domingo, 19 de outubro de 2014

PREPARAÇÃO DA AULA ESCOLA DOMINICAL

               
             O PROFESSOR E A PREPARAÇÃO DA AULA


O fim prático do ofício do professor é ensinar. O momento principal do ensino é a aula. A aula é a exposição do assunto, do tema proposto para aquela ocasião. Muitos são os seus antecedentes, e muitos devem ser os seus resultados.

A aula, portanto, não é o todo do ministério do professor, mas é, com certeza, o núcleo de seu ofício. A essência da expressão de sua vocação. A aula é o momento em que o professor se revela e se realiza.

Por revelação aqui não se entenda exibicionismo, porque isso nem se deve nomear junto ao verdadeiro magistério. Revelar é mostrar, é expor. O professor expõe a matéria, e expõe-se a si mesmo também, pois ao aluno é dada a oportunidade de questionar, de querer saber mais, de extrair o quanto puder da fonte chamada professor.

A realização vem ao professor quando ele sente que conseguiu ministrar uma boa aula, não por ter conseguido impressionar o aluno com uma tempestade de conhecimento, mas por ter contribuído de alguma forma para edificar o seu público-alvo, conduzindo-o ao crescimento.

Pretendemos ter dito, com esta introdução, que o professor tem o antes, o durante e o depois da aula. Primeiro, vem o preparo. Depois, a exposição. E, por fim, o resultado.

Nosso tema restringe-se ao primeiro momento: o antes, o preparo da aula.

A AULA: MOMENTO DA TRANSMISSÃO

Segundo o Aurélio, aula é “uma lição ou exercício ministrado pelo professor num determinado espaço de tempo”; é a “explanação proferida por professor ou por autoridade competente perante um grupo de alunos ou um auditório.”

A aula é um momento de transmissão organizada de conhecimento. Pode ser realizada de diversas maneiras, utilizando diversos recursos. Em resumo, temos a simples expressão verbal (a preleção), o emprego de recursos audiovisuais (sons e imagens), pesquisa, perguntas e respostas, dinâmicas em grupo, atividades extraclasse, etc…

Dissemos que a aula é um momento de transmissão organizada. Deve haver organização na forma de transmitir conhecimento. A mente do aluno terá dificuldade em absorver se a transmissão é feita de forma desorganizada.

Valendo se uma regra básica da preleção, podemos dizer que a aula tem que ter introdução (preparação do aluno para o assunto que se pretende expor), desenvolvimento (detalhamento do assunto, com as devidas fundamentações e exemplos) e conclusão (síntese objetiva de tudo o exposto, procurando garantir aplicação prática).

Vimos também que a aula deve obedecer a um tempo determinado. Assim, aprendemos que é preciso conjugar o conteúdo com o tempo. O volume de informação que se pretende transmitir deve estar adequado à duração da aula. Quando existe assunto incompatível com o tempo, a regra é selecionar o mais importante.

Não se deve esquecer que não é obrigação de nenhum professor expor tudo o que o aluno precisa saber. Pelo contrário: o bom professor é aquele que ao ensinar sempre desperta no aluno o desejo de aprender mais. Todo o alimento em excesso, por mais saboroso que seja, causa fastio.

Aliás, Jesus sempre ensinava a multidão de forma a despertar nela o interesse por um conhecimento mais profundo. Por vezes chegava a provocar alvoroço e confusão entre a multidão pela forma contundente com que ensinava. Para aquele público resistente, muitas vezes a melhor estratégia de ensino era levar-lhes ao campo do confronto de doutrinas e do questionamento.

Por outro lado, para os que tinham o coração aberto para entender, Jesus dedicava-se pacientemente, ensinando e ilustrando com parábolas. Muitas vezes fez comparações com coisas concretas, sempre visando a melhor assimilação possível de sua doutrina.

Os guardas enviados pelos fariseus para prender a Jesus não tiveram como cumprir sua missão e voltaram maravilhados: “Jamais alguém falou como este homem.” (João 7.46).

Os discípulos de Emaús rogaram a Jesus para que ficasse com eles, porque disseram: “Não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras.” Lucas 24.29-32.

Foi tão maravilhoso o resultado daquelas palavras de Jesus que de discípulos decepcionados e desistentes aqueles dois homens voltaram imediatamente para Jerusalém, se juntaram novamente aos demais discípulos e davam testemunho com alegria do que lhes tinha acontecido.

Jesus lhes abria as Escrituras. Paulo pediu oração para que o Senhor Deus lhe abrisse a porta da Palavra (Col. 4.3). Pedro e João e os demais irmãos da igreja primitiva oravam: “…concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra.” (Atos 4.29).

E “Tendo eles orado moveu o lugar em que estavam reunidos. E todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus”. (Atos 4.31).

Nossas palavras, ungidas pelo Espírito Santo, devem arder nos corações de nossos alunos, e levá-los do eventual desânimo a uma vida autêntica de fé e confiança no Senhor Jesus.

Nosso ensino precisa fazer de discípulos desistentes, servos de Deus amantes de sua obra e de seu reino. Levá-los de volta de Emaús para Jerusalém.

Vivemos dias de muito pessimismo espiritual, mas a Palavra de Deus em nossos lábios fará com o que o povo de Deus se reanime e veja as obras do Senhor em nossos dias.

A Escola Dominical pode e deve ser um departamento fomentador do avivamento, pois a ela cabe, com muita ênfase, a responsabilidade pelo ensino sistemático da Palavra de Deus.

A PREPARAÇÃO DA AULA

Do texto de Romanos 12.7 extraímos uma lição básica para todo o ensinador: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino”. Nota-se que de todos os dons de que fala o apóstolo Paulo, o único que faz acompanhar do substantivo dedicação é o ensino.

É impossível ensinar sem dedicação. Ou melhor: é impossível ensinar bem sem dedicação. Todo o ensino praticado sem dedicação será um ensino deficiente, tendente a prejudicar o aluno, deixá-lo confundido ou mal formado.

Por analogia, temos a crucial diferenciação entre o ensino sistemático e regular e o ensino modular, supletivo. O primeiro visa conduzir o aluno passo a passo à solidez do conhecimento. O segundo lhe garante uma absorção básica de conteúdo, sem um compromisso maior com os fundamentos de cada disciplina.

O resultado de um aluno bem formado para um mal formado será visto no enfrentamento que tiverem em um vestibular ou qualquer tipo de concurso, ou mesmo na exposição pública de seus conhecimentos. Este não resistirá aos embates.

De igual sorte, um aluno mal formado na seara cristã terá maiores dificuldades ao enfrentar os obstáculos da vida cristã; e poderá ser, inclusive, presa fácil dos conturbadores das doutrinas cristãs.

Se, portanto, queremos formar bem nossos alunos, estejamos certos de que isso exigirá de nós muita dedicação.

Assim dizendo, importa que o professor planeje bem. Por planejamento aqui não se entenda um feixe de teorias, mas de regras simples que não podem ser desprezadas. Aliás, quanto mais o assunto da lição for considerando complexo mais o professor deve esmerar-se para traduzir-lhe de forma a torná-lo simples, de fácil assimilação. Não é porque o conteúdo (o texto) da lição se apresenta rebuscado que a aula deve o ser.

Eis o desafio ao professor: compreender o assunto e simplificá-lo, especialmente a par de sua realidade local. Por isso que ao planejar sua aula o professor deve considerar (1) o público alvo (a que grupo de pessoas vou falar?), (2) o ambiente (no espaço físico que disponho que recursos poderei utilizar?), (3) os recursos materiais (como tornar o mais didática possível minha aula?)   , (4) o assunto (que abordagem será a mais adequada?), (5) o tempo (como melhor aproveitar o tempo de que disponho?).

É certo que a conjugação de todos estes elementos de planejamento, se em harmonia, contribuirão diretamente uma um êxito maior na aula a ser ministrada.

NÍVEIS DE PREPARAÇÃO

Pelo menos três níveis de preparação são fundamentais para o professor.

São eles:

a)    preparação geral

O professor deve ser um estudante contínuo, um observador perspicaz, procurando sempre aprender, absorver novos conhecimentos para sua vida.

A preparação geral exige do professor constante leitura, conforme o conselho de Paulo a Timóteo (“Persiste em ler” – I Tim. 4.13). O hábito da leitura deve fazer parte da vida do professor. A Bíblia é o principal livro que deve ler, examinando as Escrituras com espírito de devoção, a fim de que o Espírito Santo lhe revele as profundezas de Deus.

Ler a Bíblia toda é uma recomendação sempre feita, mas nem sempre compreendemos sua importância. Mas é bem certo afirmar que todo estudante da Bíblia precisa lê-la toda, seqüencialmente. Assim fazendo, embora não terá como guardar todas as informações contidas no Livro Sagrado, mas jamais será surpreendido com passagens que jamais viu.

Também evitará o cometimento de erros primários, frutos de uma visão parcial das Sagradas Escrituras. Assim, a preparação geral do professor inclui a leitura de toda a Bíblia.

Também como preparação geral incluem-se as pesquisas temáticas, biográficas, doutrinárias, referenciais, enfim, a busca de um conhecimento mais aprofundado de determinado assunto ou aspecto das Escrituras Sagradas.

Ainda como parte da preparação geral o professor precisa ler bons livros, fazer um curso teológico e participar de estudos bíblicos, seminários, simpósios, aulas para professores, etc. É fundamental que ele saiba ouvir outros professores. Na verdade, o professor deve vigiar para não se tornar um sabe-tudo, pois o verdadeiro sábio é aquele que sempre está disposto a aprender, até mesmo (e inclusive) com as crianças.

b)    preparação específica

Depois de analisar a necessidade da preparação geral, que é desprendida da lição dominical, é hora de pensar na aula do próximo domingo. Lição à mão, é hora do primeiro contato com o assunto de que se vai falar.

É indispensável que se faça antes de tudo uma oração a Deus pedindo sabedoria e compreensão. Não é possível conhecer as coisas espirituais senão pelo Espírito de Deus.

Uma leitura geral da lição é o próximo passo, sem deter-se neste ou naquele ponto. É fundamental que se leia todo o conteúdo, porque é muito comum que as dúvidas surgidas logo no começo sejam dissipadas ao longo do texto.

Feita a primeira leitura, é hora de voltar ao texto, relendo já com os apontamentos que entender necessário fazer. Pode ser na própria revista (através de destaques ou pequenas anotações) ou em rascunho à parte.

É nesta hora que o professor cuidará observar as referências bíblicas, a fim de aclarar cada vez mais o tema proposto. À medida que necessitar deverá consultar dicionários (bíblicos e da língua portuguesa), enciclopédias, revistas anteriores, livros, apostilas, comentários, etc…

Também é importante que, se possível e necessário, verifique determinados versículos em Bíblias de diversas versões, vendo, inclusive, as variações nos originais.

c)     preparação pessoal

O professor não comparecerá diante da classe simplesmente para despejar conhecimento. Como servo de Deus ele comparecerá para transmitir o conselho de Deus (Atos 20.27). Ora, alguém somente ensinará o conselho de Deus se Dele receber este conselho.

O conselho, aliás, é um ensino que parte de uma intimidade para outra. Flui de alguém que se preocupa com o bem-estar de outrem, e que se vale de um porta-voz para efetivar a transmissão.

Conselho é “senso do que convém, aviso, admoestação”. Deus se vale de homens e mulheres para transmitir os seus conselhos para todo o seu povo.

Nota-se a sublimidade do ministério do ensinador cristão. Ele é um transmissor dos conselhos de Deus. Há uma classe diante de si todos os domingos interessada em ouvir “tudo quanto por Deus é mandado” (Atos 10.33).

É por isso que o professor tem que primeiramente cuidar de si mesmo. Precisa estar preparado. O cultivo de sua vida de devoção a Deus é fundamental.

Importa considerar que neste ponto o professor não estará, necessariamente, pensando no aluno. Deve estreitar sua comunhão com Deus não porque é professor, mas porque é um servo de Deus, dependente Dele, necessitado de ser cheio da graça e do poder do Senhor em sua vida.

Nossa comunhão com Deus é mais importante que a muita pesquisa para a preparação da aula. A bem da verdade, nada vale todo o tipo de recurso ou preparação se o professor não estiver em comunhão com o Autor da Bíblia.

Assim é que o professor deve procurar santificar sua vida. Eliminar os maus costumes. Rejeitar toda a sorte de pecado. Reprovar as obras das trevas. Encher-se do Espírito Santo.

A oração, o jejum e a leitura da Palavra de Deus lhe trarão mais intimidade com o Senhor, tornando o seu coração um terreno fértil para frutificar.

Nossa maior preocupação durante toda a nossa vida deve ser com o nosso próprio nível espiritual. A capacitação para o trabalho vem do Senhor.

Assim o texto sagrado:

“Abre bem a tua boca e eu a encherei”. Sl. 81.10.

“Eis que abundantemente derramarei sobre vós meu Espírito e vos farei saber as minhas palavras”. Pv. 1.23

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14.26.

Pedro, o mais iletrado dos apóstolos, foi o pregador do Dia de Pentecostes, cheio do poder do Espírito Santo, e quase 3 mil almas converteram-se a Cristo.

O ensino eficaz continua sendo aquele ministrado nos domínios do Espírito Santo, porque é Ele que “penetra as profundezas de Deus” (I Co. 2.10).

“…ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.

As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.” (I Co. 2.11-13).

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. 2 Tim. 2.15


FONTE Portal EscolaDominical

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