quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

QUEM COMEÇOU A ESCOLA DOMINICAL?


A escola dominical não começou com Robert Raikes


O anglicano Robert Raikes (1736-1811) é considerado o pai da escola dominical, contudo ele não foi exatamente o seu fundador. O que pouca gente sabe no Brasil é que modelos similares de ensino bíblico já existiam antes de ele implantar o seu experimento em Sooty Alley, subúrbio da cidade de Gloucester, na Inglaterra, em 1780. Consultando algumas obras antigas, destaquei estes exemplos:
O reverendo Thomas Stock (1750-1803) já havia fundado uma escola dominical, em 1777, quando era pároco em Ashbury. Ele uniu as forças com Raikes em Gloucester, a ponto de alguns autores concordarem em que ele merece também o crédito de fundador do movimento.
Um monumento numa igreja de Flaxley Abbey, no condado de Gloucester, registra que Catherine Boevey ajudava com roupa e comida os indigentes de seu bairro e levava, num sistema de rodízio, seis crianças pobres todos os domingos para jantar com ela, ocasião em que lhes ensinava o catecismo. Ela morreu em 1726, dez anos antes de Raikes nascer.

Na década de 1740, Ludwig Hacker, da Igreja Batista do Sétimo Dia, fundou uma escola dominical em Ephrata, no estado da Pensilvânia, Estados Unidos. Esse trabalho foi desenvolvido entre os imigrantes alemães.
Em 1769, a metodista Hannah Ball (1734-1792) deu início a uma série de estudos bíblicos dominicais em sua casa e depois nas dependências da Igreja Anglicana em sua cidade natal, High Wycombe, na Inglaterra. Acredita-se que essa tenha sido a primeira escola dominical no modelo que se tornou conhecido no mundo.
Vários outros nomes e modelos semelhantes de ensino bíblico poderiam ser citados, no entanto o reconhecimento a Robert Raikes é merecido, porque foi ele o principal responsável pela popularização e dinamização do movimento.
No primeiro parágrafo, uso a palavra “experimento”, porque foi exatamente o que Raikes fez. Durante três anos, ele testou o seu modelo de ensino dominical, e a pequena classe reunida numa cozinha se transformou em sete classes com 30 alunos cada uma. Percebendo que o movimento tendia a se expandir, Raikes publicou esses resultados no Gloucester Journal [Diário de Gloucester], de sua propriedade, no dia 3 de novembro de 1783, data que veio a ser mundialmente reconhecida como a da fundação da escola dominical.
Vale lembrar que no início a escola dominical atendia apenas as crianças. As classes de adultos surgiram bem mais tarde. As circunstâncias que levaram Raikes a se interessar pela instrução das crianças de sua cidade são bem interessantes. Mas conto isso amanhã.
A primeira escola dominical do Brasil não foi a de Robert Kalley
Embora a escola dominical instituída no Brasil pelo escocês Robert Kalley e sua esposa inglesa Sarah seja considerada a primeira do Brasil pelo fato de ter se mantido de forma ininterrupta até hoje, houve outra tentativa de sua implantação quase vinte anos antes do trabalho realizado pelo casal.

Robert e Sarah Kalley

Em março de 1836, chegou à cidade do Rio de Janeiro o missionário Justin Spaulding, enviado pela Igreja Metodista dos Estados Unidos. Ele organizou ali, entre estrangeiros, uma congregação de quarenta pessoas, aproximadamente. Em junho do mesmo ano, foi inaugurada uma classe de escola dominical com cerca de 30 alunos. James L. Kennedy, no livro Cincoenta annos de methodismo no Brasil, informa que “alguns eram brasileiros, ensinados na sua própria língua” — o ensino de nativos foi o que oficializou o surgimento da escola dominical organizada por Kalley, mas como se vê isso também ocorreu nos tempos de Spaulding.
No entanto, a Igreja Metodista dos Estados Unidos passou a enfrentar problemas financeiros e políticos na época, e assim, em 1941, o trabalho organizado da denominação foi encerrado no Brasil, ficando aqui apenas uma família, os Walker, até que em 1867 o reverendo Junius E. Newman retomou a obra missionária no Brasil. Ele organizou a primeira Igreja Metodista no país em 1871.
Nesse intervalo, porém, no dia 10 de maio de 1855, Robert e Sarah Kalley chegaram ao Rio de Janeiro. A missão deles era fundar aqui a Igreja Evangélica, mais tarde chamada Igreja Evangélica Fluminense (do trabalho dos Kalley, surgiu a Igreja Congregacional do Brasil). Mas ainda em 1855, no final de julho, eles se estabeleceram em Petrópolis e ali iniciaram uma escola dominical.
Por isso, não é errado dizer que Kalley é o pai da escola dominical no Brasil, porque essa instituição de ensino que hoje reúne milhões de crentes todos os domingos para aprender a Palavra de Deus teve origem, de fato, no trabalho do missionário escocês. Só não é correto dizer que foi a primeira.
A Igreja Metodista detém ainda outro pioneirismo na mesma área: a confecção de revistas para escola dominical. O reverendo John James Ransom produziu a primeira revista bíblica infantil, A Nossa Gente Pequena, publicada entre de 1884 a 1886. Ele produziu também A Escola Dominical, que era uma revista para adultos.
fonte judsoncanto.wordpress.com





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