terça-feira, 2 de junho de 2015

Lições biblicas Betel 7/6/2015 lição n.10


    ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 10 -                                     Revista da Editora Betel

Os Últimos Conselhos de Um Grande Líder
7 de junho de 2015

Texto Áureo

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rm 12.2



Verdade aplicada

Não haverá nada que mude ao nosso redor, se antes não houver uma transformação em nosso interior.


Textos de Referência


Deuteronômio 8.1-4
1 Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os cumprir; para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o Senhor jurou a vossos pais.
2 E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não.
3 E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram, para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem.
4 Nunca se envelheceu a tua roupa sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos.


INTRODUÇÃO

Moisés reúne o povo e relembra os fracassos da geração passada, ensina a nova geração a não cometer os erros de seus pais e revela-lhes os propósitos de Deus durante os longos quarenta anos de caminhada errante pelo deserto.

1. Quarenta anos de caminhada errante.
Moisés apresenta um cuidado muito especial em sua transição ministerial (Dt 8). Sua preocupação é que o povo não repita os erros do passado e, para isso, insere conselhos maravilhosos para suas vidas.


1.1. Observar o caminho.

Moisés está passando o bastão da liderança, mas, como todo líder compromissado com Deus, ele se preocupa em que aquela nova geração não repita a loucura vivida por seus antepassados. Ele pede que olhem para trás no sentido de refletirem, de observarem o que aconteceu a seus pais, amigos e parentes durante esses quarenta longos anos de provação. Moisés deseja que essa nova geração entenda que precisa mudar de mentalidade para que eles não tenham o mesmo final que seus pais tiveram. Essa geração teria não somente um novo foco, mas também um novo líder. Por isso, deveria pensar diferente, deveria compreender que a oportunidade negada aos seus antepassados agora lhes estava sendo oferecida. Era importante olhar para os prejuízos do passado e valorizar a conquista tão sonhada por uma geração que não morreu escrava no Egito, mas que fora escrava de sua própria mentalidade.

1.2. Guardar o mandamento.
Moisés faz questão de lembrar ao povo que todo o fracasso, sofrimento, provações e problemas vividos por seus antepassados se originaram na desobediência. A Bíblia nos ensina que a fé vem pelo ouvir (Rm 10.17), ou seja, a fé é gerada pela verdade que ouvimos da parte de Deus. Logo a incredulidade é o oposto da fé, ou seja, a ausência da Palavra. Embora a geração passada ouvisse antes de acontecer e presenciasse o que lhes havia sido dito, isso só fazia diferença para eles no momento em que ocorria porque, logo em seguida, eles agiam como se Deus fosse apenas um pai bajulador que deveria somente satisfazer suas necessidades sem que tivessem a responsabilidade de respeitá-lo como Senhor e Salvador de suas vidas. Moisés está alertando essa nova geração a não apenas ouvir, mas a guardar e cumprir (Dt 8.1).


1.3. Guiados por Deus através do deserto.

Durante quarenta anos, Deus não deixou que eles acertassem o caminho e andassem em círculos pelo deserto. Enquanto aquela geração não se consumiu um a um, Deus não revelou a entrada da Terra Prometida. Já se imaginou vivendo toda uma vida sem perspectiva? Sabe o que é viver debaixo de uma sentença irrevogável? O interessante é que mesmo sentenciados à morte, eles viram grandes milagres e incontáveis maravilhas. É pena que um milagre no corpo não ocasiona, necessariamente, a salvação de uma alma. DE toda aquela geração, apenas duas pessoas foram isentas da sentença: Josué e Calebe.


2. Quarenta anos de humilhações. 

Moisés inicia suas últimas palavras falando sobre a observação do caminho. Em seguida, começa a enfocar as lembranças que aquele caminho proporcionou. Ele lembra das provações, das necessidades e das humilhações que já viveram e faz essa dissertação na intenção de que todos tenham a leitura correta do que evitar.

2.1. Livres, vivendo como escravos.
Será que eles estavam certos em dizer que Deus os levou ao deserto para mata-los? (Nm 14.3). Ou eles fizeram tudo errado e extrapolaram os limites do absurdo e da incredulidade? Deus não desejava mata-los diante de todos os povos. O maior problema desse povo é que seus corpos saíram do Egito, mas suas mentes continuavam por lá. Ainda que tivessem saído, eles pensavam como escravos e se sentiam tentados a retornarem à vida anterior (Nm 14.4). Deus os levou pelo deserto e foi apresentado a cada situação, mas eles se acostumaram tanto com as trevas da escravidão que ignoraram a luz da liberdade. Eles jamais observaram que o Deus que estava com eles era o mesmo que havia destruído todos os opressores.


2.2. A humilhação tinha um propósito.

O deserto não é o lugar onde somos derrotados, nem o estágio final de nossas vidas, é lugar de passagem. Enquanto peregrinava no deserto, o povo de Israel era constantemente hostilizado pelas nações ao redor. A ordem era: lutem! Os israelitas derrotaram os amorreus (Nm 21.21-25), os midianitas (Nm 31.1-11) e o povo de Basã (Nm 21.33-35). Se Deus os desejasse exterminar jamais ordenaria que defendessem sua posição. Não era essa a intenção divina; eles pereceram porque não entenderam o que Deus estava realizando em suas vidas. Deus queria que eles conhecessem a si mesmos e lhes deixasse tratar (Dt 8.3).


2.3. Deixou ter fome, mas sustentou com maná.

Existe propósito para todo tempo de secura em nossas vidas. Deus quer nos humilhar e nos provar para ver se o nosso coração é perfeito diante dEle (Dt 8.3). Deus humilhou o povo e o deixou passar fome. Todavia, os sustentou com o maná. Afinal, o povo passou fome ou foi sustentado? Em todas as manhãs, chegava um carregamento direto da mesa de Deus, o pão dos anjos (Sl 78.23-25). Durante quarenta anos, eles jamais perderam a hora do almoço. Então qual é a fome que Moisés está relatando? A prova consistia em testá-los, para saber se amavam mais a Deus do que tudo que deixaram para trás; se o desejavam mais do que as coisas do mundo; se teriam fome e sede de Sua presença e não dos prazeres e conforto do mundo!


3. Quarenta anos de milagres incontestáveis.

O deserto é um período que todo cristão deve passar. Não é um lugar onde devemos buscar sinais e maravilhas, e sim uma íntima comunhão com Deus, que produzirá em nós o caráter e a força do Senhor. Esse tempo de aprendizagem poderá trazer grande desconforto se não tivermos uma visão das promessas de Deus.


3.1. Uma comida desconhecida de todos.

Moisés afirma que o Maná, que descia do céu todos os dias, durante quarenta anos, foi ingerido, mas não foi conhecido nem por eles nem por seus antepassados (Dt 8.3). Isso prova que podemos viver longos anos sem ao menos saber o sentido real daquilo que vem da mesa de Deus. Diante deles, estava o que o salmista chama de: “o pão dos anjos, o pão dos poderosos” (Sl 78.25). Isso significa que era algo que somente havia na mesa de Deus, uma comida espiritual que desintoxicaria os tempos de comida egípcia. Porém eles chamaram aquele maná de comida vil (Nm 21.5). Eles realmente nunca entenderam. O maná é um privilégio de quem vence (Ap 2.17). Sua presença na mesa indicava que Deus os via como vencedores, mas eles sempre agiram como derrotados.


3.2. Um mesmo figurino durante quarenta anos.

Ao olhar para trás é lembrar os fatos ocorridos com a geração passada, a nova geração deveria entender o conteúdo daqueles milagres. A roupa nunca envelheceu, mas era a mesma, o pé nunca inchou, mas era o mesmo calçado (Dt 8.4), ou seja, Deus lhes deu o que necessitavam e nunca o que desejavam. O deserto é uma escola onde aprendemos a não viver de ostentações, a ser simples, a depender daquele que está nos guiando e a contentar-nos com o que temos. Havia pão, nunca faltou, mas não havia presunto, manteiga ou requeijão. O deserto é lugar de milagres necessários. Antes da riqueza da Terra Prometida é preciso passar pela escassez do deserto.


3.3. Aprendendo com os erros.

A tarefa de comunicar ao povo o caminho da verdade não era de Deus, mas do líder. Moisés conhecia muito bem aquele povo e entendia que seres humanos sempre erram repetidamente. Fazer o povo reviver as situações passadas lhes acrescentaria uma mescla de força e temor. Moisés deixou bem claro que seus pais comeram o maná da mesa de Deus e morreram. Porém, a vida estava em observar o que saía da boca de Deus (Dt 8.3). Aquela nação saiu milagrosamente do Egito, presenciou milagres como nenhuma outra. Agora o maior perigo não reside nos inimigos, mas em não tê-los. A terra da bênção pode ser tão perigosa quanto a terra da aflição. No deserto, tornamo-nos dependentes sensíveis, mas, na terra da promessa, podemos esquecer quem um dia já fomos.


CONCLUSÃO


Tudo o que é novo pode surpreender e a nova terra estava cheia de perigos ao redor. As instruções conduziam a nova geração a aproximar-se de Deus, a temê-Lo e a obedecer-lhe. Chegou o dia do cumprimento da promessa; passou um ciclo, mas outro ciclo se iniciaria e uma nova história seria escrita por aquela geração.

Revista lições betel 31 de maio 2015 lição 9

     
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Construindo Bezerros de Ouro

31 de maio de 2015

Texto Áureo
“E naqueles dias fizeram o bezerro, e ofereceram sacrifícios ao ídolo, e se alegraram nas obras das suas mãos”. At 7.41


Verdade Aplicada

A penalidade para aquele que trai a confiança do Senhor é a dura realidade de ter que avançar sem a Sua presença e a Sua proteção.

Textos de Referência


Êxodo 32.1-4
1 Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu.
2 E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas e trazei-mos.
3 Então, todo o povo arrancou os pendentes de ouro que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão,
4 E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então, disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito.

Introdução

O pedido dos israelitas não significava necessariamente que esses indivíduos estivessem rejeitando ao Senhor, eles queriam Deus, mas um Deus de acordo com o que suas mentes imaginavam (Êx 32.1).

1. Arão e o bezerro de ouro.
A demora de Moisés foi o perfeito álibi para que o povo retrocedesse seu coração de volta ao Egito. Inquietos pela ausência do líder visível, que há quarenta dias estivera no monte, eles se uniram para fazer um pedido especial a Arão, o responsável na ausência de Moisés. Vejamos:

1.1. O pecado da leitura errada.

O que você faria se seu pastor sumisse sem dar notícias durante quarenta dias? O povo esperou e ao fim de quarenta dias se desesperançou. Ao verem o monte a fumegar, o ruído dos trovões e os relâmpagos sob a montanha, concluíram que Moisés havia morrido (Êx 20.18; 32.1). Na verdade, eles não podiam ficar para sempre parados no deserto. O povo queria saber a quem seguir e em que acreditar. Sem respostas, eles pedem a Arão que confeccione um deus para que adorem. Eles tinham um pensamento correto, mas com a leitura errada. Seus corações nunca compreenderam quem era realmente o Deus a quem estavam servindo. É possível criar uma imagem de Deus segundo nossa própria imaginação. Para Moisés, o Senhor era um amigo íntimo que falava face a face. Para eles, o Senhor era apenas um deus que poderia ser trocado por qualquer outro caso não atendesse seus desejos.

1.2. O pedido do povo e a fraqueza de Arão.

Muitos eruditos tentam defender Arão, afirmando que ele cedeu porque temeu o povo ou porque não acreditava que eles se desfariam de seus pendentes de ouro. Arão era influente, mas não teve personalidade para liderar o povo. Fez tudo errado e foi dele a ideia de confeccionar um bezerro. (Êx 32.2, 4). De onde terá vindo sua inspiração? É provável que Arão tenha tentado copiar o Touro Ápis, símbolo da força e da fecundidade, que era cultuado no Egito. Será que poderíamos imaginar como seria o destino de Israel se Moisés não voltasse e Arão assumisse? Misericórdia!

1.3. O encontro de Moisés com Arão.

Ao descer do monte e ver toda aquela adoração, Moisés confronta Arão, que rapidamente coloca a culpa no povo (Êx 32.22). Logo em seguida Arão mente de forma descarada, pois afirma que colocou o ouro no fogo e saiu o bezerro (Êx 32.24). Será que ele estava querendo dizer que aconteceu um milagre? Como é fácil para alguns líderes procederem como Arão. Antes de agirem, sondam meticulosamente opinião pública. Pensam que é imprudente ser muito rígidos. Julgam necessário tolerar as fraquezas carnais e concordar com as tendências atuais. Acreditam que não se pode ter sucesso a menos que acompanhem a multidão; para eles é melhor abrir mão da verdade do que perder a influência sobre as pessoas. O problema deles é o que dirão no dia do acerto de contas.

2. Moisés e as tábuas da Lei.

Deus, por misericórdia, revelou a Moisés a idolatria de Israel. Sua palavra soava como uma rejeição (Êx 32.7). Ciente, Moisés intercede, mas, ao descer do monte, quebra a Lei e pune os culpados. Três coisas iremos destacar neste ponto: a intercessão de Moisés; o porquê de quebrar as tábuas e a maneira como se interpôs diante de Deus pelo povo.

2.1. A intercessão de Moisés.

A avaliação que Deus fez dessa multidão perversa era muito clara: “De dura cerviz”. Essa expressão é aplicada a cavalo ou boi rebelde que não se deixa ser controlado por rédeas. Israel se recusara a obedecer ao concerto que fizera. Deus quer destruir o povo, mas, com uma coragem que só poderia vir de uma fé robusta, Moisés rogou: “Toma-te da ira do teu furor e arrepende-te deste mal contra o teu povo”. Pediu, também, que Deus se lembrasse das promessas feitas aos patriarcas, a quem, pelo Seu nome, jurara dar a terra da promessa eternamente. Na defesa perante Deus, há três argumentos para o Senhor não exterminar o povo. Primeiro, este procedimento anularia as vitórias anteriores. Segundo, daria ocasião aos egípcios para se gloriarem. E, por último, quebraria a promessa feita a Abraão. Todos esses argumentos foram apelos fundamentados na glória de Deus e, com certeza, um verdadeiro exemplo de oração intercessora (Êx 32.7-15).

2.2. Moisés quebra as tábuas da Lei.

Moisés teve compaixão e suplicou pela moderação da ira de Deus, mas, quando viu pessoalmente o mal do povo, sentiu a mesma ira que Deus expressara. No entanto, a ira santa tinha de ser abrandada com compaixão amorosa. Moisés tinha em mãos a própria Lei, que condenava à morte o povo rebelde. Se a punição da Lei fosse implementada imediatamente, Israel teria que morrer. O povo quebrara a Lei. Enquanto estava diante dos israelitas e observara a lascívia que faziam, Moisés ergueu a Lei acima da cabeça e, provavelmente à vista de todos, lançou as tábuas ao chão com força e ímpeto. Ele lhes trouxera algo de que eram indignos. Estavam totalmente desqualificados para receber aquele dom de Deus. Ou as tábuas tinham que ser quebradas ou o povo tinha que ser destruído. Moisés quebrou as tábuas. Ele desfez o trabalho de Deus para poupar a vida do povo.

2.3. Moisés, o mediador.

Ao organizar o arraial, os rebeldes foram punidos, mas a Lei estava quebrada e Moisés deveria retornar a presença do Senhor tanto para reconciliar Israel quanto para reparar os danos causados ao trabalho divino. Moisés tinha de achar um meio de voltar a uma relação de concerto com Deus. Na presença de Deus, Moisés confessou o pecado de Israel e com uma santa ousadia disse: “perdoa o seu pecado, se não, risca-me peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32.32). “Riscar” significa: “cortar” da comunhão com o Deus vivo, ou entregar a morte”. O amor de Moisés pelos israelitas era tão grande que ele não se importava em viver, a menos que Deus lhe perdoasse. Ele só desceria do Sinai com o perdão e a paz estabelecida entre Deus e todo o povo. Que exemplo de líder foi Moisés. As paixões carnais vividas pelo povo de Israel trouxeram sérios apuros para Moisés. Colocar sua própria vida à prova é um ato que vai além do amor, que poucos homens ousariam tentar.

3. O bezerro de ouro no coração humano.

O grande problema de Israel não estava no pensamento da morte de Moisés ou porque a paciência esgotou. Isso não justifica a confecção de um ídolo e uma adoração tão fervorosa. O bezerro vai muito além de uma estátua, ele representa um problema do íntimo do coração humano. Vejamos algumas lições importantes:

3.1. A dificuldade humana de ter uma verdadeira fé.

Embora o coração do povo pudesse necessitar de uma prova visível, Deus já lhes havia dado manifestações do Seu poder e amor, mas seus corações insensatos não puderam discernir. Por um momento, eles se esqueceram de tudo o que Deus realizou e como os livrou do Egito. Eles ignoraram o sobrenatural e, sem paciência, fizeram o incompreensível. Na verdade, usando o artifício de que queriam agradar a Deus, eles buscavam agradar a si mesmos. Qual a diferença do povo que adorou o bezerro e o povo dos dias atuais? Atualmente temos motivos para ir ao templo, mas, lamentavelmente, muitos deles não são o Evangelho. Temos uma geração indiferente, com cultos de satisfações humanas que nada produzem a não ser muito barulho e pouco caráter cristão. A quem buscamos agradar afinal? A Deus ou a nós mesmos?

3.2. Adorando ao Bezerro.

O que é a religiosidade senão um bezerro? Mesmo não fazendo ídolos, podemos ser culpados de procurar moldar nosso Deus à nossa imagem para justá-lo às nossas expectativas, desejos e circunstâncias. Quando fugimos da Palavra, fugimos da leitura perfeita de quem Deus realmente é, qual é a Sua vontade, como devemos nos aproximar dEle, com que espécie de sacrifícios Ele se agrada e de que forma Ele deve ser adorado. O bezerro de ouro é o símbolo de uma indefinição religiosa, de querer controlar aquilo que é incontrolável. A ideia de um deus feito ao nosso desejo com a de um Deus Senhor da história é aceitar a vontade de Deus sem renunciar a vontade própria. Em definitivo, é chamar de Deus ao que nada mais é que um ídolo.

3.3. O bezerro da aparência.

A tentação mais forte que Israel sofreu ao longo da história foi a idolatria. Rodeado de povos que davam culto aos ídolos, sentiam o desejo de se unirem aos ritos que com frequência eram mais vistosos e atrativos que os seus. Porém, mais perigosa que a tentação, era a idolatria da própria ideia de Deus. Eles não aceitavam a ideia de um Deus vivo que não podiam manipular. Queriam um Deus concreto que pudessem apalpar. É a tentação da aparência, do imediato; um intento de materializar o sagrado. Sua declaração comprovava que não compreenderam o êxodo. Eles não diziam que havia sido Deus e sim Moisés quem os havia tirado da terrado Egito. Eles não entenderam que Moisés era somente um intermediário (Êx 32.1).

Conclusão


O bezerro de ouro pode ser qualquer coisa que ainda está abrigada em nossos corações e nos encaminha a identificar ao Senhor não de modo sobrenatural, mas humano. Resultando numa fé que não foi construída naquilo que Deus disse, a qual nos leva a satisfação e nunca à transformação.

LIÇÕES CPAD Jesus e o dinheiro 7/6/2015

         

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Jesus e o Dinheiro

7 de Junho de 2015

TEXTO ÁUREO
"E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!" Lucas 18.24


VERDADE PRÁTICA

As Escrituras não condenam a aquisição honesta de riquezas, e, sim, o amor a elas dispensado.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Lucas 18.18-24
18 - E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?
19 - Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
20 - Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
21 - E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.
22 - E, quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
23 - Mas, ouvindo ele isso, ficou muito triste, porque era muito rico.
24 - E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!

INTRODUÇÃO

O cristianismo bíblico e ortodoxo sempre manteve uma posição de cautela e até mesmo reserva com respeito ao uso do dinheiro e aquisição de riquezas. Na verdade, os primeiros líderes cristãos, inspirados nos ensinos de Jesus, passaram a desestimular a aquisição de bens materiais. Entretanto, o secularismo e o materialismo sempre rondaram o arraial cristão e, vez por outra, Mamon tem deixado suas marcas em nosso meio.
Observaremos, nesta lição, que os ensinos de Jesus sobre a aquisição de riquezas se distanciam do judaísmo de seus dias e, também, daquele que é praticado hoje por muitos setores do cristianismo evangélico. Longe de estimular a aquisição de bens, como fazem dezenas de igrejas, Jesus aconselhava se desvencilhar delas.
Aprendamos com o Mestre o uso correto do dinheiro e como ser bons mordomos dos bens que nos foram confiados.

I. O DINHEIRO, BENS E POSSES NAS PERSPECTIVAS SECULAR E CRISTÃ


1. Perspectiva secular.
Uma das formas mais comuns de se enxergar o dinheiro, bens e posses na cultura secular é vê-los apenas como algo de natureza puramente material. Tanto no mundo antigo quanto no contemporâneo, é possível observar que a realidade material pareceu sempre se sobrepor à espiritual. O material passa a dominar a vida das pessoas e isso inclui dinheiro, bens e posses. No Mundo Ocidental, essa forma de enxergar as coisas transformou-se em uma filosofia de vida que se recusa a enxergar outra coisa além da matéria. Por essa perspectiva, o material é superestimado enquanto o espiritual é ignorado e suplantado. Nesse contexto, quem tem posses é valorizado, e quem não as possui nada vale. O dinheiro, como valor material que garante posses, ganha o status de senhor em vez de servo.

2. Perspectiva cristã.
No contexto cristão, o mesmo Deus que fez o espiritual é o mesmo que fez o material. Nos ensinos de Cristo, não há um dualismo entre matéria e espírito! Todavia, as coisas espirituais, por serem de natureza eterna, ganham primazia sobre as materiais, que são apenas temporais (Lc 10.41). Na perspectiva cristã, portanto, as dimensões material e espiritual devem coexistir. Assim como servimos a Deus com o nosso espírito, nossa dimensão espiritual, devemos também servir com o nosso corpo (1 Co 6.19,20; 1 Ts 5.23), nossa dimensão material. Dessa forma, quem se tornou participante dos valores espirituais deve também servir com seus bens materiais (Rm 15.27; Lc 8.3). Aqui, o dinheiro, como valor material, não é visto como senhor, mas apenas como um servo.

II. DINHEIRO, BENS E POSSES NO JUDAÍSMO DO TEMPO DE JESUS


1. Ricos e pobres.
No judaísmo do tempo de Jesus, a sociedade estava dividida em dois grupos: os ricos e os pobres. Na classe mais abastada, estavam os sacerdotes, participantes de uma elite que controlava o sistema de sacrifícios e lucravam com ele, e os herodianos que possuíam grandes propriedades. Um outro grupo era formado por membros da aristocracia judaica que enriqueceu à custa de impostos de suas propriedades e ao seu comércio. O último grupo era formado por judeus comerciantes, que, embora não possuíssem herdades, participavam ativamente da vida econômica da nação. No extremo oposto dessa situação, estavam os pobres! Estes eram "o povo da terra" (Lc 21.1-4). Não possuíam nada e ainda eram oprimidos pelos ricos (Tg 2.6).

2. Generosidade e prosperidade.
Na cultura judaica nos dias de Jesus, a posse de bens materiais não era vista como um mal em si. O expositor bíblico P. H. Davids observa que os exemplos de Abraão, Salomão e Jó serviam de inspiração àqueles que almejavam a prosperidade. A ideia era que os ricos prosperavam porque sobre eles estava o favor de Deus. Dessa forma, a prosperidade passou a ser associada à piedade. Para evitar a avareza e a ganância, a tradição rabínica estimulava os ricos a serem generosos e solidários com os pobres, que era maioria na comunidade. Evidentemente que essa concepção estimulava apenas as ações exteriores, sem levar em conta as atitudes interiores (Lc 21.4).

III. DINHEIRO, BENS E POSSES NOS ENSINOS DE JESUS


1. Jesus alertou sobre os perigos da riqueza.
O ensino de Jesus sobre o uso das riquezas foi muito mais radical do que ensinava o judaísmo e a tradição rabínica dos seus dias. Jesus, ao contrário dos rabinos, não associou a piedade com a prosperidade. A riqueza de alguém nada dizia sobre a sua real condição espiritual. Para Jesus, o perigo das riquezas estava no fato de que elas poderiam, até mesmo, se transformar numa personificação do mal e reivindicar o culto para si. Por isso, advertiu: "Não podeis servir a Deus e [as riquezas]" (Lc 16.13). O vocábulo traduzido como "riqueza", nesse texto, corresponde à palavra grega de origem aramaica Mammonas, traduzida na ARC como Mamom. A riqueza pode se transformar em um ídolo, ou deus, para aqueles que a possui. Nesse aspecto, as riquezas tornam-se um obstáculo no caminho daquele que serve a Deus (Lc 8.14).

2. Jesus ensinou a confiança em Deus.
Embora Jesus tenha mostrado que as riquezas podem, até mesmo, se tornar uma personificação do mal, Ele não as demonizou. No entanto, na perspectiva lucana, Jesus desencoraja a aquisição de riquezas (Lc 12.13; 18.22) e estimula a confiança em Deus. E havia uma razão para isso. Logo após mostrar os perigos da avareza a alguém que queria fazer dEle um juiz em uma questão relacionada a uma herança, Jesus revela a seus discípulos que a melhor forma de se proteger desse mal é confiar inteiramente na provisão divina (Lc 12.13-34). As riquezas dão a falsa sensação de segurança e de independência das coisas espirituais. Daí, sua recomendação para não se confiar nelas (Lc 12.33,34).

IV. DINHEIRO, BENS E POSSES NA MORDOMIA CRISTÃ


1. Avaliando a intenção do coração.
Os léxicos definem a avareza como um apego demasiado e sórdido ao dinheiro e mesquinhez. Vimos que, para evitar esse mal, a tradição rabínica estimulava as práticas filantrópicas e solidárias. O ensino de Jesus sobre o uso das riquezas vai muito além da simples doação de bens e ações filantrópicas. Ele não se limitava a avaliar apenas as ações exteriores, mas, sobretudo, voltava-se para as atitudes interiores. Dessa forma, valorizou as atitudes da mulher pecadora na casa de Simão, o leproso, e de Maria de Betânia, a irmã de Marta e de Lázaro (Lc 7.36-50). Não era, portanto, apenas se desfazer dos bens, mas a atitude e intenção com que isso era feito (Lc 11.41; 21.1-4). Não basta apenas ofertar, ou dar o dízimo, mas a atitude com que se faz essas coisas. Não era apenas doar, mas doar-se.

2. Entesourando no céu.
Mordomo é alguém que administra os bens de outra pessoa. Os bens não lhe pertencem, mas ele pode usufruir deles enquanto os administra para seu legítimo dono. Jesus contou a parábola do administrador, ou mordomo infiel, para mostrar esse fato (Lc 16.1-13). O entendimento entre os intérpretes da Bíblia é que essa parábola tem um fim escatológico. Assim como os filhos deste mundo são perspicazes e astutos no que diz respeito ao uso de suas riquezas, assim também os filhos do Reino devem ser sábios na aplicação de seus bens. O ensino da parábola é que o melhor investimento é usar os recursos materiais adquiridos na propagação do Reino de Deus e, dessa forma, ganhar amigos para a vida eterna (Lc 16.9).

CONCLUSÃO


Não há valor moral no dinheiro em si. Ter dinheiro pode ser uma coisa boa ou ruim. Isso vai depender do conjunto de valores daquele que o utiliza. Certamente, usar o dinheiro para ajudar uma obra filantrópica, ou investir na obra missionária, é uma coisa útil e louvável. Todavia, usar esse dinheiro, como advertiu Jesus, simplesmente com a atitude de querer mais posses, mais prestígio, mais autossatisfação, acaba se tornando uma coisa ruim. Leiamos com cuidado o terceiro Evangelho e descubramos o exercício da verdadeira mordomia cristã.

LIÇÕES CPAD as limitações dos dicipulos 31/5/2015 segundo trimestre

          
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As Limitações dos Discípulos
31 de maio de 2015

TEXTO ÁUREO

"E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam."
(Lc 9.40)


VERDADE PRÁTICA
Ao longo de seu ministério, Jesus foi seguido por homens simples, imperfeitos e limitados, mas jamais os descartou por isso. 


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Lucas 9.38-42,46-50
38 - E eis que um homem da multidão clamou, dizendo, Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que eu tenho.
39 - Eis que um espírito o toma, e de repente clama, e o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado.
40 - E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.
41 - E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me cá o teu filho.
42 - E, quando vinha chegando, o demônio o derribou e convulsionou; porém Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai.
46 - E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.
47 - Mas Jesus, vendo o pensamento do coração deles, tomou uma criança, pô-la junto a si
48 - e disse-lhes: Qualquer que receber esta criança em meu nome recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande.
49 - E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco.
50 - E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.


INTRODUÇÃO

Os discípulos de Cristo demonstraram, em certos momentos da vida, exclusivismo, egoísmo, imaturidade, bairrismo, etc. Eles erraram quando se esperava que acertassem (Lc 9.40,41). Jesus censurou tais comportamentos e corrigiu o grupo, mas não abandonou os discípulos. 
Nesta lição, veremos como, em diferentes circunstâncias, os discípulos agiram de forma oposta àquilo que o Senhor lhes havia ensinado e como Jesus os conduziu à maneira certa de agir. Esses fatos demonstram que os seguidores de Cristo não eram super-homens, mas, sim, seres humanos que viviam suas limitações e, como tal, dependiam de Deus para superá-las. Esses exemplos servem para nos orientar em nossa jornada de fé a fim de que possamos cultivar as verdadeiras virtudes cristãs. 


I - LIDANDO COM A DÚVIDA


1. A oração e a fé.
Logo após acalmar a tempestade no mar da Galileia, Jesus perguntou aos seus discípulos: "Onde está a vossa fé?" (Lc 8.25). Essa não foi a única vez que o Senhor censurou os discípulos por não demonstrarem a fé necessária em Deus. Quando viu a inoperância dos discípulos frente a um menino endemoninhado, Ele disse: "Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei?" (Lc 9.41). Há algo em comum nestas passagens bíblicas - elas se relacionam com a vida devocional dos discípulos. A timidez mostrada durante a travessia do mar (Lc 8.25) e a falta de autoridade para expelir o demônio do garoto eram frutos de uma vida devocional pobre. Pouca oração, pouco poder! Nenhuma oração, nenhum poder! As passagens paralelas de Mateus e Marcos demonstram tal princípio (Mt 8.23-27; 17.14-20; Mc 4.35-41; 9.14-29). 

2. A Palavra de Deus e a fé.
Se a falta de oração traz incredulidade, por outro lado, a falta de conhecimento da Palavra de Deus produz efeito semelhante. É isso o que mostra a história dos dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-35). No mesmo dia em que ressuscitou, o Senhor apareceu a dois deles quando se dirigiam para a aldeia de Emaús, cerca de 12 quilômetros de Jerusalém. Depois de dialogar com eles, Jesus percebeu o quanto eram incrédulos. O Mestre reprovou a incredulidade dos discípulos e os chamou de néscios, isto é, desprovidos de conhecimento ou discernimento (Lc 24.25). Atualmente, também, muitos que se dizem discípulos, estão sem conhecimento, discernimento e fé no mover de Deus. Que o Senhor Jesus encha os nossos corações de fé para que possamos viver e pregar a sua Palavra. 


II - LIDANDO COM A PRIMAZIA E O EXCLUSIVISMO 


1. Evitando a primazia.
Lucas registra que "suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento do coração deles, tomou uma criança, pô-la junto a si" (Lc 9.46,47). Os discípulos precisavam de uma lição a respeito de humildade. O exemplo de Jesus ao tomar uma criança, foi excelente e, com certeza, eles puderam ver o quanto eram egoístas e ambiciosos. 
O adjetivo comparativo meizon, traduzido como "maior", nesse texto, mantém o sentido de "mais forte que". A ideia aqui é de primazia! Quem é o primeiro? Quem é o mais forte? Quem é o mais apto? Pensamentos assim não refletem a mente de Cristo, mas uma mente mundana e secularizada. Infelizmente, muitos problemas nas igrejas são causados por leigos e clérigos que querem exercer a primazia. Em Cristo Jesus, todos são iguais. Não somos superiores ou inferiores a ninguém.

2. Evitando o exclusivismo.
Jesus também combateu o exclusivismo que se revela através da mentalidade de um grupo fechado (Lc 9.49,50).
A razão dada pelos apóstolos para barrarem a ação daquele homem foi que ele não fazia parte do grupo. Jesus mostra que o fato de expulsar os demônios pela autoridade do seu nome e partilhar das mesmas convicções dos apóstolos credenciava aquele homem a exercer o seu ministério. Embora não fizesse parte do grupo dos Doze, partilhava da mesma fé. Não se trata, portanto, de validar crenças e práticas sectárias ou heréticas, mas sim de não permitir que o exclusivismo religioso nos cegue de tal forma que só venhamos a enxergar o nosso grupo. 


III - LIDANDO COM A AVAREZA


1. Valores invertidos.
No relato de Lucas, Jesus acabara de incentivar seus discípulos a dependerem do Espírito Santo (Lc 12.12) quando um homem que estava no meio da multidão falou: "Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança" (Lc 12.13). Essa solicitação estava na contramão dos ensinos de Cristo e por isso recebeu a censura dEle: "Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?" (Lc 12.14). Enquanto Jesus ensinava a se evitar uma atitude legalista e materialista, esse homem age de forma diametralmente oposta àquilo que fora ensinado. Ele estava preocupado com a herança! Como muitos fazem hoje, não estava preocupado em seguir os ensinos de Cristo, mas usá-lo como trampolim para alcançar seus objetivos - a satisfação material. 

2. Evitando a ansiedade.
Logo a seguir, Jesus profere um dos mais belos ensinamentos sobre como deve ser a vida de um verdadeiro discípulo (Lc 12.22-34). Jesus ensina a respeito das preocupações da vida. Como discípulos de Cristo não podemos viver ansiosos pelas coisas desta vida. Precisamos aprender a confiar em Deus, nosso provedor. 
As palavras de Jesus também revelam duas maneiras de se enxergar o mundo - mostra como "os gentios do mundo" (Lc 12.30) entendem a realidade à sua volta e como os seus discípulos deveriam agir diante das mesmas circunstâncias. São duas cosmovisões totalmente diferentes e opostas entre si. Enquanto uma interpreta a realidade da vida tomando por base os valores meramente materiais, a outra a vê a partir de valores absolutos e espirituais. 


IV - LIDANDO COM O RESSENTIMENTO (Lc 17.3,4)


1. A necessidade do perdão. 
Jesus sabia quão maléficos são a falta de perdão e o ressentimento. De fato, a Bíblia mostra que a raiz de amargura é um mal que deve ser evitado a qualquer custo (Ef 4.31). A falta de perdão é vista como uma raiz que produz brotos extremamente maléficos (Hb 12.15). No terceiro Evangelho, Jesus nos ensina que a forma correta de se manter livre desse veneno é possuir uma atitude pronta a perdoar. " Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe; e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe" (Lc 17.3,4).

2. Perdão, uma via de mão dupla.
Jesus também mostrou que o perdão é uma via de mão dupla (Lc 6.37). Quando ensinou sobre o perdão na oração do Pai Nosso, Jesus foi categórico em dizer que quem não perdoa também não será perdoado: "Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas" (Mt 6.15). Não há dúvidas de que há muitos cristãos com doenças psicossomáticas simplesmente porque não conseguem perdoar. Guardam ressentimentos na alma como quem guarda dinheiro em banco! James Dobson, famoso psicólogo cristão, disse que daria alta a oitenta por cento de seus pacientes se eles conseguissem perdoar ou se sentissem perdoados! 


CONCLUSÃO

Ao estudarmos as limitações dos discípulos, alguns fatos ficam em evidência. Observamos que a incapacidade para enfrentar Satanás em Lucas 9.40 é justificada em Mateus 17.20 pela falta de fé; a incredulidade dos discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-35) é justificada pela falta de conhecimento das Escrituras (Lc 24.25-27); o desejo por grandeza e primazia (Lc 9.46-48) é uma consequência de terem se amoldado à cultura do mundo, e a falta de perdão existe por não se reconhecer a natureza perdoadora do Pai celestial.