ULTIMA PAGINA POSTADA DA ESCOLA DOMINICAL TODOS ASSUNTOS DO BLOG

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Subsidio adultos a salvação na pascoa (2)


           


Neste capítulo veremos de que forma os acontecimentos de uma noite mudaram a história dos egípcios e do povo de Israel. A celebração da Páscoa teve significados distintos para hebreus e egípcios, pois na noite em que foi instituída, houve lamento no Egito, mas a seguir ocorreu a libertação prometida por Deus para os seus filhos.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 35.

PÁSCOA 1 Esta palavra aparece várias vezes na Bíblia Sagrada. Porém na versão KJV em inglês ela aparece apenas uma vez (At 12.4). É usada como tradução do termo grego pascha, que é corretamente traduzido como "páscoa" nas passagens onde consta no Novo Testamento. A palavra "Páscoa" em inglês ("Easter") é derivada do nome de uma deusa teutônica da primavera, "Eastre", e foi adaptada pelos cristãos ao uso atual aprox. no século VIII d.C.
PÁSCOA 2 Festa instituída por Deus para Israel, na época do Êxodo, para celebrar a noite em que o Senhor Jeová poupou todos os recém nascidos primogênitos dos israelitas e matou todos os primogênitos dos egípcios (Êx 12.1-30,43-49). A palavra hebraica pesah (do grego pascha) tem uma origem incerta. G. E. Mendenhall a relaciona com a palavra acadiana pashu, que consta na carta Amarna 74.37 para descrever a paz ou a segurança que resulta do estabelecimento de uma aliança (BASOR, #133 [1954], p. 29). B. Couroyer sugere que este termo é uma transliteração de duas palavras egípcias p3 sh, 'Te coup" (o golpe, a pancada), e que ele refere-se ao golpe infligido pelo Senhor à terra do Egito na décima praga. Ele acredita que a expressão egípcia foi colocada ao lado de uma raiz hebraica composta pelas mesmas consoantes, pasah, que significa saltar ou passar (por cima) como em 1 Reis 18.26. Devido à sua conexão com a isenção dos primogénitos de Israel, pesah veio a ter o sentido da misericordiosa intenção de Jeová ao passar por cima das casas que foram marcadas com sangue ("Uorigine égyptienne du mot 'Pâque'", Revue Biblique, LXII [1955], 481-496). 
O verbo pasah ocorre em Êxodo 12.13,23,27, onde obviamente significa que o Senhor pulou ou saltou por cima e, desse modo, poupou as casas israelitas quando feriu os egípcios (Outro verbo com os mesmos radicais significa mancar ou ser manco; 2 Samuel 4.4.) A outra única ocorrência, no sentido de poupar ou proteger, está em Isaías 31.5, onde pasah está em um paralelo com outros três verbos que significam "proteger", "libertar" e "salvar". É possível que em Isaías o significado possa ter sido estabelecido pelo uso em Êxodo 12 e não por refletir o significado original da raiz. Portanto, não se pode afirmar que o substantivo pesah deriva ou não do verbo pasah, que originalmente significava passar por cima. Quanto à observação cerimonial da festa da Páscoa no AT, Veja Festividades; Sacrifícios; Adoração.

No AT, é feita uma referência à celebração da primeira Páscoa por Moisés, com a aspersão de sangue para que os primogênitos israelitas não fossem tocados (Hb 11.28). Existem muitas outras referências a festas da Páscoa durante a vida do Senhor Jesus. Ainda criança, todos os anos Ele era levado por seus pais a Jerusalém para a Festa da Páscoa (Lc 2.41). No quarto evangelho, três Páscoas são definitivamente mencionadas durante o ministério do Senhor Jesus (Jo 2.13,23; 6.4; 11.55; 12.1; 13;1; 18.28,39; 19.14) e acredita-se que a festa mencionada em João 5.1 seria a quarta Páscoa. Na época de Cristo, o cordeiro pascal (geralmente um cordeiro ou cabrito de um ano, mas veja Êxodo 12.5) era ritualmente sacrificado na área do Templo. Essa refeição, no entanto, podia ser comida em qualquer casa da cidade.
 Um grupo comunitário, como o de Jesus e seus discípulos, podia celebrar a Páscoa em conjunto, com se formasse uma unidade familiar. Cerca de 120.000 a 180.000 judeus compareciam a Jerusalém para essa e outras festas anuais, sendo que a grande maioria deles era formada por peregrinos vindos de países da Diáspora (J. Jeremias, Jerusalém in the Time of Jesus, Filadélfia. Fortress, 1969, pp. 58-84). Depois da destruição do Templo no ano 70 d.C, as provisões para o sacrifício de um animal, sob a forma de um ritual, cessaram totalmente e a Páscoa dos judeus passou a ser uma simples cerimônia familiar, uma refeição sem derramamento de sangue. Atualmente, apenas os samaritanos (q.v.), em sua cerimônia anual da Páscoa no monte Gerizim, sacrificam cordeiros ou cabritos visando cumprir a ordem de Êxodo 12. Uma última passagem do NT desenvolve claramente o significado tipológico da Páscoa e da Festa dos Pães Asmos para o cristão. Paulo conclama os coríntios a eliminar o fermento da malícia e da iniquidade, e observar diariamente a festa "porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Co 5.7). Dessa forma, Paulo declara diretamente que Cristo é o "nosso Cordeiro pascal", conforme o pronunciamento de João Batista de que Jesus é "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Devido a estas passagens, e a ensinos semelhantes, a Igreja primitiva veio a entender que a Ceia do Senhor (q.v.) substitui completamente a celebração da Páscoa.PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1467-1468.

I - A PÁSCOA.

1. Para os egípcios.

Para que possamos entender o significado da Páscoa para os egípcios, é preciso que recordemos o que ocorreu nos últimos dias antes de ela acontecer.
Moisés já havia falado com Faraó sobre ele libertar Israel, mas o rei não cedeu, mesmo com o envio de pragas assustadoras que atacaram profundamente a vida dos egípcios. Entretanto, Deus ainda tinha mais um julgamento contra o Egito, um julgamento tal que aquela nação entraria em prantos: a morte dos primeiros filhos de cada família egípcia. A Páscoa foi um duro julgamento de Deus para com as atrocidades cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. Não podemos nos esquecer de que, no início do livro de Êxodo, Faraó ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem os meninos recém-nascidos. Como elas não o fizeram, a ordem foi dada a qualquer egípcio. Isso significa que qualquer egípcio poderia entrar numa casa hebreia, ver se ali havia algum menino e, caso o encontrasse, poderia pegar o bebê e levá-lo para ser jogado no Rio Nilo, onde se afogaria ou seria alimento para os crocodilos.
Se nessa época as casas dos hebreus poderiam ser invadidas, na Páscoa as casas dos egípcios não poderiam proteger os seus primogênitos, pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o mandado de Deus. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. Mas por causa da dureza de coração do rei, seus súditos pagaram um alto preço. Lembremo-nos de que Moisés tinha advertido a Faraó antes, deixando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso acontecesse), e a última resposta do rei para Moisés, antes da Páscoa, foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto; porque, no dia em que vires o meu rosto, morrerás” (Êx 10.28). Por essa resposta, entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com Deus, e assinou a ordem divina para a morte dos primogênitos. Ele não quis obedecer às ordens de Deus, e isso lhe custaria a vida do próprio filho."Deus tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Naquela noite, obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas."COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 35-36.

Êx 11.4 O Senhor. Yahweh tinha-o informado. Cerca da meia-noite, o anjo da morte, o destruidor (Êxo. 12.23), iniciaria a sua missão destrutiva. Todas as pragas anteriores seriam como nada em comparação com a décima. Israel seria poupado (vs. 7); seus primogênitos nada sofreriam.

O Faraó tinha, no Egito, a reputação de ser um deus, uma encarnação de Rá, o deus-sol. A mitologia egípcia contava a história de como, a cada noite, o deus- sol precisava lutar e vencer os poderes das trevas, sob a forma do deus-serpente, Apófis. A cada noite era obtida a vitória. Mas naquela noite, à meia-noite, o poder das trevas, Rá, seria derrotado, e isso do ponto de vista dos egípcios.

Os versículos primeiro a terceiro deste capítulo formam um parêntese. O quarto versículo dá continuação ao diálogo de Êxodo 10.29. O Faraó tinha sido advertido pela última vez. Moisés disse ao Faraó que os dois nunca mais se veriam face a face. Antes, o Faraó teria de enfrentar Yahweh, sob a forma de seu anjo vingador. E o Faraó em breve haveria de querer ver Moisés novamente (Êxo. 12.31).Êx 11.5 Nenhum filho primogênito, humano ou animal, seria poupado. Agora a ameaça era de uma destruição deveras devastadora. “A morte dos primogênitos simboliza a derrota imposta por Deus ao Egito, mediante o triunfo sobre os seus deuses. De acordo com o pensamento dos hebreus, os primogênitos representavam o todo. O domínio sobre o Egito, como uma entidade independente, chegara ao fim. Seus deuses estavam mortos” (J. Edgar Park, in loc).

Os Animais aos quais os Egípcios Adoravam Também Estavam Mortos. Visto que os primogênitos eram do sexo masculino, as meninas escaparam completa mente. Mas o orgulho e as esperanças de cada família giravam em torno do amado filho primogênito. Ele representava a continuação da linhagem, o transmissor da herança. Portanto, nenhuma aflição pior poderia ser imaginada do que a morte em massa dos filhos primogênitos.Nenhuma família egípcia escaparia à calamidade que atingiria em cheio o deus-sol do Faraó, desde a humilde criada que, subitamente, perderia seu querido primeiro filho, até o próprio rei, desde o menor até o maior; desde o mais pobre até o mais rico; desde os culpados até os inocentes.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 346.

A Páscoa e os egípcios (Êx 11:1-10)

O povo do Egito havia sido transtornado pelas seis primeiras pragas; sua terra e seus bens haviam sido devastados pelas duas pragas seguintes. A nona praga - três dias de escuridão - havia preparado o caminho para a mais terrível de todas as pragas, quando mensageiros da morte visitariam a terra. "Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males" (SI 78:49).
Moisés ouviu a Palavra de Deus (vv. 1-3). Esses versículos descrevem o que aconteceu antes de Moisés ser convocado para ir ao palácio e ouvir a última oferta do Faraó (Êx 10:24-29). O discurso de Moisés (Êx 11:4-8) foi apresentado entre os versículos 26 e 27 do capítulo 10 e terminou com Moisés deixando a sala do trono ardendo em ira (Êx 10:29; 11:8).
Deus disse a Moisés que enviaria mais uma praga ao Egito, uma praga tão terrível que o Faraó não apenas deixaria como também ordenaria que os israelitas partissem. O Faraó os expulsaria da terra e, assim, cumpriria a promessa que Deus havia feito mesmo antes de começarem as pragas (Êx 6:1; ver 12:31, 32, 39).
Moisés disse ao povo que havia chegado a hora de receberem seus pagamentos atrasados por todo o trabalho que eles e seus ancestrais haviam feito como escravos no Egito. A palavra hebraica para essa coleta é traduzida pelo verbo "pedir" ("peça"; v. 2). Os hebreus não tinham a intenção de devolver o que os egípcios lhes dessem, pois aquela riqueza era pagamento por uma dívida pendente do Egito para com Israel.
Deus havia prometido a Abraão que seus descendentes deixariam o Egito com "grandes riquezas" (Gn 15:14) e repetiu essa promessa a Moisés (Êx 3:21, 22). Deus havia tornado seu servo, Moisés, extremamente respeitado no meio dos egípcios e também faria com que os hebreus alcançassem o favor dos egípcios, de modo que estes dariam livremente sua riqueza ao povo de Israel (Êx 12:36, 37).
Moisés advertiu o Faraó (w. 4-10). Essa foi a última vez que Moisés dirigiu-se ao Faraó, que rejeitou suas palavras como havia feito com todas as outras advertências. O Faraó não tinha qualquer temor de Deus em seu coração e, portanto, não levou a sério o que Moisés lhe disse. No entanto, ao rejeitar a Palavra de Deus, o Faraó causou a morte dos mais excelentes jovens de sua terra e trouxe profunda tristeza sobre si e sobre seu povo.
Há duas perguntas que devem ser tratadas neste ponto: (1) Por que Deus matou apenas os primogênitos? (2) Foi justo Deus fazer isso, uma vez que o Faraó era o único culpado? Ao responder à primeira pergunta. também contribuímos para a resposta da segunda.
Na maioria das culturas, os filhos primogênitos eram considerados especiais e, no Egito, eram tidos como sagrados. Devemos nos lembrar de que Deus chama Israel de seu filho primogênito (Êx 4:22; Jr 31:9; Os 11:1). Logo no início do conflito, Moisés advertiu o Faraó de que a maneira como ele tratasse o primogênito de Deus determinaria como Deus trataria os primogênitos do Egito (Êx 4:22, 23). O Faraó havia tentado matar todos os bebês hebreus do sexo masculino e seus oficiais haviam maltratado os escravos hebreus com brutalidade, de modo que, ao matar os primogênitos, o Senhor estava simplesmente pagando ao Faraó com sua própria moeda.
A compensação é uma lei fundamental da vida (Mt 7:1, 2), e Deus não é injusto quando permite que essa lei funcione no mundo. O Faraó afogou os bebês hebreus, de modo que Deus afogou o exército do Faraó (Êx 14:26-31; 15:4, 5). Jacó mentiu para o pai, Isaque (Gn 27:15-17), e, anos depois, os filhos de Jacó mentiram para ele (Gn 37:31-35). Davi cometeu adultério e mandou matar o marido de Bate-Seba (2 Sm 11); a filha de Davi foi estuprada e dois de seus filhos morreram assassinados (2 Sm 13; 18). Hamã construiu uma forca para matar Mordecai, mas o próprio Hamã acabou enforcado nela (Et 7:7-10). "Não vos enganeis, de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6:7).
Quanto à justiça da décima praga, quem pode julgar os atos do Senhor, quando a "justiça e direito são o fundamento do seu trono" (Sl 89:14)? Por outro lado, por que a resistência de um homem a Deus deveria levar à morte de tantos jovens inocentes? No entanto, acontecimentos semelhantes ocorrem em nosso mundo hoje em dia. Quantos homens e mulheres que morreram como soldados em combate tiveram a oportunidade de votar a favor ou contra uma declaração de guerra? E quanto à "inocência" desses primogênitos, só Deus conhece o coração humano e pode dispensar sua justiça com perfeição. "Não fará justiça o juiz de toda a terra?" (Gn 18:25).
Ao ler o Livro de Gênesis, descobre-se que, com frequência, Deus rejeitou o primogênito e escolheu o filho seguinte para dar continuidade à linhagem da família e receber a bênção especial do Senhor. Deus escolheu Abel, depois Sete, mas não Caim; escolheu Sem e não Jafé; Isaque e não Ismael; Jacó e não Esaú. Essas escolhas não apenas exaltam a graça soberana de Deus, como também servem de símbolo para dizer que nosso primeiro nascimento não é aceito por Deus. Devemos passar por um segundo nascimento - o nascimento espiritual - a fim de que Deus possa nos aceitar (Jo 1:12, 13; 3:1-18). O filho primogênito representa o que há de melhor na humanidade, mas não é bom o suficiente para um Deus santo. Por causa de nosso primeiro nascimento, herdamos a natureza pecaminosa de Adão e estamos perdidos (Sl 51:5, 6). Contudo, quando nascemos de novo, por meio da fé em Cristo, recebemos a natureza divina do Senhor e somos aceitos em Cristo (2 Pe 1:1-4; Gl 4:6; Rm 8:9).
O Faraó e o povo egípcio pecaram contra a manifestação clara do Senhor e insultaram a misericórdia de Deus. O Senhor havia suportado com longanimidade a rebeldia e arrogância do rei do Egito bem como seu tratamento cruel para com o povo de Israel.
Deus havia avisado o Faraó várias vezes, mas ele se recusou a submeter-se. Jeová havia humilhado publicamente os deuses e deusas e provado ser o único e verdadeiro Deus vivo, e, ainda assim, a nação não creu. "Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal" (Ec 8:11). A misericórdia de Deus deveria ter conduzido o Faraó à sujeição; mas, em vez disso, ele endureceu o coração repetidamente. Os oficiais do Faraó humilharam-se diante de Moisés (Êx 3:8), então por que o Faraó não pôde seguir o exemplo deles? "A soberba precede a ruína, e a altivez de espírito, a queda" (Pv 16:18).WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 256-257.

2. Para Israel.

Se para os egípcios a noite da Páscoa foi uma noite de desgraça, para os hebreus a noite era de expectativa em relação ao que Deus dissera por intermédio de Moisés. Havia uma ordem para que os judeus matassem um cordeiro, comessem-no com ervas amargas e pão sem fermento, e não se esquecessem de colocar o sangue daquele animal nas ombreiras e na verga da porta. E essa ordem era seguida de uma promessa: “vendo eu sangue, passarei por cima de vós” (Êx 12.13). Deus tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Naquela noite, obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. Moisés repassou essa informação ao povo: “Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios, porém, quando vir o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (Êx 12.23).
Para eles, obedecer ao mandamento de Deus foi um ato de fé. Charles Swindoll comenta acerca das ordens de Deus em relação a passar o sangue do cordeiro nos umbrais da porta:Pare e pense um momento sobre essas instruções. Que razão lógica havia para fazer essas coisas com o sangue do cordeiro? Você diz: “Deus mandou fazer isso”. E verdade. Essa é a resposta. Nesse ponto, essa era a única razão de que precisavam. Não havia poder no sangue seco de um cordeiro morto. Todavia, em sua sabedoria insondável, Deus preparou um plano que só exigia uma coisa — obediência.
O que Deus espera hoje de nós que esperava dos israelitas no Egito? Obediência.Essa palavra muitas vezes tem colocado nossos pensamentos confrontando nossas atitudes. Não raro, sabemos como obedecer a Deus. Sabemos também que Deus espera que não apenas saibamos como proceder em nossa vida, mas espera que saibamos obedecer a Ele integralmente.
Se você acha que obedecer a Deus não faz muita diferença, desejo relembrar-lhe o caso de Saul, o primeiro rei de Israel. Saul foi escolhido por Deus para ser o primeiro governante da nação, mas a cada ordem recebida de Deus, resolvia fazer do seu próprio jeito, o que acarretava em desobediência completa ao que Deus lhe havia dito.
Em uma dessas ordens dadas a Saul, Deus lhe disse que se lembrava do que os amalequitas tinham feito contra os israelitas quando estavam no deserto. Chegara a hora da retribuição divina às atitudes dos amalequitas, que seriam destruídos por Saul. A ordem foi dada, mas Saul poupou o rei daquela nação e o seu gado, e ainda acreditou que estava obedecendo ao que Deus disse acerca dessa situação. Todavia, não foi o que aconteceu: “Então, veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1 Sm 15.10, 11). Como Deus disse que Saul não executou as ordens dadas? Ele não estava sendo exagerado nesse quesito? Não! Depois de poupar o rei e o gado, veja o que aconteceu:
Veio, pois, Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor; executei a palavra do Senhor. Então, disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço?
E disse Saul: De Amaleque as trouxeram; porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas, para as oferecer ao Senhor, teu Deus; o resto, porém, temos destruído totalmente. (1 Sm 15.13-15)
Deus havia pedido que Saul trouxesse animais para holocaustos? Não. A ordem dada não fora cumprida integralmente, e isso para Deus foi uma desobediência completa. Samuel chamou Saul e lhe perguntou se o Senhor tinha mais prazer em ofertas do que tinha prazer na obediência de seus servos.
Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei. (1 Sm 15.22, 23).A obediência tem um preço, e a desobediência também. No caso de Saul, seu reino foi rejeitado porque ele não estava mais seguindo ao Senhor. E Saul aprendeu da pior forma a diferença entre obedecer e desobedecer a Deus: se ele fosse obediente, seu reino seria confirmado para sempre. O nome dele entraria para a história como o grande rei que Deus escolheu para ser coluna em Israel. Ele seria lembrado como o homem que obedeceu a Deus e que jamais teria sua memória apagada de Israel.
Além disso, ninguém disse a Saul que Deus preferia receber sacrifícios a obediência, pois isso seria ilógico. É o mesmo que dizer: “Não preciso obedecer a Deus completamente. Basta oferecer a Ele alguma coisa e sua ira vai ser deixada de lado”. Deus não pode ser comprado por objetos ou oferendas. Ele pode receber nossa obediência por um ato de fé. Para Saul, obedecer parcialmente ao que Deus mandara lhe custou o reino. Para os israelitas, obedecer integralmente ao que Deus mandara preservaria a vida de todos os seus primogênitos. Obedecer faz a diferença tanto quanto desobedecer.
Obedecer faz diferença. Para os israelitas no Egito, a obediência preservou a vida do filho mais velho de cada família israelita. Já pensou se sua obediência a Deus preservasse seu filho, se você é pai ou mãe, e a sua desobediência lhe custasse seu primogênito?
Charles Swindoll continua seu pensamento:
Ele nunca pediu que refletissem sobre isso. Nunca pediu que conversassem sobre a ordem. Nunca pediu que considerassem a ideia e decidissem se concordavam com ela. Ele simplesmente lhes disse o que fazer e quando. A seguir, disse a eles o que aconteceria como resultado de sua estrita obediência às suas ordens.Que atitudes dos pais israelitas fez com que seus primogênitos fossem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Ele disse. Fé e obediência precisam caminhar juntas.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 36-39.

A FESTA DA LIBERTAÇÃO.
 A Páscoa oferece um vasto campo para especulação por causa da grande variedade de características: mancha de sangue, saltos, “uma noite de vigia”, o cordeiro sacrificial, as primícias da cevada, a ceia sagrada, etc. Essas características se assemelham a rimais praticados fora de Israel. Não é de se admirar que os estudiosos a considerem uma festa enigmática. Alguns não consideram Êxodo 1-14 como um registro dos eventos, mas como uma lenda cúltica que tenta glorificar a saída do Egito (Pederson, Israel: Its Life and Culture, III-IV, 726ss.). A suposição repousa sobre um equívoco: o verdadeiro propósito da Páscoa era glorificar o Deus de Israel. Seria inútil esperar dados históricos fora dos próprios termos do escritor. No centro de Êxodo 1-14 está o Deus de Israel, que realiza feitos poderosos em favor do seu povo (cp. G. von Rad, The Problem of the Hexateuch [1965], 52). A história bíblica é escrita com um propósito, e o propósito é atestar os atos graciosos de Deus. Israel compreende sua liberdade como um milagre operado por YHWH que, com “poderosa mão e com braço estendido” levou seu povo para fora do Egito (Dt 26.8). Para compreender o significado da Páscoa deve-se procurar a interpretação bíblica; é inútil indagar qual era a festa nos tempos pré-mosaicos.É possível que a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos fossem festas agrícolas (cp. Êx 23.15s.).

Alguma evidência da ligação cúltica entre a Páscoa e as primícias está preservada (Js 5.10-12; cp. C. W. Atkinson, AthR [Jan 1962], 82). Mas a festa passou por uma reinterpretação radical como resultado do grande evento na história de Israel, conhecido como a libertação do Egito, a casa da escravidão. Os estudiosos não sabem explicar como um rimai primitivo enraizado na superstição se tomou a festa da libertação. Está de acordo com a prática do AT reinterpretar antigas tradições à luz da própria história de Israel. Assim, a lei do Sábado é associada à história da criação (Gn 2.3) e aparece também (Dt 5.15) como o sinal da libertação de Israel da escravidão (cp. P. R. Ackroyd, The People of the OT[1959], 48). O mesmo deve ter acontecido com a festa da primavera original: à luz do Êxodo adquiriu uma nova dimensão, isto é, a dimensão da liberdade unida a um evento histórico.
Ordenanças relacionadas ao Pesa h. O AT refere-se a um conjunto de estatutos (nosn npn) que são obrigatórios para a observância da festa (Êx 12.43; Nm 9.12,14; 2Cr 35.13). Estes estatutos definem em detalhes a data, o período, a duração da festa e a forma de se comer o cordeiro pascal, etc.
Os preparativos para a festa deveriam começar no décimo dia do primeiro mês (i.e. Abibe, cp. Dt 16.1; o nome babilónico foi substituído mais tarde por Nisã, cp. Ne 2.1; Et 3.7). O cordeiro pascal era escolhido de acordo com o número de pessoas na família. O cordeiro deveria ser sem mancha, de um ano de idade e macho. O animal deveria ser tratado de maneira especial até o décimo quarto dia do mês quando seria morto “entre as noites” (Êx 12.6mg.; Lv 23.5mg.). Isto quer dizer “à noite no por do sol” (Dt 16.6). O sangue do animal deveria ser colocado em ambas as ombreiras e na verga da porta. Posteriormente o sangue passou a ser borrifado sobre o altar e derramado em suas bases (cp. 2 Cr 35.11; Jub 49.20; Pes 5.6). A carne deveria ser assada no fogo com a cabeça, pernas e partes internas e nenhum osso deveria ser quebrado (Êx 12.46; Nm 9.12). Não deveria ser comido cru ou cozido em água (Êx 12.9; Dt 16.7 parecem contradizer essa regra; mas cp. 2 Cr 35.13; o verbo bissel pode significar “cozer” tanto quanto “ferver”). 
A came assada deveria ser comida com pão asmo e ervas amargas, e deveria ser consumida de forma que nada sobrasse para o dia seguinte; qualquer sobra deveria ser queimada (Êx 12.10; 34.25). A refeição deveria ser comida às pressas, com os lombos cingidos, sapatos calçados e a vara na mão. A festa da Páscoa era um dia de memorial
e, portanto, para ser comemorada por todas as gerações como uma ordenança eterna (Ex 12.14). A Festa do Pão Asmo, como distinta do cordeiro pascal, deveria ser observada durante sete dias (Ex 12.15; 13.6; 34.18; Lv 23.6; Nm 28.17; Dt 16.3; a única exceção está em Deuteronômio 16.8, mas a diferença deriva do modo de se contar os dias, cp. S. B. Hoenig, JQR [Abril 1959], 271 ss.). ’
Os israelitas que eram impedidos de participar da Festa por causa da impureza levítica ou por viagem deveriam celebrá-la um mês depois (Nm 9.10s.; cp. Pes 9.3).
A responsabilidade de explicar o significado da Páscoa estava sobre o pai da família: “Naquele mesmo dia contarás a teu filho, dizendo: E isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito” (Ex 13.8; cp. 12.26). Somente os israelitas e aqueles que, através da circuncisão, estavam unidos à comunidade podiam comer o cordeiro pascal. Estrangeiros e viajantes, i.e., estrangeiros residentes, eram excluídos (Ex 12.45), mas a regra não era aplicada aos estrangeiros circuncidados e viajantes que demonstrassem um real interesse em se identificar com Israel. A eles era permitido participar da celebração da Páscoa (Nm 9.14). O cordeiro deveria ser comido dentro da casa e não deveria ser levado para fora dela.
O tema Êxodo no AT. Com a mudança de circunstâncias, as antigas leis tiveram que ser modificadas. Os cultos centralizados em Jerusalém dificultaram algumas práticas. A mancha de sangue nos umbrais da porta deveria ser completada com o borrifar do sangue no altar (cp. 2Cr 30.16; 3 5.11). A regra de comer o cordeiro na casa foi, de acordo com o Talmude, modificada para as casas em Jerusalém apenas (cp. Pes 9.12; mas cp. Jub 49.20). As características originais agrícolas da festa abriram caminho para aspectos mais cúlticos. Uma característica peculiar sobrevive até hoje: era e continua sendo um rito público. Os rabinos consideram a regra de que o cordeiro pascal não pode ser morto para uma única pessoa (apesar do Rabino José permitir; cp. Pes 8.7). Outra característica provinda de tempos antigos era que a morte do cordeiro era feita por israelitas comuns agindo em favor de seus familiares e não por sacerdotes como no caso dos outros sacrifícios (cp. Pes 6.5). Tudo o que os sacerdotes tinham que fazer era recolher o sangue e derramá-lo nas bases do altar. 
A Páscoa era a única ocasião em que o israelita realizava uma função sacerdotal (a partir de 2 Cr 30 e 35 não está claro se era o povo ou os sacerdotes que matavam o animal). Outras características permanecem obscuras, por exemplo, a queima das sobras: Êxodo 12.10 ordena que o que fosse deixado até pela manhã deveria ser queimado, ao passo que Êxodo 23.18; 34.25 e Deuteronômio 16.4 especificam que deveria ser terminado antes do amanhecer. Pode não ter havido uma tradição uniforme em alguns assuntos; alguns “comeram a Páscoa, não como está escrito” (2Cr 30.18). Uma tradição uniforme evoluiu gradualmente, mas os fatos principais relacionados ao Êxodo nunca variaram.
O AT é repleto de referências ao milagre da redenção do Egito. Os Salmos, em especial, se deleitam em enfatizar o tema do Êxodo com todos os seus milagres. O Salmo 78 repete a história de Israel tendo o Êxodo como o tema central. O ato redentor de Deus consistiu em tirar uma videira do Egito e plantá-la na Terra Prometida (SI 80.8). Alguns salmos contrastam a fidelidade de Deus para com seu povo com o comportamento rebelde de Israel no deserto (cp. SI 95; 106). O propósito principal de recontar a história da redenção era louvara Deus por seus atos poderosos (cp. SI 135; 136). Os velhos cantores exultavam no privilégio de Israel ser chamado povo de Deus e de ter saído do Egito (SI 114.1).
Os profetas fazem alusões frequentes à história da redenção do Egito e da longa viagem pelo deserto. A aliança de Israel com o Egito por conveniência política era muito abominável uma vez que parecia contradizer o propósito original de Deus (cp. Jr 2.18s.; Os 11.5). Em tempos de perigo, quando a Assíria pressionou duramente Israel, o profeta trouxe à memória o que Deus fez por seu povo no Egito: “não temas a Assíria” (Is 10.24,26s.; cp. 52.4). Jeremias lamenta o fato de Israel falhar ao perguntar: “Onde está o Senhor que nos trouxe da terra do Egito, que nos guiou no deserto” (2.6ss.).
 Ele os faz lembrar que desde o dia em que seus pais saíram da terra do Egito até então, o Senhor persistentemente enviou profetas ao seu povo de dura cerviz (7.25,26), advertindo- os (11.4), mas eles não quiseram ouvir (vv. 7,8).
Esta referência a YHWH que tirou Israel do Egito é um refrão frequente nos escritos proféticos (cp. Jr 16.14; 23.7; 31.32; 32.21; 34.13; Ez 20.6,9s.,36; Dn 9.15, Os 2.15; 11.1; 12.9,13; Am 2.10; 3.1; 9.7). Para os profetas, o Êxodo é um fato central na história de Israel. Israel conhece YHWH principalmente como aquele que seu povo da escravidão do Egito, o guiou pelo deserto e lhe deu estatutos e ordenanças (Ez 20.9-11). Ezequiel parece associar a instituição do sábado à história da redenção do Egito (20.12), e a “lascívia e... prostituição” de Israel é uma triste herança trazida da casa da escravidão (23.27).
Os livros históricos estão igualmente cientes do significado do Êxodo para a relação entre Israel e YHWH. Deus se fez conhecido a seu povo ao libertá-lo da casa da escravidão e ao estabelecê-lo na terra prometida (I Sm 8.8,2Sm 7.23; l Rs 8.53; etc).
O Êxodo domina num senso real a perspectiva do AT, e a Páscoa é a lembrança do que Deus fez por seu povo. A libertação do Egito e o estabelecimento na terra de Israel são considerados como o selo da lealdade de YHWH para com as promessas da aliança (cp. Mq 6.3s.).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 764-768.

O PESACH JUDAICO

O relato da instituição desse rito se encontra em Êxodo 12. Deus ordena a Israel que o observe (w. 1,2). A observância do rito, além dos atos litúrgicos prescritos no relato, exige à disposição um cordeiro ou um cabrito, macho de um ano, sem defeito (v. 5); pães ázimos e ervas amargas (v. 8). Estas recomendações dirigem-se ao círculo familiar (v. 3), podendo estender-se à vizinhança (v. 4).
O cordeiro devia ser assado inteiro, e aquilo que não era comido no banquete devia ser queimado antes do dia seguinte (v. 10). Os comensais deviam comê-lo em pé e devidamente trajados para uma longa viagem (v. 11). Nos tempos de Jesus, conforme indica Raphael Martins, a cerimônia pascal havia recebido a influência dos gregos e dos romanos que celebravam seus ágapes, não como escravos, mas como um povo livre e independente, ou seja, comiam recostados em divãs providos de almofadas. O Pesach significa na língua hebraica “passar por cima”, “passar por sobre”. Na língua portuguesa foi traduzida por “Páscoa”.
O Pesach surgiu em face da tradição de que o anjo destruidor, ou anjo da morte, “passou por sobre” as casas cujo sangue do cordeiro imolado assinalava. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais... O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós...” (Ex 12.12,13)
A passagem do anjo da morte constituiu a última praga sobre o Egito, forçando o Faraó a libertar o povo hebreu, possivelmente entre os anos de 1400-1200 a.C. O Pesach, na descrição de McKenzie, mostra numerosas variantes que apontam para uma origem e desenvolvimento complexos. O Pesach, segundo a grande maioria dos estudiosos, era anterior à instituição no capítulo 12 de Êxodo. A festa original era pastoril nos seus primórdios, onde os pastores celebravam o nascimento de ovelhas na primavera; e esse termo também faz alusão à forma como as ovelhas costumam “saltar por cima” dos obstáculos. Seja como for, por meio da historização, a Páscoa se tomou a grande festa nacional de Israel, que celebrava sua constituição como povo de Iahweh, acentua McKenzie. naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão” (v. 8) Ázimos, no hebraico maccot, significa “pães sem fermento”. 
A festa dos “pães sem fermento” está registrada em Êxodo 23.15, ao lado de outras duas. No momento da instituição do Pesach ela aparece em correlação com a mesma, como festa histórica que celebra a libertação de Israel da opressão egípcia. O caráter da cerimônia indica que se tratava de uma festa agrícola de agradecimento pelo início da colheita. No Novo Testamento é sempre mencionada em conexão com o Pesach (Mt 26.17; Mc 14.12).
Em memória dos sofrimentos dos hebreus no Egito são comidas ervas amargas: chicória, escarola, agrião, salsa, rabanete, amêndoa, tâmara, figo e passa. Esses ingredientes eram misturados com vinagre, formando uma espécie de molho, cor de tijolo (haroset, em hebraico), lembrando seu antigo ofício no Egito.Roberto dos Reis Santos. A Santa Ceia. Editora CPAD. pag. 12-14.

3. Para nós.

A Páscoa do Senhor, como assim é chamada, tem um grande significado para nós. Ela deve nos fazer recordar de Jesus, nosso Cordeiro Pascal. Ele entregou-se a si mesmo para que eu e você tivéssemos a vida eterna e o acesso a Deus. A nossa vida foi preservada porque Ele nos amou até a morte.
É evidente que não temos de celebrar a Páscoa com um cordeiro assado, com pães asmos e ervas amargas. Para nós, cristãos, esses elementos fazem parte da cultura judaica, e que serviriam por todas as gerações de israelitas como uma lembrança da libertação do Egito.
Além disso, a Páscoa foi chamada de “páscoa do Senhor” (Ex 12.11), pois ela deveria ser comemorada em homenagem ao Deus de Israel. Não é um momento que deveria ser lembrado pelos israelitas posteriormente sem que tivessem em mente que era uma lembrança sobre Deus e sobre o que Ele havia feito.COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 39-40.

O TEMA PÁSCOA NO NT E NA IGREJA, A atividade messiânica de Jesus alcança seu clímax nos eventos de sua Ultima Páscoa. De acordo com João, a crucificação aconteceu no primeiro dia da “Páscoa” (usado aqui aparentemente como uma designação da Festa dos Pães Asmos). Os sinópticos deixam claro que foi no primeiro dia da festa. João que parece estar interessado especialmente em dados cronológicos registra duas, ou até mesmo três Páscoas (João 2.13; 6.4; 12.1; cp. W. F. Howard, The Fourth Gospel, revisado por C. K. Banet [1955], 122). Contrário a C. H. Dodd (The Interpreter of the Fourth Gospel [1953], 234), há um bom motivo para se acreditar que João dedicou importância especial ao tema da Páscoa. Seu evangelho, que enfatiza ser o Messias o verdadeiro pão da vida, se ajusta notavelmente bem ao contexto pascal (cp. Jo 6.3 lss. cp. V. Ruland, INT [Out., 1964], 451 ss.). A Páscoa é igualmente importante para os evangelhos sinópticos; tanto que se pode vislumbrar o evangelho de Marcos como uma Haggadah da Páscoa Cristã escrita com o propósito de reinterpretar o tema pascal em termos messiânicos como o Novo Êxodo (cp. John Bowman, The Gospel of Mark [ 1965]). Um caso um pouco semelhante é 1 Pedro, que faz tantas alusões à Páscoa que alguns estudiosos se sentem justificados em considerá-la como uma liturgia pascal. Sugere-se que 1 Pedro é uma liturgia ligada à vigília pascal em preparação ao batismo pascal, um costume amplamente praticado na igreja primitiva (cp. F. L. Cross, 1 Peter I [1954]; Roger Le Déaut, La Nuit Pascale [1963], 297; A. R. C. Leaney, NTS, X [1964], 238ss.).
 Isto pode provar, de maneira muito restrita, um conceito que tem sido contradito por alguns (C. F. C. Moule; T. C. G. Thomton), mas não mostra, todavia, quão profundamente o tema da páscoa está embutido no NT. Outros livros do NT fazem alusões similares à Páscoa em conexão com a mensagem cristã. Paulo claramente associa o Messias à Páscoa e compara a vida cristã com o símbolo do pão asmo que permanece em sinceridade e verdade (ICo 5.7 s.).
Uma associação similar entre o Messias e a Páscoa existe no Judaísmo rabínico. O dia 15 de Nisã é declarado como um tempo de alegria para todos os israelitas, porque Deus realizou um milagre (sinal) naquela noite, mas na era que virá (i.e., no tempo do Messias) ele transformará a noite em dia (cp. SBKIV, 55). Na Haggadah shelpesah, a expectativa messiânica está ligada ao seder tanto pela referência direta ao Messias como pela parte que Elias representa a tradição pascal. 
O costume de abrir a porta à meia-noite, na primeira noite da Páscoa, já era praticada no Templo de Jerusalém (cp. Jos. Ant.. XVIII. ii.2), e tem implicações messiânicas definidas. Déaut mostrou a íntima associação entre o ritual pascal e as expectativas messiânicas no Judaísmo rabínico do séc. le. Isto se aplica até mesmo aos samaritanos que esperavam a aparição de seu Taheb (Messias) no dia de Páscoa (cp. Déaut, op. cit. 281, 283).

O tema pascal do NT, e em especial de João (cp. A. Guilding, The Fourth Gospel and Jewish Worship [1960], 58ss.), foi assumido pela igreja gentílica. A liturgia da vigília pascal e a tradição Quartusdecimus (décimo quarto) de fazer a Páscoa coincidir com a Páscoa judaica persistiu na igreja por séculos (cp. B. Lohse, Das Passafest der Quartodecimaner [1953]; Diepassa-Homilie des Bischofs Meliton von Sardes [1958]). A expressão “a Páscoa da salvação”, entrou no vocabulário da igreja e foi usada abertamente na liturgia (cp. Déaut, 296; apesar de Lohse ter contradito). A identificação de Cristo com a Páscoa cristã foi aceita como premissa teológica: “a festa da Páscoa do Salvador”.
23.1), significa tanto a Última Páscoa que Jesus celebrou, como a Páscoa cristã quando a igreja celebra a ressurreição de Cristo. Num jogo de palavras, que somente é possível em grego é interpretado com o significado de 7iáa%co: “E no dia seguinte nosso Salvador sofreu, aquele que era a Páscoa — sacrificado de modo propício pelos judeus” (Ante-Nicene Christian Library XXIV, 167). Portanto, a Páscoa judaica e a Páscoa cristã conservadas juntas de modo que o tema da páscoa do AT perdurasse embora centrada na ressurreição de Jesus Cristo.MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 786.

PÁSCOA CRISTÃ (EASTER)

Preservamos entre parênteses a palavra inglesa, a fim de melhor destacar o fato de que há uma diferença entre a páscoa dos hebreus e a páscoa dos cristãos. Ver o artigo geral sobre a Páscoa, onde a versão cristã é incluída em uma seção separada. Easter é uma palavra usada nos idiomas germânicos para denotar a festividade do equinócio do inverno, e que, dentro da tradição cristã posterior, passou a ser usada para denotar o aniversário da ressurreição de Cristo. Nas línguas latinas, como o português, a palavra para «páscoa» vem do latim pascha, a qual, por sua vez, alicerça-se sobre o termo hebraico, pesach , que significa «passar por cima». O termo grego pascha também é derivado do hebraico, pelo que é indeclinável.
A origem da palavra Easter é controvertida. Alguns estudiosos pensam que a mesma está ligada ao nome da deusa anglo-saxônica que representa a primavera, Eoestre, Nesse caso, teríamos o comum fenômeno de um nome de um costume pagão receber um significado cristão. 
Ou então, essa palavra poderia estar relacionada às vestes brancas usadas durante a celebração da festa cristã relativa à semana da páscoa. Nesse último caso, o plural da palavra que significa «branco» foi confundido com a palavra que significa «alvorecer», e, subsequentemente, foi vinculado ao alvorecer do dia da ressurreição. Seja como for, a celebração da ressurreição antecede a tudo isso, visto que cada primeiro dia da semana, originalmente, representava isso; e, pelos fins do século 11 D.C., a, celebração da ressurreição como uma festa da Igreja cristã, já estava bem estabelecida. 
No tocante a detalhes sobre a Páscoa Cristã, ver isso como um subponto do artigo geral sobre a Páscoa.CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 102-103.(estudaalicao.blogspot.com).

fonte www.mauricioberwaldoficial.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PAZ DO SENHOR

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.