a criação, na qual um homem e uma mulher se unem em relação legal, social, espiritual e de caráter indissolúvel (Gn 2.20-24; Mt 19.5,6). É no casamento que acontece o processo legítimo de procriação (Gn 1.27,28), gerando a oportunidade para a felicidade humana e o companheirismo.
2. Simbolismo. A intimidade, o amor, a beleza, o gozo e a reciprocidade que o casamento proporciona fazem dele o símbolo da união e do relacionamento entre Cristo e a sua Igreja (2 Co 11.2; Ef 5.31-33; Ap 19.7). Essa figura é notada desde o Antigo Testamento.
3. A ordem divina para o casamento de Oseias. Considerando a santidade do casamento confirmada em toda a Bíblia, a ordem divina parece contradizer tudo o que as Escrituras falam sobre o matrimônio. Temos dificuldade em aceitá-la, mas qualquer interpretação contra o caráter literal do texto é forçada. Quando Jeová deu a ordem, acrescentou: “porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR” (1.2b). Isso era literal. A infidelidade a Deus é em si mesma um adultério espiritual (Jr 3.1,2; Tg 4.4), ainda mais quando se trata do culto a Baal, que envolvia a chamada prostituição sagrada (4.13,14; Jz 8.33).O matrimônio de Oseias com Gomer simboliza a infidelidade do povo em relação a Deus.



III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO

1. O casamento restaurado. O amor é o tema central de Oseias. Com ele, Israel será atraído por Jeová (11.4; Jr 31.3). O deserto foi o lugar do julgamento (2.3) e nele Israel achou graça, tal qual a noiva perante o noivo (Êx 5.1; Jr 2.2). A expressão “e lhe falarei ao coração” (2.14) é a linguagem de um esposo falando amorosamente à esposa (4.13,14; Gn 34.3; Jz 19.3). Nós fomos atraídos e alvejados pelo amor de Deus (Rm 5.6-8).
2. O vale de Acor e a porta de esperança. Há aqui uma menção do monumento erguido no vale de Acor, onde Acã pagou pelos seus crimes e foi executado com toda a sua casa (Js 7.2-26). A promessa é que esse vale não será mais lembrado como lugar de castigo. Será transformado em lugar de restauração (Is 65.10), cujas vinhas serão dadas “por porta de esperança” (2.15).
3. A reconciliação. A sentença de divórcio (2.2) será anulada: “desposar-te-ei comigo para sempre” (2.19). O baalismo generalizado (2.13) virá a ser transformado em conversão nacional e genuína. Todo o povo servirá a Jeová em fidelidade, e cada um voltará a ter conhecimento do Deus verdadeiro (2.20).A linguagem da reconciliação no livro de Oseias é apresentada através do amor, tema principal do oráculo divino neste livro.



IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL

1. Meu marido, e não meu Baal. A fórmula “naquele dia” (2.6,18,21) é escatológica (Jl 3.18). As expressões “meu marido” e “meu Baal”, em hebraico ishi e baali, são um jogo de palavras muito significativo.
a) Significados. A palavra ish significa “homem, marido” (Gn 2.24; 3.6); e baal, ou baalim, no plural, quer dizer “dono, marido” (Êx 21.29; 2 Sm 11.26). O termo também é aplicado metaforicamente a Deus, como marido: “Porque o teu Criador é o teu marido” (Is 54.5). A palavra “baal”, como “dono, proprietário”, aparece 84 vezes no Antigo Testamento, sendo 15 delas como esposo de uma mulher, portanto “marido”.
b) Divindade dos cananeus. Como nome da divindade nacional dos fenícios com a qual Israel e Judá estavam envolvidos naquela época, aparece 58 vezes, sendo 18 delas no plural. Essa palavra se corrompeu por causa da idolatria e por isso Jeová não será mais chamado de “meu Baal”, mas de “meu marido” (2.16).
2. O fim do baalismo. Os ídolos desaparecerão da terra (Jr 10.11). Isso inclui os baalins, cuja memória será execrada para sempre, uma vez que a palavra profética anuncia o fim definitivo do baalismo: “os seus nomes não virão mais em memória” (2.17). Apesar de a promessa divina ser escatológica, esses deuses são hoje repulsa nacional em Israel.O baalismo foi definitivamente extinguido em Israel. Isso pode ser confirmado até hoje.O emprego das coisas do dia a dia como ilustração facilita a compreensão da mensagem divina, e a Bíblia está repleta desses recursos literários. O casamento é o símbolo perfeito para compreendermos o relacionamento de Deus com o seu povo, e do Senhor Jesus Cristo com o cristão.

Subsídio Bibliológico

“Livro de Oseias
[...] Quando Oseias iniciou seu ministério, Israel estava desfrutando o zênite da sua prosperidade e poder sob o reinado de Jeroboão II. Para entender melhor o livro de Oseias, leia 2 Reis 14.23 a 15.31. Oseias distinguia as dez tribos pelo nome de Israel, ou de Samaria, sua capital, ou de Efraim, a tribo principal. Oseias não morreu antes de ver o cumprimento de suas profecias.
O autor: Oseias, 1.1.
A chave: Adultério espiritual, 4.12. A idolatria com toda espécie de vício, permeava todas as classes sociais. Oseias por mais ou menos 60 anos condenava do modo mais veemente o procedimento do povo, qualificando-o de adultério. Continuava seus avisos sem resultados, o que é um tocante exemplo de perseverança no meio dos maiores desânimos.
As divisões:
I. Israel, a esposa infiel de Deus, caps. 1 a 3;
II. Israel pecaminoso, 4.1 a 13.8;
III. Israel restaurado, 13.9 a 14.9”.
(BOYER, O. Pequena Enciclopédia Bíblica. 2 ed., RJ: CPAD, 2008, p.394)

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“Diante de tudo que temos estudado podemos compreender que o homem tem sido ingrato e rebelde e mesmo assim Deus trabalha para a redenção humana. Primeiro levantou um povo na antiguidade para a glória de seu nome: Israel. Esse povo fracassou, mas ainda será restaurado. Quando Israel fracassou, rejeitando o seu Messias, Deus levantou outro povo, a Igreja.
É comum encontrar no livro do profeta Oseias as promessas de bênçãos após as advertências de juízos, isso revela o grande amor de Deus por seu povo e isso é confirmado no Novo Testamento pela expressão: ‘Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo’ (2 Tm 2.13).
Depois de anunciar o fim da casa de Israel, ‘farei cessar o reino da casa de Israel’ (1.4), e de afirmar que Israel não é mais seu povo, ‘porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus’ (1.9), logo em seguida afirma que os filhos de Israel são povo de Deus e também chama de filhos de Deus. Não há nisso contradição alguma, pois essa promessa é escatológica, vem depois dos juízos anunciados nesse capítulo, em outros lugares do livro de Oseias.
Vemos que no Velho Testamento, Jeová se utilizou da experiência de seu povo para se revelar a si mesmo de maneira progressiva, culminando com a manifestação de sua plenitude na Pessoa de seu Filho Jesus Cristo (Cl 2.9). Agora, em Oseias, começa-se a vislumbrar o amor de Jeová pelo seu povo e por toda a humanidade, amor manifestado no calvário (Jo 3.16)” (SOARES, E. Oseias: A restauração dos filhos de Deus. 1 ed., RJ: CPAD, 2002, p.53).

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

O primeiro dos profetas menores é Oseias. Ele foi profeta às 10 tribos do Norte, à nação de Israel já dividida. Notemos que por ocasião de seu ministério, Israel experimentou o exílio pelos assírios. Antes de Oseias falecer, Samaria, a capital da nação do Norte, caiu, cumprindo o que Oseias havia predito. Profetas como Amós, Isaías e Miqueias foram contemporâneos de Oseias, sendo que o primeiro profetizou para o Reino do Norte, ao passo que os dois últimos profetizaram no reino do Sul.
O nome Oseias significa Salvação. Esse nome difere de Josué e de Jesus, pois eles significam “Jeová é Salvação”. Ele também é tido como “o mais gentil dos profetas do Antigo Testamento” (Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, pág.523). Ao longo de seu livro, Oseias é apresentado como um homem casado com uma mulher infiel. De forma sintética e didática, podemos dividir o livro de Oseias em duas grandes partes. Nos capítulos 1 a 3, Oseias se casa com Gomer e tem três filhos com ela. Mas Gomer abandona o marido e vai buscar o amor de outros homens. Oseias recebe de volta sua esposa adúltera, comprando-a de volta em um mercado de escravos! Já nos capítulos 4 a 14, vemos a tristeza de Deus para com Israel, e a advertência de Oseias para com a nação: eles seriam levados para a Assíria cativos. Apesar de tudo, da mesma forma que Oseias recebe de volta sua esposa infiel, demonstrando amor e misericórdia, Deus receberá de volta a Israel, um povo desta vez amadurecido pela adversidade e pelo reconhecimento de que só o Senhor é Deus.
E certo que Gomer pagou um alto preço por ser infiel a Oseias. De uma mulher honrada passou a ser adúltera, e depois, escrava, tendo sido resgatada por aquele a quem ela desprezou. Da mesma forma que Gomer, Israel abandonou ao Senhor, que lhe deu um nome e o transformou de um bando de escravos dos egípcios em uma nação forte e reconhecida no cenário internacional. Apesar de tudo o que Deus fez por eles, os israelitas não valorizaram sua posição e se deixaram levar pela adoração a outros deuses, sendo, portanto, punidos pelos seus pecados.

Oseias apresenta uma profecia que se cumpriu na pessoa de Jesus Cristo: “Do Egito chamei a meu filho” (Os 11.1), uma referência ao retorno de José e Maria com o menino Jesus para Israel, após a morte daqueles que queriam matar o Senhor quando Ele era ainda uma criança indefesa e totalmente dependente de seus pais. Esses dois eventos ocorreram séculos depois.

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