quarta-feira, 2 de julho de 2014

ESCOLA DOMINICAL DESAFIO NA PÓS MODERNIDADE

 

O DESAFIO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL NA PÓS-MODERNIDADE

 (parte1)



Pressupostos da Pós-Modernidade


Se voltarmos um pouco ao passado, veremos que a Teologia Liberal só apareceu no cenário, após algumas lentas mudanças ocorridas desde a Modernidade. Por exemplo, analisando na perspectiva do pensamento Moderno, o conhecimento era algo necessário, acessível e bom. Isso caracterizava uma demanda para busca de um método científico que fosse validada pela razão, ou seja, os métodos racionais e humanos eram uma demonstração correta para qualquer análise científica, filosófica, política, etc. O Racionalismo primou pelo o uso da razão, dando mais relevância aos pensamentos filosóficos, porém em linhas gerais, o Empirismo preocupou-se com uma abordagem sobre o conhecimento pautado na experiência. Os argumentos do Modernismo pouco a pouco foram sendo desconstruídos na figura de Nietzsche, Kant e outros.

Inaugura-se a Pós-modernidade com total abandono das ideias Iluministas, abrindo espaço para nova construção intelectual deixando de considerar a verdade como universal. Todos esses pressupostos filosóficos invadiram o seio das igrejas evangélicas que se viram confrontadas pelo desmantelando da razão e da verdade absoluta. Objetivamente, podemos questionar quais implicações da Pós-modernidade desafiam a estrutura da Escola Bíblica Dominical. Francis Schaeffer alerta para a questão da nova teologia, que por trás de uma suposta piedade apresentava uma realidade maquiada por uma ortodoxia anticristã.

“A esta altura parece já ter ficado evidente que o Cristianismo e a nova teologia não mantêm nenhum vínculo, exceto no uso de uma terminologia comum, aplicada com sentidos bem diferentes”. (SCHAEFFER, Francis. O Deus que intervém. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p. 156).

O pensamento pós-moderno teve como canal a televisão, as artes, a música, a filosofia, a literatura, e outros meios pelos quais sorrateiramente foi transformando a sociedade e introduzindo seus pressupostos. A irracionalidade invadiu a cultura vigente, a tal ponto que a maioria dos seminários cristãos passou a produzir teólogos anticristãos.

“Historiadores batizaram o século XIII de ‘Era da Fé’ e chamaram o século XVIII de ‘Era da Razão’. O século XX tem sido chamado de muitas coisas. ‘Era Atômica’, a ‘Era dos Ditadores’, a ‘Era de Aquário’. Contudo, ele merece um título mais que os demais: a ‘Era do Irracionalismo’. Os intelectuais seculares contemporâneos são anti-intelectuais. Filósofos contemporâneos são antifilosofia. Os teólogos contemporâneos são anti teologia”. (ROBBINS, John W. The Crisis of our Time [Texto]. Disponível em: http://gospelpedlar.com/articles/Apologetics/crisis.html . Acesso em: 06 de julho de 2007.)

Desta forma, a rejeição em absolutizar as verdades bíblicas como regra de fé tem produzido indivíduos interessados somente na “verdade” produzida para auto satisfação. O homem atual é livre para formular sua própria ideia de Deus, destituída das verdades cristãs. No mundo pós-moderno, a centralidade em Deus é obsoleta, afinal, em qual concepção de “deus” os homens irão crer? Se a Bíblia é um mito ultrapassado, então o que é o Cristianismo? A fé deixa de ser racionalmente fundamentada na revelação especial, e passa a ser uma formulação distinta e secular. Como resultado, a autoridade e inefabilidade da Bíblia são desacreditadas. Consequentemente, descarta-se tudo que traz implicações para um envolvimento genuíno com os padrões bíblicos. Infelizmente percebemos que muitos educadores cristãos não têm a Bíblia como regra de conduta, mas seguem a demanda dos dias atuais. A partir daí, um novo tipo de cristianismo emerge dentro de nossas igrejas com uma concepção de um “Deus” que existe para fazer o homem feliz.

fonte portal batista


 DESAFIO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL NA PÓS-MODERNIDADE (parte 2)



Os Obstáculos Enfrentados pela EBD

Identificar os reais problemas de nossa era ajuda-nos a enfrentar os perigos das heresias, impedindo que estas criem raízes no meio do povo de Deus. Ignorá-los tratando-os como inofensivos, só aumentam os riscos de ver minado as bases da Bíblia como normativa. Se os alunos de nossas Escolas Dominicais não estão sendo devidamente capacitados para um embate bíblico, devemos nos preparar para que estes mesmos a considerem em desuso e descrédito. Essa nova forma de piedade, em que o homem assume o lugar de Deus, destronando-o de seu soberano senhorio adéqua a teologia à conveniência pessoal.

“Como cristãos, é preciso que entendamos que não há palavra tão sem sentido como a palavra deus até que ela seja definida. Nenhuma outra palavra tem sido usada para ensinar conceitos tão completamente opostos como a palavra deus. Portanto, não nos deixemos confundir. Há muita ‘espiritualidade’ ao nosso redor, querendo se associar à palavra ou ideia deus. Trata-se antes do relacionamento com aquele que existe. E é um conceito totalmente diferente”. (SCHAEFFER, op.cit, p. 222.)

Entendemos que não estamos fora deste mundo, mas que os princípios que norteiam nossas vidas são os da Palavra de Deus. Portanto, ministrar um ensino que promova somente o crescimento intelectual sem tocar nos afetos gerando transformação de vidas, é infrutífero e desperdício, tanto quanto, atribuir ao fracasso de nossa falta de preparo, como falta de espiritualidade por parte de nossos alunos é irresponsabilidade e incoerência.
FONTE   portal batista


 DESAFIO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL NA PÓS-MODERNIDADE (parte 3)



1. O Desafio do Aprendizado Bíblico


O que fazer para que nossas igrejas tenham um aprendizado bíblico, crítico e maduro, nestes dias de tanta confusão sobre o real entendimento da Palavra de Deus e a disseminação de uma teologia anticristã? Primeiro temos que lançar nossos olhos para a Bíblia como Palavra de Deus, inerrante e infalível. Depois temos que buscar nossas fontes históricas para detectarmos as origens dessas heresias em nosso meio; em terceiro lugar, temos que deixar a inércia da teoria e partir para o engajamento prático na reformulação do entendimento teológico cristão.

Hoje, o Jesus apresentado não é mais o histórico, mas uma mistura sincretista da religiosidade pagã. A Bíblia para muitos é apenas um amuleto para espantar o mal. Precisamos cuidar para que nosso dogmatismo excessivo, não nos afaste de transmitir as verdades bíblicas sem tocar os corações. À medida que somos indiferentes aos reais questionamentos de nossos alunos em face aos paradigmas vigentes, revelaremos um interesse puramente teórico da teologia, tornando nosso estudo como qualquer outro. Nossa motivação primária deve ser o conhecimento de Deus para obedecê-lo, através de sua Palavra como regra de fé.

“Todos têm um desejo natural de saber. Mas de que serve o conhecimento sem o temor de Deus? Sem dúvida um lavrador humilde serve a Deus melhor que um filósofo orgulhoso que tenta entender o rumo do céu”. (KEMPIS, Tomás de. A imitação de Cristo. São Paulo: Martin Claret, 2003. p. 127).

Temos como desafio, a falta de uma teologia correta; a necessidade da compreensão histórico-filosófica cristã; uma pedagogia que promova um ensino de qualidade; um entendimento psicológico que valorize cada aluno como ser criado à imagem e semelhança de Deus; e, uma espiritualidade genuína por parte dos educadores cristãos que promova a glória de Deus, não só pela ênfase no conteúdo ministrado, mas principalmente por serem exemplos de vida a serem imitados.    FONTE PORTAL BATISTA


O DESAFIO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL NA

PÓS-MODERNIDADE (parte 4)







2. O Desafio do baixo nível intelectual dos alunos

Como alguém que não sabe ler ou escrever, irá questionar uma pregação como sendo antibíblica? Como irá perceber que a verdade da Palavra de Deus está sendo usada com a finalidade de explorar sua fé? Mesmo aqueles que conseguiram chegar a uma formação secundária em nosso país, muitas vezes não têm uma formação adequada que permita aprofundar seus debates teológicos além do nível superficial, tornando-os uma espécie de reféns de qualquer tipo de ensinamento transmitido.

Quando o jornalista britânico Robert Raikes iniciou a Escola Dominical em 1780, seu objetivo primordial era de oferecer um ensino gratuito às crianças pobres. Já a Escola Bíblica Dominical atual é um reflexo do modelo americano em que o conhecimento bíblico tem ênfase no crescimento e na edificação espiritual em todas as faixas etárias. O ponto é, diante do quadro brasileiro em que o ensino sugerido é totalmente alienador, verificamos um empasse dualista, em que hora a Escola Bíblica Dominical pode ser um canal para reforçar os desmandos de certos pastores que em nome de Deus envolvem emocionalmente seu público, hora estamos diante do anti-intelectualismo que permeia a cultura de um modo geral.
Chegamos à conclusão até aqui, que duas vertentes anticristãs estão causando estragos nas igrejas ditas evangélicas: As igrejas que assumiram os princípios da pós-modernidade, e as que ainda não chegaram nem mesmo na Modernidade. Vivem em uma espécie de cristianismo, que a autoridade eclesiástica está acima da autoridade escriturística. Supervalorizando a figura do líder como uma espécie de “super-homem de Deus”. Ė ele quem determina as normas de conduta, com base na sua palavra pessoal e inquestionável, uma espécie de protótipo da liderança espiritual da Idade Média. Mas por que no Brasil ainda se observa este tipo de mentalidade? Paulo Freire vai fazer uma abordagem crítica do quadro social brasileiro em seu livro Pedagogia da Autonomia, mostrando a miséria humana e a exclusão social brasileira.

Portanto, dois tipos de analfabetismos derivam deste quadro: o analfabeto total, ou seja, aquela pessoa que nem mesmo teve a oportunidade de pegar em um lápis na vida; e o analfabeto funcional, aquela pessoa que sabe ler, mas não compreende o que está sendo lido. Os sociólogos alegam que o grande número de excluídos dentro das igrejas evangélicas se deve ao fato do sentimento de amparado por ela auferido; pela esperança futura que o cristianismo dá ao falar das recompensas da vida por vir e do sofrimento que cessará, por exemplo. Além disso, seu ingresso na igreja seria por receberem alguns benefícios imediatos através de programas sociais. Desta forma algumas lideranças abusam da inocência e despreparo dessas pessoas, manipulando-as para o fim que desejam, revelando um caráter corrompido, abominável e hipócrita da autoridade que dizem possuir.


Certa vez, conversando com uma moça nova “convertida” de uma igreja neo pentecostal, ouvi dela relato que recebera o seguinte conselho de sua liderança: “Deus te dará tudo que você quiser, porque você é Filha do Rei!” Então questionei que tipo de bênçãos ela se referia, ao que ela respondeu: “Todas! Ouro e a prata são do Senhor. Você quer um carro? Tome posse! Quer uma promoção no trabalho? Determine!” Senti uma profunda tristeza, não só por aquela vida, que a esta altura recusava ouvir qualquer ensinamento bíblico que contestasse com seus argumentos, como principalmente pela chamada “igreja evangélica” de nossos dias. Fui rotulada por aquela moça como alguém que não tem fé. Fiquei a pensar o que tem haver falar uma “palavra de autoridade” para subir de cargo no trabalho, se a pessoa for desinteressada, não pontual, antissocial e alienada.  Infelizmente, esta história é verdadeira. Esta moça, tempos depois experimentou a amargura de ver-se na condição de desempregada. Como fica uma pessoa condicionada a responder as mais diferentes dificuldades da vida com “passes de mágica” em suas palavras cheias de jargões? Qual a base intelectual, bíblica e espiritual que esta pessoa tem para perseverar na fé cristã? Que tipo de “cristianismo” é este, onde o indivíduo é senhor de Deus, que existe somente para fazê-lo feliz nesta vida?

Este é o dramático quadro de centenas de igrejas ditas Evangélicas no Brasil, que estão pregando uma fé totalmente desconectada das verdades bíblicas. Mas por que as pessoas não denunciam este posicionamento manipulativo de certos líderes? Isto ocorre principalmente por dois motivos:
1) Falta de maturidade intelectual e bíblica, que traga um questionamento crítico correto sobre o que se prega nos púlpitos e ensinos religiosos;
2) Uma mentalidade “medieval”, no qual essas lideranças exploram com argumentos de que, quem se levantar contra sua autoridade, levanta-se contra o próprio Deus.

O fato é que algumas igrejas ainda fortalecem o discurso de que somente a autoridade eclesiástica é a detentora do poder intelectual e espiritual, dominando a conduta das pessoas de acordo com seus próprios interesses. Temos uma geração de indivíduos que em nome de Deus, autodenominam-se porta-vozes da Palavra, intitulando-se pastores, bispos e até apóstolos. Podemos dizer então que o Brasil tem pessoas subjugadas por sua condição social, com uma mentalidade ainda nos moldes medievais. Reforçada pelo passado recente de uma ditadura histórica brasileira em que a prática da tortura e o exílio foram formas de coagir o inconsciente coletivo a cooperarem com toda e qualquer espécie de autoridade instituída.

Em outra ponta, os valores relativistas do mundo pós-modernos invadem nossas igrejas com seus ensinamentos distorcidos de ideais de liberdade, circulam em nossos Seminários e Instituições de ensino. A crise é tamanha, parecendo não haver esperança mesmo para as igrejas confessionais e reformadas. Constatamos o esfacelamento na crença de um Deus pessoal, por um que mais parece a figura de um “Papai Noel”, e que certamente não é o Deus da Bíblia. Conforme as palavras de Calvino:

“Além disso, aqueles que repudiam as Escrituras, imaginando que podem ter outro caminho que o leve a Deus, devem ser considerado não tanto como dominado pelo erro, mas como tomados por violenta forma de loucura” (CALVINO, João. As Institutas IX. São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1985. p.23).

Felizmente, temos conhecimento que muitas Igrejas e Seminários Teológicos neste país são sérios, maduros e preocupados com a triste realidade acima abordada. Que as Escolas Bíblicas Dominicais de nossas igrejas ensinem a sã doutrina, com a unção e poder do Espírito Santo, através do um bom preparo teológico de nossos professores, comunicando uma linguagem clara, atual, cheia de humildade e fundamentada no amor.

FONTE portal batista

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